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sábado, 18 de fevereiro de 2023

João Salgueiro: Portugal "perdeu" ontem um dos economistas mais dedicados à causa pública

Morreu o antigo ministro das Finanças João Salgueiro
imagem obtida in dn.pt


"Desapareceu" ontem um dos economistas mais brilhantes de Portugal.

O Economista João Salgueiro era um democrata e um humanista, procurando que Portugal fosse um país mais justo.


Morreu o antigo ministro João Salgueiro

O economista foi deputado eleito pelo PSD e tutelou o Ministério das Finanças e do Plano, entre 1981 e 1983. 
Foi presidente da Associação Portuguesa de Bancos

O economista e ex-ministro das Finanças João Salgueiro, que morreu na sexta-feira aos 88 anos, iniciou a sua vida profissional no Banco de Fomento Nacional e manteve sempre um percurso ligado à banca.

João Maurício Fernandes Salgueiro nasceu em Braga a 4 de setembro de 1934 e licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa.


Presidiu à Juventude Católica Portuguesa e participou na fundação da Sedes em 1970, tendo sido presidente da Assembleia Geral desta associação cívica.

Em 1969 foi nomeado subsecretário de Estado do Planeamento no Governo liderado por Marcello Caetano e ocupou o cargo até 1971.

Após a revolução do 25 de Abril aderiu ao PSD e entre agosto de 1974 e março de 1975 foi vice-governador do Banco de Portugal.

Após a revolução do 25 de Abril aderiu ao PSD e entre agosto de 1974 e março de 1975 foi vice-governador do Banco de Portugal.

No VIII Governo Constitucional (1981-1983), uma coligação que englobava o PSD, o CDS e o PPM, liderada por Pinto Balsemão, João Salgueiro ocupou o cargo de ministro de Estado e das Finanças. Depois exerceu ainda funções de deputado e foi presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República.No XII congresso do PSD, realizado em maio de 1985 na Figueira da Foz, foi candidato à liderança do partido, mas viria a surgir um outro candidato que saiu vencedor, Aníbal Cavaco Silva.

João Salgueiro exerceu funções docentes ligadas à economia e à gestão bancária e ocupou diversos cargos na banca, tendo sido Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e da Caixa Geral de Depósitos, de onde saiu em 2000, justificando que não estavam asseguradas "as orientações estratégicas" que o tinham levado a aceitar o cargo quatro anos antes.Nesse ano, assumiu a presidência da Associação Portuguesa de Bancos, após alterações aos estatutos que permitiram que o líder não fosse um banqueiro, e foi ainda vice-presidente do Conselho Económico e Social.

Em 2021, foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Reações
"Portugal perdeu hoje um dos seus mais brilhantes economistas da segunda metade do século XX", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, em comunicado.

O economista foi fundador e mais tarde presidente da Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, constituída em 1970, para a qual Marcelo Rebelo de Sousa entrou pouco depois.

O presidente do PSD, Luís Montenegro, lamentou a morte do antigo ministro João Salgueiro, lembrando um homem "com invulgar inteligência" e "dedicação à causa pública".

"Homem culto, inteligente e patriota. De espírito livre e independente, preocupado com o seu país e as suas gentes. Com os olhos e o coração nos mais vulneráveis. Um social-democrata de gema, moderado e realista", disse sobre João Salgueiro o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, esta noite, no Twitter.

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, recordou João Salgueiro como "um economista e político que marcou a vida pública portuguesa do seu tempo".

A Sedes, Associação para o Desenvolvimento Económico e Social afirmou que foi com "profundo pesar e consternação" que recebeu a notícia do falecimento de João Salgueiro, um dos fundadores da associação.

in dinheirovivo.pt  -  18.02.2023

domingo, 13 de novembro de 2022

Dia Mundial dos Pobres (2022)

Veja a programação do Dia Mundial dos Pobres na Diocese de Santo André –  Diocese de Santo André
imagem obtida in https://www.cnbb.org.br/


Dia Mundial dos Pobres: Papa alerta para impacto global da guerra na Ucrânia

Nov 13, 2022 - 8:30

Francisco critica Rússia por «impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos»
Cidade do Vaticano, 13 nov 2022 (Ecclesia) – O Papa alerta para o impacto da guerra na Ucrânia sobre as populações mais desfavorecidas do mundo, na sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Pobres, apontando a um agravamento da situação, a nível global.

“Nestes momentos, a razão fica obscurecida e quem sofre as consequências é uma multidão de gente simples, que vem juntar-se ao número já elevado de pobres. Como dar uma resposta adequada que leve alívio e paz a tantas pessoas, deixadas à mercê da incerteza e da precariedade?”, questiona Francisco.

Esta jornada celebra-se hoje, penúltimo domingo do ano litúrgico, com o tema ‘Jesus Cristo fez-Se pobre por vós’ (cf. 2 Cor 8, 9).

Francisco denuncia a “insensatez da guerra”, que gera novas formas de pobreza, atingindo em particular “as pessoas indefesas e frágeis”.

O texto elenca, entre as consequências da violência, a “deportação de milhares de pessoas, sobretudo meninos e meninas”, ou, para quem fica nas zonas de confronto, “o medo e a carência de comida, água, cuidados médicos e sobretudo com a falta de afeto familiar”.

“Milhões de mulheres, crianças e idosos veem-se constrangidos a desafiar o perigo das bombas para pôr a vida a salvo, procurando abrigo como refugiados em países vizinhos”, acrescenta.

O Papa destaca que os cenários mais otimistas para o pós-pandemia, que prometiam “alívio a milhões de pessoas empobrecidas pela perda do emprego”, foram alterados pela guerra na Ucrânia, uma “nova catástrofe”.

O conflito no leste da Europa, indica Francisco, “veio juntar-se às guerras regionais que, nestes anos, têm produzido morte e destruição”.

“Aqui, porém, o quadro apresenta-se mais complexo devido à intervenção direta duma ‘superpotência’, que pretende impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos”, adverte.

A mensagem saúda quem se mostrou disponível para abrir as portas a fim e acolher “milhões de refugiados das guerras no Médio Oriente, na África Central e, agora, na Ucrânia”.

Francisco observa, contudo, que a persistência dos conflitos “agravam as suas consequências” e tornam mais difícil esta resposta solidária.

“Este é o momento de não ceder, mas de renovar a motivação inicial. O que começamos precisa de ser levado a cabo com a mesma responsabilidade”, apela.

Como membros da sociedade civil, mantenhamos vivo o apelo aos valores da liberdade, responsabilidade, fraternidade e solidariedade; e, como cristãos, encontremos sempre na caridade, na fé e na esperança o fundamento do nosso ser e da nossa atividade”.

O Papa saúda o “significativo crescimento do bem-estar de muitas famílias” nos vários continentes, como “resultado positivo da iniciativa privada e de leis que sustentaram o crescimento económico, aliado a um incentivo concreto às políticas familiares e à responsabilidade social”.

“Possa este património de segurança e estabilidade alcançado ser agora partilhado com quantos foram obrigados a deixar as suas casas e o seu país para se salvarem e sobreviverem”, deseja.

Francisco convida a refletir sobre a “experiência de fragilidade e limitação”, provocada pela Covid-19, e a “tragédia” da guerra na Ucrânia, com repercussões globais.

“Não estamos no mundo para sobreviver, mas para que, a todos, seja consentida uma vida digna e feliz. A mensagem de Jesus mostra-nos o caminho e faz-nos descobrir a existência duma pobreza que humilha e mata, e há outra pobreza – a dele – que liberta e nos dá serenidade”, aponta.

A mensagem do Papa para a celebração de 2022 foi assinada, simbolicamente, a 13 de junho, dia da festa litúrgica de Santo António.

OC

FONTE: agencia.ecclesia.pt

domingo, 30 de outubro de 2022

Brasileiros preparam decisão final para as eleições deste domingo

Começa a campanha para as eleições no Brasil
imagem obtida in rtp.pt

Brasil prepara-se para a reflexão final

No último dia em que eram permitidos atos públicos ou comícios nesta campanha presidencial brasileira, Lula da Silva optou por dar entrevistas e por divulgar uma carta aberta. Chama-se "Carta para o Brasil do Amanhã". Assume-se como um compromisso, em caso de vitória, para criar um governo, pode ler-se, que junte "responsabilidade fiscal, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável".

Já Jair Bolsonaro avançou pelo Rio de Janeiro e aproveitou para perguntar à multidão que o seguia se pretendia regressar ao passado ou continuar "no rumo da paz e do trabalho"?

A verdade é que os últimos números não vão na direção do atual presidente. A mais recente sondagem do Instituto Datafolha atribui 53% dos votos a Lula e 47% ao rival, o que, com uma margem de erro de 2%, afasta aparentemente o cenário de empate técnico.

Mas Bolsonaro relembra que, também na primeira volta, as previsões o colocavam bem longe do resultado que viria a obter - 43% contra 48% para Lula. Aliás, com este remate mais favorável do que o pensado, até as críticas e ameaças que fazia sobre o sistema de voto eletrónico se parecem ter atenuado fortemente.

Os brasileiros podem acompanhar os apuramentos em tempo real no site do Tribunal Superior Eleitoral, neste domingo que marca a escolha entre dois caminhos anunciados como completamente diferentes para o país.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Extrema-direita vence eleições em Itália

Itália. Resultados finais confirmam maioria da coligação de Direita
imagem in noticiasaominuto.com
(Giorgia Meloni)

Itália. Resultados finais confirmam maioria da coligação de Direita

O partido de extrema-direita Irmãos de Itália (FdI), de Giorgia Meloni, venceu as eleições de domingo com 26 por cento dos votos, e a coligação que lidera obteve uma maioria clara no parlamento, segundo resultados finais publicados hoje.

A Liga, de Matteo Salvini, conseguiu 8,8% dos votos (contra 13% em 2018), e a Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, 8,1% (14% em 2018), de acordo com os números do Ministério do Interior, citados pela agência francesa AFP.

A coligação destes três partidos e de uma formação mais pequena com menos de 01% obteve 43,8% dos votos.

Estes resultados da coligação liderada por Meloni traduzem-se em 237 dos 400 lugares na Câmara dos Deputados, e em 115 dos 200 lugares no Senado.
O Partido Democrata (PD), de centro-esquerda, foi o segundo mais votado, com 19% dos votos nas eleições legislativas antecipadas.

Em conjunto com os seus aliados verdes e de esquerda, terá 84 lugares na Câmara dos Deputados e 44 no Senado.

O Movimento 5-Estrelas obteve 15,4% dos votos, o que lhe vale 52 lugares na Câmara dos Deputados e 28 no Senado.

A aliança centrista Azione conseguiu 7,8% dos votos e ocupará 21 lugares na Câmara dos Deputados e nove no Senado.

Os lugares restantes serão distribuídos por partidos mais pequenos.


FONTE: noticiasaominuto.com

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Noite de Reis - 05 de janeiro

Adoração dos Reis Magos 
por 
Bartolomé Esteban Murillo,
século XVII, (
Museu de Arte de ToledoOhio). 
imagem in pt.wikipedia.org
Dia de Reis. Dia de comer Bolo Rei em Portugal e se abrirem as portas para ouvir cantar as Janeiras. Depois disso, há que arrumar as bolas e as luzes de Natal e esperar mais um ano. Aqui ao lado, em Espanha, só agora se trocam os presentes guardados debaixo da árvore de Natal, porque afinal foram os reis que levaram presentes ao Menino Jesus. Os cristãos ortodoxos marcam apenas neste dia o nascimento de Jesus, porque seguem o calendário juliano (criado por Júlio César), que tem mais 14 dias que o calendário gregoriano, seguido pela Igreja Católica Apostólica Romana.Quer seja crente numa religião, quer não, este é um dia que entrou ao longo de séculos nos calendários das celebrações e festividades portuguesas. E veio para ficar. Mas qual é o seu simbolismo? E a sua veracidade?
Os Reis Magos na Bíblia

A primeira e única vez que os Reis Magos (Gaspar, Baltazar e Melchior) aparecem na Bíblia é no Evangelho segundo Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento, no segundo capítulo da história descrita por este apóstolo. Os reis magos teriam sabido que “o rei dos judeus” havia nascido em Belém da Judeia (uma parte montanhosa no sul da atual Palestina, entre o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo). Segundo a Bíblia, os magos tiveram um sinal divino sob a forma de uma estrela que lhes indicou o caminho até ao estábulo onde Jesus estaria abrigado.

E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.

Acontece que, antes de encontrarem a família sagrada, os reis magos tiveram um encontro com o rei de Israel, Herodes, que via o seu poder ameaçado pela chegada de Jesus Cristo, o messias, ao mundo. Herodes tentou enganar os reis magos pedindo-lhes que fossem adorar a Jesus, mas que voltassem ao palácio para lhe indicarem o caminho porque também ele quereria prestar homenagem ao bebé. Os reis magos concordaram, mas terão sido avisados em sonhos de que tinham sido enganados e, portanto, não voltaram para junto de Herodes.

Quando o rei percebeu que os reis magos não iriam voltar, terá tomado medidas mais extremas: mandou matar os primogénitos de todas as famílias em Belém com menos de dois anos. Jesus, ainda assim, terá ficado livre das ordens de Herodes porque um anjo apareceu a José e aconselhou-o a fugir para o Egito por tempo indeterminado. Mais tarde, o mesmo anjo enviou a família sagrada para Israel “porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino”. José, Maria e Jesus fixaram-se em Nazaré e a história da Bíblia prossegue por lá. 
Quem eram os reis magos?
A identidade dos reis magos continua, contudo, a ser uma incógnita. No entanto, há um documento apócrifo nos arquivos do Vaticano que pode dar algumas informações sobre quem seriam os magos que terão ido adorar Jesus Cristo quando ele nasceu. “A Revelação dos Magos” foi traduzido pela primeira vez por Brent Landau, um professor de Teologia da Universidade do Oklahoma que teve acesso ao documento descoberto no século XVIII e redigido na segunda metade do século II (possivelmente pelos filhos dos reis magos).

Se a tradução do sírio antigo para o inglês for fiel, o documento não limita o número de reis magos em três: eles podem ter sido mais do que doze, mas as prendas de Baltazar, Gaspar e Melchior terão sido as mais simbólicas. Todos podiam ser originários de Shir, uma região que na atualidade se situa em território da China, mas que no tempos antes de Cristo teria um significado mítico; e seriam descendentes de Seth, o terceiro filho de Adão.

Terá sido precisamente Seth a transmitir a profecia de que uma estrela iria aparecer aos reis magos para os seguir até ao salvador. Brent Landau explicou ao Daily Mail que, segundo o texto a que teve acesso, a estrela que apareceu aos reis magos acabou por se personificar e assumir numa forma humana que seria, acredita o teólogo, o próprio Jesus. “Jesus e a Estrela de Belém são a mesma coisa e Jesus Cristo pode transformar-se em qualquer coisa. A estrela guiou-os até Belém e até à gruta onde se transformou numa pequena criança que lhes indicou que deveriam partir e transmitir o evangelho”, recorda ele.

Antes de os historiadores terem acesso a este texto não canónico, já um monge tinha descrito os três reis magos. São Beda viveu nos mosteiros de São Pedro, em Monkwearmouth, no nordeste de Inglaterra. No século XIX, Beda foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Leão XIII. Graças às suas capacidades linguísticas, Beda teve acesso aos documentos guardados nas bibliotecas dos mosteiros onde vivia. Foi nessas leituras que Beda criou o perfil de três reis magos. Num dos textos, o monge escreveu o seguinte:

Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.

Mas Gaspar, Baltazar e Melchior podiam não ser reis. Pelo menos não o seriam no mesmo conceito em que usamos esse termo hoje em dia. E será difícil compreender onde “reinavam”, se nem sequer temos certezas sobre a sua origem. Mas também não seriam magos, isto é, as suas capacidades nada teriam a ver com magia. O termo “mago” era usado para adjetivar os homens sábios e eruditos daquele tempo, principalmente aqueles que desenvolveram os conhecimentos sobre os corpos celestes.

Hoje, acredita-se que os restos mortais dos três reis magos estão depositados na Alemanha, na Catedral de Colónia, num túmulo talhado a ouro. Depois de terem visitado Jesus Cristo, o apóstolo São Tomé tê-los-á batizado para que pudessem participar na expansão da fé cristã, de acordo com os relatos de São João Crisóstomo (arcebispo da Constantinopla no século I) no livro “Patrologia Grega”.

 A Bíblia afirma claramente que os reis levaram ouro, incenso e mirra quando visitaram Jesus Cristo na manjedoura. As prendas entregues pelos reis nómadas não são abordadas no documento analisado pelo teólogo Brent Landau, mas todas elas têm um simbolismo intrínseco. O ouro é um elemento precioso e sempre o foi: ao oferecer ouro a Jesus, os três reis magos estavam a a sublinhar que o consideravam “rei dos judeus”. O incenso é, na verdade, a resina de uma árvore e simboliza a seiva da vida e os aromas com que os crentes costumavam orar. 

A mirra é uma erva amarga, produzida por uma árvore pequena do Norte de África. Antigamente, era muito usada para curar feridas no continente africano, mas depois passou a entrar também nas receitas de perfumes e em materiais de embalsamamento no Egito. Mais tarde, quando Jesus foi crucificado, a mirra terá sido usada para embalsamar o seu corpo, de acordo com o livro de João na Bíblia.

FONTE: observador.pt 
um texto de Marta Leite Ferreira, 06 janeiro 2016

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Adoçantes artificiais podem provocar sérios problemas na nossa saúde

Todos nós temos experiência de tomar refrigerantes, sumos, iogurtes, que se intitulam light nas suas embalagens; ou então, de comermos certo tipo de bolachas, biscoitos, que anunciam o seu fabrico com adoçantes, indicando metade das calorias...e tudo com o mesmo sabor natural e apetecível...

Partilho aqui, a partir da leitura dum post de um  Blog, informação fornecida por cientistas, o que nos obriga a refletir muito bem se queremos continuar a prejudicar o nosso organismo com esse tipo de bebidas ou alimentos! 

É claro que depois de nos inteirarmos como tudo se passa na realidade, e comprovado pela ciência, a vontade já não é nenhuma de continuar a ingeri-los...

Não há como ler essa informação no blog: 
https://chuva-bomtempo.blogspot.com/2021/06/adocantes-artificiais-podem-causar.html

sábado, 26 de junho de 2021

Adoçantes artificiais podem causar problemas sérios de saúde

Adoçantes artificiais comuns podem fazer com que bactérias intestinais saudáveis se tornem doentes e invadam a parede intestinal, podendo causar sérios problemas de saúde, revela um estudo liderado por uma universidade britânica.




Os cientistas afirmam que o trabalho, já publicado no International Journal of Molecular Sciences, é o primeiro a mostrar os efeitos patogénicos de alguns adoçantes artificiais amplamente usados (sacarina, sucralose e aspartame) em dois tipos de bactérias intestinais, E. coli (Escherichia coli) e E. faecalis(Enterococcus faecalis).

Estudos anteriores mostraram que os adoçantes artificiais podem alterar o número e o tipo de bactérias no intestino. A nova investigação molecular, liderada por académicos da Anglia Ruskin University (ARU), demonstrou que os adoçantes também podem tornar as bactérias patogénicas.

"Essas bactérias podem ligar-se, invadir e matar células Caco-2, que são células epiteliais que revestem a parede do intestino", explicam os autores do trabalho em comunicado publicado online na quinta-feira.

De acordo com os especialistas, bactérias como a E. faecalis, que atravessam a parede intestinal, podem entrar na corrente sanguínea e reunir-se nos gânglios linfáticos, fígado e baço, "causando várias infecções, incluindo septicemia".

Os resultados do estudo mostraram que numa concentração equivalente a duas latas de refrigerante "diet", os três adoçantes artificiais aumentaram significativamente a adesão de E. coli e E. faecalis às células intestinais Caco-2 e aumentaram a formação de biofilmes.

"Bactérias que crescem em biofilmes são menos sensíveis ao tratamento de resistência antimicrobiana e são mais propensas a toxinas e factores de virulência", moléculas que podem causar doenças, lê-se no comunicado.

Os três adoçantes fizeram com que as bactérias intestinais patogénicas invadissem as células Caco-2 encontradas na parede do intestino, com excepção da sacarina que não teve efeito significativo na invasão de E. coli.

Citado no documento, o autor principal do artigo, Havovi Chichger, professor de Ciências Biomédicas na Anglia Ruskin University (ARU), alertou que há uma grande preocupação com o consumo de adoçantes artificiais, com alguns estudos a mostrarem que podem afectar a camada de bactérias que sustentam o intestino, conhecido como microbioma intestinal.

"O nosso estudo é o primeiro a mostrar que alguns dos adoçantes mais comummente encontrados em alimentos e bebidas - sacarina, sucralose e aspartame - podem fazer com que bactérias intestinais normais e "saudáveis" se tornem patogénicas. Essas alterações incluem maior formação de biofilmes e aumento da adesão e invasão de bactérias nas células do intestino humano", sustentou.

(Fonte da notícia: LUSA/HN)

Publicada por Daniel Furtado à(s) 10:37

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Maria Antónia Palla e o seu artigo de opinião sobre José Sócrates

Sócrates: porquê tanto ódio?

É o título do inesperado(?) artigo de opinião publicado ontem no jornal "Público", da autoria da jornalista Maria Antónia Palla, mãe do primeiro-ministro António Costa e de Ricardo Costa, também jornalista, do jornal "Expresso",




«Quando, no dia 21 de Novembro de 2014, José Sócrates desembarcou do avião que o trouxera de Paris e encontrou a polícia à sua espera, bem como os meios de comunicação social que haviam sido avisados da sua chegada, era fácil a qualquer observador concluir que o espectáculo estava montado.

O desenrolar da acção seguir-se-ia. O ex-primeiro-ministro ficou detido com o argumento de que a sua libertação comportava o perigo de fuga. Argumento bizarro, porque não parece lógico que alguém que pretenda fugir à justiça do seu país regresse a ele de livre vontade.

Até essa altura, eu não nutria especial simpatia por Sócrates. Daí ter aceite ser mandatária nacional da candidatura de João Soares a secretário-geral do PS, em 2005. O seu adversário era José Sócrates, que saiu vencedor com considerável vantagem.

Posteriormente, foi durante um seu Governo que, em 2006, foi encerrada a Caixa de Previdência dos Jornalistas, à qual, como presidente, dediquei dez anos da minha vida e que constituiu para a classe jornalística uma considerável perda, sem que o Sistema de Saúde em Portugal tenha retirado qualquer benefício dessa decisão.

Não tinha, pois, qualquer razão pessoal que motivasse a minha mudança de opinião a respeito do ex-primeiro-ministro. Foi o meu conceito de liberdade e de justiça que, por imperativo de consciência, me levou a manifestar a José Sócrates a minha solidariedade.

Desde a sua chegada a Portugal, Sócrates tem sido objecto de um tratamento impensável num país que recuperou a Democracia após meio século de ditadura.

O período de prisão preventiva que lhe foi imposto ultrapassou o que era normalmente aplicado no antigo regime. O condicionamento de libertação mediante imposição de pulseira electrónica foi mero propósito de humilhação. Não contavam com a personalidade e a coragem de um homem que, ao vexame a que o queriam sujeitar, preferiu permanecer na prisão. O seu orgulho pessoal acabou por vencer a cobardia dos que pretenderam domesticá-lo.

Durante sete anos, lutou pelo que considera a sua verdade. Resistiu ao isolamento social. Enfrentou sucessivas campanhas de manipulação da opinião pública. Finalmente fez-se alguma justiça. E aí os seus adversários perderam a cabeça.

Nunca, na minha longa vida, assisti em directo a manifestações de ódios tão profundas como as que tenho observado através das televisões. Entrevistas, debates, só com pessoas da mesma opinião. O contraditório não existe. As regras mais primárias do jornalismo foram enterradas.

Há alguns séculos atrás gritariam “Sócrates para a fogueira!”. Agora dizem-no de forma mais sofisticada. Mas queimam à mesma uma pessoa, destruindo o seu passado, infectando o seu presente, roubando-lhe o futuro.

O que está, quem está por detrás desta demência? Até onde se irá parar? Detentores de um poder que julgam eterno, não lhes chega liquidar um homem. Atingem agora o juiz que cumpre o seu papel.

O juiz Ivo Rosa, na observância da lei, deu como prescrito o que tinha de ser prescrito. Sobre ele abatem-se já os gritos histéricos de jornalistas e comentadores de serviço, sedentos de popularidade, clamando contra a prescrição do crime, passado o limite do tempo de investigação.

Na opinião destes visionários do mal, todos nós, a partir de denúncia de um particular ou do próprio Estado, estaríamos sob a ameaça de prisão perpétua, acusados de crimes para os quais não se encontravam provas. A Ditadura chamou-lhe “medidas de segurança”.

Haverá melhor contributo para o regresso a um passado que sonhamos enterrado na História?

No dia 27 de Abril de 1974, quando me sentei em frente da minha velha máquina para contar aos leitores a Revolução que os meus olhos viram, bati o texto e acabei assim: “Agora que temos a liberdade, o que vamos fazer com ela?”

Passaram 47 anos. Continuo à espera da resposta. Como os contestatários de Maio de 68, direi que “não sei o que quero, mas sei o que não quero”. De uma coisa estou certa: Justiça sem compaixão não é Justiça.»

Publicada por 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A maior parte dos Centros de Dia não voltou a abrir

Os nossos dirigentes vão ter de fazer um esforço muito grande para solucionar os problemas das pessoas, que, durante a pandemia, foram acometidas de graves problemas pessoais de saúde ou de cariz social . 

Não são só os que sofrem sequelas da COVID 19, mas também os que foram surpreendidos com diabetes, doenças cardíacas, doenças renais, e outras das mais diversas que lhes surgiram sem contar com isso, todos eles se sentem "perdidos"... 

É inconcebível que o Estado não consiga chegar a todos com os apoios necessários para acudir a quem está a sofrer, muitos deles condicionados em casa, completamente sozinhos e outros completamente isolados meses e meses a fio (os Centros de Dia estão fechados), dependentes de terceiros e sem qualquer convívio, para além de se sentirem completamente afastados da vida, do quotidiano, de tudo e de todos, até da família mais próxima, por imperativos da pandemia... Uns e outros sentem-se impotentes perante tal situação. 

Ainda o que vai valendo são os apoios da Santa Casa da Misericórdia, mas são tantos os casos, que, sozinha, também não pode acudir a tudo! E é preciso acautelar a situação das pessoas, quando se der o desconfinamento, algumas delas poderão ter recuperado, mas, e as outras? as que não têm mais ninguém perto de si, nenhum familiar que lhes chegue...? como vai ser? Como vão resolver o seu dia-a-dia?  O SNS vai criar estruturas de apoio para tanta gente a necessitar de apoio? Ou será a Segurança Social que tem de enfrentar este gravíssimo problema no nosso país?


imagem in sns.gov.pt


O artigo do SEMANÁRIO EXPRESSO, de 09.04.2021 fala-nos da situação:

A exigência não é nova mas apanhou muitos desprevenidos. Para reabrirem, os centros de dia têm de cumprir com as regras indicadas num decreto-lei aprovado a 13 de março de 2020, que, entre outras exigências, determina que as instituições acopladas — isto é, com instalações comuns com lares ou creches —, que representarão a maioria, têm de ter uma vistoria da Segurança Social em conjunto com especialistas em saúde pública para assegurarem determinadas condições de funcionamento. Entre elas, condições de acesso para o não cruzamento entre utentes do centro de dia e das outras valências, a não partilha de funcionários e uma lotação mais limitada. O Expresso sabe que alguns dos e-mails a notificarem destas condições de reabertura só chegaram às caixas de correio eletrónico na manhã de segunda-feira, o dia em que as estruturas iam reabrir. Além disso, as vistorias têm de ser marcadas e em muitos casos poderão demorar mais de uma semana a acontecer. Num destes e-mails, a que o Expresso teve acesso, lê-se que os centros de dia acoplados só poderão abrir “sem ser necessário qualquer procedimento prévio” nos casos em que a vistoria já tenha sido realizada no ano passado e em que “mantenham atualmente as mesmas condições de funcionamento”. Na prática, diz o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), “a maioria fez essas adaptações” logo em 2020, para poder reabrir após o primeiro confinamento determinado pela pandemia. “O que não houve ainda, em muitos casos, foi a validação dessas adaptações”, admite, e ela não foi iniciada com a devida antecedência. “Tenho notado uma grande pressão para que este processo de vistoria e de aprovação das adaptações seja célere”, assegura.

70% NÃO CHEGARAM A REABRIR

A maioria dos centros de dia não chegou a reabrir, diz o padre Lino Maia. Nas suas contas, apenas cerca de 30% terão reaberto em agosto. Os outros, há um ano que funcionam em regime de apoio domiciliário. Em parte, na base da decisão estará a dificuldade de adaptação às exigências que, em muitos casos, implica realização de obras, contratação de pessoal ou seleção dos utentes a ter nas instalações e dos que continuam com apoio domiciliário. Para algumas das estruturas, a reabertura não é compensatória. Mas os especialistas sublinham que o apoio domiciliário fica muito aquém, “só substitui o apoio na higiene e o levar a comida, não traz o resto”, lembra a socióloga Alexandra Lopes, especialista em questões demográficas e do envelhecimento. “A componente mais importante do centro de dia é o estar com outros”, argumenta, considerando que a falta de contacto social acarreta “a receita para o agravamento rápido de processos de deterioração cognitiva” nestas idades.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O caso do bebé encontrado no Ecoponto

in pubico.pt

Bebé abandonado esteve mais de 15 horas sem roupa dentro do ecoponto

O bebé prematuro de Sara Furtado, 22 anos, esteve dentro do ecoponto mais de 15 horas. A mãe abandonou-o sem roupa e ainda com o cordão umbilical. No dia seguinte, ao ouvir o rumor entre os sem-abrigo na zona de Santa Apolónia de que se encontrava um bebé a chorar, não avisou que tinha deixado o recém-nascido no lixo.

A decisão do Supremo Tribunal de Justiça que negou o "habeas corpus" da jovem cabo-verdiana revela, ao pormenor, as horas antes e depois do parto da rapariga, que vivia na rua desde julho. A informação surge do primeiro interrogatório de Sara Furtado a um juiz de instrução do Tribunal de Lisboa, logo após a ser detida pela PJ, no final da semana passada.
Na madrugada de 5 de novembro, Sara saiu da tenda onde vivia, junto ao rio Tejo, dizendo ao companheiro que ia dar uma volta e que não necessitava da sua companhia. Antes de se dirigir à zona da discoteca Lux-Frágil, foi à tenda de apoio buscar um saco de plástico para aí colocar o bebé.
Às 2h00, já junto à discoteca, Sara deu à luz, tendo deixado cair o recém-nascido no chão. Pouco depois, colocou-o no saco e dirigiu-se ao ecoponto situado nas traseiras do espaço de diversão noturna. Depois de deixar o bebé no interior do ecoponto, regressou à tenda.
Já na tenda, lavou-se e livrou-se da roupa suja, colocando-a num caixote do lixo.
No dia seguinte, por volta do meio dia, quando passeava com o companheiro, um sem-abrigo revelou-lhes que um outro tinha visto um bebé nos contentores junto à discoteca. O namorado de Sara foi ao local e ainda vasculhou alguns caixotes do lixo mas não viram nada. A rapariga "visualizou dentro do contentor amarelo o seu filho, mas nada disse e com medo que o companheiro se apercebesse insistiu com este para que se fossem embora, o que acabou por acontecer", pode ler-se no documento do Supremo.
Já no final da tarde dessa terça-feira, a PSP anunciou aos sem-abrigo daquele local que tinha sido encontrado um recém-nascido mas Sara optou por não falar com os agentes, com receio de ser descoberta. O bebé esteve mais de quinze horas no interior do contentor sem roupa. Nasceu com 36 semanas e sobreviveu ao frio e à fome.
À noite, o companheiro de Sara "questionou-a sobre o facto de ter as calças sujas de sangue, mas a arguida, uma vez mais, ocultou o que tinha sucedido, respondendo que era por estar com o período". Aliás, sempre que foi questionada pelo namorado ou por outros sem-abrigo porque razão tinha a barriga grande, ela respondeu que tinha problema de gases.
O Supremo revela ainda que Sara foi consultada por uma médica e que fez um teste de gravidez. Questionada se queria abortar, a rapariga respondeu negativamente.
O Supremo revela ainda que Sara Furtado vive em Portugal há cerca de dois anos. Veio de Cabo Verde com a intenção de estudar, mas acabou por abandonar os estudos. A mãe já vivia em Portugal mas entretanto regressou a Cabo Verde. Sara foi nessa altura viver com a irmã mas acabaram por se desentender, tendo acabado na rua em julho. (in expresso.pt  14.11.2019)

Mãe de recém-nascido abandonado contou a sua tragédia: “Os homens pagavam-me mais por sexo sem proteção”

Maria Lopes, advogada de Sara Furtado, a jovem sem-abrigo que abandonou o bebé num ecoponto, em Santa Apolónia, conversou com ela na cadeia de Tires. A cabo-verdiana de 22 anos revelou que o pai do filho foi um dos clientes com quem manteve relações sexuais. “Os homens pagavam-me mais por sexo sem proteção”, explicou Sara à advogada.
A jovem está indiciada por tentativa de homicídio qualificado. A Polícia Judiciária suspeita que agiu premeditadamente, tendo escondido a gravidez de toda a gente que a rodeava: desde o companheiro, aos sem-abrigos e voluntários de associações de apoio à população mais carenciada. 
(in expresso.pt 15.11.2019)

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Chico Buarque foi o vencedor do Prémio Camões

Chico Buarque
in http://dglab.gov.pt/premio-camoes-2019/

Chico Buarque de Hollanda (1944), músico e escritor brasileiro recebeu o prémio Camões 2019. 

O Jornal Observador homenageia-o do seguinte modo:

O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019, foi anunciado esta terça-feira, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. O músico e escritor brasileiro ficou “muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, o seu compatriota distinguido com o prémio em 2016.

“Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, refere a curta declaração divulgada pela assessoria de imprensa de Chico Buarque.

O músico e escritor brasileiro fora já distinguido com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelos romances “Estorvo”, “Leite Derramado”, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura (atual Prémio Oceanos), e por “Budapeste”.
Chico Buarque foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, professores universitários indicados pelo Ministério português da Cultura, pelo ensaísta Antonio Cícero Correia Lima e pelo professor António Carlos Hohlfeldt, indicados pelo Governo brasileiro, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.
Estreou-se no romance com “Estorvo”, em 1991, a que se seguiram “Benjamim”, “Budapeste”, “Leite Derramado” e “O Irmão Alemão”, publicado em 2014.
Em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.
O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.
Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de “A ilha fantástica”, “Os dois irmãos” e “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, entre outras obras.
O Presidente português felicitou esta quarta-feira o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, vencedor do Prémio Camões 2019, defendendo que “só pode ser unânime” esta distinção da sua obra como romancista, dramaturgo, mas também como escritor de canções.
Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa considera que, ao premiar Chico Buarque, o júri do Prémio Camões reconheceu “naturalmente também o extraordinário escritor de canções, um dos maiores da língua portuguesa”.
Esta decisão vem “na continuidade de uma marcante decisão da Academia Sueca” de atribuir o Nobel da Literatura ao músico norte-americano Bob Dylan, dando “à canção, género ancestralmente ligado à poesia, um estatuto de dignidade literária”, refere o chefe de Estado.
“Premiar ‘letristas’ pode ser sujeito a discussão, mas premiar Chico Buarque só pode ser unânime, porque, tal como Bob Dylan para a língua inglesa, as canções de Chico traduzem um profundo conhecimento da tradição poética e um alargamento das fronteiras da linguagem musicada, trazendo um grau de sofisticação inédito à música que se diz, e bem, popular”, defende Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República saúda, por isso, o júri do Prémio Camões que, “por unanimidade, lhe concedeu esta distinção, reconhecendo o romancista de ‘Estorvo’ ou ‘Budapeste’, o dramaturgo e argumentista, mas também o extraordinário escritor de canções”.
“Por outro lado, a obra de Chico Buarque, conquistou, ao longo de várias gerações, um incomparável respeito e emoção no mundo lusófono, nomeadamente pelos seus empáticos retratos femininos, pela afinidade com os bons malandros, pelo empenhamento político, pelo amor ao Rio de Janeiro e ao Brasil, pelo trabalho sobre uma língua que, atravessando tanto mar, nos une”, acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.
Também o Presidente da República de Cabo Verde felicitou esta quarta-feira Chico Buarque pela atribuição do Prémio Camões que disse “coroar uma obra literária de inestimável valor”, e ainda destacar “o caráter e o profundo humanismo do premiado”.
Numa missiva enviada ao músico e escritor, que venceu a edição deste ano do Prémio Camões, Jorge Carlos Fonseca congratulou-se pela escolha, enquanto chefe de Estado e na qualidade de presidente em exercício da Conferência dos Chefes de Estado dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Nós todos, habitantes deste espaço multicontinental, herdeiro, useiro e fazedor desta língua que nos une – na dor, no sonho, na esperança e na alegria — vimos usufruindo um pouco desse universo criado, há várias décadas, por sua obra e arte”, lê-se na carta.
E sobre o mundo de Chico Buarque escreveu: “É feito de palavras que, primeiro, nos foram chegando musicadas, plenas de vida e da condição humana, de sentimentos, da luta diária de homens e de mulheres do seu Brasil. E, nos últimos tempos, para grande regozijo nosso e das letras deste nosso espaço comum, suas obras literárias, que vieram enriquecer e dar um brilho de qualidade à literatura do seu país”.
Para Jorge Carlos Fonseca, numa “comunidade de afetos, de laços culturais e históricos, cujos alicerces são as pessoas”, entre os que mais têm contribuído para “o seu crescimento e fortalecimento, estão os artistas, os músicos, os cantores e aqueles que registam os passos e o batimento cardíaco da nossa condição, do nosso ser: os escritores, romancistas e poetas, fazedores do nosso edifício identitário comum”. (in observador.pt Autor: Agência Lusa  21.05.2019)
in angop.ao

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Jovens portugueses saem tarde da casa dos pais

Segundo o que li na NEWSMAGAZINE "VISÃO", de 16 a 22.05.2019, os jovens portugueses são dos que mais tarde saem da casa dos pais, acontecendo por volta dos 28/29 anos.

Com efeito, comparando-se com a média da União Europeia, que é na casa dos 26, podemos observar que, por exemplo, também na Croácia a média é de 31,8 anos, em Malta 30,7, na Itália, 30,1 e na Eslováquia 30,9 anos, os jovens saem tardiamente de casa dos pais, tal como nas famílias portuguesas.

Pelo contrário, na Suécia, a média é de 18,5, no Luxemburgo 20,1, na Dinamarca, 21,1, na Finlândia, 22,0, na Alemanha, Holanda e França é de 23,7 e o Reino Unido é de 24,7 anos...

in idealista.pt

sábado, 18 de maio de 2019

O "comendador" que se está a rir do país inteiro

in flash.pt

Quem assistiu na semana passada às sessões do inquérito parlamentar a Joe Berardo na televisão, não pode ter deixado de ficar "escandalizado" com os seus modos irreverentes (embora já bem conhecidos) e do ar de quem sabe tudo e tem razão em tudo... os outros mortais é que não percebem nada seja lá do que for, muito menos de negócios com muitos números...

Abençoados jornalistas e cronistas que andam a vasculhar tudo sobre "o senhor", tentando esclarecer os leitores de quem ele é verdadeiramente e o que tem sido a sua vida até aqui; é bom, para ficarmos a saber bem como se movem certas "personagens" tidas como "importantes" no nosso país. Pois se até recebem condecorações, também é justo que saibamos quem são essas pessoas tão "especiais". É um direito que nos assiste!

Vamos lá então, conhecer bem os dados desta saga que está a chocar Portugal inteiro. Só não se sabe é quando a referida "saga" conhecerá o seu final... "pela "amostra", vamos ter muitos episódios pela frente e a ficar a conhecer todos os pormenores, pois estes, aos poucos, lá vão surgindo em cada dia...graças ao jornalismo de investigação. Claro que por estes dias, não se fala de outra coisa...

Depois de procurar na NET, selecionei o seguinte in newsletters@observador.pt 
a 13/05/2019  Macroscópio por José Manuel Fernandes, Publisher:

"Não foi há muito tempo – foi no final de Janeiro – nem foi em segredo – foi no programa televisivo de grande audiência. Recordo a descrição então feita aqui no Observador por Miguel Pinheiro: "À entrada de um palácio onde um dos filhos de D. João I, o Mestre de Aviz, fez a sua “casa de campo”, Manuel Luís Goucha olhou para a câmara e perguntou, sem vestígio de ironia: “500 anos depois, quer saber quem é o dono disto tudo?”. O “dono daquilo tudo” abriu a porta com um sorriso (houve muitos sorrisos) e um cachecol Carolina Herrera à volta do pescoço. Sem incómodo por tamanha exposição, o “comendador” Berardo, conhecido mundialmente pelo seu desmesurado amor às artes, mostrou alguns dos seus quadros, mostrou um contador alemão e mostrou o seu jardim ao estilo Renascimento italiano. Como brinde para os telespectadores, que estavam transidos no sofá, filosofou — insistindo que "nada nos pertence".

Como sabem os leitores desta newsletter não é comum eu iniciá-la directamente com uma citação, mas neste caso justificava-se – é que se não sei quantos deputados da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos terão assistido a esta prestação, sei que se não se pode dizer que não estivessem avisados para o que aí vinha.

E o que aí vinha foi uma audição parlamentar – cujos pontos essenciais pode recordar em A audição de Joe Berardo em cinco momentos e uma "perseguição já fora do Parlamento" – que ficará certamente na história da Assembleia da República como um dos seus momentos mais embaraçosos, para dizer o mínimo. E refiro que os deputados podiam estar preparados para o que teriam de enfrentar porque aquele programa fora para o ar exactamente na altura em eram conhecidas as condições dos empréstimos ruinosos do banco público – condições que, no caso de Berardo foram descritas minuciosamente pelo Observador no especial de Ana Suspiro e Nuno Vinha Dívida milionária de Berardo renegociada apesar de sinal vermelho da Direção de Risco.

Esse programa de Manuel Luís Goucha era ainda mais chocante por nele Joe Berardo explicar como adquirira um quadro que a BBC destacara recentemente como mostrando Lisboa no centro da primeira globalização. Uma pintura que deveria estar no Museu Nacional de Arte Antiga, mas que ele tem em casa para mostrar na TVI – o mesmo Berardo que diz só possuir uma garagem no Funchal e filosofa sobre “nada nos pertencer” quando deixou dívidas de quase mil milhões de euros na Caixa, no BCP e no Novo Banco.

Como é natural não há forma de escapar à forma como respondeu aos deputados, que já mereceu comentários do Presidente da República. ("É preciso ser respeitoso. E isso significa tratar as instituições com decoro") e do primeiro-ministro (País está todo chocado com o desplante de Joe Berardo). E que não escapou ao humor mordaz de Ricardo Araújo Pereira e da sua equipa do Gente que Não Sabe Estar, que esta semana esteve imperdível.

Mas tentemos responder a algumas questões que certamente muitos se colocarão. A primeira de todas é como foi possível. A resposta ainda está por dar. A resposta têm de dá-la todos os que se deixaram enfeitiçar por alguém que desde o primeiro minuto não disfarçou o tipo de “empresário” que era. Recentemente Vasco Pulido Valente recordou-o no diário que edita no Público:

"Vi uma vez o malfeitor do dia, Joe Berardo, no restaurante de um hotel de luxo. Estava todo vestido de preto, com uma boina preta na cabeça e calçado com uma espécie de sapatilhas. À volta dele, vinha uma comitiva também vestida de preto, que parecia um bando de lacaios. Não precisei de ver mais nada para saber que nunca emprestaria um centavo àquela criatura. Foi isto em meados dos anos 90".

Mas o cronista não é banqueiro, e os banqueiros pelos vistos nunca se incomodaram com alguns dos seus hábitos, como aqueles de que dava conta Vanessa Rato num perfil escrito para o Público em 2007 (repito: 2007) ele era alguém que “não se coíbe de tratar uma ministra por "babe" e de, a meio de negociações que envolvem milhões, lhe lançar à cara um sonoro "dahhhh" (o mesmo que lhe chamar parva, mas com menos letras).” Ou seja, o estilo do “comendador”, como reverencialmente era tratado, não mudou, como também se pode verificar lendo a entrevista que deu a Ana Taborda da Sábado em Novembro de 2016 e a revista agora repescou: "Preferia morrer a vender a coleção Berardo aos pedaços". Nela falava dos cinco museus que possuía – fora a Colecção Berardo – e dos dois que tencionava abrir, mas quanto ao dinheiro que se volatilizara só tinha a dizer que... “a responsabilidade do bad banking é das pessoas que fizeram os empréstimos.”

A história de como Berardo ganhou muito e depois foi um dos peões na luta pelo controle da banca portuguesa ainda terá episódios por contar, mas uma das pessoas que a conhecerá melhor é Helena Garrido, pelo que recomendo o que escreve hoje no Observador, Berardo e os gestores de papel.

No essencial o que se passou foi um “faz de conta” onde desapareceram muitos milhares de milhões de euros: “Foi esse “faz de conta” que se viveu na passagem do século XX para o século XXI e que só agora começa a chegar ao fim. Um “faz de conta” em dois actos. No primeiro acto finge-se que há banqueiros e empresários de sucesso que afinal só têm dívidas. No segundo acto os bancos tentam disfarçar as perdas com as dívidas desses banqueiros e empresários construídos com crédito.No processo das máscaras que iam construindo, os bancos permitiram que esses grandes devedores fizessem desaparecer tudo o que pudesse ser penhorado.” É que Berardo esteve longe de ser o único a conseguir fazer desaparecer as suas dívidas.

Pedro Sousa Carvalho, do Eco, recordou em O WC e a garagem de Joe Berardo, outros casos: “Nuno Vasconcellos que pediu 1,2 mil milhões emprestados à banca, chegou a ter 10% da Portugal Telecom, mas quando o tribunal foi executar a dívida ao BCP "apenas encontrou uma mota de água em seu nome.” Ou “Ricardo Salgado que foi chamado a tribunal e afirmou que é a filha, Catarina Salgado, quem lhe paga as contas: “Não tenho praticamente reforma e a minha mulher não tem atividade”. O mesmo Salgado que continua a ir passar férias à neve na Suíça”. Ou ainda Oliveira e Costa que se divorciou da mulher “para evitar que este fosse arrestado pela Justiça. Há quem case por amor ou por dinheiro. Oliveira e Costa divorciou-se por amor e por dinheiro.”

Claro que tudo isto não aconteceu sem muitas cumplicidades, e sugiro aos mais curiosos que vejam quem se passeava em redor de Joe Berardo e José Sócrates aquando da inauguração da Colecção Berardo em Junho de 2007, nesta reportagem da RTP.

Curiosamente também lá está outro dos grandes devedores da banca, curiosamente, ou talvez não, Berardo diz que fez um mau negócio, e por aí adiante. Recordar é viver, porque hoje a sensação é de impotência, bem expressa na crónica de João Miguel Tavares no Público, Joe Berardo, o homem que não tem dívidas: “Estamos nisto. Caixa, BCP e Novo Banco reclamam a Joe Berardo 962 milhões de euros, e ele continua a mostrar a Quinta da Bacalhôa – que não é dele, claro está – a Manuel Luís Goucha, nas manhãs da TVI. Há um mês, na mesma comissão, Eduardo Paz Ferreira disse não acreditar que a garantia da Caixa sobre a colecção algum dia conseguisse ser executada. Agora percebi porquê. O Estado ostenta com grande prestígio no CCB o nome de um dos maiores devedores do Estado; e o Estado contribui (via acordo da colecção) para que o Estado não possa recuperar o dinheiro que lhe é devido. Giro, não? Senhoras e senhores, bem-vindos a Portugal.”

E é isto. Veremos se algum dia alguma coisa se recuperará. Para já despeço-me com votos que, ao menos, fiquem com mais dados sobre uma saga muito longe de conhecer um fim feliz. Bom descanso."