terça-feira, 6 de outubro de 2015

Avós e netos...

Não tenho qualquer dúvida que, como avó,  desempenho um papel importante na vida dos meus netos. Com o seu nascimento, compreendi que ainda me faltam metas importantes a atingir na vida e, muitas delas, incluem-nos como protagonistas essenciais.

O facto de ter de passar a estar muito atenta ao que se passa com eles, a acompanhá-los no seu desenvolvimento e a tentar compreender "o seu mundo" deu um novo sentido à minha vida, que se renovou e iluminou completamente! É muito importante estar sempre a par do que eles pensam, sentem e fazem! E ainda mais importante: fazê-los partilhar! Só assim poderemos conhecê-los, corrigi-los, orientá-los, transmitir-lhes os valores da família!

Gostaria de transcrever uma entrevista dada pelo Dr. Daniel Sampaio, ao jornal Público, a Graça Barbosa Ribeiro, em 26.07.2004 (neste caso, a propósito da comemoração do Dia dos Avós), mostrando a grande importância destes na vida dos netos:

"Bem é... completamente transformador... Uma autêntica revolução interior", diz. Um marco na vida dos adultos que Daniel Sampaio descreve através da dificuldade em o explicar: "Ser-se avô, ou avó, é uma revelação, é ser-se amado sem se perceber muito bem porquê, é ser-se alvo de uma corrente afectiva muito mobilizadora, muito exigente... às vezes cansativa!", brinca. 
"Os netos surgem, normalmente, quando os adultos estão a aproximar-se do final das respectivas carreiras, a pensar na reforma, e, só por existirem, fazem com que eles ganhem uma nova forma de energia, um objectivo novo." 

Inês Jongenelen, psicóloga e professora na Universidade do Minho, fala "de relançamento". "Os avós ganham noção da sua nova importância no seio familiar e da vantagem que a experiência acumulada ao longo da vida lhes confere no relacionamento com os netos", explicita. 
Talvez essa experiência - e a calma que ela permite - explique, na perspectiva de Daniel Sampaio, o tal "estranho amor" dos netos pelos avós: "Pode ter a ver com a presença mais serena e menos exigente dos avós [em relação à dos pais] junto dos netos, desde que estes são muito pequeninos." 
Inês Jongenelen sublinha a importância dos avós no desenvolvimento social e emocional das crianças. Daniel Sampaio dá-lhes um nome: "Os avós são uma espécie de reservatório histórico." E exemplifica: "Quando contam histórias; quando mostram os álbuns de fotografias; quando dão a conhecer os marcos da história familiar; quando desencantam, de arcas antigas, os vestidos que os pais das crianças vestiam quando eram pequeninos, há um encontro a várias gerações que é muito importante para as crianças." Ainda pequeninas, "ganham um passado", um lugar a que pertencem "e que lhes confere, ao longo da vida, uma enorme estabilidade e segurança", afirma o psiquiatra.

"Os avós são uma referência" 
Os avós são educadores? Inês Jongenelen, cuja tese de doutoramento teve como tema os casos das avós cujas filhas foram mães adolescentes, considera que há muitos casos em que sim. Daniel Sampaio ressalva que "os avós só devem ser educadores" precisamente nesses casos, ou seja, quando por qualquer razão não há pais presentes. "Os educadores são os pais. Os avós são uma referência, o tal reservatório de história e, dependendo da relação que tenham com os filhos, nem tem mal nenhum que até deseduquem um bocadinho", considera. 
O psiquiatra chama a atenção para o facto de hoje se estar perante uma geração de avós - no feminino - "muito particular". "São as mulheres dos anos 60, que se lançaram numa carreira profissional, que viveram o Maio de 68 e a liberdade sexual..." Que ganham os netos com isso? Avós diferentes, seguramente. E ainda, à semelhança dos avôs, profissionalmente activas, "que têm com as crianças uma relação baseada não tanto nos cuidados mas, principalmente, na brincadeira, e mediada pelo afecto imediato", considera Daniel Sampaio. Depois, o psiquiatra pede desculpa. Tem três netos à espera que largue o telefone e que se concentre naquilo que é realmente importante: jogar à bola."



Não há nada melhor que ser avô ou avó...! 
E não tenhamos dúvidas que, nos dias de hoje, não é tarefa fácil educar e acompanhar as nossas crianças; pelo  contrário, é um trabalho... cansativo... exaustivo! A verdade é que só assim se fica de consciência tranquila..., a "tal" consciência de dever cumprido!

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