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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Jorge Gabriel - 30 anos de carreira!

Jorge Gabriel – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem in pt.wikipedia.org


PARABÉNS, Jorge Gabriel! 

E que nos continue a aparecer sempre na PRAÇA DA ALEGRIA!

Um programa português para portugueses! 

Nunca nos falte, por favor!

Partilho neste post o POSTAL DO DIA de Luís Osório in tsf.pt de 14.12.2022


As razões para que Jorge Gabriel continue vivo

Quando comecei a trabalhar como jornalista, o chefe de redação pediu-me para participar numa task-force coordenada pelo grande Fernando Assis Pacheco. A ideia passava por antecipar o que seria o mundo 50 anos depois.

Foi um outro tempo.

Hoje não conseguimos sequer antecipar o que acontecerá daqui a um mês.

Quase tudo se tornou volátil.

A superfície ganhou à profundidade.
O ruído ganhou ao silêncio.
A rapidez ganhou à lentidão.

E os protagonistas passaram a ter uma duração muito mais limitada - na política, na televisão, nas empresas ou nas redações, o tempo do protagonismo diminuiu na maior parte dos casos.

O trabalho deixou de ser para a vida.
E a voragem de novidade passou a limitar a permanência das pessoas nos mesmos lugares - ficamos mais depressa cansados, dependemos de novidades todos os dias.

Quero falar de um homem que nunca foi relevado como mereceria.

Jorge Gabriel prepara-se para comemorar 30 anos de carreira.

Começou por ser jornalista no célebre e polémico "Donos da Bola".

E tornou-se um dos mais fiáveis apresentadores de entretenimento.

Fez as vezes de João Baião no Big Show Sic.

E depois fez o seu caminho em programas com horários e públicos diversos.

Na RTP substituiu Manuel Luís Goucha no Praça da Alegria, já lá vai muito tempo.

O Jorge Gabriel aparece-nos em casa há trinta anos, não são trinta dias.

Conseguiu resistir ao tempo, ao sacrifício do que não é novidade, à queda de todos os que não trabalham para ser mediáticos, à queda dos que permanentemente desejam estar sempre à tona, sempre a piscarem o olho à audiência, sempre a dar entrevistas e a oferecer provas de vida.

O Jorge não é assim.

Aparece todas as manhãs como se fosse da nossa casa.

Tem o talento da invisibilidade visível; ele está, mas não se impõe, respeita-nos no nosso espaço, o seu tom de voz é o certo, não fala baixo e raramente fala alto.

Sorri mesmo quando se ri.

É inteligente no modo como pergunta. Tem uma curiosidade desprendida, não é excessivamente simpático sem nunca ser altivo, distante ou arrogante.

O Jorge Gabriel é um pouco da família.

Um tio que nos visita todos os dias e que quase parece não nos fazer falta até que nos falta. E quando acontece sentimos o vazio.

São estas as razões para que continue vivo quando tantos e tantas morrem mediaticamente.

Celebro hoje esta presença.

De um homem inteligente e culto que soube adaptar as suas ambições àquilo que o tempo pedia - talvez na sua cabeça tenha ficado aquém do que desejava ou do que o seu talento pedia, mas as coisas são o que são e Jorge Gabriel pragmaticamente decidiu fazer o melhor possível de acordo com aquilo que as circunstâncias lhe impunham.

E ao contrário de muitos que ficaram pelo caminho, ele continua.

Tranquilo, profissional, um porto de abrigo.

Parabéns, Jorge.

A Praça da Alegria é a nossa casa.

Mesmo quando não te visitamos durante algum tempo sabemos que estás lá e que nos abrirás a porta como antes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Alfredo Barroso escreve sobre a sua saída da SIC Notícias...

Encontrei aqui: 
"Traço Grosso Onde Alfredo Barroso divulga as crónicas que publicou no «DN-6ª»... mas não só " 

«REMOVIDO» DA SIC NOTÍCIAS

Caros amigos (poucos), simpatizantes (alguns) e conhecidos (muitos),

CUMPRO o «doloroso dever» de participar – para gáudio de quem detesta as minhas opiniões e não me pode ver nem pintado – que fui, no dia 2, «removido», por telefone, do programa «Frente-a-Frente» da SIC Notícias, no qual participava desde o ano de 2004.


Digo «removido», porque me parece ser um bom compromisso entre o termo «dispensado» (politicamente correcto) e os termos «despedido» ou «corrido» (politicamente incorrectos). Justificações da «remoção»:

i) necessidade de «renovar» a lista de «paineleiros», naturalmente «remoçando-a» (presumo que um velho rezingão como eu será substituído por um daqueles moçoilos geniais que agora dirigem o PS);

ii) deixar de pagar as participações no «Frente-a-Frente» (150 euros cada uma), porque a SIC Notícias está paupérrima e passará a aceitar apenas «voluntários» (claro que tiveram o cuidado de não me perguntar se eu queria ser um deles…).

 

Terminam assim 17 anos consecutivos de colaboração com órgãos de comunicação social do grupo «Impresa»: oito anos e meio como cronista do EXPRESSO, de que fui removido no auge da invasão do Iraque; outros oito anos e meio como colaborador da SIC Notícias, de que fui removido no auge da «guerra» declarada há poucos dias pelo «megafone» de Vitor Gaspar, Pedro Passos Coelho. Suponho que é uma «guerra» contra a esmagadora maioria dos portugueses, que continuam a empanturrar-se de bifes todos os dias…
 

Mas é claro que não deixa de ser exaltante imaginar a satisfação que esta notícia irá causar em figuras tão proeminentes como a augusta vice-presidente (da AR) Teresa Caeiro, o austero advogado José Luís Arnaut ou o venerável empresário Ângelo Correia – que se recusavam a enfrentar-me há já alguns meses com o beneplácito dos responsáveis pelo programa.
 

Não ignoro, todavia, que o gáudio não se confina ao chamado «arco do poder», nos seus três tons habituais: cor de laranja azeda, azul cueca e cor-de-rosa fanada. Também vai entrar de roldão em alguns órgãos de comunicação social do regime, politicamente correctos, onde não faltam opinadores tão chatos ou peneirentos como «intocáveis», e digníssimos «pilares» do statu quo que não apreciam dissidências políticas nem franco-atiradores (a não ser quando haja escândalo que aumente as audiências e/ou os leitores).
 

A única coisa que se me oferece dizer, sem me rir, neste momento, é a seguinte: quando se perde poder ou a aparência dele, por mais ínfimo que seja; quando não se tem a protecção de um partido, ou de uma «igreja», ou de uma associação «cívica» semi-clandestina, ou de um grupo de pressão, ou de um «sacristão», ou de um «patrão», ou de um «padrinho», etc., etc., etc. – o «lonesome cowboy» escusa de armar ao pingarelho, e não tem outro remédio se não o de meter a viola no saco e ir para a caça aos gambozinos.
 

Saudações democráticas,
Alfredo Barroso