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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

"À tripa forra" - uma curiosa expressão popular portuguesa


"À tripa forra" é uma expressão popular que significa na nossa língua:  

  • com fartura
  • abundantemente
  • gratuitamente
  • sem se preocupar com o custo ("comer ou viver sem se preocupar - "à tripa forra")

FONTE: Baseei-me na leitura da obra "Novos Dicionários de expressões idiomáticas", de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa, 1ª edição, 1990

Já No Ciberdúvidas da Língua Portuguesa pode encontrar-se a seguinte explicação para a referida expressão:

Pergunta de um consulente ao Ciberdúvidas:

'A origem da expressão «gastar à tripa-forra»
Há uma expressão que se lê e ouve constantemente: «gastar à tripa forra». Embora se compreenda facilmente o seu significado, será possível informarem-me como surgiu?
Obrigada.
...(...)...(...)...

Resposta

Não encontro comentários sobre a origem da expressão. No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001), tripa-forra (com hífen)1 tem entrada própria, sendo a palavra classificada como elemento nominal da locução adverbial «à tripa-forra», cujas definições são: «em grande quantidade ou abundância, fartamente; até não poder mais» e «gratuitamente, às custas de outrem; de borla».

Note-se que tripa é, em linguagem familiar, o mesmo que barriga (cf. idem), como na expressão «encher a tripa», «comer muito até ficar farto»; e forra, o feminino de forro, «livre, desobrigado». Tripa-forra é, pois, a fixação do sintagma «tripa forra», isto é, «barriga livre». Lembrando que barriga é por metonímia o mesmo que apetite, como ocorre na expressão «ter mais olhos que barriga», é de sugerir que tripa-forra tenha surgido como alusão a um apetite sôfrego, desenfreado ou descontrolado, sem limites por falta de comida ou de dinheiro para a comprar. 

Sendo assim, «gastar à tripa-forra» quer dizer «gastar descontroladamente». O que acabo de propor é meramente uma conjectura baseada na análise semântica e morfológica da expressão, visto que, como disse, não tenho elementos históricos que me permitam descrever o contexto factual da sua génese.

1 O Dicionário Houaiss (edição brasileira de 2001, s. v. tripa) regista «à tripa forra» sem hífen, definindo-a como locução sinónima de «à larga». Dado que tripa-forra ou tripa forra ainda mantêm um certo grau de composicionalidade (os significados das palavras suas constituintes ainda estão acessíveis à interpretação), considero que ambas as grafias são aceitáveis.' 

(por Carlos Rocha)

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-da-expressao-gastar-a-tripa-forra/28859 [consultado em 13-02-2026]

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

"O tempo da outra senhora" e o verdadeiro significado desta expressão

Homem, mulher café retro
imagem obtida in: https://www.publicdomainpictures.net


A minha pesquisa de hoje incide numa expressão curiosa que pode levar a outras interpretações diferentes da verdadeira, que é a que se segue:


'A expressão «o tempo da outra senhora» é hoje, realmente, muitas vezes utilizada quando nos referimos ao regime do Estado Novo em que havia censura e um regime de partido único. No entanto, a «outra senhora» não significa nem «censura» nem «ditadura», mas, sim, mesmo uma outra senhora. 

Explicando, esta expressão é anterior ao 25 de Abril e tem origem nas relações domésticas. A Senhora era a dona da casa e aí punha e dispunha. Era ela que ditava as leis da organização da casa, a serem cumpridas pela criadagem. Quando a senhora da casa morria, havia uma nova senhora (a filha, a nora, a nova mulher do viúvo que entretanto casaria), a ditar a organização da casa, e essa organização sofria alguma alteração; a forma de gerir era, naturalmente, diferente. E surge então a expressão «o tempo da outra senhora», distinto do actual. 

Quando muda o regime político, mudam as leis, muda a forma de organização do país e, por analogia, começa, então, a falar-se do tempo da «outra senhora» quando se pretende referir situações relativas a essa época anterior, situações essas que agora não existem ou foram alteradas.'

FONTE:
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-tempo-da-outra-senhora/13622 [consultado em 12-11-2025]

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

"Ovelha ronhosa" ou "ovelha negra"- uma expressão idiomática portuguesa e a sua história

A ovelha negra. | ProjetoPEDAL
imagem em: https://oprojetopedal.wordpress.com/


Quando se fala de alguém a quem chamamos "ovelha negra" estamos a querer transmitir a ideia de que aquela "ovelha", especificamente, não se integra naquele mesmo "rebanho". Usamos, portanto, essa expressão em sentido pejorativo.

Aplica-se muito no seio de uma determinada família, o que não significa que também não se possa estar a fazer alusão a um outro grupo de pessoas.

Ao reparar nessa "ovelha", sentimos que "ela" é diferente das que conhecemos entre uns e outros como sendo "normal". Mas há , na realidade, algo de diferente: não segue esse padrão a que estamos habituados a ver. 

A história desta expressão : nas antigas religiões pagãs, estas sacrificavam os animais negros, que eram "vistos como forças das trevas", e ofereciam-nos aos seus deuses.

Continuando a pesquisar a obra de Andreia Vale (onde me baseei para elaborar este post), Puxar a brasa à nossa sardinha, da Manuscrito, 2015, encontra-se uma outra alusão a esta expressão, no domínio da prática: em relação a estes animais propriamente ditos, sabemos que a tradição por parte dos pastores mais antigos os levava a exprimir uma preferência pelas ovelhas brancas. E porquê?  Porque uma vez que a sua lã (branca) podia ser "tingida" de preto aquelas eram mais "valorizadas" do que as ovelhas de cor negra - estas tinham um valor "de mercado" inferior.

Em relação à "ovelha ronhosa"  (geralmente ouve-se dizer ovelha ranhosa, mas não é correto: é ronhosa porque sofre de "ronha", uma doença (sarna que ataca os animais).

Com os humanos, a expressão "a ovelha ronhosa" designa alguém que está conotada deste modo: "... (...)... é dizer que ela é a vergonha, a desgraça, a nódoa no pano de uma família, ou de um grupo".

Uma vez que estes dois adjetivos "ranhosa" e "ronhosa" têm uma ortografia e fonética muito parecida, foi por isso que se generalizou mais a palavra "ranhosa" do que a "ronhosa"! 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

"Não poder com uma gata pelo rabo" - significado desta expressão idiomática

não poder com um gato pelo rabo - Dicionário Online Priberam de Português
imagem obtida em: https://dicionario.priberam.org

A gata é um animal que tem quatro patas e normalmente é dócil. Mas sabemos que estes animais em geral, são muito independentes.

Apesar de podermos pegá-los ao colo com alguma facilidade (se eles concordarem, claro), é preciso saber como fazê-lo, pois quando nos apetece ter essa atitude, as suas "garras" (unhas bem afiadas!!!) saltam logo à nossa vista e, por vezes, também sentimos algumas "arranhadelas" não intencionais.

Portanto, é preciso termos força física para lhes pegar, não estarmos exaustos e, sim, ter alguma firmeza e decididos a fazê-lo; se não tivermos essa força suficiente, é aí que "não podemos com uma gata pelo rabo"!

E porque referimos que é uma gata e não um gato? 

A explicação mais conhecida e provável depois do que tenho pesquisado e lido, é que a gata, como fêmea, é ligeiramente mais pequena e dócil do que o gato; a sua ferocidade portanto, é menor e não é tão veloz como aquele. 

Tornar-se-ia mais fácil "pegá-la pelo rabo", mas para isso é preciso termos mesmo a tal "força" e uma grande predisposição para sentirmos o contacto tão desejado com estes "felinos"; de contrário, não conseguimos nada...!

Daí, a expressão "não  poder com uma gata pelo rabo"! 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

"Passar as passinhas do Algarve" - expressão idiomática portuguesa e a sua história

A origem da expressão «passar as passas do Algarve» - Observatório da  Língua Portuguesa
imagem in: observalinguaportuguesa.org

Esta expressão idiomática ""Passar as passas/passinhas do Algarve", refere-se a :
  • alguém que está a sofrer muito ou a passar por uma situação muito difícil
  • alguém que está a passar por algo complicado e que provavelmente sairá dela afetado
  • passar por extremas dificuldades
Pude ler, segundo a minha pesquisa na obra de Andreia Vale "Puxar a brasa à nossa sardinha" (5ª edição da Manuscrito, 2015) o seguinte :
" Um pouco como a vida dos figos e das uvas, quando transformados em passas (frutos desidratados). São um dos produtos mais conhecidos e apreciados do Algarve, produzidos através de um processo de secagem e desidratação pelo calor do sol algarvio (sim...o de lá de baixo é algarvio, não é igual aos outros sóis no resto do país, lamento...). O processo acaba por ser a metáfora ideal para quando nos referimos a um acontecimento cheio de obstáculos e agruras ".

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

"Deitar a barra adiante" - expressão corrente (origem e significado)

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imagemhttps://pt.pngtree.com/


Hoje, temos aqui uma expressão que tem que se lhe diga!

A explicação do seu significado e da sua origem, tem como FONTE o "Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, Notícias editorial, 1999.

Recorro muito a este tipo de referência, quando quero ter a certeza de que houve uma pesquisa aprofundada do seu autor sobre a expressão que abordo., como é o caso.

Deitar a barra adiante" - a significação é conhecida: "fazer melhor figura do que qualquer outro."

Nas crenças Populares Portuguesas, Alexandre Herculano usou a frase: "Entre as nações modernas a portuguesa passa por mais uma das inclinadas a essas superstições. É uma das multiplicadas calúnias que sobre as nossas cabeças lançam estrangeiros: quem de isso se quiser desenganar leia o Dicionário Infernal, de Colin de Planey, e achará que qualquer província de França, ainda das mais civilizadas, nos deita, como se diz vulgarmente, a barra adiante, em superstições populares."

A origem está no jogo popular da barra, também chamado do pau-ferro. Trata-se de um jogo antiquíssimo, praticado já pelos guerreiros gregos e romanos. O material com que se joga consiste numa alavanca de ferro como aquelas que usavam os pedreiros.

Um risco no solo limita a área de lançamento, isto é, o lançador não pode pisar o risco nem lançar depois de o ultrapassar.

A alavanca deve ser lançada de tal modo que caia de ponta no solo: se tal não suceder, o lançamento não conta para a classificação do jogador.

Cada jogador pode fazer várias tentativas para conquistar a vitória, contando para esse efeito o lançamento mais longo que tenha efetuado. Não é obrigatório, porém, que a alavanca fique espetada no solo."

terça-feira, 26 de novembro de 2024

"Expulsar os vendilhões" - origem e significado desta expressão corrente

Jesus expulsando os vendilhões – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem obtida em pt.wikipedia.org


Ao consultar o Dicionário de Expressões correntes, da Editorial Notícias, fevereiro de 1998 e da autoria de Orlando Neves, este especifica a expressão "Expulsar os vendilhões", deste modo:

"Refere-se a uma ação enérgica e severa contra aqueles que praticam fraudes ou abusos.

Tem origem na Bíblia, Evangelho de S. Lucas 19,45: Entrando no templo (Jesus) começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam (46) dizendo-lhes: está escrito, a minha casa é casa de oração, mas vós fizestes dela covil de ladrões."

É sempre bom ler mais, para saber mais!

sábado, 6 de julho de 2024

"Já a formiga tem catarro" - significado desta expressão idiomática




imagem obtida IN: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/


Esta expressão é usada muitas vezes referindo-se aos mais novos. 

Na 1ª pesquisa, encontrei:

"Já a formiga tem catarro" é uma expressão usada quando alguém com pouca idade ou experiência toma uma posição de força ou expressa uma opinião sobre um assunto sobre o qual, aparentemente, não está habilitado.

(in Dicionário de calão, Expressões Idiomáticas, de José João Almeida, Guerra e Paz, Livros CMTV)




Na 2ª pesquisa:

'Transcrevemos a definição dada por António Nogueira Santos, em Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas (Lisboa, Sá da Costa, 1988), da expressão «a formiga tem catarro»:'

«Diz-se de pessoa (geralmente criança ou jovem) que tem pretensões superiores à sua idade, estado condição.»


É de facto o que se passa com o galo mais jovem que sucede a Tenório, que, depois de cantar ao amanhecer «um canto tão cristalino e tão puro», surpreende todos, inclusive o seu pai, que até então era o galo que apresentava melhores qualidades (Os Bichos, de Miguel Torga, pp. 33-28).'

'Bárbara Nadais Gama-  28 de novembro de 2014'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-formiga-tem-catarro/33191 [consultado em 05-07-2024]

sexta-feira, 10 de maio de 2024

"Ao Deus dará" - Expressão portuguesa

Ao Deus dará - Portuguesices
in: portuguesices.com

Esta expressão que é muito portuguesa, ouve-se com alguma frequência em situações do quotidiano.

Mas será que sabemos exatamente o que ela significa?

"Ao Deus dará" significa essencialmente, deixar algo ao acaso, à toa, à sorte...

...(...) pretendemos dizer "deixar ao acaso", como se o acaso fosse uma prerrogativa de, nada mais, nada menos, Deus.


A explicação em Ciberdúvidas da Língua Portuguesa:

A origem da expressão «ao deus-dará»1 (ao abandono, ao acaso, à toa, à aventura; estar entregue à própria sorte) é controversa. Ou melhor: tem duas explicações, conforme o lado de cá ou de lá do Atlântico. 

Para Guilherme Augusto Simões2 (in Dicionário de Expressões Populares Portuguesas, ed. Perspectivas & Realidades, Lisboa) a frase tem a seguinte explicação: 

«(...) ao pedido de esmola que os mendigos antigamente faziam – "Uma esmolinha, por amor de Deus" –, obtinham a resposta, daqueles que nada queriam dar, "Deus dará", e assim quem andava a mendigar andava ao "Deus dará"». 

Para Reinaldo Pimenta (in A Casa da Maria Joana (curiosidades nas origens das palavras, frases e marcas), 1.º vol., Editora Campus, Rio de Janeiro), «ao deus-dará» terá tido origem no Brasil, no século XVII, no Recife mais propriamente, ainda sob o domínio da coroa portuguesa: 

«Vivia [aí] um comerciante chamado Manuel Álvares, que ajudava os soldados que a Fazenda Real deixava abastecer. Quando ele não dispunha das mercadorias necessárias, dizia sempre "Deus dará!". De tanto repetir a frase, ficou conhecido como Manuel Álvares Deus Dará. E os soldados, quando precisavam de recorrer a ele, diziam: "Vamos ao Deus Dará." O "sobrenome" acabou até passando para os descendentes do comerciante: um dos filhos, provedor-mor da Fazenda, Simão Álvares Deus Dará.»

1 Com hífen, como parece ser o correcto, ou sem hífen é o registo indiferenciado nas obras consultadas. 

2 Cit. de Cândido de Figueiredo, Novo Dicionário de Língua Portuguesa (1922) + O que não se deve dizer (1953).

José Mário Costa 6 de março de 2006

Classe de Palavras: locução

Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons.'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-expressao-ao-deus-dara/17181 [consultado em 11-05-2024]

terça-feira, 16 de agosto de 2022

"Quem se lixa (trama) é o mexilhão" - uma expressão corrente e o seu significado

imagem in reportersombra.com


Esta expressão é muito utilizada no dia-a-dia. 

E nos últimos tempos, cada vez mais... 

Também costumamos ouvir dizer que "quem paga é o Zé Povinho"! Isto quer dizer quem paga é o povo, a arraia-miúda (parte do povo da mais baixa categoria); dizemo-lo com a intenção de significar que é a gente mais pobre ou em situação social débil quem mais se sente lesada, porque não tem possibilidades financeiras para conseguir desenvencilhar-se das dificuldades que tem de enfrentar, a todos os níveis...  

"Designa que quem é sempre prejudicado é quem se encontra em situação inferior". (in Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, notícias editorial, fevereiro de 1999).

Pesquisando mais sobre estas curiosidades que me fascinam sobre a nossa língua,  encontrei um post de um  BLOG, que achei interessante e, por isso, deixo aqui essa partilha:


Quem se lixa é o mexilhão

Este ditado é tão antigo como a humanidade porque tem a ver com a água do mar que teima em vir à costa com mais ou menos força, bater nas pedras, na rocha, mas “quem se lixa é sempre o mexilhão” e o mais pequenino porque o maior esse está lá no fundo e longe das batidas da água.
E porquê o mexilhão? Era o mais abundante. Para além disso, era a comida dos mais pobres do litoral. Senão havia que comer, recorria-se ao mar e traziam-se baldes de mexilhão, lapas, ouriços e já se passava.
O mexilhão não é rico em calorias e sódio, mas é nutritivo. Os crustáceos e os moluscos são ricos em proteínas, vitaminas e minerais; e o marisco contém sempre ácidos gordos.
No entanto, quando o mexilhão vai para o tacho e começa a ferver, talvez sinta maior tormento que o bater da água do mar...
O atum era outro alimento das classes mais pobres, no entanto, segundo o ditado que citamos, vamos ao que se anicha na rocha, como o mexilhão, para apanhar com a água.
É vulgar alijar as responsabilidades para cima dos outros. Sacudir a água do capote.
É fácil ser líder, responsável, coordenador, director, ministro, quando a água do mar está calma porque não é difícil ir ao leme. O pior é quando o mar está bravo. E até aí não se sonha ser líder nem responsável, nem coordenador, nem director, nem ministro.
Nessa altura arranjam-se todos os meios para sacudir as “vespas” e atirar as culpas para os outros. Lançar a albarda ao chão. O mar é teimoso e “quem se lixa é o mexilhão”, isto é, o inferior. Quem paga as favas é o pequeno. Esse é o culpado de tudo. Que vá “badamerda” que pague e não bufe, era assim que se dizia noutros tempos, ouvia eu dizer, na minha terra, e não era o Alentejo; ainda hoje se ouve este termo...
É preciso ter em conta que quem paga é sempre o pequeno, o inferior, isto não é cristão, mas é esta a forma de estar nesta sociedade, onde parece que as vítimas sofrem e os criminosos andam à solta...
É sempre prejudicado quem se encontra numa situação inferior, segundo Orlando Neves, eis o significado para este autor de um “Dicionário de expressões correntes”: “quem se lixa (trama) é sempre o mexilhão”.

Adquem

Publicada por Artur Coutinho

Etiquetas: CURIOSIDADES

in: http://acoutinhoviana.blogspot.com

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A expressão "Espada de Dâmocles": sua origem e significado


in https://noalvocomchicoze.com


Há expressões correntes muito curiosas e por trás delas há sempre uma história.

A explicação da sua origem histórica é sempre interessante e muitas vezes têm também algumas outras histórias por detrás da sua origem. Todas nos obrigam a refletir sobre a vida e de muitas delas, conseguimos retirar lições de moral. É sempre bom refletir sobre estas expressões...

Hoje, vamos pesquisar A Espada de Dâmocles:

"...(...)... personagem alegadamente histórica é Dâmocles. Das suas histórias vem a expressão Espada de Dâmocles... que é usada quando um grande perigo impende sobre alguém. Dizem que Dâmocles era um despótico governante. Para lhe darem uma lição, alguns cortesãos aproveitaram um jantar para pendurarem uma espada, debilmente presa por um fio, sobre a cabeça do tirano. Pretenderam desse modo relembrar a Dâmocles a precariedade da vida e a fragilidade do poder. Uma precisão. A figura de Dâmocles remete mais para a lenda do que para a mitologia ou para as Histórias gregas."

(in "Nas Bocas do Mundo, de Sérgio Luís de Carvalho, Uma viagem pelas histórias das expressões portuguesas", Grupo Planeta, Planeta Manuscrito, 2ª edição aumentada, 2014)

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

"Estar com traça/cheio de traça"...

Esta expressão idiomática popular estar com traça/cheio de traça, significa Sentir fome/muita fomesegundo António Nogueira Santos no Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas (Edições João Sá da Costa, 1990).

Pesquisando no mesmo Dicionário, encontrei outras expressões com o mesmo significado (sentir fome/muita fome) e que acho muito interessantes:

  • estar cheio de apitos (gíria)
  • sentir/ter a barriga a dar horas
  • andar/estar com o estômago nas costas
  • andar/estar com fome
  • ter fome
  • andar/estar esganado com fome
  • andar/estar morto/verde de fome
  • rebentar de fome
  • andar/estar com larica/ter larica 
in vix.com

sábado, 17 de julho de 2021

A expressão idiomática "...ficar a ver navios..." e o que pode significar


imagem em ensina.rtp.pt


A língua portuguesa tem muitas expressões interessantes e curiosas e esta é mais uma delas!

Interessantes, porque podemos investigar as sua origens e podemos ler detalhadamente as variadas explicações apresentadas pelos estudiosos da Língua!

Curiosas, porque verificamos que as expressões idiomáticas carregam consigo uma dimensão popular que, com o passar do tempo, acrescenta algo, prestando-se a várias interpretações. 

E não menos importante, as expressões idiomáticas contribuem para o enriquecimento do nosso património linguístico.

No "Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas", de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa, 1990, encontrei a expressão popular ficar a ver navios que diz que significa não ser contemplado, beneficiado, sofrendo uma decepção. 

É o mesmo que ficar a apitar, também outra expressão popular que significa, não ser contemplado, beneficiado, ficando dececionado, desiludido...dizendo-se muitas vezes "assobiar às botas", "ver Braga por um canudo", "ver por um canudo", "ficar a chuchar/chupar no dedo", "ver por um óculo", "ficar-se em trinta", "ficar à acha", "morrer sem ser vovó", "estar/ficar a zero"

Uma outra explicação encontrada para esta expressão em: 
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 
(https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/ficar-a-ver-navios/15080) 
[consultado em 17-07-2021]:

«Ficar a ver navios» – ou «estar a ver navios», como também se usa – significa «algo que não vem», «não conseguir o que se deseja», «sofrer uma deceção» , «não obter o que desejava», «ser ludibriado», «enganado».

Quanto à origem da expressão, Orlando Neves, no seu Dicionário de Expressões Correntes Editorial Notícias, 2.ª edição, 2008, regista o seguinte:

«Esta expressão tem dado origem a várias interpretações. No seu Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, Vasco Botelho de Amaral resumiu as mais razoáveis: 'Antenor Nascentes explica a origem da expressão ficar a ver navios, como alusão aos armadores portugueses que nos séculos das conquistas ficavam no alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando as caravelas que vinham das Índias, da África ou do Brasil. Indica ainda a hipótese de certo milionário portuense que, da Torre da Marca, viu afundarem-se todos os navios da sua frota, por mor de violento temporal. Esta segunda hipótese é menos provável do que a primeira, mas caso é que há ainda outra, não referida por Nascentes: a do sebastianismo. Quando os Franceses dominaram Portugal, diz-se que os homens a que poderei chamar da resistência iam para o alto de Santa Catarina, em Lisboa, a ver os navios que trouxessem o Desejado. E da vanidade da espera haverá nascido a expressão ficar a ver navios.»
...(...)...
«"Estar a ver navios" (...) remete para o facto de alguém estar a ver as suas expectativas frustrarem-se. Dizia-se que, após a morte de D. Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir (1578), muitos foram os que se recusaram a aceitar este triste fim. Tornou-se então comum os "sebastianistas" deslocarem-se ao Alto de Santa Catarina para ver chegar o navio com o regressado rei a entrar na barra de Lisboa. Daí que, na sua génese, a expressão completa fosse: "Estar a ver navios no Alto de Santa Catarina. Mas não nos parece impossível que haja outra origem para esta expressão. Não raro, os proprietários dos navios que se dedicavam ao comércio postavam-se no Alto de Santa Catarina para ver chegar os seus barcos. Há ainda outras explicações. Uma remete para a expulsão dos judeus de Portugal, em 1497. Segundo o édito de D. Manuel, os judeus que se não convertessem ao cristianismo teriam de abandonar o país. Contudo, devido ao facto de não haver navios para todos, cerca de vinte mil foram baptizados "à força" defronte do palácio dos Estaus, em Lisboa, onde mais tarde seria a sede da Inquisição, e onde hoje se ergue o Teatro Nacional D. Maria II. Segundo a voz do povo, aqueles infelizes ficaram "a ver navios". Por fim, poderá esta expressão ter a sua origem aquando da primeira invasão francesa, em 1807. Quando as tropas de Junot entraram em Lisboa, a 30 de Novembro, não conseguiram capturar a família real, que horas antes embarcara para o Brasil. Os franceses teriam ficado apenas a "ver navios" saírem da barra do Tejo.»«Ficar a ver navios» – ou «estar a ver navios», como também se usa – significa «algo que não vem», «não conseguir o que se deseja» conforme a abonação do Dicionário de Expressões Correntes de Orlando Neves, significa «não conseguir o que se deseja». Ou «algo que não vem» Quanto à origem, acrescenta o seguinte:

«Esta expressão tem dado origem a várias interpretações. No seu Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, Vasco Botelho de Amaral resumiu as mais razoáveis: 'Antenor Nascentes explica a origem da expressão ficar a ver navios, como alusão aos armadores portugueses que nos séculos das conquistas ficavam no alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando as caravelas que vinham das Índias, da África ou do Brasil. Indica ainda a hipótese de certo milionário portuense que, da Torre da Marca, viu afundarem-se todos os navios da sua frota, por mor de violento temporal. Esta segunda hipótese é menos provável do que a primeira, mas caso é que há ainda outra, não referida por Nascentes: a do sebastianismo. Quando os Franceses dominaram Portugal, diz-se que os homens a que poderei chamar da resistência iam para o alto de Santa Catarina, em Lisboa, a ver os navios que trouxessem o Desejado. E da vanidade da espera haverá nascido a expressão ficar a ver navios.»
Carlos Marinheiro 18 de janeiro de 2001
Campos Linguísticos: Expressões idiomáticas

in https://historiaschistoria.blogspot.com
Vista geral da cidade de Lisboa durante a época
dos Descobrimentos em 1572
 (col. priv.)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Ai, "a bolha" rebentou mesmo no Porto...

Fomos confrontados há umas semanas atrás com um novo termo em Portugal: "bolha".

Não é que não se oiça já há uns anos "aquela hoje está com a bolha..." (está com a birra, está "mal disposta"), "a bolha da economia" etc... 

Parece estar a haver uma tendência para atribuir à palavra outros novos sentidos, está a servir para se dizer tudo. Agora, a torto e a direito, só se fala na "bolha".

Mas, o que é verdadeiramente "a bolha"? É que o termo agora é usado para tudo e mais alguma coisa. E a propósito dos acontecimentos da Final da Champions, então é que tem sido!

Vamos ver se percebemos bem este novo vocábulo que está a tentar "entrar" e "ficar" na nossa língua... e em que contextos está a ser usado... É uma boa reflexão que temos de fazer para vermos como usamos certos termos na gíria.


imagem in br.depositphotos.com



in expresso.pt

David Dinis Diretor-Adjunto 

A bolha que rebentou na Champions. E a hora de acabar com o medo

1 de junho de 2021

Primeiro o que se passou na final da Champions:

Portugal quis ficar com a final da Champions para mostrar que em Portugal está tudo bem e chamar os ingleses de volta. Era bem visto, era

redimir
o país
do Verão
passado.

Mas o plano tinha um risco:
em Portugal não há jogos com público, em Portugal não há festas nas ruas, em Portugal nem podemos estar mais de 10 sentados à mesa - nem à esplanada. Por isso, as autoridades criaram “a bolha” para trazer os ingleses. Leia-se: os adeptos só podiam no sábado, com cadeira reservada no estádio, teste realizado e bilhete de ida comprado - para o dia seguinte.

Só que o Governo que pensou "a bolha" rebentou com ela a seguir, quando decidiu reabrir os aeroportos aos turistas britânicos, sem exigir quarentena. Mas vivendo numa outra bolha, a do medo dos últimos 15 meses, o Governo não adaptou os planos, nem a estratégia, nem a mensagem. E sabemos o que se seguiu: Marcelo irritou-se, os partidos pediram contas, os governantes perderam-se em explicações e em pedidos para que respeitemos todos as regras (um, depois outro, depois Costa, e ainda Graça Freitas). Tarde demais, porque a bolha da paciência já tinha rebentado, ficando a ideia de um país em que há filhos e enteados.

Só que
os enteados
aqui
somos nós.

E nós que nos pusemos logo a pensar como vai ser nos Santos, como vai ser durante o Euro que aí vem, como vai ser nas praias - onde nos exigem máscaras, nos prometem multas e nos ameaçam com policiamento reforçado.

O mais preocupante disto tudo nem é a Champions, nem serão os Santos, nem tão pouco a praia. O preocupante é olhar para o Governo e pressentir nas explicações o medo. Porque chegou a altura de alguém explicar ao país de maneira muito determinada:

Sim,
temos mesmo
de perder o medo
do vírus.

É certo: foram 15 meses a alimentar o medo. Porque era preciso, porque não havia outra arma, porque não havia escolha possível: o SNS não estava preparado, a população era um alvo frágil. Mesmo com medo Portugal esteve duas vezes nos cuidados intensivos. Muitos morreram, muitos mais morreriam não houvesse medo. A economia não tinha defesas. Mas esse tempo está a acabar.

15 meses depois, temos 3.833.554 com uma dose da vacina e 1.848.279 com vacina completa. Entre eles contam-se os que teriam maior risco de morte.

15 meses depois, já sabemos que a vacina funciona: minimiza o contágio, quase anula a sua gravidade, protege os serviços de saúde. A vacina tem esse poder, de nos proteger.

Sim, a vacina é um sucesso. De tal modo que foi possível, há quase um mês, milhares celebrarem a vitória do Sporting sem que isso se notasse nos números: ainda ontem, apesar de continuarmos a assustar-nos com os mais de 400 novos casos num dia (chegamos a ter 15 mil), o número de pessoas em cuidados intensivos continuou a diminuir.

Assim sendo, é altura de começar a tratar das nossas vidas. E, lá está,

de dizer
ao país
que é hora
de vencer o medo.

Porque não é possível continuar a pedir aos portugueses todos que não se juntem em família ou em grupos de amigos, que não vão a concertos à noite, que não fiquem num restaurante depois das 22h30, que não tenham um bar para beber um copo, que não podem ir a um jogo de futebol - sabendo que aqui ao lado poderão ir ver Portugal jogar contra Espanha num estádio que terá 27 mil pessoas dentro.

Porque já não é possível continuar a pedir aos portugueses, com os seus mais frágeis vacinados, com quatro milhões de vacinados, com um SNS pronto a responder, com uma economia para pôr a andar, com os turistas a voltar, que continuem a fazer uma vida a medo, como se Portugal não fizesse parte de uma Europa que ganhou a luta pela ciência precisamente para nos devolver a vida.

Na última sexta-feira, um dia antes da Champions que rebentou com a bolha da paciência coletiva, houve já um português que disse isto, na sala fechada do Infarmed, aos peritos que pediam que não largássemos o medo.

Esse português disse que já não é "evidente" a primazia da saúde sobre a vida económica e social, porque

“a pobreza,
a insolvência,
a falência,
são situações que atingem direitos fundamentais das pessoas”,

disse o Presidente, que ontem repetiu para quem não tenha ouvido:
“O desconfinamento vai continuar, já não é possível voltar atrás, o mais difícil está feito e não vamos estragar o que deu tanto trabalho a fazer". E acrescentou que, lá onde está, na Eslovénia, não há Santos, mas há um enfermeiro que lhe jurou "que é em Portugal que vai passar férias”.

No Infarmed, o primeiro-ministro ouviu e nada disse.
Mas amanhã, quarta-feira, António Costa terá de decidir, olhando o país e a Europa à sua volta,

se vamos continuar paralisados,
ou se,
tratando este vírus com respeito,
adaptamos as regras para podermos viver com ele,
sem morrer de medo.

Já é hora.


PONTO DE VISTA 
VISÃO DO DIA 

REBENTA A BOLHA. E A AUTORIDADE MORAL DO ESTADO, TAMBÉM?

Havia a promessa de não repetir o que aconteceu na conquista do campeonato pelo Sporting, mas a ideia das “bolhas” de segurança, que deveriam garantir o isolamento dos mais de 17 mil adeptos no percurso aeroporto-estádio-aeroporto para a final da Champions no Porto, saiu beliscada durante o fim de semana.

Os telejornais abriram com imagens de milhares de adeptos britânicos (alegadamente os que não tinham bilhete para o jogo) a consumirem álcool na via pública, nem sempre com máscara nem a respeitar distanciamento social, e envolvidos em pancadaria e confrontos com a polícia. Na sexta-feira, questionado à margem de um evento pelos jornalistas o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, limitava-se a dizer sobre as aglomerações: “Estamos aqui, não sei. Espero que seja um bom jogo”. Horas depois, Marcelo Rebelo de Sousa demarcava-se do sucedido - “Não é possível dizer que vêm em bolha e depois não vêm em bolha” -, mas acabando por relativizar com um “acontece”. Rui Moreira, que uma semana antes garantira que na Invicta não aconteceria o mesmo que nos festejos dos leões em Lisboa, acabou a trocar galhardetes com Rui Rio, acusando-o de “portofobia”, após o líder social-democrata, no Twitter, ter instado o autarca do Porto e o Governo a pedirem desculpa aos portugueses

Depois da vitória do Chelsea, e com milhares de adeptos de regresso a casa ou a aproveitarem mais umas horas por Portugal, a chamada à realidade veio já este domingo, quando a ARS Norte recomendou vigilância e redução de contactospor 14 dias a quem frequentou no sábado, no Porto, locais relacionados com a final. Foi o reconhecimento oficial de que a bolha, afinal, não terá aguentado. Resta saber se, ao explodir, também o fez nas mãos do Estado. E se, a pretexto de umas horas de receita turística e de exposição mediática, não chamuscou ainda mais a sua autoridade moral para manter - ou pedir mais - sacrifícios.

In Visão do dia - Ponto de Vista, por Paulo Zacarias Gomes, 31 de maio de 2021

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

..."estar na palheta..."

Qual o significado desta expressão curiosa?


Consultando:


na palheta
• [Portugal, Informal]  

Na conversaa conversar (ex.: ficaram horas na palheta).


"palheta", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 
[em linha], 2008-2020 
[consultado em 13-11-2020]

https://www1.prefpoa.com.br

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Vamos todos "Dobrar o Cabo das Tormentas"

imagem obtida in lisboanoguiness.blogsapo.pt

Esta expressão é bem aplicada ao que estamos a viver com a grande "tempestade" provocada pela COVID 19. Digo isto, porque todos nós nos estamos a esforçar por lutar contra ela, tentando o melhor que nos é possível, dar a volta a uma situação tão difícil e de experiência única.

No entanto, não é só a COVID que se impõe nas vidas de cada um de nós. Há "algo" mais que também nos é imposto (e ainda bem!), quando achamos que estamos fartos de clausura e queremos ir para a rua para sentir um pouco de liberdade ou "arejar". 

Esse "algo" que nos "trava" são as regras que a D.G.S. tem de nos relembrar todos os dias e há que acatá-las (obrigada, D.G.S.!). É uma equipa que nos aconselha, olha por nós e nos protege! Graças a ela, há muito menos vítimas no nosso país. 

São restrições para ir à rua, a casa de familiares, às compras, ao supermercado, ao cinema, à praia, ao cabeleireiro, ao centro de saúde, enfim, a todo o lado! Nessas alturas, é bom que sejamos inteligentes: observemos rigorosamente "as tais regras" pois elas visam orientar-nos para que nada nos aconteça e possamos sobreviver. Só temos a agradecer...É por isso que digo que "Vamos todos dobrar o Cabo das Tormentas"!

imagem obtida in https://ccm.marinha.pt/museumarinha

E qual é o verdadeiro significado desta expressão?

"Dobrar o Cabo das Tormentas 

Em 1488, em plena época dos Descobrimentos, o navegador português Bartolomeu Dias dobrou pela primeira vez o cabo das Tormentas. Território até então desconhecido, o ponto no extremo sul da costa africana foi assim batizado porque só foi avistado após longos dias de tormentas (tempestades) no mar. No canto V de Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões descreveu mais tarde tais dificuldades através da figura do Adamastor, quando o gigante se dirige aos navegadores:

"Eu sou aquele oculto e grande cabo
A quem chamais vós outros Tormentório."

Adamastor, figura da mitologia greco-romana, representa na epopeia portuguesa as forças da natureza que impediam a passagem dos navegadores. Dobrado o cabo, a notícia de que havia ligação entre o oceano Atlântico e o Oceano Índico cria a ambição de chegar à Índia, ao Oriente. O rei D. João II mudou o nome do cabo, que passou a ser cabo da Boa Esperança, mas dobrar o cabo das Tormentas ficou para a posteridade como sinónimo de vencer uma grande dificuldade, de superação e vitória."

(pesquisei e encontrei em "Puxar a brasa à nossa sardinha", por Andreia Vale, Manuscrito, julho 2015)

Estamos todos juntos nesta luta e temos mostrado que somos uma nação que, quando queremos, conseguimos unir-nos e mostrar uma grande resiliência em situações tão difíceis como esta: por isso, vamos conseguir! Como costumamos ouvir: "vamos todos ficar bem"


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Algumas expressões curiosas do Norte de Portugal

imagem in sorrisoincognito.blogs.sapo.pt

Está mais do que provado que a língua portuguesa é muito rica. 

Com efeito, um sem-número de palavras e expressões do nosso querido Portugal, são ouvidos com frequência, deixando-nos, por vezes na dúvida, se estarão realmente corretos, se existirão como formas de dizer e de escrever, se existem no Dicionário...

Todos os portugueses sabem que o Norte é rico em expressões fora do vulgar!

É por isso que o registo típico das gentes do Norte e os seus falares despertam, na maior parte dos casos, o riso... 

Foi por isso que fui pesquisar sobre o tema, encontrando "material" muito interessante, aparecendo expressões deveras curiosas:: 


"Adianta um grosso" - Não vale a pena

"Arreganhar a tacha" - Rir e mostrar muito os dentes

"Estar de beiças" - Estar mal-humorado

"Bergar a mola" - Trabalhar

"Comer o caco" - Confundir 
(no sentido de "Não entendo, estás a confundir-  me")

"Cunfias ou não dar cunfias" - Confiança ou não dar confiança

"Dar um bacalhau" - Cumprimentar outra pessoa com um passou-bem

"Foguete na meia-calça" - Fio que surge num collant rasgado

"Está um barbeiro" - Está muito frio

"Estar com a rebarba" - Estar de ressaca

"Ficar sarapantado" - Ficar assustado ou muito surpreendido

"Laurear a pevide" ou "Cirandar" - Passear

"Não vale um chaveiro" - Não vale nada 

"Andar de cu tremido" - Viajar sentado num veículo

"Vai-me à loja" - Vai passear 
(no sentido de "não me chateies")

(encontrei In delas.pt  por Joana Cabrita)

in wook.pt