sábado, 29 de novembro de 2025

Teixeira de Pascoaes - uma reflexão sua sobre Camilo Castelo Branco

imagem in correiodoporto.pt

(Teixeira de Pascoaes 1877-1952)


"O Porto é a cidade de Camilo"

Teixeira de Pascoaes

Teixeira de Pascoaes: Poeta e ensaísta, concluiu os estudos liceais em Coimbra, onde viria a frequentar o curso de Direito. Exerceu a carreira de advogado, no Porto e em Amarante, até 1908. Integrado no movimento cívico e cultural portuense “Renascença Portuguesa”, e cofundador de A Águia, em 1911, Teixeira de Pascoaes foi um dos principais teorizadores do Saudosismo, movimento literário, religioso e filosófico de autoconhecimento e reconstrução nacional, desencadeado pela convulsão política e social de 1910, e que, nas páginas daquela publicação, congregará, num vasto plano programa de revitalização social e cultural, a colaboração de Teixeira de Pascoaes, Mário Beirão, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Afonso Duarte, António Carneiro, Sant’Anna Dionísio, Hernâni Cidade, Adolfo Casais Monteiro, Augusto Casimiro, Augusto Gil, Afonso Lopes Vieira, Raul Proença, António Sérgio, António Correia de Oliveira, Manuel Laranjeira, Sampaio Bruno, entre outros. 

Arreigadamente nacionalista, profetizador de um ressurgimento nacional, Pascoaes encontrará na “Saudade” o carácter definidor da especificidade do ser português: para o autor de Marânus, “quem surpreender a alma portuguesa, nas suas manifestações sentimentais mais íntimas e delicadas, vê que existe nela, embora sob uma forma difusa e caótica, a matéria de uma nova religião, tomando-se a palavra religião como querendo significar a ansiedade poética das almas para a perfeição moral, para a beleza eterna, para o mistério da Vida… Ora a alma portuguesa sente esta ansiedade duma maneira própria e original, o que se nota facilmente analisando os cantos populares, as lendas, a linguagem do povo, a obra de alguns poetas e artistas e, sobretudo, a suprema criação sentimental da Raça – a Saudade!” (manifesto da “Renascença Portuguesa”, publicado em fevereiro de 1914, em A Vida Portuguesa, citado por GUIMARÃES, Fernando in Poética do Saudosismo, Lisboa, 1988, p. 62). “Verbo do novo mundo português” a Saudade é definida por Pascoaes como “o próprio sangue espiritual da Raça, o seu estigma divino, o seu perfil eterno” e seria através da revelação desta “saudade no seu sentido profundo, verdadeiro, essencial, isto é, o sentimento-ideia, a emoção-reflectida, onde tudo o que existe, corpo e alma, dor e alegria, amor e desejo, terra e céu, atinge a sua unidade divina”, da “Saudade vista na sua essência religiosa” que surtiria a “grandeza do momento atual da Raça Portuguesa” (Pascoaes, in A Águia, n.º 1, 2.ª série, p. 1), representada maximamente pelos seus poetas, em quem a saudade se revelou. 

Simultaneamente movimento literário de cariz neorromântico e propensão metafísica, e doutrina religiosa, política e filosófica, o saudosismo de Pascoaes concorre para o adensar, nas primeiras décadas do século, de um clima profético, de expectativa sebastianista e messiânica, que não deixaria de eivar o espírito do modernismo e, muito particularmente, a reflexão e criação poética de Fernando Pessoa. A tarefa de “divinização da substância espiritual e mítica da Pátria, resumida na figura da Saudade, ambígua senhora-da-noite e aurora do futuro” (cf. LOURENÇO, Eduardo in O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, p. 139), será prosseguida, na ensaística de Pascoaes, e mau grado a crítica formulada por António Sérgio, em 1913, nas páginas de A Águia (“Duas Epístolas aos Saudosistas”), contra o carácter nebuloso e passadista da doutrina saudosista, em volumes como O Espírito Lusitano e o Saudosismo (1912); O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa (1913) ou A Era Lusíada (1914). Retirado, desde 1913, no solar de Pascoaes, em Gatão, para se dedicar exclusivamente à meditação e à criação poética, o conjunto dos seus volumes poéticos apresentam-se como modelares relativamente a alguns traços de uma estética literária saudosista utilizando “alegorias referidas à Pátria-Saudade ou uma transfiguração messiânica, as correspondências e a realização verbal do inefável, os símbolos de natureza patriótica ou relacionados com a especiosa emergência duma alma portuguesa.” (cf. GUIMARÃES, Fernando, op. cit., p. 9); e manifestando uma tendência para a fusão entre contemplação e paisagem, para sugerir um clima profético e visionário, para o culto da tradição, do misticismo, do panteísmo, do génio da Raça e, finalmente, para a valorização da “fisionomia das palavras” (id. ibi., p. 15), isto é, do valor expressivo das próprias formas gráficas. A sua obra e a sua aura exerceram, no entanto, uma influência que extravasou os limites cronológicos do movimento Saudosista, enquanto paradigma (em autores como Eugénio de Andrade ou Agustina Bessa-Luís, entre outros) de uma postura de humildade do homem diante da criação; de compreensão da poesia enquanto forma de revelação e intuição extasiada do desconhecido; da importância concedida à palavra que, de “elemento regional-nacional conduzindo à transcendência”, importa como “objeto de prospeção do lugar onde o Verbo se individualizou” (MARGARIDO, Alfredo, Teixeira de Pascoaes – A Obra e o Homem, Lisboa, Arcádia, 1961, p. 134); ou da vivência da poesia enquanto epicentro “de uma tensão própria ao homem e resultante de tendências contraditórias que o dividem e fazem oscilar entre o informe e o pensamento-forma, entre o mal e o bem, entre o tempo e a eternidade” (cf. LOPES, Silvina Rodrigues, Poesia de Teixeira de Pascoaes, Lisboa, ed. Comunicação, 1987, p. 24).

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Sebastião da Gama e o seu poema "pelo sonho é que vamos"

imagem in: leituria.com


"Pelo SONHO é que vamos.

comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos, 

pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,

Basta a esperança naquilo

que talvez não faremos.

Basta que a alma demos, 

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos? 

- Partimos. Vamos.  Somos." 

Sebastião da Gama

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

António Nobre: um poema dedicado ao rio Mondego

imagem obtida in: www.olx.pt


"Vou encher a bilha e trago-a

Vazia como a levei!

Mondego, qu' é da tua água ,

Qu' é dos prantos que eu chorei?"

(António Nobre)


Já que o poeta se refere à região de Coimbra, 

partilho mais esta quadra: 


"Coimbra p' ra ser Coimbra

três coisas há-de contar

guitarras, tricanas lindas

capas negras a adejar"

(cancioneiro popular)

imagem conseguida em: atoga.pt

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Bíblia: uma história maravilhosa sobre a multiplicação dos peixes


Pintura "A multiplicação dos peixes", de Rafael. — Foto: Wikimedia Commons
imagem (foto) obtida in: Wikipedia Commons

Pintura "A multiplicação dos peixes", de Rafael.
 

Vou contar uma história que se encontra narrada na Bíblia e que muitos de nós já conhecemos.

Depois de num determinado dia Jesus ter falado aos que o ouviam nas terras da Galileia, resolveu entrar na embarcação de Pedro, seu discípulo  e pescador, pedindo-lhe que lançasse as redes ao mar.

Pedro ficou um pouco contrariado, porque se encontrava muito cansado, bem como os seus companheiros, na medida em que tinha passado a noite toda a trabalhar e nada tinham pescado.

Não era costume a faina piscatória ter lugar de manhã. Era mais fácil serem bem sucedidos durante a noite. Logo, o pedido de Jesus, deixou Pedro admirado com o pedido de Jesus. 

Mas, mesmo assim, resolveu obedecer ao anseio de Jesus. Lá lançaram as redes ao mar e, quando resolveram puxá-las, estavam muito pesadas por virem tão carregadas de peixe, que resolveram pedir auxílio aos pescadores de uma outra embarcação. Eram "toneladas" de peixe, a carga era enorme ao ponto de as embarcações quase irem ao fundo.

Levaram as redes para a praia, carregadinhas de tanto alimento com que o mar os presenteara. 

E foi nesse momento que os pescadores perceberam que o que se tinha passado fora um milagre de Jesus.

Esta história pode ler-se na Bíblia em Lucas 5:1 - 11.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Consoada de Natal à portuguesa

 


Soluções das adivinhas publicadas a 20 de novembro. O prometido é devido...

Exemplos de adivinhas infantis em balões de fala.
imagem obtida in: escolakids, uol.com.br


Ora então:
 
Aqui estão as Soluções das adivinhas que publiquei no meu post de dia 20 de novembro:

1 - 1, 2 e 3  (1+2+3=6   e   1 x 2 x 3 = 6)

2 - Sete 

3 - Balança

4 - Nuvem

domingo, 23 de novembro de 2025

Oceanos: a sua proteção é uma tarefa de todos nós

imagem obtida in: in infoescola.com

Gostaria de dedicar esta minha publicação a uma reflexão conjunta sobre a vida dos Oceanos, que, como todos sabem, devido a vários fatores, se encontram em perigo.

Os Oceanos são indispensáveis à vida do nosso Planeta, pois para nós, humanos, representam um papel fundamental, e não menos para os animais e plantas que neles vivem. 

Fornecem-nos a todos(humanos/animais/plantas) muitos recursos: o alimento de que necessitamos, o acolhimento quando dele precisamos, a ligação entre os vários países do mundo. 

Uma outra função sua e muito importante (principalmente para os meteorologistas e cientistas dos fenómenos que surgem na natureza) é a sua grande ajuda na definição do clima.

O aquecimento global e a poluição constituem uma grande ameaça para o nosso querido Planeta Terra. Para além disso, há uma abuso em relação à pesca: um excesso da parte de muitos países.

Claro que todos temos consciência destes problemas todos e é por isso que, no meu título falo de que TODOS NÓS temos de fazer a parte que nos cabe, tratando os mares, os oceanos, as praias, como eles merecem - dando-lhes a qualidade de vida que eles merecem!

Não é só servirmo-nos deles para o que nos convém, é preciso termos "atitude", sermos "conscienciosos" e :

  • não deitar lixo nem químicos ao mar
  • não maltratar as praias, deixando-as umas autênticas "lixeiras" depois de lá passarmos uma manhã, uma tarde, ou o dia inteiro; pelo contrário, devemos manter a areia sempre limpa
  • utilizar os contentores de reciclagem das praias 
  • não arrancar nem levar connosco as plantas que observamos fazerem parte da praia, vivendo nas areias, nas dunas ou até junto às costas marinhas
  • reduzir a nossa pegada de carbono