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sábado, 24 de abril de 2021

"Não permanecer preso ao passado" - frases de ânimo, de C. Torres Pastorino

Deixo aqui algumas frases de ânimo para todos nós, pois ainda nos encontramos em situação de pandemia.

Tenhamos esperança de que, em breve, tudo possa passar. Deverão ser mais uns dois (?) meses de muito cuidado e proteção, seguindo rigorosamente as regras sanitárias.  

Com a ajuda da ciência, em quem confio plenamente, a vacinação poderá trazer-nos momentos melhores! No entanto, devemos estar mais cautelosos do que nunca; como diz o provérbio "Em Abrantes, já nada será como dantes"! Ninguém conseguirá esquecerá jamais o que se passou neste último ano.

Bom, nunca sabemos o que está para vir, mas também não vale a pena antecipar desgraças ou tragédias!

Que Deus nos ajude a enfrentar as contrariedades da vida e a saber resolvê-las!


in imgs.app


AS FRASES de C. Torres Pastorino, extraídas da sua obra "Minutos de Sabedoria":

Não permaneça preso ao passado nem a recordações tristes. 

Não remexa uma ferida que está cicatrizada.

Não revolva dores e sofrimentos antigos.

O que passou, passou!

Deste momento em diante, procure construir uma vida nova, na direção do alto, caminhando para a frente, sem olhar para trás.

Faça como o sol que se ergue a cada novo dia, sem se lembrar da noite que passou.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

ESTÔMBAR: origem do nome da terra (1)

Arquivo de Estômbar - Algarve Marafado
in algarvemarafado.com

ESTÔMBAR - Origem do nome e significado: "Parece vir de um étimo céltico derivado de set, 'outeiro', alterado por influência arábica."
(pesquisei e encontrei em:  www.infopedia.pt)

"Estômbar, (freguesia., conc. Lagoa) - Os árabes batizaram de Sanabus a localidade, situada no interior de um castelo chamado Abenabeci, conquistado pelas tropas de D. Sancho I, no início da última década do século XII. O tempo acabaria por, supõe-se, fazer evoluir a denominação para o atual topónimo." (pesquisei e encontrei em: dicionário do nome das terras, por João Fonseca, editora casa das letras, maio 2007)



Estômbar é vila há 25 anos - Barlavento
in barlavento.pt


Nunca esquecerei esta terra, porque era para lá que íamos passar as nossas férias de verão em família, numa casa de campo que começámos a alugar, a partir da década de 80, em setembro, pertencente a uns emigrantes portugueses que tinham ido trabalhar para França. 

À noite, ouviam-se os grilos e quando subíamos à açoteia víamos os pirilampos a piscarem as suas luzinhas verdes. Durante o dia, as cigarras (os machos cantores) não se calavam, com o seu fratenir, produzindo sons estridentes, no topo das árvores que se encontravam no meio das alfarrobeiras e figueiras.

Lembro-me que era uma casa muito quente e tinha janelas de madeira que só abríamos à noite, para refrescar as divisões todas; se as abríssemos durante o dia, a casa tornava-se um autêntico forno e enchia-se de mosquitos. 

Era por isso que quando lá chegávamos para passar férias, a primeira coisa que fazíamos, depois de nos instalarmos, era ir às compras; não só para nos abastecermos, como para adquirir "inseticida", primeira palavra que constava da lista, infalivelmente; sem isso, não conseguíamos dormir! 

Ali passámos os nossos melhores momentos de verão durante algumas décadas, onde éramos recebidos por um casal que estava encarregue de tomar conta da casa e de todo o pomar circundante. Eram os caseiros e tinham um filho ainda bebé. 


Estômbar em festa - Algarve Marafado
vista da vila de Estômbar
in algarvemarafado.com

Ano após ano,  quando acabávamos de chegar, a caseira vinha trazer-nos sempre uma terrina com fruta. A partir de uma certa altura, já era o filho quem vinha bater à porta com uma grande travessa cheia de peras e que os pais enviavam para nos darem as "boas vindas". 

Assim que nos ouvia chegar da praia, ele vinha ter connosco e ali ficava a ver-me lavar os fatos de banho no pequeno tanque, e a estendê-los na corda, a querer ajudar, metendo as mãos na água e gostando de sentir os salpicos no seu rosto.

Até que, passados uns cinco anos, veio outro bebé; mais um rapaz! Muito risonho e muito dado. Lembro-me que era um bebé muito afetuoso.

Nós saíamos de manhã e passávamos o dia a passear conhecendo muitos lugarejos, bem como cidades e  praias. Normalmente íamos para as praias da Rocha ou do Alvor e era lá que almoçávamos e bebíamos o cafezinho que eu levava no termos. Corríamos o Algarve, de lés a lés. Antes de regressarmos a casa, o banho do final da tarde em Ferragudo, era sagrado. 


Ferragudo - Praia dos Caneiros
in tripadvisor. com.br


Para preparar o nosso farnel para todo o dia, eu tinha de me levantar cedo para ir fazer as compras à vila. Era sempre acordada por um "despertador" especial, um comboio que passava na linha férrea que ficava apenas a uns metros da casa, por volta das oito da manhã, apitando ruidosamente durante uns minutos à passagem por Estombar. 

E logo a seguir, eu saía de casa. No trajeto até à estrada, eu parava sempre diante de uma figueira carregada de figos de mel já bem maduros e provava alguns. Atravessava então a estrada para o outro lado, entrando na freguesia de Estômbar, afim de comprar o necessário para o passeio. Subia uma rua íngreme que passava mesmo ao lado da Junta de Freguesia, e deliciava-me a olhar as casinhas todas juntas, com as portadas abertas, e as pessoas que, simpaticamente, vinham à porta cumprimentar-me. Eu subia devagar, a rua quase parecia "de pé", sentindo os músculos das pernas muito presos pelo esforço, mas a cada dia mais vigorosos, tal era o exercício! 

E lá chegava um pouco esbaforida à padaria, mesmo no topo da vila, depois da Igreja Matriz. Comprava o pão para as sandes e também umas "línguas de sogra", tão estaladiças, tão douradinhas, com um sabor tal a canela, que não me lembro de ter voltado a experimentar semelhante até aos dias de hoje! 

Afeiçoámo-nos uns aos outros, ao longo dos anos; as crianças dos caseiros cresceram, mas quando chegávamos para as nossas férias, já não nos largavam, sempre a bater à nossa porta para nos verem e brincarem com as nossas, que, claro, também iam crescendo. 

Passámos alguns serões juntos, a petiscar umas deliciosas caracoletas com Knorr e orégãos, confeccionadas pelo caseiro, cujo sabor se tornou inesquecível! Eram "regadas" com um vinho da Lagoa, outras vezes o Lezíria de Almeirim, que ele ia buscar. Tudo isto acompanhado de broa de centeio ou pão cozido no forno doméstico.

in: eueaminhacomida.blogspot.com

Um pormenor interessante: para puxarmos as caracoletas cozinhadas para fora da sua "casa", aproveitando-as bem, o caseiro munia-nos de uns picos de folha de palmeira que ele ia buscar ao campo e preparava. Assim, ao espetarmos o pico na caracoleta, ela vinha inteira. Outras vezes, os caseiros assavam nas brasas do fogareiro as sardinhas que eu encomendava na peixaria, logo de manhã; isto, se eu tivesse ouvido o carro do peixe a buzinar por toda a vila!!! É que esse sinal sonoro era "um código especial" passando a mensagem de que havia muito peixe fresco à venda. Também havia febras assadas. No fim, melão ou melancia fresquinhos rematavam a nossa refeição. E foi assim, durante décadas.


Até que um dia, o proprietário da casa resolveu vendê-la e a partir daí, em cada ano, tivemos de começar a procurar apartamento noutros locais, para podermos gozar as nossas férias, que passaram a ser em julho ou agosto, partindo à descoberta de Quarteira, Vilamoura, Albufeira, Monte Gordo... 

Os nossos filhos, agora já adultos, adaptaram-se bem e nós acompanhámo-los, o ser humano adapta-se às mudanças. Mas dentro de mim, nunca esqueci Estômbar, os caseiros e os filhos, a casa no campo, a padaria e a Igreja, o Restaurante São Gabriel e o Palmeira, os outros em Portimão, e as nossas noites de passeio no carro ouvindo música, depois de termos jantado; ou passeando a pé pela Praia da Rocha, parando para comer gelados.

Também os caseiros se mudaram para uma casa em Monchique e como os amigos não se esquecem, visitamo-los aí ou encontramo-nos quando nos é possível. Para além  de tentarmos manter contacto pelo WhattsApp, falamos do presente e recordamos aquele passado que tantos momentos felizes nos proporcionou. 

É por tudo isto que Estômbar se tornou inesquecível para mim! Para além de continuar a gostar muito dessa vila, todo tão branca e tão especial, com alguns nomes de poetas árabes importantes nas suas ruas e os beirais das casas onde as andorinhas chilreiam, sinto sempre uma forte emoção misturada com saudade quando me lembro daquelas férias de verão, nas décadas de 80 e 90!

sábado, 18 de maio de 2013

Gustave Flaubert e as nossas recordações...

"As recordações não povoam a nossa solidão, como dizem; ao contrário, fazem-na mais profunda!"


                                     Gustave Flaubert

                                   

sábado, 20 de novembro de 2010

Zeca Afonso - Canção de Embalar

"O meu menino é d'oiro", de Zeca Afonso

Menino De Oiro

                                       
O meu menino é d'oiro, é d'oiro fino

Não façam caso, que é pequenino.

Não façam caso, que é pequenino.


O meu menino é d'oiro, d'oiro fagueiro

Hei-de levá-lo, no meu veleiro.

Hei-de levá-lo, no meu veleiro.


Venham aves do céu pousar de mansinho

Por sobre os ombros do meu menino,

Do meu menino, do meu menino.


Venham comigo venham, que eu não vou só

Levo o menino no meu trenó.

Levo o menino no meu trenó.


Quantos sonhos ligeiros, p'ra teu sossego

Menino avaro, não tenhas medo.

Menino avaro, não tenhas medo.


Onde fores no teu sonho, quero ir contigo

Menino d'oiro, sou teu amigo.

Menino d'oiro, sou teu amigo.


Venham altas montanhas, ventos do mar

Que o meu menino, nasceu p'ra amar.

Que o meu menino, nasceu p'ra amar.


Venham comigo venham, que eu não vou só

Levo o menino, no meu trenó.

Levo o menino, no meu trenó.



O meu menino é d'oiro, é d'oiro fino

Não façam caso, que é pequenino

Não façam caso, que é pequenino.


O meu menino é d'oiro, d'oiro fagueiro

Hei-de levá-lo, no meu veleiro.

Hei-de levá-lo, no meu veleiro.


Venham altas montanhas, ventos do mar

Que o meu menino, nasceu p'ra amar.

Que o meu menino, nasceu p'ra amar.


Venham comigo venham, que eu não vou só

Levo o menino no meu trenó.

Levo o menino no meu trenó.



(Menino D'Oiro, de José Afonso


(Composição: José Afonso)