quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

As marcas do tempo e o adjetivo francês "vieux"

Todos nós temos consciência de que o tempo passa, não havendo ninguém que fique mais jovem com o correr dos dias.

Não podemos ter outra atitude se não a de aceitar que  vida é mesmo assim e que aquilo que devemos fazer é aproveitá-la o melhor possível com tudo o que ela tem de bom e de positivo, e não o contrário, deixando que o negativo entre nas nossas vidas.

Quando o cabelo branco começa a surgir ou as pequenas rugas marcam o nosso rosto, não há outra atitude a não ser a de aceitá-los. São sinais de que o tempo passou e que há um amadurecimento em nós que se vai instalar, enriquecendo-nos  a experiência.

É claro que, quando se chega a essa fase, as memórias e as lembranças do passado vão aparecendo cada vez de modo mais intenso. Não devemos viver do passado, mas sim recordá-lo como algo que serviu para o reavivarmos ajudando-nos a viver o presente da maneira mais criativa que conseguirmos.

Lembro-me de ter estudado em francês o adjetivo velho (vieux), que vem do baixo latim veclus, do latim clássico vetulus diminutivo de vetus (vieux). As palavras que preenchem a nossa vida têm sempre uma origem interessante, é fascinante ir ao encontro dessa origem.


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Homenagem a Eduardo Lourenço que "partiu" hoje, a 1 de dezembro

Eduardo Lourenço
imagem in magg.sapo.pt



Eduardo Lourenço foi um professor português, escritor, ensaísta, filósofo e crítico literário, que faleceu hoje em Lisboa, aos 97 anos. 

Foi um dos maiores pensadores da nossa cultura. Era licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra tendo lecionado em algumas Universidades Europeias, tais como Hamburgo, Heidelberg, Nice, Grenoble e Montpellier; e ainda no Brasil, na Universidade Federal da Bahia.

Recebeu o Prémio Camões em 1996, a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura em 2008, e o Prémio Pessoa em 2011.

O seu famoso livro "Pessoa Revisitado", contém ensaios inéditos sobre a obra de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas portugueses. 

Chegou a exercer o cargo de Conselheiro Cultural  junto da embaixada de Portugal em Roma entre 1989 e 1991. 

Era conselheiro de Estado desde 2016.



segunda-feira, 30 de novembro de 2020

O Louvre em Paris só se tornou um Museu Permanente por volta de 1785

A pesquisa que efetuei levou-me a encontrar relatos muito interessantes sobre o "nascimento" do Louvre. Vale a pena partilhar a sua história a partir de várias "fontes" que se complementam umas às outras.



O Rei francês Filipe II Augusto 
(1165-1223)
extraído de : youtube.com


História
Em 1190, o Rei Filipe II criou, no local onde se situa o Museu do Louvre, uma fortaleza para proteger Paris das ofensivas Vikings. Um século mais tarde, Carlos V transformou o espaço num palácio. E já nos reinados de Francisco I e Henrique II foi ali implementado um palácio real. Também importante foi o contributo do monarca Luís XIV, que entre outros méritos, converteu vários edifícios em museus. Um processo que teve inicio em 1692, quando fundou na Sala das Cariátides uma coleção de esculturas clássicas. Porém, foi entre os anos de 1750 e 1785, que se elaborou a proposta do Louvre para museu permanente. Tal ideia deveu-se ao Supervisor Geral dos Imóveis do Rei, Marquês de Arigny, e também ao Conde Angivillier. O projeto foi aprovado a 6 de maio de 1791. A Assembleia Revolucionária foi bastante clara: o Louvre tinha, a partir de então, a obrigação de ser um "guardião" de todas as heranças científicas e artísticas . As últimas grandes mudanças neste espaço, decorreram em 1983, por iniciativa do presidente francês François Mitterrand. Um projecto intitulado "Grand Louvre", onde se salentam duas medidas: a construção de novos espaços para exposição, e a conceção, perto da atual entrada do museu, da controversa pirâmide da autoria de I. M. Pei, um arquiteto chinês. A partir de 2002, o número de visitantes duplicou. (encontrei in CULTURA, Blasting News, por João Mendes e atualizado em 07.01.2015)

Fortaleza de Filipe II Augusto. 
Imagem: Paris 3D Saga 
in guiadolouvre.com


A história do Louvre começa por volta de 1190, com o rei francês, Filipe II Augusto(1180 -1223), que apesar de estar comprometido em participar da terceira cruzada em Jerusalém, em Israel, ordenou antes de partir, que fosse construído uma grande muralha de pedra entorno de Paris e uma grande fortificação no lado sudoeste para proteger a cidade de uma possível invasão do rei inglês, Ricardo I° Coração de Leão (1190-1199), que estava estacionado com seu exército, a 60 km da capital.O Louvre de Filipe II foi um projeto bem simples, de função militar para abrigar soldados, armas, e servir se necessário como prisão. No centro do forte, existia uma torre cilíndrica de observação, chamada “donjon” (ou torreão), de 32 metros de altura, e 15 metros de diâmetro, podendo a vistar todas as planícies em volta de Paris, e controlar as entradas e saídas das embarcações pelo rio Sena.
Era rodeada por um fosso com águas do rio Sena, protegida por um muro espesso quadrado de 77 metros no lado norte-sul, e por 70 metros no lado leste-oeste, e com torres menores ao seu contorno.
Origem do nome Louvre:
Segundo alguns historiadores, o local escolhido por Felipe II Augusto, para construção da fortaleza era numa área afastada do centro urbano, chamada em latim Lupara ou Lupus ou Loups ou o mais provável, Louves (fêmea do lobo). Um destes nomes poderia ter sido usado para designar um local frequentado por lobos ou onde se caçavam lobos ou onde se treinavam cães de caça de lobos ou onde se guardavam materiais de caça para lobos. Dando origem assim ao forte medieval :
“Forteresse des Louves” (em francês), Fortaleza dos Lobos, (em português).
Outra possibilidade, na língua celta, o sufixo “ara”, de “Lupara”, quer dizer córrego de rio ou por onde se passa um rio ou um curso de água, lembrando que o rio sena estava bem próximo da fortaleza construída.
Outra ideia, como a França foi ocupada no século V pelos francos sálios, tribos de guerreiros e conquistadores do norte da Europa, que não falavam, nem entendiam o latim, (chamados pelos romanos de os Bárbaros) teriam deixado como herança etimológica, no antigo vocabulário francês do século XII, palavras de origem germânica, como: Lower, Lovar, Leovar, Leowar, Lover, que podemos traduzir para o português como: Castelo ou Campo Fortificado ou Torre de Vigia ou Torre de Observação. Ou simplesmente: L’Oeuvre (em francês), A Obra, (em português).
(encontrei em: guiadolouvre.com)

imagem in conexaoparis.com.br

sábado, 28 de novembro de 2020

Serge Reggiani, famoso actor e cantor francês de origem italiana




Serge Reggiani foi um actor e cantor francês de origem italiana. 

Apesar de a canção ter sido a sua segunda escolha, foi neste campo que Reggiani atingiu o zénite da sua carreira sendo unanimemente reconhecido como o maior intérprete da Canção francesa. 

Cônjuge: Noëlle Adam (de 2003 a 2004), Annie Noël(de 1957 a 1973), Janine Darcey (de 1945 a 1955)
Grupo musical: Les Enfoirés (1995 – 1995)

Nascimento

Serge Reggiani nasceu em Reggio Emilia em Itália a 2 de Maio de 1922 numa família modesta. O seu pai era ajudante de barbeiro, e sua mãe, operária. Devido às ideias anti-fascistas dos seus pais, a família muda-se em 1930 para França e radica-se em Yvetot na Normandia. O primeiro trabalho de Reggiani foi, tal como o seu pai, de Ajudante de Barbeiro, mas passado pouco tempo inscreve-se no Conservatório das Artes Cinematográficas em Paris onde mais tarde é seguido pela família.

Carreira como actor

Reggiani inicia a sua carreira no teatro em 1941 onde contracena com Jean Marais e interpreta peças de Jean Cocteau. Ainda participará em alguns filmes, mas cedo adere à Resistência francesa e passa à clandestinidade.

Em 1945 casa-se com a comediante Janine Darcey, casamento do qual nascerão os seus dois filhos Stephan e Carine e que terminará em divórcio em 1955.

Em 1948 obtém a cidadania Francesa.

A partir de 1946 e até 1998 Reggiani participará em perto de 100 filmes, entre os quais O leopardo, trabalhando para realizadores como Marcel Carné, Max Ophuls, Sacha Guitry, Luigi Comencini, Luchino Visconti, Claude Chabrol, Claude Lelouch, Ettore Scola e outros.

Em 1958 casa-se com Annie Noël, de quem terá 3 filhos - Célia, Simon e Maria.

No cinema a sua carreira nunca alcançará um pico, no entanto no Teatro obtém o reconhecimento do público e da crítica com a sua interpretação em Les Séquestrés d'Altona de Jean-Paul Sartre.

Carreira como Cantor

Apesar da grande produtividade, e algum êxito alcançado como comediante, Reggiani , instigado por Jacques Canetti, Simone Signoret e Yves Montand começará em 1964 uma nova carreira como cantor. O seu primeiro disco será Serge Reggiani chante Boris Vian

Seduzida pela sua interpretação das canções de Boris Vian a cantora Barbara convida-o a fazer as primeiras partes dos seus concertos na sua tournée. Mais tarde ajuda-o a desenvolver a sua voz que se tornará num timbre de Baritono.

Os textos de Boris Vian (Sobretudo Le Déserteur), a sua postura esquerdista farão com que Reggiani seja muito apreciado pela juventude Francesa dos anos 60, sobretudo pelos soixante-huitarde.

Reggiani sempre escolheu os melhores compositores para as sua canções, tendo trabalhado nos anos 60 com Pierre Tisserand, Serge Bourgois, Albert VidalieGeorges Moustaki e Jean-Loup Dabadie, nos anos 70 com Maxime Le Forestier e Serge Gainsbourg e nos 80 com Claude Lemesle.

A sua Mulher Annie Noël e o seu filho Stephan Reggiani também escreveram músicas para ele.

Em relação aos poemas de suas canções, para além de Boris Vian, Reggiani também deu a conhecer a uma nova geração a poesia de Rimbaud, Prévert e Appolinaire.

Os seus maiores êxitos na canção francesa serão:
Le Déserteur
Ma Liberté
Les loups sont entrés dans Paris
Sarah (« La femme qui est dans mon lit n'a plus vingt ans depuis longtemps »)
Venise n'est pas en Italie

Anos finais

Em 1980 o seu filho Stephan suicida-se, o que leva Reggiani a uma depressão e a refugiar-se no Álcool. Ajudado pelos seus inúmeros amigos, Reggiani ultrapassa esta dependência com a música. Editando nesta altura os trabalhos que farão dele o intérprete mais aclamado pelo público e pela crítica da Canção Francesa.

A partir dos anos 90, ultrapassada a depressão, Reggiani continua a actuar ao vivo, sempre com lotações esgotadas e começa a dedicar-se à pintura, chegando mesmo a realizar exposições de pintura

Reggiani actuará ao vivo até mesmo ao ano de sua morte, ocorrida em 23 de Julho de 2004 em Boulogne-Billancourt por Enfarte do miocárdio.


REFERÊNCIAWikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Serge_ Reggiani

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Para viver mais anos...

Não tenhamos qualquer sombra de dúvida que se seguirmos os conselhos médicos, levamos uma vida mais saudável.

Temos alguns provérbios portugueses interessantes e bem antigos da área da medicina:

in belezaesaude.com


"De fome ninguém vi morrer; vi alguns, de muito comer" 

"Quando o cavalo está morto, a aveia vem tarde demais"

"Mais valem dois bocados de vaca que sete de batata"

"Almoço cedo cria carne e sebo; almoço tarde, nem sebo nem carne"

"Depois de almoçar, deitar; depois de cear passos dar"

"Pão de hoje, carne de ontem e vinho do outro verão fazem o homem são"

"De longos sonos e grandes ceias estão as sepulturas cheias"

"Desconfia do amigo, que come o teu contigo e o seu consigo"

"Antes de morder vê com atenção se é pedra ou se é pão"

"Nem sempre os casados vivem mais que os solteiros. Só lhes parece mais    

 tempo"

"Pelo estômago se governam os Homens"

"Um estômago faminto não é um bom conselheiro"

"Muitas vezes pelo estômago se chega ao coração"

"Quem come a correr do estômago vem a sofrer"

"Estômago agradecido não é bom amigo"

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Sophia Loren voltou aos écrans

(Sophia Loren)
imagem in jm-madeira.pt

Neste momento, Sophia Loren tem a bonita idade de 86 anos e é pela mão de seu filho Edoardo Ponti, realizador de cinema, que regressa aos écrans no filme "Uma vida à sua frente".

Ela interpreta o papel de Madame Rosa, prostituta judia reformada que toma conta dos filhos de colegas suas. 

Um médico que é tutor de um rapaz órfão (senegalês, de 12 anos, de nome Mohammed, conhecido por Momo, narrador do filme), pede a Madame Rosa que o receba no seu apartamento a cair de velho, em Bari.

Madame Rosa é uma sobrevivente de Auschwitz e acaba por receber Mohammed um pouco contrariada, pois já sofre com a idade que tem. Ela tenta protegê-lo das más companhias numa terra que enfrenta a crise dos refugiados da Europa.

O filme deixa uma  mensagem de amizade, de respeito e de tolerância. 

(resumo de um artigo de Joana Loureiro que li na VISÃO DIGITAL de 26.11.2020 

"O regresso de Sophia") 

domingo, 22 de novembro de 2020

Hoje, 22 de novembro de 2020, celebra-se o Domingo de Cristo Rei

imagem in vaticannews.va


JMJ diocesana no Domingo de Cristo Rei: símbolos nas mãos dos jovens portugueses

Após a entrega dos símbolos da JMJ dos jovens panamenhos aos jovens portugueses, o Papa anunciou que a partir do próximo ano, a celebração diocesana da JMJ no Domingo de Ramos passa a ser celebrada no Domingo de Cristo Rei. "No centro permanece o Mistério de Jesus Cristo Redentor do homem, como sempre destacou São João Paulo II, iniciador e patrono da JMJ", disse Francisco.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

No final da celebração eucarística na Basílica de São Pedro, presidida pelo Papa Francisco, na manhã deste domingo (22/11), Solenidade de Cristo Rei, houve a entrega dos símbolos da JMJ dos jovens panamenhos aos jovens portugueses. 

O Pontífice saudou todos as pessoas ali presentes e as que acompanharam a missa através dos meios de comunicação social.

Dirijo uma saudação particular a vocês jovens, panamenhos e portugueses, aqui representados por duas delegações que, em breve, realizarão o gesto significativo da passagem da Cruz e do Ícone de Maria Salus Populi Romani, símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude. É um passo importante na peregrinação que nos levará a Lisboa, em 2023.

A seguir, o Papa fez um anúncio importante relativo às Jornadas Mundiais da Juventude diocesanas:

Enquanto nos preparamos para a próxima edição intercontinental da JMJ, gostaria de relançar também a sua celebração nas Igrejas locais. Passados trinta e cinco anos da instituição da JMJ, depois de ter ouvido o parecer de várias pessoas e o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que é competente no que se refere à pastoral juvenil, decidi transferir, a partir do próximo ano, a celebração diocesana da JMJ do Domingo de Ramos para o Domingo de Cristo Rei. No centro permanece o Mistério de Jesus Cristo Redentor do homem, como sempre destacou São João Paulo II, iniciador e patrono da JMJ.

Francisco convidou os jovens a gritarem com suas vidas que Cristo vive e que Cristo reina, que Cristo é o Senhor! “Se vocês se calarem, as pedras gritarão”, concluiu.
MJ

Referência: in vaticannews.va