Mostrar mensagens com a etiqueta Linguística. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Linguística. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

PORTO - a origem do nome desta cidade é "PORTUS CALE"

Portus Cale – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem in: pt.wikipedia.org

Baseando-me na leitura e estudo do Almanaque da Língua Portuguesa, de Marco Neves, (Guerra & Paz, Livros CMtv 2020), a  origem do nome da cidade do Porto terá sido a designação latina PORTUS CALE.

Foi esta que deu  o nome ao nosso país, e ainda à cidade, pois se observarmos bem, Porto descende da primeira parte do nome latino, portus, com o significado de "porto".

No entanto, ao aprofundarmos a verdadeira origem da cidade do PORTO, é interessante verificar que o nome PORTUS (porto) pode ser oriunda da palavra 'pertus' - palavra proto-indo-europeia - "reconstruída através do processo comparativo entre várias línguas. Este 'pertus' - uma palavra que terá sido usada há uns bons 5000 anos - significaria 'passagem' e deu origem ao 'portus' latino, ao 'fjord' norueguês e ao 'Firth' do inglês ...(...)...", segundo o autor da obra.

Concluo, achando que o estudo da origem das palavras e o da linguística, é sempre fascinante!

Portus Cale » Filigrana - Interior Design
imagem in : filigrana.com.pt

sábado, 7 de dezembro de 2024

.../... Qual é a origem da nossa Língua? (Parte II)

Father of the Nation - Portugal Travel Guide
imagem obtida em: portugaltravelguide.com


"E no Sul de Portugal?

Na altura em que D. Afonso Henriques se tornou rei de Portugal, o Sul estava sob domínio muçulmano. A língua da população era, no entanto, o moçárabe, ou seja, a particular evolução do latim no sul da península. 

Com a expansão do novo reino de Portugal para sul, a língua do Norte começou a invadir os novos territórios, sofrendo algumas influências do moçárabe, e, através deste do árabe. A língua da Galiza e do Norte tornava-se, também, a língua do Sul de Portugal.

Como a capital ficou estabelecida em Lisboa, a forma particular da língua nessa cidade ganhou um prestígio particular, sem que tal significasse que fosse, de alguma maneira, a melhor forma de falar a língua. No Norte, o português continuou a ser falado como sempre foi. Mesmo na Galiza, onde a língua não era usada por nenhuma corte, a população continuou a falar, pelos séculos fora, algo muito próximo do que saía da boca dos portugueses do Norte.

Só no último século, com a expansão do uso do castelhano na Galiza e com a uniformização da língua portuguesa centrada nos usos do Sul (uma uniformização que não é completa, mas tem aproximado a forma de falar dos portugueses de todo o país), os galegos e os portugueses do Norte começaram a sentir uma divergência mais marcada naquilo que se fala na rua a norte e a sul do Minho.

Mesmo assim, ainda hoje há uma surpreendente proximidade entre o que se fala dum lado e doutro da fronteira entre Portugal e a Galiza - e note-se que estamos a falar de uma das mais antigas fronteiras do mundo Muitos galegos ainda falam galego - e nós, claro está, falamos português.Nós, portugueses e galegos, falamos qualquer coisa que descende diretamente da língua que se ouvia em Guimarães - mas também em Tui -, quando Afonso Henriques se tornou o primeiro rei de Portugal.

Essa língua forjada na antiga Galécia está hoje noutras paragens do mundo, já o sabemos."

LER MAIS...

O livro Assim nasceu uma língua, de Fernando Venâncio, conta a história da nossa língua de forma empolgante e bem fundamentada.

*** Esta transcrição tem origem no Almanaque da língua Portuguesa, de Marco Neves, já referida no meu post anterior com o mesmo título (Parte I)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Qual é a origem da nossa língua? (Parte I)

Almanaque da Língua Portuguesa
imagem obtida em book.pt

Quando frequentei a Faculdade de Letras do Porto, licenciando-me em Línguas e Literaturas Modernas, Variante Português/Francês, descobri que tinha uma certa propensão para conhecer as origens da nossa língua e a etimologia das palavras, e isso passou a fascinar-me definitivamente.

Ao pesquisar o tema do título do meu post no livro Almanaque da Língua Portuguesa, de Marco Neves, Autor e Guerra e Paz, Editores,,  S.A. 2020.
A presente edição não segue a grafia do novo ortográfico.
Encontrei uma explicação que passo a partilhar :

"Qual é a origem da nossa Língua? Que língua falava Afonso Henriques?
Quando Afonso Henriques se tornou Rei de Portugal, que línguas ouvíamos nas ruas de Guimarães? Seria latim?  Seria português?
O latim clássico não era certamente: entre a chegada dos Romanos ao Ocidente da Península e o momento em que Afonso Henriques se torna rei passam séculos e séculos - mais séculos, aliás,  dos que já passaram entre o tempo de Afonso Henriques e o nosso próprio tempo.
Não só a nossa língua provém do latim vulgar, das, ruas, e não do latim clássico, como seria de estranhar que o latim, ao longo de mais de 1000 anos, não mudasse. Mudou - e mudou muito.
No momento em que Afonso Henriques nasce, nas ruas já ouvíamos algo com características que hoje consideraríamos muito portuguesas e muito menos latinas. Como exemplo, já se notaria a queda do / n / e do / l /  em muitas palavrasque, noutras línguas (como o castelhano), ainda se mantêm - por exemplo, a "luna" latina passou a "lua" em português e manteve-se "luna" no castelhano.
Apesar  de ser já, em traços largos, a nossa língua, ninguém utlizava a designação "português" para a língua. O termo comum seria "linguagem", a linguagem do "dia-a-dia" desprezada e sem forma escrita. Era, no entanto, uma língua completa. 
As línguas vão mudando ao longo dos séculos, transformando-se e dividindo-se, mas nunca estão numa fase imperfeita ou decadente. Estão sempre em contínua mudança.
Agora a surpresa: a tal linguagem que saía da boca de Afonso Henriques desenvolveu-se, a partir do latim vulgar, no Norte de Portugal, mas também na Galiza. Naquele momento, não havia uma fronteira linguística entre o novo reino e o reino a norte. A língua de Afonso Henriques era a língua latina própria do território da Antiga Galécia romana, que incluía o Norte de Portugal e a Galiza.
Nos primeiros séculos da nossa nacionalidade, a tal linguagem da rua, a língua da Galécia, começou a ser escrita ~e há, aliás, muito boa literatura naquilo que hoje chamamos "galego-português" (um nome que ninguém usou até muitos séculos depois). A língua própria da antiga Galécia era uma língua que chegou a ser usada pelos reis castelhanos para escrever poesia -e foi usada, sem dúvida, por D. Dinis na sua poesia e, cada vez mais, em documentos oficiais.Era o nosso português antes de se chamar português.
A língua da Galécia tornou-se a língua do novo reino de Portugal.
Com alguma naturalidade, tempos depois, começou a aparecer o nome de "português" como designação da língua do reino - sem que a língua deixasse de ser a mesma que se falava ainda a norte do Minho, na Galiza.

sábado, 23 de setembro de 2023

Curiosidades: qual a língua mais antiga do mundo?

As 10 línguas mais faladas do mundo
imagem obtida in ncultura.pt


É uma questão curiosa, uma vez que ao pesquisar na Net, nem sempre os artigos são unânimes.


QUAL É O IDIOMA MAIS ANTIGO DO MUNDO? 

Língua falada na Mesopotâmia – onde hoje fica parte do Iraque, do Kuwait, da Síria, da Turquia e do Irão – é o idioma mais antigo do mundo.

Com o registo mais remoto datado do século 14 antes da Era Moderna – AEC (o que o calendário cristão costuma chamar de Antes de Cristo), a língua acádia, também chamada de acadiano, é o idioma mais antigo de que se tem conhecimento.

Hoje considerado uma “língua morta”, o acadiano era uma língua semítica (parte da família afro-asiática) falada particularmente pelos assírios e babilónios na antiga Mesopotâmia, onde atualmente fica parte do Iraque, do Kuwait, da Síria, da Turquia e do Irão. 

Embora não seja usado há mais de dois mil anos, o idioma foi preservado em inscrições em pedras e barro. Há décadas, pesquisadores do mundo todo vêm trabalhando para decifrar suas palavras. 

O acadiano é dividido em diversas variedades, de acordo com a geografia e o período histórico:
Acádio antigo — 2500 a 1950 AEC
Babilónio antigo/Assírio antigo — 1950 a 1530 AEC
Babilónio médio/Assírio médio — 1530 a 1000 AEC
Neo-babilonio/Neoassírio— 1000 a 600 AEC
Babilónio tardio — 600 AEC a 100 EC

As características gramaticais da língua arcádia são semelhantes às do árabe clássico, com substantivos e adjetivos variando em gênero, número e declinação. São dois gêneros (masculino e feminino), conjugações verbais exclusivas para cada pronome da primeira, segunda e terceira pessoas, e três formas de número: além do singular e do plural, existe também a flexão “dual”, que denota conjuntos de duas coisas.

Idiomas mais antigos do mundo ainda em uso

Desconsiderando as línguas mortas, estes são os dez idiomas mais antigos do mundo ainda em uso, de acordo com o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol): 

Hebraico – adormecida por volta do século 4 AEC, a língua passou por um processo de um "reavivar" que a fez tornar-se o idioma oficial de Israel;
Basco – língua falada por nativos bascos que vivem em algumas regiões da Espanha e da França, mas completamente diferente de qualquer idioma de origem romana (como são o francês e o espanhol);
Tamil – língua falada por 78 milhões de pessoas no mundo e reconhecida como idioma oficial de países como Sri Lanka e Singapura;
Lituano – idioma estabelecido no ramo báltico da família indo-europeia que preservou mais sons e regras gramaticais da chamada língua Proto-Indo-Europeia (PIE), sendo considerado hoje um dos idiomas mais velhos ainda em atividade;
Farsi – língua descendente direta do persa antigo, é falada hoje em dia pela maioria dos povos do Irã, Afeganistão e Tajiquistão;
Islandês – outra língua indo-europeia, dessa vez do ramo germânico do norte, esse idioma produziu poucas mudanças, sendo quase a mesma desde a época dos caçadores nórdicos;
Macedônio – junto com sua língua próxima, o búlgaro, esse idioma é a língua mais próxima à falada na Antiga Igreja Eslava;
Finlandês – membro da família fino-úgrico, que também inclui o estoniano, o húngaro e idiomas nativos falados na Sibéria, o finlandês pegou várias palavras emprestadas de outras famílias de línguas ao longo dos séculos
Georgiano – adaptado do aramaico no século 3 AEC, esse idioma é falado no país Geórgia e é a única língua caucasiana com uma antiga tradição literária;
Irlandês gaélico – falado por uma pequena quantidade de irlandeses, esse idioma é membro do ramo celta das línguas indo-europeias e existe nas ilhas que agora são parte da Grã-Bretanha antes mesmo da chegada das influências germânicas.

Esta reportagem foi publicada originalmente no site Olhar Digital, em 07 de fevereiro de 2023. 

Baseado em:
https://globaltranslations.com.br
(adaptei alguns vocábulos para o português de Portugal, pois baseei-me neste  artigo escrito em português do Brasil)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A expressão "Espada de Dâmocles": sua origem e significado


in https://noalvocomchicoze.com


Há expressões correntes muito curiosas e por trás delas há sempre uma história.

A explicação da sua origem histórica é sempre interessante e muitas vezes têm também algumas outras histórias por detrás da sua origem. Todas nos obrigam a refletir sobre a vida e de muitas delas, conseguimos retirar lições de moral. É sempre bom refletir sobre estas expressões...

Hoje, vamos pesquisar A Espada de Dâmocles:

"...(...)... personagem alegadamente histórica é Dâmocles. Das suas histórias vem a expressão Espada de Dâmocles... que é usada quando um grande perigo impende sobre alguém. Dizem que Dâmocles era um despótico governante. Para lhe darem uma lição, alguns cortesãos aproveitaram um jantar para pendurarem uma espada, debilmente presa por um fio, sobre a cabeça do tirano. Pretenderam desse modo relembrar a Dâmocles a precariedade da vida e a fragilidade do poder. Uma precisão. A figura de Dâmocles remete mais para a lenda do que para a mitologia ou para as Histórias gregas."

(in "Nas Bocas do Mundo, de Sérgio Luís de Carvalho, Uma viagem pelas histórias das expressões portuguesas", Grupo Planeta, Planeta Manuscrito, 2ª edição aumentada, 2014)