Livro IX - 3
- Não desprezes a morte, mas reserva-lhe bom acolhimento porque faz também parte das coisas queridas pela natureza.
O que são a juventude, a velhice, o crescimento, a plena maturidade, a aparição dos dentes, da barba, dos cabelos brancos, a fecundação, a gravidez, o parto e as outras ações naturais que trazem as estações da tua vida, tal é também a desagregação do teu ser.
É agir como homem habituado a raciocinar a não se irritar com a morte, nem a repelir rudemente, ou tratar com desdém, mas aguardá-la como a uma das ações naturais.
E tal como hoje esperas o dia em que a criança que ela traz sairá do ventre da tua mulher, do mesmo modo é preciso acolher bem a hora em que a tua alma deve escapar-se do seu invólucro.
FONTE: Marco Aurélio, Pensamentos para mim próprio, Editorial Estampa, junho de 1970
"A morte é uma viagem certa em data incerta, é o reencontro de almas pondo fim às saudades eternas"
(in: www.pensador.com)
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