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domingo, 15 de outubro de 2017

Avós e netos...e não só!

Já tinha lido no verão um artigo de opinião que achei muito interessante e que vou transcrever mais abaixo; a verdade é que nessa altura não me apeteceu partilhá-lo, vá lá saber-se porquê! Talvez por estar ainda em férias e a "preguicite" me ter atacado um pouco...!
Bem, mas o verão passou e acabaram-se as férias; agora estamos na rentrée, há que reagir, retomar forças e ganhar coragem para que a normalidade ao "trabalho" regresse com força!
Ao reler há pouco umas mensagens do meu correio eletrónico, apareceu-me este artigo que me fora enviado por um familiar. Voltei a lê-lo e, como avó,  senti que qualquer uma de nós reconhece ter afinidades com a avó do referido artigo. Há muitas "cenas" que me são familiares...
Logo, senti como que um imperativo em partilhar algo que, afinal, eu também vivi: férias com os meus netos!
O artigo é "delicioso" pois contempla não só a maneira de ser, os sentimentos e emoções da avó, como os da filha e dos netos!
"Resposta da avó que ficou alguns dias com os netos alguns dias nas férias", por Paulo Farinha, na MAGAZINE NOTÍCIAS, de 29.08.2017
"• Olha, filha, não sei se percebi bem os recados que me deixaste. Dizias que a Matilde não come arroz, mas houve um dia em que ela quis provar do arroz de frango que fiz para mim e para o teu pai e gostou. E pediu para repetir. Duas vezes. Já não me lembro se vocês são vegetarianos ou não, se os miúdos comem carne às vezes ou só às terças e quintas, mas ela pareceu tão consolada que no dia seguinte fiz mais. E também gostou do sarrabulho.
• Não lhes dei bolos, como pediste. Mas o teu pai não leu os recados. E ele deu. Todos os dias ao fim da tarde iam dar um passeio com o avô e o cão e passavam por casa da tia Idalina, que lhes dava uns biscoitos. Só soube isto no fim das férias. Mas acho que os biscoitos são muito bons. Depois peço-lhe a receita para te dar. Mas ela não usa cá açúcar amarelo. Não há disso na aldeia.
• Comeram iogurtes e tivemos de comprar mais queijo porque eles acabaram num instante o que tínhamos cá em casa. Já não me lembro se podiam comer queijo ou não ou se era o leite de vaca que não podiam beber. Mas como é difícil arranjar leite de cabra, comprámos do outro na mercearia e não nos chateámos com isso. Não te chateies tu também.
• Não brincaram com o iPad. Enquanto estiveram cá na aldeia nem lhe mexeram. Mas adormeciam a ver televisão. Dizias uma coisa qualquer sobre ecrãs à noite, mas eu não percebi bem.
• Houve algumas birras. E numa delas o João fartou-se de chorar. Ele disse que ia ligar-te, mas o teu pai disse-lhe para ir mas é jogar à bola e estar calado e a coisa resultou.
• Não lhes comprei brinquedos de plástico na feira, como tu disseste. E eles ficaram amuados comigo e não quiseram voltar à feira mais nenhum dia, o que foi uma chatice. Que raio de ideia, filha. Isso não correu muito bem.
• O champô que mandaste para eles, aquele das plantas medicinais, cheirava mesmo mal. Tem paciência, mas lavei a cabeça dos teus filhos com o meu champô. É bem mais barato do que o teu. Andas a gastar uma fortuna numa coisa malcheirosa, filha.
• As toalhas de algodão armado ao pingarelho que tu mandaste são tão fofinhas e estavam tão bem arrumadas que as deixei estar no sítio. Tive medo de as estragar. Os teus filhos tomaram banho todos os dias e limparam-se às toalhas que havia cá em casa. E não lhes caiu nenhum pedaço de pele. Acho que fiz tudo bem.
• Querias que lhes desse três abraços por dia. Nuns dias dei mais, noutros não dei nenhum. E houve um em que me apeteceu dar um tabefe à Matilde, porque estava a fazer uma fita, mas depois acalmou.
• Não houve cá abraços a árvores. Esqueci-me. E houve um dia em que o Pedro caiu da árvore do quintal e fez uns arranhões. Acho que não tinha vontade nenhuma de dar abraços ao tronco.
• Aquela coisa de o João vestir as saias da Matilde é que me pareceu esquisito. Ele nunca pediu para vestir a roupa da irmã. Eu achei isso bem e fiquei contente.
• Todas as noites ouviram música, como pediste, mas não foi o CD dos monges tibetanos, que isso irritava o teu pai. Ouviam a música dos altifalantes da festa. Não querias o Despacito, mas ouviram isso umas dez vezes por dia. E o Toy também. E o Tony Carreira e o Emanuel.
• Só deves ver este papel quando acabares de tirar as coisas dos sacos dos miúdos. Deixei isto no fundo da mochila do Pedro de propósito. Assim, antes de saberes das coisas que não fiz como tu querias, viste os teus filhos e viste como estavam bem alimentados e cuidados.
PS: não precisas de colar isto na porta do frigorífico. Não quero que gastes fita-cola. Se tiveres alguma dúvida, telefona-me. É isso que as mães fazem: atendem o telefone às filhas para responder a dúvidas sobre os netos.
Leia AQUI os recados que deram origem a esta resposta. E AQUI a reação dos netos a esta troca de cartas entre mãe e filha."
Boa leitura!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Avós e netos...

Não tenho qualquer dúvida que, como avó,  desempenho um papel importante na vida dos meus netos. Com o seu nascimento, compreendi que ainda me faltam metas importantes a atingir na vida e, muitas delas, incluem-nos como protagonistas essenciais.

O facto de ter de passar a estar muito atenta ao que se passa com eles, a acompanhá-los no seu desenvolvimento e a tentar compreender "o seu mundo" deu um novo sentido à minha vida, que se renovou e iluminou completamente! É muito importante estar sempre a par do que eles pensam, sentem e fazem! E ainda mais importante: fazê-los partilhar! Só assim poderemos conhecê-los, corrigi-los, orientá-los, transmitir-lhes os valores da família!

Gostaria de transcrever uma entrevista dada pelo Dr. Daniel Sampaio, ao jornal Público, a Graça Barbosa Ribeiro, em 26.07.2004 (neste caso, a propósito da comemoração do Dia dos Avós), mostrando a grande importância destes na vida dos netos:

"Bem é... completamente transformador... Uma autêntica revolução interior", diz. Um marco na vida dos adultos que Daniel Sampaio descreve através da dificuldade em o explicar: "Ser-se avô, ou avó, é uma revelação, é ser-se amado sem se perceber muito bem porquê, é ser-se alvo de uma corrente afectiva muito mobilizadora, muito exigente... às vezes cansativa!", brinca. 
"Os netos surgem, normalmente, quando os adultos estão a aproximar-se do final das respectivas carreiras, a pensar na reforma, e, só por existirem, fazem com que eles ganhem uma nova forma de energia, um objectivo novo." 

Inês Jongenelen, psicóloga e professora na Universidade do Minho, fala "de relançamento". "Os avós ganham noção da sua nova importância no seio familiar e da vantagem que a experiência acumulada ao longo da vida lhes confere no relacionamento com os netos", explicita. 
Talvez essa experiência - e a calma que ela permite - explique, na perspectiva de Daniel Sampaio, o tal "estranho amor" dos netos pelos avós: "Pode ter a ver com a presença mais serena e menos exigente dos avós [em relação à dos pais] junto dos netos, desde que estes são muito pequeninos." 
Inês Jongenelen sublinha a importância dos avós no desenvolvimento social e emocional das crianças. Daniel Sampaio dá-lhes um nome: "Os avós são uma espécie de reservatório histórico." E exemplifica: "Quando contam histórias; quando mostram os álbuns de fotografias; quando dão a conhecer os marcos da história familiar; quando desencantam, de arcas antigas, os vestidos que os pais das crianças vestiam quando eram pequeninos, há um encontro a várias gerações que é muito importante para as crianças." Ainda pequeninas, "ganham um passado", um lugar a que pertencem "e que lhes confere, ao longo da vida, uma enorme estabilidade e segurança", afirma o psiquiatra.

"Os avós são uma referência" 
Os avós são educadores? Inês Jongenelen, cuja tese de doutoramento teve como tema os casos das avós cujas filhas foram mães adolescentes, considera que há muitos casos em que sim. Daniel Sampaio ressalva que "os avós só devem ser educadores" precisamente nesses casos, ou seja, quando por qualquer razão não há pais presentes. "Os educadores são os pais. Os avós são uma referência, o tal reservatório de história e, dependendo da relação que tenham com os filhos, nem tem mal nenhum que até deseduquem um bocadinho", considera. 
O psiquiatra chama a atenção para o facto de hoje se estar perante uma geração de avós - no feminino - "muito particular". "São as mulheres dos anos 60, que se lançaram numa carreira profissional, que viveram o Maio de 68 e a liberdade sexual..." Que ganham os netos com isso? Avós diferentes, seguramente. E ainda, à semelhança dos avôs, profissionalmente activas, "que têm com as crianças uma relação baseada não tanto nos cuidados mas, principalmente, na brincadeira, e mediada pelo afecto imediato", considera Daniel Sampaio. Depois, o psiquiatra pede desculpa. Tem três netos à espera que largue o telefone e que se concentre naquilo que é realmente importante: jogar à bola."



Não há nada melhor que ser avô ou avó...! 
E não tenhamos dúvidas que, nos dias de hoje, não é tarefa fácil educar e acompanhar as nossas crianças; pelo  contrário, é um trabalho... cansativo... exaustivo! A verdade é que só assim se fica de consciência tranquila..., a "tal" consciência de dever cumprido!