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domingo, 1 de fevereiro de 2026

"La Chandeleur" - A Festa das Candelárias (ou Nossa Senhora das Candeias) festeja-se a 2 de fevereiro: a igreja festeja hoje

imagem in: padrepauloricardo.org

Celebra-se hoje a Apresentação de Jesus no Templo, a Festa em que o Senhor foi apresentado por Maria e José.

Festeja-se simultaneamente a Festa de Nossa Senhora das Candeias, da Candelária ou ainda da Purificação da Virgem Maria.

Na "Chandeleur" os franceses não dispensam festejar este dia sem degustar os deliciosos crepes que gostam de confecionar nas suas casas, em família, mantendo uma tradição antiga. 


A minha pesquisa:

A Apresentação de Jesus no Templo, festividade litúrgica celebrada no dia 2 de fevereiro, celebra um episódio da infância de Jesus. É também a data em que se comemora a Festa da Candelária (festa à luz de velas), uma festa de origem pagã e latina comemorada tradicionalmente em alguns países, que depois se tornou uma festa religiosa cristã.

Na Igreja Ortodoxa e em algumas Igrejas Católicas Orientais, ela é uma das doze Grandes Festas, e é por vezes chamada de Hypapante (literalmente "Encontro", em grego); outros nomes tradicionais são Dia de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária, ou da Purificação da Virgem Maria. Na Igreja Católica Apostólica Romana, esta festividade religiosa é uma das mais importantes, sendo realizada entre a Festa da Conversão de São Paulo, no dia 25 de janeiro, e a Festa do Trono de São Pedro, no dia 22 de fevereiro.

No rito latino da Igreja Católica, a Apresentação de Jesus no Templo é o quarto Mistério Gozoso do Santo Rosário. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festividade tem sido referida como a festa da Apresentação do Senhor.

Apresentação do Senhor
em Pádua.

(imagem in pt.wikipedia.org)

Relato bíblico

Este episódio foi descrito em Lucas 2:22–40. De acordo com o evangelho, a Virgem Maria e São José levaram o Menino Jesus para o Templo de Jerusalém quarenta dias depois do nascimento para completar o ritual de purificação de Maria após o parto e para realizar a redenção do primogênito, de acordo com a Torá. São Lucas explicitamente afirma que José e Maria escolheram a opção disponível para os pobres (os que não podiam comprar um cordeiro[2]), sacrificando «Um par de rolas ou dois pombinhos.» (Lucas 2:24). Levítico 12:1–4 indica que este evento deve se realizar quarenta dias após o nascimento de um menino, daí a Apresentação ser celebrada quarenta dias depois do Natal.

Ao trazer Jesus até o Templo, eles encontraram Simeão. O evangelho relata que Simeão recebeu uma promessa de que ele «ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.» (Lucas 2:26). Simeão então entoou uma oração que ficaria conhecida como Nunc Dimittis (ou "Cântico de Simeão"), que profetiza a redenção do mundo por Jesus:
“ «Agora tu, Senhor, despedes em paz o teu servo Segundo a tua palavra; Porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste ante a face de todos os povos: Luz para revelação aos gentios, E glória do teu povo de Israel.» (Lucas 2:29–32) ”

Simeão então profetizou a Maria: «Este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para sinal de contradição. (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que os pensamentos de muitos corações sejam revelados.» (Lucas 2:34–35)

A idosa profetisa Ana também estava no Templo e ofereceu orações e glórias a Deus, contando a todos os que estavam por ali sobre Jesus e seu papel na redenção de Israel (Lucas 2:36–38).

Nome da festa

Na Igreja Católica Romana, a festa é conhecida como "Apresentação do Senhor" nos livros litúrgicos publicados pela primeira vez pelo papa Paulo VI e como "Purificação da Abençoada Virgem Maria" nas edições anteriores. Na Igreja Ortodoxa e nas Igrejas Católicas Orientais de rito bizantino, como "Festa da Apresentação de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo no Templo" ou como "O Encontro de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo".

Ela é conhecida como "Apresentação de Nosso Senhor" na Igreja Evangélica Luterana da América. Em algumas igrejas protestantes, a festa é conhecida como a "Nomeação de Jesus", embora, historicamente, ele teria recebido seu nome no oitavo dia após o nascimento, quando foi circuncidado.

História

A festa da Apresentação do Senhor é uma das mais antigas festas da Igreja. Há sermões obre ela compostos pelos bispos Metódio de Patara († 312), Cirilo de Jerusalém († 360), Gregório, o Teólogo († 389), Anfilóquio de Icônio († 394), Gregório de Níssa († 400) e João Crisóstomo († 407).

A mais antiga referência sobre os rituais litúrgicos específicos sobre a festa foram descritos pela freira Egéria durante a sua peregrinação à Terra Santa entre 381 e 384. Ela reportou que 14 de fevereiro era um dia solene em Jerusalém, com uma procissão até a Basílica da Ressurreição de Constantino I, com uma homilia sobre Lucas 2:22 e uma Liturgia Divina. A chamada Itinerarium Peregrinatio ("Itinerário da Peregrinação") de Egéria não oferece, porém, nenhum nome específico para a festa. A data de 14 de fevereiro indica que em Jerusalém, na época, celebrava-se o nascimento de Jesus em 6 de janeiro, dia da Epifania. Nas palavras dela:

Originalmente, a festa era uma celebração menor. Mas então, em 541, uma terrível praga irrompeu em Constantinopla matando milhares. O imperador bizantino Justiniano I, em consulta com o patriarca de Constantinopla, ordenou um período de jejum e oração por todo o Império Bizantino. E, na festa do "Encontro do Senhor", organizou grandes procissões por todas as cidades e vilas, além de um serviço solene de orações (Litia) para pedir a libertação de todos os males e o fim da praga. Em agradecimento, em 542, a festa foi elevada para uma celebração mais solene e passou a ser celebrada por todo o império pelo Imperador.

imagem in pt.wikipedia.org .
Apresentação do Senhor


1500-01. Por Hans Holbein, o Velho, atualmente no Kunsthalle de Hamburgo, na Alemanha

Em Roma, a festa aparece no "Sacramentário Gelasiano", uma coleção de manuscritos dos séculos VII e VIII associados com o papa Gelásio I, mas com muitas interpolações e algumas fraudes. É ali que aparece pela primeira vez o novo título da festa, "Purificação da Abençoada Virgem Maria".

Celebrações litúrgicas

Tradicionalmente, a festividade de Nossa Senhora das Candeias (ou da Candelária) era a última festa do ano cristão, que era todo marcado em relação à data do Natal. As festas móveis são calculadas em relação à data da Páscoa.

Cristianismo ocidental

A festividade das Candeias (ou das Candelárias) ocorre passados quarenta dias após o Natal. Tradicionalmente, o termo "Candeias" ou "Candelárias" faz referência à prática na qual o sacerdote, no dia 2 de fevereiro, abençoa as velas de cera de abelha utilizadas nos serviços religiosos do ano todo, algumas das quais são distribuídas entre os fiéis para uso doméstico.

Porém, após as revisões do Concílio Vaticano II, esta festa passou a dar mais importância à profecia de Simeão, sendo retirada a importância das velas benditas e da Purificação da Santíssima Virgem Maria. O Papa João Paulo II ligou a festa com a renovação dos votos religiosos.

Esta festa nunca cai na Quaresma (a Quarta-feira de Cinzas mais cedo possível no ano cai em 4 de fevereiro, quando a Páscoa cai em 22 de março de um ano não bissexto). Porém, nos calendários que tinha um Tempo da Septuagésima, poderia acontecer que o "Aleluia" tinha que ser omitido da liturgia.

Em Portugal

Em Portugal festeja-se no dia 2 de fevereiro a festividade de Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz. Na tradição popular, o estado do tempo neste dia condiciona o tempo para o resto do inverno. Dizendo-se "Nossa Senhora a rir, está o Inverno para vir. Nossa Senhora a chorar está o Inverno a passar." Quer isto dizer que se no dia estiver sol, ainda virá muito "Inverno", se no dia estiver chuva, o inverno já passou.

(pesquisei em:  pt.wikipedia.org)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Livro do Eclesiástico - Uma importante reflexão em família (Primeira Leitura da Celebração Litúrgica do dia da Sagrada Família, comemorado a 28 de dezembro (2025)

O Livro de Eclesiastes - 1
imagem in: fnac.pt


O livro recebe o nome de Eclesiástico por ser usado na catequese da Igreja (ecclesia). Também é conhecido como Sirácida, devido ao nome do autor (Jesus Ben Sirac). O livro foi escrito originalmente em hebraico, por volta de 180 a.C., na Palestina, época de grande influência da cultura grega. 


Leitura do Livro do Eclesiástico 3,3-7.14-17a (gr.2-6.12-14)

3
Deus honra o pai nos filhos
e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe.
4
Quem honra o seu pai,
alcança o perdão dos pecados;
evita cometê-los
e será ouvido na oração cotidiana.
5
Quem respeita a sua mãe
é como alguém que ajunta tesouros.
6
Quem honra o seu pai,
terá alegria com seus próprios filhos;
e, no dia em que orar, será atendido.
7
Quem respeita o seu pai, terá vida longa,
e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe.
14
Meu filho, ampara o teu pai na velhice
e não lhe causes desgosto enquanto ele vive.
15
Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez,
procura ser compreensivo para com ele;
não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida,
a caridade feita a teu pai não será esquecida,
16
mas servirá para reparar os teus pecados
17a
e, na justiça, será para tua edificação.

terça-feira, 13 de maio de 2025

13 de maio - dia de Nossa Senhora de Fátima

 


Acabo de ler na pt.euronews.com num artigo de hoje, 13 de maio de 2025 (de Ricardo Figueira), uma notícia comovente.

Está relacionada com as celebrações do Dia de Nossa Senhora de Fátima, que recebe no seu Santuário milhares de peregrinos.

Estes apelam à presença do novo Papa, Leão XIV no Santuário de Fátima. A peregrinação celebra as aparições da Virgem Maria quando esta apareceu em 1917 pela primeira vez aos três pastorinhas.

Partilho uma parte da notícia:

Prevost era primeira escolha para presidir às cerimónias

Antes de ser eleito Papa, Robert Francis Prevost era a primeira escolha para presidir às cerimónias deste ano, como confessou, em conferência de imprensa, o bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas: "Inicialmente disse que viria com muito gosto, mas depois evocou motivos de agenda para não vir nesta altura, mas sim na peregrinação de outubro", disse. Acabou por ser o cardeal brasileiro Jaime Spingler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), a dirigir as celebrações.

Ornelas disse também que o bispo emérito da mesma diocese, D. António Marto, já convidou, informalmente, o Papa a visitar o santuário.

É grande o desejo de todos de ver Leão XIV presidir às cerimónias, talvez já no próximo ano. O padre espanhol Juan Carlos López vem de Toledo e visita o santuário várias vezes por ano: "Imagino que sim, que em breve (Leão XIV) fará uma visita a este santuário, que é o centro da espititualidade mariana, não só em Portugal, como em todo o Mundo", diz. Sobre o novo Papa, não tem dúvidas: "Penso que é o melhor que o Espírito Santo nos poderia dar nestes tempos. Estamos muito contentes com o Santo Padre. Rezamos muito por ele. Aliás, vamos pedir pelo pontificado do Papa aqui em Fátima e consagrar o seu ministério. É o Papa que o Espírito Santo escolheu para gerir a Igreja nestes tempos tão difíceis e acredito que o fará muito bem", diz à Euronews.

O Santuário de Fátima é o lugar de peregrinação católica mais importante em Portugal e um dos mais importantes em todo o Mundo. Os antecessores de Leão XIV vieram cá muitas vezes. O Papa Francisco esteve cá duas vezes, em 2017, no centenário das aparições, e em 2023, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude.

Este ano, pelo menos no primeiro dia, as celebrações bateram já os números do ano passado em termos de participação, com 270 mil pessoas a assistir à tradicional Procissão das Velas, que acontece na noite de 12 para 13 de maio.

Sinto-me muito feliz como crente e praticante da Igreja Católica, com a perspetiva do Santo Padre vir um dia a Fátima, reunindo-se com esta grande família portuguesa.

É que o Santuário de Fátima, como podemos ler no artigo transcrito é mesmo o centro da espiritualidade portuguesa.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Sugestão para reflexão: "Deus Hospeda o Perseguido" - Salmo de David

Dos 600.000 judeus capazes que deixaram o Egito, quantos realmente entraram  na terra prometida de Israel? - Quora
imagem in google.com


Salmo. De David.

Javé é o meu pastor:

Nada me falta.

Em verdes pastagens me faz repousar;

para fontes tranquilas me conduz,

e restaura as minhas forças.

Ele me guia por bons caminhos,

por causa do seu Nome.

Embora eu caminhe por um vale tenebroso,

nenhum mal temerei, pois estás junto a mim;

o teu bastão e o teu cajado deixam-me

tranquilo.

Diante de mim preparas a mesa, 

à frente dos meus opressores;

unges a minha cabeça com óleo.

e a minha taça transborda.

Sim, felicidade e amor me acompanham

todos os dias da minha vida.

A minha morada é a casa de Javé, 

por dias sem fim.

Salmo 23 (22)


Pesquisa que efetuei in pt.wikipedia.org

Os antigos hebreus (etnônimo possivelmente oriundo do termo hebraico Éber, ou עברים — em fenício: 𐤇𐤓𐤁𐤓𐤔𐤕; em acádio: ḪE-BA-RA-E-U-ŠA. — transl.ʿIvrim, significando "povo do outro lado do rio", foram um povo semítico da região do Levante, localizado no Oriente Médio. O etnônimo também foi utilizado a partir do período romano para se referir aos judeus, um grupo étnico e religioso de ascendência hebraica. Acredita-se que, originalmente, os hebreus chamavam a si mesmos de israelitas, embora esse termo tenha caído em desuso após a segunda metade do século X a.C. Os hebreus falavam uma língua da família cananeia, à qual se referiam pelo nome de “A língua de Canaã” (Isaías 19:18).
Esse povo, embora apagado pela grandeza de estados muito maiores, tecnologicamente avançados e mais importantes politicamente, foi responsável, contudo, pela composição dos livros que compõem a Bíblia, obra considerada sagrada por religiões monoteístas ocidentais e orientais. 

Os hebreus foram um dos primeiros povos conhecidos, a adorar um único Deus, isto é, a professar uma religião monoteísta. Na crença dos hebreus, existe um único Deus, cujo nome é atribuído à Javé, que em 6 dias criou o universo, a sua imagem não pode ser representada em pinturas ou estátuas (imagens), e ademais que seu santo nome não deve ser tomado em vão. Essa crença é a origem das três maiores religiões monoteístas do mundo, as religiões abraâmicas. 

domingo, 9 de junho de 2024

09 de junho 2024 - Dia de São José de Anchieta, padre jesuíta espanhol, introdução do Cristianismo no Brasil

Dia de São José de Anchieta
9 de Junho de 2024 

São José de Anchieta (1534-1597) foi um padre jesuíta espanhol que ficou conhecido como o “Apóstolo do Brasil”, já que foi responsável pela introdução do cristianismo no Brasil no século XVI, assim como foi um dos fundadores da gigantesca cidade de São Paulo.

Anchieta nasceu nas Canárias e estudou na Universidade de Coimbra, cidade onde descobriu a sua vocação, ao rezar na catedral de Coimbra. José de Anchieta era poeta e dramaturgo, ganhando a alcunha de “canarinho” pela sua declamação poética de voz doce.

Como missionário no Brasil, acabaria por ser o autor da primeira gramática da língua tupi e um dos primeiros autores da literatura brasileira, com várias peças de teatro e poemas religiosos escritos.



José de Anchieta escrevendo poema à Virgem Maria, pintura de Benedito Calixto

Além de evangelizar os povos índios, São José fomentava a literatura, a música, a higiene e a medicina, aprendendo igualmente a fauna, a flora e a linguagem com os indígenas.

Faleceu a 9 de junho de 1597 na atual cidade de Anchieta, sendo beatificado pelo papa João Paulo II em 1980 e canonizado em 2014 pelo Papa Francisco. Em 2015, José de Anchieta foi declarado co-padroeiro do Brasil.

Pesquisa em: calendarr.com

domingo, 26 de maio de 2024

Qual o significado de Pentecostes?

Pentecostes: O Espírito Santo age na Igreja e no mundo - Vatican News
imagem obtida in : https://www.vaticannews.va


Pentecostes: O Espírito Santo age na Igreja e no mundo

Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6).

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

No domingo seguinte à Ascensão do Senhor festeja a Igreja a solenidade de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém, como um vento impetuoso, que encheu toda a casa e onde apareceram como que línguas de fogo que pousavam sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo e eles começaram a falar outras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia de se exprimirem (At 2,1-4). Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6).

Pentecostes é uma palavra grega: Pentecoste, cujo significado é qüinquagésimo dia; é uma festa católica, celebrada no domingo quarenta e nove dias após a Páscoa, para lembrar a descida do Espírito Santo no Cenáculo sobre os Apóstolos e a Virgem Maria[1]. Antes da Ascensão, disse Jesus aos discípulos para não se afastarem de Jerusalém para aguardarem a realização da promessa do Pai, pois se João batizou com água, eles seriam batizados no Espírito Santo (At 1, 4-5).

Os Apóstolos receberam o poder do Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos para serem testemunhas de Jesus Cristo em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até aos confins da terra (At 1,8). Desta forma o Espírito Santo, veio por pedido de Jesus ao Pai para a ação na Igreja e no mundo, em vista da unidade com Deus e pela salvação dos povos, como dom de Deus para todos.

A doutrina sobre o Espírito Santo

Os Padres da Igreja desenvolveram uma doutrina sobre o Espírito Santo pelas fórmulas pneumatólogicas no Antigo Testamento (AT), mas, sobretudo pelo Novo Testamento (NT). O Antigo Testamento falou da descida do Espírito sobre os reis e os chefes do povo (1 Sm 10,1;16,3), sobre os profetas (Is 11,2; Sl 50,13) percebido também como dom prometido para o dia do Senhor (Jl 3,1). A Sagrada Escritura também falou que o Espírito pairava sobre as águas originárias (Gn 1,2). No NT, o Espírito Santo faz-se em referência à pessoa de Jesus de Nazaré, confessado como o Cristo, por ser o Messias, o Salvador de Israel e de toda a humanidade, com isso a presença do Espírito Santo na vida da Igreja e no mundo.

O Espírito é dado a Jesus em vista da missão porque ele o consagrou para evangelizar os pobres, libertar os presos, dar a vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor (Lc 4, 18-19). Mas o Senhor também falou da vinda do Espírito Santo, o Espírito da verdade que ensinará a verdade plena (Jo 16,13), levando as pessoas à vida com Deus e com as pessoas. Os Padres da Igreja colocaram as bases para uma doutrina pneumatológica do Espírito Santo, como Tertuliano, Hipólito de Roma, Orígenes, o Concílio de Constantinopla, São Cirilo de Jerusalém, São Basílio de Cesareia, São Gregório de Nazianzo, Santo Agostinho entre outros[2]. A seguir ver-se-á a forma como alguns deles deram uma reflexão do Espírito Santo, que ilumina as pessoas em vista do amor de Deus em Jesus Cristo às pessoas e para o mundo.
A ação do Espírito Santo

São Cirilo de Jerusalém, bispo, século IV disse que o Espírito Santo é onipotente, grandioso, extraordinário, nos dons do qual ele se faz portador. Ele age eficazmente estando no meio, no interior das pessoas de paz e de amor. Ele conhece a natureza das pessoas, discernindo os pensamentos e a consciência tudo aquilo que é pronunciado ou se faz na agitação da mente. A sua ação é para todas as pessoas de bem, que amam a Deus, ao próximo como a si mesmo. É preciso considerar a sua ação para todos os povos, os bispos, os presbíteros, os diáconos, os monges, as virgens, todos os fieis leigos e leigas. Ele é o grande protetor e doador de graças, em qualquer lugar do mundo, doando a um a modéstia, a simplicidade, a outro a castidade, a outra a misericórdia, a outro o amor para com os pobres, a outro ainda o poder de expulsar os espíritos adversos[3].
O Espírito é a luz divina

São Cirilo de Jerusalém ainda dizia que o Espírito Santo é a luz divina que esclarece tudo para a glória humana e de Deus. Ele possibilita na integridade com um único raio, a vida das pessoas e dos povos, trazendo-os à luz da verdade das coisas. Ele ilumina todas as pessoas que tem olhos para vê-lo: se alguém de fato não estando em grau de percebê-lo, não vem retido pela graça, não se atribui a culpa a ele, mas antes a incredulidade da própria pessoa[4]. O Espírito Santo age na pessoa se o coração humano for aberto às suas inspirações, em vista da conversão de vida e na unidade com Cristo e com o Pai.
É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade

São Basílio Magno, bispo do século IV, de Cesareia, na Turquia disse que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, na qual forma a unidade onipotente em Deus. Ele é um com o Pai, e com o Filho de modo que ele é Deus como o Pai e é Deus como o Filho. O Espírito Santo santifica aqueles que são santificados.

Ele preenche os anjos, os arcanjos, santifica as potestades, vivifica tudo. Ele distribui dons sobre a inteira criação, de modo que não resulta diminuído. Ele doa a todos a sua graça, enche as pessoas que o invocam sem diminuir-se. O Espírito concede a todos a sua graça permanecendo intato e indiviso. Ilumina a todos ao conhecimento de Deus, entusiasma os profetas, torna sábios os legisladores, consagra os sacerdotes, consolida os reis, perfecciona os justos e as justas, dá o dom da santificação, ressuscita os mortos, liberta os prisioneiros, torna filhos e filhas os estrangeiros[5]
O dia aguardado

São Leão Magno, papa do século V afirmou que a descida do Espírito Santo foi um dia bem aguardado por todos os discípulos do Senhor. Ele foi consagrado ao Espírito Santo com o excelente milagre do dom que ele fez de si mesmo. Após uns dias no qual o Senhor ressuscitado subiu acima de todos os céus para se assentar à direita de Deus Pai, refulgindo como o qüinquagésimo dia, teve Pentecostes, encerrando grandes mistérios dos antigos e dos novos sacramentos, pela demonstração da graça preanunciada pela lei e esta cumprida pela graça.

Enquanto para o povo hebreu, libertado do Egito, no qüinquagésimo dia após a imolação do cordeiro, se celebrava a lei de Moisés, dada no monte Sinai (Ex 19,17), no qüinquagésimo dia, após a paixão de Cristo na qual foi imolado o verdadeiro Cordeiro pascal de Deus, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e o povo fiel (At 2,3). É preciso que o cristão reconheça a realização da Aliança nova travada pelo Espírito a qual instituiu também a primeira[6].

O sopro do Espírito e o inicio da pregação evangélica

São Leão Magno tendo presente o dom do Espírito dado aos discípulos de falar em línguas, afirmou que o Espírito Santo sopra onde quer (Jo 3,8) de modo que as línguas próprias de cada povo, tornaram-se comuns nos lábios da Igreja. Com Pentecostes houve o início da pregação evangélica, com a chuva da carismas, rios de bênçãos a irrigarem o deserto e a terra árida em vista da renovação da terra, para dissipar as antigas trevas tendo os fulgores da nova luz, quando pelo esplendor das línguas brilhantes concebia o verbo luminoso do Senhor, superando a morte e o pecado[7].

O Espírito Santo é dado para superar a debilidade da carne

Santo Ireneu de Lião, bispo, séculos II e III colocou a importância da ação do Espírito Santo na pessoa em vista da superação da debilidade da carne. As pessoas que temem a Deus e crêem em Jesus, pondo o Espírito de Deus no seu coração, são consideradas viventes para Deus, porque possuem o Espírito do Pai que purifica o ser humano e o eleva à vida de Deus. O Senhor afirmou que a carne é fraca e o espírito está pronto (Mc 14,38), capaz de realizar o que deseja. O fato é que se alguém misturar a prontidão do Espírito à fraqueza da carne, o que é forte supera o fraco, a fraqueza da carne será absorvida pela força do Espírito. Assim os mártires testemunharam o amor de Cristo e desprezaram a morte não segundo a fraqueza da carne, e sim conforme a prontidão do Espírito. O Espírito Santo ao absorver a fraqueza, possui a carne em si e estes elementos constituem o ser humano vivente pela participação do Espírito na vida da pessoa[8].

A Igreja festeja Pentecostes como o acontecimento que marcou a vida da Igreja no inicio para testemunhar Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos, o amor do Pai para a vida da Igreja e do mundo.

[1] Cfr. Pentecòste. In: Il vocabolario treccani, Il Conciso. Milano, Trento, 1998, pg. 1156.

[2] Cfr.F. Bolgiani. Spirito Santo. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane, diretto da Angelo Di Berardino, P-Z. Marietti, Genova, 2008, ps. 5093-5106.

[3] Cfr. Cirillo di Gerusalemme. Catechesi Battesimali, 16,22-23. In: La teologia dei padri, v. 2. Città Nuova Editrice, Roma, 1982, pg. 306.

[4] Cfr. Idem. Pgs. 306-307.

[5] Cfr. Basilio Il Grande. Omelia sulla fede, 3. In: idem, pg. 307.

[6] Cfr. LXXV Sermão. Primeiro Sermão de Pentecostes, 1. In: Sermões. Leão Magno. São Paulo, Paulus, 1996, pg. 178-179.

[7] Cfr. Idem. Pg. 179.

[8] Cfr. Ireneu de LIão, V,9,2. São Paulo, Paulus, 1995, pgs. 538-539.

FONTE: https://www.vaticannews.va/
pentecostes-o-espirito-santo-age-na-igreja-e-no-mundo.html

domingo, 3 de março de 2024

Algumas reflexões importantes do Papa Francisco

Papa Francisco - Biografia - InfoEscola
imagem obtida in infoescola.com


"Somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade".

Papa Francisco - JMJ Rio de Janeiro 2013

"Se a escuridão ao nosso redor e dentro de nós mesmos nos impedir de ver corretamente, corremos o risco de nos perdermos em batalhas sem sentido".

Papa Francisco - Mensagem para JMJ Lisboa 2023

"Sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também para quem vivo, por quem vale a pena gastar a minha vida".

Papa Francisco - JMJ - Panamá 2019

segunda-feira, 13 de março de 2023

Papa Francisco comemora hoje 10 anos de Pontificado

Papa Francisco – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem in pt.wikipedia.org


Os 10 anos de pontificado do Papa Francisco: reflexos dos gestos e ações

Francisco chega aos 10 anos de pontificado: a fraternidade humana, a atenção à família, a ecologia integral, o combate aos abusos na Igreja, a presença na sociedade e uma nova perspectiva para os cristãos leigos, temas de gestos e ações.

Vatican News - CNBB

Nesta segunda-feira, 13 de março, o Papa Francisco completa 10 anos de pontificado. Nessa década, Francisco tem marcado a realidade com sua presença frente aos desafios no interior da Igreja e às mudanças e conflitos que se manifestam no mundo. A partir dos gestos e dos processos que leva adiante na Igreja, e também dos documentos que produz, tem anunciado o Evangelho e convidado à fraternidade, à proximidade e à ternura, a exemplo de Jesus, como ele mesmo costuma dizer.

Dentre todas as realidades nas quais a Igreja toca com sua presença, algumas foram escolhidas para serem destacadas neste momento em que Francisco chega aos 10 anos de pontificado: a fraternidade humana, a atenção à família, a ecologia integral, o combate aos abusos na Igreja, a presença na sociedade e uma nova perspectiva para os cristãos leigos.

Fratelli tutti

Um dos marcos do pontificado do Papa Francisco foi a oferta à humanidade da encíclica Fratelli tutti, documento que apresenta o desejo de que, como humanidade, “possamos reviver em todos a aspiração mundial à fraternidade”. Para o subsecretário adjunto de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Marcus Barbosa Guimarães, a carta encíclica “é um grande presente do Papa Francisco para a Igreja e para a nossa humanidade”.

“De modo especial, entre os inúmeros pontos, as inúmeras contribuições que a Fratelli tutti nos traz, eu destacaria duas chaves que parecem centrais: a primeira, como lembra o Papa: se quisermos viver a fraternidade, devemos reconhecer a verdade fundamental que Deus é nosso Pai. E se Deus é nosso Pai, somos filhos e filhas, todos, sem distinção, e somos irmãos e irmãs. Essa é a raiz, é a verdade central. É a certeza que fecunda o compromisso, o dom da fraternidade”.

“A segunda inspiração que me vem dessa carta, ao lê-la, é o que o Papa Francisco nos diz que precisamos recomeçar. E se vamos recomeçar a reconstrução da fraternidade,de um modo artesanal… devemos recomeça-la a partir dos pobres, para que ninguém fique de lado”.

Família

A realidade da família tem sido outro destaque no pontificado do Papa Francisco. Foram duas assembleias sinodais, uma exortação apostólica, um ano temático e dezenas de catequeses sobre o tema. 

“Nesses 10 anos de pontificado, temos muito que agradecer ao Papa Francisco pela sua dedicação e o seu amor pela família. Com o Sínodo, trouxe a família para o centro da atenção pastoral, um olhar para um modo de ser Igreja que é como a família: de corresponsabilidade, de cuidado, de amor, de ternura, de gratuidade”, comentou o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

Para dom Ricardo, a Amoris Laetitia “veio confirmar o trabalho que já vinha sendo feito pela Pastoral Familiar” e trouxe para os setores inspirados na Familiaris Consortio, de São João Paulo II, “um ar de renovação, uma motivação ainda maior para cuidarmos das fragilidades das famílias”.

Ecologia Integral

Francisco deu especial atenção ao cuidado da casa comum nesses primeiros anos de pontificado. Marca disso foi a encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum. A leiga Patrícia Cabral, que faz parte das articulações da Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), do Laicato, e do Comitê Repam no Regional Norte 1, aponta como o “grande diferencial” a proposta da reflexão do tema da ecologia integral com a encíclica Laudato Si’ “que, aqui no Brasil, casou com a Campanha da Fraternidade dos biomas e “fez com que a gente pudesse refletir mais sobre a maneira como nós cuidamos dessa casa comum, e entender a nossa pertença a esse corpo, que não estamos isolados”.

Para ela, essa ideia de pertença favorece a compreensão da necessidade de cuidar. “Não é simplesmente não cortar as plantas, mas renovar aquilo que está sendo destruído de outra forma”, pontua.

Presença na sociedade

O arcebispo de Goiânia (GO), dom João Justino de Medeiros Silva, destacou a experiência de cuidado com a vida da Igreja e a relação com a sociedade durante o pontificado de Francisco. Sobre a presença na sociedade, ele destacou que o Papa tem contribuído com diversas abordagens, como o cuidado e o zelo com a educação na proposta do Pacto Educativo Global; o cuidado com o tema da ecologia, “com a sua belíssima encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum”; e a Economia de Francisco, “proposição que interpela a economia, a partir da participação de jovens”.

“Esses três temas são muito interessantes, poderíamos citar tantos outros, mas creio que são de uma importância muito grande para pensar a presença da Igreja na sociedade”, comentou dom Justino.

Leigos

Francisco tem marcado a Igreja com um novo impulso ministerial para os leigos, de forma especial para as mulheres e, com a proposta do Sínodo, propõe uma nova dinâmica nas relações entre as diversas vocações.

Marilza Schuina, membro do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, avalia que o Papa Francisco “nos chama a uma Igreja em saída, uma Igreja-povo de Deus, onde todos e todas sejam sujeitos da evangelização”. Em relação aos cristãos leigos e leigas, Marilza considera que Francisco “vê e espera um laicato maduro, capaz de discernir sobre os sinais dos tempos, em comunhão com a sua comunidade, buscar o melhor caminho, um laicato que assuma a vocação no mundo, na história, um laicato capaz de semear, trazer os sinais do Reino da justiça, do amor e da paz”. 

“Francisco, nessa dimensão da Igreja em saída, fala de um laicato em saída, que ofereça à Igreja, um novo modo de ser Igreja, de ser presença em todos os lugares onde ninguém mais chega, onde ninguém mais vá ou aonde o padre, o bispo, até o Papa pode ir, mas, nesses lugares, o leigo e a leiga não vai, ele está lá, ele vive lá, ele mora lá. Ele, portanto, é sinal desta Igreja presente no mundo”, comenta. 

Marilza acredita que permanece um desafio à questão das mulheres, ao qual o Papa Francisco tem se mostrado sensível, “para que cada vez mais sejam reconhecidos os direitos da mulher na Igreja, a estar nos espaços de decisão, a ter seu lugar reconhecido efetivamente”. 

Prevenção aos abusos

A presidente do Núcleo Lux Mundi, Eliane De Carli, comanda uma das estruturas na criada pela Igreja no Brasil cuja atuação tem sido considerada delicada, mas essencial para combater a chaga dos abusos na Igreja. O escritório é responsável por assessorar as dioceses e entidades religiosas na implementação de serviços de prevenção e proteção, conforme estabelecido pelo Papa Francisco.

“A gente avalia [a criação de iniciativas de prevenção e combate aos abusos] como um momento bastante especial para a Igreja porque ele traz a questão de uma mudança de paradigmas, no sentido de trabalhar com transparência, com cuidado, com a proteção e a prevenção no caso dos abusos”, disse Eliane.

Fonte: CNBB.  13 de março de 2023

domingo, 21 de agosto de 2022

Para reflexão... Domingo XXI do Tempo Comum - Ano C

Baixe o roteiro "Celebrar em família" para o 21º Domingo do Tempo Comum -  CNBB
in https://www.cnbb.org.br/


Para partilhar este post, baseei-me na pesquisa que efetuei. 

Encontrei a seguinte explicação para o que escutei na leitura do evangelho de hoje.

Domingo XXI do Tempo Comum – Ano C – 21.08.2022

24
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 
25
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: ‘Abre-nos, Senhor!’ Mas ele há-de responder-vos: ‘Não sei de onde sois. Lc 13, 24-25


Para refletir e partilhar, considerar os seguintes dados:

Em primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o “Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto económico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “porta estreita”. Tenho consciência de que a comunidade de Jesus é a comunidade onde todos cabem e onde ninguém é excluído e marginalizado?

“Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-Se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom (“beber o cálice”) e um serviço (“o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”). Jesus é, portanto, o modelo de todos os que querem “entrar pela porta estreita”. É o seu exemplo que é proposto a todos os discípulos.

Já constatámos todos que esta “porta estreita” não é, hoje, muito popular. A este propósito, os homens de hoje têm perspetivas bem diferentes de Jesus… A felicidade, a vida plena encontra-se, para muitos dos nossos contemporâneos, no poder, no êxito, na exposição social, nos cinco minutos de fama que a televisão proporciona, no dinheiro (afinal, o novo deus que move o mundo, que manipula as consciências e que define quem tem ou não êxito, quem é ou não feliz). Como nos situamos face a isto? As nossas opções vão mais vezes na linha da “porta larga” do mundo, ou da “porta estreita” de Jesus?

É preciso ter consciência de que o acesso ao “Reino” não é, nunca, uma conquista definitiva, mas algo que Deus nos oferece cada dia e que, cada dia, nós aceitamos ou rejeitamos. Ninguém tem automaticamente garantido, por decreto, o acesso ao “Reino”, de forma que possa, a partir de uma certa altura, ter comportamentos pouco consentâneos com os valores do “Reino”. O acesso à salvação é algo a que se responde – positiva ou negativamente – todos os dias e que nunca é um dado totalmente seguro e adquirido.

Para nós, assumidamente cristãos, onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do “Reino”, muitos apareceriam a dizer: “comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade”. Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa (da Eucaristia), que escutaram as suas palavras, que fizeram parte do conselho pastoral da paróquia, que foram fiéis guardiães das chaves da igreja ou dos cheques da conta bancária paroquial, que até, se calhar, se sentaram em tronos episcopais ou papais… mas que nunca se preocuparam em entrar pela “porta estreita” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Esses – Jesus é perfeitamente claro e objetivo – não terão lugar no “Reino”.
in Dehonianos.
https://paroquiavilarandorinho.pt/liturgia-da-palavra/

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Noite de Reis - 05 de janeiro

Adoração dos Reis Magos 
por 
Bartolomé Esteban Murillo,
século XVII, (
Museu de Arte de ToledoOhio). 
imagem in pt.wikipedia.org
Dia de Reis. Dia de comer Bolo Rei em Portugal e se abrirem as portas para ouvir cantar as Janeiras. Depois disso, há que arrumar as bolas e as luzes de Natal e esperar mais um ano. Aqui ao lado, em Espanha, só agora se trocam os presentes guardados debaixo da árvore de Natal, porque afinal foram os reis que levaram presentes ao Menino Jesus. Os cristãos ortodoxos marcam apenas neste dia o nascimento de Jesus, porque seguem o calendário juliano (criado por Júlio César), que tem mais 14 dias que o calendário gregoriano, seguido pela Igreja Católica Apostólica Romana.Quer seja crente numa religião, quer não, este é um dia que entrou ao longo de séculos nos calendários das celebrações e festividades portuguesas. E veio para ficar. Mas qual é o seu simbolismo? E a sua veracidade?
Os Reis Magos na Bíblia

A primeira e única vez que os Reis Magos (Gaspar, Baltazar e Melchior) aparecem na Bíblia é no Evangelho segundo Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento, no segundo capítulo da história descrita por este apóstolo. Os reis magos teriam sabido que “o rei dos judeus” havia nascido em Belém da Judeia (uma parte montanhosa no sul da atual Palestina, entre o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo). Segundo a Bíblia, os magos tiveram um sinal divino sob a forma de uma estrela que lhes indicou o caminho até ao estábulo onde Jesus estaria abrigado.

E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.

Acontece que, antes de encontrarem a família sagrada, os reis magos tiveram um encontro com o rei de Israel, Herodes, que via o seu poder ameaçado pela chegada de Jesus Cristo, o messias, ao mundo. Herodes tentou enganar os reis magos pedindo-lhes que fossem adorar a Jesus, mas que voltassem ao palácio para lhe indicarem o caminho porque também ele quereria prestar homenagem ao bebé. Os reis magos concordaram, mas terão sido avisados em sonhos de que tinham sido enganados e, portanto, não voltaram para junto de Herodes.

Quando o rei percebeu que os reis magos não iriam voltar, terá tomado medidas mais extremas: mandou matar os primogénitos de todas as famílias em Belém com menos de dois anos. Jesus, ainda assim, terá ficado livre das ordens de Herodes porque um anjo apareceu a José e aconselhou-o a fugir para o Egito por tempo indeterminado. Mais tarde, o mesmo anjo enviou a família sagrada para Israel “porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino”. José, Maria e Jesus fixaram-se em Nazaré e a história da Bíblia prossegue por lá. 
Quem eram os reis magos?
A identidade dos reis magos continua, contudo, a ser uma incógnita. No entanto, há um documento apócrifo nos arquivos do Vaticano que pode dar algumas informações sobre quem seriam os magos que terão ido adorar Jesus Cristo quando ele nasceu. “A Revelação dos Magos” foi traduzido pela primeira vez por Brent Landau, um professor de Teologia da Universidade do Oklahoma que teve acesso ao documento descoberto no século XVIII e redigido na segunda metade do século II (possivelmente pelos filhos dos reis magos).

Se a tradução do sírio antigo para o inglês for fiel, o documento não limita o número de reis magos em três: eles podem ter sido mais do que doze, mas as prendas de Baltazar, Gaspar e Melchior terão sido as mais simbólicas. Todos podiam ser originários de Shir, uma região que na atualidade se situa em território da China, mas que no tempos antes de Cristo teria um significado mítico; e seriam descendentes de Seth, o terceiro filho de Adão.

Terá sido precisamente Seth a transmitir a profecia de que uma estrela iria aparecer aos reis magos para os seguir até ao salvador. Brent Landau explicou ao Daily Mail que, segundo o texto a que teve acesso, a estrela que apareceu aos reis magos acabou por se personificar e assumir numa forma humana que seria, acredita o teólogo, o próprio Jesus. “Jesus e a Estrela de Belém são a mesma coisa e Jesus Cristo pode transformar-se em qualquer coisa. A estrela guiou-os até Belém e até à gruta onde se transformou numa pequena criança que lhes indicou que deveriam partir e transmitir o evangelho”, recorda ele.

Antes de os historiadores terem acesso a este texto não canónico, já um monge tinha descrito os três reis magos. São Beda viveu nos mosteiros de São Pedro, em Monkwearmouth, no nordeste de Inglaterra. No século XIX, Beda foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Leão XIII. Graças às suas capacidades linguísticas, Beda teve acesso aos documentos guardados nas bibliotecas dos mosteiros onde vivia. Foi nessas leituras que Beda criou o perfil de três reis magos. Num dos textos, o monge escreveu o seguinte:

Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.

Mas Gaspar, Baltazar e Melchior podiam não ser reis. Pelo menos não o seriam no mesmo conceito em que usamos esse termo hoje em dia. E será difícil compreender onde “reinavam”, se nem sequer temos certezas sobre a sua origem. Mas também não seriam magos, isto é, as suas capacidades nada teriam a ver com magia. O termo “mago” era usado para adjetivar os homens sábios e eruditos daquele tempo, principalmente aqueles que desenvolveram os conhecimentos sobre os corpos celestes.

Hoje, acredita-se que os restos mortais dos três reis magos estão depositados na Alemanha, na Catedral de Colónia, num túmulo talhado a ouro. Depois de terem visitado Jesus Cristo, o apóstolo São Tomé tê-los-á batizado para que pudessem participar na expansão da fé cristã, de acordo com os relatos de São João Crisóstomo (arcebispo da Constantinopla no século I) no livro “Patrologia Grega”.

 A Bíblia afirma claramente que os reis levaram ouro, incenso e mirra quando visitaram Jesus Cristo na manjedoura. As prendas entregues pelos reis nómadas não são abordadas no documento analisado pelo teólogo Brent Landau, mas todas elas têm um simbolismo intrínseco. O ouro é um elemento precioso e sempre o foi: ao oferecer ouro a Jesus, os três reis magos estavam a a sublinhar que o consideravam “rei dos judeus”. O incenso é, na verdade, a resina de uma árvore e simboliza a seiva da vida e os aromas com que os crentes costumavam orar. 

A mirra é uma erva amarga, produzida por uma árvore pequena do Norte de África. Antigamente, era muito usada para curar feridas no continente africano, mas depois passou a entrar também nas receitas de perfumes e em materiais de embalsamamento no Egito. Mais tarde, quando Jesus foi crucificado, a mirra terá sido usada para embalsamar o seu corpo, de acordo com o livro de João na Bíblia.

FONTE: observador.pt 
um texto de Marta Leite Ferreira, 06 janeiro 2016

domingo, 25 de abril de 2021

Domingo do Bom Pastor - Dia das Vocações


imagem in https://paroquiasaoluis-faro.org/




Vaticano: Papa ordena nove sacerdotes para a Diocese de Roma no «Domingo do Bom Pastor»

Abr 19, 2021 - 16:35

Cidade do Vaticano, 19 abr 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco vai ordenar nove sacerdotes para a Diocese de Roma, no Dia Mundial de Oração pelas Vocações, dia 25 de abril, a partir das 09h00 locais (menos uma hora em Lisboa), na Basílica de São Pedro. (o negrito é meu)

O portal ‘Vatican News’ informa que futuros sacerdotes estão a preparar-se para a ordenação com um retiro num mosteiro e que realizam a sua formação em seminários da Diocese de Roma.

Seis estudaram no Pontifício Seminário Maior Romano, dois no Colégio diocesano Redemptoris Mater e um no Seminário Nossa Senhora do Divino Amor, Mateus Henrique Ataíde da Cruz que é natural do Brasil.

O jovem que viajou para estudar em Roma há sete anos recorda que aos 15 anos começou a ajudar “um homem idoso com o computador” e, segundo o contrato de trabalho, todos os dias tinha de “rezar com ele e recitar o Rosário”.

“O que a princípio vi como uma imposição, depois se tornou uma necessidade para mim”, testemunhou.

O Papa, que é também o bispo de Roma, vai ordenador para a sua diocese mais oito novos sacerdotes, nomeadamente Georg Marius Bogdan (Roménia), Diego Armando Barrera Parra (Colômbia), e os italianos Salvatore Marco Montone, Manuel Secci, Salvatore Lucchesi, Giorgio De Iuri (Itália) e Riccardo Cendamo e Samuel Piermarini do Colégio Redemptoris Mater.

O sítio online ‘Vatican News’ informa ainda que vai transmitir a celebração presidida pelo Papa no Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2021, que tem como tema ‘São José: o sonho da vocação’, e Domingo do Bom Pastor.

A Igreja Católica em Portugal também está a celebrar a 58ª Semana de Oração pelas Vocações e a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM) preparou um conjunto de propostas de oração e divulgação para esta semana especial.

CB/OC