terça-feira, 29 de junho de 2010

São Pedro nas Festas da Afurada (2010)

in santamarinhaeafurada.pt

Todos os anos, por esta altura, a vila de São Pedro da Afurada homenageia o Santo com o seu nome. Organizam uma das mais lindas festas dos Santos Populares.


A vila fica toda engalanada e dá prazer passear no meio dela. À porta das casas dos pescadores, vêem-se fogareiros acesos onde se assam as sardinhas, que depois se comem com a broa de Avintes; os miúdos brincam em frente às casas ou nas ruas e os mais velhinhos, cabeceiam nas umbreiras das portas.



As pequenas tascas encontram-se cheias de gente entusiasmada com os festejos e querendo comer os pratos típicos da nossa santa terrinha. Não faltam os carros eléctricos, os carrosséis, as tendas das farturas, das bifanas, dos cachorros quentes...



A freguesia de São Pedro da Afurada é muito hospitaleira, recebendo todo os visitantes com a procissão dos andores, momento tão ansiado, e em que as imagens dos santos são em tamanho natural! Outro momento esperado é o da bênção dos barcos. 

O público costuma acorrer em massa ao fogo-de-artifício (à meia-noite do dia 28), sendo um espectáculo maravilhoso em que todos os efeitos luminosos se espelham no Rio Douro, ficando este todo vaidoso atirando os seus laivos cintilantes por todo o Porto e Gaia...!

Nestas festas de São Pedro da Afurada é costume serem exibidas ao público as seguintes imagens: a da Nossa Senhora do Carmo, que é a Padroeira dos Homens do Mar, a da Nossa Senhora de Fátima e de São Miguel Arcanjo. No entanto, é de notar que a imagem de São Pedro, naquele local, é permanente, porque era ali, antigamente, a Igreja da Afurada. 

São Pedro, pescador de Galiléia, foi escolhido por Nosso Senhor para ser o primeiro apóstolo. Homem de fé, foi muito dedicado ao seu Mestre, apesar de, na sua fraqueza, chegar a negá-lo. Mas numa dor profunda acompanhada de arrependimento pelo pecado, pela ofensa a Deus, veio mais tarde a ser nomeado por Jesus como Chefe da Igreja. O Apóstolo São Pedro é um dos principais líderes da Igreja Cristã Primitiva.

Não percamos a romaria de São Pedro da Afurada! Vamos todos para a festa!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Português Correcto: catorze ou quatorze?

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Catorze ou quatorze?

Vejamos os seguintes exemplos:

                     "Ao todo somos catorze"
                                    ou
                     "Ao todo somos quatorze" 

Qual das duas formas está correcta?

A forma correcta é catorze!

É curioso notar que, no Brasil,  usam-se as duas formas!

Tanto catorze como quatorze têm origem no latim quattuordecim.

domingo, 27 de junho de 2010

Musée National Picasso - Paris


Le Musée Picasso situa-se no Marais, em Paris.


O Marais é um bairro histórico de Paris, delimitado pelo antigo leito do Sena, abrangendo a terceira e a quarta subdivisões administrativas, que ocupavam na Idade Média os jardins hortícolas.

Urbanizou-se sob o reinado de Henri IV e Louis XIII (Place Royale, hoje Place des Vosges).

Este bairro, rico em velhas residências dos séculos XVII e XVIII, dominando o artesanato nos séculos XIX e XX, encontra-se a ser restaurado.

Os aristocratas instalaram os seus palácios à volta da realeza e um desses Palácios, de nome Hotel Salé, que foi construído em 1659, deu lugar ao Museu Picasso.


Mais tarde, os reis de França quiseram mudar-se para o castelo das Tuileries. Então,  os aristocratas deixaram o Marais, fixando-se no boulevard Saint- Germain.


É a partir dessa altura que o bairro se começa a desvalorizar; vai sendo abandonado e aos poucos, torna-se mais pobre.

Os palácios acabam por ser ocupados pelas oficinas dos artesãos. Foi declarado património histórico e tem vindo sempre a ser renovado.



sábado, 26 de junho de 2010

Um Poema dedicado ao AMOR


Amor como em Casa


Regresso devagar ao teu

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que

não é nada comigo. Distraído percorro

o caminho familiar da saudade,

pequeninas coisas me prendem,

uma tarde num café, um livro. Devagar

te amo e às vezes depressa,

meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,

regresso devagar a tua casa,

compro um livro, entro no

amor como em casa.


Manuel António Pina,
in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo.
Calma é Apenas um Pouco Tarde"








sexta-feira, 25 de junho de 2010

Manuel António Pina, um Cronista excepcional!

"Manuel António Pina é um admirável cronista, decerto o melhor e mais completo cronista português", diz José Carlos Vasconcelos, na página 3/ Destaque, do Jornal de Letras nº 1035 (de 2 a 15 de Junho de 2010).

Com efeito, considero Manuel António Pina, de 66 anos, um destacado jornalista e cronista; para além disso, é um  poeta e um escritor de histórias infanto-juvenis muito cativantes. Ao longo da minha carreira, foram muitos os textos dele de que me servi para preencher aulas de Língua Portuguesa, explorando-os e analisando-os, em conjunto com os meus alunos, o que lhes fazia despertar um grande interesse e receptividade em relação aos temas tratados. Este autor consegue atrair, com a sua escrita, pessoas de todas as idades.

M.A.Pina cronista: José Carlos de Vasconcelos considera-o com uma "múltipla temática", apresentando-nos nos vários "formatos" das suas crónicas, "alta qualidade literária". Justifica esta opinião, dizendo que nelas está "inteiro", não só  o jornalista que M.A.P. é, mas "também o escritor, o prosador e o poeta", para além da sua "dimensão humana e cívica".

Como cronista que é, M.A.Pina exprime sentimentos diversos, entre eles a morte, que  aparece frequentemente referida nos seus textos.

José Carlos de Vasconcelos refere que este grande cronista lhe faz lembrar Fernando Assis Pacheco: ambos jornalistas, cronistas, ficcionistas e poetas de "primeira água", e achando ainda que têm aproximações/distinções com Carlos Drummond de Andrade.

Encante-se, conhecendo melhor Manuel António Pina e lendo as suas obras!



"Período Literário
Literatura Contemporânea
Séc. XXI

1 - Biografia

Poeta, autor de livros infantis e tradutor. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. Entre 1971 e 2001 foi jornalista profissional no Jornal de Notícias (Porto), onde desempenhou igualmente funções de editor e chefe de redacção. Além do JN, tem ainda colaboração dispersa por outros órgãos de comunicação, entre imprensa escrita, rádio e televisão (República, Diário de Lisboa, O Jornal, Expresso, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Marie Claire, Visão, Rádio Porto, RTP, Península (Barcelona), etc.). Foi também professor da Escola Superior de Jornalismo do Porto e membro do Conselho de Imprensa. É actualmente (Março 2003) colunista da revista Visão.
A obra de Manuel António Pina consegue uma forte coesão, mantendo em ambos os registos — o da poesia e o da chamada “literatura para a infância” — aquilo que já foi classificado como “um discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor”, qualquer que seja a sua idade." http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=70

2- Bibliografia

1973 - "O país das pessoas de pernas para o ar" (lit. infanto-juvenil)
1974 - "Ainda não é o fim nem o princípio do Mundo, calma é apenas um
           pouco tarde" (poesia)
1974 - "Gigões & anantes" (lit. infanto-juvenil)
1976 - "O têpluquê" (lit. infanto-juvenil)
1978 - "Aquele que quer morrer" (poesia)
1981 - "A lâmpada do quarto? A criança?" (poesia)
1983 - "O pássaro da cabeça" (poesia)
1983 - "Os dois ladrões" (teatro)
1984 - "Nenhum sítio" (poesia)
1984 - "História com reis, rainhas, bobos, bombeiros e galinhas" (lit. infanto-juvenil)
1985 - "A guerra do tabuleiro de xadrez" (lit. infanto-juvenil)
1986 - "Os piratas" (ficção)
1987 - "O inventão" (teatro)1989 - "O caminho de casa" (poesia)
1991 - "Um sítio onde pousar a cabeça" (poesia)
1992 - "Algo parecido com isto, da mesma substância" (poesia)
1993 - "Farewell happy fields" (poesia)
1993 - "O tesouro" (lit. infanto-juvenil)
1994 - "Cuidados intensivos" (poesia)
1994 - "O anacronista" (crónica)
1995 - "O meu rio é de ouro /Mi rio es de oro" (lit. infanto-juvenil)
1998 - "Aquilo que os olhos vêem, ou O Adamastor" (teatro)
1999 - "Nenhuma palavra, nenhuma lembrança" (poesia)
1999 - "Histórias que me contaste tu" (lit. infanto-juvenil)
2001 - "Atropelamento e fuga" (poesia)
2001 - "A noite" (teatro)
2001 - "Pequeno livro de desmatemática" (lit. infanto juvenil)
2002 - "Poesia reunida" (poesia)
2002 - "Perguntem aos vossos gatos e aos vossos câes" (teatro)
2002 - "Porto, modo de dizer" (crónica)
2003 - "Os livros" (poesia)
2003 - "Os papéis de K." (ficção)
2004 - "O cavalinho de pau do Menino Jesus" (lit. infanto-juvenil)
2005 - "Queres Bordalo?" (ficção)
2005 - "História do Capuchinho Vermelho contada a crianças e nem por isso 
 por Manuel António Pina segundo desenhos de Paula Rego" (lit. infanto-juvenil)
2007 - "Dito em voz alta" (entrevistas)
2008 - "Gatos" (poesia)
2009 - "História do sábio fechado na sua biblioteca" (teatro)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Ant%C3%B3nio_Pina

3 - Destaque

"Em Livro
Crónicas de Manuel António Pina
por Lusa07 Junho 2010
Por outras palavras & mais crónicas de jornal é o novo título do poeta, escritor e jornalista Manuel António Pina, uma antologia das crónicas publicadas em diversos jornais e revistas. O livro, organizado por António Sousa Dias, a quem Manuel António Pina concedeu "absoluta liberdade de escolha", apresentado este fim-de-semana, inclui 244 textos, seleccionados entre as cerca de duas mil crónicas que publicou nos últimos anos na Visão, Jornal de Notícias, Notícias Magazine e Tempos Livres (revista do Inatel).
Manuel António Pina explica que não foi sua a ideia de publicar esta antologia e sente até algum "desconforto" pela publicação em livro de crónicas que "estão muito presas ao momento em que foram escritas". "Tal como o jornal, que no dia seguinte só serve para embrulhar peixe, as crónicas também têm
uma relação com o tempo. Estão ancoradas na realidade", afirmou. Foi por ter consciência desse desfasamento temporal que chamou à sua primeira colectânea de crónicas O Anacronista. Apesar de tudo, diz: "Revejo-me completamente no conjunto. Sinto lá a minha voz."

http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1587014&seccao=Livros




quinta-feira, 24 de junho de 2010

24 de Junho, Dia de São João e o manjerico ou basílico (2010)


Quadras de São João

Ó meu rico São João,
Vem para a rua dançar!
Eu tenho um balão na mão
Mas sem ti não quero estar!

Não nos mandes orvalhadas,
para podermos gozar!
É preferível, as marteladas
que já não nos fazem zangar!

Já comi umas sardinhas,
Com pimentos a acompanhar!
Mas que ricas batatinhas
Acabei por provar!

Já levei com um martelinho,                                   
Dum maroto que por mim passou!
Só depois vi que era um vizinho
Que num instante abalou!

Vou ver se arranjo namoro,
    Que isto sozinha não dá nada!
Ainda levo com algum alho porro
E depois...fico danada!

Que ele me dê um manjerico,
e uma pluma a cheirar!
Que não seja um mafarrico,
que me queira empatar! 

Quero um bom folgazão
para irmos ao fogo de artifício!
E que ele me dê a mão
Sem que faça sacrifício!

Vou ver os barcos rabelo,
no Douro a desfilar!
Com uma rosa no cabelo
E a saia a esvoaçar!

Só quero sentir-me bem, ora então,
e ter boa companhia!
Afinal no São João
Não é para ir para a folia?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Noite de São João, na cidade do Porto


O São João é uma festa popular de 23 para 24 de Junho e é de origem pagã.

Para além dos famosos vasos de manjerico, ostentando quadras populares, há os martelinhos para "dar" na cabeça de quem passa. À noite, como é lindo ver subir os balões de ar quente, lançados pelo povo esfusiante, principalmente pela miudagem que pede a ajuda dos pais!


Ao fim da tarde do dia 23, nas varandas e terraços das casas, paira no ar um cheiro a sardinha assada na brasa e pimentos, vindos dos fogareiros já acesos.


Nas ruas, sabe melhor a sardinha em cima da broa, ao mesmo tempo que se espreita o artesanato exposto e outros tipos de vendas... Há tendas por todo o lado com tudo o que precisamos, sendo uma verdadeira tentação. 

Após o jantar vai-se para a rua, para a folia, mesmo para o meio da confusão. O trânsito é infernal. Bate-se com os martelinhos nos carros e brinca-se dizendo piadas para quem lá vai dentro.


Há no ar um cheiro a alhos porros, e ao mesmo tempo, passa-se com eles pelo rosto de quem vai a passar; não nos podemos esquecer das plumas de cheiro, tão garridas e com um odor tão intenso, que por vezes deixam a pessoa "mimada" um pouco "enjoada"; são dadas a cheirar aos transeuntes, fazendo-o sempre com um ar matreiro.


Os molhes de cidreira ou de limonete, até chegarem a casa, são usados para pôr na cara das pessoas; mais tarde, são estendidos numa corda, em casa,  e virados ao contrário para secarem bem e deles se vir a fazer um bom chá. 

Outra tradição é, por volta da meia-noite, quem está em casa, tomar café com leite e pão com manteiga; nos quintais, as famílias, juntas, comem e bebem, põem música bem alto e dançam toda a noite, recolhendo, muitas vezes, às seis da manhã.

Não esqueçamos a tradição de "saltar as fogueiras" que se verifica mais nos bairros tradicionais, antigos.
E como esquecer o belíssimo fogo de artifício, à meia-noite, no meio do rio Douro, em barcos que são preparados para o evento, expressamente,  e junto à ponte D.Luís - todo este espectáculo "multimédia" é acompanhado de música, sendo visitada por milhares de pessoas (nacionais e estrangeiros que vêm de propósito assistir).


Nas Fontainhas há arraiais populares onde não faltam carrosséis e carros eléctricos, matraquilhos, barracas de comes e bebes, rifas...; chega a haver concertos com cantores populares.

Tudo isto dura até de manhã! Há cordões de grupos de jovens que percorrem a Ribeira, a Foz e, por vezes, ali ficam até ao amanhecer.



Conheça a verdadeira história dos "martelinhos" de São João, consultando:
http://martelodesjoao.blogspot.com/




terça-feira, 22 de junho de 2010

Um Poema de Eugénio de Andrade: "Passeio Alegre"

Passeio Alegre


Chegaram tarde à minha vida
  as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
      que Ulisses teria comparado
          a Náusicaa, mas só
             no jardim do Passeio Alegre
                  comecei a amá-las. São altas
                     como os marinheiros de Homero.
                         Diante do mar desafiam os ventos
                           vindos do norte e do sul,
                            do leste e do oeste,
                                 para as dobrar pela cintura.
                                     Invulneráveis - assim nuas.

Rente ao Dizer, Eugénio de Andrade



Este poema de Eugénio de Andrade refere-se ao Passeio Alegre, da Foz do Douro, no Porto, repleto de belíssimas palmeiras, viradas para o rio, conferindo-lhe um ambiente exótico.

Tem um passeio marítimo, muitas esplanadas, jardins bem cuidados, o que faz com que seja uma zona muito procurada  pelos cidadãos, visitantes e turistas, principalmente aos fins-de-semana, feriados e em tempo de férias...