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domingo, 25 de maio de 2025

Luís de Camões e a propósito do mês de maio (origem e alguma mitologia)

O fôlego da obra de Luís Vaz de Camões : Revista Pesquisa Fapesp
imagem in https://revistapesquisa.fapesp.br

Já referi há uns dias atrás num dos meus posts ,uma versão da origem do nome do mês de maio.

Deve estar relacionado com Maia, que era filha de Atlas e mãe de Mercúrio.

A segunda versão é uma possibilidade e não uma certeza que a palavra tenha origem no indo-europeu quando se referiam a "grande" - " mégh2s " em que o asterisco indica que é uma palavra reconstruída através do processo comparativo entre várias línguas) - que veio a dar origem ao "mega" grego, ainda tão usado hoje em dia na nossa língua" , segundo o professor Marco Neves, no seu Almanaque da Língua Portuguesa. (Guerra & Paz, livros CMTV.  

Um pequeno texto de Camões em que é referido o mês de maio :

Os Lusíadas 

" O Rei de Badajoz era alto mouro,

Com quatro mil cavalos furiosos,

Inúmeros peões, de armas e de ouro

Guarnecidos, guerreiros e lustrosos ;

Mas, qual no mês de Maio o bravo touro,

Com os ciúmes da vaca, arreceosos,

Sentindo gente, o bruto e cego amante,

Salteia o descuidado caminhante. "

Luís de Camões

sábado, 16 de novembro de 2024

Luís de Camões e o seu soneto "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" -

Programa das comemorações dos 500 anos de Camões em 2024 está por fazer –  Observador
imagem in: observador.pt


Este poema de Camões debruça-se sobre o tema da MUDANÇA: 

 "O tempo - a mudança - o desconcerto"


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

 Que me quereis perpétuas saudades?

Com que esperança ainda me enganais?

Que o tempo que se vai não torna mais

e, se tornam, não tornam as idades.


Razão, é já, ó anos, que vos vades,

porque estes tão ligeiros que passais,

nem todos para um gosto são iguais,

nem sempre são conformes as vontades.


Aquilo a que já quis é tão mudado

que quase é outr cousa; porque os dias

têm o primeiro gosto já danado.


Esperanças de novas alegrias

mas não deixa a Fortuna e o Tempo errado, 

que do contentamento são espias. 

(* espias: amarras)


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

muda-se o ser, muda-se a confiança;

tomando sempre novas qualidades.


Continuamente vemos novidades,

diferentes em tudo da esperança; 

do mal ficam as mágoas na lembrança,

e do bem - se algum houve - as saudades.


O tempo cobre o chão de verde manto,

que já coberto foi de neve fria,

e enfim converte em choro o doce canto.


E, afora este mudar-se cada dia,

outra mudança faz de mór espanto:

que não se muda já como soía.

(* soía: era costume)