terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Está a chegar a cegonha", um maravilhoso poema de Fernanda Maia

ESTÁ A CHEGAR A CEGONHA

Já sobrevoa nossos telhados
A cegonha com o Menino
Quer deixá-lo
Mas está difícil!
Lá no Oriente,
Só encontra cadeados
E ambiente hostil!
O cheiro a pólvora
A afugenta.
Anciãos, Jovens, crianças
Fogem mesmo 
Sem seus pertences.
Se o não conseguirem,
Ficam muito vãs suas esperanças.
A morte já levou muitos dos seus.

Também noutros locais
Ela tem receio de pousar.
Quer arriscar, não pode jamais.
O prazo da sua missão está a terminar!

Como não encontra lugar melhor
Procura nos corações disponíveis.
Ela Quer largá-LO a qualquer custo
Nem que seja como há 
Dois mil anos.
E sem pregar qualquer susto
À pobre Criancinha,
Terá que A deixar nas palhinhas
Dum curral de animais.
As vacas e as ovelhinhas
Com seu bafo A hão-de aquecer
Por aí não vai padecer!

Está a chegar a cegonha
E o Menino vai nascer!


Natal de 2016
Fernanda Maia

imagem obtida em:
http://vamosdoarlivrosanossabiblioteca-pt.blogspot.pt
/2015/12/cultura-lendas-de-natal-com-animais.html 



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Adágios Populares para o mês de dezembro

in: https://proverbios-populares.com/
chuva-em-novembro-natal-em-dezembro.html 
"De Todos-os-Santos ao Natal, perde a padeira o natural (cabedal)."

"Dezembro com junho ao desafio, terás (traz) janeiro frio."

"Dezembro diz: olha que o governo está na boca do saco; até janeiro, qualquer burro passa o regueiro mas para a frente tem de ser forte e valente. Se não tens governo, depois arreganhas o dente."

"Dezembro quer lenha no lar e pichel a andar."

"Dias de Natal são passos de pardal."

"Dos Santos ao Natal, cada dia (mais) mal; do Natal ao Entrudo, come-se capital e tudo."

"Dos Santos ao Natal inverno crual."

"Em caindo o Natal à segunda-feira, o lavrador tem de alargar a eira."

"Em dezembro, a uma lebre galgos cento."

"Em dezembro chuva, em agosto uva."

"Em dezembro descansa, em janeiro trabalha (para em janeiro trabalhares)."

"Em dezembro descansa mas não durmas."

"Em dezembro, lenha e dorme."

"Em dezembro treme o frio em cada membro."

"Natal a soalhar, a Páscoa ao luar."

"Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso."

"Natal em casa, Páscoa na praça; Natal na praça, Páscoa em casa."

"Natal em sexta-feira, por onde puder semeia; em domingo, vende os bois e compra trigo:"

"O Natal quer-se na praça, a Páscoa quer-se em casa."

"Nem em agosto caminhar, nem em dezembro marear."

"No Advento, a lebre no sarmento."

"Nossa Senhora da Conceição, faça sol e chuva não."

"Outubro, novembro e dezembro não busques no mar."

"Outubro, novembro e dezembro não busques o pão no mar mas torna ao teu celeiro e abre o teu mealheiro."

"Pelo Natal, Lua Cheia, casa cheia."

(in: Mudam os ventos, mudam os tempos, de Manuel Costa Alves, o adágio popular meteorológico, gradiva)