O Jornal observador.pt, a 1 de agosto noticia assim a morte da irmã mais nova de Amália Rodrigues:
Morreu a fadista Celeste Rodrigues, irmã mais nova de Amália Rodrigues. Tinha 95 anos e 73 de carreira, uma vida dedicada ao fado. A morte da artista foi confirmada pelo neto, Diogo Varela Silva, ao final da manhã desta quarta-feira. “É com um enorme peso no coração, que vos dou a noticia da partida da minha Celestinha, da nossa Celeste”, anunciou o realizador, responsável por um documentário sobre a artista, “Fado Celeste”, de 2010.
“Hoje deixou uma vida plena do que quis e sonhou, amou muito e foi amada, mas acima de tudo, foi a pedra basilar da nossa família, da minha mãe, da minha tia, dos meus irmãos, sobrinhos e filhos, somos todos orgulhosamente fruto do ser humano extraordinário que ela foi”, escreveu Diogo Varela Silva na sua página do Facebook. “Que a sua humanidade, bondade e maneira de estar bem com a vida, seja um ensinamento, que nós possamos honrar pelas nossas vidas fora.”
Celeste, que começou a cantar profissionalmente aos 22 anos, construiu uma carreira ligada ao fado mais típico, atuando em algumas das mais famosas casas lisboetas, como o Café Latino, o Marialvas, Adega Mesquita, Tipóia e Adega Machado ou a Parreirinha de Alfama. Entre os seus fados mais conhecidos, contam-se temas como “A Lenda das Algas”, o “Fado das Queixas” e, sobretudo, “Olha a Mala”.
“A fadista para quem cantar era uma alegria, inspirou gerações de artistas com o seu talento e dedicação”, afirmou o Ministério da Cultura em comunicado. Deixou “a sua marca e voz associadas ao fado castiço, ao fado de rua e às suas raízes”. Em maio, na celebração dos 73 anos de carreira num concerto no Tivoli BBVA, em Lisboa, Celeste Rodrigues disse estar “muito contente por os mais novos”, para quem era uma inspiração, “pegarem” nos fados que cantou durante os mais de 70 anos de carreira. Até Madonna se rendeu ao talento da fadista, a quem chamava uma “lenda viva. As duas cantoras chegaram a gravar um dueto, que a cantora norte-americana partilhou no Instagram.
Cuca Roseta é uma das vozes da nova geração do Fado. O seu primeiro disco, lançado em 2011, foi produzido por Gustavo Santaolalla (músico e produtor detentor de dois Óscares e mais de 20 Grammys). Posteriormente grava “Raiz” onde se assume como compositora e letrista da maior parte dos temas. O sucesso repete-se e canta em mais de 30 paises de mundo, em todos os continentes.
No terceiro disco volta a surpreender e convida um aclamado produtor brasileiro. A primeira vez que Roseta cantou no Brasil foi durante o Campeonato do Mundo, tendo atuado nas principais cidades, sempre com teatros lotados. Aqui nascia a admiração e o amor do Brasil por esta fadista, que também não passou despercebida a uma pessoa muito especial: Nelson Motta, compositor, jornalista e produtor do Brasil, que sempre lhe dedicou os maiores elogios. Após um encontro em Lisboa, convidou Nelson Motta para produzir o seu mais recente disco. Nelson aceitou, mesmo depois de 10 anos de interregno, pois viu em Roseta um potencial único e um projeto que sempre quis fazer - gravar um disco de world fado - um fado virado para o mundo. Entre o Rio e Lisboa, juntou-se o talento e a voz de Roseta à sábia mestria de Nelson Motta. O disco, de nome “Riû”, junta vários universos musicais que influenciaram o fado e figuras incontornáveis da música mundial como Bryan Adams, Djavan, Ivan Lins, Jorge Drexler entre muitos outros. A fadista multiplica as suas participações e concertos pelo mundo inteiro. No ano de 2015 a fadista cantou em mais de 120 concertos, em Portugal e no estrangeiro.
Foi com um “e viva Portugal!”, que Carlos do Carmo terminou o discurso de agradecimento na cerimónia de entrega do Grammy Latino de Carreira, que decorreu esta quarta-feira, no Hollywood MGM Theatre, em Las Vegas, nos Estados Unidos, antecedendo a entrega anual dos Grammy Latinos amanhã, quinta-feira.
Antes já tinha repartido o prémio “com o povo da minha terra, com todos os portugueses, que me querem tão bem e a quem eu quero tão bem.”
De voz e semblante grave, mas seguro, sem recurso a nenhum papel, Carlos do Carmo discursou durante vários minutos sobre fado, Lisboa, Portugal e o seu já longo percurso artístico. Começou por pedir desculpa, em castelhano, por ir falar em português, antes de agradecer ao presidente e jurados do prémio, dizendo-se “muito surpreendido” pela entrega “inesperada” do mesmo.
“Gostava de vos dizer que sou português, um país muito antigo, com características muito particulares e com um povo para o qual dá muito prazer cantar”, disse inicialmente, reforçando que não teria sido possível fazer toda uma carreira, se não tivesse tido o apoio do povo.
Depois tratou de falar do fado, referindo que não é a única canção popular de Portugal – “que tem uma música popular muito boa, mas mal conhecida”, afirmou –, mas é talvez aquela que mais prevalece “por motivos históricos”.
“É uma canção de paixão”, definiu. “Não é possível cantar o fado sem uma profunda paixão. Sem uma profunda dávida do coração. Fala do amor. Da tristeza. Dos sentimentos. Da vida.”
Quando foi apresentado, o cantor viu enaltecido o seu papel difusor, levando o fado a muitas partes do mundo (“aplaudido tanto em França como em Nova Iorque, em Lisboa como no Rio de Janeiro”), e recordados o seu timbre vocal, a presença cénica e a paixão pela sua arte.
“Não é apenas um grande artista, é um ícone da música portuguesa”, ouviu-se no Hollywood MGM Theatre, não sendo também esquecido o papel na candidatura do fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade (a canção foi classificada em 2011 pela UNESCO).
A meio do seu discurso, Carlos do Carmo não esqueceu "os grandes poetas portugueses”, “os excelentes compositores” e “os músicos que [o] têm acompanhado ao longo dos anos”, apresentando-os como nucleares na sua carreira. “Estou-lhes muito grato. Foi possível com esta gente pensar o fado, reflectir o fado, estudar o fado. Aprender coisas novas.”
E, quase no final, deixou duas recomendações para a assistência: “Visitem o Museu do Fado em Lisboa. E visitem Lisboa, porque é das cidades mais bonitas da Europa", acabando também por nomear o Porto e outras cidades portuguesas como de visita obrigatória, mas com um lugar especial para a sua cidade – “Lisboa tem a luz mais bonita e a canção mais bonita”.
Antes de repartir o prémio com os portugueses, Carlos do Carmo não esqueceu a família, agradecendo aos avós, ao pai e à mãe (“uma das maiores fadistas”, recordou), à mulher, aos filhos e aos quatro netos.
A entrega do prémio deu-se pelas 18h45, tendo o fadista português sido o primeiro a subir ao palco para receber o Grammy de Carreira. Além de Carlos do Carmo, receberam igualmente o mesmo galardão, por “excelência musical", o brasileiro Ney Matogrosso, os mexicanos, a habitar nos Estados Unidos, Los Lobos, o cubano Willy Chirino, o mexicano César Costa, os espanhóis Duo Dinâmico e a argentina Valeria Lynch.
Na mesma cerimónia, receberam o Prémio do Conselho Directivo da Latin Academy of Recording Arts and Sciences os músicos André Midani, da Síria, e Juan Vicente Torrealba, da Venezuela, que foram os dois primeiros agraciados.
O Board of Trustees da Latin Academy of Recording Arts and Sciences decidiu, por unanimidade, atribuir a Carlos do Carmo o Lifetime Achievement Award, galardão “que distingue a obra das grandes referências do panorama musical internacional, no universo latino”.
O cantor, com uma carreira de 51 anos, e filho de outro grande nome do fado, Lucília do Carmo, torna-se assim o primeiro artista português a receber o prémio de carreira (a soprano Elisabete Matos foi distinguida no universo da música clássica, nos primeiros Grammy Latinos, em 2000).
A cerimónia anual de entrega dos Grammy Latinos, nas diferentes categorias, realiza-se esta quinta-feira, a partir das 20h locais (5h de sexta-feira, na hora portuguesa). in http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/"