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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Qual é a origem da nossa língua? (Parte I)

Almanaque da Língua Portuguesa
imagem obtida em book.pt

Quando frequentei a Faculdade de Letras do Porto, licenciando-me em Línguas e Literaturas Modernas, Variante Português/Francês, descobri que tinha uma certa propensão para conhecer as origens da nossa língua e a etimologia das palavras, e isso passou a fascinar-me definitivamente.

Ao pesquisar o tema do título do meu post no livro Almanaque da Língua Portuguesa, de Marco Neves, Autor e Guerra e Paz, Editores,,  S.A. 2020.
A presente edição não segue a grafia do novo ortográfico.
Encontrei uma explicação que passo a partilhar :

"Qual é a origem da nossa Língua? Que língua falava Afonso Henriques?
Quando Afonso Henriques se tornou Rei de Portugal, que línguas ouvíamos nas ruas de Guimarães? Seria latim?  Seria português?
O latim clássico não era certamente: entre a chegada dos Romanos ao Ocidente da Península e o momento em que Afonso Henriques se torna rei passam séculos e séculos - mais séculos, aliás,  dos que já passaram entre o tempo de Afonso Henriques e o nosso próprio tempo.
Não só a nossa língua provém do latim vulgar, das, ruas, e não do latim clássico, como seria de estranhar que o latim, ao longo de mais de 1000 anos, não mudasse. Mudou - e mudou muito.
No momento em que Afonso Henriques nasce, nas ruas já ouvíamos algo com características que hoje consideraríamos muito portuguesas e muito menos latinas. Como exemplo, já se notaria a queda do / n / e do / l /  em muitas palavrasque, noutras línguas (como o castelhano), ainda se mantêm - por exemplo, a "luna" latina passou a "lua" em português e manteve-se "luna" no castelhano.
Apesar  de ser já, em traços largos, a nossa língua, ninguém utlizava a designação "português" para a língua. O termo comum seria "linguagem", a linguagem do "dia-a-dia" desprezada e sem forma escrita. Era, no entanto, uma língua completa. 
As línguas vão mudando ao longo dos séculos, transformando-se e dividindo-se, mas nunca estão numa fase imperfeita ou decadente. Estão sempre em contínua mudança.
Agora a surpresa: a tal linguagem que saía da boca de Afonso Henriques desenvolveu-se, a partir do latim vulgar, no Norte de Portugal, mas também na Galiza. Naquele momento, não havia uma fronteira linguística entre o novo reino e o reino a norte. A língua de Afonso Henriques era a língua latina própria do território da Antiga Galécia romana, que incluía o Norte de Portugal e a Galiza.
Nos primeiros séculos da nossa nacionalidade, a tal linguagem da rua, a língua da Galécia, começou a ser escrita ~e há, aliás, muito boa literatura naquilo que hoje chamamos "galego-português" (um nome que ninguém usou até muitos séculos depois). A língua própria da antiga Galécia era uma língua que chegou a ser usada pelos reis castelhanos para escrever poesia -e foi usada, sem dúvida, por D. Dinis na sua poesia e, cada vez mais, em documentos oficiais.Era o nosso português antes de se chamar português.
A língua da Galécia tornou-se a língua do novo reino de Portugal.
Com alguma naturalidade, tempos depois, começou a aparecer o nome de "português" como designação da língua do reino - sem que a língua deixasse de ser a mesma que se falava ainda a norte do Minho, na Galiza.

quinta-feira, 30 de março de 2023

A Páscoa - origem e significado

20 curiosidades sobre a Última Ceia, obra-prima de Leonardo da Vinci -  ISTOÉ Independente
imagem obtida in: https://istoe.com.br/20-curiosidades-sobre-a-ultima-ceia-obra-prima-de-leonardo-da-vinci/


A Páscoa é uma festividade cristã com origem muito antiga...  

"...(...)...deriva do termo hebraico pésah (pelo latim vulgar pascua), 'passagem', festa judaica muito antiga, de origem agrícola, e que celebrava a chegada da primavera, e, posteriormente, a fuga do Egito. A Última Ceia coincidiu com esta data, e Cristo deu um novo significado à celebração, passando a designar a páscoa cristã." (segundo Pedro Braga Leitão, na sua obra Palavras que falam por nós, Clube do Autor, março 2014).

Pesquisando mais um pouco, encontrei: 
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/etimologia-e-significado-de-pascoa/17504 
[consultado em 30-03-2023]

'A etimologia e o significado de Páscoa'

'A Páscoa é, de acordo com o Dicionário Onomástico-Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a «Grande festa judaica e cristã, esta a comemorar a Ressurreição de Jesus Cristo. Do latim vulgar pascua, atestado nas glosas, alteração do latim eclesiástico Pascha, por cruzamento com pascua, «alimento (propriamente "pasto")», pois a Páscoa põe fim ao jejum da Quaresma; aquele termo do latim Pascha provém do grego páscha, forma documental na versão dos Setenta (que significa: «a Páscoa, festa judaica e cristã; "em particular", a refeição da Páscoa; o anho pascal»), com origem no hebreu "pasach", que propriamente significa "passagem" e designa a festa celebrada em recordação da saída do Egipto (...); serviu depois para designar a festa cristã celebrada em honra da Ressurreição de Jesus Cristo, por motivo da coincidência das datas.»

A Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (Editorial Verbo, Lisboa) diz, ainda, o seguinte sobre Páscoa: «O seu significado etimológico é incerto. Alguns procuram-no em raiz egípcia e, nesse caso, significaria “golpe”, “ferida”. Há quem prefira ligar a palavra ao siríaco e então significaria “ser feliz”, “estar alegre”. Designaria, portanto, a festa de júbilo por excelência. Entretanto o significado geralmente aceite é o que adquiriu no hebraico bíblico: “saltar”, “passar adiante”. Primariamente, Páscoa designaria uma dança ritual (‘I Re.’, 18,21); aplicar-se-ia também o termo à passagem do Sol pela constelação do Carneiro ou da Lua para o seu zénite. Por fim impôs-se o significado que lhe dá Ex. 12, 12-27: a “passagem” de Javé ao dar a morte aos primogénitos dos egípcios, “saltando” por cima das casas dos hebreus a quem poupou. No TM “pesah” designa o rito sagrado (49 vezes) ou a própria vítima (31 vezes) ou refere-se simultaneamente ao rito e à vítima (2 vezes). Não se sabe exactamente quando começou e em que consistiria na sua origem, antes de estar unida à festa dos Ázimos. Tudo leva a crer que era anterior a Moisés. Seria a festa que os israelitas desejavam celebrar quando tentaram sair do Egipto com os seus rebanhos (Êx. 3, 18; 5, 3; 7, 16). O texto sugere-nos mesmo que se julgavam obrigados a tal celebração (Êx. 8, 21-25). Admite-se geralmente que era comum às tribos semitas e estava ligada à vida nómada e pastoril. Era festa das primícias dos pastores. Ofereciam à divindade os primogénitos do rebanho, talvez com um sentido propiciatório e para afastarem doenças ou malefícios sobre a família ou sobre os rebanhos. (...).»

Carlos Marinheiro '