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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Elevador da Glória - Um símbolo eterno da nossa capital afetado pela tragédia

Elevador Da Glória - O que saber antes de ir (ATUALIZADO 2025)
imagem obtida em tripadvisor.pt

O Acidente do Elevador da Glória foi um acidente ocorrido com o Elevador da Glória a 3 de setembro de 2025, na Calçada da Glória, em Lisboa, Portugal. A quebra do cabo estrutural do elevador terá causado a queda livre e descarrilamento do carro n.º 1, e a morte de 16 pessoas, e ferimentos em outras 23.

O Elevador da Glória é um funicular construído na Calçada da Glória sob projeto do engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard.[4] Foi inaugurado a 24 de outubro de 1885, constituindo-se no segundo do género implantado na cidade por iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa.[5] Desde setembro de 1915 que é movido a eletricidade.[6] Em 1926 foi finalmente integrado na Carris após a absorção da NCAML em 1913.[7] nesta e foi completamente remodelado em 1944.[6] Tem como principal função permitir a ligação entre a Praça dos Restauradores e o Bairro Alto, percorrendo 275 metros ao longo de uma via bastante íngreme, percurso esse que efetua em pouco mais de três minutos.[8][9][10]

Este elevador é um dos principais pontos turísticos da capital portuguesa,[11] sendo utilizado anualmente por cerca de três milhões de pessoas.[12]

A 7 de maio de 2018, uma falha de manutenção grave causou o descarrilamento de um dos carros, embora sem que o mesmo tombasse e sem causar quaisquer vítimas. O elevador ficou inoperacional durante um mês.[13][14]

A manutenção dos elevadores de Lisboa está externalizada desde 2011. O último concurso público para a manutenção foi aberto em 2022, ao qual concorreram quatro empresas, após o qual a Carris assinou um contrato com a empresa MAIN - Maintenance Engineering​, no valor de um milhão de euros, englobando os elevadores da Bica, Lavra e Santa Justa. Segundo o sindicato dos trabalhadores da Carris, os funcionários da empresa reportaram por várias vezes um deficiente trabalho de manutenção por parte desta empresa.[15] O elevador esteve em manutenção entre 26 de agosto e 30 de setembro de 2024, sendo esta a sua última manutenção antes do acidente.[13]

Ao contrário de outros transportes por cabo no país, o Elevador da Glória, como também o do Lavra, nunca foram supervisionados pela Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária, que funciona no âmbito do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.[16]

Antecedentes

O Elevador da Glória é um funicular construído na Calçada da Glória sob projeto do engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard.[4] Foi inaugurado a 24 de outubro de 1885, constituindo-se no segundo do género implantado na cidade por iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa.[5] Desde setembro de 1915 que é movido a eletricidade.[6] Em 1926 foi finalmente integrado na Carris após a absorção da NCAML em 1913.[7] nesta e foi completamente remodelado em 1944.[6] Tem como principal função permitir a ligação entre a Praça dos Restauradores e o Bairro Alto, percorrendo 275 metros ao longo de uma via bastante íngreme, percurso esse que efetua em pouco mais de três minutos.[8][9][10]

Este elevador é um dos principais pontos turísticos da capital portuguesa,[11] sendo utilizado anualmente por cerca de três milhões de pessoas.[12]

A 7 de maio de 2018, uma falha de manutenção grave causou o descarrilamento de um dos carros, embora sem que o mesmo tombasse e sem causar quaisquer vítimas. O elevador ficou inoperacional durante um mês.[13][14]

A manutenção dos elevadores de Lisboa está externalizada desde 2011. O último concurso público para a manutenção foi aberto em 2022, ao qual concorreram quatro empresas, após o qual a Carris assinou um contrato com a empresa MAIN - Maintenance Engineering​, no valor de um milhão de euros, englobando os elevadores da Bica, Lavra e Santa Justa. Segundo o sindicato dos trabalhadores da Carris, os funcionários da empresa reportaram por várias vezes um deficiente trabalho de manutenção por parte desta empresa.[15] O elevador esteve em manutenção entre 26 de agosto e 30 de setembro de 2024, sendo esta a sua última manutenção antes do acidente.[13]

Ao contrário de outros transportes por cabo no país, o Elevador da Glória, como também o do Lavra, nunca foram supervisionados pela Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária, que funciona no âmbito do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.[16]

(imagem em pt.wikipedia.org)
Teatro de operações na Praça dos Restauradores após o acidente

Acidente


A 3 de setembro de 2025, pelas 18:00, ambas as cabinas nº1 e nº2 estavam estacionados respetivamente no Jardim de São Pedro de Alcântara e na Praça dos Restauradores, recebendo passageiros, não estando determinado qual era o número de passageiros que viajavam em cada cabina. Pelas 18:03, ambas as cabinas iniciam viagem (para sentido descendente e ascendente, respetivamente). Instantes após o início da marcha e não percorrendo mais de cerca de seis metros, os carros subitamente perdem a força de equilíbrio garantida pelo cabo de ligação que as une, já que o cabo da estrutura do elevador, que assegurava também a sua segurança, soltou-se. A cabina nº2, que começava a subir da posição inferior junto à Praça dos Restauradores, descaiu cerca de dez metros, ficando preso pelo gradil no limite inferior do carril, sem descarrilar. Já a cabina nº1, que começava a descer da posição superior junto ao Jardim de São Pedro de Alcântara, começou a descer a calçada da Glória desgovernada em grande velocidade até, por volta das 18:04, descarrilar e embater no edifício localizado no cotovelo da calçada da Glória.[19][20] O alerta para o acidente foi dado às 18:08.[15][21] Para o local foram enviados meios do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, do INEM, de Bombeiros Voluntários de vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, da Polícia Municipal de Lisboa, da Polícia de Segurança Pública e do Serviço Municipal de Proteção Civil.[22]

O acidente causou no imediato 15 mortos e 23 feridos, dos quais dez em estado grave, tendo um destes acabado por falecer na madrugada do dia seguinte no Hospital de São José, entre ocupantes da carruagem e transeuntes que circulavam na calçada da Glória.[23][24][25][13][26][18] Os feridos foram transportados para os hospitais da região de Lisboa, designadamente para o Hospital de São José, Hospital de Santa Maria, Hospital de São Francisco Xavier, e ainda para o Hospital Fernando Fonseca e para o Hospital de Cascais.[27]

Um dos mortos era o guarda-freio da carruagem, André Marques. As outras quatro vítimas mortais portuguesas eram funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.[28] De uma família de turistas alemães que se encontrava a bordo, uma criança de três anos sobreviveu com ferimentos leves encontrando-se os pais internados em estado grave.[29] Entre os treze feridos ligeiros estão dois de nacionalidade espanhola, uma mulher italiana que sofreu uma fratura no braço, entre outros de nacionalidade portuguesa, canadiana, americana, ucraniana, brasileira, australiana, israelita e francesa.[17][30] Segundo informações das autoridades de saúde, nomeadamente Álvaro Almeida, diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, todos os feridos considerados ligeiros já teriam tido alta hospitalar no final da tarde do dia 4 de setembro de 2025.[31]

Este acabou por ser o pior acidente ferroviário em território nacional desde o desastre em Póvoa de Santa Iria em 1986, que vitimou 17 pessoas,[32] e um dos piores desde Moimenta-Alcafache em 1985, considerado o pior acidente ferroviário nacional.[33]

FONTE: pt.wikipedia.org

(Mais informação e explicação das notas numeradas em:
Acidente do Elevador da Glória - Wikipedia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org)

*** Presto aqui a minha grande homenagem às vítimas e familiares deste grande acidente.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Maria Teresa Horta, grande romancista, poeta e escritora "partiu" de entre nós - A minha homenagem


(imagem em infopedia, Porto Editora)

Maria Teresa Horta

Presto aqui a minha homenagem a esta grande romancista, jornalista feminista e contadora de histórias, que sempre soube lutar pelas suas causas!

Concordo com o jornal observador.pt quando este escreve: A escrita de Maria Teresa Horta não foi resistência, foi avanço !

Primeira pesquisa:  www.infopedia.pt

Ficcionista, dramaturga, poeta e jornalista de profissão, Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros nasceu a 20 de maio de 1937 em Lisboa, e morreu a 4 de fevereiro de 2025, com 87 anos. 

Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, foi dirigente do ABC Cine-Clube e militante ativa nos movimentos de emancipação feminina, pertenceu à redação do jornal A Capital, dirigiu a revista Mulheres e dedicou-se ao movimento cineclubista português. 

Teresa Horta, escritora com obras publicadas nos campos da poesia, da prosa e do teatro

Com a colaboração, ao lado de Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, nas Novas Cartas Portuguesas, obra reprimida pela censura e largamente difundida a nível internacional, o seu nome como autora ficou celebrizado dentro de um registo de exaltação do corpo, de libertação feminina e de denúncia das hipocrisias e repressões do mundo social.

Como prosadora, inscreve-se numa tendência para a narração pluridiscursiva e desarticulada, impondo ao leitor, através dos vários registos estilísticos (discurso poético, epistolar, memorial, narrativo), a reconstituição de uma intriga que importa menos do que o teor excessivo da linguagem que a veicula ou que a indagação sobre a condição feminina em que cabe também a atualização do tema da paixão avassaladora, como no romance Constança H.

Ligada à coletânea Poesia 61, onde participou com Tatuagem, para António Ramos Rosa, "Cada poema seu é um ato de desnudação que põe em causa as convenções da vida social e está para além das barreiras protetoras da dignidade e do pudor. (...)
Contra a pobreza do mundo social, contra uma realidade ressequida e descarnada, a poeta realiza a transmutação vital que é uma verdadeira transformação orgânica e física do corpo humano (...). Seja direta, seja metafórica, a sua linguagem tem a ardência vital do corpo e a sua violência sensual é, em toda a sua irracionalidade, libertadora e subversiva." (Incisões Oblíquas, 1987, p. 126). 

REFERÊNCIA:
Porto Editora – Maria Teresa Horta na Infopédia [em linha]. 
Porto: Porto Editora. [consult. 2025-02-05 18:33:51]. 
Disponível em https://www.infopedia.pt/$maria-teresa-horta


Segunda pesquisa:  pt.wikipedia.org

Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros[1] GOIH • GOL(Lisboa, 20 de maio de 1937 — Lisboa, 4 de fevereiro de 2025)[2] foi uma escritora, jornalista, activista e poetisa portuguesa. 

Foi uma das autoras do livro Novas Cartas Portuguesas, pelo qual foi processada e julgada em 1972, ao lado de Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa.[3]

Biografia

Nasceu em Lisboa, no dia 20 de Maio de 1937. É filha de Jorge Augusto da Silva Horta, 5.º Bastonário da Ordem dos Médicos(1956-1961), e de sua primeira mulher D. Carlota Maria Mascarenhas - a qual era neta paterna, por bastardia, do 9.º Marquês de Fronteira, 10.º Conde da Torre de juro e herdade, Representante do Título de Conde de Coculim, 7.º Marquês de Alorna de juro e herdade e 11.º Conde de Assumar de juro e herdade, ele próprio também filho natural - é oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, contando entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.[4]

Foi casada, em segundas núpcias, com o jornalista Luís de Barros, de quem tem um único filho, Luís Jorge Horta de Barros (4 de Abril de 1965), casado com Maria Antónia Martins Peças Pereira, com dois filhos, Tiago e Bernardo Barros.[5]

Em 2024, foi editado o livro "A Desobediente", biografia escrita por Patrícia Reis.[6][7]

Faleceu na manhã de 4 de fevereiro de 2025, em Lisboa, aos 87 anos.[8][9]

Percurso


Foi dirigente do ABC Cine-Clube.

Fez parte do Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, as Três Marias. Em conjunto lançaram o livro Novas Cartas Portuguesas, que na época teve um forte impacto e gerou contestação.[3][4]

Maria Teresa Horta também fez parte do grupo Poesia 61.[3]

Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, entre outros. Na Capital liderou o suplemento Literatura e Arte, por onde passaram nomes como Natália Correia, Maria Isabel Barreno, Ary dos Santos, José Saramago, António Gedeão, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, entre outros grandes nomes da literatura portuguesa.[10]

Foi também chefe de redacção da revista Mulheres, a convite do Partido Comunista Português,[11] da qual foi militante durante 14 anos[12] entre 1975 e 1989, quando se dá o fim da União Soviética.[13]Esta revista, um projecto pessoal de Maria Teresa Horta, consistiu num projecto feminista, de forte cunho essencialista. Permitiu-lhe entrevistar mulheres de relevo da política, da cultura e da literatura, entre elas: Maria de Lourdes Pintasilgo, Marguerite Yourcenar, Marguerite Duras, Maria Bethânia.[3][10]

Prémios e Reconhecimento

Foi galardoada com o Prémio D. Dinis 2011 da Fundação Casa de Mateus pela sua obra "As Luzes de Leonor", o qual aceitou, embora se recusasse a recebê-lo das mãos do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, ao qual cabia entregá-lo, alegando que este está "a destruir o país".[14][15][16] Nesse ano ganha ainda o Prémio Máxima de Literatura, pela mesma obra.[17]

Em 2014, recebeu o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.[18]

Em 2017, recusou receber o 4º Prémio Oceanos (Literatura em Língua Portuguesa), atribuído anualmente pelo Itaú Cultural no Brasil. A sua recusa deve-se ao facto de o ter de partilhar com o autor Bernardo Carvalho e por achar que a sua obra e os seus leitores mereciam mais respeito.[19][20]

O seu livro "Anunciações" (com o qual concorrera ao Prémio Oceanos) ganha o Prémio Autores de 2017 na categoria Melhor Livro de Poesia. [21]


Visão | Maria Teresa Horta: A história da desobediente militante e  desassossegada contadora de histórias
imagem obtida in visao.pt

As Três Marias (ela e Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa) encontram-se entre os 50 autores portugueses seleccionados por António M. Feijó, João R. Figueiredo e Miguel Tamen, professores e ensaístas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, para constar no livro "O Cânone", publicado pela editora Tinta da China em 2020.[22][18]

O Ministério da Cultura português distinguiu-a com a Medalha de Mérito Cultural em 2020.[18]

Em 2021 foi distinguida com o Prémio Literário Casino da Póvoa 2021, no festival de literatura Correntes d'Escritas, pela obra Estranhezas. [23][24] No mesmo ano, foi homenageada no Festival Literário Internacional do Interior, criado em homenagem das vítimas dos incêndios de 2017.[25]

Em 2023, o ISPA distinguiu-a com o título de Doutora Honoris Causa. [26]

Em 2024, é distinguida com o Prémio Liberdade, no âmbito dos Prémios ACTIVA Mulheres Inspiradoras. [27]

Também em 2024, torna-se na primeira mulher a receber o Prémio Rodrigues Sampaio, prémio este atribuído pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. [28]

Ainda em 2024, a BBC colocou-a entre as 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. [29][30]

Condecorações


A 21 de Abril de 2022, foi agraciada com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.[31]

Obras

É autora de vários livros de poesia e ficção:[32]

PoesiaEspelho Inicial (1960)
Tatuagem (1961)
Cidadelas Submersas (1961)
Verão Coincidente (1962)
Amor Habitado (1963)
Candelabro (1964)
Jardim de Inverno (1966)
Cronista Não é Recado (1967)
Minha Senhora de Mim (1967)
Educação Sentimental (1975)
As Mulheres de Abril (1976)
Poesia Completa I e II (1960-1982) (1982)
Os Anjos (1983)
Minha Mãe, Meu Amor (1984)
Rosa Sangrenta (1987)
Antologia Poética (1994)
Destino (1998)
Só de Amor (1999)
Antologia Pessoal - 100 Poemas (2003)
Inquietude (2006)
Les Sorcières - Feiticeiras (2006) edição bilíngue
Cem Poemas + 21 inéditos (2007)
Palavras Secretas (Antologia) (2007)
Poemas do Brasil (2009)
Poesia Reunida (1960-2006) (2009)
As Palavras do Corpo (Antologia de poesia erótica) (2012)
Poemas para Leonor (2012)
Poesis (2017)
Estranhezas (2018)

Ficção Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970)
Novas Cartas Portuguesas (1971) (obra conjunta))
Ana (1974)
O Transfer (1984)
Ema (1984)
A Paixão Segundo Constança H. (1994)
A Mãe na Literatura Portuguesa (1999)
As Luzes de Leonor (2011)
A Dama e o Unicórnio (2013)
Meninas (2014)

REERÊNCIA:   pt.wikipedia.org

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Dia Internacional da Igualdade Salarial - 14 novembro

Dia Internacional da Igualdade Salarial - Notícias - CITE
imagem obtida em cite.gov.pt


Sobre este dia, que ouvi ser assinalado. logo de manhã, pelos meios de comunicação social, resolvi pesquisar este tema, e encontrei no site sicnotícias.pt o que precisava de esclarecer e que partilho:

PAÍS

Dia Nacional da Igualdade Salarial: 
a partir de hoje, e até ao final do ano, mulheres estão a trabalhar de graça

Uma análise do Observatório de Género, Trabalho e Poder conclui que os homens chegam a ganhar mais 18% que as mulheres. Isto significa que os homens recebem, até ao final do mês, mais 238 euros que as mulheres. Os fatores considerados são a idade, o nível de escolaridade e a antiguidade da relação laboral.

“Se és mulher até ao final do ano estás a trabalhar de graça”. É esta a frase que se pode ler numa publicação do Ministério da Juventude e da Modernização nas redes sociais e que serve para assinalar o Dia Nacional da Igualdade salarial. 

A data muda todos os anos e simbolicamente representa a quantidade de dias em que as mulheres deixariam de ser pagas pelo trabalho que fazem, em comparação com os homens, até ao final do ano. 

Uma análise do Observatório de Género, Trabalho e Poder conclui que os homens chegam a ganhar mais 18% que as mulheres. Isto significa que os homens recebem, até ao final do mês, mais 238 euros que as mulheres. Os fatores considerados são a idade, o nível de escolaridade e a antiguidade da relação laboral.

A Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego da CGTP explica que à medida que as responsabilidades e qualificações aumentam, a desigualdade salarial fica maior. No caso das mulheres em cargos de topo, chegam a ganhar em média menos 850 euros do que os homens.

Para quem concluiu o Ensino Superior, a diferença chega a atingir os 640 euros.

Os últimos dados disponíveis dizem que em 2022, a diferença entre homens e mulheres em Portugal era de 12,5%. Um número que põe o país 0,2 pontos percentuais abaixo da média da União Europeia e 0,7 da zona Euro.

REFERÊNCIA: pesquisei em sicnoticias.pt (14 nov.2024)

Autores:


Francisca Carrapatoso


e

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Jorge Gabriel - 30 anos de carreira!

Jorge Gabriel – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem in pt.wikipedia.org


PARABÉNS, Jorge Gabriel! 

E que nos continue a aparecer sempre na PRAÇA DA ALEGRIA!

Um programa português para portugueses! 

Nunca nos falte, por favor!

Partilho neste post o POSTAL DO DIA de Luís Osório in tsf.pt de 14.12.2022


As razões para que Jorge Gabriel continue vivo

Quando comecei a trabalhar como jornalista, o chefe de redação pediu-me para participar numa task-force coordenada pelo grande Fernando Assis Pacheco. A ideia passava por antecipar o que seria o mundo 50 anos depois.

Foi um outro tempo.

Hoje não conseguimos sequer antecipar o que acontecerá daqui a um mês.

Quase tudo se tornou volátil.

A superfície ganhou à profundidade.
O ruído ganhou ao silêncio.
A rapidez ganhou à lentidão.

E os protagonistas passaram a ter uma duração muito mais limitada - na política, na televisão, nas empresas ou nas redações, o tempo do protagonismo diminuiu na maior parte dos casos.

O trabalho deixou de ser para a vida.
E a voragem de novidade passou a limitar a permanência das pessoas nos mesmos lugares - ficamos mais depressa cansados, dependemos de novidades todos os dias.

Quero falar de um homem que nunca foi relevado como mereceria.

Jorge Gabriel prepara-se para comemorar 30 anos de carreira.

Começou por ser jornalista no célebre e polémico "Donos da Bola".

E tornou-se um dos mais fiáveis apresentadores de entretenimento.

Fez as vezes de João Baião no Big Show Sic.

E depois fez o seu caminho em programas com horários e públicos diversos.

Na RTP substituiu Manuel Luís Goucha no Praça da Alegria, já lá vai muito tempo.

O Jorge Gabriel aparece-nos em casa há trinta anos, não são trinta dias.

Conseguiu resistir ao tempo, ao sacrifício do que não é novidade, à queda de todos os que não trabalham para ser mediáticos, à queda dos que permanentemente desejam estar sempre à tona, sempre a piscarem o olho à audiência, sempre a dar entrevistas e a oferecer provas de vida.

O Jorge não é assim.

Aparece todas as manhãs como se fosse da nossa casa.

Tem o talento da invisibilidade visível; ele está, mas não se impõe, respeita-nos no nosso espaço, o seu tom de voz é o certo, não fala baixo e raramente fala alto.

Sorri mesmo quando se ri.

É inteligente no modo como pergunta. Tem uma curiosidade desprendida, não é excessivamente simpático sem nunca ser altivo, distante ou arrogante.

O Jorge Gabriel é um pouco da família.

Um tio que nos visita todos os dias e que quase parece não nos fazer falta até que nos falta. E quando acontece sentimos o vazio.

São estas as razões para que continue vivo quando tantos e tantas morrem mediaticamente.

Celebro hoje esta presença.

De um homem inteligente e culto que soube adaptar as suas ambições àquilo que o tempo pedia - talvez na sua cabeça tenha ficado aquém do que desejava ou do que o seu talento pedia, mas as coisas são o que são e Jorge Gabriel pragmaticamente decidiu fazer o melhor possível de acordo com aquilo que as circunstâncias lhe impunham.

E ao contrário de muitos que ficaram pelo caminho, ele continua.

Tranquilo, profissional, um porto de abrigo.

Parabéns, Jorge.

A Praça da Alegria é a nossa casa.

Mesmo quando não te visitamos durante algum tempo sabemos que estás lá e que nos abrirás a porta como antes.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Onde está João Rendeiro, fundador e antigo presidente do Banco Privado Português?

Este é mais um caso em que não posso deixar de me perguntar: onde está a justiça portuguesa? Como confia tanto em certo tipo de "arguidos" e depois se lê na comunicação social que conseguiram fugir do país? Confiaram demasiado?

Não condeno ninguém, não tenho esse direito como ser humano, as devidas instâncias é que se encarregam disso, mas como cidadã, tenho de sentir que vivo com alguma qualidade de vida e segurança.

Tendo encontrado na Net, numa parte das minhas leituras matinais, um artigo elucidativo sobre a atuação de João Rendeiro, antigo presidente do Banco Privado Português, em que este considera que a justiça portuguesa está ser "injusta" para consigo, (e di-lo sem rodeios no seu blog Arma Crítica), não posso deixar de o partilhar aqui neste meu "post", para que possamos compreender como é possível certos factos terem lugar. 

E volto a questionar-me: mas afinal, em que parte do mundo se encontra este senhor agora? É que li que já conseguiu sair da Europa...!!! Sinto tristeza e sofro por acontecerem casos destes, não tenho nenhum prazer em ver seres humanos nestas situações, mas...a Justiça tem de exercer o seu papel, "corrigindo" os cidadãos.

E assim sendo, qual vai ser a atuação por parte da justiça portuguesa? E com as tecnologias tão desenvolvidas, as polícias internacionais não conseguem localizá-lo? 

É que quem continua lesado por ações de certas "personagens" de destaque ligadas à Banca do nosso país, continua a ver os culpados ficarem quase sempre impunes...claro que não pode ser assim! 

Isso sim, isso é que é tremendamente injusto!


imagem in eco.sapo.pt 




O "APANHA-ME SE PUDERES" DE RENDEIRO

Nos anos 60, nos Estados Unidos da América, o adolescente Frank Abagnale Jr andou a "tourear" as autoridades, numa senda de fraudes e burlas que o levaram a fazer-se passar por professor, médico ou advogado. A sua história, e a da obsessiva perseguição por parte de Carl Hanratty, agente do FBI que anda sempre um passo atrás até conseguir detê-lo, era tão boa que deu um filme, "Apanha-me se puderes", de Steven Spielberg, em 2002, com Leonardo DiCaprio como o jovem vigarista e Tom Hanks como o seu perseguidor. 

Ora a justiça portuguesa está a viver um momento que faz lembrar esse filme, mas claramente numa produção low-cost de série B. João Rendeiro, o fundador e antigo presidente do Banco Privado Português, pôs-se ao fresco apesar de já estar condenado a pena efetiva de prisão. E, lá de longe (de onde, não se sabe), deita a língua de fora aos juízes e avisa que não tenciona voltar. Com um argumento curioso: está a agir em legítima defesa contra uma justiça injusta. "Neste contexto, a minha ausência é ato de legítima defesa contra uma justiça injusta. Assumo a responsabilidade no quadro dos atos bancários que pratiquei, mas não me sujeito, sem resistência, a esta violência", afirma Rendeiro na longa declaração colocada esta madrugada no seu blog, "Arma Crítica".

"Apanha-me se puderes", versão Portugal 2021.

Rendeiro estava já condenado quando saiu do País, em direção a Londres. Para tal, bastou-lhe comunicar esse facto, uma vez que lhe foi aplicada como medida de coação apenas o Termo de Identidade e Residência. Nesse momento, não passou pela cabeça de ninguém agravar essa medida de coação por perigo de fuga. Como contacto às autoridades, Rendeiro deixou uma morada onde aparentemente nunca terá estado. Também não passou pela cabeça de ninguém, já com Rendeiro alegadamente em Londres, alertar as autoridades britânicas para, no mínimo, avisarem as portuguesas se o senhor tentasse comprar um bilhete de avião para qualquer lado que não Portugal. E lá fomos, cantando e rindo.

Mais recentemente, a juíza num dos três processos em que Rendeiro foi condenado obedeceu a uma delícia burocrática: chamou o senhor para estar em Lisboa esta sexta-feira, para lhe alterar a medida de coação, que passaria a ser de prisão efetiva. Estranhamente, o ex-banqueiro não acedeu ao convite para ser preso e, na verdade, até ao momento ainda não foi emitido qualquer mandato de detenção, apesar de um dos processos em que foi condenado ter já transitado em julgado. 

A arte imita a vida que imita a arte. 

A diferença é que Frank Abagnale, apesar de ser um adolescente, era um mestre do disfarce e um temerário. A Rendeiro bastou comprar um bilhete de avião, avisar que ia ali dar um saltinho a Londres a poucos dias de, previsivelmente, começar a cumprir pena de prisão. 

Pensando bem, a justiça portuguesa não está ao nível de Hollywood. Parece mais a famosa guerra do Solnado, a rábula na qual até há um prisioneiro tão teimoso, mas tão teimoso, que não quis ir com os seus empenhados captores.

in VISÃO DO DIA: O "APANHA-ME SE PUDERES" DE JOÃO RENDEIRO
por Tiago Freire  Editor  29/09/2021

terça-feira, 22 de junho de 2021

Organizações ambientalistas dão o alerta para o desperdício diário de milhões de embalagens de bebidas em Portugal

Temos de estar alerta com estes problemas ambientais, pois as consequências nefastas e diretas são para nós.

Cabe a cada cidadão ajudar a melhorar o ambiente à sua volta. Com gestos e atitudes corretos. 

É confrangedor o que vemos em certas zonas do nosso país e em algumas áreas mais circunscritas, como ao redor das nossas casas, nas praias, nas ruas, nos jardins e até nos passeios, quando andamos a pé...


in tsf.pt


Três organizações ambientalistas alertaram hoje para o desperdício diário de quatro milhões de embalagens de bebidas, devido ao atraso do Ministério do Ambiente em regulamentar o sistema de depósito de embalagens com retorno.

A situação prejudica o país e a economia circular, alertaram em comunicado a Sciaena, focada na promoção da melhoria do ambiente marinho, a Zero e a ANP/WWF (Associação Natureza Portugal, que representa em Portugal a internacional World Wide Fund for Nature).

Para sensibilizar para o desperdício de recursos, seja de embalagens de plástico, de vidro ou de metal, as três organizações organizaram na noite de segunda-feira uma projeção pública de imagens de embalagens abandonadas e a contribuir para a poluição, recolhidas em diferentes pontos do país. Às imagens, projetadas na Praça Luís de Camões, em Lisboa, os ambientalistas juntaram a uma faixa com a frase "Sem mais atrasos!".O sistema de depósito com retorno (SDR) para embalagens descartáveis de plástico, vidro, alumínio e metais ferrosos foi aprovado pela Assembleia da República em 2018 e deveria estar operacional no início de 2022 ma as organizações estimam que não deve estar operacional antes de janeiro de 20023.

As organizações lembram a aprovação da lei no final de 2018, por ampla maioria, e explicam, em comunicado, o porquê da preocupação. A lei ainda não foi regulamentada nem "há sinais" de que o vá ser e a legislação europeia exige um período de pelo menos um ano, após a regulamentação, para que entre em vigor.

"Como neste momento já se prevê o atraso de um ano na implementação do SDR, tal irá implicar o desperdício de cerca de 1.500 milhões de embalagens! O ministro (do Ambiente) Matos Fernandes tem de agir rapidamente para garantir que não haverá mais atrasos", salientam as organizações.

É que, justificam, se em cada dia se desperdiçam quatro milhões de embalagens, num ano chega-se a 1.473.609.427 embalagens de bebidas (o equivalente ao volume de 250 Torres de Belém, nas contas dos ambientalistas) "que irão para aterro, serão incineradas ou ficarão espalhadas no ambiente".

Por isso, acrescentam, é preciso agir urgentemente, porque não fazer nada é "contrário ao discurso oficial do Governo". Depois, dizem também, a lei é de 2018 pelo que não se pode argumentar que não houve tempo para tratar do assunto, e além disso há uma "perda efetiva para o país", que é "altamente dependente" da importação e da utilização de matérias-primas virgens para o fabrico de embalagens de bebidas em plástico, vidro e metal.

"O SDR é uma ferramenta fundamental para o cumprimento de várias metas comunitárias (reciclagem e reutilização)" e "os portugueses já demonstraram, em vários estudos representativos, o seu amplo apoio a esta ideia, e anseiam pela sua implementação", salientam as organizações.

Sciaena, Zero e ANP/WWF apelam para a ação urgente do Ministério do Ambiente e Ação Climática, para que regulamente a lei ainda antes do verão, e alertam a Assembleia da República para o atraso na regulamentação da lei.


(in país ao minuto  POR LUSA in noticiasaominuto.com   22 junho 2021)

in distribuicaohoje.com

quinta-feira, 26 de março de 2020

Violência doméstica pode aumentar com a situação do CORONAVÍRUS

imagem tirada de gnr.pt

No dia 19 de março de 2020 O Jornal Observador publicou um artigo sobre a tensão que o COVID19 pode trazer às famílias originado pelo confinamento preventivo. O risco de violência doméstica pode aumentar. O texto é de Carolina Branco. Muito útil a todos nós. A não perder!

São vários os fatores que levam a crer que momentos como o que agora se vive em Portugal, com muitas famílias em isolamento social, podem levar a problemas graves dentro de casa. Não só em casos já com episódios de violência, mas, possivelmente, também noutros em que nunca tinha acontecido. Não só porque fazem aumentar a tensão nas relações pessoais e deixam as vítimas mais expostas — e mais disponíveis para desvalorizar alguns atos —, mas também porque os alvos da violência estão mais sozinhos.


Fechar as famílias pode “potenciar o lado muito privado da violência doméstica”, teme o psicólogo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Daniel Cotrim. Em declarações ao Observador, numa altura em que, na cidade chinesa de Jingzhou, 90% das denúncias da violência estão relacionadas com a Covid-19, o psicólogo alerta que “é importante que as redes de vizinhança funcionem”.

Até porque entre a medidas adotadas pelo Governo para conter o surto do novo coronavírus, depois de declarado estado de emergência esta quarta-feira, está uma que permite, mesmo nesta fase, a circulação na via pública de pessoas quando houver “necessidade de acolhimento de emergência de vítimas de violências doméstica” — bem como de vítimas de tráfico de seres humanos.

Violência doméstica quadruplicou na China. A tensão pode explicar o fenómeno, mas “quarentena não é desculpa”

Ainda é “muito cedo” para se conseguir tirar conclusões em Portugal. Não há, para já, um aumento de casos de violência doméstica. Mas o psicólogo Daniel Cotrim admite que este potencial fenómeno é algo que “preocupa” a APAV, até porque tem estado atento às estatísticas que chegam da China. Neste país, onde começou o surto do novo coronavírus, a doença tem tido um enorme impacto na violência doméstica. “De acordo com as nossas estatísticas, 90% das causas da violência estão relacionadas com a Covid-19“, disse Wan Fei à revista Sixth Tone. O antigo polícia, que fundou uma organização sem fins lucrativos de combate à violência doméstica em Jingzhou, uma cidade na província chinesa de Hubei, revelou também que, naquela localidade, as denúncias quase que quadruplicaram: em fevereiro, contabilizam-se 162 face às 47 do mesmo mês do ano passado.

É mais ou menos o que acontece durante as férias — mas pior. “Nesses períodos, as pessoas estão próximas, por isso as situações de conflito, apesar de o ambiente ser mais ou menos ligeiro, proporcionam o aumento da violência”, explica o psicólogo da APAV, Daniel Cotrim. Mas isolamento social e quarentena não são sinónimos de férias e, por isso, “imaginando o pior dos cenários, o crescendo da violência é muito maior“, acrescenta em declarações ao Observador.

E existe uma explicação para este fenómeno? Sim. “O facto de estarmos confinados, de as pessoas se encontrarem em isolamento social, de estarem em quarentena, o facto de o próprio ambiente social ser mais tenso, ser mais pesado e de haver uma maior desconfiança do ponto de vista das relações pessoais e interpessoais, faz aumentar as situações de conflitualidade e os de relacionamentos conflituosos”, explica Daniel Cotrim.

Há dois cenários possíveis: se, por um lado, pode haver umaintensificação de atos violentos nas famílias onde já existiam, a verdade é que, em ambientes onde não havia violência doméstica, essa pode passar a ser uma realidade. O psicólogo da APAV explica, desde logo, que “a proximidade entre as pessoas não é uma coisa má”, mas é “exatamente a tensão, o medo, a preocupação e o maior nervosismo que este período traz” que podem fazer com que, “de repente, em alguns casais onde nem havia violência, se possam propiciar situações de violência doméstica”.É mais ou menos o que acontece durante as férias — mas pior. “Nesses períodos, as pessoas estão próximas, por isso as situações de conflito, apesar de o ambiente ser mais ou menos ligeiro, proporcionam o aumento da violência”, explica o psicólogo da APAV, Daniel Cotrim. Mas isolamento social e quarentena não são sinónimos de férias e, por isso, “imaginando o pior dos cenários, o crescendo da violência é muito maior“, acrescenta em declarações ao Observador E existe uma explicação para este fenómeno? Sim. “O facto de estarmos confinados, de as pessoas se encontrarem em isolamento social, de estarem em quarentena, o facto de o próprio ambiente social ser mais tenso, ser mais pesado e de haver uma maior desconfiança do ponto de vista das relações pessoais e interpessoais, faz aumentar as situações de conflitualidade e os de relacionamentos conflituosos”, explica Daniel Cotrim.

Há dois cenários possíveis: se, por um lado, pode haver umaintensificação de atos violentos nas famílias onde já existiam, a verdade é que, em ambientes onde não havia violência doméstica, essa pode passar a ser uma realidade. O psicólogo da APAV explica, desde logo, que “a proximidade entre as pessoas não é uma coisa má”, mas é “exatamente a tensão, o medo, a preocupação e o maior nervosismo que este período traz” que podem fazer com que, “de repente, em alguns casais onde nem havia violência, se possam propiciar situações de violência doméstica”.O psicólogo lembra, no entanto, que todos estes fatores, apesar de explicarem o fenómeno, não podem servir de justificação, nem uma agressão deve ser desculpada porque o agressor estava em stress. “A quarentena não é desculpa.Tal como noutros casos, a vítima não pode achar que uma agressão é de caráter ocasional e pontual e dizer: ‘Isto aconteceu porque se deveu a…’. As vítimas vão sempre tentar arranjar uma justificação para o que aconteceu, seja a quarentena ou outra qualquer”, acrescentou.

“Estamos a potenciar o lado privado da violência doméstica”. Todas as horas são “horas do medo” e a vizinhança é importante

Nos casos em que já havia violência doméstica, o atual ambiente de pandemia é, nas palavras do psicólogo da APAV, “propiciador para que a mesma continue e que se possa agravar”. Porquê? Por um lado, o “poder” do agressor “está muito mais bem estabelecido”. Por outro, a “vítima não pode sair dali“. “O exercício do poder, se já era regular, passa a ser mais que regular. Deixou de haver a hora do medo — quando a pessoa chegava a casa ou quando o agressor estava por perto. Agora, ele e ela estão ali”, diz o psicólogo Daniel Cotrim.O que muda? Desde logo, o comportamento das vítimas vai mudando, para não aumentar o grau de violência. O psicólogo da APAV dá exemplos: “Se [as vítimas] já não confrontavam o agressor, vão passar muito menos a fazê-lo, vão passar a pôr muito menos em causa aquilo que ele ou ela diz, vão aceitar muito mais facilmente todas as regras, vão permitir até situações de violência sexual. Se já havia algum consentimento, acaba por ser muito mais aceite, até porque, para além das vítimas, agora estão os filhos em casa também”. Exatamente o facto de os filhos também estarem em casa, com os pais, pode potenciar alguma agressividade — especialmente quando o agressor costumava estar “distanciado do núcleo familiar”.

O importante é denunciar — o que, neste contexto, pode ser ainda mais difícil, uma vez que o agressor está mesmo ali ao lado, durante todo o dia. À pergunta de como é que consegue fazer a denúncia sem que o agressor ou agressora percebam, o psicólogo responde: “Podem fazê-lo através dos seus telemóveis, enviando mensagens ou emails e depois apagando este registo. A vítima pode contactar a APAV por email, mas o mais fácil será sempre através das redes sociais. As forças de segurança continuam a funcionar”.Daniel Cotrim pede, contudo, que a população não se esqueça que aviolência doméstica continua a ser um crime público e “é importante que as redes de vizinhança funcionem — até porque os agressores controlarão os telemóveis das vítimas”. “É importante pensarmos também que ao nosso lado podem estar a acontecer situações de violência doméstica que devemos denunciar. Neste período, estamos em isolamento social, mas os direitos das pessoas não. E, ao mesmo tempo, estamos a potenciar o lado muito privado da violência doméstica“, acrescentou.

Quanto à APAV, o atendimento presencial continua. “Pedimos às pessoas que liguem para o 116006 — que é um número gratuito —, que nos telefonem primeiro. A necessidade de fazer atendimento presencial é feita, como sempre foi, pelos técnicos de apoio à vítima que estão na linha. E, em situações de extrema importância de atendimento presencial, as pessoas vão dirigir-se ao gabinete e apoio à vítima. Estará lá um técnico que as irá atender e que vai funcionar da forma normal para aquilo que vai exigir da situação. Se não for efetivamente uma situação urgente — como um pedido de informação, por exemplo —, faz-se uma avaliação caso a caso”.

Ainda assim, a APAV já prevê a adoção de medidas mais drásticas, caso o surto em Portugal tenha o mesmo efeito na violência doméstica que teve na China. “Sabemos que há tendência para que este confinamento e isolamento em que já estamos se transforme numa coisa mais dura e mais pesada como a quarentena e estamos a pensar como conseguir ajudar as pessoas, mas não ficarão sem ajuda”, garante Daniel Cotrim. 

(in observador.pt ) (o texto é de Carolina Branco)