segunda-feira, 14 de março de 2016

O Senhor Contente "partiu", deixando-nos muito sós! Homenagem a Nicolau Breyner

Nicolau Breyner
imagem obtida em: www.escamoes.pt 
"O ator e realizador morreu esta segunda-feira de ataque cardíaco. Nicolau Breyner tinha 75 anos e estava a filmar a nova telenovela da TVI, "A Impostora".
Morreu Nicolau Breyner, uma das grandes figuras da televisão portuguesa. O ator e realizador morreu esta segunda-feira de ataque cardíaco. Breyner, de 75 anos, estava a filmar desde outubro a nova telenovela da TVI, A Impostora, e tinha viagem marcada para o Brasil para esta terça-feira de manhã. O ator não morreu durante as filmagens, apurou o Observador junto da produção da telenovela. 
João Nicolau de Melo Breyner Lopes nasceu a 30 de julho de 1940, em Serpa. Depois de uma infância passada no Alentejo, mudou-se para Lisboa, onde começou por estudar canto na Juventude Musical Portuguesa. Completou o ensino secundário no Liceu Camões, ingressando depois na Faculdade de Direito de Lisboa, com a ambição de se tornar diplomata. Mas a passagem por Direito acabaria por durar pouco. Mudou-se então para o Conservatório Nacional, onde se inscreveu no curso de canto e, mais tarde, no de teatro.
Foi ainda durante o tempo do Conservatório que se deu a sua estreia nos palcos portugueses. Em 1959, foi convidado por Francisco Carlos Lopes Ribeiro, o “Ribeirinho”, seu professor no Conservatório Nacional, para integrar o elenco da peça Leonor Teles, de Marcelino Mesquita. Apesar do pequeno papel, Nicolau Breyner não passou despercebido aos principais produtores de teatro, tendo-se tornado rapidamente cabeça de cartaz nos teatros de revista do Parque Mayer. Foi aí que, ao lado de atores de comédia como Laura Alves, Raul Solnado e Eugénio Salvador, se tornou conhecido do grande público
Antes do 25 de Abril, dedicou-se ao teatro radiofónico na Emissora Nacional e também ao cinema, tendo participado em filmes como Pão, Amor e… Totobola (1964), de Francisco de Castro, O Diabo Era Outro(1969), de Constantino Esteves, e Malteses, Burgueses e às Vezes…(1974), de Artur Semedo. 

O Sr. Feliz e o Sr. Contente

Apesar do sucesso alcançado no teatro, Nicolau Breyner só se tornaria um fenómeno de popularidade depois do 25 de Abril. Em 1975, um ano depois da revolução, lançou o seu primeiro programa de televisão, Nicolau no País das Maravilhas. O programa, composto por pequenos sketchs humorísticos, onde se satirizava a situação política e económica em Portugal, foi responsável pela afirmação do ator como uma das figuras mais marcantes da televisão portuguesa, mas não só.
Foi na famosa rábula “Sr. Feliz, Sr. Contente”, que Breyner deu a conhecer um jovem ator alemão que viria a tornar-se num dos mais importantes humoristas nacionais — Herman José. Herman José, com 21 anos, incarnava o papel de Sr. Feliz, enquanto Breyner fazia de Sr. Contente. Juntos cantavam: “Diga à gente, diga à gente, como vai este país”.

Godunha, o ex-pugilista motorista de camiões

Depois do sucesso do programa humorístico Eu Show Nico (1980), ajudou a conceber na década seguinte a primeira telenovela portuguesa, Vila Faia, juntamente com Thilo Krassman e Francisco Nicholson. Na telenovela, transmitida pela RTP1 em 1982, Breyner interpretava a personagem de João Godunha, um ex-pugilista profissional que trabalha como motorista para a conceituada produtora de vinho Marques Vila, Lda. 
Godunha, um homem solitário que, depois da morte do pai, se decide tornar pugilista de profissão, começou a trabalhar como motorista para a Marques Vila Lda. depois de regressar de África, onde passou 14 anos após ter matado um rival num ringue de boxe. Com uma mão à frente e outra atrás, torna-se motorista da produtora vinícola através de um anúncio de jornal.
Para além de Breyner, entraram também na telenovela os atores Ruy de Carvalho, Mariana Rey Monteiro e Varela Silva. Em 2008, a RTP fez uma nova versão de Vila Faia que, nos anos 80, alcançou um sucesso sem precedentes. O papel de João Godunha foi então interpretado por Albano Jerónimo. 
Vila Faia, seguiu-se a série de humor Gente Fina é Outra Coisa(1983), que ficou marcada pela última aparição televisiva da atriz Amélia Rey Colaço, a telenovela Origens (1983) e o musical Annie(1984). Foi nessa altura que fundou a NBP Produções (hoje Plural Entertainment), a sua produtora de televisão. Segui-se a segunda temporada de Eu Nico Show (1987) e Os Homens da Segurança(1988).
Na década de 90, Breyner dedicou-se quase exclusivamente à televisão, com as séries Euronico (1990), Nico de Obra (1993), Cinzas (1993) e Reformado e Mal Pago (1996). Passou também pelo cinema, participando em filmes como  Jaime (1999) de António Pedro Vasconcelos, Inferno (1999) de Joaquim Leitão, Os Imortais (2003) de António Pedro Vasconcelos e O Milagre Segundo Salomé (2004) de Mário Barroso.
Em 2009, Nicolau Breyner foi diagnosticado com cancro da próstata. Um ano depois, em entrevista ao jornal Público, admitiu que a doença lhe tinha dado “a certeza de que isto ia acabar mais cedo ou mais tarde”. “Acelerou a sensação de que a vida tem um fim. Já não há a noção de imortalidade que temos aos 30, 40 anos. O fim está mais próximo do que estava há dez anos. No primeiro momento é terrível, é uma espécie de pontapé na cabeça.
Mais recentemente, participou na nova versão da telenovela Jardins Proibidos e na série Virados do Avesso."
in: http://observador.pt/2016/03/14/morreu-nicolau-breyner/

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