segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Palavras que exprimem sentimentos de tristeza: sua origem e significado

"Um dos sentimentos que mais consideramos portugueses é a saudade, embora todas as línguas tenham a sua forma de expressar este sentimento tão humano. O galego, aliás, também conhece a palavra saudade, exatamente na mesma acepção. A sua etimologia é clara: provém do latim solitas, "solidão, acção de estar sozinho", e na sua origem temos o adjetivo solus, , que também está presente em solidão (pelo latim solitudo). 
Novidade do português talvez seja associarmos a melancolia de sentirmos a falta de alguém ou de alguma coisa ao facto de estarmos sós. Realmente, é bem possível estar só no meio da multidão, assim como podemos ter saudades até do futuro. Nem sei bem como as outras línguas podem traduzir a nossa expressão "matar saudades"... Deve ser um autêntico quebra-cabeças.
Afim à saudade é a nostalgia, que tem, no meu entender, uma etimologia ainda mais bonita... É uma palavra de origem culta, que foi criada no final do século XVII por Johannes Hofer, um médico que defendeu em Basileia uma tese em que apresentava um novo estado clínico de sofrimento - o sentimento doloroso daqueles que estão privados da pátria.Tal como Thomas More e a sua "utopia" Hofer cunhou a palavra diretamente a partir do grego nostos, "regresso a casa" e algos "dor". A nostalgia é assim a dor que se sente pelo regresso -entendido literal ou metaforicamente. Nostálgico é aquele que sofre por voltar, e é tanto maior a dor, quanto aquilo a que queremos regressar já não existe: pensemos na infância, por exemplo.
Quer saudade, quer nostalgia têm a ver com um estado de espírito mais melancólico. Melancolia é uma palavra com uma etimologia surpreendente; vem (através do latim) do grego melancholia, que à letra queria dizer "de bílis(cholê) negra (melas)". Os médicos antigos julgavam que um excesso de bílis negra no paciente podia provocar acessos incontrolados de raiva e agressividade (entendimento que deu origem a cholerikos, colérico), mas também de apatia e tristeza profundas." 
(in Palavras que falam por nós, À descoberta das raízes da nossa língua e das histórias que as palavras contam, Clube do Autor, 2014", de Pedro Braga Falcão)

in: https://www.frasesparaface.com.br/frases-sentimentos

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Os CLÃ e os seus "Sinais"


Ontem à noite 
A terra tremeu; 
Não foi notícia, 
Ninguém mais sentiu. 
Sombras sem dono 
Varreram o chão. 
Portas rangeram 
Pedindo atenção. 
Ninguém quis ouvir. 
E até ver 
Em cada sinal 
Há só resquícios de mim. 
Mas eu sei 
Que vou pontual, 
E este é o princípio do fim. 
É o começo do fim. 
Hoje nos ombros, 
No meu cabelo, 
Poisam gaivotas 
Pedem-me asilo. 
Brincam nos parques. 
Crianças com os pais. 
Nasceram grisalhas. 
Ninguém liga aos sinais! 
Ninguém lê os sinais! 
E até ver 
Em cada sinal 
Há só resquícios de mim. 
Mas só eu sei 
Que vou pontual, 
E este é o princípio do fim. 
E até ler 
A cena final 
Não vou saber ao que vim. 
Eu só sei 
Que estou pontual, 
E este é o princípio do fim. 
Eu sei que é o fim. 
O começo do fim. 
Eu sei que é o fim.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Agustina Bessa Luís: um pensamento

"O passado que nos honra 
vale tanto como o presente que nos obriga."

Agustina Bessa Luís
Escritora
(1922-2019)

in wook.pt

sábado, 25 de julho de 2020

Dalai Lama e os seus 3 "R"...

in uniaobudista.pt
R  Respeito por si mesmo...
R  Respeito pelos outros...
R  Responsabilidade por tudo o que se faz...

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Homenagem a Maria Velho da Costa, uma escritora portuguesa

Maria Velho da Costa preencheu muito da sua vida com uma carreira dedicada à escrita e foi condecorada com vários prémios. Deixou uma vasta obra com produção no teatro, no cinema e no romance. Partilho neste post a pesquisa que efetuei:


A CIG lamenta profundamente o falecimento de Maria Velho da Costa, a 23 de maio de 2020, aos 81 anos. A par de Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno (1939-2016), foi co-autora daquele que foi, e continua a ser, um marco na literatura portuguesa para a emancipação das mulheres: as Novas Cartas Portuguesas.

Prémio Camões em 2002, com o título “Myra”, publicado em 2008, recebeu o Prémio PEN Clube de Novelística, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio Literário Correntes d’Escritas e o Grande Prémio de Literatura dst. 
https://www.publico.pt/2020/05/23/culturaipsilon/noticia/morreu-escritora-maria-velho-costa-1917871



Maria Velho da Costa é «considerada uma das grandes renovadoras da prosa em português» desde os anos 60 do século passado. Século em que lhe foi instaurado, tal como às restantes co-autoras, um processo judicial, antes da revolução de 25 de Abril 1974, pela co-autoria da já citada obra. Processo judicial que gerou uma forte reação mediática, de dimensões nacionais e internacionais pois muitas foram as vozes que se juntaram em defesa das Três Marias. 

Da sua vasta produção (teatro, argumentista para cinema, contos), será o romance aquele que acolherá a sua maior dedicação e onde mais de destacará. A CIG reúne os seguintes títulos que constituem a sua vasta obra: 

Irene ou o contrato social, Maria Velho da Costa, Lisboa, D. Quixote, 2002; 

Cravo, Maria Velho da Costa, Lisboa, Lisboa, D. Quixote, 1994, 2.ª edição; Moraes, 1975; 

Dores, Maria Velho da Costa, Teresa Dias Coelho, Lisboa, D. Quixote, 1994; 

Maina Mendes, Maria Velho da Costa, prefácio de Eduardo Lourenço, D. Quixote, 1993, 3.ª edição, Moraes, 1977; 

Das Áfricas, José Furtado, Maria Velho da Costa; Lisboa, D. Quixote, 1991; 

Missa in Albis, Maria Velho da Costa, D. Quixote, 1988; 

O mapa cor de rosa: cartas de Londres, desenhos de Oscar Zarate, Lisboa, D. Quixote, 1984; 

Lúcialima, O Jornal, 1983; 

Da rosa fixa, Lisboa, Moraes, 1978; 

Casas pardas, Moraes, 1977; 

Novas cartas portuguesas, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa , Maria Teresa Horta, Lisboa, Futura, 1974; 

O lugar comum, Lisboa, Morais, 1966; 

in https://www.cig.gov.pt/2020/05/faleceu-maria-velho-da-costa-1939-2020/
(CIG Comissão para a cidadania e igualdade de género Presidência do Conselho de Ministros 2020.05.25) 

in cig.gov.pt


Maria Velho da Costa


Ficcionista portuguesa nascida em Lisboa a 26 de junho de 1938, Maria Velho da Costa morreu a 23 de maio de 2020.

Licenciada em Filologia Germânica, frequentou o curso de Grupoanálise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e de Psiquiatria. Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores e dirigiu a revista literária Loreto 13 (1978-1988). Tendo lecionado em Londres, entre 1980 e 1987, foi ainda adida cultural da Embaixada de Portugal em Cabo Verde, entre 1988 e 1990.

Maria Velho da Costa estreou-se com um livro de contos, O Lugar Comum, mas só após a publicação de Maina Mendes inauguraria na escrita contemporânea uma poética romanesca original, fundada "na trama de uma escrita densa e plural, de um virtuosismo sem exemplo entre nós" (cf. LOURENÇO, Eduardo - O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, p. 192). Para Eduardo Lourenço, o "sortilégio" de Maina Mendes" exige uma lenta impregnação da sua matéria textual, de poderes encantatórios pouco comuns, tão visivelmente marcada como está pela aventura poética mais inovadora dos nossos últimos trinta anos e a sua conatural autonomia, mas ao mesmo tempo desviada em profundidade do seu emprego descritivo por um metaforismo implícito e permanente a que só o devir da narração confere verosimilhança sem nunca o petrificar" " (id. ibi., p. 193).

Com a colaboração, ao lado de Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, nas Novas Cartas Portuguesas, obra reprimida pela censura (que valeu, inclusive, às autoras a instauração de um processo que terminou em absolvição depois do 25 de abril) e largamente difundida a nível internacional, o seu nome ficou celebrizado dentro de um registo de exaltação do corpo, de libertação feminina e de denúncia das hipocrisias e repressões do mundo social.

A publicação de Casas Pardas, em 1977, confirma a aventura romanesca de Maria Velho da Costa como uma das mais subversivas da atualidade, desconstruindo, pela sua irradiação textual, todos os níveis da escrita, desde a ligação sintática até aos moldes de leitura tradicionais, exigindo pela sua radical abertura e pulverização discursiva um papel ativo do leitor. Neste romance, como em Lucialima ou nas obras subsequentes, é pertinente a perspetiva apresentada por Maria Alzira Seixo a propósito de Casas Pardas, ao afirmar que é numa "dialética de construção cerrada e de abertura de sentido que o percurso do texto se estende, dividido entre a representação e a produção, ao mesmo tempo súmula do que pode ainda dar a forma romanesca tradicional e a abertura para as vias de uma atual forma do seu entendimento".

Maria Velho da Costa foi distinguida com o Prémio Cidade de Lisboa, pelo romance Casa Pardas (1977), com o Prémio D. Dinis, por Lucialima (1983) e com o Prémio de Novela e Romance da APE, pelo romance Irene ou o Contrato Social (2000). Em 2002 foi distinguida com o Prémio Camões e no ano seguinte foi condecorada com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2011 recebeu a condecoração de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e em 2013 o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores. 

Maria Velho da Costa in Infopédia [em linha].
[consult. 2020-07-16 16:00:49].
Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/