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sexta-feira, 5 de julho de 2024

Homenagem a Fausto - poeta, cantor e compositor português

Fausto

- lembra-me um sonho lindo 
- foi por ela 
- ao longo de um claro rio de água doce 
(letra)



Fausto, nome artístico de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias[1] OL (Oceano Atlântico), registado em Vila Franca das Naves, 26 de novembro de 1948Lisboa, 1 de julho de 2024[2]) foi um compositor e cantor português.

Biografia

Embora nascido a bordo do navio Pátria,[3][4][5] em viagem entre Portugal e Angola, Fausto Bordalo Dias foi registado em Vila Franca das Naves, Trancoso. Foi na antiga província ultramarina portuguesa que formou a sua primeira banda, Os Rebeldes. À musicalidade da sua origem beirã,

assimilou os ritmos africanos.[6]


Aos 20 anos, em Lisboa, onde se instalou a fim de prosseguir os estudos — concluiu a licenciatura em Ciências Políticas e Sociais, no então denominado Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, atual ISCSP.[6]

Em 1969 lançou o primeiro EP, Fausto, com o qual venceu no mesmo ano o Prémio Revelação da Rádio Renascença.[6]

No âmbito do movimento associativo em Lisboa, aproximou-se de nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no exílio.[7]

Em maio de 1974 foi um dos fundadores do GAC, juntamente com José Mário Branco, Afonso Dias e Tino Flores.[6]

Em 1978 colaborou com Sérgio Godinho e José Mário Branco na banda-sonora do filme 

No dia 8 de julho de 1997, em Belém, ofereceu um dos seus mais marcantes concertos, celebrando os 500 anos da partida de Vasco da Gama para a Índia, no mesmo dia em 1497, a convite da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.[9]

Em 2009 juntou-se novamente a Sérgio Godinho e José Mário Branco para o espectáculo Três cantos ao vivo, um evento de grande destaque cultural que resultou no lançamento de um álbum ao vivo.[10][11]

Autor de 12 discos, gravados entre 1970 e 2011 (dez de originais, uma compilação regravada e um disco ao vivo), é presentemente um importante nome da música portuguesa e da música popular em particular. A sua obra tem sido revisitada por nomes como, entre outros, Mafalda Arnauth, Né Ladeiras, Pedro Moutinho, Teresa Salgueiro, Cristina Branco, Marco Oliveira ou Ana Moura.[12][13][7]

O seu último álbum, Em busca das montanhas azuis, foi lançado em 2011 e conta com arranjos musicais de José Mário Branco em quatro faixas.[14]

Em março de 2023 foi realizada uma homenagem de Filipe Sambado, Surma e Primeira-Dama a Fausto, na segunda semifinal da 57ª edição do Festival RTP da Canção. Foram interpretadas as canções "O barco vai de saída", "Como um sonho acordado", "A guerra é a guerra", "O cortejo dos penitentes" e "Lembra-me um sonho lindo".[15][16][17]

Morreu a 1 de julho de 2024, aos 75 anos, em Lisboa, vítima de doença prolongada.[2][18]

Fausto e Amélia Muge, no Chapitô(Lisboa), em 2010

Entre a sua discografia encontram-se:[6]Fausto e Amélia Muge, no Chapitô(Lisboa), em 2010
Álbuns de originais
Fausto (1970)
Singles e EPsFausto (1º EP, 1969)
Guerra do Mirandum (Single, 1984)
ColetâneasO Melhor dos Melhores (1994)
Grande Grande É a Viagem (ao vivo) (1999)
Álbuns em colaboraçãoCantigas De Ida E Volta (1975), em conjunto com Sérgio Godinho, Vitorino e Sheila Charlesworth
Prémios e condecorações1969 — Prémio Revelação, atribuído pela Rádio Renascença [3][6]
1994 — Oficial da Ordem da Liberdade (9 de Junho)[20]
2012 — Melhor Álbum — Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, "Em Busca das Montanhas Azuis"[21]
2012 — Melhor Canção — Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, "E Fomos pela Água do Rio"[21]

Referências

«Lista de associados da Audiogest» (PDF). Actividades Culturais / Ministério da Cultura. 25 de Julho de 2007. Consultado em 3 de Janeiro de 2014. Arquivado do original (PDF) em 24 de dezembro de 2013
Ir para: a b «Morreu Fausto, trovador-mor da canção portuguesa». Jornal de Notícias. 1 de julho de 2024
Ir para: a b Ribeiro, A. J. P. (2017). pareSeres da terra e a música popular portuguesa no Conservatório do Vale do Sousa. Revista Vórtex, 5(3), 1-20.
«Poema da Semana - Fausto Bordalo Dias». cvc.instituto-camoes.pt. Consultado em 1 de julho de 2024
«O fado». O fado. Consultado em 1 de julho de 2024
Ir para: a b c d e f «Fausto (músico)». Infopédia. Consultado em 26 de Novembro de 2013
Ir para: a b «Fausto Bordalo Dias – Meloteca». www.meloteca.com. Consultado em 13 de março de 2023
«A Confederação | Arquivo José Mário Branco». arquivojosemariobranco.fcsh.unl.pt. Consultado em 13 de março de 2023
«Poeta da música - Biografia». fausto.blogtok.com. Consultado em 1 de julho de 2024
«Três Cantos ao vivo | Arquivo José Mário Branco». arquivojosemariobranco.fcsh.unl.pt. Consultado em 13 de março de 2023
«Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto lançam «Três Cantos Ao Vivo»». CNN Portugal. Consultado em 13 de março de 2023
«Fausto Bordalo Dias». centraldeartistas.pt. Consultado em 13 de março de 2023
Monteiro, Ana Cáceres (21 de agosto de 2021). «Fausto Bordalo Dias: O homem que canta o mar nasceu no Oceano Atlântico | O Jornal Económico». jornaleconomico.pt. Consultado em 13 de março de 2023
«Fausto as montanhas azuis do sonho de descobrir mundos». PÚBLICO. Consultado em 13 de março de 2023
«Festival da Canção 2023: todas as canções apuradas para a final». Expresso. Consultado em 13 de março de 2023
«Inês Apenas e Dapunksportif juntam-se a Churky na final do Festival da Canção». Jornal de Leiria. Consultado em 13 de março de 2023
Matias, Bernardo (5 de março de 2023). «Apurados os últimos seis finalistas do Festival da Canção 2023». e-FestivalPT. Consultado em 13 de março de 2023
Lopes, Mário (1 de julho de 2024). «Morreu Fausto Bordalo Dias, o genial alquimista da música portuguesa». PÚBLICO. Consultado em 1 de julho de 2024
«Amadora Prémio José Afonso – Musorbis». www.musorbis.com. Consultado em 13 de março de 2023
«Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Fausto Bordalo Dias". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 15 de abril de 2015
Ir para: a b Coelho, Pedro Miguel (28 de fevereiro de 2012). «Vencedores do Prémio Autores da SPA». Espalha-Factos. Consultado em 1 de julho de 2024
«Fausto Bordalo Dias distinguido com Prémio Carreira pelo Festival Cantar Abril». SAPO Mag. Consultado em 3 de junho de 2018

Pesquisa encontrada em : https://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto_Bordalo_Dias

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Homenagem a Bocage: parabéns, Setúbal, por este grande poeta aí nascido a 15 de setembro!

Bocage: libertinagem em bom português - Domingo - Correio da Manhã
imagem in cmjornal.pt

Bocage

Poeta português

Biografia de Bocage

Por Dilva Frazão  Biblioteconomista e professora 
(in ebiografia.com)

Bocage (1765-1805) foi um importante poeta português do século XVIII, considerado o maior representante do Arcadismo e o precursor do Romantismo. Poeta satírico, erótico e pornográfico, é vítima até hoje de sua própria fama e dos preconceitos que despertou.

Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, às margens do rio Sado, em Portugal, no dia 15 de setembro de 1765. Filho de José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora e ouvidor, e de Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, descendente de família da Normandia, região histórica do noroeste da França.

Em 1783 Bocage alistou-se na Marinha de Guerra, embarcando para a Índia três anos depois, onde foi promovido a tenente e mandado para Damão, desertando logo depois.

Ao fugir da Marinha, viveu em Macau e de lá retornou ao seu país em 1790. No regresso à Lisboa, apaixonou-se pela mulher do seu irmão e entregou-se à boémia. Nessa época, escreveu versos sobre a desilusão amorosa e as dificuldades financeiras.

Bocage e o Arcadismo

Considerado como o grande poeta do Arcadismo de Portugal, apesar de ter deixado fama de poeta satírico, Bocage é um dos maiores poetas líricos da literatura portuguesa.

Com o pseudônimo de Elmano Sadino, participou da associação de poetas denominada “Nova Arcádia” ou Academia das Belas-Artes, que surgiu em Portugal em 1790, escrevendo poesias que falam de pastores, ovelhas e da mitologia clássica.

O próprio nome do movimento faz referência à Arcádia, região da Grécia onde, segundo a mitologia, pastores e pastoras levavam uma vida inocente e feliz, em contato com a natureza. 

A academia publicou algumas poesias sob o título de Almanaque das Musas e teve curta duração, conquistando prestígio somente com a produção de Bocage e de José Agostinho de Macedo. Indispondo-se com o mesmo, ao satirizar os confrades, afastou-se da academia.

Carta a Marília

Em 1797, sobretudo devido ao poema Carta a Marília, cujo verso inicial é “Pavorosa Ilusão de Eternidade”, Bocage recebe ordem de prisão.

Acusado de impiedade e antimonarquismo foi condenado e passou meses na masmorra do Limoeiro, nas da Inquisição, no claustro de São Bento e no convento dos oratorianos, até se conformar com as convenções religiosas e morais da época e se retratar.

Ao voltar à liberdade, Bocage levou uma vida dedicada à tradução de autores latinos e franceses.

Trecho do poema Carta a Marília:

Pavorosa Ilusão de Eternidade,
Terror dos vivos, cárcere dos mortos;
D’almas vãs sonhos vão, chamado inferno;
Sistema de política opressora,
Freio que a mão dos déspotas, dos bonzos
Forjou para a boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arraigas
Nos termos corações, e a paz lhe arrancas:
Dogma funesto, detestável crença,
Que envenena delícias inocentes! (...)

Poeta Lírico

Bocage deixou fama de poeta satírico e, com o tempo seu nome tornou-se sinônimo de contador de histórias picantes e obscenas. Por outro lado, Bocage produziu também os mais belos poemas líricos, a ponto de ser colocado ao lado de Camões e Antero de Quental, como figuras máximas da poesia portuguesa.


Retrato do poeta Bocage


Retrato do poeta Bocage

Ao lado da sátira agressiva, Bocage desenvolveu sua veia amorosa, retratando os seus dramas existenciais numa linguagem emotiva que encontrou grande receptividade entre os leitores daquela época e dos séculos seguintes, tornando-se  o poeta mais lido em Portugal. O ciúme é a tónica de muitos versos, refletindo a sua insegurança em relação ao objeto amado.

Bocage foi pré-romântico no gosto do mórbido, no uso de palavras altissonantes, nos recursos a interjeições, reticências e apóstrofes. Sua poesia individualista e pessoal foi uma antecipação do que seria a poesia romântica do século XIX.

Além de sonetos, Bocage compôs elegias, odes, fábulas e cantatas. Escreveu, também epigramas e sessenta e nove sonetos satíricos, onde a caricatura é a marca fundamental. As melhores composições são: Pavorosa Ilusão da Eternidade e Pena de Talião, dirigida a seu inimigo José Agostinho de Macedo.

Publicou em vida apenas Rimas, (1791-1804) em III volumes. Na edição de VI volumes de 1853, intitulada Poesias, estão as melhores coletâneas de sua obra, como também as traduções de Ovídio e Jacques Delille.

A preocupação com a métrica, com a estruturação do poema e a seleção vocabular colocam os sonetos de Bocage como verdadeiras obras-primas, como no trecho da seguir: 

Convite a Marília:

Já se afastou de nós o inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas vestes:

Varrendo os ares o subtil nordeste
Os toma azuis; as aves de mil cores,
Adejam entre Zéfiros, e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste:

Vem, ó Marília, em lograr comigo,
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!

sábado, 16 de abril de 2022

"Sonetos Românticos", de Natália Correia

Natália de Oliveira Correia foi uma intelectual, poeta e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia.
Nasceu a 13 Setembro 1923 (Fajã de Baixo, S. Miguel, Açores, Portugal)
Morreu em 16 Março 1993 (Lisboa)


imagem in mulherportuguesa.com


Creio nos anjos que andam pelo mundo

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

in https://www.escritas.org


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Para Mia Couto "Sonhar é uma imitação do voo"

"O poema confirma: sonhar é uma imitação do voo.
Só o verso alcança a harmonia que supera os contrários - a condição de sermos terra e a aspiração do eterno etéreo."
Mia Couto

in: www.rtp.pt