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sábado, 21 de janeiro de 2012

"A Cigarra e a Formiga" - Uma Fábula de Esopo, recontada por Jean de La Fontaine


Ficheiro:The Ant and the Grasshopper - Project Gutenberg etext 19994.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Ant_and_the_Grasshopper_-_Project_Gutenberg_etext_19994.jpg

A cigarra e a formiga
Tendo a cigarra em cantigas

Passado todo o verão

Achou-se em penúria extrema

Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha

Que trincasse, a tagarela

Foi valer-se da formiga,

Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,

Pois tinha riqueza e brilho,

Algum grão com que manter-se

Até voltar o aceso estio.

- "Amiga", diz a cigarra,

- "Prometo, à fé d'animal,

Pagar-vos antes d'agosto

Os juros e o principal."

A formiga nunca empresta,

Nunca dá, por isso junta.

- "No verão em que lidavas?"

À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: - "Eu cantava

Noite e dia, a toda a hora."

- "Oh! bravo!", torna a formiga.

- "Cantavas? Pois dança agora!"
                                       
                                        (tradução de Bocage)
                                  
(http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cigarra_e_a_Formiga)
 
A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine.
 
E quem foi Esopo? Do grego Αἴσωπος, transl. Aisōpos - é um lendário autor grego, que teria vivido na Antiguidade; é considerado o pai da fábula, como género literário.

As Fábulas de Esopo foram a base de muitas recriações para outros escritores ao longo dos tempos, como Fedro e La Fontaine.

"Biografia:

Esopo foi um fabulista grego do século VI a.C.. O local de seu nascimento é incerto — todos clamam a honra. Pensa-se que terá morrido em Delfos. Na verdade, todos os dados referentes a Esopo são discutíveis e trata-se mais de um personagem lendário do que histórico.

A única certeza é que as fábulas a ele atribuídas foram reunidas pela primeira vez por Demétrio de Falero, em 325 a.C..

Esopo teria sido um empregado, que foi libertado pelo seu rei, que ficou encantado com suas fábulas. Ao que tudo indica, viajou pelo mundo antigo e conheceu o Reino Unido, a Austrália e o Oriente. Concretamente, não há indícios seguros de que tenha escrito qualquer coisa.

Entretanto, foi-lhe atribuído um conjunto de pequenas histórias, de carácter moral e alegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos por animais. Na Atenas do século V a.C., essas fábulas eram conhecidas e apreciadas.


Fábulas


As fábulas que lhe são atribuídas sugerem normas de conduta que são exemplificadas pela ação dos animais (mas também de homens, deuses e mesmo coisas inanimadas). Esopo partia da cultura popular para compor seus escritos. Os seus animais falam, cometem erros, são sábios ou tolos, maus ou bons, exatamente como os homens. A intenção de Esopo, em suas fábulas, era mostrar como os seres humanos podiam agir, para bem ou para mal.

Assim como Homero, as fábulas de Esopo faziam parte da tradição oral dos gregos, por isso não foram escritas pelo seu suposto autor. Mais de duzentos anos depois da suposta morte de Esopo é que as fábulas foram reunidas e escritas.

O escritor russo Liev Tolstói escreveu adaptações livres de algumas fábulas de Esopo."

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Bocage: "A Cigarra e a Formiga"


A Cigarra e a Formiga

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se,
 'Té voltar o aceso estio.

- Amiga, diz a cigarra,
Prometo à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal. -

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso ajunta.
- No verão em que lidavas?
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra. - Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
- Oh! Bravo! - torna a formiga -
Cantavas! Pois dança agora!

                              BOCAGE

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fábulas de Esopo e de La Fontaine

Esopo

Fábula, do latim fabula, é uma narrativa em prosa ou um poema épico breve, de cariz moralizante, cujos protagonistas são animais, plantas ou mesmo, objectos inanimados.

De um modo geral, consta de uma parte narrativa e uma pequena conclusão moralizadora.

Teve a sua origem no Oriente e mais tarde, na Grécia, essencialmente cultivada por Esopo em que este género ainda pertencia à tradição oral.

No século I a.c. os romanos fizeram evoluir as fábulas passando-as para a literatura escrita, sendo Fedro o nome que mais se destacou.

Deu-se o caso de, no século X começarem a aparecer, em França,  várias colectâneas desconhecendo-se os autores, mas continuando a tradição greco-latina, contendo elementos orientais. O Renascimento impulsionou este género, imitando directamente Fedro e Esopo. Tendo a fábula uma intenção moralizadora, também se adequou às ideias do iluminismo.

Por volta do século XVII, La Fontaine foi um nome relevante, em França; em Portugal, destacaram-se Bocage e Curvo Semedo. 

La Fontaine

No século XVI é curioso que Gil Vicente, Sá de Miranda e Diogo Bernardes tenham usado fábulas para ilustrarem os princípios morais a que aludiam nas suas obras.

Gil Vicente

Mas quando aludimos às FÁBULAS, não há dúvida que nos ocorre logo à mente, o nome de Jean de La Fontaine, cuja obra-prima é constituída por 12 livros, publicados entre 1668 e 1694, em verso livre. Analisa e estuda profundamente a natureza humana, criticando e satirizando a sociedade do final do século XVII. La Fontaine dizia: " - Sirvo-me dos animais para instruir os homens." Os animais eram o símbolo dos homens com os seus defeitos. 

Em jeito de conclusão, gostaria de referir que La Fontaine foi um académico e poeta francês, tendo escrito Contos em verso, cheios de encanto, e também autor de Fábulas que lhe conferiram notariedade universal (1621-1695). 

A propósito de Fábula, encontrei definições muito interessantes, no Dicionário Mais, Da Ideia às Palavras, da Lisboa Editora:

fábula CONTO, LENDA, FICÇÃO; MITO
 - Contar fábulas
     FABULAR
 - Autor de fábulas
     FABULISTA
 - Compilação de fábulas
     FABULÁRIO
 - Compilação de fábulas da Idade Média
     O LIVRO DE ESOPO
 - Conclusão de uma fábula
     MORALIDADE
 - Pequena fábula com fins moralizadores
     APÓLOGO; ALEGORIA
 - Fábula das Escrituras que apresenta um ensinamento
     PARÁBOLA
 - Fábula em verso da Idade Média
     TROVA
 - Função da fábula
     ENSINAR, MOSTRAR, PROVAR
 - Frequente designação da fábula em Esopo
     MITO
 - O mundo da fábula
     MITOLOGIA