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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Quaresma - Tema de Reflexão na 1ª Semana Quaresmal

imagem in: https://www.e-cultura.pt


Para ajudar a refletir


Do Testamento de São Francisco (1-3)

“O Senhor deu-me, a mim irmão Francisco, a graça de começar a fazer penitência desta maneira:

quando eu estava em pecado, parecia-me amargo demais ver os leprosos, e o próprio Senhor me conduziu até eles, e eu lhes mostrei misericórdia. E, à medida que me distanciava deles, o que me parecia amargo transformou-se em doçura da alma e do corpo. E depois, fiquei um tempo e deixei o mundo.”

Pensamento:

O santo de Assis, que nos inspira a viver o Evangelho de Jesus, usou as palavras iniciais de seu Testamento para reconhecer a intervenção de Deus em sua vida. Foi o Senhor quem o convidou a iniciar um caminho de penitência – de conversão – com um coração capaz de acolher a humanidade sofredora, em vez de ignorá-la ou rejeitá-la. Tal como a Francisco, o Senhor também nos convida a vencer a resistência pessoal e comunitária para que possamos alcançar aqueles que carregam feridas dolorosas no corpo e no espírito, excluídos do bem-estar material, cultural e espiritual, para compartilhar com eles a consolação de Deus e o amor de uma comunidade capaz de se tornar próxima (cf. Lc 10,29-37).

quarta-feira, 23 de março de 2022

Já estamos na Quaresma! É tempo de preparação...é tempo de reflexão...é tempo de renovação!

imagem in mce.pt


A Quaresma já teve início no dia 2 de março de 2022, dia a seguir ao Carnaval,  precisamente na Quarta-feira de Cinzas. 

Terminará   a 14 de abril, na Quinta-feira da Semana Santa.

Este é um período de reflexão para os Crentes e exige deles uma certa preparação para a grande Festa da Páscoa, que é a celebração da Ressurreição de Cristo.

Cristo passou 40 dias em jejum no deserto e experimentou muitos sofrimentos. Há cristãos que fazem alguma penitência, em honra e memória de Cristo, como por exemplo, orando mais, praticando a caridade e não comendo carne. 

Quando vamos à Missa ao domingo, nesta altura é natural vermos as imagens dos santos nas Igrejas cobertas com tecidos roxos, porque do que tenho lido, é uma tradição que se vem observando desde o século IV.

Quaresma é originária do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia). 

O Ciclo Pascal engloba três tempos: o da preparação, o da celebração e o tempo do prolongamento. Por isso escolhi como "extensão" do título do meu post, a expressão "tempo de preparação", porque a Quaresma insere-se nesse período.

Boa Quaresma! Boas reflexões! Bons atos de fraternidade!


imagem in agencia.ecclesia.pt


Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2022

Fev 24, 2022 - 11:00


«Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).

Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Aproveitemos o caminho quaresmal de 2022 para refletir sobre a exortação de São Paulo aos Gálatas: «Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo (kairós), pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).


1. Sementeira e colheita

Neste trecho, o Apóstolo evoca a sementeira e a colheita, uma imagem que Jesus muito prezava (cf. Mt 13). São Paulo fala-nos dum kairós: um tempo propício para semear o bem tendo em vista uma colheita. Qual poderá ser para nós este tempo favorável? Certamente é a Quaresma, mas é-o também toda a nossa existência terrena, de que a Quaresma constitui de certa forma uma imagem.[1] Muitas vezes, na nossa vida, prevalecem a ganância e a soberba, o anseio de possuir, acumular e consumir, como se vê no homem insensato da parábola evangélica, que considerava assegurada e feliz a sua vida pela grande colheita acumulada nos seus celeiros (cf. Lc 12, 16-21). A Quaresma convida-nos à conversão, a mudar mentalidade, de tal modo que a vida encontre a sua verdade e beleza menos no possuir do que no doar, menos no acumular do que no semear o bem e partilhá-lo.

O primeiro agricultor é o próprio Deus, que generosamente «continua a espalhar sementes de bem na humanidade» (Encíclica Fratelli tutti, 54). Durante a Quaresma, somos chamados a responder ao dom de Deus, acolhendo a sua Palavra «viva e eficaz» (Heb 4, 12). A escuta assídua da Palavra de Deus faz amadurecer uma pronta docilidade à sua ação (cf. Tg 1, 19.21), que torna fecunda a nossa vida. E se isto já é motivo para nos alegrarmos, maior motivo ainda nos vem do chamamento para sermos «cooperadores de Deus» (1 Cor 3, 9), aproveitando o tempo presente (cf. Ef 5, 16) para semearmos, também nós, praticando o bem. Este chamamento para semear o bem deve ser visto, não como um peso, mas como uma graça pela qual o Criador nos quer ativamente unidos à sua fecunda magnanimidade.

E a colheita? Porventura não se faz toda a sementeira a pensar na colheita? Certamente; o laço estreito entre a sementeira e a colheita é reafirmado pelo próprio São Paulo, quando escreve: «Quem pouco semeia, também pouco há de colher; mas quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá» (2 Cor 9, 6). Mas de que colheita se trata? Um primeiro fruto do bem semeado, temo-lo em nós mesmos e nas nossas relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes de bondade. Em Deus, nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma das nossas «generosas fadigas» se perde (cf. Exortação Evangelii gaudium, 279). Tal como a árvore se reconhece pelos frutos (cf. Mt7, 16.20), assim também a vida repleta de obras boas é luminosa (cf. Mt 5, 14-16) e difunde pelo mundo o perfume de Cristo (cf. 2 Cor 2, 15). Servir a Deus, livres do pecado, faz amadurecer frutos de santificação para a salvação de todos (cf. Rm 6, 22).

Na realidade, só nos é concedido ver uma pequena parte do fruto daquilo que semeamos, pois, segundo o dito evangélico, «um é o que semeia e outro o que ceifa» (Jo 4, 37). É precisamente semeando para o bem do próximo que participamos na magnanimidade de Deus: constitui «grande nobreza ser capaz de desencadear processos cujos frutos serão colhidos por outros, com a esperança colocada na força secreta do bem que se semeia» (Encíclica Fratelli tutti, 196). Semear o bem para os outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso dos desígnios benfazejos de Deus.

A Palavra de Deus alarga e eleva ainda mais a nossa perspetiva, anunciando-nos que a colheita mais autêntica é a escatológica, a do último dia, do dia sem ocaso. O fruto perfeito da nossa vida e das nossas ações é o «fruto em ordem à vida eterna» (Jo 4, 36), que será o nosso «tesouro no céu» (Lc 18, 22; cf. 12, 33). O próprio Jesus, para exprimir o mistério da sua morte e ressurreição, usa a imagem da semente que morre na terra e frutifica (cf. Jo12, 24); e São Paulo retoma-a para falar da ressurreição do nosso corpo: «semeado corrutível, o corpo é ressuscitado incorrutível; semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual» (1 Cor 15, 42-44). Esta esperança é a grande luz que Cristo ressuscitado traz ao mundo: «Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 19-20), para que quantos estiverem intimamente unidos a Ele no amor, «por uma morte idêntica à sua» (Rm 6, 5), também estejam unidos à sua ressurreição para a vida eterna (cf. Jo 5, 29): «então os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai» (Mt 13, 43).


2. «Não nos cansemos de fazer o bem»

A ressurreição de Cristo anima as esperanças terrenas com a «grande esperança» da vida eterna e introduz, já no tempo presente, o germe da salvação (cf. BENTO XVI, Spe salvi, 3; 7). Perante a amarga desilusão por tantos sonhos desfeitos, a inquietação com os desafios a enfrentar, o desconsolo pela pobreza de meios à disposição, a tentação é fechar-se num egoísmo individualista e, à vista dos sofrimentos alheios, refugiar-se na indiferença. Com efeito, mesmo os melhores recursos conhecem limitações: «Até os adolescentes se cansam, se afadigam, e os jovens tropeçam e vacilam» (Is 40, 30). Deus, porém, «dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. (…) Aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer» (Is 40, 29.31). A Quaresma chama-nos a repor a nossa fé e esperança no Senhor (cf. 1 Ped 1, 21), pois só com o olhar fixo em Jesus Cristo ressuscitado (cf. Heb 12, 2) é que podemos acolher a exortação do Apóstolo: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9). 

Não nos cansemos de rezar. Jesus ensinou que é necessário «orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18, 1). Precisamos de rezar, porque necessitamos de Deus. A ilusão de nos bastar a nós mesmos é perigosa. Se a pandemia nos fez sentir de perto a nossa fragilidade pessoal e social, permita-nos esta Quaresma experimentar o conforto da fé em Deus, sem a qual não poderemos subsistir (cf. Is 7, 9). No meio das tempestades da história, encontramo-nos todos no mesmo barco, pelo que ninguém se salva sozinho;[2] mas sobretudo ninguém se salva sem Deus, porque só o mistério pascal de Jesus Cristo nos dá a vitória sobre as vagas tenebrosas da morte. A fé não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude e cujo penhor é o amor que Deus derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 1-5).

Não nos cansemos de extirpar o mal da nossa vida. Possa o jejum corporal, a que nos chama a Quaresma, fortalecer o nosso espírito para o combate contra o pecado. Não nos cansemos de pedir perdão no sacramento da Penitência e Reconciliação, sabendo que Deus nunca Se cansa de perdoar.[3] Não nos cansemos de combater a concupiscência, fragilidade esta que inclina para o egoísmo e todo o mal, encontrando no decurso dos séculos vias diferentes para fazer precipitar o homem no pecado (cf. Encíclica Fratelli tutti, 166). Uma destas vias é a dependência dos meios de comunicação digitais, que empobrece as relações humanas. A Quaresma é tempo propício para contrastar estas ciladas, cultivando ao contrário uma comunicação humana mais integral (cf. ibid., 43), feita de «encontros reais» (ibid., 50), face a face.

Não nos cansemos de fazer o bem, através duma operosa caridade para com o próximo. Durante esta Quaresma, exercitemo-nos na prática da esmola, dando com alegria (cf. 2 Cor9, 7). Deus, «que dá a semente ao semeador e o pão em alimento» (2 Cor 9, 10), provê a cada um de nós os recursos necessários para nos nutrirmos e ainda para sermos generosos na prática do bem para com os outros. Se é verdade que toda a nossa vida é tempo para semear o bem, aproveitemos de modo particular esta Quaresma para cuidar de quem está próximo de nós, para nos aproximarmos dos irmãos e irmãs que se encontram feridos na margem da estrada da vida (cf. Lc 10, 2537). A Quaresma é tempo propício para procurar, e não evitar, quem passa necessidade; para chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa palavra; para visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão. Acolhamos o apelo a praticar o bem para com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados (cf. Encíclica Fratelli tutti, 193).


3. «A seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido»

Cada ano, a Quaresma vem recordar-nos que «o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam duma vez para sempre; hão de ser conquistados cada dia» (ibid., 11). Por conseguinte, peçamos a Deus a constância paciente do agricultor (cf. Tg 5, 7), para não desistir na prática do bem, um passo de cada vez. Quem cai, estenda a mão ao Pai que nos levanta sempre. Quem se extraviou, enganado pelas seduções do maligno, não demore a voltar para Deus, que «é generoso em perdoar» (Is 55, 7). Neste tempo de conversão, buscando apoio na graça divina e na comunhão da Igreja, não nos cansemos de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que «a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido», e obteremos, com o dom da perseverança, os bens prometidos (cf. Heb 10, 36) para salvação nossa e do próximo (cf. 1 Tm 4, 16). Praticando o amor fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por nós (cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus, quando Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).

A Virgem Maria, em cujo ventre germinou o Salvador e que guardava todas as coisas «ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19), obtenha-nos o dom da paciência e acompanhe-nos com a sua presença materna, para que este tempo de conversão dê frutos de salvação eterna.

Roma, em São João de Latrão, na Memória litúrgica do bispo São Martinho,

11 de novembro de 2021.

Papa Francisco

______

[1] Cf. SANTO AGOSTINHO, Sermones 243, 9,8; 270, 3; Enarratio in Psalmis 110, 1.
[2] Cf. FRANCISCO, Momento extraordinário de oração em tempo de pandemia (27 de março de 2020).
[3] Cf. IDEM, Angelus de 17 de março de 2013.

in agencia.ecclesia.pt

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Quinta Feira Santa e a cerimónia do "Lava-Pés"


in https://www.aascj.org.br/jesus-lava-os-pes-de-seus-discipulos/



É na Quinta-Feira Santa que se celebra a Ceia do Senhor e normalmente, nessa noite tem lugar uma cerimónia religiosa muito importante nas Igrejas de todo o mundo: a do lava-pés.

Para além de simbolisar a humildade, a entrega e o servir o outro, o cristão praticante sente-se purificado.

Com esta cerimónia, celebra-se o acto em que Jesus criou a eucaristia, a sua entrega plena aos outros, sofrendo pelos pecadores.

Lembro-me bem como em casa dos meus pais se respeitavam estes dias de celebrações pascais. Não perdíamos nenhuma delas, porque  a Quaresma é tempo de caminhar com Jesus. É a Festa da Ressurreição!


Jesus lava os pés dos seus discípulos

Ele pegou uma toalha e cingiu-se com ela. Depois colocou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido"(Jo 13, 4-5). Os discípulos resistem. Pedro reage fortemente. Ele expressa o que provavelmente está no coração de cada um dos discípulos. A mesma resistência que talvez esteja em cada um de nós. O que diríamos nós se Jesus, Nosso Senhor, aparecesse diante de nós e começasse a lavar nossa roupa ou limpar nossa casa? Não ficaríamos acanhados e chocados? Nós certamente diríamos a Jesus para sentar na sala de estar e serviríamos tudo que Ele desejasse. Ele chegou junto a Pedro e este disse "Senhor, vais lavar os meus pés? E Jesus respondeu: "Tu não sabes o que estou fazendo, depois irás compreender." Pedro então respondeu: "Jamais lavarás os meus pés." Jesus respondeu "se eu não os lavar não terás parte comigo (Jo 13,6-9).


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Páscoa "virtual" com a minha família...

imagem tirada de: istockphoto.com


Eu sei que este ano não se deve comemorar a Páscoa, as tradições familiares desta altura não são para se cumprir, estamos todos "confinados". Mais do que isso: inteiramente "proibidos" de sair, de formar ajuntamentos - nem pensar nessa hipótese!

Mas há uma coisa que ninguém nos pode "proibir": é a de imaginar como seria esta Páscoa em família... 

Não é proibido sonhar, pois não? Então, sonhemos! 

O meu "sonho" leva-me a visualizar momentos desses, semelhantes aos já vividos em  anos  anteriores!  

Pus  já a "correr" na minha imaginação o Domingo de Páscoa e a minha família toda reunida em nossa casa, à volta da mesa, pronta a festejar. E "a cena" é mais ou menos esta: os nossos filhos a ajudarem-nos a levar da cozinha para a sala de jantar, onde já todos estão sentados, o caldo verde a fumegar, a travessa de barro com o cordeiro e as batatinhas assadas acompanhados do arroz de forno com miúdos. 

Os netos, que normalmente são os primeiros a sentarem-se, já estão impacientes, a perguntarem 'quando é que a comida vem', 'quando é que se começa a comer', 'estamos cheios de fome', 'já não aguentamos mais', 'estamos fartos de estar à espera'... 

E quando vamos para lhes responder, tentando dizer-lhes com algum remorso, 'é só mais um bocadinho, vamos já servir, está bem?', reparamos que, entretanto, já foram "enchendo a boca" com algumas das "entradas" ao alcance da suas mãozinhas, "devorando" a bola de carne ou o folar transmontano... Fizeram bem! Há que ir preenchendo o vazio do estômago!

Quando,  logo de seguida, o nosso olhar vai para os pires onde ainda há pouco havia vestígios de broa de milho com chouriça ou a tábua de queijos, já nem dá para reparar em mais nada, há que renovar: o que é apetitoso é para se comer... Passa tudo ao "ataque" e alguns momentos depois, já está tudo vazio - "já era", "marchou" tudo" - ! 

É sinal de que estava saboroso!

Nas cenas que continuam a percorrer a minha imaginação, aparecem agora os restantes familiares, como irmãos, cunhados, sobrinhos, ou então, um compadre vindo de longe, todos convidados a juntarem-se a nós...Como nos vêem tão atarefados, querem colaborar, tentando ajudar a controlar os mais pequenos, e para além de 'deitarem os olhos aos miúdos', também já estão com os olhos postos no repasto que aí vem... "c'os diabos, a fome já aperta, já vão sendo horas"...

E a dada altura, alguém pergunta: 'afinal, do que é que estamos à espera?' E é aí que os mais velhos pedem a ajuda dos filhos para servir os pratos a cada um de nós. Começamos sempre pelos mais novos, claro. Espreitando "pelo cantinho do olho", e observando todos sem exceção, é vê-los com apetite, concentrados nos seus pratos cheios, intercalando a batata e a carne com as saladas variadas ou os grelos, "devorando" o tenro cordeiro da Páscoa (que nunca tem mais de tês meses), bem temperado em vinha de alhos e ervas aromáticas. 

Passados aqueles momentos de entusiasmo em que nos defrontamos com o inicial apetite devorador e aparentamos estar com o estômago mais calmo, normalmente pergunto-lhes: "Então, como é que está tudo"? De um modo geral, a resposta é: "Está tudo muito bom"! Olho para cada elemento da "plateia", perscrutando-os bem, para confirmar que é mesmo isso o que sentem.  E, a partir daí, fico atenta pois já sei que daí a poucos instantes,  vão querer "repetir a dose". E lá se vai buscar de novo ao forno ligado no mínimo, a travessa de barro onde o cordeirinho e a batata assada ali ficaram à espera, para se comer tudo quentinho...

Bem, a minha imaginação está quase a chegar ao fim, mas então, vou ter de recuar um pouco, porque a seguir ao repasto, vem a sobremesa habitual de Páscoa: os doces de colher, algumas amêndoas coloridas ou da Arcádia do Porto, as amêndoas torradas de chocolate, o pão-de-ló de Ovar bem humedecido, os ovos de chocolate, escondidos algures na casa e que os miúdos, para os merecerem, vão ter de os encontrar!!!

Entretanto, vai anoitecendo e, mais logo, a casa ficará mais vazia, pois cada um regressará aos seus lares!  

E este ano, vai ser este o meu sonho: "virtualmente", sentir que tenho à minha volta, a família toda!

imagem in optclean.com.br