sábado, 3 de novembro de 2012

Como é possível?...os cemitérios, os semáforos, a iluminação e o sistema de rega pagam taxa audiovisual...



Se eu não tivesse lido o artigo nas "Notícias ao minuto" de 02.11.2012, não acreditava!!!

Decidi transcrevê-la, sempre se torna mais autêntica e nos alerta para tudo o que nos está a acontecer neste país...
http://www.noticiasaominuto.com/politica/18058/cemit%c3%a9rio-sem%c3%a1foros-ilumina%c3%a7%c3%a3o-e-sistema-de-rega-pagam-taxa-audiovisual

Maia

Cemitério, semáforos, iluminação e sistema de rega pagam taxa audiovisual


O presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, exige ao Governo a suspensão da taxa de audiovisual incluída na factura de electricidade dos equipamentos públicos da autarquia, como o cemitério, os semáforos, a iluminação e o sistema de rega.


POLíTICA


DR 08:47 - 02 de Novembro de 2012
Por Notícias Ao Minuto

“É um escândalo absurdo”. É assim que o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, classifica a cobrança da taxa de audiovisual na factura de electricidade dos equipamentos públicos da autarquia, como o cemitério, semáforos, iluminação e sistema de rega.


Em declarações ao Jornal de Notícias (JN), o autarca revela que a cobrança daquela taxa custa entre 25 e 30 mil euros por ano e que vai exigir a sua suspensão. “Mas faz algum sentido o cemitério pagar taxa de audiovisual?, questiona.


Recorde-se que a contribuição para o audiovisual foi criada em 2003 para o financiamento do serviço público de radiodifusão e de televisão. Desde então, a taxa é cobrada na factura da electricidade, sendo actualizada conforme a inflação. Apenas os consumidores que gastam menos de 400 Kwh por ano estão isentos desta taxa.

Como vai a Educação no Pré-Escolar...



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A Educação do meu Umbigo


Do Pré-Escolar


by Paulo Guinote (http://educar.wordpress.com/)

  A realidade surreal do pré-escolar


Sou Educadora de Infância há 30 anos na rede pública do Ministério da Educação. Iniciei o meu percurso profissional nos anos dourados do pré-escolar em Portugal. Esse era o tempo dos pequenos Jardins de Infância de aldeia, bem integrados nas suas comunidades, interpelando-as culturalmente e em franco diálogo com as famílias. Esse era o tempo em que a bandeira agitada defendia que este tipo de estrutura se destinava a responder às necessidades pedagógicas das crianças e não das famílias. Não havia almoços nem prolongamentos de horário com nomes pomposos como “Actividades socioeducativas”. As crianças não permaneciam no Jardim tempo demais, eram serenas e viviam mais felizes.


Que longe estamos desses anos. Assistimos nos últimos tempos à caça aos chamados Jardins de Infância isolados. Qual será a razão? Com o argumento de centralizar e rentabilizar recursos que, supostamente, melhorariam a qualidade do ensino, os mega-agrupamentos escolares crescem como cogumelos, esvaziando as aldeias de crianças, que agora se amontoam em Escolas com vários ciclos de Ensino. O presente das Escolas Novas, com cores belas, bibliotecas, pavilhões multiusos, etc… revelou-se no entanto um presente envenenado. Em Educação, o formato mega não traz mais qualidade, e a massificação acarretou, claramente, menos qualidade no ambiente escolar, no atendimento pessoal e na actividade educativa.


Rentabilizar recursos significou desde logo que deixasse de existir 1 (uma) Assistente Operacional (auxiliar de educação) por cada grupo de Jardim. O rácio agora é de 1 (uma) Assistente para cada 2 (duas) salas. O panorama real pode ser, por exemplo, que, para uma Escola com 3 (três) salas de Jardim e 5 (cinco) de 1.º ciclo, existam apenas 4 (quatro) Assistentes Operacionais. O significado disto é o seguinte: uma Educadora que tem um grupo heterogéneo de 25 crianças, com 2, 3, 4 e 5 anos, passa pelo menos duas horas e meia por dia a braços com todo o grupo, sem qualquer apoio.


Oiço colegas jovens a fazerem-me relatos desesperados. Conta-me a Vera que, durante os primeiros dias deste ano, teve 30 crianças (por atraso na colocação de uma colega, uma turma havia sido dividida pelas demais Educadoras). Entre choros de início de ano lectivo, conflitos a gerir entre as crianças, crianças que faziam xixi e precisavam de ser mudadas, com uma casa de banho fora do alcance visual da Educadora e sem uma Assistente para lhe dar apoio a tempo inteiro… imagine-se o caos! Não é de estranhar que, num desses momentos, uma criança tenha escorregado e aberto o sobrolho numa ida ao WC. Quando a Educadora chegou ao local constatou o facto e, além de ter que dar a ajuda necessária a esta criança, e localizar a auxiliar que se encontrava em parte incerta, ao chegar à sala já tinha outra criança a precisar de ser mudada e mais 28 que precisavam da sua supervisão. Ao fim do primeiro mês de trabalho desabafa: “Ainda não consegui começar a trabalhar... Já me pergunto que sentido tem esta profissão neste contexto”.


A Isabel e a Manuela relatam-me outras situações caóticas nos seus pólos escolares decorrentes de rácios de 1 (um) adulto por 25 crianças na hora de almoço, havendo situações piores. Se uma criança precisar de ir ao WC nesta hora, pode ter que percorrer corredores fora do alcance da supervisão do adulto até ao WC mais próximo. A alternativa será o adulto acompanhá-la e deixar sem supervisão os outros 24! Lembremos que nos grupos de pré-escolar existem crianças com apenas 2 anos!


Se falarmos das horas de recreio após almoço, a situação ainda se agrava: é possível estarem 150 (cento e cinquenta!) crianças de pré-escolar e 1.º ciclo, e até mais, no mesmo espaço, durante hora e meia, sob a supervisão de apenas 2 (duas) Assistentes Operacionais. É evidente que o objectivo inglório e desesperado deste pessoal auxiliar acaba por ser evitar que alguém vá parar ao hospital. Mas é impossível evitar “galos”, mazelas várias, arranhões e nódoas negras sobre as quais os pais vêm pedir explicações (em mau tom) às Educadoras, que nem sequer estavam presentes por se encontrarem na sua hora de almoço.


Para piorar o panorama, o que qualquer Educador com duas ou três dezenas de anos de serviço pode confirmar, é que os grupos são cada vez mais caóticos. Agitação, desconcentração, comportamentos disruptivos, desafio da autoridade do adulto, brincadeiras violentas claramente influenciadas pelo consumo desregrado de televisão, desenhos animados e jogos violentos, são a realidade quase generalizada hoje em dia.


Para completar o cocktail explosivo, surgiu a famosa ideia da Escola inclusiva, para a qual não faltariam todos os apoios e mais uns quantos… nas palavras dos políticos que “venderam” esta ideia poética aos professores e ao País. É por isso que Isabel, a trabalhar num Jardim de Infância de um bairro problemático de Lisboa, com uma sala que nem tem as dimensões regulamentares, tem duas crianças com Necessidades Educativas Especiais integradas num grupo que não usufruiu de redução de número, como devia, e está a funcionar nestas condições partilhando a Assistente Operacional com outro grupo. Também ela tem que esperar à porta da sua sala, seguindo com o olhar o percurso que as crianças fazem pelo corredor até ao WC, deixando de estar com o grupo para assegurar que o trajecto é feito em segurança e que a criança não se perde pelos labirintos de uma escola com uma dimensão desumanizada e desajustada para a sua idade.


Junto-me com as colegas e partilhamos desabafos. Temos idades diferentes, mas há algo em comum. Estamos no início do ano lectivo e já quase à beira de um ataque de nervos. Trabalho de qualidade passa a ser uma miragem e a frustração e o cansaço instalam-se, cada vez mais depressa, a cada ano que passa. Como desenvolver projectos bem estruturados, se nem a questão da segurança física e emocional das crianças está assegurada?


E sou tentada a fazer comparações com uma realidade que conheço. A Experiência Pré-Escolar de Reggio Emilia (Itália) é considerada pioneira em qualidade de Educação de Infância a nível mundial. Cada grupo tem 1 (um) Educador e 2 (duas) Auxiliares! Cada Instituição tem ainda 1 (um) atelierista que trabalha em Artes com as crianças, e o município conta com 1 (uma) pessoa formada em Teatro que trabalha com todos os Jardins.


Sou Educadora há 30 anos. Tenho paixão pelo meu trabalho e não poderia fazer outra coisa na vida. Felizmente, tenho a sorte de estar num Jardim de Infância de aldeia e com pessoal suficiente para exercer a minha missão com qualidade e dignidade, mas sinto um desgosto profundo ao assistir à forma como se trata a Infância e os profissionais de Educação em Portugal. Os erros são muitos e crassos e estão generalizados. Não há visão de futuro e o abismo está perigosamente perto. O sistema suga toda a energia de Educadores e Professores, que só sobrevivem ao caos se tiverem uma saúde mental de ferro. Ao fim de um mês de trabalho, muitos dizem, desalentados, que não sabem se vão aguentar até ao fim do ano lectivo.


PS – Os nomes das minhas colegas são fictícios. Vivemos numa era de incertezas e, infelizmente, o receio não aconselha a “dar a cara”.


Helena Martinho


Educadora no Jardim de Infância do Vimeiro
Paulo Guinote
Novembro 1, 2012 ás 10:51 am
Categorias: Pré-Escolar, Testemunhos
URL: http://wp.me/p8wl-n5s

Paco de Lucia: Um Mestre da Guitarra Flamenca



imagem obtida em:
http://tumaraa.centerblog.net/rub-musiques-que-j-aime--7.html

Uma Curiosidade "francesa"... Interessante!

Le nom du boulanger vient d'un ancien nom Picard "Boulenc" qui désigne le pain rond, la boule, seule forme du pain jusqu'au XVIIe.

http://www.mamieclafoutis.com/en/our-products/
"Boulengier, Boulanger (Old French): Before the XIIth century, the word "baker" did not exist. I was derived from Picard "boulenc" ("that makes bread ball") and entered into use in the fifteenth century. They spoke of "Fournier" (from "four") or "pesteurs" (Latin for "Pistor"). Another hypothesis is that it is derived from the Middle Dutch word "bolle" (ball of bread).


Tradução: "Boulengier, Boulanger (Antigo francês): Antes do século XII, a palavra "padeiro" não existia. Derivou de Picard "boulenc" ("que faz bola de pão") e entrou em uso no século XV. Eles falaram de "Fournier" (de "quatro") ou "pesteurs" (latim para "Pistor"). Outra hipótese é a de que é derivada da palavra meio holandesa "bolle" (bola de pão)."
http://www.mamieclafoutis.com/en/our-products

Um ditado a propósito da importância do pão na nossa vida...

À propos de boulangerie...

"Blé bien fleurissant, boisseau comblant"!

 A ideia é: trigo na eira, pão na masseira...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Um Pensamento sobre Os Professores

"Um mero professor apenas aponta o caminho para as estrelas;
          um professor de verdade ajuda a alcançá-las."    

LÍDIA VASCONCELOS


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Gosta de um Bucha e Estica modernos?

"Descalabro do Euro"




Esta notícia é mesmo para ler e refletir...

Até onde nos levará a austeridade?

Só sabemos que cada vez mais Estados Europeus estão a colapsar...talvez a explicação se encontre neste artigo tão claro...

"1ª Página 
Descalabro do Euro: A Alemanha assusta-se com a sua obra

18/10/2012

Os alemães começam a fazer contas aos custos da sua leviandade e irreflexão e começam a ficar assustados. Primeiro, no início da crise grega, soltaram o seu habitual reflexo de superioridade e decidiram que os gregos iam ter que “expiar as suas culpas”… Uma decisão unilateral, insensata e leviana em que irreflectidamente insistem há anos e que alargaram a outros “culpados”, cuja lista não pára de crescer: Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e o mais que adiante se verá. Leviana e irreflectidamente, instituíram uma “cartilha” da austeridade, uma miséria de economia que está a levar à economia da miséria. Sempre guiados pelo seu muito elevado “padrão moral” e a sua decisão de “punir os culpados até estes expiarem as suas culpas”… Eles que, tendo traído o espírito do projecto europeu e dos seus tratados fundadores, desenvolveram no último quarto de século uma estratégia mercantilista à custa da restante Europa!

Custa a crer tamanha leviandade e irreflexão mas está, infelizmente, conforme ao que tem sido a actuação da Alemanha nos últimos 150 anos. Com este esticar da corda, Berlim começou a provocar crises e colapsos em cada vez mais Estados da Europa e a mostrar uma completa inaptidão política para lidar com os problemas que vai criando. Ou seja, Berlim estoirou com o quadro geo-económico em que desenvolvia com êxito a sua estratégia mercantilista, base e chave do seu apregoado sucesso… Por capricho, mata a sua galinha dos ovos de ouro! Esta loucura durou anos e só a voz do velho sábio Helmut Schmidt (um que já se tinha oposto a Hitler!) se levantou e encontrou alguns seguidores. Schmidt, muito sibilino, disse então que nestas coisas a Alemanha entrava sempre a ganhar e saía sempre a perder…

Agora, um think tank alemão, Prognos, num estudo encomendado pela Bertelsmann Stiftung, fala do “impacto devastador” (para a Alemanha, mas não só) de uma saída do euro desses “pecadores” do sul com as suas economias já devastadas pela “austeridade alemã” e as suas sociedades desestruturadas e os seus sistemas políticos democráticos desestabilizados e ameaçados. O estudo fala de um custo de muitos “trillions”… A ‘Der Spiegel’ pegou-lhe, deu-lhe visibilidade e a Alemanha assusta-se com o resultado da sua obra. Mais uma vez! Porém, vem aí mais uma ‘cimeira europeia’ e, na inércia dos velhos hábitos, o ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble prepara-se para aí apresentar um plano que ‘Would Fundmentally Change Euro Zone’, ou seja, Berlim pretende que Bruxelas aceite criar um “Comissário da Super Austeridade” encarregue de policiar, julgar e castigar orçamentos e contas dos restantes 26 Estados da Europa. Apesar do medo, a loucura continua… Mas já nem a imprensa alemã acredita nestas ‘propostas’."

Gorongosa - Parque Natural - Que saudades de Moçambique!

Musique Française: "Tranche de Vie", de François Béranger

Paroles et Musique: François Béranger (1969)



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hoje é o Dia Mundial da Poupança


imagem obtida em:
 http://blog.imoguia.com/3569-dia-mundial-da-poupanca
A poupança desempenha ao longo da nossa vida um papel importante na medida em que ensina e disciplina os indivíduos a saber gerir os seus recursos, contribuindo para um sistema financeiro mais sólido e um  crescimento económico sustentado.

Os cidadãos devem desenvolver hábitos de poupança e obter formação financeira, aprendendo a planear as suas despesas e a gerir o orçamento familiar, bem como a escolha de produtos bancários adequados à sua situação pessoal ou familiar.

A população deve tentar motivar-se para a poupança e saber onde deseja aplicar o seu dinheiro.
"História do Dia Mundial da Poupança


O Dia Mundial da Poupança foi criado em 1924, durante o primeiro congresso do World Society of Savings Banks em Milão, Itália. No final deste congresso, a 31 de outubro, o Professor Filippo Ravizza declarou este dia como o "Dia Internacional da Poupança". Nas resoluções do Congresso foi decidido que o Dia Mundial da Poupança "deveria ser um dia dedicado à promoção da poupança em todo o mundo."


Links úteis relacionados
World Savings Day - 30-31 October" 

Homenagem a um Brasileiro Famoso: Carlos Drummond de Andrade



Há 110 anos nascia Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro.

Aqui fica a homenagem:


A Palavra Mágica

Certa palavra dorme na sombra de um livro raro.

Como desencantá-la?

É a senha da vida

a senha do mundo.

Vou procurá-la.


Vou procurá-la a vida inteira

no mundo todo.

Se tarda o encontro, se não a encontro,

não desanimo,

procuro sempre.


Procuro sempre, e minha procura

ficará sendo

minha palavra.


                                   Carlos Drummond de Andrade,
                                      in 'Discurso da Primavera'

Uma portuguesa encantadora: Luísa Sobral (Jazz)



"Luísa Sobral – Anuncia concertos na Alemanha com Melody Gardot Posted: October 17th, 2012


Luísa Sobral foi convidada para fazer a primeira parte de Melody Gardot na sua tour alemã, já no final deste mês. Quatro datas em quatro das principais cidades alemãs marcarão a estreia ao vivo de Luísa na Alemanha. Oportunidade também para editar neste país europeu o seu álbum de estreia, ‘The Cherry on My Cake’. A digressão começa em Berlim a 29 de Outubro e segue para Frankfurt (30 Outubro), Colónia (1 de Novembro) e Hamburgo (3 de Novembro). Recorde-se que Luísa Sobral já tinha agendado um outro concerto com Melody Gardot, no âmbito do London Jazz Festival, no Barbican em Londres, no próximo dia 10 de Novembro. Perto do galardão de Platina em Portugal, Luísa Sobral entrará em estúdio brevemente para a gravação do seu segundo álbum, previsto para 2013.

Datas: 29/10: Tempodrom, Berlim 30/10: Alte Oper, Frankfurt 01/11: Kölner Philharmonie, Colónia 3/11: Laeiszhalle Hamburg, Hamburgo"


Encontrei aqui:

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma anedota sobre moeda antiga: dez escudos...


  imagem:
http://rosyluzes.blogspot.pt/2009/07/avos-pais-filhos-e-netos.html
O avô conta ao neto as grandes mudanças que aconteceram na sociedade, desde a sua juventude até agora:

« Sabes, quando eu era pequeno, a minha mãe dava-me dez escudos (0,05 € hoje) e mandava-me à mercearia da esquina. Então, eu voltava com um pacote de manteiga, dois litros de leite, um saco de batatas, um queijo, um pacote de açúcar, um pão e uma dúzia de ovos. »


E o neto respondeu-lhe: « Mas avô, na tua época não havia câmaras de vigilância? »

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Mais uma anedota, esta por imagem:

http://riremuitomais.blogspot.pt/2010/03/anedotas.html

James Bond 007- SKYFALL

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os Professores, de Valter Hugo Mãe


                     

Tendo recebido de uma colega minha este artigo por e-mail, resolvi partilhar a sua leitura com todos os interessados:

"Este artigo de opinião de um Professor é do mais autêntico e espantoso em relação à profissão de Professor e à importância da Escola.

Foi-me enviado por uma Professora, amiga e companheira de longos anos neste percurso de elevarmos o papel da Escola na sociedade e de procurarmos abrir aos nossos alunos caminhos mais luminosos e tornar-mo-nos todos mais sábios.

É simplesmente belo e, por isso, recomendo a sua leitura."

Vamos, então, à transcrição do artigo de opinião "Os Professores, de Valter Hugo Mãe"

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.