sábado, 13 de fevereiro de 2016

Hoje, 13 de fevereiro de 2016, comemora-se o Dia Mundial da Rádio

"O Dia Mundial da Rádio celebra-se anualmente a 13 de fevereiro.
A data foi escolhida pois foi neste dia que a United Nations Radio emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.
A data foi declarada em 2011 pela UNESCO e o primeiro Dia Mundial da Rádio foi celebrado em 2012.
O tema do Dia Mundial da Rádio 2016 é a emergência social e o papel da rádio nos desastres.
A rádio continua a ser o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências, continuando a adaptar-se às novas tecnologias e a novos equipamentos, com a transmissão online via streaming, por exemplo. É um meio bastante útil para a população, seja como ferramenta de apoio ao debate e comunicação, de promoção cultural ou em casos de emergência social. Para os profissionais de comunicação social, a rádio é uma plataforma para se divulgarem factos e histórias.
A rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental. Este meio de comunicação social adaptou-se à era digital e continua a ser um meio fiável para a população, que recebe a informação na hora, sendo esta uma das características mais positivas da rádio." 
(in http://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-radio/)

Como surgiu a maionese

in: br.photaki.com 
Há várias histórias sobre o aparecimento desta autêntica iguaria, e vou referir uma delas, claro, de entre as muitas que pesquisei e que indicia que a sua história poderá ser a que vou expor.

A maionese, um dos molhos mais famosos em todo o mundo, terá surgido nos finais do mês de agosto de 1756, e terá nascido de um pequeno descuido do cozinheiro do terceiro duque de Richelieu.

Com efeito, Leroy, assim se chamava o cozinheiro, preparava um acepipe para o seu patrão, que estava esfomeado e de mau humor, quando, sem contar, deixou cair uma gema de ovo no azeite. 

Como tinha de ser rápido, resolveu bater esta mistura "involuntariamente" combinada, apresentando-a mesmo assim; e quando a serviu à mesa do seu amo, foi muito apreciada e elogiada. 

Este molho delicioso acabou por ficar com o nome de Mahonnaise, por homenagem a Mahon, a primeira cidade conquistada; este acontecimento ter-se-á passado durante o início da Guerra dos Sete Anos (quando o rei Luís XVI ordenou a Richelieu que conquistasse aos ingleses a Ilha Minorca, nas Baleares).

Mahonnaise terá assim, originado a palavra francesa mayonnaise.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A despesa com medicamentos órfãos

imagem in: asdoencasraras.blogspot.com 
"Despesas com doenças raras aumentou 94%
As despesas com medicamentos órfãos, destinados às doenças raras, aumentou 94% entre 2007 e 2014, quando representava já 7,8% dos encargos hospitalares com medicamentos, segundo um estudo da Infarmed. Em Portugal, estes fármacos são usados essencialmente em meio hospitalar.
(in www.readmetro.com, de quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016)

Tendo lido esta notícia que acabei de transcrever, fiquei curiosa em saber exatamente do que se tratava, uma vez que não é habitual ouvir falar em doenças órfãs nem em medicamentos órfãos, e não sabia mesmo do que se tratava. Agora, já fiquei mais esclarecida, depois de efetuar uma pequena pesquisa e de ler o artigo que abaixo transcrevo e que, penso, poderá elucidar quem dúvidas tenha também sobre o assunto:

"Medicamentos ÓRFÃOS

Medicamento órfão é um estatuto atribuído por uma entidade oficial reguladora da saúde, a medicamentos que tratam doenças raras. 
“Os medicamentos órfãos destinam-se à prevenção e/ou tratamento de doenças cronicamente debilitantes que afectam mais de cinco em cada 10.000 pessoas na União Europeia, ou que, por razões económicas, não seriam susceptíveis de ser desenvolvidos sem incentivos." 
(European Medicine Agency. Human Medicines. Orphan Medical products. www.ema.europa.eu/htms/human/orphans/intro.htm)
As doenças raras, também designadas como órfãs, são aquelas que afectam um pequeno número de pessoas, por comparação com a população em geral, ocorrendo com pouca frequência ou raramente. Na União Europeia (UE), uma doença é considerada rara quando afecta menos de 5 em cada 10.000 pessoas. Embora este número possa parecer pequeno, traduz-se em cerca de 246.000 pessoas nos 27 Estados-Membros da UE.
Existem cerca de 7.000 doenças raras identificadas, mas estima-se que existam mais e que afectem entre 6 a 8% da população, ou seja, entre 24 e 36 milhões de pessoas na Europa.  
As doenças raras são um problema grave em termos de saúde pública, sendo consideradas uma prioridade no âmbito quer do programa de saúde quer do programa de investigação da União Europeia. A legislação e o financiamento da União Europeia para projectos de Investigação e Desenvolvimento têm em vista promover o desenvolvimento de medicamentos órfãos.
Consultar:
(in apifarma.pt)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

No nosso país, crianças e jovens dormem pouco...

imagem in amazon.com


Todos temos consciência da importância do sono. 

É fundamental que durmamos o suficiente para que possamos enfrentar o dia seguinte...

Essa importância, enquanto pais, leva-nos logo a preocuparmo-nos com os mais novos, redobrando a nossa atenção sobre eles, no que diz respeito a dormirem bem, isto é, a dormir horas suficientes.

A Drª Teresa Paiva, especialista do sono no nosso país, responde assim a Anabela Mota Ribeiro, quando esta um dia a questionou sobre o assunto: 

"O que é dormir bem?"

Dormir bem é uma sensação subjectiva. Uma pessoa dorme bem se no dia a seguir se sente com energia, bem disposta e capaz de viver um novo dia. Mas esta noção da avaliação subjectiva do sono é relativa. Se perguntar a um pessoa que dorme mal quantas horas dormiu, essa pessoa diz que dormiu menos do que aquilo que dormiu. Se perguntar a uma pessoa que dormiu bem, ela diz que dormiu mais horas do que aquelas que dormiu. Se perguntar a uma pessoa que tem apneia do sono, ela diz que dormiu muito bem, porque tem grande facilidade em dormir; mas a maneira como dorme assusta qualquer um!, tem paragens respiratórias durante o sono… As pessoas com apneia do sono dizem: “Eu durmo muito bem, ela é que se queixa que eu ressono”. Mas têm um problema sério.

Ou seja, as pessoas não têm uma percepção exacta de como dormem. Apesar da subjectividade e da relatividade da definição do que é dormir bem, quais são as balizas?

Não haver repercussões cognitivas (erros de desempenho, lapsos, etc.) durante o dia. Não ter sonolência. Se a pessoa diz que dormiu bem, mas depois está cansada, adormece a ver televisão, adormece quando está sem fazer nada, não é verdade que tenha dormido bem. ...(...)... Há 5 a 8% da população que precisa de dormir menos de seis horas, e outros 5 a 8% que precisam de dormir mais de nove horas por dia. A maior parte da população precisa de dormir entre seis horas e meia e oito horas e meia." 

(in http://anabelamotaribeiro.pt/teresa-paiva-108424) 

Li há pouco uma notícia no jornal METRO (de 3 de fevereiro de 2016), precisamente sobre o sono, que considero importante partilhar. E é por isso que estou aqui para me referir a ela. 

Diz respeito a um estudo da Universidade do Minho que inclui uma amostra de meio milhar de alunos (entre os 9 e os 17 anos) e onde conclui que 72% dos menores dormem por dia 7 a 9 horas "o que nem sempre é suficiente" para que se possa dizer que o seu bem-estar físico e psicológico esteja assegurado. 

Mudanças de humor, ansiedade, falta de motivação, desconcentração, problemas comportamentais, obesidade... são sintomas que estão associados "a noites mal dormidas", segundo declara a investigadora Olinda Oliveira. (resumido e adaptado de uma notícia do jornal METRO, em www.readmetro.com)

Claro que estas notícias nos deixam a todos preocupados e será bom que, em cada família, se estabeleçam regras para que não existam falhas neste aspeto.

POIS, DORMIR BEM É MESMO IMPORTANTE! 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A expressão: "Ensinar o Padre-Nosso ao Vigário"...

Esta expressão significa "dar lições a quem não precisa".

Orlando Neves, no seu Dicionário de Expressões Correntes (editorial notícias), explica esta expressão da seguinte forma:

"Ensinar o padre-nosso (pai nosso) ao vigário" - Pretender aconselhar ou dar ensinamentos a quem sabe mais do que o aconselhador ou é mestre na matéria...

imagem obtida em:
coroinhasecerimoniarios.wordpress.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Docentes portugueses estão exaustos

"Ensino. 30% dos docentes sofrem de 'burnout'

Trinta por cento dos docentes portugueses estão em "burnout", ou seja, exaustos emocionalmente e sem qualquer sentimento de realização profissional. Durante três anos - entre 2010 e 2013 - uma equipa de investigadores do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA) inquiriu cerca de mil docentes que davam aulas a alunos do 2º e 3º ciclos, mas também do ensino secundário. "Esta percentagem fica um pouco acima dos números habituais registados nos outros países que rondam entre os 15% e os 25%, sublinhou a psicóloga clínica e investigadora do ISPA responsável pela coordenação do estudo Ivone Patrão. A maioria dos docentes em "burnout" são mais velhos, têm um vínculo à função pública e dão aulas no secundário, acrescentou a responsável, explicando que a média de idades dos inquiridos é de 49 anos." 
(in www.readmetro.com)


imagem obtida em: www.forbes.com

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O sofrimento de muitas pessoas doentes em Portugal


in: www.hc.unicamp.br 
Se pensarmos bem no tema aqui abordado - o sofrimento de pessoas doentes -  todos ou quase todos nós, já passámos por isso ou então, tivemos amigos, colegas ou familiares nesta situação. E bem sabemos quanto custa!

É fácil perceber que cada caso é um caso, mas o que prevalece é que quando há sofrimento humano, esses sintomas deverão ser minimizados nas pessoas, sendo acompanhadas por profissionais de saúde e voluntários dedicados.

Há muita dor e sofrimento por esse país fora e o Sistema Nacional de Saúde tem de encontrar formas de as pessoas doentes poderem terem qualidade de vida e, quando é caso disso, enfrentarem o fim com dignidade. 

Por isso, concordo plenamente com a opinião da articulista em relação aos cuidados paliativos, que previnem dores e sofrimentos nas pessoas doentes.

"Se não há nada a fazer, mata-me

Laurinda Alves

2/2/2016

Primeiro, alguns factos incontornáveis e indesmentíveis: há muitos doentes crónicos e incuráveis, em fase avançada da doença, que são maltratados pelo sistema nacional de saúde. Uns porque sofrem em casa, sem assistência, outros porque não têm dinheiro para medicamentos e tratamentos, outros ainda porque desesperam em salas de espera e enfermarias dos hospitais por terem sido dados como ‘casos perdidos’. Pessoas em quem ninguém investe.
Muitos sofrem sozinhos, outros acompanhados por familiares e amigos tantas vezes impotentes perante o seu sofrimento. É difícil estar à cabeceira de quem sofre. É terrível não ter o poder de curar. E deve ser brutal saber que os profissionais de saúde desistiram de nós. A frase “não há nada a fazer” é assassina. Quem a ouve morre logo ali. Devia ser proibida com urgência. E devia haver multas pesadas, pesadíssimas, para quem se atrevesse a proferi-la em contexto clínico. Dizer a um doente e à sua família que não há nada a fazer, é matar toda e qualquer esperança. Não é preciso ser especialista em coisa nenhuma para saber que há sempre muito a fazer por quem está vivo!
A finalidade da Medicina não é apenas curar doentes e doenças. Tão pouco se destina a cuidar especialmente de doenças agudas. A Medicina também serve para prevenir e controlar sintomas, em especial as dores dos doentes crónicos, progressivos e incuráveis. Existem tratamentos apropriados para este tipo de doentes, que sofrem de mil maneiras, sejam elas físicas, morais ou emocionais. É difícil aliviar muitos sofrimentos a muitos doentes, mas não é impossível minimizar as suas dores. Os médicos sabem isso. E os responsáveis pelo Sistema Nacional de Saúde também. Mas deviam saber mais: não existem para fazer apenas o que é fácil e tangível. Só quem passa pela experiência da dor grave e aguda, da doença crónica, progressiva e incurável, sabe o que sentem os que experimentam esta realidade. E sabem, inclusivamente, que muitos doentes se sentem responsáveis, quase como que culpados pelo que lhes está a acontecer. Culpados por não se curarem numa cultura contemporânea de medicina triunfalista, essencialmente apostada na cura. Culpados por serem ‘maus doentes’, por não terem saúde, em sistemas estrategicamente orientados para abordagens curativas.
Neste enquadramento de sofrimentos em cúmulo, de dores em excesso, parece a muitos que a única saída é a eutanásia ou o suicídio assistido. Percebo que pareça e respeito quem assim pensa, mas gostava de acrescentar ao debate nacional sobre a eutanásia a minha perspectiva, partilhando aqui a minha experiência de 3 anos à cabeceira de doentes terminais, numa unidade de Cuidados Paliativos, mais um par de anos vividos à cabeceira de três doentes adolescentes que me eram muito queridos. Dois deles morreram, mas uma sobreviveu. Foram anos duros, muito duros, mas ensinaram-me muito. E fizeram de mim uma paliativista radical. Explico porquê.
Em três anos de voluntariado de cabeceira com toda a espécie de doentes, de todas as idades, estive muito próxima de pessoas mais e menos desesperadas. Conheci jovens revoltados que entraram na unidade a pedir a eutanásia mas desistiram quando começaram a sentir os benefícios dos cuidados paliativos; estive de mãos dadas com mães suspensas da última respiração dos seus filhos; abracei raparigas novas que morreram antes de chegar a casar; partilhei silêncios demorados com mulheres que se despediam dos maridos e dos filhos pequenos; segurei no colo essas mesmas crianças que diariamente visitavam a mãe sem compreenderem bem o que as esperava; li livros em voz alta para avós de muitos netos; conversei longamente com engenheiros e professoras universitárias, músicos e matemáticos, filósofos e artistas que morreram cedo demais. Com uns aprendi o valor da aceitação da morte e a pacificação em vida, com outros aprendi o respeito pelas suas zangas e revoltas. Com todos percebi a extensão do sofrimento terminal e a importância de terem ou não terem cuidados paliativos. E é aqui que tudo muda. E é este o debate essencial que devemos cultivar e alimentar antes de avançarmos para votações e novas legislações sobre o mítico ‘direito a morrer com dignidade’.
Felizmente os paliativistas cuidam do direito a viver com dignidade até ao fim. Sabem que uma equipa pluridisciplinar associada a um cocktail de químicos sabiamente doseado, minimiza os sofrimentos físicos e atenua os sofrimentos morais e emocionais. Até eu sei isso, e nunca estudei Medicina. Sei porque vi, porque conheci dezenas de pessoas que pensaram que a única saída que tinham era a morte assistida, a eutanásia, e quando começaram a beneficiar de cuidados paliativos abandonaram a ideia. Naturalmente, sem pressões, note-se. E viveram com dignidade até ao fim, sem dores insuportáveis, sem sentirem necessidade de pedir a alguém para os matar.
Não posso nem quero citar nomes e muito menos contar as histórias de cada um dos doentes que entraram no hospital (ou chamaram os médicos a casa) a pedir a eutanásia. Uns gritavam, outros suplicavam, outros impunham a sua derradeira vontade num silêncio devastador, mas todos queriam acima de tudo ver-se livres do sofrimento. Não queriam viver porque não conseguiam sofrer mais. As famílias sentiam o mesmo, e a morte assistida parecia-lhes a única saída. Não era, felizmente. Graças aos cuidados paliativos, muitos deles tiveram oportunidade de voltar a viajar, de realizar sonhos, de voltar a casa, de viver sem dores e de recuperar a dignidade tantas vezes perdida quando nos reduzem à expressão mínima. Quando alguém deixa de ter nome e passa a ser apenas mais um doente, não dói a penas o corpo. Também dói a alma.
Vivemos num país onde os cuidados específicos ao nascer estão assegurados para todos, independentemente da sua classe social ou geografia de origem, mas não temos o mesmo privilégio ao morrer. Porquê? Porque é que antes de legalizar a eutanásia, não asseguramos esses mesmos cuidados? Porque é que não criamos alternativas à morte assistida minimizando ou até eliminando o sofrimento físico? Se sabemos que isso é possível e se faz em cada vez mais unidades hospitalares, serviços ambulatórios e equipas que vão ao domicílio dos doentes, porque não começar a discussão política por aqui? Porque não exigir primeiro que todos passemos a ter direito a cuidados paliativos que, ainda por cima, não se destinam apenas a doentes terminais, mas abrangem todos os doentes crónicos, com doença progressiva e incurável?!
Os cuidados paliativos também são preventivos. Previnem sintomas e sofrimentos. Fazem com que as dores não cheguem a ser insuportáveis. E com que as pessoas não queiram desistir de viver. Tal como as doses de antibiótico têm que ser avaliadas caso a caso, também a casuística se aplica nos cuidados paliativos. Não há receitas padrão. Cada pessoa é uma pessoa. Os cuidados paliativos são mundialmente reconhecidos como uma prática médica de excelência e revelam sempre uma forma de medicina humanizada. E todos sabemos como uma medicina des-humanizada pode levar a pedidos dramáticos e definitivos para morrer, de forma a acabar com o sofrimento…
Fazer a diferença à cabeceira de um doente não passa por dar mais mimos ou ter mais cuidados afectivos. Também passa por isso, certamente, mas não se tratam doentes graves só com mimos. Desenganem-se os que acham que os paliativistas são médicos mais queridos e dedicados aos seus doentes porque apostam mais na ternura e proximidade do que na ciência, pois não é possível tratar derrames, vómitos, dispneias, convulsões e outros sintomas que tais com mimos, a dar a mão ou a fazer festinhas na testa. Os cuidados paliativos são uma especialidade clínica avançada, da linha da frente, que exige equipas multidisciplinares com capacidade para fazerem uma intervenção na dor e no sofrimento dos doentes.
Não abandonar um doente que não se pode curar é vital. Sei de um cirurgião português, contemporâneo, que durante anos a fio operou a desoras, quase clandestinamente, doentes que tinham sido dados por perdidos. Esperava pelas madrugadas ou contava com as horas tardias em que os blocos operatórios estavam livres e com todas as condições de assepcia asseguradas, para operar homens e mulheres com mais de 80 anos que estavam desfigurados por terem um cancro na zona da cabeça e pescoço. Eram doentes de quem os próprios familiares desistiam ou fugiam por não saberem como lidar com a fealdade, com os cheiros e toda a escatologia própria desta doença demolidora. Este médico tinha uma equipa que colaborava com ele e, juntos, fizeram centenas de cirurgias a ‘velhos’ que só esperavam a morte (e pediam a morte!). Alguns destes doentes viveram ainda mais de uma década e eu própria li as cartas que escreveram a agradecer terem sido operados. E também conheci filhos destes ‘velhos’ que foram ter com o médico a dizer que voltaram a conseguir estar com os seus pais.
Podem dizer que o exemplo deste médico não tem nada a ver com paliativos e realmente não tem, mas tem a ver com a eutanásia na medida em que revela a humanidade dos médicos que sabem que há sempre alguma coisa a fazer por quem está vivo. Não se trata de encarniçamento médico, nem de obstinação terapêutica, note-se, pois nunca se tratou de obrigar os doentes a fazer mais e mais tratamentos dolorosos, mas de minimizar sofrimentos e devolver dignidade. Nisso, este médico agiu como agem os que mesmo sabendo que nada podem fazer para curar, podem tentar tudo para dar qualidade de vida até ao último dia.
A discussão sobre a eutanásia promete ser acesa e cheia de controvérsia, mas gostava que não passasse ao lado de uma realidade ainda mais urgente e fracturante na nossa sociedade: se todos temos cuidados específicos ao nascer, também todos temos que ter cuidados específicos ao morrer! Os cuidados palitaivos não podem ser só para uma elite ou um conjunto de eleitos. Têm que ser para todos. Só quando tivermos esta realidade assegurada teremos verdadeira liberdade de escolha e aí sim, será mais legítimo falar de eutanásia e  suicídio assistido. Antes disso, perdoem-me os que pensam diferente, mas a minha convicção profunda (e faz de mim uma paliativista radical) é que a maioria das pessoas que pede a eutanásia, não a pediria se tivesse a certeza de que deixaria de sofrer. Se tivesse garantias de que poderia libertar-se do sofrimento, sem ter que acabar com a vida." (in observador.pt)