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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

"À tripa forra" - uma curiosa expressão popular portuguesa


"À tripa forra" é uma expressão popular que significa na nossa língua:  

  • com fartura
  • abundantemente
  • gratuitamente
  • sem se preocupar com o custo ("comer ou viver sem se preocupar - "à tripa forra")

FONTE: Baseei-me na leitura da obra "Novos Dicionários de expressões idiomáticas", de António Nogueira Santos, Edições João Sá da Costa, 1ª edição, 1990

Já No Ciberdúvidas da Língua Portuguesa pode encontrar-se a seguinte explicação para a referida expressão:

Pergunta de um consulente ao Ciberdúvidas:

'A origem da expressão «gastar à tripa-forra»
Há uma expressão que se lê e ouve constantemente: «gastar à tripa forra». Embora se compreenda facilmente o seu significado, será possível informarem-me como surgiu?
Obrigada.
...(...)...(...)...

Resposta

Não encontro comentários sobre a origem da expressão. No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001), tripa-forra (com hífen)1 tem entrada própria, sendo a palavra classificada como elemento nominal da locução adverbial «à tripa-forra», cujas definições são: «em grande quantidade ou abundância, fartamente; até não poder mais» e «gratuitamente, às custas de outrem; de borla».

Note-se que tripa é, em linguagem familiar, o mesmo que barriga (cf. idem), como na expressão «encher a tripa», «comer muito até ficar farto»; e forra, o feminino de forro, «livre, desobrigado». Tripa-forra é, pois, a fixação do sintagma «tripa forra», isto é, «barriga livre». Lembrando que barriga é por metonímia o mesmo que apetite, como ocorre na expressão «ter mais olhos que barriga», é de sugerir que tripa-forra tenha surgido como alusão a um apetite sôfrego, desenfreado ou descontrolado, sem limites por falta de comida ou de dinheiro para a comprar. 

Sendo assim, «gastar à tripa-forra» quer dizer «gastar descontroladamente». O que acabo de propor é meramente uma conjectura baseada na análise semântica e morfológica da expressão, visto que, como disse, não tenho elementos históricos que me permitam descrever o contexto factual da sua génese.

1 O Dicionário Houaiss (edição brasileira de 2001, s. v. tripa) regista «à tripa forra» sem hífen, definindo-a como locução sinónima de «à larga». Dado que tripa-forra ou tripa forra ainda mantêm um certo grau de composicionalidade (os significados das palavras suas constituintes ainda estão acessíveis à interpretação), considero que ambas as grafias são aceitáveis.' 

(por Carlos Rocha)

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-da-expressao-gastar-a-tripa-forra/28859 [consultado em 13-02-2026]

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Porto: concelho com um nome de cidade com história

imagem in https://www.portocidadaniaportuguesa.com.br


PORTO - é um concelho cuja cidade terá tido origem na zona que conhecemos por Miragaia .

Chamava-se CALE devido à travessia dos barcos para a outra margem. 

O étimo de CALE (também cal, kal) tem o significado de "pedra, rocha, lugar elevado e rochoso" (segundo João Fonseca, autor do "Dicionário dos nomes das terras", ed. casa das Letras).

Portuscale vem do romano Portus e Cale, mas também era conhecido como Portucale <<porto de Cale>>, junto ao Douro , mais concretamente, na foz do rio de Vila.

Foi assim que Portucale se tornou um EPÓNIMO, pensa-se que a partir do século IV

(a explicação do vocábulo epónimo, segundo o que pesquisei em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt...um epónimo significa (cf. Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa):

a) como substantivo, «personagem real ou lendária que dava o seu nome a uma cidade ou aos diversos povos gregos» e «magistrado ateniense que dava o seu nome ao ano»;

b) como adjectivo, «que dá o seu nome a alguma coisa», «que, em Atenas, dava o seu nome ao ano», «[relativo] aos heróis gregos que deram os seus nomes aos vários povos gregos».

 Classe de Palavras - substantivo

Áreas Linguísticas - Léxico; Semântica

Campos Linguísticos -Atestação/Significado de palavras')

(in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa


Viver no Porto
imagem in idealista.pt

Continuando a história da palavra PORTO, o seu epónimo substituiu o nome Cale (designação local) e que segundo a minha pesquisa da referida obra de João Fonseca, mais tarde no tempo, e com documentos comprovativos, desde o "primeiro quartel do século XII mas, na prática, já antes, mantendo apenas o primeiro elemento do seu nome, a cidade passa a chamar-se Portus, que evoluiu naturalmente para PORTO". 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Origem e significado do nome do mês de maio

Sempre gostei de conhecer a origem e o significado das palavras que usamos para nos expressarmos no nosso dia a dia.

Como estamos no mês de maio, fiz uma pesquisa e apreciei verdadeiramente a explicação que encontrei nesta versão que me agradou, pois sou uma "apaixonada pelo estudo da etimologia das palavras" e que aqui partilho (com a devida vénia ao seu autor):

Eis porque o mês de maio se chama assim

Porque é que o mês de maio se chama assim? Um mergulho no passado para descobrir a etimologia do nome que indica o quinto mês do ano há milhares de anos.

in Meteored Itália
05/05/2024 

Acabámos de entrar no mês de maio, o quinto do ano no calendário gregoriano, um mês a meio da primavera em que podemos experimentar uma grande variedade de situações meteorológicas em Itália e em que podemos também sentir o primeiro sabor do verão ...(...)...

(...)...

Mas porque é que maio é assim chamado? Vamos descobrir a sua etimologia e a origem do seu nome.

Tal como acontece com muitos outros nomes e palavras que utilizamos no nosso quotidiano, o nome do mês de maio tem as suas raízes no passado. 

Existem várias hipóteses sobre a etimologia do nome “maio”. A indicada pela Accademia della Crusca é a de que este nome deriva do latim Maius (mensis), que por sua vez tem uma etimologia incerta, provavelmente de Maia, nome de uma antiga deusa itálica da terra e das colheitas, mãe de Mercúrio.

Maio é o quinto mês do ano no calendário gregoriano e é o terceiro mês da primavera, depois de março e abril. Tem uma duração de 31 dias.

Segundo o Dicionário Etimológico de Pianigiani, este nome refere-se à “grande deusa”, a grande mãe da terra e das colheitas, e também mãe de Mercúrio. Afinal, maio é um mês crucial para a agricultura, pois aproxima-se a colheita dos cereais e amadurecem muitos frutos que serão colhidos nos meses de verão.

Uma curiosidade: maio costumava ser o terceiro mês do ano

Na Roma antiga, até 46 a.C., era utilizado um calendário diferente do atual. O calendário romano baseava-se principalmente nos ciclos lunares, durava apenas dez meses e começava o ano no dia 1 de março, terminando em dezembro. O mês de maio era, portanto, o terceiro mês.


Os sinais desse antigo calendário são ainda hoje visíveis nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, que na altura eram, respetivamente, o sétimo, oitavo, nono e décimo meses do ano. Os meses de julho e agosto eram designados por “quintilis” (quinto mês) e “sextilis” (sexto mês), tendo sido posteriormente dedicados a Júlio César e a Augusto após as grandes reformas. 

O nome de março, por outro lado, provém do deus romano Marte, enquanto sobre abril existem mais dúvidas e diferentes hipóteses, embora mesmo neste caso as referências à primavera e ao despertar da natureza sejam evidentes. 

A reforma do calendário de 46 a.C., promovida por Júlio César, introduziu o “calendário juliano”, no qual, tal como hoje, o ano começava em janeiro e maio passava a ser o quinto mês.

Em 1582, a reforma do calendário gregoriano introduziu novas mudanças, mas sem alterar a ordem dos meses, e maio continuou a ser o quinto.

FONTE:
in Meteored Itália
05/05/2024 

domingo, 11 de dezembro de 2022

Dezembro: origem do nome do mês

30 Curiosidades sobre o mês de dezembro
(imagem in topmelhores.com.br)


A origem do nome do mês "dezembro": 

  • a explicação que encontrei é que "Era o décimo mês (Dezembro) - embora na verdade seja o décimo segundo, nos dias de hoje" - Almanaque da Língua Portuguesa, de Marco Neves, Guerra e Paz, Livros CMTV

Na mesma página deste Almanaque onde encontrei esta explicação, pode ler-se o seguinte texto escolhido pelo autor, onde aparece o nome "Dezembro": 

"A Morgadinha dos Canaviais 

Ao cair de uma tarde de Dezembro, de sincero e genuíno Dezembro, chuvoso, frio, açoutado do sul e sem contrafeitos sorrisos de Primavera, subiam dois viandantes a encosta de um monte por a estreita e sinuosa vereda, que pretensiosamente gozava das honras de estrada, à falta de competidora, em que melhor coubessem." 

                                                                                   Júlio Dinis

Dezembro – Wikipédia, a enciclopédia livre
in pt.wikipedia.org 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

TRABALHO - a história complexa desta palavra e a sua etimologia!

Ao procurar a etimologia da palavra "trabalho" encontrei uma explicação que achei interessante. Tem uma história que eu quase diria "inimaginável", de tão complexa que é!

Transcrevo de seguida o texto em português (tentativa de tradução minha, com "ajuda" do Google...) e mais abaixo, o original em língua francesa, resultado da minha pesquisa sobre a origem desta palavra tão importante como é o "trabalho" e o que ele representa para todos nós. 

Gostei da explicação e da sua verdadeira história: sim, porque todas as palavras têm uma "história" por mais "dura" que possa ser!

Outrora um instrumento de tortura, o trabalho abriu caminho 

Ao contrário da palavra “emprego”, a que está associada, a etimologia de “trabalho” é atormentada. Derivado do latim "tripalium", que designava máquina de ferrar bois, o trabalho hoje serve como laço social 

Florêncio Artigot * 
Publicado a 15 de janeiro de 1999 
Esfoladas, desmembradas, esmagadas, inchadas por uns, castradas por outros, as palavras acabam por se tornar, como estas camadas geológicas depositárias de um passado, as testemunhas das mentalidades que atravessaram. 
Refletindo certos costumes, a linguagem não passa pela história sem marcas. "Trabalho" e "emprego", na boca de todos hoje, estão entre aquelas palavras que a história não poupou. Se esses termos são hoje carregados de valores positivos, é porque eles são o último elo social, uma espécie de cordão umbilical, entre o indivíduo e a sociedade. O emprego, esta fonte de rendimento e integração na sociedade, está cada vez mais raro e, por força das circunstâncias, está a tornar-se um bem raro. Nesse sentido, a etimologia da palavra trabalho, ou seja, a história de sua vida, é no mínimo surpreendente. Voltar atrás no tempo toca em origens distantes, sejam latinas ou francas. “Trabalho” vem da palavra latina baixa tripalium, que é literalmente uma máquina feita de três estacas. No entanto, o tripalium foi este instrumento usado em 1000 para ferrar bois e cavalos difíceis e caprichosos. Mas era comumente usado quando era necessário punir pecadores e recalcitrantes. Para os animais, era uma ferramenta de trabalho, para os homens, um instrumento de tortura. Origens e raízes privam esta palavra de seu brilho e brilho.

O Trabalho como valor 

Durante o segundo milénio, o seu significado deteriora-se  e enfraquece. No século XII, o francês antigo usava invariavelmente "trabalhar" e "fazer sofrer". Moral ou fisicamente, nem é preciso dizer. Mais tarde, trabalhar significa 'molestar', 'danificar' ou 'bater'. A frase "trabalhar as costelas de alguém" vem daí. Dá então origem a outra metáfora: "trabalhar o adversário ao corpo", que sugere que o referido adversário terá de passar um mau quarto de hora. Então o espírito, na vida desta palavra, assume o corpo. "Trabalhar a mente" e seu uso coloquial "trabalha a mente" são apenas algumas expressões entre muitas que marcam a mudança. Ao mesmo tempo, como Alain Rey, autor do recente "Dicionário Histórico da Língua Francesa" ** aponta, "a ideia de transformação da matéria prevalece gradualmente sobre a de fadiga ou dor". No final, o domínio do homem sobre a natureza só pode ser alcançado através do trabalho. Isso requer esforço, é claro, mas esse esforço será recompensado e a mãe natureza dominada.

Abundância de trabalho, escassez de emprego

Trabalhamos o ferro enquanto trabalhamos a massa. Nós deformamos as coisas, nós as transformamos. A máquina começa a funcionar, o que reduz o sofrimento humano. A técnica é introduzida nos processos de fabricação e o trabalho é elevado ao patamar de grandes valores. Conseguimos criar criando a nós mesmos, pelo menos é o que dizem alguns teóricos para quem o trabalho é o caminho para a liberdade. Curioso destino desse instrumento de tortura, o tripalium, que finalmente permitirá ao homem sofrer menos. A vida da palavra "emprego" é um rio mais calmo. Poucas variações de significado. Se “empregar” vem do latim implicare, que significa “dobrar” ou “torcer, enredar”, esta palavra é usada principalmente no sentido de “colocar, fazer uso”. Na Chanson de Roland, as armas eram usadas à medida que os golpes eram usados. A partir do século XVII, empregar alguém era fazê-lo trabalhar por conta própria. A noção de serviço foi inoculada no termo. No mundo do show business, a expressão figurativa "ter a cara do ofício" mostra até que ponto a cara é a ferramenta de trabalho do ator, esse prestador de serviços. Mas a palavra "emprego", embora a sua história nos leve às fontes do latim, afirmou-se e ocupou o seu lugar no nosso vocabulário desde o momento em que se associou à economia e ao inglês.
Na verdade, esse termo como é usado hoje é a tradução de emprego e empregar. Assim, a ideia de função e carga vinda do inglês torna-se dominante. A forma "pleno emprego", tradução literal de pleno emprego apenas confirma essa relação de parentesco. Mas a confusão pode ser grande entre esses dois termos. Se o emprego é escasso, o trabalho é abundante. Muitas vezes visto como um bem, o trabalho é, na verdade, apenas um recurso. É apenas um contributo utilizado com maior ou menor eficiência num processo produtivo. Se a população ativa aumenta, por exemplo, o recurso mão-de-obra também aumenta, porque há mais mãos para trabalhar e mais cabeças para pensar. O mesmo não ocorre com o emprego, que é uma demanda de serviços e know-how por parte das empresas. No entanto, é esta procura (emprego) que tende a escassear. É ela que em certos segmentos da economia tende a encolher. Quando certos políticos se propõem a repartir a obra, sendo esta superabundante, fazem, ao lapidar esta catástrofe semântica, apenas para aumentar a confusão e perturbar o debate. 
Como escreve Alain Rey: “Essas palavras, acreditamos que as usamos, quando muitas vezes são elas que nos conduzem, pela carga que a história colocou nos sons e nas letras”.

** “Dicionário histórico da língua francesa”, Alain Rey. Edições Robert, Paris, 1998. 
* Economista, Universidade de Neuchâtel.

FONTE:
in https://www.letemps.ch/economie/jadis-instrument-torture-travail-su-faire-chemin


Agora, segue-se o texto pesquisado e cujo original é em língua francesa


tripalium – DIÁRIO DE UM LINGUISTA
image obtenue in diariodeumlinguista.com


Jadis instrument de torture, le travail a su faire son chemin

Contrairement au mot «emploi», auquel on l'associe, l'étymologie du «travail» est tourmentée. Issu du latin «tripalium», qui désignait une machine à ferrer les bœufs, le travail sert aujourd'hui de lien social

Florencio Artigot *

Publié 15 janvier 1999 

Ecorchés, dépecés, broyés, boursouflés par certains, castrés par d'autres, les mots finissent par devenir, comme ces couches géologiques dépositaires d'un passé, les témoins des mentalités qu'ils ont traversées. Reflet de certaines coutumes, la langue ne traverse pas l'histoire sans cicatrices. «Travail» et «emploi», aujourd'hui sur toutes les lèvres, font partie de ces mots que l'histoire n'a pas ménagés. Si ces termes sont aujourd'hui chargés de valeurs positives, c'est qu'ils sont le dernier lien social, sorte de cordon ombilical, entre l'individu et la société. L'emploi, cette source de revenu et d'intégration à la société, se raréfiant, devient par la force des choses une denrée rare.

En ce sens, l'étymologie du mot travail, c'est-à-dire l'histoire de sa vie, est pour le moins surprenante. La remontée dans le temps effleure les origines lointaines, qu'elles soient latines ou franciques. «Travail» est issu du bas latin tripalium, qui est littéralement une machine faite de trois pieux. Or, le tripalium était cet instrument utilisé en 1000 pour ferrer les bœufs et les chevaux difficiles et capricieux. Mais on en faisait couramment usage lorsqu'il fallait punir les pécheurs et les récalcitrants. Pour les animaux, il s'agissait d'un outil de travail, pour les hommes, d'un instrument de torture. Les origines et les racines enlèvent à ce mot partie de son lustre et de sa brillance.

Le travail comme valeur

Pendant le deuxième millénaire, son sens s'altère et s'affaiblit. Au XIIe siècle, l'ancien français utilise invariablement «travailler» et «faire souffrir». Moralement ou physiquement, cela va de soi. Plus tard, travailler veut dire «molester», «endommager» ou «battre». L'expression «travailler les côtes de quelqu'un» vient de là. Elle donne ensuite naissance à une autre métaphore: «travailler l'adversaire au corps», qui laisse à penser que ledit adversaire devra passer un mauvais quart d'heure. Puis l'esprit, dans la vie de ce mot, prend le dessus sur le corps. «Travailler l'esprit» et son emploi familier «ça le travaille» ne sont que quelques expressions parmi tant d'autres qui marquent le changement. En même temps, comme le souligne Alain Rey, auteur du récent «Dictionnaire historique de la langue française»**, «l'idée de transformation de la matière l'emporte peu à peu sur celle de fatigue ou de peine». L'emprise de l'homme sur la nature ne peut finalement se faire que par le travail. Cela demande un effort certes, mais cet effort sera récompensé et dame nature maîtrisée.

Abondance du travail, rareté de l'emploi

On travaille le fer comme on travaille la pâte. On déforme les choses, on les métamorphose. La machine se met à travailler, ce qui réduit les souffrances de l'homme. La technique s'introduit dans les procédés de fabrication et le travail est élevé au rang des grandes valeurs. On arrive à créer tout en se créant, c'est du moins ce que disent certains théoriciens pour qui le travail est le chemin de la liberté. Curieux destin que celui de cet instrument de torture, le tripalium, qui va finalement permettre à l'homme de moins souffrir. La vie du mot «emploi» est un fleuve plus tranquille. Peu de variations de sens. Si «employer» est issu du latin implicare, qui signifie «plier dans» ou «entortiller, emmêler», ce mot est surtout utilisé dans le sens de «placer, faire usage de». Dans la Chanson de Roland, on employait des armes comme on employait des coups. A partir du XVIIe siècle, employer quelqu'un, c'était faire travailler cette personne à son compte. La notion de service était inoculée dans le terme. Dans le monde du spectacle, la locution figurée «avoir la gueule de l'emploi» montre à quel point le visage est l'outil de travail de l'acteur, ce prestataire de service. Mais le mot «emploi», bien que son histoire nous amène aux sources du latin, s'est affirmé et a pris place dans notre vocabulaire à partir du moment où il s'est acoquiné à l'économique et à l'anglais. En fait, ce terme tel qu'il est utilisé de nos jours est la traduction de employment et de to employ. Ainsi, l'idée de fonction et de charge en provenance de l'anglais devient dominante. La forme «plein-emploi», traduction littérale de full employment ne fait que confirmer cette relation de cousinage. Mais la confusion peut être grande entre ces deux termes. Si l'emploi est rare, le travail abonde. Trop souvent vu comme un bien, le travail n'est en fait qu'une ressource. Ce n'est qu'un input utilisé avec plus ou moins d'efficacité dans un processus de production. Si la population active augmente, par exemple, la ressource travail augmente aussi car il y a plus de bras pour œuvrer et de têtes pour réfléchir. Il n'en va pas de même pour l'emploi, qui est une demande de service et de savoir-faire de la part des entreprises. Or, c'est cette demande (l'emploi) qui tend à se raréfier. C'est elle qui dans certains segments de l'économie tend à se réduire comme peau de chagrin. Lorsque certains politiques proposent de partager le travail, alors que celui-ci est surabondant, ils ne font, en lustrant cette catastrophe sémantique, qu'augmenter la confusion et troubler le débat. Comme l'écrit Alain Rey: «Ces mots, nous croyons nous en servir, alors que bien souvent ce sont eux qui nous entraînent, par la charge que l'histoire a mise dans les sons et les lettres.» 

** «Dictionnaire historique de la langue française», Alain Rey. Editions Robert, Paris, 1998.

* Economiste, Université de Neuchâtel.

SOURCE: in https://www.letemps.ch/economie/jadis-instrument-torture-travail-su-faire-chemin

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Por que usamos a expressão "copo d'água" (cerimónia após celebração de um casamento)?

Quanto custa um casamento em Portugal: calcule o orçamento
imagem obtida in zankyou.pt


Procurando saber por que em algumas situações da nossa vida utilizamos a expressão copo d'água numa frase como esta: "Fui convidada para o casamento dos meus amigos Alda e João e o copo d'água vai ser no Restaurante 'Moçambique' ", após algumas pesquisas, encontrei esta explicação muito interessante:

'A origem da expressão copo-d´água'
'Ao que parece, palavra copo-d´água começou por designar uma «pequena refeição, de doces e bebidas generosas, que se oferece a quem se deseja obsequiar, em certas ocasiões festivas» ou «reunião onde se oferecem bebidas e doces» (Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado). Em Portugal, o termo especializou-se, aplicando-se sobretudo aos banquetes de casamento, embora o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa também o estenda a baptizados e actos mais ou menos solenes.
Em dicionários e obras de referência, não encontrámos explicação para a evolução semântica da expressão copo-d´água em português europeu. É, contudo, plausível que se tenha desenvolvido a partir de uma figura de estilo denominada eufemismo. Se nos colocarmos no lugar das famílias que fazem os convites, verificamos que essas famílias assumem um grande encargo designado apenas por copo-d´água. Assim, conseguem disfarçar as ideias preocupantes com uma expressão suavizante.
A. Tavares Louro/Carlos Rocha 16 de abril de 2008
Classe de Palavras: substantivo
Áreas Linguísticas: Etimologia; Léxico'

REFERÊNCIA:
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscteiul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-da-expressao-copo-dagua/23397 
[consultado em 24-10-2022]

sábado, 7 de maio de 2022

REGALIA: estudo da origem e da evolução histórica desta palavra (etimologia)

Gosto de pesquisar a origem das palavras. 

Por vezes, encontram-se as mais variadas interpretações, mas julgo que isso não só enriquece a nossa língua, como também aguça a nossa curiosidade em procurar e estudar o que mais poderá estar por detrás daquilo que já conhecemos ou ouvimos falar. 

E quantas vezes somos surpreendidos com explicações, algumas delas parecendo inverosímeis. Mas tudo tem uma origem e uma história. Parece haver sempre um mais e mais... Não parece: há mesmo! 

Esta palavra é um desses casos!

regalia
re·ga·li·a

Significado de Regalia
nome feminino

1. Vantagem concedida a alguém, em detrimento da maioria das pessoas; privilégio

2. Direito próprio de um rei ou de membros da realeza; prerrogativa

Etimologia
Do latim: regalis

Sinónimos de Regalia


Definição de Regalia

Classificação gramatical: nome feminino
Divisão silábica de regalia: re·ga·li·a
Plural de regalia: regalias

Exemplos com a palavra Regalia

Subvenções vitalícias dos políticos serão reduzidas ou cortadas, mas ex-Presidentes da República são excepção e mantêm essa regalia.
Público, 16.10.2013

Num acórdão publicado esta semana, o Tribunal alega que a empresa estatal não tinha bases legais para poder oferecer aquela regalia aos seus funcionários.
Expresso, 02.03.2017

Quem define o que é de facto uma vista privilegiada? O que um técnico considere privilégio, outro achará que de regalia não tem nada.
Público, 03.08.2016

(in lexico.pt)
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Regalia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre 
(in: pt.wikipedia.org).

Regalia do Império Russo.

Regalia (do castelhano regalía, e este do latim medieval regalia, 'as coisas do rei', neutro plural de regalis, 'do rei' [1]) é o termo latino plurale tantum que designava, na Idade Média, cada um dos direitos, prerrogativas e privilégios (designados no latim medieval como iura regalia ou apenas regalia) de um soberano, tais como emitir moeda, nomear juízes, fixar e arrecadar tributos e dispor de bens vacantes.

Posteriormente, o termo passou a se referir também ao conjunto de objetos simbólicos de um rei, imperador ou outra autoridade, tais como suas insígnias
Ao longo da história, cada monarquia foi apresentando as suas próprias regalias que, muitas vezes, têm origens lendárias e são conservadas preciosamente como tesouros nacionais. Entre as regalias encontram-se instrumentos litúrgicos e do sagrado e as vestes e joias reais, como a coroa, o Cap of Maintenance, o globus cruciger, o manto real, diademas e tiaras, cetros, espadas, manguais, pulseiras, anéis, etc..

Referências
1.  (em italiano) Vocabolario Treccani: "regalia"

Ver também

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regalia
regalia | n. f.
re·ga·li·a 

nome feminino

1. Direito inerente à realeza.

2. [Por extensão] Privilégio; prerrogativa; imunidade.

Palavras relacionadas: 

Parecidas

Palavras vizinhas
regaleco  regaleira  regalengo  regalia  regalice  regalismo  regalista


Anagramas

Esta palavra no dicionário


"regalia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 
[em linha], 2008-2021, 
https://dicionario.priberam.org/regalia [consultado em 07-05-2022].
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sexta-feira, 9 de abril de 2021

A origem do nome TERESA

in pinterest.pt


A origem do nome Teresa

Teresa é, segundo J. Leite de Vasconcelos, um dos «nomes próprios portugueses de estirpe grega transmitido por intermédio da Igreja» (Antroponímia Portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1928, p. 45), formado a partir da forma arcaica Tareja (1), derivada do latim Therasia, esposa de S. Paulino (séc. IV), que, por sua vez, remete para o grego θηρασια, feminino de θηρασιοʂ, habitante da ilha de Therasia, no mar Egeu (cf. p. 47).

Por sua vez, José Pedro Machado, em Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa (vol. III), elucida-nos sobre a história deste antropónimo, recuando até à sua atestação, o que ocorre com o nome da «mulher de S. Paulino de Nola (Meropius Pontius Paulinus), bispo de Bordéus (353-431), [que] se chamava Therasia de Compluto (perto de Alcalá). Era de origem hispânica e esse nome manteve-se confinado à Península Ibérica durante alguns séculos», só saindo da península «por volta do séc. XVI, popularizado pela fama de Santa Teresa de Ávila (1515-1582) e, mais tarde, pela de Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897)».

Ainda segundo este autor, em Portugal, este nome entrou duas vezes, com várias formas. «A primeira, Tarasia (falso latinismo), documenta-se em 915 e 959; em 1096, há Taraxia, Tarazia, Taraxea (Leges, p. 352); em 1111, temos Taresia, Tarasia; por seu lado, Tareisa volta a aparecer em 1112 e em 1115; Tarisia, em 1123. Em 1258 temos Tareysa e Tareigia. Tareija teve largo uso, também escrito sob a forma Tareyia, ao lado de Tareia e Tareja».

Nota ainda J. Pedro Machado que, «apesar de se saber da existência de uma infanta D. Teresa no séc. XVII (1696-1704), filha de D. Pedro II e de sua segunda esposa, D. Maria Sofia de Neuburgo (a quem talvez se deva a imposição do nome), o nome Teresa entre nós passou por sono largo; no séc. XIV parece que já era raro, pois Fernão Lopes refere-se somente a damas castelhanas e galegas com esse nome. Reaparece no séc. XVIII, por influência espanhola.

Nota: O nome próprio Teresa está atestado, também como apelido, ao lado da forma masculina Tereso, a mais vulgar (cf. José Pedro Machado, ob. cit.).


1 Forma esta usada por Fernando Pessoa, em Mensagem, para designar a mãe do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, no título do poema D. Tareja, a quem dirige um apelo, proclamando-a como «mãe de reis e avó de impérios».


Eunice Marta 29 de maio de 2012

Tema: Origem de nomes próprios 

Classe de Palavras: nome próprio

Áreas Linguísticas: Etimologia; Léxico

Os conteúdos disponibilizados neste sítio estão licenciados pela Creative Commons.'


in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-do-nome-teresa/31372 [consultado em 09-04-2021]

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A palavra "edil" e o seu significado

in: https://gl.wikipedia.org/wiki/
Lista_de_municipios_portugueses

Na Roma Antiga, edil era o magistrado ou o funcionário que zelava pela manutenção e bom estado de conservação de edifícios ou outras obras públicas.

Supervisionava as ruas, controlava o abastecimento de alimentos e da água.

Nos municípios do Império Romano, o edil era um funcionário administrativo.

Na Política era o mesmo que um vereador.

No Nordeste Brasileiro, é um regionalismo, é o mesmo que prefeito.

Sendo um substantivo comum, edil tem como nome coletivo a edilidade.

EDIL vem do latim aedilis (edil, como já referi acima, era um magistrado romano, estava incumbido de inspecionar os edifícios públicos e particulares, sagrados e profanos; também tinha de zelar pelos aquedutos, pelos divertimentos públicos, pelo abastecimento da cidade, e, em geral, tudo o que fosse do bem comum); o edil oriundo do latim aedés, is, significava residência, templo comum, cuja manutenção era a função inicial dos edis.

fonte: pesquisa efetuada em https://pt.wiktionary.org

domingo, 31 de janeiro de 2016

""Amor" é uma palavra muito antiga


in: www.mensagenscomamor.com 
Sim, é verdade! 

E quem o diz e comprova é Pedro Braga Falcão, na sua interessante obra Palavras que falam por nós (Clube do Autor, S.A.) e que se recomenda a todos os que tentam descobrir as raízes da língua portuguesa.

Amor é uma palavra tão antiga como o latim e é derivada do verbo amare (amar). A partir de amare formou-se amicus (amigo) e amans (aquele que ama)!



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Origem da expressão popular "Política de terra queimada"

"Fazer política de terra queimada" ou "adoptar uma política de terra queimada", segundo o que passou hoje, na antena 1, no programa "Lugares Comuns", por Mafalda Lopes da Costa, é uma expressão que significa:
  • arrasar
  • destruir qualquer coisa
  • aproveitar algo para poder beneficiar de...
Poderá ter origem numa antiga prática militar chinesa,  em que se queimavam todas as colheitas para não permitir ao inimigo reabastecer-se, tendo sido também adoptada pelos russos, aquando das invasões napoleónicas, nas quais Napoleão terá saído derrotado.

                                         

segunda-feira, 14 de março de 2011

Porto - origem do nome da terra



Segundo o que refere o Dicionário do Nome das Terras, de João Fonseca (Casa das Letras), o início da cidade do Porto terá sido em Miragaia.

Foi chamada de Cale porque se encontrava num local em que se dava a travessia dos barcos para a outra margem; cale, etimologicamente (cal, kal) tem o significado de rocha, pedra, espaço alto e rochoso.

Do romano Portus e Cale, Portuscale ou Portucale foi considerado o "porto de Cale", localizado "junto do Douro, na foz do rio de Vila". O investigador Pinho Brandão pensa que, Portucale substituiu ("como designação local") o nome Cale, no final do século IV.

Antes do primeiro quartel do século XII, passou a chamar-se Portus, evoluindo para Porto.

À palavra Portucale cabe-lhe a identificação de  todo o nosso território português, a partir do segundo quartel do século X, confirmado em documentos.

                              

domingo, 28 de novembro de 2010

Etimologia da palavra "CRISE"

Pesquisa efectuada em
"[Pergunta
Resposta]

A etimologia da palavra crise

[Pergunta] Qual a etimologia da palavra crise?

Carla Farelo :: Engenheira :: Lisboa, Portugal

[Resposta] O substantivo (nome) crise vem «lat[im] crĭsis, is, "momento de decisão, de mudança súbita, crise (us[ado] esp[ecialmente] ac[e]p[ção] med[icina])", do gr[ego] krísis,eōs, "ação ou faculdade de distinguir, decisão",
p[or] ext[ensão], "momento decisivo, difícil", der[ivação] do v[erbo] gr[ego] krínō, "separar, decidir, julgar"; já no lat[im] ocorre a ac[e]p[ção] "momento decisivo na doença"; a pal[avra] ganha curso em econ[omia] a partir do sXIX; fr[ancês] crise (1429), ing[lês] crisis (1543), al[emão] Krise (sXVI), it[aliano] crisi (sXVI-XVII), esp[anhol] crisis (1705), port[uguês] crise (sXVIII)».


A palavra crise é, em história da medicina, «segundo antigas concepções, o 7.º, 14.º, 21.º ou 28.º dia que, na evolução de uma doença, constituía o momento decisivo, para a cura ou para a morte»; em medicina, trata-se de «o momento que define a evolução de uma doença para a cura ou para a morte» ou de «dor paroxística, com distúrbio funcional em um órgão». Em economia, é «fase de transição entre um surto de prosperidade e outro de depressão, ou vice-versa».

[Fonte: Dicionário Eletrônico Houaiss]
Carlos Marinheiro :: 12/10/2010"