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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

"O tempo da outra senhora" e o verdadeiro significado desta expressão

Homem, mulher café retro
imagem obtida in: https://www.publicdomainpictures.net


A minha pesquisa de hoje incide numa expressão curiosa que pode levar a outras interpretações diferentes da verdadeira, que é a que se segue:


'A expressão «o tempo da outra senhora» é hoje, realmente, muitas vezes utilizada quando nos referimos ao regime do Estado Novo em que havia censura e um regime de partido único. No entanto, a «outra senhora» não significa nem «censura» nem «ditadura», mas, sim, mesmo uma outra senhora. 

Explicando, esta expressão é anterior ao 25 de Abril e tem origem nas relações domésticas. A Senhora era a dona da casa e aí punha e dispunha. Era ela que ditava as leis da organização da casa, a serem cumpridas pela criadagem. Quando a senhora da casa morria, havia uma nova senhora (a filha, a nora, a nova mulher do viúvo que entretanto casaria), a ditar a organização da casa, e essa organização sofria alguma alteração; a forma de gerir era, naturalmente, diferente. E surge então a expressão «o tempo da outra senhora», distinto do actual. 

Quando muda o regime político, mudam as leis, muda a forma de organização do país e, por analogia, começa, então, a falar-se do tempo da «outra senhora» quando se pretende referir situações relativas a essa época anterior, situações essas que agora não existem ou foram alteradas.'

FONTE:
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-tempo-da-outra-senhora/13622 [consultado em 12-11-2025]

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

"Não poder com uma gata pelo rabo" - significado desta expressão idiomática

não poder com um gato pelo rabo - Dicionário Online Priberam de Português
imagem obtida em: https://dicionario.priberam.org

A gata é um animal que tem quatro patas e normalmente é dócil. Mas sabemos que estes animais em geral, são muito independentes.

Apesar de podermos pegá-los ao colo com alguma facilidade (se eles concordarem, claro), é preciso saber como fazê-lo, pois quando nos apetece ter essa atitude, as suas "garras" (unhas bem afiadas!!!) saltam logo à nossa vista e, por vezes, também sentimos algumas "arranhadelas" não intencionais.

Portanto, é preciso termos força física para lhes pegar, não estarmos exaustos e, sim, ter alguma firmeza e decididos a fazê-lo; se não tivermos essa força suficiente, é aí que "não podemos com uma gata pelo rabo"!

E porque referimos que é uma gata e não um gato? 

A explicação mais conhecida e provável depois do que tenho pesquisado e lido, é que a gata, como fêmea, é ligeiramente mais pequena e dócil do que o gato; a sua ferocidade portanto, é menor e não é tão veloz como aquele. 

Tornar-se-ia mais fácil "pegá-la pelo rabo", mas para isso é preciso termos mesmo a tal "força" e uma grande predisposição para sentirmos o contacto tão desejado com estes "felinos"; de contrário, não conseguimos nada...!

Daí, a expressão "não  poder com uma gata pelo rabo"! 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

"Passar as passinhas do Algarve" - expressão idiomática portuguesa e a sua história

A origem da expressão «passar as passas do Algarve» - Observatório da  Língua Portuguesa
imagem in: observalinguaportuguesa.org

Esta expressão idiomática ""Passar as passas/passinhas do Algarve", refere-se a :
  • alguém que está a sofrer muito ou a passar por uma situação muito difícil
  • alguém que está a passar por algo complicado e que provavelmente sairá dela afetado
  • passar por extremas dificuldades
Pude ler, segundo a minha pesquisa na obra de Andreia Vale "Puxar a brasa à nossa sardinha" (5ª edição da Manuscrito, 2015) o seguinte :
" Um pouco como a vida dos figos e das uvas, quando transformados em passas (frutos desidratados). São um dos produtos mais conhecidos e apreciados do Algarve, produzidos através de um processo de secagem e desidratação pelo calor do sol algarvio (sim...o de lá de baixo é algarvio, não é igual aos outros sóis no resto do país, lamento...). O processo acaba por ser a metáfora ideal para quando nos referimos a um acontecimento cheio de obstáculos e agruras ".

terça-feira, 26 de novembro de 2024

"Expulsar os vendilhões" - origem e significado desta expressão corrente

Jesus expulsando os vendilhões – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem obtida em pt.wikipedia.org


Ao consultar o Dicionário de Expressões correntes, da Editorial Notícias, fevereiro de 1998 e da autoria de Orlando Neves, este especifica a expressão "Expulsar os vendilhões", deste modo:

"Refere-se a uma ação enérgica e severa contra aqueles que praticam fraudes ou abusos.

Tem origem na Bíblia, Evangelho de S. Lucas 19,45: Entrando no templo (Jesus) começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam (46) dizendo-lhes: está escrito, a minha casa é casa de oração, mas vós fizestes dela covil de ladrões."

É sempre bom ler mais, para saber mais!

terça-feira, 15 de outubro de 2024

"Ser dono do seu nariz" e outras expressões curiosas com ele relacionadas

Abrantes | 'Senhor do seu Nariz' na Escola Dr. Manuel Fernandes | Médio Tejo
imagem encontrada em mediotejo.net


Sim, é verdade! Esta, como centenas de expressões, são curiosas porque, conforme os contextos, são polissémicas. 

Pronunciamos muitas vezes frases, porque ou as ouvimos aos outros, ou já se tornaram tão triviais, que não nos lembramos de procurar a sua verdadeira origem e significado, o que é importante, para um conhecimento mais profundo da nossa Língua.

Ora vamos lá estudar um pouco, a partir do que os mais "entendidos" no assunto, aqui nos ensinam.

Pesquisei no CIBERDÚVIDAS da Língua Portuguesa, e encontrei uma explicação da Dra Carla Marques, explicação essa muito completa sobre a palavra "nariz" e como é tão usada por nós na linguagem do nosso quotidiano:


Avaliar com nariz

Da polissemia de um nome

Por Carla Marques 13 de fevereiro de 2019 2K

18 0 2 20

Não sei o que os portugueses têm com o nariz. Não somos um povo de nariz grande, como os iranianos, ou de nariz pequeno, como os chineses. O nosso nariz de povo é perfeitamente normal, tão normal que é praticamente invisível.

No entanto, o nariz tem uma importância maior, civilizacional e linguística. Antes de mais, porque gostamos de meter o nariz em tudo, até onde não somos chamados. É uma tendência que vai da realidade à língua.

E, por outro lado, porque nos permite saber quase tudo sobre as pessoas que nos rodeiam. Quer conhecer uma pessoa? Olhe para o seu nariz! Não para o tamanho ou formato, mas para a atitude que o nariz e o seu dono exibem. Ora, nem mais! O nariz oferece-nos uma galeria de personalidades distintas que exigem atitudes à medida.

Alguém que tenha um bom nariz será uma pessoa de sucesso. Já com aqueles de nariz arrebitado há que ter atenção, pois têm a mania que sabem tudo. Também há os donos do seu nariz, que não gostam de ouvir conselhos e que têm, não raro, tendência a levar os outros pelo nariz ou a tê-los debaixo do nariz. Guarde distância daqueles que não sabem onde têm o nariz, sobretudo quando querem tomar decisões. E muito cuidado com os que andam sempre de nariz no ar: têm a mania de deitar o nariz de fora para ficar a saber tudo sobre a vida dos outros. Fuja também daqueles a quem chega facilmente a mostarda ao nariz e seja compreensivo com os que ficam de nariz à banda por tudo e por nada. Estes precisam de um ombro amigo (o ombro também é importante!). Também há aqueles que facilmente se deixam enganar porque não veem um palmo à frente do nariz. Quando encontrar um desses, torça o nariz porque eles caem com frequência de nariz ou batem com o nariz nas portas.

A conclusão é óbvia: uma pessoa esclarecida e dona do seu nariz não pode passar sem avaliar um bom nariz! 


Glossário


Andar com o nariz no ar: querer saber alguma coisa

Bater com o nariz na porta: encontrar um espaço encerrado

Cair de nariz: bater com a cara no chão

Debaixo do nariz: na presença de alguém, como proximidade muito grande

Chegar a mostarda ao nariz: zangar-se

Deitar o nariz de fora: espreitar

Ficar de nariz à banda: não obter o que desejava

Levar alguém pelo nariz: dominar alguém

Meter o nariz em: intrometer-se

Meter o nariz onde não é chamado: intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito

Não saber onde tem o nariz: ser ignorante

Não ver um palmo à frente do nariz: não ver nada

Ser dono do seu nariz (o negrito é meu): 
ser independente, recusar conselhos dos outros

Ter um bom nariz: ser esperto

Ter o nariz arrebitado: ter personalidade muito vincada

(in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea) 

Sobre a autora

Carla Marques

Doutorada em Língua Portuguesa (com uma dissertação na área do estudo do texto argumentativo oral); investigadora do CELGA-ILTEC (grupo de trabalho "Discurso Académico e Práticas Discursivas"); autora de manuais escolares e de gramáticas escolares; formadora de professores; professora do ensino básico e secundário. Consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacada para o efeito pelo Ministério da Educação português.'

FONTE:
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/avaliar-com-nariz/3802 
[consultado em 15-10-2024]

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Expressões correntes portuguesas


Dicionário de Expressões Correntes - Brochado - Orlando Neves, Orlando  Neves - Compra Livros na Fnac.pt
imagem in fnac.pt


A nossa língua é rica em expressões correntes e algumas delas desconhecidas na linguagem do nosso dia a dia, sendo algumas delas bem interessantes:

  • "Dar-lhe no goto" - gostar; ficar a pensar, agradar-se de
  • "Dar-lhe o badagaio" - desmaiar; desfalecer; morrer
  • "Dar-lhe o tranglo-mango" - dar-lhe um ataque; morrer; ter um desmaio ou síncope
  • "Dar-lhe raspas" - não dar nada
  • "Dar-lhe um ar" - desaparecer
  • "Dar-lhe um chuto" - despedir, afastar abruptamente
  • "Dar luvas - o equivalente mais comum é "subornar", apesar de, eufemisticamente, por vezes, se considerar "dar uma remuneração por um favor prestado"
Haverá muitas mais que publicarei em vários posts.

REFERÊNCIA: Neves, Orlando Dicionário de Expressões correntes, de Orlando Neves, Notícias Editoria, Lisboa, 1999, 1ª edição

sábado, 6 de julho de 2024

"Já a formiga tem catarro" - significado desta expressão idiomática




imagem obtida IN: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/


Esta expressão é usada muitas vezes referindo-se aos mais novos. 

Na 1ª pesquisa, encontrei:

"Já a formiga tem catarro" é uma expressão usada quando alguém com pouca idade ou experiência toma uma posição de força ou expressa uma opinião sobre um assunto sobre o qual, aparentemente, não está habilitado.

(in Dicionário de calão, Expressões Idiomáticas, de José João Almeida, Guerra e Paz, Livros CMTV)




Na 2ª pesquisa:

'Transcrevemos a definição dada por António Nogueira Santos, em Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas (Lisboa, Sá da Costa, 1988), da expressão «a formiga tem catarro»:'

«Diz-se de pessoa (geralmente criança ou jovem) que tem pretensões superiores à sua idade, estado condição.»


É de facto o que se passa com o galo mais jovem que sucede a Tenório, que, depois de cantar ao amanhecer «um canto tão cristalino e tão puro», surpreende todos, inclusive o seu pai, que até então era o galo que apresentava melhores qualidades (Os Bichos, de Miguel Torga, pp. 33-28).'

'Bárbara Nadais Gama-  28 de novembro de 2014'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-formiga-tem-catarro/33191 [consultado em 05-07-2024]

sexta-feira, 10 de maio de 2024

"Ao Deus dará" - Expressão portuguesa

Ao Deus dará - Portuguesices
in: portuguesices.com

Esta expressão que é muito portuguesa, ouve-se com alguma frequência em situações do quotidiano.

Mas será que sabemos exatamente o que ela significa?

"Ao Deus dará" significa essencialmente, deixar algo ao acaso, à toa, à sorte...

...(...) pretendemos dizer "deixar ao acaso", como se o acaso fosse uma prerrogativa de, nada mais, nada menos, Deus.


A explicação em Ciberdúvidas da Língua Portuguesa:

A origem da expressão «ao deus-dará»1 (ao abandono, ao acaso, à toa, à aventura; estar entregue à própria sorte) é controversa. Ou melhor: tem duas explicações, conforme o lado de cá ou de lá do Atlântico. 

Para Guilherme Augusto Simões2 (in Dicionário de Expressões Populares Portuguesas, ed. Perspectivas & Realidades, Lisboa) a frase tem a seguinte explicação: 

«(...) ao pedido de esmola que os mendigos antigamente faziam – "Uma esmolinha, por amor de Deus" –, obtinham a resposta, daqueles que nada queriam dar, "Deus dará", e assim quem andava a mendigar andava ao "Deus dará"». 

Para Reinaldo Pimenta (in A Casa da Maria Joana (curiosidades nas origens das palavras, frases e marcas), 1.º vol., Editora Campus, Rio de Janeiro), «ao deus-dará» terá tido origem no Brasil, no século XVII, no Recife mais propriamente, ainda sob o domínio da coroa portuguesa: 

«Vivia [aí] um comerciante chamado Manuel Álvares, que ajudava os soldados que a Fazenda Real deixava abastecer. Quando ele não dispunha das mercadorias necessárias, dizia sempre "Deus dará!". De tanto repetir a frase, ficou conhecido como Manuel Álvares Deus Dará. E os soldados, quando precisavam de recorrer a ele, diziam: "Vamos ao Deus Dará." O "sobrenome" acabou até passando para os descendentes do comerciante: um dos filhos, provedor-mor da Fazenda, Simão Álvares Deus Dará.»

1 Com hífen, como parece ser o correcto, ou sem hífen é o registo indiferenciado nas obras consultadas. 

2 Cit. de Cândido de Figueiredo, Novo Dicionário de Língua Portuguesa (1922) + O que não se deve dizer (1953).

José Mário Costa 6 de março de 2006

Classe de Palavras: locução

Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons.'

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-expressao-ao-deus-dara/17181 [consultado em 11-05-2024]

terça-feira, 16 de agosto de 2022

"Quem se lixa (trama) é o mexilhão" - uma expressão corrente e o seu significado

imagem in reportersombra.com


Esta expressão é muito utilizada no dia-a-dia. 

E nos últimos tempos, cada vez mais... 

Também costumamos ouvir dizer que "quem paga é o Zé Povinho"! Isto quer dizer quem paga é o povo, a arraia-miúda (parte do povo da mais baixa categoria); dizemo-lo com a intenção de significar que é a gente mais pobre ou em situação social débil quem mais se sente lesada, porque não tem possibilidades financeiras para conseguir desenvencilhar-se das dificuldades que tem de enfrentar, a todos os níveis...  

"Designa que quem é sempre prejudicado é quem se encontra em situação inferior". (in Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, notícias editorial, fevereiro de 1999).

Pesquisando mais sobre estas curiosidades que me fascinam sobre a nossa língua,  encontrei um post de um  BLOG, que achei interessante e, por isso, deixo aqui essa partilha:


Quem se lixa é o mexilhão

Este ditado é tão antigo como a humanidade porque tem a ver com a água do mar que teima em vir à costa com mais ou menos força, bater nas pedras, na rocha, mas “quem se lixa é sempre o mexilhão” e o mais pequenino porque o maior esse está lá no fundo e longe das batidas da água.
E porquê o mexilhão? Era o mais abundante. Para além disso, era a comida dos mais pobres do litoral. Senão havia que comer, recorria-se ao mar e traziam-se baldes de mexilhão, lapas, ouriços e já se passava.
O mexilhão não é rico em calorias e sódio, mas é nutritivo. Os crustáceos e os moluscos são ricos em proteínas, vitaminas e minerais; e o marisco contém sempre ácidos gordos.
No entanto, quando o mexilhão vai para o tacho e começa a ferver, talvez sinta maior tormento que o bater da água do mar...
O atum era outro alimento das classes mais pobres, no entanto, segundo o ditado que citamos, vamos ao que se anicha na rocha, como o mexilhão, para apanhar com a água.
É vulgar alijar as responsabilidades para cima dos outros. Sacudir a água do capote.
É fácil ser líder, responsável, coordenador, director, ministro, quando a água do mar está calma porque não é difícil ir ao leme. O pior é quando o mar está bravo. E até aí não se sonha ser líder nem responsável, nem coordenador, nem director, nem ministro.
Nessa altura arranjam-se todos os meios para sacudir as “vespas” e atirar as culpas para os outros. Lançar a albarda ao chão. O mar é teimoso e “quem se lixa é o mexilhão”, isto é, o inferior. Quem paga as favas é o pequeno. Esse é o culpado de tudo. Que vá “badamerda” que pague e não bufe, era assim que se dizia noutros tempos, ouvia eu dizer, na minha terra, e não era o Alentejo; ainda hoje se ouve este termo...
É preciso ter em conta que quem paga é sempre o pequeno, o inferior, isto não é cristão, mas é esta a forma de estar nesta sociedade, onde parece que as vítimas sofrem e os criminosos andam à solta...
É sempre prejudicado quem se encontra numa situação inferior, segundo Orlando Neves, eis o significado para este autor de um “Dicionário de expressões correntes”: “quem se lixa (trama) é sempre o mexilhão”.

Adquem

Publicada por Artur Coutinho

Etiquetas: CURIOSIDADES

in: http://acoutinhoviana.blogspot.com

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

"Trocar por miúdos", uma expressão popular portuguesa

A expressão portuguesa "trocar por miúdos" significa:

descrever, explicar, relatar pormenorizadamente 

(in Português, Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa)


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Algumas expressões correntes em que entra o verbo "atirar": sempre a aprender!

imagem in oglobo.globo.com


Atirado para a frente - que tem iniciativa; que vai na frente do progresso

Atirar abaixo - diz-se do professor que obriga o estudante a falhar no exame; dizer mal de alguém

Atirar à cara - acusar

Atirar ao mundo - abandonar

Atirar a pedra e esconder a mão - dissimular um mal que se fez

Atirar a primeira pedra - ser o primeiro a fazer acusações ou a impor sanções contra alguém, sem refletir nas suas próprias culpas. Provém do episódio da Bíblia em que Cristo protege uma mulher adúltera. Narra-se no Evangelho segundo S. João, 8

Atirar às bochechas - dizer francamente

Atirar às ervas - abandonar nas piores condições

Atirar às feras - acusar; abandonar nas piores condições

Atirar às malvas/atirar às urtigas - fazer por esquecer

Atirar com a albarda ao ar/atirar com os aparelhos ao ar - zangar-se; irritar-se; ficar farto

Atirar de cangalhas - atirar alguém ou algo ao chão

Atirar dinheiro pela janela fora/Atirar dinheiro para a rua - desperdiçar dinheiro

Atirar o barro à parede - sondar; usar de habilidade para conhecer as intenções de alguém

Atirar o coração ao largo - desistir, conformar-se

Atirar para o azar - causar infelicidade; ofender, magoar

Atirar para o torto - falhar; causar prejuízo, ofender, magoar

Atirar poeira aos olhos - o significado atual da expressão "iludir, confundir, enganar, perturbar" é por de mais conhecido. Literalmente, a frase tem um sentido que, depois, passou para a linguagem figurada. Mas o curioso é que a sua origem está, precisa e objetivamente , na interpretação à letra que se perdeu. Hoje, essa literalidade digamos que só é notória nas corridas de automóveis, tipo rallies ou safaris (quando disputados em estradas de macadame ou na areia). Mas outrora ligava-se às provas de atletismo, antes do tartan, do asfalto e doutros pisos sintéticos. É que nas Olimpíadas gregas os atletas corriam em caminhos arenosos. E os vencedores ou, pelo menos, aqueles que iam na frente, levantavam poeira (areia) com o movimento dos seus pés, o que, naturalmente, "confundia, perturbava" os concorrentes que lhes seguiam na peugada.

Atirar-se ao ar - enfurecer-se; zangar-se

Atirar-se como gato a bofe - com sofreguidão

Atirar-se de cabeça - enfronhar-se num assunto ou numa situação

Atirar tudo para trás das costas - não dar importância às situações

Atirar uma casca de laranja a alguém - trair; fazer que outrem fique mal colocado ou cometa uma falta; fazer uma armadilha 

(encontrei em: Dicionário de expressões correntes, de Orlando Neves, Notícias Editorial) 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

..."estar na palheta..."

Qual o significado desta expressão curiosa?


Consultando:


na palheta
• [Portugal, Informal]  

Na conversaa conversar (ex.: ficaram horas na palheta).


"palheta", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 
[em linha], 2008-2020 
[consultado em 13-11-2020]

https://www1.prefpoa.com.br

terça-feira, 10 de setembro de 2019

"Saúde de ferro"

in youtube.com


"Como já se viu, o corpo dá-se ao manifesto e dele se retiram várias expressões. Mas, no fundo, o que todos queremos é que nos dê também saúde. Uma saúde de ferro. E porquê? Porque o ferro, apesar de enferrujar, tem uma dureza e resistência invejáveis e desejáveis." 

Encontrei em: "Puxar a brasa à nossa sardinha", de Andreia Vale, Manuscrito, 2015

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Significado da expressão "Lançar poeira aos olhos"

"O significado atual da expressão, "iludir, confundir, enganar, perturbar", é por demais conhecido.

Literalmente, a frase tem um sentido que, depois, passou para a linguagem figurada. Mas o curioso é que a sua origem está, precisa e objetivamente, na interpretação à letra que se perdeu. Hoje, essa literalidade digamos que é só notória nas corridas de automóveis, tipo rallies ou safaris (quando disputados em estradas de macadame ou na areia). Mas outrora ligava-se às provas de atletismo, antes do tartan, do asfalto e outros pisos sintéticos. É que nas Olimpíadas gregas os atletas corriam em caminhos arenosos. E os vencedores ou, pelo menos, aqueles que iam na frente, levantavam poeira (areia) com o movimento dos seus pés, o que, naturalmente, "confundia, perturbava" os concorrentes que lhes seguiam na peugada."

(in Dicionário de Expressões Correntes", de Orlando Neves)

in: http://www.fecoa.org/
de-los-inicios-a-la-actualidad-la-historia-del-atletismo/

domingo, 29 de março de 2015

Expressão: "Ir desmaiar"

Esta expressão corrente significa "festejar a entrada do mês de maio"

Já só falta um mês para chegarmos a maio!

universalelite.blogspot.com


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

"Levar a fio de espada": sabe o que significa?

Pois, "levar a fio de espada" significa ser intransigente, intolerante, resolver os assuntos pela força.

in: 2.bp.blogspot.com

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

"Pôr a boca no trombone" significa...

in:  mulher.uol.com.br
"Pôr a boca no trombone" significa: 
"Revelar algo que lhe foi dito ou contado; não guardar segredo.

Exemplo do uso da palavra Pôr a boca no trombone:

Não se pode contar nada à Silvia, dizemos-lhe um segredo e ela põe logo a boca no trombone."

in http://www.dicionarioinformal.com.br

domingo, 23 de novembro de 2014

"Trigo limpo, Farinha Amparo" é uma expressão corrente

Ao investigar o significado da expressão corrente "Trigo limpo, farinha Amparo", encontrei no Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, a seguinte resposta: "De certeza, coisa garantida".

Também achei interessante uma outra explicação encontrada num Blog: 

"Farinha Amparo é parte integrante dos Portugueses, mesmo aqueles que não comeram nada sabem do seu nome devido ás expressões que originou, usadas para criticar alguém que não é bom a fazer algo.


O produto que ainda alimentou muitos na década de 70 e 80, já existia há muito no panorama Nacional mas ia perdendo aos poucos o lugar nas mesas Portuguesas para outras marcas do mercado e foi ficando na memória mais pelas expressões que ajudou a criar do que pelo sabor. Lembro-me de comer uma ou outra vez pela manhã algo com Farinha Amparo, mas ficaram por aí as minhas lembranças, de resto só mesmo quando ia à pendura num carro e ouvia um "este tirou a carta na Farinha Amparo".

Essa é a expressão mais conhecida, isto porque saíam sempre brindes na Farinha e alguém achou piada e começou a usar isso para denegrir alguém que não fazia algo bem, ou alguém que passava por cima de coisas para obter o que tinha. Outra expressão da Farinha era o "Trigo Limpo Farinha Amparo", para a facilidade com que se conseguia algo (e era mais usada no futebol).

Ou seja um produto que ficou conhecido pelas expressões que originou, apesar de muitos ainda se lembrarem por causa do seu sabor obviamente.
Read more: 


http://aindasoudotempo.blogspot.pt