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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Manuel Alegre e o seu poema - VELHO - Momentos de poesia maravilhosa

Manuel Alegre
imagem obtida in: bibliotecaegn.wordpress.com


VELHO

todo o homem tem um navio no coração

todo o homem tem um navio

tem um país a descobrir em cada mão

tem um rio no sangue tem um rio

todo o homem tem um navio no coração.

Poema de Manuel Alegre

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Clara Pinto Correia "desapareceu" e ficámos mais "pobres"!

Clara Pinto Correia
imagem in flash.pt

Foi com grande consternação que li esta notícia na imprensa e não posso deixar de comentar que perdemos uma excecional escritora, jornalista e bióloga!

Foi uma grande apaixonada por tudo com quanto se ocupava na sua vida. Ficámos agora sem o seu contributo nesses domínios.

Tinha apenas 65 anos! 

Sofreu uma paragem cardíaca e já no verão tinha tido um AVC. 

Deveras lamentável!

Aqui partilho a triste notícia :

Morreu a escritora, bióloga e professora universitária Clara Pinto Correia, aos 65 anos de idade, segundo a informação que está a ser avançada por vários órgãos de comunicação nacionais.

O jornal “Correio da Manhã” reporta que a autora foi encontrada morta em casa, em Estremoz, no distrito de Évora, na sequência de um “episódio de doença súbita”. Os meios de socorro acabariam por ser acionados na manhã desta terça-feira. 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu à notícia, tendo apresentado “à família, amigos e admiradores de Clara Pinto Correia os seus afetuosos sentimentos, consternado pela sua partida prematura”, lê-se em nota publicada no site da Presidência.

Pela mesma via, o chefe de Estado referiu que “Clara Pinto Correia juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros”, escrevendo ainda: “Não deixou nunca ninguém indiferente. Daí o sentido de ausência por todos partilhado neste momento”. 
FONTE: in pt.euronews.com

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Annie Ernaux: Prémio Nobel da Literatura 2022

Hoje, deixo aqui uma sugestão de leitura: "O Acontecimento", de Annie Ernaux, escritora francesa.

Fico muito orgulhosa por uma mulher, Annie Ernaux, ganhar o Prémio Nobel da Literatura 2022.

Já li a obra e aconselho-a vivamente: é uma história autobiográfica, verdadeiramente emocionante!

imagem obtida in https://foreveryoung.sapo.pt/
premio-nobel-da-literatura-2022-escreve-se-no-feminino/

Annie Ernaux vence Prémio Nobel da Literatura
2022/10/07

imagem obtida em cig.gov.pt

A escritora francesa Annie Ernaux é a vencedora do Prémio Nobel da Literatura de 2022, anunciou no dia 6 de outubro a Academia Sueca.

A autora é apenas a 17.ª mulher Nobel da Literatura, num total de 119 pessoas laureadas na história do prémio.

O comunicado do júri destaca como “Ernaux examina, de forma consistente e a partir de diferentes ângulos, uma vida marcada por fortes disparidades de género, língua e classe.”

No ano 2000, é publicado em frança “O acontecimento”, relato autobiográfico de um aborto clandestino. Nesta obra, “uma jovem de 23 anos, estudante universitária brilhante, descobre que está grávida. Tomada pela vergonha, consciente de que aquela gravidez representará um falhanço social para si e para a sua família, sabe que não poderá ter aquela criança. Mas, na França de 1963, o aborto é ilegal e não existe ninguém a quem possa acorrer.” É um romance poderoso sobre sofrimento, justiça e a condição feminina. Escrito por Annie Ernaux em 1999, foi adaptado ao cinema em 2021 por Audrey Diwan, num filme vencedor do Leão de Ouro em Veneza.

Annie Ernaux nasceu em Lillebonne, na Normandia, em 1940, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. É atualmente uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita onde se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes. Galardoada com o Prémio de Língua Francesa (2008), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017), o Prémio Formentor de las Letras (2019), o Prémio Prince Pierre do Mónaco (2021) e o Prémio Nobel da Literatura (2022) pelo conjunto da sua obra, destacam-se os seus livros Um Lugar ao Sol (1984), vencedor do Prémio Renaudot, e Os Anos (2008), vencedor do Prémio Marguerite Duras e finalista do Prémio Man Booker Internacional.

FONTE: https://www.cig.gov.pt/2022/10/annie-ernaux-vence-premio-nobel-da-literatura/

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro

Toda a vida ouvimos dizer que o LIVRO é um amigo, é o nosso eterno companheiro. Leva-nos a viajar pelo mundo inteiro, por terras distantes, deixando-nos fascinados. 
Como ler mais é saber mais, cuidemos dos livros!

in slideshare.net

O Dia Mundial do Livro, que se celebra esta quinta-feira, envolto em restrições devido à pandemia de Covid-19, vai ser assinalado com iniciativas literárias que apostam no digital, como passatempos, campanhas, lançamentos e vendas “online”.
“O momento que atravessamos impôs uma realidade que nos afastou das rotinas habituais”, mas ainda assim “este reajustamento ao contexto em que vivemos, permite a celebração”, assinala a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), que desenvolveu uma campanha de apelo e estímulo à leitura, que recorre ao Facebook e ao Instagram, através dos quais os leitores são convidados a partilhar aquilo que estão a ler.
Também os editores da Leya escolheram este dia, “tão diferente dos anteriores”, para anunciar o “Próximo Capítulo”, um clube de leitura, de promoção de debate e partilha sobre livros de ficção e de não-ficção. Esta iniciativa pretende aproximar os leitores do mundo editorial e apresenta-se como um espaço de partilha entre quem edita e promove os livros, e quem os lê.As inscrições decorrem entre esta quinta-feira e 5 de maio, através do e-mail proximocapitulo@leya.com, e os participantes serão informados sobre os livros a ler e como adquiri-los, com condições exclusivas, na livraria “online” da LeYa, bem como sobre as datas dos encontros, numa primeira fase através de plataforma digital e, mais adiante, presenciais.As editoras Antígona e Orfeu Negro lançaram juntas a campanha “Adota uma livraria”, que convidou os leitores a, ao longo de dez dias, que terminam esta quinta-feira, encomendarem livros através daquelas editoras, para que 30% do valor das vendas revertesse para uma livraria especifica, entre dez escolhidas, uma para cada dia.
A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) criou um passatempo para celebrar o Dia Mundial do Livro, convidando os leitores das bibliotecas públicas a elegerem a sua obra literária favorita. Os resultados do passatempo #UmaBibliotecaUmLeitor são conhecidos esta quinta-feira e serão anunciados os livros — adulto e infantil – preferidos dos leitores.
Outra iniciativa que parte da DGLAB é a criação de uma imagem oficial do Dia Mundial do Livro, para a qual foi convidada a ilustradora Mariana Rio, que desenhou uma ilustração dedicada à efeméride, tendo em conta que este é um ano difícil para quem faz, vende e lê livros.
A ideia base é que as pessoas também são feitas de livros e de leituras, e por isso Mariana Rio retratou duas pessoas a conversarem e, numa espécie de radiografia ao corpo, percebe-se que também são feitos de livros.
A Bertrand Editora disponibiliza em exclusivo, e até dia 26 de abril, para venda “online” oito novos livros que ficaram em suspenso entre março e abril devido à Covid-19 , selecionados com o objetivo de tornar mais tranquila e produtiva a experiência dos leitores neste período.
Os livros em causa são “A Casa Alemã”, de Annette Hess, “Homo Biologicus”, de Pier-Vincenzo Piazza, “O Infame Dicionário Cómico de Língua Portuguesa”, de Eduardo Madeira, “O Livro do Seu Bebé”, de Hugo Rodrigues, “Curso de Meditação”, de Osho, “Inspiração do Monge que Vendeu o Seu Ferrari”, de Robin Sharma, “Nada a Temer”, de Julian Barnes, e “O Cérebro Consciente — Uma Longa História de Vida”, de Joseph LeDoux.
A Ideias de Ler, do grupo Porto Editora, publica esta quinta-feira “O Incrível Sistema Imunitário”, de Daniel M. Davis, investigador científico e professor de Imunologia na Universidade de Manchester, obra que “revela como funciona a intrincada linha de defesa do corpo humano”.
O Dia Mundial do Livro é comemorado desde 1996, por decisão da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), no dia 23 de abril, data que coincide com o desaparecimento de escritores como Miguel de Cervantes e William Shakespeare.
in observador.pt  um texto de Agência Lusa 23.04.2020

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Chico Buarque foi o vencedor do Prémio Camões

Chico Buarque
in http://dglab.gov.pt/premio-camoes-2019/

Chico Buarque de Hollanda (1944), músico e escritor brasileiro recebeu o prémio Camões 2019. 

O Jornal Observador homenageia-o do seguinte modo:

O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019, foi anunciado esta terça-feira, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. O músico e escritor brasileiro ficou “muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, o seu compatriota distinguido com o prémio em 2016.

“Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, refere a curta declaração divulgada pela assessoria de imprensa de Chico Buarque.

O músico e escritor brasileiro fora já distinguido com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelos romances “Estorvo”, “Leite Derramado”, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura (atual Prémio Oceanos), e por “Budapeste”.
Chico Buarque foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, professores universitários indicados pelo Ministério português da Cultura, pelo ensaísta Antonio Cícero Correia Lima e pelo professor António Carlos Hohlfeldt, indicados pelo Governo brasileiro, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.
Estreou-se no romance com “Estorvo”, em 1991, a que se seguiram “Benjamim”, “Budapeste”, “Leite Derramado” e “O Irmão Alemão”, publicado em 2014.
Em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.
O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.
Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de “A ilha fantástica”, “Os dois irmãos” e “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, entre outras obras.
O Presidente português felicitou esta quarta-feira o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, vencedor do Prémio Camões 2019, defendendo que “só pode ser unânime” esta distinção da sua obra como romancista, dramaturgo, mas também como escritor de canções.
Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa considera que, ao premiar Chico Buarque, o júri do Prémio Camões reconheceu “naturalmente também o extraordinário escritor de canções, um dos maiores da língua portuguesa”.
Esta decisão vem “na continuidade de uma marcante decisão da Academia Sueca” de atribuir o Nobel da Literatura ao músico norte-americano Bob Dylan, dando “à canção, género ancestralmente ligado à poesia, um estatuto de dignidade literária”, refere o chefe de Estado.
“Premiar ‘letristas’ pode ser sujeito a discussão, mas premiar Chico Buarque só pode ser unânime, porque, tal como Bob Dylan para a língua inglesa, as canções de Chico traduzem um profundo conhecimento da tradição poética e um alargamento das fronteiras da linguagem musicada, trazendo um grau de sofisticação inédito à música que se diz, e bem, popular”, defende Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República saúda, por isso, o júri do Prémio Camões que, “por unanimidade, lhe concedeu esta distinção, reconhecendo o romancista de ‘Estorvo’ ou ‘Budapeste’, o dramaturgo e argumentista, mas também o extraordinário escritor de canções”.
“Por outro lado, a obra de Chico Buarque, conquistou, ao longo de várias gerações, um incomparável respeito e emoção no mundo lusófono, nomeadamente pelos seus empáticos retratos femininos, pela afinidade com os bons malandros, pelo empenhamento político, pelo amor ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelo trabalho sobre uma língua que, atravessando tanto mar, nos une”, acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.
Também o Presidente da República de Cabo Verde felicitou esta quarta-feira Chico Buarque pela atribuição do Prémio Camões que disse “coroar uma obra literária de inestimável valor”, e ainda destacar “o caráter e o profundo humanismo do premiado”.
Numa missiva enviada ao músico e escritor, que venceu a edição deste ano do Prémio Camões, Jorge Carlos Fonseca congratulou-se pela escolha, enquanto chefe de Estado e na qualidade de presidente em exercício da Conferência dos Chefes de Estado dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Nós todos, habitantes deste espaço multicontinental, herdeiro, useiro e fazedor desta língua que nos une – na dor, no sonho, na esperança e na alegria — vimos usufruindo um pouco desse universo criado, há várias décadas, por sua obra e arte”, lê-se na carta.
E sobre o mundo de Chico Buarque escreveu: “É feito de palavras que, primeiro, nos foram chegando musicadas, plenas de vida e da condição humana, de sentimentos, da luta diária de homens e de mulheres do seu Brasil. E, nos últimos tempos, para grande regozijo nosso e das letras deste nosso espaço comum, suas obras literárias, que vieram enriquecer e dar um brilho de qualidade à literatura do seu país”.
Para Jorge Carlos Fonseca, numa “comunidade de afetos, de laços culturais e históricos, cujos alicerces são as pessoas”, entre os que mais têm contribuído para “o seu crescimento e fortalecimento, estão os artistas, os músicos, os cantores e aqueles que registam os passos e o batimento cardíaco da nossa condição, do nosso ser: os escritores, romancistas e poetas, fazedores do nosso edifício identitário comum”. (in observador.pt Autor: Agência Lusa  21.05.2019)
in angop.ao

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Prémio Nobel da Literatura 2016 atribuído a Bob Dylan

in: PopMatters 
"Bob Dylan é o 113.º vencedor do prémio máximo literatura, "por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana." Uma escolha que não deverá ser unânime entre a crítica.
Bob Dylan é o vencedor do prémio Nobel da Literatura 2016, “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”. O anúncio foi feito esta quinta-feira pela Academia Sueca, em Estocolmo. “É um poeta maravilhoso”, justificou a secretária permanente Sara Danius. É a primeira vez que o Nobel é entregue a um compositor, “que pode e deve ser lido”, para além de escutado.
Apesar de Bob Dylan ser presença habitual nas listas que tentam adivinhar qual será o vencedor, é uma escolha que pode ser polémica, sobretudo porque a carreira de Robert Allen Zimmerman — verdadeiro nome de Dylan — é sobretudo musical. O norte-americano de 75 anos merece o Nobel porque “é um grande poeta”, capaz de se “reinventar” ao longo de 54 anos de carreira, justificou Sara Danius, que garantiu ter havido “grande unanimidade” entre os jurados.
Sobre se antecipa críticas à escolha da Academia, respondeu simplesmente um “espero que não.” E acrescentou: “Talvez the times they are a’changing“, numa alusão à música de Dylan com o mesmo nome.
Já em 2008 o músico causou surpresa, ao ter vencido um Pulitzer especial pelo seu “profundo impacto na música popular e na cultura americana, marcado pela sua composição lírica de extraordinário poder poético”.
Para quem só agora quer começar a ouvir as canções ou a ler os livros de um dos maiores nomes da música do século XX, Sara Danius aconselhou Blonde on Blonde, sétimo disco do norte-americano, de onde saíram canções como “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again” ou “Just Like a Woman”. Um bom exemplo “da sua forma brilhante de rimar”, acrescentou a secretária, que a cada pergunta sobre a carreira musical de Dylan tenta incluir na conversa os dotes poéticos do laureado.
Quem pesquisar livros da sua autoria tem mais probabilidade de encontrar obras escritas sobre o músico, e não por ele. O primeiro livro que publicou, em 1971, chama-se Tarantula e é um misto experimental entre prosa e poesia. Encontra-se traduzido para português pela já extinta Quasi Edições, cogerida por Jorge Reis-Sá e Valter Hugo Mãe.
Mas o livro mais popular do músico será Crónicas: Volume 1, lançado em 2004 (editado em Portugal pela chancela Ulisseia). Primeira parte das memórias do autor de “Like a Rolling Stone”, a ideia era que a autobiografia tivesse mais volumes. Mas Dylan nunca mais publicou a segunda parte. É através destas páginas que o leitor fica a saber que Robert Allen Zimmerman, nascido a 24 de maio de 1941 no Estado americano do Minnesota, numa América onde a segregação racial era a realidade do dia-a-dia, começou a escrever poemas com dez anos de idade. E que aprendeu sozinho a tocar piano e guitarra.
Em 1961, deixa a universidade e a sua cidade para trás e muda-se para Nova Iorque, onde começa a tocar em cafés e clubes na zona de Greenwich Village. Influenciado por Woody Guthrie, editou o seu álbum de estreia, homónimo, em 1962, feito sobretudo de versões de canções tradicionais.
No ano seguinte, dá ao mundo The Freewheelin’ Bob Dylan. Logo a abrir, “Blowin’ in the Wind”, que se torna imediatamente canção hino de protesto e que, até aos dias de hoje, vai acumulando versões de diferentes artistas. “Girl from the North Country”, “Masters of War”, “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e “Don’t Think Twice, It’s All Right” estão também neste disco, obrigatório para quem quer conhecer a carreira do novo Nobel da Literatura, e onde a poesia é longa e não se subjuga às doutrinas da pop. “Masters of War”, por exemplo, tem oito estrofes anti-corrida ao armamento, que marcou a Guerra Fria.
Há uma data que ficará marcada para sempre na biografia do músico: 25 de julho de 1965. Depois de duas participações no Newport Folk Festival, em 1963 e 1964, com Joan Baez, Dylan aparece como cabeça de cartaz em 1965 e decide fazer, ali mesmo, o seu primeiro espetáculo elétrico. A reação às guitarras elétricas, por oposição à tradição blues/folk, chegaou em forma de apupos, vaias e até ameaças por parte do público. Foi um choque para o mundo da música em geral. É também nesse ano que lança Bringing It All Back Home, já com as primeiras canções rock n’roll — “Subterranean Homesick Blues” –, sem esquecer o lado acústico — “Mr. Tambourine Man”.

The Times They Are a-Changing?

Discutir a escolha do laureado é quase um desporto internacional. Mas o facto de ter vencido um músico pode abrir uma Caixa de Pandora — e os possíveis candidatos são muitos, de Leonard Cohen a Chico Buarque, passando por David Bowie. Para o Ministério da Cultura português, que reagiu no Twitter, “é o reconhecimento de um grande poeta que alia de forma exemplar a palavra e a música”. Bruno Vieira Amaral, que no ano passado venceu o Prémio José Saramago, considera que “mais do que qualquer outra coisa, este prémio é um manguito a todos os grandes escritores norte-americanos dos últimos 40 anos. Roth, McCarthy, DeLillo, Pynchon, foram ultrapassados de moto por Dylan.”
Um dos nomes mais frequentemente apontados à corrida ao Nobel é Salman Rushdie. O autor d’OsVersículos Satânicos não tem dúvidas de que a música e a poesia andam de mãos dadas e que Bob Dylan as conjuga como só os melhores sabem.
Ao Observador, o britânico Michael Gray, autor do primeiro trabalho crítico da obra Dylaniana, em 1972, com Song & Dance Man: The Art of Bob Dylan, acolhe com normalidade a ausência de unanimidade nas notícias. “Não só por ser músico, mas porque ele sempre causou reações mistas, há quem não goste das suas músicas, atitudes, livros, filmes, quadros“, lembra, numa entrevista telefónica.
O estudioso da carreira de Dylan não previu um dia como o de hoje. “Bem, sempre achei que ele nunca o receberia. Mas agora estou muito satisfeito.” E Dylan, que ainda não reagiu: estará satisfeito? “Não sei, não posso falar por ele”, começa por dizer Gray. “Mas acho que uma pequena parte dele está desiludida.” Isto porque, quando era jovem, o autor de “Knockin’ on Heaven’s Door” era contra prémios, por serem uma espécie de tributo à segurança, ao establishment. “Se ele estivesse a fazer algo novo, disruptivo, não ganharia os prémios”, afirma, lembrando a fase em que trocou o blues, o folk e o country pela guitarra elétrica, chocando a indústria.
Sobre a poesia musicada de Dylan, Michael Gray destaca duas passagens. A primeira é de “Idiot Wind“, do disco Blood on the Tracks, de 1975:
Down the highway, down the tracks
Down the road to ecstasy
I followed you beneath the stars
Hounded by your memory
And all your ragin’ glory
A segunda passagem que o autor destaca está incluída em “Mr. Tambourine Man”, esccrita 10 anos antes:
Yes, to dance beneath the diamond sky
With one hand waving free
Silhouetted by the sea
Circled by the circus sands
With all memory and fate
Driven deep beneath the waves
Let me forget about today until tomorrow.

Teremos um novo livro de Dylan para ler?

Para além dos volumes já mencionados, o músico conta na sua bibliografia com alguns livros de arte. Michael Gray, autor de várias obras sobre Dylan, descreve Tarantula como “maravilhoso e muito divertido”, com “sátiras maravilhosas sobre a consciência norte-americana contemporânea”, ainda que “não seja fácil de compreender”.
As Crónicas: Volume 1 são totalmente diferentes, desde logo porque autobiográficas. No entanto, Gray alerta para o “erro” que é encarar estas páginas como um retrato fiel da sua história. “Ele evita claramente escrever sobre a maior parte dos momentos mais importantes da sua carreira, como o momento em que se torna elétrico, em 1965″, aponta. Um exemplo de como Dylan nunca teve uma relação aberta com a fama. Também por duas vezes escreve “a minha mulher” ao longo do livro, apesar de se estar a referir a duas pessoas diferentes: Sara Lownds, com quem se casou em 1965 e se divorciou em 1977, e Carolyn Dennis, esposa entre 1986 e 1992. Os mais atentos, como Scott Warmuth, notaram também frases inteiras de outros escritores mais antigos, como Jack London e Robert Louis Stevenson, num tributo disfarçado.

“Não espere pelas Crónicas: Volume 2“, avisa. Apesar de Dylan ter dito numa entrevista à Rolling Stone, em 2012, que estava a trabalhar nelas, o autor considera que “já estão incorporadas no Volume 1”. “Acho que provavelmente nunca vão chegar… Mas eu erro muitas vezes [risos].”

Quem quiser ler as letras das canções que valeram, pela primeira vez, o Prémio Nobel a um músico, pode fazê-lo em português e em inglês, graças à editora Relógio D’Água. Em Canções Volume 1 (1962 – 1973)estão as composições abrangidas por aquele espaço temporal. Na página da esquerda fica o texto original, em inglês, e na página da direita, em espelho, a tradução feita por Angelina Barbosa e Pedro Serrano. O mesmo se passa em Canções Volume 2 (1974 – 2001).
Depois de 2001, a editora não voltou a traduzir as canções. Para Michael Gray, não vem grande mal ao mundo. Assumidamente fã, reconhece que “nem todos os trabalhos sao marailhosos” e considera mesmo que “o grande último álbum é Love and Theft, de 2001″. Os restantes, entre os quais o 35.º e último de originais, Tempest, de 2012, não estão à altura de composições passadas. Este ano saiu Fallen Angels, feito de versões de cantores e compositores norte-americanos, como Johnny Cash.

Há 23 anos que não vencia um norte-americano

Desde Toni Morrison, em 1993, que um norte-americano não vencia o Nobel da Literatura. Já no ano passado a escolha foi surpreendente com Svetlana Aleksievich, escritora bielorrussa de não-ficção cujos livros se centram na história da União Soviética e na identidade russa. Em 113 premiados, apenas 14 são mulheres. Para além do prestígio, o vencedor ganha oito milhões de coroas suecas (cerca de 821 mil euros, à taxa de câmbio atual).
Ao contrário de prémios como o Man Booker Prize ou o Prémio Camões, o vencedor do Nobel é sempre uma incógnita, já que não existe lista de finalistas. Ainda assim, há nomes que se repetem ano após ano nas listas de apostas, casos de Philip Roth, Joyce Carol Oates e Haruki Murakami. Bob Dylan também costuma ser presença habitual, mas não nos lugares cimeiros.
Para esta edição, a empresa britânica de apostas Ladbrokes, por exemplo, colocava no primeiro lugar o queniano Ngugi wa Thiong’o, seguido do japonês Murakami, o poeta Adonis, o romancista americano Don DeLillo e, em quinto lugar, o norueguês Jon Fosse.
O dia em que o mundo conhece mais um prémio Nobel da Literatura fica marcado pela morte de Dario Fo. O escritor e dramaturgo italiano foi distinguido pela Academia Sueca em 1997. Faleceu esta quinta-feira, aos 90 anos de idade." 
in observador.pt, um artigo de Sara Otto Coelho, 13.10.2016

sábado, 30 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa - Prémio Nobel de Literatura de 2010!


O escritor peruano, Mario Vargas Llosa,  de 74 anos, foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura de 2010.

"Prémio Nobel da Literatura 2010 
O Prémio Nobel da Literatura 2010 foi atribuído ao escritor peruano Mario Vargas Llosa, pela cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos das suas obras.
Mario Vargas Llosa, nascido a 28 de Março de 1936, é licenciado em Letras e Direito. Recebeu um prémio de 10 milhões de coroas suecas, cerca de 1 milhão de euros."

Consultar também: Jornal de Letras.pt, nº 1045, 20 de outubro a 2 de novembro de 2010, páginas 12 a 14 (artigo de Maria Fernanda Abreu e entrevista da colaboradora especialista de literaturas de língua castelhana, professora Maria Leonor Nunes, da FSCH da Univ. Nova de Lisboa e coordenadora da sua área de Estudos Hispânicos, a Mario Vargas Llosa).

Assim que recebeu a notícia, declarou o seguinte a um grupo de jornalistas: "Desde o princípio pensei que a Academia Sueca não me estava a premiar apenas a mim  mas à língua em que escrevo e à região de que procedo".

Nesse mesmo dia, prestou igualmente declarações à TV espanhola, apressando-se a clarificar que aquele prémio que agora recebia se devia ao Peru, o seu país, pois tem sido este quem lhe tem proporcionado a matéria para os livros que tem escrito.

O escritor peruano tem também nacionalidade espanhola, dai, muitos falarem que o prémio foi atribuído a um escritor "hispano-peruano".

MVL pertence a uma geração de escritores latino-americanos "engagés" que, como ele próprio o diz, se sentem  obrigados,  a intervir cívica e politicamente.

Para Mario Vargas Llosa, "a literatura é, entre as criações humanas, a que tem mostrado mais resistência a dobrar-se perante o poder, a que melhor tem lutado contra as suas investidas."

sábado, 28 de agosto de 2010

Centenário da morte de Tolstói


Em Novembro próximo, faz 100 anos que LEV TOLSTÓI desapareceu. Nasceu a 28 de Agosto de 1828.

Era o escritor russo mais conhecido, na sua época.

Algumas das suas obras famosas são "Guerra e Paz", "Anna Karénina", A morte de Ivan Iliitch", "A Sonata de Kreutzer", "A Felicidade Familiar"... Era um mestre da narrativa.

Leão Tolstói tinha 26 anos, quando escreveu no seu Diário:"Sou feio, desajeitado, pouco asseado e sem verniz mundano. Sou irritadiço, desagradável para os outros, pretensioso, intolerante e tímido como uma criança. Sou ignorante. O que sei, aprendi-o aqui e acolá, sem seguimento e, mesmo assim, tão pouco. Sou indisciplinado, indeciso, inconstante, estupidamente vaidoso e violento como todos os homens sem caráter. Sou honesto, o que significa que gosto do bem: ganhei o hábito de o estimar e, quando me afasto dele, fico descontente comigo, e volto ao bem com prazer. Mas há uma coisa que prezo mais do que o bem: é a glória. Sou tão ambicioso que, se tivesse de escolher entre a glória e a virtude, acho que escolheria a primeira." (in JL, página 10, artigo de Filipe Guerra).

Aconselha-se a leitura do Jornal de Letras, nº. 1041 (de 25 de Agosto a 7 de Setembro de 2010), onde o centenário da sua morte é suficientemente desenvolvido  por Filipe Guerra e António Pescada.


sábado, 3 de julho de 2010

"As Mil e Uma Noites"


"As Mil e uma Noites" é uma colectânea de histórias orientais inventadas, de tradição oral, que foram  passando de geração em geração. É uma colecção de contos e pensa-se que terão sido compilados entre os séculos XIII e XVI. Quem tornou o livro conhecido no Ocidente, em 1704, foi Antoine Galland.

É uma obra clássica da literatura persa, fazendo parte da literatura universal. Uma das histórias mais belas desse conjunto, conta a coragem de uma mulher, Sherazade, com uma inteligência invulgar para contar histórias e que por meio desse dom, conseguiu acalmar a ira do Sultão Persa Schahriar, que se encontrava enraivecido por ter sido traído pela sua mulher, acabando por mandar matá-la.

O sultão, decidiu então que, todos os dias teria uma nova mulher, que seria degolada no dia seguinte; a partir daí, nenhuma esposa sua se manteria viva! Seria morta no dia seguinte ao do casamento - assim, não voltaria a ser traído. 

Sacrificou as virgens todas do reino a tal ponto, que o Vizir (ministro e conselheiro do rei) não sabia como resolver o problema.

Sherazade era filha do Vizir e era uma mulher muito inteligente, possuidora de grande cultura, pois tinha sido educada por grandes sábios; pediu ao pai que a levasse ao rei como sua noiva; o pai quis contrariá-la, mas ela não desistiu. Decidiu levar a cabo um plano que arquitectou com a ajuda da sua irmã, Duniazade, para tentar acabar com aquela loucura, que aterrorizava já o reino inteiro. 


O rei ao conhecê-la, quis casar-se com ela.

O casamento realizou-se e antes do romper do dia, Sherazade pediu a Schahriar que a deixasse despedir-se da sua irmã, Duniazade. Quando esta foi chamada à sua presença, pediu que Sherazade lhe contasse uma história; o rei também a quis ouvir. A esposa contou uma história tão extraordinária, que o rei ficou encantado. Sherazade, então, disse-lhe que o que lhe tinha contado não se comparava nada com a história que se seguiria.


O rei autorizou que ela vivesse mais um dia, pois estava ansioso por conhecer a narração do que viria a seguir. A verdade é que os dias se foram sucedendo,  e o rei não conseguia deixar de ouvi-la, tão preso ficava às suas histórias. 

É que Sherazade interrompia a história na melhor parte, com a promessa de depois a continuar na noite seguinte. Estas, eram encadeadas umas nas outras, deixando algo sempre "en suspense"... 

As histórias iam-se tornando cada vez mais fantásticas... Sherazade acaba por ter três filhos ao longo do tempo que vai criando as histórias e pede ao rei que a poupe de tão triste fim ...
  

Schahriar reconheceu que a amava e ordenou que durante trinta dias se festejasse a sua união com Sherazade, a maravilhosa contadora de histórias, entre as quais se podem destacar as narrativas: "Abre-te, Sésamo!", "Simbad, o marinheiro", "Ali Babá e os quarenta ladrões", "Aladino e a lâmpada mágica"...




Shahriar nunca mais se conseguiu separar daquela mulher, que cada vez amava mais...


E viveram felizes para sempre...!!!


É de referir que nas colectâneas de As Mil e Uma Noites, aparecem apenas 291 histórias e não 1001. "Há quem defenda que se trata de um número simbólico, ou de um exagero literário; outros consideram que cada história se divide em vários capítulos, cada um equivalendo a uma noite, o que perfaria, no total, o número de 1001." (in Infopédia)



Adaptação e Referências:

As Mil e Uma Noites. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-07-03].