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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Exame Nacionais

imagem obtida in: formacaoformadores-ccp.pt
















Reprovações a Matemática subiram quatro pontos, 
para 15%. 
Física e Química e Biologia e Geologia
tiveram resultados melhores
As médias das notas nos exames nacionais de
Português a Matemática desceram ligeiramente este
ano, segundo os dados da 1.ª fase Revelados esta 
quarta-feira pelo Ministério da Educação.

Na prova de Português a média desceu de 11 para
10,8 e na de Matemática de 12 para 11,2. 
Por outro lado houve subidas importantes a Física
e Química e Biologia e Geologia.

Para muitos dos jovens que esta quarta-feira
receberam ou vão receber as notas, as notícias não
são boas.

Como seria de esperar, face a uma média mais baixa,
a percentagem de reprovações nas disciplinas subiu:
no caso de Português apenas um ponto percentual,
para 7%, em Matemática quatro pontos, de 11 para
15%, a taxa mais alta de todas as disciplinas, mas
ainda assim muito abaixo dos 22% de 2014.

As reprovações, no caso dos alunos internos,
resultam da conjugação da nota no exame com a
nota interna,que reflete a avaliação contínua, dada
pelo professor.

Nenhuma prova teve uma média abaixo dos 9,5 
valores, uma novidade nos últimos anos 

Aliás, os números referidos dizem respeito aos alunos 
internos, já que as percentagens de chumbos disparam 
no caso dos alunos autopropostos. 

No entanto, estes ainda são milhares no caso de 

Português e Matemática - mais de 19 mil e quase 
14 mil, respetivamente. 

Para estes, a percentagem de reprovações é de 67% no 
caso da língua materna e 76% a Matemática, já que não 
há classificação interna a servir de "almofada".

Melhores resultados a Física e Química 

e Biologia e Geologia
Nas 22 disciplinas, 14 apresentam piores médias
do que no ano passado, sete melhoram e uma fica
igual. 
O Ministério da Educação salientou, no entanto,
que as médias das classificações dos vários exames
realizados pelos alunos internos do ensino
secundário são todas iguais ou superiores a 9,5
valores.
Física e Química, a terceira prova com mais
alunos internos inscritos, a média subiu de 9,9
para 11,1. A percentagem de reprovações também
desceu de 15% para 11%.
A média também subiu na prova de Biologia e 
Geologia - de 8,9 para 10,1, atingindo um valor
positivo. Assim só oito por cento chumbaram em
comparação com os 11% do ano passado.

A prova em que a média foi mais alta foi a de
Inglês, que foi realizada apenas por 18 alunos
- a média ficou nos 13,2. No extremo oposto está
o exame de História, com uma média de 9,5 -
realizada por 14 mil.
Os exames finais nacionais do ensino secundário
foram realizados em 646 escolas em Portugal, bem
como nas escolas no estrangeiro com currículo
português. 
No processo de classificação das provas estiveram
envolvidos cerca de 7620 docentes do ensino
secundário e ainda cerca de 10 mil docentes
vigilantes e pertencentes aos secretariados de
exames das escolas."

(in: dn.pt, 13 julho 2016, Patrícia Jesus)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Erros inaceitáveis nos exames nacionais do ensino secundário...

(imagem obtida em www.algarvedigital.pt)
"Opinião
A mediocridade técnica e política
O Iave passou de direcção-geral a instituto público para melhor ajudar a sacralização da asneira.

Quando antecipei, no meu último artigo, que teríamos polémicas longas sobre os exames, não fui profeta. A previsão não tinha mérito. Era, tão-só, corolário primário para quem assiste, atento, à actuação reiterada do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), antes com outra designação, mas todos os anos responsável por erros inaceitáveis. Não se equivalessem em mediocridade a qualidade técnica do Iave e a qualidade política do ministro e não estaríamos, pais, professores e alunos, sujeitos a tanta irresponsabilidade.
Para a questão 2.3 do grupo II do exame de Português do 12.º ano, a que se submeteram cerca de 74.000 alunos, a resposta considerada certa pelos critérios oficiais de correcção é “acto ilocutório compromissivo”. Porém, a Associação de Professores de Português (APP) e a Associação Portuguesa de Linguistas (APL) afirmaram que a resposta correcta é “acto ilocutório assertivo”. A discussão gerada tornou evidente que os especialistas das áreas chamadas à colação (Linguística, Teoria da Comunicação, Pragmática e Hermenêutica) não se entenderam quanto à certeza da resposta. Pois é esse facto, que obrigou o Iave a aceitar ambas, que evidencia a dimensão do disparate em que incorreu, quando decidiu incluir nos itens do exame uma pergunta com estas características. O problema, antes de ser do foro daquelas disciplinas, aterra, em cheio, no domínio da avaliação. Qualquer aprendiz de teoria de construção de testes sabe, desde a primeira lição, que é erro grosseiro incluir uma pergunta deste tipo num exame nacional do secundário. Mas os especialistas do Iave, inimputáveis na sua incompetência, não souberam. Dir-me-ão que a decisão do Iave ultrapassou a questão, que é relevante em termos do futuro académico dos alunos, ao atribuir o meio valor em causa também àqueles que não responderam como previsto nos critérios iniciais de classificação. É só parcialmente verdade. Porque ficará sempre por suprir a perplexidade, o tempo perdido e a tensão acrescida a uma situação por natureza tensa, que uma pergunta ambígua, permitindo interpretações diversas, trouxe aos alunos. A validade de um exame passa por saber se esse exame “mede efectivamente aquilo que queremos medir, tudo o que queremos medir e nada mais do que aquilo que queremos medir” (Thorndike e Hagen, 1977: 56-57. Measurement and Evaluation in Psychology and Education. New York: Wiley).
A pergunta 1 do grupo III do exame de História, também do 12.º ano, reza assim:
Explique, a partir do manifesto da oposição (documento 2), três dos fatores político-sociais que favoreceram a afirmação de um regime autoritário em Portugal.
Só que a pergunta não “fala” para o documento 2. A pergunta orienta o aluno para as condições de formação do Estado Novo, enquanto o documento 2 o remete para acontecimentos que ocorreram 35 anos mais tarde (início da guerra colonial e início da decadência do Estado Novo). Os alunos foram induzidos em erro. A pergunta não tem relação com o documento que é invocado. Do cruzamento da pergunta com os critérios orientadores para julgar as respostas resulta uma incoerência. É um caso de desleixo grosseiro, sobre o qual, que me tenha dado conta, o Iave ainda nada disse.
O exame de Matemática A do 12.º ano veio trazer actualidade acrescida à pergunta de sempre: um exame serve para apurar elites ou certificar conhecimentos que se subordinem a programa e objectivos estabelecidos? E na resposta à pergunta radica a polémica que este provocou. De um lado (Sociedade Portuguesa de Matemática à cabeça) aqueles que defendem que a selecção é o fim, porque à universidade só devem chegar as elites. Do outro (Associação de Professores de Matemática inclusa) os que reclamam que o exame deve medir a aprendizagem que teve o programa por referência, porque é obrigatório para quem queira apenas concluir o secundário. Fora o exame equilibrado e serviria os dois propósitos. Um exame bem feito deve permitir que os alunos de positiva modesta ao longo do ciclo de estudos o superem. Isso não impede que contenha questões suficientemente discriminatórias, que forcem a distribuição do universo dos examinandos ao longo de todo o espaço da escala classificativa, de modo a separar os de 10 dos de 15 ou 20. Mas se os de 10 ou 11, regulares ao longo dos três anos da frequência do secundário, forem massacrados com negativas baixas, como muitos prognosticam, então terá razão a APM, que classificou a prova como “completamente desadequada” e “altamente injusta”. Tanto mais que se aproxima dos 90.000 o número de alunos que apenas querem concluir o secundário, sem pretenderem entrar no ensino superior.
A “generalização da avaliação externa”, que a coligação inscreveu no programa de governo, e o “rigor” com que Crato a interpretou traduzem-se na simples substituição do rótulo da mesmíssima tralha: o Iave passou de direcção-geral a instituto público para melhor ajudar a sacralização da asneira: corta-se tempo lectivo para preparar exames; mandam-se alunos para casa para que outros façam exames; retiram-se professores das aulas para corrigir exames; paga-se a estrangeiros para credibilizar exames inúteis, que nacionais corrigem sem ganhar; adestram-se meninos, professores e escolas para fazerem estes exames.
Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)"
in: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/