sexta-feira, 11 de abril de 2014

A propósito do estudo do Latim em Portugal

imagem conseguida em: grupoielp1.wordpress.com
Não posso deixar de transcrever um artigo bastante pertinente que acabei de ler no Jornal Público e que considero da maior importância dá-lo a conhecer, tentando, assim, que as nossas consciências despertem...

Eu própria estudei cinco anos de Latim, tendo compreendido quão fundamental essa língua considerada "morta" em todo o mundo, estava afinal bem "viva" dentro de mim, e não aceitando, claro, porque é que ela é tida como tal - uma língua morta -...

Só quem a estuda e a vai assimilando bem, é que pode avaliar a sua grande importância na compreensão de muitos vocábulos "difíceis" que surgem nas  mais diversificadas leituras que fazemos no nosso quotidiano, e que, com a base do Latim, conseguimos descortinar o seu significado. Para não falar de como é lindíssima a leitura de textos em Latim...!

Foram muitas horas de estudo para além das aulas com professores dedicadíssimos...; recordo, especialmente, uma época da minha vida com muitas horas de explicações, em grupo, com um professor que nos obrigava a ir aos domingos e feriados...e ninguém se atrevia a faltar...!!!

Por isso, nunca aceitei que em Portugal esta língua não faça parte dos currículos, tanto nos Cursos de  Letras, como nos de Ciências. Ainda mais: acho que deveria ser lecionada a partir do 5º ano de escolaridade (há muito que está provado que a aprendizagem das línguas deve ser o mais precocemente possível). 

E sempre me lembro, quando estudava, de os professores nos dizerem: "O Latim é a matemática das línguas"! Sim, a "ginástica mental" e o "raciocínio constante" a que esta língua nos obriga, é algo de fabuloso! O nosso cérebro torna-se imparável...

Sempre que nas minhas aulas de Português ou Francês precisei de explicar aos meus alunos de 2º e 3ºciclos certos conteúdos, socorrendo-me do que aprendera no liceu e Faculdade, a Latim, constatei, de um modo geral,  que os aceitavam e percebiam bem...e sem qualquer relutância...

"O latim representa mais de dois mil anos de cultura. Foi nele que o mundo ocidental produziu, até ao século XVIII, a sua ciência, filosofia, religião; a sua história é a matriz das línguas românicas, tendo significativos ecos em línguas como o inglês e o alemão. Aprender esta língua é ter acesso a uma cultura milenar que fundou, juntamente com o grego, a sociedade moderna e cujos valores transportam saberes, desde a área jurídica à educação e à medicina.
Países como Inglaterra, Alemanha e Espanha colocam, actualmente, nos seus curricula o ensino do Latim, por perceberem a sua relevância na aprendizagem de matérias tão diversas que vão desde a matemática à biologia, à filosofia, à literatura e à aprendizagem das línguas, entre elas o inglês e o alemão. Em Portugal segue-se o caminho oposto.
  Aos poucos, a aprendizagem do latim tem vindo a morrer, sendo vários os factores que estão na génese desta lenta agonia; os principais são a ignorância e o desconhecimento da importância desta língua por parte de quem decide. Num país onde se aplica um acordo ortográfico que renega a matriz do português, não é de espantar que se olhe para o latim como uma língua menor.
A recentíssima proposta de formação de professores de Português que divide a formação de professores da língua materna em duas opções – Português e Português/Latim – é a machadada final da morte há muito anunciada. Com o actual estado do ensino do Latim, onde o número de alunos escasseia, a escolha por parte dos futuros docentes da vertente da formação de professores de Português/Latim será ínfima e, num país onde não há alunos, deixará muito em breve de haver professores.
Alguns países, nomeadamente a Inglaterra e a Alemanha, iniciam o ensino do Latim a partir do 5.º ano de escolaridade, por considerarem que a aprendizagem desta língua deve ter lugar o mais precocemente possível. Em Portugal, os alunos portugueses só podem estudar Latim a partir do 10.º ano, e, atenção, é uma disciplina opcional de um leque que engloba a Geografia, algumas línguas modernas e a Literatura Portuguesa, destinando-se somente aos alunos dos cursos de humanidades, restringindo o acesso aos alunos de ciências. Questão: terão os alunos portugueses capacidades inferiores aos alunos alemães e ingleses para não conseguirem aprender Latim a partir do 5.º ano? Qual a razão fundamentada para impedir o acesso dos alunos de ciências à aprendizagem de uma língua na qual quase todo o universo científico, desde a biologia à medicina, à própria tecnologia, tem a sua génese?
Será possível que ninguém queira aprender Latim em Portugal? Que nenhum aluno se interesse pelo mundo antigo e pelas histórias que percorrem a arqueologia da humanidade? Que os jovens portugueses sejam tão diferentes dos seus congéneres europeus? Há verdadeiramente interesse, por parte de quem decide, que a situação mude? Já alguém, que tenha poder decisório, tentou averiguar honestamente e sem cair em lugares-comuns o que se passa com o ensino do Latim em Portugal?
 Na Escola Secundária de Pedro Nunes e na Escola Secundária de Passos Manuel, em Lisboa, os seus directores decidiram que nas suas escolas o Latim não morreria! Consequentemente, os alunos de todas as áreas, humanidades, artes, ciências e de todos os ciclos, desde o 7.º ano ao 12.º ano, têm acesso a um curso livre de Latim. E a verdade é que há dois grupos de alunos na Escola Secundária de Pedro Nunes, um de 3.º ciclo e outro de secundário, sendo que um deles já se encontra no 2.º ano de Latim. O Liceu Passos Manuel abriu o curso este ano lectivo e já conta com três grupos, um de 3.º ciclo e dois de secundário, sendo, no secundário, a maioria dos alunos de ciências. A metodologia aplicada foi desenvolvida pela Universidade de Cambridge e o seu sucesso leva a crer que o problema reside muito mais no modo como esta língua tem sido ensinada do que nela mesma. É de salientar que estes cursos são de frequência livre e a taxa de absentismo é quase nula.
Afinal, em que ficamos? Onde reside a origem do problema? Não há alunos interessados em aprender Latim ou não há interesse em que os alunos o aprendam?
Susana Marta Pereira
Professora  de Português e Latim
in http://www.publico.pt/cultura/noticia/portugal-e-o-latim

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Jeanne d'Arc...a donzela de Orléans

pt.wikipedia.org
Heroína da guerra dos Cem anos, Joana d'Arc, por vezes chamada de donzela de Orléans, filha de  camponeses, analfabeta, nasceu em Domrémy, na Meuse. 

Após o tratado de Troyes (1420) e a morte de Carlos VI (1422), Domrémy encontra-se na fronteira de duas Franças: aquela do rei "legal", o inglês Henrique VI, e aquela do rei "legítimo", o príncipe-herdeiro Carlos VII. 

Duas vezes, em 1425 e 1428, os habitantes de Domrémy, burgo fiel ao príncipe-herdeiro, foram obrigados a fugir devido às ameaças da parte de ingleses e borguinhões.

Nesse contexto, Joana, que começou a ouvir "vozes" ordenando que salvasse a França por volta dos 13 anos de idade, encontra-se com o príncipe-herdeiro, refugiado em Chinon (fevereiro de 1429).

Obtém dele algumas tropas e liberta Orléans das mãos dos ingleses (maio de 1429). Em seguida, retoma Auxerre, Troyes e Châlons, abrindo caminho em direção a Reims

O nome de Joana passa a ser conhecido por toda a França. No dia 17 de julho, Carlos VII pode deslocar-se a Reims e ali é coroado rei. Mas Joana é incapaz de libertar Paris. E, no momento em que consegue vencer o cerco de Compiègne (23 de maio de 1430), ela é capturada pelos borguinhões e vendida aos ingleses.

Julgada em Rouen por heresia por um tribunal eclesiástico presidido por Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, ela é condenada e queimada viva na praça Vieux-Marché de Rouen, em 30 de maio de 1431. Carlos VII, que nada fez para salvá-la, esperará a retomada de Rouen em 1450 para proceder à revisão de seu processo, que culminará em sua absolvição (1456).

http://www.france.fr/pt/homens-e-mulheres-excepcionais/joana-darc-1412-1431.html

terça-feira, 8 de abril de 2014

Al Jarreau - um dos "monstros" do jazz atual


Jazz com Johnny Griffin


Provérbios para abril..."Em abril...águas mil..." (mais água??? Oh, não!)...


É próprio do mês de Abril, as águas serem às mil.
Em Abril queima a velha o carro e o carril.
Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.
A água que no Verão há-de regar, em Abril há-de ficar.
Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a leira, 
anda todo o ano em canseira.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
No princípio ou no fim, Abril costuma ser ruim.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado. 
A ti chova todo o ano e a mim em Abril e Maio.
Sardinha de Abril, vê-la e deixá-la ir.
Sáveis por S. Marcos (dia 25) enchem os barcos.
Abril frio, pão e vinho.
Em Abril, águas mil coadas por um mandil [tecido grosseiro].
Frio de Abril nas pedras vai ferir.
Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Se não chove em Abril perde o lavrador o carro e o carril.
Em Abril, abre a porta à vaca e deixa-a ir.
Entre Março e Abril não há que rir.
Em Abril vai a velha onde quer ir e à sua casa vem dormir.
A aveia em Abril está a dormir.
Em tempo de cuco, pela manhã molhado, à noite enxuto.
Não há mês mais irritado, do que Abril zangado.
O grão de Abril, nem por semear nem nascido.
Abril frio, ano de pão e vinho.
Em Abril queijos mil, e em Maio três ou quatro.
Abril, no princípio ou no fim é ruim.
Em Abril, queima a velha o carro e o carril e deixa um tição 
para Maio, para comer as cerejas ao borralho.

http://portaldofolclore.blogspot.pt/2011/04/proverbios-e-adagios-populares.html
imagem conseguida em:  eb23vpa_biblioteca.blogs.sapo.pt

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lembremos o 27 de fevereiro de 1953...Acordo de Londres sobre as dívidas alemãs...será que Portugal não tem o mesmo direito?

Recebido por e-mail:

imagem conseguida em: www.esquerda.net
"Para que a memória não se apague… 

Fez no passado dia 27 de Fevereiro, 60 anos!

Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida. A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920. O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento. O acordo adoptou três princípios fundamentais: 
1. Perdão/redução substancial da dívida; 2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo; 3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderiaser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais
Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013.
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"Je t'aime", de Lara Fabian - Ukraine's Got Talent


domingo, 6 de abril de 2014

As vozes de dois "monstros" da música ouvida em todo o mundo...


Recordando Bana, esse cantor cabo-verdiano inesquecível...


Alegre espectáculo musical...


Você está ON ou OFF?


O limão é... uma laranja de mau-humor..., segundo Reginaldo Faria

 "O limão é uma laranja de mau-humor." Reginaldo Garcia

Frase engraçada que arrasta consigo uma história que nos faz sorrir, pois aceitamos perfeitamente que um limão, como citrino que é, se torne mais "ácido" a partir de certa altura, e acabe mesmo por "azedar", ficando, assim, de "mau-humor"...!!!

A personificação cai bem nesta frase, por isso, não resisti a contar a sua história...sim, a história de como ela nasceu e percorreu a Internet...contada pelo próprio Reginaldo Faria.

"O limão é uma laranja de mau-humor."
Reginaldo Garcia

Curiosamente, a frase acima foi escrita por mim há vários anos, 
e calhou de, em 2004, publicá-la num site de frases. 
O tempo passou e por esses dias, lembrei da dita frase e 
joguei no Google. 
Qual não foi a minha surpresa ao encontrá-la em vários sites 
jornalísticos e até na página de relacionamentos Orkut. 
Porém, a surpresa maior ficou por conta dos créditos autorais. 
Em quase todas as citações, constava o meu nome. 
Bons indícios estes.
Entre as publicações encontradas para essa simples frase, 
está uma expressiva ilustração, que publico abaixo, 
de Ceó Pontual. 
O jornalista Ucho Haddad a usou como epígrafe em seu site 
e a jornalista Marcia Peltier publicou em sua coluna no Jornal 
do Brasil. Para quem quiser conferir, basta clicar nos links.