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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

"Trocar por miúdos", uma expressão popular portuguesa

A expressão portuguesa "trocar por miúdos" significa:

descrever, explicar, relatar pormenorizadamente 

(in Português, Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa)


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

"Estar com traça/cheio de traça"...

Esta expressão idiomática popular estar com traça/cheio de traça, significa Sentir fome/muita fome, segundo António Nogueira Santos no Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas (Edições João Sá da Costa, 1990).

Pesquisando no mesmo Dicionário, encontrei outras expressões com o mesmo significado (sentir fome/muita fome) e que acho muito interessantes:

  • estar cheio de apitos (gíria)
  • sentir/ter a barriga a dar horas
  • andar/estar com o estômago nas costas
  • andar/estar com fome
  • ter fome
  • andar/estar esganado com fome
  • andar/estar morto/verde de fome
  • rebentar de fome
  • andar/estar com larica/ter larica 
in vix.com

sábado, 17 de julho de 2021

A expressão idiomática "...ficar a ver navios..." e o que pode significar


imagem em ensina.rtp.pt


A língua portuguesa tem muitas expressões interessantes e curiosas e esta é mais uma delas!

Interessantes, porque podemos investigar as sua origens e podemos ler detalhadamente as variadas explicações apresentadas pelos estudiosos da Língua!

Curiosas, porque verificamos que as expressões idiomáticas carregam consigo uma dimensão popular que, com o passar do tempo, acrescenta algo, prestando-se a várias interpretações. 

E não menos importante, as expressões idiomáticas contribuem para o enriquecimento do nosso património linguístico.

No "Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas", de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa, 1990, encontrei a expressão popular ficar a ver navios que diz que significa não ser contemplado, beneficiado, sofrendo uma decepção. 

É o mesmo que ficar a apitar, também outra expressão popular que significa, não ser contemplado, beneficiado, ficando dececionado, desiludido...dizendo-se muitas vezes "assobiar às botas", "ver Braga por um canudo", "ver por um canudo", "ficar a chuchar/chupar no dedo", "ver por um óculo", "ficar-se em trinta", "ficar à acha", "morrer sem ser vovó", "estar/ficar a zero"

Uma outra explicação encontrada para esta expressão em: 
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 
(https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/ficar-a-ver-navios/15080) 
[consultado em 17-07-2021]:

«Ficar a ver navios» – ou «estar a ver navios», como também se usa – significa «algo que não vem», «não conseguir o que se deseja», «sofrer uma deceção» , «não obter o que desejava», «ser ludibriado», «enganado».

Quanto à origem da expressão, Orlando Neves, no seu Dicionário de Expressões Correntes Editorial Notícias, 2.ª edição, 2008, regista o seguinte:

«Esta expressão tem dado origem a várias interpretações. No seu Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, Vasco Botelho de Amaral resumiu as mais razoáveis: 'Antenor Nascentes explica a origem da expressão ficar a ver navios, como alusão aos armadores portugueses que nos séculos das conquistas ficavam no alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando as caravelas que vinham das Índias, da África ou do Brasil. Indica ainda a hipótese de certo milionário portuense que, da Torre da Marca, viu afundarem-se todos os navios da sua frota, por mor de violento temporal. Esta segunda hipótese é menos provável do que a primeira, mas caso é que há ainda outra, não referida por Nascentes: a do sebastianismo. Quando os Franceses dominaram Portugal, diz-se que os homens a que poderei chamar da resistência iam para o alto de Santa Catarina, em Lisboa, a ver os navios que trouxessem o Desejado. E da vanidade da espera haverá nascido a expressão ficar a ver navios.»
...(...)...
«"Estar a ver navios" (...) remete para o facto de alguém estar a ver as suas expectativas frustrarem-se. Dizia-se que, após a morte de D. Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir (1578), muitos foram os que se recusaram a aceitar este triste fim. Tornou-se então comum os "sebastianistas" deslocarem-se ao Alto de Santa Catarina para ver chegar o navio com o regressado rei a entrar na barra de Lisboa. Daí que, na sua génese, a expressão completa fosse: "Estar a ver navios no Alto de Santa Catarina. Mas não nos parece impossível que haja outra origem para esta expressão. Não raro, os proprietários dos navios que se dedicavam ao comércio postavam-se no Alto de Santa Catarina para ver chegar os seus barcos. Há ainda outras explicações. Uma remete para a expulsão dos judeus de Portugal, em 1497. Segundo o édito de D. Manuel, os judeus que se não convertessem ao cristianismo teriam de abandonar o país. Contudo, devido ao facto de não haver navios para todos, cerca de vinte mil foram baptizados "à força" defronte do palácio dos Estaus, em Lisboa, onde mais tarde seria a sede da Inquisição, e onde hoje se ergue o Teatro Nacional D. Maria II. Segundo a voz do povo, aqueles infelizes ficaram "a ver navios". Por fim, poderá esta expressão ter a sua origem aquando da primeira invasão francesa, em 1807. Quando as tropas de Junot entraram em Lisboa, a 30 de Novembro, não conseguiram capturar a família real, que horas antes embarcara para o Brasil. Os franceses teriam ficado apenas a "ver navios" saírem da barra do Tejo.»«Ficar a ver navios» – ou «estar a ver navios», como também se usa – significa «algo que não vem», «não conseguir o que se deseja» conforme a abonação do Dicionário de Expressões Correntes de Orlando Neves, significa «não conseguir o que se deseja». Ou «algo que não vem» Quanto à origem, acrescenta o seguinte:

«Esta expressão tem dado origem a várias interpretações. No seu Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, Vasco Botelho de Amaral resumiu as mais razoáveis: 'Antenor Nascentes explica a origem da expressão ficar a ver navios, como alusão aos armadores portugueses que nos séculos das conquistas ficavam no alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando as caravelas que vinham das Índias, da África ou do Brasil. Indica ainda a hipótese de certo milionário portuense que, da Torre da Marca, viu afundarem-se todos os navios da sua frota, por mor de violento temporal. Esta segunda hipótese é menos provável do que a primeira, mas caso é que há ainda outra, não referida por Nascentes: a do sebastianismo. Quando os Franceses dominaram Portugal, diz-se que os homens a que poderei chamar da resistência iam para o alto de Santa Catarina, em Lisboa, a ver os navios que trouxessem o Desejado. E da vanidade da espera haverá nascido a expressão ficar a ver navios.»
Carlos Marinheiro 18 de janeiro de 2001
Campos Linguísticos: Expressões idiomáticas

in https://historiaschistoria.blogspot.com
Vista geral da cidade de Lisboa durante a época
dos Descobrimentos em 1572
 (col. priv.)

terça-feira, 2 de julho de 2019

"Andar à nora", uma expressão portuguesa engraçada

"Uma nora é um engenho circular, normalmente destinado a retirar a água dos poços ou dos ribeiros. Trata-se de um aparelho trazido pela Árabes, quando invadiram a Península Ibérica, a partir do ano 711. Esse aparelho anda continuamente à volta/roda, mas nunca sai do lugar. Por isso, alguém que anda às voltas, perdido, comporta-se como uma nora: ou seja, "anda à nora"!

Muito semelhante é a expressão: 
"Andar à toa" 
"Toa" é o nome que se dá à corda com que um barco reboca outro. O barco que reboca é que decide a direção a seguir. O outro não tem rumo certo. 

Vai... à toa! Assim, quem anda à toa, anda à deriva, sem direção.

Esta expressão foi, mais tarde, aplicada a situações em que alguém faz uma coisa sem refletir. Se faz ao acaso, der uma maneira qualquer, diz-se que ..."faz à toa!"

(encontrei esta explicação interessante na revista nosso amiguinho nº 390 março 2019)

Várzea com uma nora bem visível,
na vila de Soure(Coimbra)
in mapio.net

domingo, 3 de maio de 2015

..."de partir o coco a rir..." é uma expressão que significa...

http://nortonsafe.search.ask.com/
... (...)... «partir o coco», não há registo escrito da sua origem. 

Tentemos esta explicação: O «coco» funciona como sino[ô]nimo de cabeça em muitas expressões portuguesas. 
Exemplos: «Se me arreliares, levas (pancadas) no coco», «dar do coco a alguém»/«quebrar o coco a/de alguém» (espancar). 
Daí o significado da «partir o coco a rir»: «rir muito», «rir tanto que até dói a cabeça». 

in: http://www.ciberduvidas.com/

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Armar aos cucos": que significa esta expressão idiomática?

Armar aos cucos significa o mesmo que:
  • armar aos cágados
  • armar em carapau de corrida
  • armar ao efeito
  • armar ao pingarelho
  • armar aos tentilhões (popular)
  • tentar impressionar os outros com manifestações de exibicionismo óbvio e fácil
  • dizer/fazer alguma coisa para a galeria/representar para a galeria

in Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, António Nogueira Santos, Edições João sá da Costa

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Que maçada!

Significado: exclamação usada para referir uma tragédia ou contra-tempo.

Origem: é uma alusão à fortaleza de Masada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde os rebeldes permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.c., culminando com um suicídio coletivo para não se renderem.

                               Masada, Israel: uma das salas na fortaleza.

"O cerco e queda de Masada

Após a destruição do Segundo Templo pelos romanos no ano 70, rebeldes Zelotas fugiram de Jerusalém para Masada. Os romanos então construíram uma enorme rampa pelo lado oeste do platô e destruíram a muralha. De acordo com o historiador Flávio Josefo, os rebeldes cometerem suicídio em massa para não serem capturados." 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Andar em fila indiana", significa...?

Significado: enfiada de pessoas ou coisas dispostas uma após outra.

Origem: forma de caminhar dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente. 

imagem conseguida em: www.efecade.com.br

sábado, 21 de setembro de 2013

"Amor Platónico" !!!

Significado: amor casto; desprovido de sensualismo; amor ideal.

Origem: no sentido popular é um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, casto. Trata-se, contudo, de uma má interpretação da filosofia de Platão, quando vincula o atributo "platónico" ao sentido de algo existente apenas no plano das ideias.

imagem retirada de: filosofiacompoesia.blogspot.com

"Não existe amor mais perfeito do que o platónico recíproco."

"Noutros tempos houve amores platónicos, hoje há matrimónios platónicos."
George Bernard Shaw                                                    http://pensador.uol.com.br/frases_de_amor_platonico/

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"Levar um puxão de orelhas", significa...?

Significado: repreender.

Origem: as Ordenações Afonsinas prescreviam que os ladrões tivessem as orelhas cortadas. 
Vasco da Gama relatou o corte de 800 orelhas e Gomes Freire de Andrade 
recebeu 7800 delas. 
imagem conseguida em: www.faroldenoticias.com.br
Mais tarde, as orelhas deixaram de ser cortadas e passaram apenas a ser puxadas.

domingo, 15 de setembro de 2013

"Mal e Porcamente" - esta expressão significa?...

imagem encontrada em: gametas.blogspot.com
Significado: 
muito mal; de modo muito imperfeito.

Origem: 
inicialmente, a expressão, era "mal e parcamente".
Quem fazia alguma coisa assim, agia mal, e com parcos (poucos) recursos. Como "parcamente" não era palavra de amplo conhecimento, o uso popular tratou de substituí-la por outra, parecida. E assim, ficou... "mal e porcamente". 

Encontra-se uma explicação mais completa em: 

[Pergunta | Resposta]

«Mal e parcamente» > «mal e porcamente»

[Pergunta] «Mal e porcamente», em vez de «mal e parcamente», é uma expressão erroneamente aplicada por muitas pessoas e que nada tem que ver com os simpáticos suínos. Não seria bom esclarecer que parca tem origem no latim parcus, a, um e significa «pouco», «pequeno», «moderado», etc.?

Teresa Coimbra :: :: Portugal

[Resposta] Tem toda a razão…
«Inicialmente, a expressão era "mal e parcamente". Quem fazia alguma coisa assim, agia mal e eficientemente, com parcos (poucos) recursos.
Como parcamente não era palavra de amplo conhecimento, o uso popular tratou de substituí-la por outra, parecida, bastante conhecida e adequada ao que se pretendia dizer. E ficou "mal e porcamente", sob protesto suíno.»1
1 in A Casa da Mãe Joana, de Reinaldo Pimenta, vol. 1 (Editora Campus, Rio de Janeiro) 

J. M. C. :: 04/07/2007