sábado, 4 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Um Poema de Manuel Alegre: "Resgate"
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números e estatística
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do sul nos confessamos
amamos a terra o vinho sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa.
Por isso podem cortar
punir
tirar a música às vogais
recrutar quem os sirva
não podem cortar o verão
nem o azul que mora
aqui
não podem cortar quem somos.
Manuel Alegre
in "Bairro Ocidental", Resgate - D. Quixote 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
"Calçar meias ou vestir meias?"
"Vou calçar umas meias ou Vou vestir umas meias?"
A expressão correta é: calçar umas meias.
Quando nos referimos a peças de vestuário para usar nos membros superiores ou inferiores, isto é, nas mãos ou nos pés, utiliza-se o verbo calçar.
Por exemplo: Tenho os pés frios, vou calçar umas meias mais grossas.
Tenho as mãos geladas, vou calçar umas luvas de lã.
Etiquetas:
Português Correto
domingo, 28 de junho de 2015
"Comida enlatada"...
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Neste mundo há casos insólitos que nos deixam boquiabertos, tal como quando lemos notícias como esta:
"O caso da assassina da comida enlatada
Linda Jackson, de 59 anos, da Califórnia, foi presa e acusada de matar à pancada o namorado, David Ruiz. O bizarro são as armas do crime. A saber: uma lata de ervilhas, uma lata de cenouras e uma lata de sopa de galinha."
in Revista Sábado, de 25 junho a 1 julho 2015
sábado, 27 de junho de 2015
Patrick Modiano, Prix Nobel de Littérature 2014
| (Marcello Duarte Mathias) in www.wook.pt |
Marcello Duarte Mathias, de 76 anos, é diplomata e escritor, ficcionista, memorialista, ensaísta e também autor de alguns diários.
Recebeu dois prémios, o de Jacinto Prado Coelho e o de D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus.
Desempenhou na Argentina, na Unesco e na Índia, o cargo de Embaixador de Portugal!
Num dos seus diários, Diário da Abuxarda, escreveu o seguinte sobre Patrick Modiano, Prémio Nobel da Literatura:
"Abuxarda, quinta-feira, 9 de outubro 2014
Ao homenagear um autor como Modiano - o contrário do chamado intelectual engagé - a Academia de Estocolmo resistiu à tentação de valorizar a dimensão política como principal critério na atribuição do prémio.
Obcecado pela Paris da Ocupação alemã (1940-1944), a sua sensibilidade lembra por vezes, porque se alimentam de idêntico fascínio, a de François Truffaut, n'O Último Metro.
Simplesmente aqui está-se perante uma Paris a preto e branco, com recolher obrigatório, mercado negro, lojecas e estaminés, identidades fictícias por entre denúncias e desaparecimentos. Cenário noturno cruzado por sombras, esquinas e medos.
Um escritor é, antes de mais, um olhar, e o de Modiano é inconfundível. Foi também isso que os académicos suecos quiseram distinguir. Um tom, uma entoação, um timbre de voz, ressonância antiga que gravita, de livro em livro, em torno dos mesmos temas e gentes, à maneira de uma teimosa reminiscência, que não é senão o fantasma da sua memória perdida.
Toda a sua obra é um longo exílio circunscrito a meia dúzia de ruas dessa sua Paris crepuscular. Onde está a verdade e quem a saberá exumar...
Em meu entender, o melhor romance de Modiano, sucinto em extensão à semelhança de todos os seus livros, intitula-se Dora Bruder e inspira-se num facto verdadeiro: o percurso de uma rapariga judia que desaparece sem deixar rasto durante os anos da Ocupação alemã em Paris, vindo a morrer, juntamente com seus pais, em deportação.
A brevidade do estilo, o lado neutro, deliberadamenre cinzento das descrições, aliados a essa espécie de voz off que acompanha a progressão da narrativa, lembra pelo gosto e minúcia do pormenor, o relato de uma investigação policial. Procura de uma presença que é afinal a nossa própria sombra.
Dora Bruder - a alma gémea de Irène Némirovsky?" (in jornal de letras.sapo.pt 15 a 28 abril 2015)
Li a obra vencedora do Prémio Nobel de Literatura 2014, "L'Horizon", e concordo com a leitura que Marcello Duarte Mathias faz dela. Patrick Modiano escreve "à maneira de uma teimosa reminiscência, que não é senão o fantasma da sua memória perdida."
Vou ler, seguramente neste verão, "Dora Bruder", do mesmo autor!
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