sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"Contas à moda do Porto" - uma expressão regional da língua portuguesa

www.ideiasdeler.pt


A expressão "contas à modo do Porto" alerta-nos para uma fatura cujo pagamento vai ser dividido ou uma conta que deverá ser liquidada de imediato.

Apesar de usada em todo o nosso Portugal, remete-nos mais para uma expressão de que os portuenses se servem, apontando para contas que são liquidadas no momento.

No entanto, o Professor Carlos Brito refere na sua obra ("Em português nos (des) entendemos", da editora Ideias de Ler, 2020), que não tem a ver só com a Invicta, "mas com o porto de pesca ou comercial, onde as pessoas corriam o risco de não se voltarem a encontrar e, como tal, as contas tinham de ficar saldadas na altura".

O certo é que os falantes do Porto "tomaram conta" desta expressão ou idiomatismo; e o professor Carlos Brito explica: "Ou seja: tomar o porto (de pesca) por Porto (cidade) e, considerando que para um nortenho uma palavra vale mais do que qualquer escritura, as contas certas, justas, honestas também, são do Porto-cidade. Só que, nesta segunda tese, o sentido altera-se ligeiramente, já que quer dizer que cada um paga a sua parte - nem mais nem menos".

A nossa língua é maravilhosa, cheia de enigmas que os especialistas na matéria vão desbravando e nos dão a conhecer, partilhando-os nas suas obras!

www.portoeditora.pt

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

"É Carnaval, ninguém leva a mal"

imagem in: www.etsy.com

(máscara veneziana)

O Entrudo festeja-se hoje. 

Sim, o Carnaval é folia, mas não só... 

Por acaso, conhecemos a origem dos costumes e brincadeiras desta época?

Donde provém o termo ENTRUDO?

Com base no que procurei, encontrei:
1.
'...(...)...a palavra Entrudo provém do latim introitus, que significa «acto de entrar, entrada, acesso, introdução, começo». Nos textos medievais, aparecem registados os termos entruido e entroydo. Mais tarde, o termo apresenta a (grafia com i: Intrudo. O Entrudo começou por designar a noite de terça-feira, que era a entrada da Quaresma; depois a própria terça-feira e, finalmente, os três dias que precedem imediatamente a entrada da Quaresma.'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/entrudo-novamente/26236 [consultado em 19-02-2026]

2.
'O Carnaval é uma das festas mais populares do mundo. No Brasil, em Portugal e em tantos outros países, ele é sinónimo de música, cor, máscaras e celebração. Mas de onde vem esta tradição? Será apenas uma festa antes da Quaresma cristã ou terá raízes mais antigas?

Ao longo da história, muitos investigadores procuraram responder a esta pergunta. Um dos estudos que ajuda a compreender melhor este percurso é a dissertação: “O Entrudo: Ensaio sobre as raízes clássicas do Carnaval“, de Elen Regina da Costa (2022), onde se analisa a ligação entre o Carnaval, o antigo Entrudo português e as festas da Antiguidade Clássica.

O que era o Entrudo?

Antes do Carnaval moderno, existia o Entrudo. Em Portugal, especialmente nas regiões do Norte e também na Galiza, o Entrudo era marcado por brincadeiras populares, uso de máscaras, inversão de papéis sociais, crítica e exagero. Havia jogos com água, farinha e outros elementos que simbolizavam purificação e renovação.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, levaram consigo estas tradições. No Nordeste brasileiro, por exemplo, ainda se encontram manifestações que recordam o antigo Entrudo. A autora da dissertação observa precisamente essas permanências culturais e mostra como certos elementos atravessaram séculos e oceanos.

Muito antes do Cristianismo

Embora o Carnaval esteja hoje ligado ao calendário cristão, sobretudo por anteceder a Quaresma, as suas raízes são muito mais antigas. Para compreender essa origem, é preciso recuar à Antiguidade Greco-Romana.

Na Roma antiga celebravam-se as Saturnais, festas dedicadas ao deus Saturno. Durante esses dias, a ordem social era temporariamente invertida: os escravos podiam sentar-se à mesa com os senhores, havia troca de presentes e liberdade para brincar e satirizar. Era um tempo de suspensão das regras habituais.

Outra festa importante eram as Lupercais, ligadas à fertilidade e à purificação. Celebradas em fevereiro, marcavam o final do inverno e pediam proteção para os rebanhos e para a comunidade.

No mundo grego, destacavam-se as festas Dionisíacas, dedicadas a Dioniso, deus do vinho, da festa e do teatro. Nessas celebrações havia música, dança, máscaras e representações dramáticas, elementos que continuam presentes no Carnaval atual.

O ciclo do inverno e a fertilidade

Um ponto central no estudo das origens do Carnaval é o chamado “ciclo do inverno”. Muitas festas antigas estavam ligadas ao calendário agrícola. O inverno era um período de espera e incerteza. Celebrar significava pedir fertilidade para a terra, proteção para os rebanhos e renovação da vida.

Rituais de purificação, máscaras e inversões sociais tinham um significado simbólico profundo: o mundo precisava ser “virado ao contrário” para renascer. O caos temporário ajudava a restaurar a ordem.

Com o tempo, essas práticas foram sendo reinterpretadas. Quando o Cristianismo se afirmou na Europa, muitas festas pagãs não desapareceram completamente. Em vez disso, foram adaptadas ao novo calendário religioso.

Da festa pagã ao Carnaval cristão

O Carnaval passou a situar-se antes da Quaresma, período de jejum e reflexão. Assim, os dias de festa tornaram-se uma espécie de despedida dos excessos antes da penitência.

A própria palavra “Carnaval” é frequentemente associada à ideia de “adeus à carne”, remetendo para a abstinência quaresmal. No entanto, a energia da celebração, a liberdade temporária e o uso de máscaras são heranças muito mais antigas.

O que mudou ao longo dos séculos foi o sentido cultural. O que começou como ritual religioso ligado à fertilidade tornou-se festa popular, depois manifestação urbana organizada, e em muitos lugares, espetáculo turístico e mediático.

Permanências e transformações

O mais fascinante na história do Carnaval é perceber como certas estruturas culturais resistem ao tempo. A inversão de papéis, a crítica social disfarçada, a máscara como símbolo de liberdade, o riso coletivo, tudo isso já existia na Antiguidade.

Ao mesmo tempo, cada época acrescentou novos significados. Hoje, o Carnaval pode ser expressão de identidade local, afirmação cultural ou simplesmente momento de alegria partilhada.

A investigação de Elen Regina da Costa mostra que o Carnaval não é apenas uma festa moderna, mas o resultado de uma longa caminhada histórica. Ele liga o mundo rural antigo às cidades contemporâneas, atravessa o paganismo, o Cristianismo e a modernidade, mantendo viva a necessidade humana de celebrar, rir e renovar.

Conclusão

O Carnaval é muito mais do que desfiles. Ele é herdeiro de rituais antigos, de festas ligadas ao inverno e à fertilidade, de celebrações dedicadas a deuses como Saturno e Dioniso.

Ao longo dos séculos, transformou-se, adaptou-se e ganhou novos significados. Mas continua a cumprir algo essencial: criar um tempo diferente dentro do tempo comum, um espaço onde a ordem pode ser suspensa e a vida celebrada.

Talvez seja essa a verdadeira razão da sua permanência. O Carnaval recorda-nos que, antes da disciplina, há sempre um momento para a festa, e que celebrar também faz parte da história da humanidade.

in espacomaria.com (Referência bibliográfica: Costa, E. R. (2022). O Entrudo: Ensaio sobre as raízes clássicas do Carnaval (Tese de mestrado). Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fernando Pessoa: citação profunda sobre a amizade

pt.pinterest.com

É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias.

(Fernando Pessoa)

FONTE: in pensador.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia Mundial da Rádio comemora-se hoje, 13 de fevereiro

imagem in: radiolumena.com


Hoje é sexta-feira e é dia 13 de fevereiro (abençoada sexta-feira, 13 !). Dá sorte...

Comemora-se o Dia Mundial da Rádio com alegria e um grande reconhecimento pelo trabalho incansável de todas as equipas de profissionais que nela trabalham..

Ouvir rádio diariamente tornou-se indispensável nas nossas vidas já há muito, pois os radialistas transmitem-nos tudo o que há de mais importante, que se passa em todo o mundo.

E, neste momento,  o mundo não está nada fácil, o que faz com que esses profissionais corram demasiados riscos, noticiando no local, "mesmo em cima dos acontecimentos".

Um GRANDE obrigado a todas as rádios pelas informações "minuto a minuto", "hora a hora" e pela companhia que nos fazem e sem as quais já não passamos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

"À tripa forra" - uma curiosa expressão popular portuguesa


"À tripa forra" é uma expressão popular que significa na nossa língua:  

  • com fartura
  • abundantemente
  • gratuitamente
  • sem se preocupar com o custo ("comer ou viver sem se preocupar - "à tripa forra")

FONTE: Baseei-me na leitura da obra "Novos Dicionários de expressões idiomáticas", de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa, 1ª edição, 1990

Já No Ciberdúvidas da Língua Portuguesa pode encontrar-se a seguinte explicação para a referida expressão:

Pergunta de um consulente ao Ciberdúvidas:

'A origem da expressão «gastar à tripa-forra»
Há uma expressão que se lê e ouve constantemente: «gastar à tripa forra». Embora se compreenda facilmente o seu significado, será possível informarem-me como surgiu?
Obrigada.
...(...)...(...)...

Resposta

Não encontro comentários sobre a origem da expressão. No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001), tripa-forra (com hífen)1 tem entrada própria, sendo a palavra classificada como elemento nominal da locução adverbial «à tripa-forra», cujas definições são: «em grande quantidade ou abundância, fartamente; até não poder mais» e «gratuitamente, às custas de outrem; de borla».

Note-se que tripa é, em linguagem familiar, o mesmo que barriga (cf. idem), como na expressão «encher a tripa», «comer muito até ficar farto»; e forra, o feminino de forro, «livre, desobrigado». Tripa-forra é, pois, a fixação do sintagma «tripa forra», isto é, «barriga livre». Lembrando que barriga é por metonímia o mesmo que apetite, como ocorre na expressão «ter mais olhos que barriga», é de sugerir que tripa-forra tenha surgido como alusão a um apetite sôfrego, desenfreado ou descontrolado, sem limites por falta de comida ou de dinheiro para a comprar. 

Sendo assim, «gastar à tripa-forra» quer dizer «gastar descontroladamente». O que acabo de propor é meramente uma conjectura baseada na análise semântica e morfológica da expressão, visto que, como disse, não tenho elementos históricos que me permitam descrever o contexto factual da sua génese.

1 O Dicionário Houaiss (edição brasileira de 2001, s. v. tripa) regista «à tripa forra» sem hífen, definindo-a como locução sinónima de «à larga». Dado que tripa-forra ou tripa forra ainda mantêm um certo grau de composicionalidade (os significados das palavras suas constituintes ainda estão acessíveis à interpretação), considero que ambas as grafias são aceitáveis.' 

(por Carlos Rocha)

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-da-expressao-gastar-a-tripa-forra/28859 [consultado em 13-02-2026]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Guarda-chuva: festeja-se hoje o seu dia

imagem in: www.amazon.com

Pois é verdade, é bem merecido: o dia do guarda-chuva festeja-se hoje, a 10 de fevereiro. 

Tão gasto de ser usado por todos, é justo recordá-lo e homenageá-lo.

Nada mais verdadeiro e bem preciso é termos este fiel companheiro nestes dias chuvosos que não nos abandonam desde setembro.

O pior são as séries de "depressões atmosféricas"... são "umas atrás das outras"... 

Cá para mim, a coleção de todas elas que já tivemos de suportar (e ainda as que faltam "visitar-nos"), só passarão se marcarem consulta no médico! 

E, por este andar, nós também não escaparemos...

Mas o tratamento, Senhor Doutor, tem mesmo de ser muito intensivo!