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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Clara Pinto Correia "desapareceu" e ficámos mais "pobres"!

Clara Pinto Correia
imagem in flash.pt

Foi com grande consternação que li esta notícia na imprensa e não posso deixar de comentar que perdemos uma excecional escritora, jornalista e bióloga!

Foi uma grande apaixonada por tudo com quanto se ocupava na sua vida. Ficámos agora sem o seu contributo nesses domínios.

Tinha apenas 65 anos! 

Sofreu uma paragem cardíaca e já no verão tinha tido um AVC. 

Deveras lamentável!

Aqui partilho a triste notícia :

Morreu a escritora, bióloga e professora universitária Clara Pinto Correia, aos 65 anos de idade, segundo a informação que está a ser avançada por vários órgãos de comunicação nacionais.

O jornal “Correio da Manhã” reporta que a autora foi encontrada morta em casa, em Estremoz, no distrito de Évora, na sequência de um “episódio de doença súbita”. Os meios de socorro acabariam por ser acionados na manhã desta terça-feira. 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu à notícia, tendo apresentado “à família, amigos e admiradores de Clara Pinto Correia os seus afetuosos sentimentos, consternado pela sua partida prematura”, lê-se em nota publicada no site da Presidência.

Pela mesma via, o chefe de Estado referiu que “Clara Pinto Correia juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros”, escrevendo ainda: “Não deixou nunca ninguém indiferente. Daí o sentido de ausência por todos partilhado neste momento”. 
FONTE: in pt.euronews.com

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Maria Teresa Horta, grande romancista, poeta e escritora "partiu" de entre nós - A minha homenagem


(imagem em infopedia, Porto Editora)

Maria Teresa Horta

Presto aqui a minha homenagem a esta grande romancista, jornalista feminista e contadora de histórias, que sempre soube lutar pelas suas causas!

Concordo com o jornal observador.pt quando este escreve: A escrita de Maria Teresa Horta não foi resistência, foi avanço !

Primeira pesquisa:  www.infopedia.pt

Ficcionista, dramaturga, poeta e jornalista de profissão, Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros nasceu a 20 de maio de 1937 em Lisboa, e morreu a 4 de fevereiro de 2025, com 87 anos. 

Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, foi dirigente do ABC Cine-Clube e militante ativa nos movimentos de emancipação feminina, pertenceu à redação do jornal A Capital, dirigiu a revista Mulheres e dedicou-se ao movimento cineclubista português. 

Teresa Horta, escritora com obras publicadas nos campos da poesia, da prosa e do teatro

Com a colaboração, ao lado de Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, nas Novas Cartas Portuguesas, obra reprimida pela censura e largamente difundida a nível internacional, o seu nome como autora ficou celebrizado dentro de um registo de exaltação do corpo, de libertação feminina e de denúncia das hipocrisias e repressões do mundo social.

Como prosadora, inscreve-se numa tendência para a narração pluridiscursiva e desarticulada, impondo ao leitor, através dos vários registos estilísticos (discurso poético, epistolar, memorial, narrativo), a reconstituição de uma intriga que importa menos do que o teor excessivo da linguagem que a veicula ou que a indagação sobre a condição feminina em que cabe também a atualização do tema da paixão avassaladora, como no romance Constança H.

Ligada à coletânea Poesia 61, onde participou com Tatuagem, para António Ramos Rosa, "Cada poema seu é um ato de desnudação que põe em causa as convenções da vida social e está para além das barreiras protetoras da dignidade e do pudor. (...)
Contra a pobreza do mundo social, contra uma realidade ressequida e descarnada, a poeta realiza a transmutação vital que é uma verdadeira transformação orgânica e física do corpo humano (...). Seja direta, seja metafórica, a sua linguagem tem a ardência vital do corpo e a sua violência sensual é, em toda a sua irracionalidade, libertadora e subversiva." (Incisões Oblíquas, 1987, p. 126). 

REFERÊNCIA:
Porto Editora – Maria Teresa Horta na Infopédia [em linha]. 
Porto: Porto Editora. [consult. 2025-02-05 18:33:51]. 
Disponível em https://www.infopedia.pt/$maria-teresa-horta


Segunda pesquisa:  pt.wikipedia.org

Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros[1] GOIHGOL(Lisboa, 20 de maio de 1937 — Lisboa, 4 de fevereiro de 2025)[2] foi uma escritora, jornalista, activista e poetisa portuguesa

Foi uma das autoras do livro Novas Cartas Portuguesas, pelo qual foi processada e julgada em 1972, ao lado de Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa.[3]

Biografia

Nasceu em Lisboa, no dia 20 de Maio de 1937. É filha de Jorge Augusto da Silva Horta, 5.º Bastonário da Ordem dos Médicos(1956-1961), e de sua primeira mulher D. Carlota Maria Mascarenhas - a qual era neta paterna, por bastardia, do 9.º Marquês de Fronteira, 10.º Conde da Torre de juro e herdade, Representante do Título de Conde de Coculim, 7.º Marquês de Alorna de juro e herdade e 11.º Conde de Assumar de juro e herdade, ele próprio também filho natural - é oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, contando entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.[4]

Foi casada, em segundas núpcias, com o jornalista Luís de Barros, de quem tem um único filho, Luís Jorge Horta de Barros (4 de Abril de 1965), casado com Maria Antónia Martins Peças Pereira, com dois filhos, Tiago e Bernardo Barros.[5]

Em 2024, foi editado o livro "A Desobediente", biografia escrita por Patrícia Reis.[6][7]

Faleceu na manhã de 4 de fevereiro de 2025, em Lisboa, aos 87 anos.[8][9]

Percurso


Foi dirigente do ABC Cine-Clube.

Fez parte do Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, as Três Marias. Em conjunto lançaram o livro Novas Cartas Portuguesas, que na época teve um forte impacto e gerou contestação.[3][4]

Maria Teresa Horta também fez parte do grupo Poesia 61.[3]

Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, entre outros. Na Capital liderou o suplemento Literatura e Arte, por onde passaram nomes como Natália Correia, Maria Isabel Barreno, Ary dos Santos, José Saramago, António Gedeão, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, entre outros grandes nomes da literatura portuguesa.[10]

Foi também chefe de redacção da revista Mulheres, a convite do Partido Comunista Português,[11] da qual foi militante durante 14 anos[12] entre 1975 e 1989, quando se dá o fim da União Soviética.[13]Esta revista, um projecto pessoal de Maria Teresa Horta, consistiu num projecto feminista, de forte cunho essencialista. Permitiu-lhe entrevistar mulheres de relevo da política, da cultura e da literatura, entre elas: Maria de Lourdes Pintasilgo, Marguerite Yourcenar, Marguerite Duras, Maria Bethânia.[3][10]

Prémios e Reconhecimento

Foi galardoada com o Prémio D. Dinis 2011 da Fundação Casa de Mateus pela sua obra "As Luzes de Leonor", o qual aceitou, embora se recusasse a recebê-lo das mãos do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, ao qual cabia entregá-lo, alegando que este está "a destruir o país".[14][15][16] Nesse ano ganha ainda o Prémio Máxima de Literatura, pela mesma obra.[17]

Em 2014, recebeu o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.[18]

Em 2017, recusou receber o 4º Prémio Oceanos (Literatura em Língua Portuguesa), atribuído anualmente pelo Itaú Cultural no Brasil. A sua recusa deve-se ao facto de o ter de partilhar com o autor Bernardo Carvalho e por achar que a sua obra e os seus leitores mereciam mais respeito.[19][20]

O seu livro "Anunciações" (com o qual concorrera ao Prémio Oceanos) ganha o Prémio Autores de 2017 na categoria Melhor Livro de Poesia. [21]


Visão | Maria Teresa Horta: A história da desobediente militante e  desassossegada contadora de histórias
imagem obtida in visao.pt

As Três Marias (ela e Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa) encontram-se entre os 50 autores portugueses seleccionados por António M. Feijó, João R. Figueiredo e Miguel Tamen, professores e ensaístas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, para constar no livro "O Cânone", publicado pela editora Tinta da China em 2020.[22][18]

O Ministério da Cultura português distinguiu-a com a Medalha de Mérito Cultural em 2020.[18]

Em 2021 foi distinguida com o Prémio Literário Casino da Póvoa 2021, no festival de literatura Correntes d'Escritas, pela obra Estranhezas. [23][24] No mesmo ano, foi homenageada no Festival Literário Internacional do Interior, criado em homenagem das vítimas dos incêndios de 2017.[25]

Em 2023, o ISPA distinguiu-a com o título de Doutora Honoris Causa. [26]

Em 2024, é distinguida com o Prémio Liberdade, no âmbito dos Prémios ACTIVA Mulheres Inspiradoras. [27]

Também em 2024, torna-se na primeira mulher a receber o Prémio Rodrigues Sampaio, prémio este atribuído pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. [28]

Ainda em 2024, a BBC colocou-a entre as 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. [29][30]

Condecorações


A 21 de Abril de 2022, foi agraciada com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.[31]

Obras

É autora de vários livros de poesia e ficção:[32]

PoesiaEspelho Inicial (1960)
Tatuagem (1961)
Cidadelas Submersas (1961)
Verão Coincidente (1962)
Amor Habitado (1963)
Candelabro (1964)
Jardim de Inverno (1966)
Cronista Não é Recado (1967)
Minha Senhora de Mim (1967)
Educação Sentimental (1975)
As Mulheres de Abril (1976)
Poesia Completa I e II (1960-1982) (1982)
Os Anjos (1983)
Minha Mãe, Meu Amor (1984)
Rosa Sangrenta (1987)
Antologia Poética (1994)
Destino (1998)
Só de Amor (1999)
Antologia Pessoal - 100 Poemas (2003)
Inquietude (2006)
Les Sorcières - Feiticeiras (2006) edição bilíngue
Cem Poemas + 21 inéditos (2007)
Palavras Secretas (Antologia) (2007)
Poemas do Brasil (2009)
Poesia Reunida (1960-2006) (2009)
As Palavras do Corpo (Antologia de poesia erótica) (2012)
Poemas para Leonor (2012)
Poesis (2017)
Estranhezas (2018)

Ficção Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970)
Novas Cartas Portuguesas (1971) (obra conjunta))
Ana (1974)
O Transfer (1984)
Ema (1984)
A Paixão Segundo Constança H. (1994)
A Mãe na Literatura Portuguesa (1999)
As Luzes de Leonor (2011)
A Dama e o Unicórnio (2013)
Meninas (2014)

REERÊNCIA:   pt.wikipedia.org

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Quincy Jones: uma homenagem bem merecida


Biografia di Quincy Jones, vita e storia

imagem in https://biografieonline.it/biografia-quincy-jones

Quincy Jones dies: Music titan produced Michael Jackson's 'Thriller' among  others | AP News
Quincy Jones
imagem in apnews.com



Durante 50 anos na indústria do entretenimento, o trabalho de Jones foi indicado para 79 Grammys, sendo premiado com 27 destes, e um Grammy Legends Awardem 1991. Ele é mais conhecido por ajudar o ícone cultural Michael Jackson a produzir o álbum Thriller, que seria o álbum mais vendido de todos os tempos, e a canção "We Are the World". Ele também é conhecido por lançar a cantora Tamia que durante seu tempo com Quincy Jones foi indicada para 2 Grammy Awards por sua canção "You Put a Move On My Heart". Em 2024, ele recebeu o Oscar Honorário pelo seu "gênio artístico e criatividade incansável [que] fizeram dele uma das figuras musicais mais influentes de todos os tempos".

Carreira

Nascido em Illinois, Jones descobriu a música na escola primária, o que o levou a aprender trompete. Quando tinha 10 anos, sua família se mudou para Bremerton, Washington, onde ele fez amizade com o jovem Ray Charles, que mais tarde lhe ensinou braille. Os dois formaram um duo e tocaram em casamentos locais e em clubes de jazz onde hoje é conhecido como Pioneer Square distrito de Seattle.

Em 1951, com 18 anos, Jones ganhou uma bolsa de estudos para a Schillinger House (agora conhecida como Berklee College of Music) em Boston. Contudo, abandonou os estudos quando recebeu uma oferta para viajar como trompetista com o lendário bandleader Lionel Hampton. Quando ainda viajava com Hampton, ele mostrou um jeito incomum para arranjar canções. Jones se mudou para Nova York, onde recebeu vários pedidos de arranjos para artistas como Sarah Vaughan, Count Basie, Duke Ellington, Gene Krupa e seu agora velho amigo Ray Charles.

Em 1956, Jones viajou novamente como trompetista e diretor musical da Dizzy Gillespie Band em uma turnê pelo Oriente Médio e América do Sul patrocinada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. No retorno para os Estados Unidos, ele ganhou um contrato da ABCParamount Records e iniciou sua carreira de gravações como líder de sua própria banda.

Jones se mudou para Paris, França em 1957. Estudou composição musical e teoria com Nadia Boulanger e Olivier Messiaen. Também tocou no Paris Olympia. Jones foi diretor musical na Barclay Disques, o distribuidor francês da Mercury Records e durante os anos 50, Jones viajou muito pela Europa com várias orquestras de jazz. Formou sua própria big band e organizou uma turnê pela América do Norte e Europa. Embora a turnê fosse um sucesso de crítica, um mau planejamento orçamentário fez dela um desastre econômico e levou Jones a uma crise financeira. Irving Green, chefe da Mercury Records, trouxe Jones de volta com um empréstimo e um novo trabalho como diretor musical da divisão da companhia em Nova York. Em 1964, Jones foi promovido a vice-presidente da companhia, se tornando assim o primeiro afro-americano a ocupar tal cargo. 1964 também viu Jones derrubar outra barreira social: a convite do diretor Sidney Lumet ele compôs a primeira de suas 33 maiores trilhas sonoras. O resultado foi a lendária trilha de The Pawnbroker.

Com Hollywood acenando, Jones rescindiu com a Mercury Records e se mudou para Los Angeles para compor trilhas em tempo integral. Algumas de suas composições mais célebres foram para os filmes: Walk, Don't Run, In Cold Blood, In the Heat of the Night, Bob and Carol and Ted and Alice, Cactus Flower, Italian Job, The Getaway e A Cor Púrpura. Também compôs para televisão, incluindo os shows Ironside, Sanford and Son e The Cosby Show, assim como a música-tema de The New Bill Cosby Show chamada "Chump Change", que mais tarde foi usada como tema do show de jogos de Mark Goodson-Bill Todman chamado Now You See It.

Nos anos 60, Jones trabalhou como arranjador para alguns dos mais importantes artistas da era, incluindo Miles Davis, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Peggy Lee, e Dinah Washington. As gravações-solo de Jones também foram aclamadas, incluindo Walking in Space, Gula Materi, Smackwater Jack and Ndeda, You've Got It Bad, Girl, Body Heat, Mellow Madness, I Heard That e The Dude.


Quincy Jones no fórum econômico mundial de Davos em 2004


Lendária parceria com Michael Jackson

Enquanto trabalhava no filme The Wiz, Jones conheceu Michael Jackson, que lhe pediu conselhos sobre qual produtor Quincy indicaria para trabalhar com ele em seu próximo álbum em carreira solo.

Surpreendentemente, o nome que Quincy indicou foi o seu próprio. Formou-se ali a dupla de maior sucesso do mundo da música. O primeiro disco de Jackson com colaboração de Quincy, Off the Wall(1979), vendeu 40 milhões de cópias, se tornando um dos mais aclamados discos de música negra do século XX. O trabalho seguinte, Thriller (1982), alcançou um sucesso sem precedentes, vendendo 100 milhões de cópias e tornou-se o álbum mais vendido de todos os tempos. 
Jones também trabalhou no terceiro álbum solo de Jackson, intitulado Bad (1987), que vendeu 30 milhões de cópias mundialmente, e se firmou durante algum tempo como o segundo álbum mais vendido da história.

Após Bad, Michael e Jones se separaram. Em uma entrevista de 2002, quando perguntado se trabalharia de novo com Jones, respondeu, "a porta estará sempre aberta". Após a cerimônia de 1984 do Grammy Awards, Jones usou a sua influência junto a de Jackson para reunir os maiores artistas americanos em um estúdio para gravar a legendária canção We Are The World para angariar fundos para as vítimas da fome na Etiópia. Quando as pessoas se espantaram com sua habilidade para fazer com que todos trabalhassem unidos, Jones explicou que ele apenas deixou uma placa na porta dizendo: "Deixe seu ego na porta".

Pós-Michael Jackson

Em 1993, Jones colaborou com David Saltzman para produzir o extravagante concerto An American Reunion, uma celebração da inauguração do mandato de Bill Clinton como presidente dos Estados Unidos. Saltzman e Jones decidiram unir suas consideráveis forças e formar a companhia Quincy Jones/David Saltzman Entertainment (QDE) com Time Warner Inc.. QDE é uma companhia que produz tecnologia de mídia, filmes, programas para a televisão (The Fresh Prince of Bel Air, inclusive é o próprio Quincy Jones que dirige o táxi na abertura do programa), publicações literárias (as revistas Vibe e Spin).

Em 2001, ele publicou sua autobiografia Q: The Autobiography of Quincy Jones.

No mesmo ano, sua fundação, a Quincy Jones Listen Up Foundation, construiu mais de 100 casas para a fundação Nelson Mandela na África do Sul.

Em 2004, ao lado de Carlos Santana, Alicia Keys, Oprah Winfrey, Angelina Jolie, Fher (de Mana), Evander Holyfield, Chris Tucker, e vários outros músicos, celebridades, dignitários, e políticos, Jones produziu o concerto "WE Are The Future" para uma audiência de mais de meio milhão de pessoas em Roma, Itália. O concerto angariou fundos para a fundação Quincy Jones Listen Up Foundation.

Em 2013 foi homenageado pelo Rock and Roll Hall of Fame, induzido por Oprah Winfrey.

Ativismo social

O ativismo social de Quincy Jones começou nos anos 60 com o apoio do Dr. Martin Luther King Jr.Jones é um dos fundadores do Instituto para a Música Negra Americana (IBAM) cujos eventos buscam levantar fundos para a criação de uma biblioteca nacional de arte e música Afro-americana. Jones é também um dos fundadores do Black Arts Festival (Festival de Artes Negras) em sua cidade Chicago. Por muitos anos ele tem trabalhado ao lado de Bono do U2 em vários trabalhos filantrópicos. Ele foi o fundador da Quincy Jones Listen Up Foundation, uma fundação que dá aos jovens acesso à tecnologia, educação, cultura e música. Um dos programas da organização é um intercâmbio intercultural entre os jovens carentes de Los Angeles e da África do Sul. Jones manteve vários trabalhos sociais, incluindo o NAACP, GLAAD, Jogos da Paz e AmFAR.

Música brasileira

Grande pesquisador, incentivador e observador de todas as manifestações musicais de qualidade, Jones foi um grande admirador da música brasileira. Entre os artistas favoritos, figuram Simone, a qual ele citava como "uma das maiores cantoras do mundo", Milton Nascimento, Gilson Peranzzetta, Ivan Lins, entre outros da bossa nova.

Morte

O produtor morreu em sua casa em Bel Air, Los Angeles, aos 91 anos, segundo seu agente ao lado da família, sem citar a causa do falecimento.

“Com o coração cheio, mas partido, que compartilhamos a notícia do falecimento de nosso pai e irmão, Quincy Jones. E ainda que seja uma perda enorme para nossa família, celebramos sua grande trajetória de vida e sabemos que nunca haverá outro como ele”. Disse a família em comunicado.

REFERÊNCIA: https://pt.wikipedia.org/wiki/Quincy_Jones

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Marco Paulo: a minha última homenagem

Marco Paulo (1945-2024): entre o galã e o pimba, um ícone entre as mulheres  - Expresso
imagem obtida in: expresso.pt

Marco Paulo foi sempre uma figura muito amada dos portugueses!

Infelizmente, "partiu" hoje (24.10.2024) de entre nós!

Ele "desapareceu", mas a sua voz ficou e ouvir-se-à eternamente!

A paixão pela sua carreira de músico (para a qual viveu exclusivamente) e a sua dedicação total durante várias décadas à música ligeira e romântica estavam sempre em primeiro lugar na sua vida!

Dedico-te esta mensagem:

Querido Marco Paulo: 

Deixa-me prestar-te uma homenagem muito sincera, muito sentida! 

Quero dizer-te que toda a tua música e essa voz inconfundível permanecerão em mim, para sempre! E não só: para além de tudo o que citei, não esquecerei a tua postura de humildade com que sempre te apresentaste em público!

Com a tua "partida", pelo menos, já não tens de suportar tanto sofrimento a que te sujeitaste heroicamente durante décadas, de que todos tínhamos conhecimento pelos meios de comunicação social e que tanto nos fazia sofrer também. 

Finalmente: o que dizer desse sorriso rasgado, enorme, sempre presente nos teus lábios que mantiveste até ao fim

Despeço-me, dizendo-te:"Tu foste para todos nós um grande exemplo e lição de vida!"

No dia 21 de outubro, li o Postal do Dia, da Antena 1 e houve uma recusa do meu "eu" em partilhar aqui ("com a devida vénia") as palavras de Luís Osório.  

Eu sabia que ele estava a descrever a realidade "nua e crua" daquilo que se passava com o cantor, que tinha de acontecer e que esse fim estava muito próximo! Eu não queria aceitar tal ideia, mas arranjei agora um pouco de coragem para o fazer. 

Não há mais nada a dizer: está tudo dito por Luís Osório, e que tomo a liberdade de transcrever:

Marco Paulo está pronto para a sua última viagem

A saúde de Marco Paulo não inspira qualquer otimismo. As pessoas que dele gostam, as mulheres que o veneram, têm-se despedido em vida. E no postal de hoje, Luís Osório dirá as razões para que essa despedida seja coletiva.

1. 

Só vi Marco Paulo ao vivo uma única vez e não foi há muito tempo. Perto do Natal de 2021 comprei bilhetes para o Campo Pequeno e fui.
A minha ideia era despedir-me.
O cantor não estava nada bem de saúde e jurara a mim próprio que o faria pela minha avó Joaquina.
Era o mínimo.
A avó venerava-o.
E eu venerava e venero tudo o que ela me deixou.

2.

Recordo-a como se fosse hoje a trabalhar na sua máquina Oliva. Fazia soutiens, toda a minha juventude a vi sentada, soutien atrás de soutien, soutiens de todas as cores, de todos os tamanhos e para todos os gostos.
A minha querida Joaquina quase nunca parava.
Trabalhava até chegar a noite e a novela.
E só parava quando na televisão surgia Marco Paulo mais as suas canções.
Não achava piada ao “Eu Tenho Dois Amores”, mas adorava a “Mulher Sentimental”. Não gostava de “Taras e Manias”, mas adorava o “Ninguém Ninguém” ou o “Mais e Mais Amor”.

3.

Marco Paulo está muito doente.
É provável, ele próprio o diz, que um dia destes precise de partir.
E eu quero agradecer-lhe por ter estado.
Por ter cantado as canções que uma parte do país desejou ouvir e fez suas.
Por ter sido do povo mais humilde, das mulheres que o viram como um filho ou como um amante impossível ou apenas como alguém que soube sempre estar próximo, que se ofereceu às pessoas como se lhes pertencesse.

4.

Nessa medida foi sempre mais do que um cantor.
Pertencia ao povo mais humilde, às que trabalhavam de sol a sol, que limpavam as casas dos outros, que cuidavam dos filhos ou aturavam os maridos depois das tascas ou da bola.
Marco Paulo foi sempre o cantor das mulheres que ninguém ouvia, das apelidadas de sopeiras pelas elites, das pouco consideradas, das que ninguém respeitava.
Os seus espetáculos eram bonitos por isso. Por que de repente havia gente que chorava sem que se percebesse de que chorava, gente que o venerava sem que soubéssemos a razão para tão profunda veneração, mulheres que punham a sua roupa de domingo, a sua roupa por estrear, para o ouvir e, quem sabe, para que notasse a sua presença.
A razão era ele.

Marco Paulo, um homem sem idade que obrigava a minha avó a parar de fazer o que sempre fazia para o ouvir.
O cantor de tantas mulheres que só o tinham a ele, o que não era de mais ninguém, só delas.
Foi por tudo isto que o fui ouvir e aplaudir.
Por ser do povo.
Por se ter oferecido na totalidade.
Por nos ter oferecido tudo o que tinha.
E esse tudo não foi pouco.
FONTE: Texto e programa de Luís Osório     antena1.rtp.pt

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Homenagem a Fausto - poeta, cantor e compositor português

Fausto

- lembra-me um sonho lindo 
- foi por ela 
- ao longo de um claro rio de água doce 
(letra)



Fausto, nome artístico de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias[1] OL (Oceano Atlântico), registado em Vila Franca das Naves, 26 de novembro de 1948Lisboa, 1 de julho de 2024[2]) foi um compositor e cantor português.

Biografia

Embora nascido a bordo do navio Pátria,[3][4][5] em viagem entre Portugal e Angola, Fausto Bordalo Dias foi registado em Vila Franca das Naves, Trancoso. Foi na antiga província ultramarina portuguesa que formou a sua primeira banda, Os Rebeldes. À musicalidade da sua origem beirã,

assimilou os ritmos africanos.[6]


Aos 20 anos, em Lisboa, onde se instalou a fim de prosseguir os estudos — concluiu a licenciatura em Ciências Políticas e Sociais, no então denominado Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, atual ISCSP.[6]

Em 1969 lançou o primeiro EP, Fausto, com o qual venceu no mesmo ano o Prémio Revelação da Rádio Renascença.[6]

No âmbito do movimento associativo em Lisboa, aproximou-se de nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no exílio.[7]

Em maio de 1974 foi um dos fundadores do GAC, juntamente com José Mário Branco, Afonso Dias e Tino Flores.[6]

Em 1978 colaborou com Sérgio Godinho e José Mário Branco na banda-sonora do filme 

No dia 8 de julho de 1997, em Belém, ofereceu um dos seus mais marcantes concertos, celebrando os 500 anos da partida de Vasco da Gama para a Índia, no mesmo dia em 1497, a convite da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.[9]

Em 2009 juntou-se novamente a Sérgio Godinho e José Mário Branco para o espectáculo Três cantos ao vivo, um evento de grande destaque cultural que resultou no lançamento de um álbum ao vivo.[10][11]

Autor de 12 discos, gravados entre 1970 e 2011 (dez de originais, uma compilação regravada e um disco ao vivo), é presentemente um importante nome da música portuguesa e da música popular em particular. A sua obra tem sido revisitada por nomes como, entre outros, Mafalda Arnauth, Né Ladeiras, Pedro Moutinho, Teresa Salgueiro, Cristina Branco, Marco Oliveira ou Ana Moura.[12][13][7]

O seu último álbum, Em busca das montanhas azuis, foi lançado em 2011 e conta com arranjos musicais de José Mário Branco em quatro faixas.[14]

Em março de 2023 foi realizada uma homenagem de Filipe Sambado, Surma e Primeira-Dama a Fausto, na segunda semifinal da 57ª edição do Festival RTP da Canção. Foram interpretadas as canções "O barco vai de saída", "Como um sonho acordado", "A guerra é a guerra", "O cortejo dos penitentes" e "Lembra-me um sonho lindo".[15][16][17]

Morreu a 1 de julho de 2024, aos 75 anos, em Lisboa, vítima de doença prolongada.[2][18]

Fausto e Amélia Muge, no Chapitô(Lisboa), em 2010

Entre a sua discografia encontram-se:[6]Fausto e Amélia Muge, no Chapitô(Lisboa), em 2010
Álbuns de originais
Fausto (1970)
Singles e EPsFausto (1º EP, 1969)
Guerra do Mirandum (Single, 1984)
ColetâneasO Melhor dos Melhores (1994)
Grande Grande É a Viagem (ao vivo) (1999)
Álbuns em colaboraçãoCantigas De Ida E Volta (1975), em conjunto com Sérgio Godinho, Vitorino e Sheila Charlesworth
Prémios e condecorações1969 — Prémio Revelação, atribuído pela Rádio Renascença [3][6]
1994 — Oficial da Ordem da Liberdade (9 de Junho)[20]
2012 — Melhor Álbum — Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, "Em Busca das Montanhas Azuis"[21]
2012 — Melhor Canção — Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, "E Fomos pela Água do Rio"[21]

Referências

«Lista de associados da Audiogest» (PDF). Actividades Culturais / Ministério da Cultura. 25 de Julho de 2007. Consultado em 3 de Janeiro de 2014. Arquivado do original (PDF) em 24 de dezembro de 2013
Ir para: a b «Morreu Fausto, trovador-mor da canção portuguesa». Jornal de Notícias. 1 de julho de 2024
Ir para: a b Ribeiro, A. J. P. (2017). pareSeres da terra e a música popular portuguesa no Conservatório do Vale do Sousa. Revista Vórtex, 5(3), 1-20.
«Poema da Semana - Fausto Bordalo Dias». cvc.instituto-camoes.pt. Consultado em 1 de julho de 2024
«O fado». O fado. Consultado em 1 de julho de 2024
Ir para: a b c d e f «Fausto (músico)». Infopédia. Consultado em 26 de Novembro de 2013
Ir para: a b «Fausto Bordalo Dias – Meloteca». www.meloteca.com. Consultado em 13 de março de 2023
«A Confederação | Arquivo José Mário Branco». arquivojosemariobranco.fcsh.unl.pt. Consultado em 13 de março de 2023
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