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terça-feira, 13 de maio de 2025

13 de maio - dia de Nossa Senhora de Fátima

 


Acabo de ler na pt.euronews.com num artigo de hoje, 13 de maio de 2025 (de Ricardo Figueira), uma notícia comovente.

Está relacionada com as celebrações do Dia de Nossa Senhora de Fátima, que recebe no seu Santuário milhares de peregrinos.

Estes apelam à presença do novo Papa, Leão XIV no Santuário de Fátima. A peregrinação celebra as aparições da Virgem Maria quando esta apareceu em 1917 pela primeira vez aos três pastorinhas.

Partilho uma parte da notícia:

Prevost era primeira escolha para presidir às cerimónias

Antes de ser eleito Papa, Robert Francis Prevost era a primeira escolha para presidir às cerimónias deste ano, como confessou, em conferência de imprensa, o bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas: "Inicialmente disse que viria com muito gosto, mas depois evocou motivos de agenda para não vir nesta altura, mas sim na peregrinação de outubro", disse. Acabou por ser o cardeal brasileiro Jaime Spingler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), a dirigir as celebrações.

Ornelas disse também que o bispo emérito da mesma diocese, D. António Marto, já convidou, informalmente, o Papa a visitar o santuário.

É grande o desejo de todos de ver Leão XIV presidir às cerimónias, talvez já no próximo ano. O padre espanhol Juan Carlos López vem de Toledo e visita o santuário várias vezes por ano: "Imagino que sim, que em breve (Leão XIV) fará uma visita a este santuário, que é o centro da espititualidade mariana, não só em Portugal, como em todo o Mundo", diz. Sobre o novo Papa, não tem dúvidas: "Penso que é o melhor que o Espírito Santo nos poderia dar nestes tempos. Estamos muito contentes com o Santo Padre. Rezamos muito por ele. Aliás, vamos pedir pelo pontificado do Papa aqui em Fátima e consagrar o seu ministério. É o Papa que o Espírito Santo escolheu para gerir a Igreja nestes tempos tão difíceis e acredito que o fará muito bem", diz à Euronews.

O Santuário de Fátima é o lugar de peregrinação católica mais importante em Portugal e um dos mais importantes em todo o Mundo. Os antecessores de Leão XIV vieram cá muitas vezes. O Papa Francisco esteve cá duas vezes, em 2017, no centenário das aparições, e em 2023, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude.

Este ano, pelo menos no primeiro dia, as celebrações bateram já os números do ano passado em termos de participação, com 270 mil pessoas a assistir à tradicional Procissão das Velas, que acontece na noite de 12 para 13 de maio.

Sinto-me muito feliz como crente e praticante da Igreja Católica, com a perspetiva do Santo Padre vir um dia a Fátima, reunindo-se com esta grande família portuguesa.

É que o Santuário de Fátima, como podemos ler no artigo transcrito é mesmo o centro da espiritualidade portuguesa.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Proteção Civil afirma que em Portugal não houve vítimas devido ao apagão

Apagão Portugal: Reunião do Conselho de Ministros após crise energética
imagem obtida in dn.pt


Não haverá muito mais a expor sobre o "célebre" e "desagradável" sobre o "apagão" de energia elétrica que afetou vários países europeus.

Há que aguardarmos noticias mais fiáveis, credíveis e conclusivas.

Que foi um grande susto e nos obrigou a refletir que temos de ser previdentes, disso, não tenho qualquer dúvida.

Tivemos conhecimento de que em muitos lares, não sofreram só de falta de energia , mas também de água.

Mas deixo aqui um texto escrito por alguém que estará mais por dentro desse fenómeno:

TEXTO:


Publicado a 30/04/2025

in pt.euronews.com

Após críticas sobre atuação, ANEPC considera que "resposta foi adequada". SMS à população foi "programado e enviado a partir as 18h até às 24h", mas só chegou a 2,5 milhões de pessoas.


Num balanço, esta quarta-feira, sobre o corte geral do abastecimento na rede elétrica em Portugal, o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) adiantou que ainda são desconhecidas as causas do apagão passadas 48 horas desde o incidente.

"Ainda não sabemos a causa do apagão", afirmou José Manuel Moura, em declarações aos jornalistas, a partir da sede da ANEPC, em Carnaxide.

O responsável da Proteção Civil também esclareceu o processo de comunicação da situação à população, após críticas à atuação e resposta desta autoridade durante o apagão.

Segundo José Manuel Moura, o processo de envio de SMS à população iniciou-se às 17h15, tendo sido o SMS "programado e enviado a partir as 18h até às 24h". Nesta altura, "as comunicações com os operadores e os clientes estavam seriamente afetadas", frisou.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Crimes de Guerra na Ucrânia (Relatório da Amnistia Internacional)

imagem obtida in https://visao.sapo.pt/exameinformatica/


As notícias que acabei de ler não são nada animadoras, mas é esta a triste realidade que a seguir transcrevo:

Amnistia Internacional diz que tropas russas cometeram crimes de guerra na Ucrânia 

De euronews • Últimas notícias: 06/05/2022 

A Amnistia Internacional afirma que as tropas russas cometeram crimes de guerra na Ucrânia.

No relatório "He's not coming back: War Crimes in Northwest Areas of Kyiv Oblast" ("Ele não vai regressar: Crimes de Guerra no Noroeste da Província de Kiev"), divulgado esta sexta-feira, a organização reporta os testemunhos de dezenas de pessoas e a recolha de provas de bombardeamentos ilegais sobre civis em Borodyanka e execuções em várias cidades como, por exemplo, Bucha."Sabemos que os crimes cometidos contra pessoas que vivem nos arredores de Kiev, que hoje relatamos, não são meramente anedóticos, incidentais ou colaterais. Sabemos que fazem parte de um padrão que tem caracterizado a condução de hostilidades da Rússia desde o início. Um padrão repetido, em grande escala e devastador em termos de impacto", refere a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard.

No documento, a Amnistia Internacional defende que os militares russos, incluindo a cadeia de comando, têm de ser julgados por estes crimes de guerra cometidos na Ucrânia.

A delegação da organização esteve na região, nos últimos dias. Em Borodyanka descobriu que pelo menos 40 civis foram assassinados em ataques desproporcionados e indiscriminados...

Já em Bucha, documentou 22 casos de assassinatos cometidos pelas forças invasoras da Rússia. Muitos foram simples "execuções".

NOTÍCIAS RELACIONADAS




(in pt.euronews.com)

sábado, 5 de março de 2022

Um milhão e 450 mil pessoas já terão saído da Ucrânia, por causa da invasão da Rússia

imagem obtida in g7.news


Malas, famílias inteiras, animais e ucranianos de todas as idades. Uma imagem já comum desde que começou a guerra, no país.

"Saí hoje porque há uma ameaça de explosão nuclear", conta uma ucraniana, de malas nas mãos, na estação de Kiev. "As pessoas querem viver", diz.

Uma outra testemunha desta guerra conta aos jornalistas que achava que o conflito "iria durar menos dias" e que nunca pensou que teria de fugir.

As crianças e as mulheres vão, os homens ficam. Alexander, 41 anos, despede-se da filha, de cinco anos, na estação de Lviv.

Em Irpen, arredores de Kiev, centenas de pessoas ficaram barradas numa ponte destruída enquanto tentavam fugir da cidade.

A Organização Internacional das Migrações estima que 1 milhão e 450 mil pessoas já tenham saído da Ucrânia.

Ler mais em pt.euronews.com.   05.03.2022

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A NATO anunciou estar à espera de ataque da Rússia à Ucrânia

in https://cnnportugal.iol.pt


Todo o mundo está à beira de um "ataque de nervos" com a tensão existente entre Rússia e Ucrânia:

NATO espera ataque maciço da Rússia na Ucrânia

Colunas de camiões, tanques e material bélico russos foram vistos a circular nas regiões de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Moscovo não confirmou ter já enviado o que chamou de forças de manutenção de paz no entanto, a NATO anunciou estar à espera de um ataque em larga escala da Rússia na Ucrânia.

Em Donetsk, a população enalteceu a intervenção de Vladimir Putin ao reconhecer a independência do território, no entanto, permanecem os receios de uma escalada da violência entre as milícias separatistas e o exército ucraniano.

"Penso que os bombardeamentos vão parar. É claro que a economia não vai recuperar em breve. Temos esperança. Acreditamos nisso. Não saímos em 2014 ou 2015, e não iremos a lado nenhum agora", afirma uma mulher.

O Governo ucraniano negou as acusações dos separatistas de que estaria a bombardear zonas residenciais e assegurou que o Exército não estava a responder aos ataques das milícias.

Longe da frente de combate, os habitantes de Kiev tentam manter a normalidade, no entanto receiam o início de uma eventual guerra com a Rússia.

Uma ucraniana confirma: "Claro que temos medo, mas tudo bem... Todos têm medo. Decidimos ficar e defender a nossa pátria".

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou que vai retirar toda a equipa diplomática da embaixada e dos consulados que detém na Ucrânia.

(in pt.euronews.com   23/02/2022)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Rússia desmobiliza da fronteira com a Ucrânia, mas isso ainda não traz alívio à União Europeia...

Entenda o conflito político envolvendo Rússia e Ucrânia - Mundo - Diário do  Nordeste
imagem in https://diariodonordeste.verdesmares.com.br

Como todos os dias ouvimos nos noticiários, a tensão entre a Rússia e a Ucrânia mantém-se. 

Apesar de se tentar pelas vias diplomáticas chegar a um consenso, não é possível acreditar que a Rússia tenha mesmo "desmobilizado" da fronteira com a Ucrânia. 

Pois se ainda foi adicionar sete mil militares às tropas que já permaneciam no local...!!!

Leiamos o que a pt.euronews.com nos relata e que aqui transcrevo, para termos uma melhor perceção deste grande conflito entre os dois países:

UE pede a Rússia "medidas genuínas" de desescalada e aprova ajuda financeira a Ucrânia
De  Euronews

Na União Europeia, ainda não se respira totalmente de alívio. Apesar de esta terça-feira a Rússia ter desmobilizado da fronteira com a Ucrânia milhares de soldados, os Estados-membros ainda não estão convencidos de uma desescalada, sobretudo quando, um dia depois, o Kremlin foi acusado pelos Estados Unidos da América de adicionar sete mil militares às tropas que permaneceram no local. 

A Moscovo, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, pede "medidas genuínas" de que não tenciona invadir o país vizinho.

"Nos últimos dois dias, a Rússia sinalizou que pode estar aberta à diplomacia, e instamos a Rússia a tomar medidas concretas e tangíveis para a desescalada, porque esta é a condição para um diálogo político sincero. Não podemos estar eternamente a tentar a diplomacia de um lado, enquanto o outro estiver a reforçar tropas", afirmou Charles Michel, esta quarta-feira, em Estrasburgo. 

Eurodeputados dão luz verde a ajuda financeira à Ucrânia

De forma a garantir estabilidade face à ameaça militar da Rússia, a maioria dos eurodeputados aprovou, esta quarta-feira, um pacote de ajuda de emergência à Ucrânia no valor de 1,2 mil milhões de euros. 

A assistência macrofinanceira a Kiev assume, nas palavras do Parlamento Europeu, em comunicado, a forma de empréstimos a longo prazo em condições "altamente favoráveis".
Guerra sem data

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, responde à possibilidade de uma guerra iminente, que chegou a estar anunciada para esta quarta-feira, com aparente tranquilidade, afirmando, esta quarta-feira que os ucranianos permanecem "calmos", porque a ameaça não é de agora. 

"Não temos medo, seja o que for que esteja previsto, não temos medo de nenhum povo, nenhum inimigo. Não temos medo de quaisquer datas, porque nos vamos defender, tanto a 16 de fevereiro, como a 17 de fevereiro, ou em março, abril, setembro, ou dezembro. Não importa nem o dia, nem o mês", afirmou Zelenskyy, numa declaração dirigida às tropas nacionais.

Já a Bielorrússia avança com uma data concreta. Minsk garante a saída de todos os soldados russos em manobras militares no território a 20 de fevereiro, dia previsto para a conclusão dos exercícios conjuntos entre os dois países.

imagem in YouTube.com

domingo, 26 de setembro de 2021

Hoje, os alemães vão a votos. É o fim da "era Merkel"

imagem in forbes.com
(Angela Merkel)



Eleições: Alemães escolhem hoje destino político do país

Os alemães vão hoje a votos para escolher a constituição do vigésimo Bundestag (Parlamento Federal) do pós-guerra, depois de 16 anos de governação de Angela Merkel.

As urnas abrem, em todo o país, às 8:00 da manhã e encerram às 18:00 (horas de Berlim), com cerca de 60,4 milhões a serem chamados a votar, menos que nas eleições de 2017.

Ainda assim, estima-se que, especialmente por causa da pandemia de covid-19, mais de metade dos eleitores já tenha optado pelo voto por correio, inclusive a chanceler Angela Merkel. Se os números se confirmarem, é um novo recorde.

A Alemanha tem um sistema distrital misto e cada eleitor dispõe de dois votos.

No primeiro, o voto é direto e escolhe-se um candidato do distrito e é escolhido quem conseguir mais votos, sendo que cada partido tem direito a um nome por distrito ou zona eleitoral.

No segundo voto, a decisão recai num partido e o eleitor escolhe uma lista com candidatos definida por uma das forças políticas aptas a concorrer no seu estado federal. Este segundo voto determina o tamanho das bancadas no Parlamento alemão.

Isto é, se um partido tiver elegido, no primeiro voto, mais representantes do que teria direito pelo segundo voto, o número total de deputados do parlamento é aumentado até que a proporcionalidade seja alcançada.

O número mínimo de deputados equivale ao dobro do número de distritos, ou seja 598.

O atual parlamento tem 709 deputados. Para que um partido tenha uma bancada, necessita de obter, no mínimo 5% dos votos válidos no segundo voto, ou eleger pelo menos três deputados no primeiro voto, mas nenhum deputado, eleito diretamente, fica de fora, caso o partido não tenha chegado aos 5%.

São sete os partidos com representação no Bundestag: a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU), que partilham a mesma bancada, o Partido Social Democrata alemão (SPD), os Verdes, a Esquerda, o Partido Liberal Democrático (FDP) e a Alternativa para a Alemanha (AfD), pertencendo 10 cadeiras do parlamento a deputados sem partido.

O chanceler é escolhido por votação indireta, isto é, os nomes indicados pelos partidos servem apenas para dizer que, caso vençam, aquele será o escolhido.

Nos principais partidos, Olaf Scholz, atual vice-chanceler e ministro das Finanças, é o candidato pelo SPD. Armin Laschet, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestefália, é o candidato da CDU. Os Verdes escolheram um nome pela primeira vez, a co-líder Annalena Baerbock.

Scholz foi o primeiro a apresentar-se como candidato, e, nesta altura, lidera as sondagens, mas de acordo com os vários estudos divulgados, nenhum partido deverá conseguir a maioria necessária para governo, sendo necessária uma coligação.

Entre algumas das formações possíveis estão as coligações "Semáforo" (Ampelkoalition), com o SPD, Verdes e Liberais, "Jamaica", com a CDU, os Verdes e os Liberais, "Quénia", com a CDU/CSU, SPD e Verdes, ou uma coligação de esquerda, com o SPD, Verdes e a Esquerda.

As negociações não têm prazo limite para terminar, sendo, até lá, nomeado um governo de gestão. Vários analistas acreditam que Angela Merkel ainda deverá fazer o habitual discurso de Natal na Alemanha.


(in noticiasaominuto 26/09/2021)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Como terminará o processo do Brexit?

Tenho de confessar que já não entendo nada do que se está a passar com o Brexit.

Quanto mais leio sobre o assunto, mais confusa fico, de tantas voltas o processo já levou...

Por isso, resolvi procurar quem melhor sabe de tudo isso e nos ajude a clarificar um pouco as ideias em relação ao referido tema.

E foi assim que encontrei um artigo esclarecedor na Macroscópio, Observador, a 01.01.2019, por José Manuel Fernandes, Publisher (newsletters@observador.pt) e, com a devida vénia, assim o vou transcrever: 

"A sensação de caminhar para o abismo. Será que pararemos a tempo?"

Boa noite!


Confesso a minha crescente perplexidade: quando mais leio sobre os desenvolvimentos do Brexit mais dificuldade tenho em perceber como poderá terminar o processo. Depois do chumbo do acordo conseguido por Theresa May no Parlamento britânico, a primeira-ministra conseguiu vencer uma votação que lhe dava poderes para regressar a Bruxelas e renegociar as condições da saída do Reino Unido. Ainda os deputados de Westminster não tinham voltado a sentar-se nos seus lugares e já lhe diziam que, no que tocava à União Europeia, nem uma vírgula mudaria no que tinha sido acordado. Entretanto estamos a menos de dois meses da data de saída do Reino Unido, 29 de Março. Quem tem margem de manobra? E quem está a fazer bluff? Ou será que, como noutros momentos, todos caminham como sonâmbulos para uma saída sem acordo que todos dizem não desejar e que muitos anunciam apocalíptica?

Primeiro que tudo, o que é que se passou no Parlamento britânico? O que é que se retira de um conjunto de votações que, nalguns casos, parecem anular-se mutuamente? Cátia Bruno tentou explicar o melhor possível tudo isso no especial do Observador O Reino Unido quer negociar o Brexit outra vez. Até quando é que o relógio vai continuar a contar?, fazendo-o com a ajuda de Simon Usherwood, um professor da Universidade de Surrey que estuda o euroceticismo britânico há anos e que resumiu assim o que aconteceu nos Comuns: “As divisões no Parlamento são tantas que a prioridade agora é encontrar uma posição que consiga união em vez de ser encontrar uma posição que a UE aceite.” Acontece porém que, até ao final de Março, os britânicos têm de se decidir: “aceitarão o acordo que está em cima da mesa, preferirão antes voltar atrás e sair sem acordo ou aceitarão o adiamento do Artigo 50 que agora recusaram? “Seguindo a lógica, uma destas três coisas terá de acontecer até 29 de março”, relembra Simon Usherwood. “Cada uma delas parece improvável neste momento, mas uma delas vai ter de acontecer.” Ou, como dizia o filme, alguém tem de ceder.”
Mas quem é que vai ceder? Ontem, no londrino The Times, escrevia-se que a chanceler alemã não quer ser a primeira a dar sinais de fraqueza e que prefere mesmo ir até à beira do abismo. Em Merkel will push Britain to the brink in Brexit showdown with May escrevia-se mesmo que “Angela Merkel will “go to the edge of the precipice” with Theresa May as the European Union prepares to reject any change to the withdrawal agreement in time for a crucial vote in two weeks. Diplomatic sources said the German chancellor believed that people needed “to look into the abyss before a deal is done at five to midnight — that is how she works”. The next summit at which European leaders could agree any changes to the agreement or an extension to the negotiating period to avoid no deal is on March 21, only eight days before Britain is due to leave the EU.”
Sabemos que foi assim que Merkel fez com a Grécia, por exemplo, mas o Reino Unido não é a Grécia, e um dos temas de debate dos últimos dias nas televisões e nos jornais é até que ponto são os britânicos resilientes. O Financial Times, em Myths about resilient Brits, defendeu a ideia de que não terão assim tanta resistência a coisas tão simples como a falta de legumes frescos nas prateleiras dos supermercados, pelo menos de acordo com a experiência da polícia. Contudo esse mesmo artigo citada quem entusiasticamente sustentasse o contrário. Dois exemplos:

  • On BBC Question Time from Lincoln last night, an audience member said: “In this country we are resilient, we are going to find a way around these problems, it is going to take a little bit of time, there will be some disruption, but we have got companies and corporations who have already found ways not to pay taxes in this country, are you telling me they are not going to find a way to get a few lettuce from Spain to England?” As Jack Blanchard notes in Politico Playbook, this was met with enthusiastic audience applause.
  • Charles Moore, the journalist and biographer, takes a similarly optimistic view in the current Spectator about how the British would cope. He writes that in his part of the south coast “we have a centuries-old tradition of smuggling (‘brandy for the parson, baccy for the clerk’), and are ready to set out in our little ships to Dunkirk or wherever and bring back luscious black-market lettuces and French beans, oranges and lemons.” 

Mas se no Reino Unido se debatem abertamente as dificuldades por que o país passará no caso de não haver acordo e a saída da UE for abrupta – o famoso “Hard Brexit” –, na maior parte dos restantes países da União não existe consciência de que podem vir aí dias difíceis. Essa é uma das razões que levam Teresa de Sousa a defender, no Público, que os parceiros europeus e a comissão têm de mudar de atitude em relação às negociações com o Reino Unido. Em Quebrar a lógica do braço-de-ferro no "Brexit"recapitula a estratégia seguida até agora para concluir que “Os 27 não querem uma saída sem acordo, porque as consequências económicas e sociais seriam muito pesadas. Mas, mais do isso, muitos governos europeus podem não ver qualquer vantagem de dar de si próprios aos eleitores uma imagem de intransigência, quando se aproximam eleições europeias em que muita coisa está em causa para o futuro da Europa, e não pelas melhores razões. Seria dar argumentos aos movimentos nacionalistas antieuropeus que gostariam de fazer do “Brexit” um exemplo para mostrar até que ponto existe uma “ditadura” de Bruxelas que não admite aos seus povos o direito de escolher onde querem ou não querem estar.”
Mas parece que na Alemanha também há quem defenda ideias semelhantes, como nos relatava ontem no Telegraph Ambrose Evans-Pritchard em German anger builds over dangerous handling of Brexit by EU ideologues: “A group of top German economists has told the EU to tear up the Irish backstop and ditch its ideological demands in Brexit talks, calling instead for a flexible Europe of concentric circles that preserves friendly ties with the UK. Brussels must “abandon its indivisibility dogma” on the EU’s four freedoms and come up with a creative formula or risk a disastrous showdown with London that could all too easily spin out of control.” Fui até ao site do Instituto que de onde saíram essas opiniões, e apesar de não as encontrar muito desenvolvidas confirmei que Clemens Fuest, presidente do CESifo Group, considera que New Negotiations Needed to Avoid Hard Brexit. Na pequena notícia também se referia que “Ifo trade expert Gabriel Felbermayr understands the rejection of the Brexit deal by the House of Commons. "British MPs' rejection of the separation agreement is perfectly understandable because it would downgrade Britain to the status of a trade colony. It would not stand to gain trade autonomy and its territorial integrity would be called into question," notes Felbermayr.”
Não se esperaria de um alemão a avaliação de as imposições europeias correspondem a uma humilhação para o Reino Unido, mas trata-se de uma linha de argumentação que vem ao encontro daquela que Daniel Hannan, um defensor do Brexit de longa data, sustenta num artigo publicado no site Conservative House, What is driving this chaos? I’ll tell you. The EU is determined to punish us. O texto dá vários exemplos de como as negociações podiam ter corrido de outra forma, para concluir: “Sadly, our negotiators never faced up to the fact that Brussels did not want a mutually beneficial deal. Eurocrats could hardly have been clearer. Theresa May kept saying she wanted the EU to succeed; her EU counterparts kept responding that they wanted Brexit to fail. And yet, absurdly, we pursued a strategy of being nice in the hope that our goodwill might be reciprocated. We agreed to the EU’s sequencing, we wrote a cheque with no trade deal in return, we accepted non-voting membership (the “implementation period”, though no one now pretends there will be anything to implement), we swallowed the backstop. In each case, the EU pocketed the concession without softening.”


Um contraponto radical a este artigo é o comentário de Philip Stephens no Financial Times, um texto onde critica a estratégia seguida desde a primeira hora por Theresa May e sustenta que esta, ao abandonar agora o acordo a que chegou com a União Europeia, deve ser por sua vez abandonado pela União Europeia. Em The EU cannot rescue Britain from Brexit chaos defende-se que “May’s government has shown it is not to be counted on any longer as a trusted partner” e que isso acontece também porque “Britain’s European partners are neither blind nor stupid. Watching the antics in the House of Commons, they know well that winning a single vote with a slender majority of 16 has not given the prime minister anything resembling a sustainable negotiating mandate. The support of the hardliners will be withdrawn as and when it suits them.”
A posição da The Economist que hoje chegou às bancas fica algures a meio caminho entre estes dois extremos, se bem que seja mais dura para com a confusão britânica do que para com a intransigência europeia. De resto, em How Brussels should respond to Britain’s confused demands, até se defendem algumas das opções do acordo chumbado em Westminster – “The backstop thus exists as a logical consequence of Britain’s own negotiating objectives, not European caprice. By definition, it expires when someone comes up with a way to carry out customs checks with no border infrastructure. Hardline Brexiteers’ calls for the backstop to be time-limited are thus not just unrealistic but nonsensical.” É neste quadro que a sugestão que segue para Bruxelas é relativamente soft: “It is possible to imagine a deal being done, but not in the two months remaining. With more time, Parliament may yet feel its way to a solution. Brexit is a British problem that only Britain can fix. But the eu can give it the time it needs—and it must.”
Entretanto o relógio continua a contar e os dias a passar, sendo que uma das coisas que, a par com a persistente desordem britânica, porventura a outra coisa que mais surpreende é a incompreensão mútua, algo que me parece resultar bem descrito no texto de um americano que vive em Paris, Christopher Caldwell, e que na Spectator escreve que Europe still thinks Britain will come out worse from Brexit, defendendo a tese que “the EU still doesn’t understand the 2016 referendum result”. É curioso o testemunho que dá sobre a forma como o debate público decorre em França, tal como é muito frontal a forma como olha para o significado do Brexit, nos antípodas da forma de pensar dominante nos corredores do poder nas capitais europeias: “What did Britons vote for in 2016? Did they vote to leave the EU? Or did they vote to ask for permission to leave the EU? Obviously the former. If you have the right to negotiate for your sovereignty, you’re sovereign. If you can’t walk away from the negotiating table, you’re not. When the two parties sat down at the table, Britain had already exited the EU. This is an appropriate place to negotiate the best relations possible with allies and partners. But at the end of the day, all sovereignty is no-deal sovereignty. Britain has it. It is now debating whether to surrender it.”


Terminada esta visita a um conjunto de textos que ajudam a pensar, dão informação mas que, julgo eu, não permitem ver como se sairá do actual caos – já que é quase cada cabeça sua sentença – queria terminar este Macroscópio com uma sugestão totalmente diferente: um vídeo do YouTube. Curtinho, mas precioso. Trata-se de What's Happening in Venezuela?: Just the Facts onde a comediante venezuelana Joanna Hausmann explica de forma cristalina (e sentida) o que se passa no seu país. Muito bom.

De resto, desejos de um bom fim de semana, de preferência ao abrigo do mau tempo que por aí anda.

terça-feira, 17 de abril de 2018

"L'amour à Paris" a propósito do centenário de La Lys

in: pt.rfi.fr
Uma notícia "indiscreta" incluída na revista SÁBADO, nº 728, de 12 a 18 de abril último, na qual achei imensa graça às fotos, mas que não consegui obter "em lado nenhum"... (logo, não há como ler a revista citada e ver as fotos)!

"Notre ami Macron:  
o amor em Paris

Centenário de La Lys
Nada como a linguagem gestual para ilustrar o bom momento das relações luso-francesas. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estiveram em Paris com o Presidente francês Emmanuel Macron para o centenário da batalha de La Lys, em que participou o corpo expedicionário Português. A foto de António Costa, de autor desconhecido, fez sucesso nas redes sociais e tem de ser posta no contexto dos cumprimentos à francesa. A de Marcelo é apenas mais uma com a sua habitual expressão "sabe que gosto muito de si".


sábado, 28 de outubro de 2017

Rajoy demite Governo Catalão

in: observador.pt
27 dias depois do referendo, o parlamento catalão declarou independência após votação secreta. Rajoy diz que catalães foram "sequestrados", demite Puigdemont e convoca eleições regionais para dezembro
Puigdemont prepara os primeiros passos de uma nova república, com uma Constituição e parlamento. Rajoy quer decapitar a Generalitat. Restam as ruas, onde ninguém sabe qual dos dois manda.
Não é catalão quem quer, mas quem pode. O setor público transita para o Estado catalão. Há indultos para os independentistas presos e acusados e eleições em abril de 2018.
O Governo português "não reconhece a declaração unilateral de independência" anunciada pela Catalunha. O Governo condena a "quebra da ordem constitucional e o ataque ao Estado de direito em Espanha".

Rajoy escolhe vice-presidente para liderar a Catalunha

O primeiro-ministro espanhol delegou na sua vice-presidente, Soraya Sáenz de Santamaría, a tarefa de liderar politicamente a Catalunha até às próximas eleições autonómicas."

(in: observador.pt)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O que se passa na Europa...


in pt.euronews.com
"FRANÇA
As eleições francesas podem acabar com a Europa

Aparentemente, Angela Merkel terá confessado que está mais preocupada com as eleições francesas do que com o Brexit. Em Portugal andamos todos distraídos com o Trump. Nos dias que correm, os portugueses sempre que olham para lá de Badajoz, só conseguem ver o Trump. Talvez valha a pena terminar com esta Trumpomania e reparar no que se passa na Europa. A curto prazo, será muito mais relevante para o futuro de Portugal.
Até há uma semana atrás, estava relativamente tranquilo com as eleições francesas. Achava muito improvável que Marine Le Pen derrotasse François Fillon numa segunda volta a dois. O candidato republicano parecia ser o próximo Presidente francês. Tudo mudou durante a última semana com o problema do financiamento da mulher e dos filhos de Fillon. Está a assistir-se a um terramoto na política francesa. Fillon foi escolhido, entre os candidatos republicanos, porque parecia ser o mais sério e o menos comprometido com a oligarquia política francesa. Ninguém queria Sarkozy e Alain Juppé é um homem do passado.
O que aconteceu nos últimos dias com Fillon mostra que afinal ele é igual aos outros. A atração de Fillon residia em ser diferente sem ser radical. Era uma espécie de reserva num partido onde as grandes figuras são rejeitadas pela maioria do eleitorado francês. Ora a reserva política caiu com uma rapidez vertiginosa. Neste momento, entre os republicanos, ninguém acredita numa vitória de Fillon. Duvida-se mesmo que consiga manter-se como candidato, o que cria um enorme sarilho ao partido. Da quase certeza de um regresso ao Eliseu, os republicanos poderão ficar sem candidato a pouco mais de dois meses das eleições.
Mas a situação no partido socialista francês não é melhor. O Presidente Hollande nem sequer concorreu às primárias do seu partido. Desde Pompidou, é a primeira vez que um Presidente não se apresenta à reeleição. O antigo primeiro-ministro, Manuel Valls, foi derrotado nas primárias por um jovem antigo ministro que não tem qualquer hipótese de vencer, nem sequer de ir à segunda volta.
Nos últimos meses, assistiu-se em França à queda dos principias políticos dos últimos anos, Sarkozy, Hollande, Juppé, Valls e agora Fillon. Parece que sobram Marine Le Pen e Emmanuel Macron. Desde o início da V República, poderá ser a primeira vez que a segunda volta de umas eleições presidenciais não terá candidatos dos principais partidos políticos. Uma segunda volta entre Le Pen e Macron será entre uma candidata de um partido extremista e um candidato de um movimento político, Em Marcha. Se um deles for eleito Presidente será também a primeira vez, na história da V República, que um inquilino do Eliseu não terá uma bancada parlamentar. Como se governará a França depois de Maio deste ano, ninguém sabe, nem os franceses.
Mas uma coisa parece segura. Se Marine Le Pen for eleita, a França sairá do Euro, o que significará muito provavelmente o fim da moeda única e da União Europeia. Entre ela e o fim da Europa, está um jovem que nunca concorreu a umas eleições, que chegou à política há cinco anos, como assessor de Hollande e que foi banqueiro no Banco Rothschild. O desempenho de Macron numa campanha eleitoral contra uma adversária temível, como Le Pen, é uma incógnita. Mas não deixa de ser profundamente irónico que, depois da grande crise financeira, a esperança na sobrevivência da Europa esteja com um antigo banqueiro, que se confessa liberal. Vinte anos depois de Blair, se Macron vencer, seria o triunfo da terceira via em França. Por mais que concorde com as ideias de Macron, não estou nada tranquilo com a perspectiva de uma segunda volta presidencial entre ele e Marine Le Pen. A última vez que assisti a um confronto entre a economia e a imigração, no referendo britânico, ganhou a segunda. A líder da Frente Nacional nunca esteve tão perto de chegar ao Eliseu e se ganhar será o fim da Europa. Esqueçam, por uns meses, o Trump. Depois da queda de Fillon, a França é que nos interessa."
in: http://observador.pt/opiniao/as-eleicoes-francesas-podem-acabar-com-a-europa/

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Os Migrantes e os Refugiados

in www.jn.pt
O drama a que assistimos com a entrada dos migrantes na Europa é deveras preocupante: desde o início do ano já quase 365 mil migrantes e refugiados atravessaram o Mediterrâneo; e mais de 2700 já morreram, segundo a Organização Internacional para as Migrações!
Só à Grécia, chegaram 245 mil e à Itália 116 mil! (segundo o Digital OJE, O Jornal Económico, 08.09.2015).
Clara Ferreira Alves, num artigo de opinião no Jornal Expresso faz uma análise acutilante da situação e de como a Europa "não agiu" no passado, mas como "reage" agora...

"As lágrimas de crocodilo

E de repente toda a gente se comove. Em quatro anos de guerra, o sofrimento e as mortes na Síria, e no Iraque, não comoveram muitos jornalistas ou espectadores sentados por essa Europa fora. No último inverno, vi crianças ranhosas e friorentas, pés roxos e nus nas neves do Monte Líbano. Vi mulheres sírias e órfãos a prostituírem-se nas ruas de Beirute, vi a superpopulação dos campos de refugiados palestinianos, incapazes de acolherem mais um ser humano por falta de espaço. E vimos as imagens dos corpos despedaçados por barrel bombs, as fomes de Yarmouk, os ataques químicos. Não foi por falta de filmes online, colocados por combatentes, resistentes e sitiados sírios, que deixámos de ver no que a Síria se tornou. Ou o Iraque, onde todos os dias há mortos. O ISIS mobiliza-nos as atenções com a barbaridade do dia, que usa como instrumento de terror e propaganda, e cobre com esta cortina negra o resto do Médio Oriente. O Iraque está a desfazer-se. A Síria já se desfez. O Líbano está por um fio. A Jordânia aguenta-se com esforço. O Egito é um Estado falhado. E a Turquia aproveita para destruir os curdos. Em todos estes conflitos, para não falar do desastre da intervenção na Líbia ou no Iémen, a Europa comportou-se de um modo egoísta e indiferente. Pagou resgates e deixou aos americanos a tarefa de limpar os estábulos de Aúgias. Na verdade, se a invasão do Iraque em 2003 foi um trabalho americano, a Europa foi o parceiro da coligação. Sobretudo o entusiástico Tony Blair, originário de um país que recusa receber mais migrantes, refugiados ou todos os nomes que se vão inventar para os milhões de apátridas e desgraçados que trepam as muralhas e se rasgam nos arames farpados. O horror sírio, ou iraquiano, não motivou uma negociação de fundo, uma cimeira capital, uma mesa-redonda, um diálogo, um princípio. Os americanos decidiram bombardear o ISIS, a Europa não decidiu nada para variar.

De repente, a Alemanha é a campeã dos migrantes e refugiados. O cinismo pessimista tende a ver nestes pronunciamentos mais propaganda do que pragmatismo. A Alemanha sabe que a crise grega a fez ficar mal aos olhos do mundo e tem a oportunidade histórica, a sra. Merkel tem-na, de se reabilitar. E de forçar o resto dos europeus. A Alemanha tem a única liderança forte numa Europa fraca e tem a capacidade industrial para absorver mão de obra barata porque ainda precisa dela.
Há anos que criámos os novos campos de concentração, onde concentrámos os africanos, que vieram antes dos sírios e afegãos e iraquianos, e ninguém se comoveu. Os cadáveres nas praias de Tarifa, os condenados a morrer no deserto, recambiados, não provocaram uma lágrima. A crise destas migrações existe há anos e é preciso perceber que os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegarem aqui. Para trás ficaram os condenados à morte, as vítimas de conflitos que ajudámos a provocar e das “primaveras” árabes que o jornalismo e as correntes sociais promoveram com sentimento. Ninguém se lembra de perguntar aos países ricos do Golfo, irmãos da mesma fé, quantos refugiados sírios receberam. O Qatar? Zero. Os Emirados, sobretudo os ricos Dubai e Abu Dhabi? Zero. A Arábia Saudita? Zero. O Kuwait? O Bahrain? Omã? Zero. E são estes sunitas que atiçam a guerra perante a nossa apatia. E por que razão a Europa e os Estados Unidos não os pressionam sabendo que manipulam a guerra para hegemonias e demonstrações regionais de força? Duas respostas. Venda de armas, um dos grandes negócios ocultos da recomposição dos mapas, e um negócio onde os estados legítimos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, Alemanha, etc., têm fontes prodigiosas de financiamento. A Alemanha e os Estados Unidos bateram recordes de venda de armas no Golfo em 2014. E petróleo, a moeda de troca e o pão nosso de cada dia. Um dia, os drones que o Ocidente vende serão uma arma terrorista.
A situação do Médio Oriente é hoje a mais explosiva e volátil e com mais repercussões de sempre. Composta pela nova guerra fria com a Rússia de Putin. Os imparáveis fluxos migratórios vão forçar e reforçar partidos de extrema-direita, acender racismos, distorcer demografias, criar máfias, alimentar o extremismo e terrorismo islâmicos e as suas subculturas identitárias e criminais, mudar o mapa político da Europa e o espaço Schengen. Não vão apenas criar riqueza e contribuir para a economia europeia, como dizem os académicos. Uma integração séria custará biliões. É, de longe, o problema mais grave da Europa, acumulado com a anemia económica e com a condenação da população jovem a migrar dos países europeus em austeridade. Bater no coração e proclamar o amor ao próximo nada resolve na frente da batalha. É a retaguarda imoral da piedade virtual. " (in expresso.sapo.pt)

terça-feira, 21 de julho de 2015

Será que em 2016 cada português só terá direito a 100 gramas de sardinha?

in observador.pt
Transcrevo este artigo de opinião que nos mostra como a prática da sobrepesca da sardinha, nos poderá afetar nos próximos anos! 

"Sardinexit

Ao arrepio do ditado popular, a sardinha de S. João já não pinga no pão. Queixam-se os foliões das festas populares que a sardinha está magra por essa altura. Ao que parece está a engordar mais tarde, mas é justamente em Junho que o recurso vale mais dinheiro. Agora, o ICES – Conselho Internacional para a Exploração dos Mares emitiu uma recomendação de captura para 2016 de pouco menos de 1600 toneladas de sardinha para a região das águas ibéricas atlânticas e mar cantábrico. Se Portugal ficar com dois terços deste valor, serão 100 gramas de sardinha por cada português naquele ano. Uma tragédia, sem dúvida.
Mas mais trágica ainda é a resposta que se está a preparar. Se entendo as reacções emotivas das organizações do sector, profundamente preocupadas com o seu futuro, repugna-me a resposta imediata dos decisores, que rapidamente vieram dizer que a recomendação é “apenas uma hipótese de trabalho”, “excessiva” e que está “tudo em aberto”. Tenho mesmo vergonha. Ninguém tem a coragem de assumir que este stock de sardinha está há anos a ser sobreexplorado. Põe-se continuamente água na fervura para que a bomba não nos rebente nas mãos. Não vale a pena empurrar mais com a barriga, e apelar à responsabilidade social dos senhores do ICES. É justamente por responsabilidade social que estas recomendações são feitas, pois não há responsabilidade social sem uma gestão sustentável dos recursos naturais.
A New Economics Foundation, um think-tank sediado no Reino Unido, publicou em 2012 um estudo sobre quanto estamos a perder em cada ano por estarmos a permitir a sobrepesca, ou ao contrário, quanto ganharíamos todos se tivéssemos a coragem de parar temporariamente a pesca desses recursos até que recuperassem para uma pesca sustentável. A nossa sardinha consta deste estudo. A um governo responsável competir-lhe-á encontrar soluções de apoio dignas para o sector enquanto está parado, operacionalizando diferentes linhas de financiamento para o efeito, e aproveitando o período de pausa para redimensionar o sector à exploração sustentável do stock depois de recuperado.
Um fecho temporário da pesca, o “sardinexit” do título, dá sardinhas, dá dinheiro à economia a médio-longo prazo, mas infelizmente não dá votos. De facto, não conheço nenhum político que tenha a coragem de o propor, embora sabendo que é esse o caminho e que quanto mais tarde, pior. Resta-nos que o stock entre em colapso e que depois demore muito mais tempo a recuperar, com perdas económicas e sociais muito maiores, que outros políticos terão que gerir como puderem. Triste sina a nossa.
Biólogo (bagoncas@gmail.com)"
in publico.pt