sábado, 5 de dezembro de 2020

Penélope, uma rainha da mitologia grega

imagem em https://culturadetravesseiro.blogspot.com


A mitologia greco-romana permanece viva e atrativa para os Ocidentais. 

As histórias dos heróis da mitologia fascinam-nos sempre e a de Penélope é uma das que conhecemos bem dos nossos tempos de liceu.

"PENÉLOPE. Filha da ninfa Peribeia e de Icário, irmão de Tíndaro, rei de Esparta, Penélope foi dada em casamento a Ulisses, que tinha ganho o concurso em que se defrontaram os pretendentes da jovem.. Ela deu à luz um filho, Telémaco, que era ainda criança quando Ulisses deixou o reino de Ítaca e partiu para Tróia. Durante os vinte anos que durou a ausência do marido, Penélope teve de afastar por todos os meios e artifícios, os avanços dos pretendentes que afirmavam que Ulisses estava morto e a pressionavam para que escolhesse, entre eles, um novo marido. Ela declarou então que tinha de acabar de tecer a mortalha do velho sogro Laertes, antes de fazer a sua escolha. De noite, ela desfazia aquilo que avançara durante o dia. Este estratagema foi denunciado por uma das criadas. No momento em que, cada vez mais era solicitada pelos pretendentes, ela ia pôr fim embora contrafeita, aos muitos anos de fidelidade conjugal e de castidade, Ulisses chegou a Ítaca. Depois de se ter feito reconhecer pela esposa, massacrou todos os homens que tinham invadido a sua casa e se entregavam a libações e pilhagens. Depois voltou para junto de Penélope; e Atena, segundo se diz, prolongou, para eles, a duração da noite. As tradições pós-homéricas não seguiram todas esta narração. Umas afirmam que Penélope cedeu aos pretendentes e concebeu o deus Pã. Outras acrescentam que Ulisses a repudiou e ela foi acabar os seus dias em Mantineia. Por fim, alguns dizem que Telégono, filho de Ulisses e de Circe, depois de ter morto, por desprezo, o próprio pai, desposou Penélope. Mas ela ficou, para sempre, como símbolo de uma fidelidade tanto mais notável quanto foi rara entre as mulheres dos heróis que partiram para Tróia."

(FONTEDicionário de Mitologia Grega e Romana, de Joel Schmidt, edições 70, julho  de 2005)

imagem em http://ondasdelan.blogspot.com

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Origem e significado da palavra "inaugurar"

imagem em: meuastrolabio.blogspot.com

Para mim, a origem das palavras, será sempre um objeto de estudo apaixonante. 

O gosto que tenho pelas raízes da nossa língua levam-me hoje a partilhar esta curiosidade sobre o que a palavra inaugurar significa no seu todo e o que ela arrasta consigo. 

Felizmente para todos nós, existem pessoas que se debruçam afincadamente sobre a descoberta das raízes da nossa língua e, como resultado, ficamos a saber as histórias que cada palavra tem para nos contar... 

O verbo "inaugurar", por mim pensado como um dos que nos vai levar a um novo ano que se aproxima a passos largos; e que por ser completamente diferente dos que conhecemos e vivenciámos até aos nossos dias, será bom que "inauguremos" uma nova maneira de pensar, de sentir e de estar nesta nova vida...Foi esta reflexão que me fez chegar a:

...(...)... inaugurar esconde esta herança: o verbo inaugurare, que está na sua raiz, queria primeiro dizer "tomar os augúrios certos", pois tem na sua raiz augur, áugure, aquele que tinha a seu cargo a tarefa de observar o voo dos pássaros e o seu comportamento, como forma de prever o futuro; a ideia está sempre presente em augúrio (do latim augurium). Só depois inaugurare passou a significar também "consagrar algo", seja uma pessoa a determinado sacerdócio, seja um edifício. Augur está relacionado com o verbo augere, "fazer crescer", e inicialmente designava alguém que sabia se os deuses permitiam que algo pudesse crescer. Sinónimo de inaugurar é "estrear", outro termo que tem um passado religioso. De facto, o verbo em português deriva de estreia; o seu étimo latino, strena, queria dizer "sinal auspicioso", além de ser também o nome de um presente dado pelos Romanos no início do ano, um sinal de bons presságios, ou seja, para dar boa sorte. Daí derivou para o sentido de "início de qualquer coisa", mas, se atentarmos bem, há sempre algo de auspicioso (bom ou mau) numa estreia." ...(...)... (in Palavras que falam por nós, de Pedro Braga Falcão, Clube do Autor, março de 2014)

Desejemos, portanto, uns aos outros bons presságios para este novo ano!

Não temos escolha...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Homenagem a Valéry Giscard d'Estaing

imagem em www.elysee.fr


Antigo Presidente francês eleito em 1974, Valéry Giscard d'Estaing, morreu ontem, aos 94 anos,  infetado com Covid 19.

Foi um dos impulsionadores da construção europeia. Com efeito, o seu nome encontra-se ligado ao Conselho da Europa e ao Sistema Monetário Europeu.

Era um grande defensor da Liberdade e da Democracia e um grande amigo de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

A sua "partida" mereceu uma "chuva" de homenagens das classes políticas de vários países do mundo!


imagem em lepoint.fr


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

As marcas do tempo e o adjetivo francês "vieux"

Todos nós temos consciência de que o tempo passa, não havendo ninguém que fique mais jovem com o correr dos dias.

Não podemos ter outra atitude se não a de aceitar que  vida é mesmo assim e que aquilo que devemos fazer é aproveitá-la o melhor possível com tudo o que ela tem de bom e de positivo, e não o contrário, deixando que o negativo entre nas nossas vidas.

Quando o cabelo branco começa a surgir ou as pequenas rugas marcam o nosso rosto, não há outra atitude a não ser a de aceitá-los. São sinais de que o tempo passou e que há um amadurecimento em nós que se vai instalar, enriquecendo-nos  a experiência.

É claro que, quando se chega a essa fase, as memórias e as lembranças do passado vão aparecendo cada vez de modo mais intenso. Não devemos viver do passado, mas sim recordá-lo como algo que serviu para o reavivarmos ajudando-nos a viver o presente da maneira mais criativa que conseguirmos.

Lembro-me de ter estudado em francês o adjetivo velho (vieux), que vem do baixo latim veclus, do latim clássico vetulus diminutivo de vetus (vieux). As palavras que preenchem a nossa vida têm sempre uma origem interessante, é fascinante ir ao encontro dessa origem.


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Homenagem a Eduardo Lourenço que "partiu" hoje, a 1 de dezembro

Eduardo Lourenço
imagem in magg.sapo.pt



Eduardo Lourenço foi um professor português, escritor, ensaísta, filósofo e crítico literário, que faleceu hoje em Lisboa, aos 97 anos. 

Foi um dos maiores pensadores da nossa cultura. Era licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra tendo lecionado em algumas Universidades Europeias, tais como Hamburgo, Heidelberg, Nice, Grenoble e Montpellier; e ainda no Brasil, na Universidade Federal da Bahia.

Recebeu o Prémio Camões em 1996, a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura em 2008, e o Prémio Pessoa em 2011.

O seu famoso livro "Pessoa Revisitado", contém ensaios inéditos sobre a obra de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas portugueses. 

Chegou a exercer o cargo de Conselheiro Cultural  junto da embaixada de Portugal em Roma entre 1989 e 1991. 

Era conselheiro de Estado desde 2016.



segunda-feira, 30 de novembro de 2020

O Louvre em Paris só se tornou um Museu Permanente por volta de 1785

A pesquisa que efetuei levou-me a encontrar relatos muito interessantes sobre o "nascimento" do Louvre. Vale a pena partilhar a sua história a partir de várias "fontes" que se complementam umas às outras.



O Rei francês Filipe II Augusto 
(1165-1223)
extraído de : youtube.com


História
Em 1190, o Rei Filipe II criou, no local onde se situa o Museu do Louvre, uma fortaleza para proteger Paris das ofensivas Vikings. Um século mais tarde, Carlos V transformou o espaço num palácio. E já nos reinados de Francisco I e Henrique II foi ali implementado um palácio real. Também importante foi o contributo do monarca Luís XIV, que entre outros méritos, converteu vários edifícios em museus. Um processo que teve inicio em 1692, quando fundou na Sala das Cariátides uma coleção de esculturas clássicas. Porém, foi entre os anos de 1750 e 1785, que se elaborou a proposta do Louvre para museu permanente. Tal ideia deveu-se ao Supervisor Geral dos Imóveis do Rei, Marquês de Arigny, e também ao Conde Angivillier. O projeto foi aprovado a 6 de maio de 1791. A Assembleia Revolucionária foi bastante clara: o Louvre tinha, a partir de então, a obrigação de ser um "guardião" de todas as heranças científicas e artísticas . As últimas grandes mudanças neste espaço, decorreram em 1983, por iniciativa do presidente francês François Mitterrand. Um projecto intitulado "Grand Louvre", onde se salentam duas medidas: a construção de novos espaços para exposição, e a conceção, perto da atual entrada do museu, da controversa pirâmide da autoria de I. M. Pei, um arquiteto chinês. A partir de 2002, o número de visitantes duplicou. (encontrei in CULTURA, Blasting News, por João Mendes e atualizado em 07.01.2015)

Fortaleza de Filipe II Augusto. 
Imagem: Paris 3D Saga 
in guiadolouvre.com


A história do Louvre começa por volta de 1190, com o rei francês, Filipe II Augusto(1180 -1223), que apesar de estar comprometido em participar da terceira cruzada em Jerusalém, em Israel, ordenou antes de partir, que fosse construído uma grande muralha de pedra entorno de Paris e uma grande fortificação no lado sudoeste para proteger a cidade de uma possível invasão do rei inglês, Ricardo I° Coração de Leão (1190-1199), que estava estacionado com seu exército, a 60 km da capital.O Louvre de Filipe II foi um projeto bem simples, de função militar para abrigar soldados, armas, e servir se necessário como prisão. No centro do forte, existia uma torre cilíndrica de observação, chamada “donjon” (ou torreão), de 32 metros de altura, e 15 metros de diâmetro, podendo a vistar todas as planícies em volta de Paris, e controlar as entradas e saídas das embarcações pelo rio Sena.
Era rodeada por um fosso com águas do rio Sena, protegida por um muro espesso quadrado de 77 metros no lado norte-sul, e por 70 metros no lado leste-oeste, e com torres menores ao seu contorno.
Origem do nome Louvre:
Segundo alguns historiadores, o local escolhido por Felipe II Augusto, para construção da fortaleza era numa área afastada do centro urbano, chamada em latim Lupara ou Lupus ou Loups ou o mais provável, Louves (fêmea do lobo). Um destes nomes poderia ter sido usado para designar um local frequentado por lobos ou onde se caçavam lobos ou onde se treinavam cães de caça de lobos ou onde se guardavam materiais de caça para lobos. Dando origem assim ao forte medieval :
“Forteresse des Louves” (em francês), Fortaleza dos Lobos, (em português).
Outra possibilidade, na língua celta, o sufixo “ara”, de “Lupara”, quer dizer córrego de rio ou por onde se passa um rio ou um curso de água, lembrando que o rio sena estava bem próximo da fortaleza construída.
Outra ideia, como a França foi ocupada no século V pelos francos sálios, tribos de guerreiros e conquistadores do norte da Europa, que não falavam, nem entendiam o latim, (chamados pelos romanos de os Bárbaros) teriam deixado como herança etimológica, no antigo vocabulário francês do século XII, palavras de origem germânica, como: Lower, Lovar, Leovar, Leowar, Lover, que podemos traduzir para o português como: Castelo ou Campo Fortificado ou Torre de Vigia ou Torre de Observação. Ou simplesmente: L’Oeuvre (em francês), A Obra, (em português).
(encontrei em: guiadolouvre.com)

imagem in conexaoparis.com.br