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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Covid 19 não acabou e vai continuar por aí...

Pois, eu sei, é uma realidade desagradável para todos nós, e segundo as notícias que li na Euronews de hoje, 26.10.2022, cujo texto partilho em baixo, a pandemia não acabou mesmo! (in pt.euronews.com) 

Lá teremos de continuar a tomar precauções e cuidados redobrados! 

Máscaras e gel desinfetante mantêm IVA de 6% em 2022
imagem obtida em deco.proteste.pt

A Agência Europeia de Medicamentos alerta que a pandemia da Covid-19 ainda não terminou e adverte que a mutação do vírus é mais rápida do que a atualização das vacinas.

O diretor de estratégias para as vacinas da EMA, Marco Cavaleri, afirma que os dados recolhidos pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças indicam que a Europa será atingida, nas próximas semanas, por uma "nova vaga", de casos com as novas sub-variantes da Ómicron.

"Na semana passada, uma destas novas variantes Ómicron, denominada BQ.1, foi identificada em pelo menos cinco países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças a BQ.1 e cada sub-variante, que se chama BQ.1.1, tornar-se-á a linhagem dominante em meados de novembro, até ao início de dezembro", diz Cavaleri.

A Agência Europeia de Medicamentos recorda que no outono e no inverno o SARS-CoV-2 e o vírus da gripe circulam em simultâneo, recomendando aos cidadãos que sejam inoculados com as duas vacinas, especialmente se pertenceram aos grupos de risco.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Europa registou um 1,4 milhões de infeções e 3250 mortes, por covid-19, na última semana, recomendando, por isso, a continuação dos programas de vacinação.

terça-feira, 4 de maio de 2021

COVID-19: vamos atingir imunidade de grupo no verão? Parece que não...

Apesar de a situação ter melhorado um pouco no nosso país e pensando nós que já poderíamos "respirar" um pouco mais, saindo, frequentando certos lugares ou até deslocando-nos, enfim, quase "refazendo" a vida de antigamente, qual não é o nosso espanto, quando surge um artigo como o que transcrevo depois desta minha pequena introdução.

Dá logo vontade de recuar, mas não só: acabamos por nos interrogar: "Mas, afinal, o que é que eu faço?" "Já posso sair à vontade, embora com as devidas precauções?" "Posso ir visitar a minha família?" "Posso viajar dentro do país nas férias?" As interrogações são inúmeras, ficando sem resposta à vista; mas, entretanto, o medo e o receio já voltaram a instalar-se.

Eu sei que a vida continua, mas "dados são dados" e quem os transmite são os técnicos que estudam o assunto, entregando a sua vida à descoberta de soluções para os males que nos assolam. Portanto, há que ouvi-los e confiar neles.

Quando veremos o fim desta situação?


imagem in ionline.sapo.pt
(Helen Johnson)



O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, o organismo de saúde pública da UE, passou a fazer projeções para a evolução da pandemia. Para Portugal, a tendência é de estabilização, mas não se descarta uma nova onda em maio. Helen Johnson, técnica do ECDC e especialista em modelação – no último ano dedicada à covid-19 – diz, em entrevista ao Nascer do SOL, que a sua maior preocupação neste momento não são variantes ou relutância vacinal mas a complacência. ‘Torna-nos extremamente impopulares dizer que ainda não estamos livres’.

O ECDC lançou uma nova plataforma com projeções para a evolução da pandemia. Um ano depois, e nesta altura em que há mais otimismo, ainda são necessárias?

Continuamos sem saber o que vai acontecer. A evolução continua a depender de vários fatores, de como o programa de vacinação se desenrola, o que depende do abastecimento, da toma. Temos de ter em conta as variantes em circulação, que variantes emergem, que variantes substituem outras, se a vacina é adequada para proteger da doença no caso de novas variantes. Depende de medidas não farmacológicas como confinamento ou o uso de máscaras e de como é que as pessoas se comportam quando são vacinadas. Por isso, ainda há muitos fatores a combinar e que afetam o futuro desenvolvimento da doença na Europa. Portanto, diria que estamos longe de chegar ao fim ou de sermos capazes de tirar as mãos do volante e dizer isto vai seguir este curso previsível, seguramente não estamos aí.

Ouvimos por um lado essa incerteza, por outro a afirmação de que vamos chegar à imunidade de grupo no verão quando 70% da população estiver vacinada. Onde é que estamos na maratona da pandemia?

O objetivo primário da vacinação não é obter imunidade de grupo. Os objetivos primários são reduzir a pressão nos hospitais e prevenir casos muito graves que levam à morte. Isto é diferente de a vacinação ter como objetivo primário prevenir a transmissão do vírus. Reduzir a circulação do vírus pode ser desejável, mas na realidade vai ser muito difícil de atingir e se continuarmos a ter novas variantes não vamos querer tirar os olhos da bola.

Há o argumento de que tentar interromper por completo a circulação poderia ser contraproducente, porque assim a população, mais protegida, acaba por ir estando em contacto com novas mutações, como na gripe.

É um tema bastante complexo, o nível de circulação do vírus pode influenciar a emergência de novas variantes. O vírus sofre uma pressão evolutiva: poderá ter mais mutações quando é suprimido porque tem de competir mais. Este tipo de coisas não são algo que consigamos modelar nas projeções. A vantagem deste hub é que de facto existem muitos modelos diferentes, que fazem assunções diferentes. Uns têm em conta as novas variantes, outros vão especificamente olhar para as medidas em vigor nos países em cada momento e outros são apenas estatísticos: ‘esta é a tendência atual e, se se mantiver, a linha continua assim’. Portanto, temos muitos cientistas em vários países a olhar para a questão de várias maneiras e o que fizemos foi não apenas juntar estes modelos todos para que os possamos comparar numa mesma plataforma, mas combiná-los num modelo conjunto, o que permite reduzir a incerteza e conseguirmos previsões mais precisas. Mesmo que estivéssemos no final desta história, e não estamos, é uma plataforma importante, porque há sempre outros vírus e outras ameaças a que temos de estar atentos.

O sarampo por exemplo?

No caso do sarampo seria difícil usar um modelo assim. Há um elemento aleatório. Sabemos que os surtos são mais prováveis quando a taxa de vacinação é baixa mas, como na maioria dos locais estamos muito perto da linha da imunidade de grupo (95% vacinados), depende muito de haver um caso importado e do comportamento das pessoas. Mas, por exemplo, pode ser usado na gripe ou na dengue. Temos colaborado muito com o CDC nos EUA no desenvolvimento destas ferramentas. O CDC faz projeções da gripe há oito ou nove anos e tínhamos falado de termos um hub destes antes da emergência da covid-19. E por isso acreditamos que ter esta comunidade de pessoas que se conhece, que cria hábitos de trabalho, que tem esta plataforma é muito positivo porque significa que estamos prontos. E é uma ferramenta versátil, que pode ser adaptada. Estamos melhor preparados para a próxima vez.

Para já, e voltando um pouco atrás, não acredita que vamos atingir a imunidade de grupo no verão?

Não é o objetivo primário da vacinação. Estamos a tentar impedir mortes e que os hospitais fiquem sobrecarregados. Na realidade nem é claro quantas pessoas têm de ser vacinadas para se atingir a imunidade de grupo nesta doença. Quando as pessoas dão números…

Os 70% de população vacinada...

Quando se diz 70%, está a fazer-se uma assunção importante, que é que as pessoas se misturam de maneira igual. Ou seja, quando sai da porta do seu prédio é tão provável encontrar-se com alguém que é exatamente igual a si ou completamente diferente, que é tão provável encontrar-se com alguém que vive no seu prédio como com alguém que vive no fim da rua. Que hoje vai estar com pessoas diferentes daquelas com quem esteve ontem. É completamente irrealista. As pessoas tendem a interagir por grupos e dentro de grupos com pessoas que são semelhantes entre si, por exemplo idades semelhantes. Portanto a ideia de que todas as pessoas se misturam de forma aleatória tem falhas e, se estamos a dizer que a imunidade está nos 70%, basicamente ficamos abertos a grandes surtos em comunidades onde pode haver várias pessoas em risco.

Tinha de haver maior cobertura vacinal para haver uma barreira mais efetiva na transmissão?

Sim, se quiséssemos reduzir o risco de grandes surtos, e vai haver sempre alguns surtos mesmo no limiar da imunidade de grupo, tínhamos de ir além de 70% em todas as comunidades, em todos os locais, em todos os grupos de pessoas. Não pode haver grupos de pessoas que digam que não querem ter a vacina...

Neste momento não estão ainda a ser vacinadas crianças, o que significa que com 70% dos adultos vacinados teremos 58% da população vacinada.

Sim, o vírus não seria eliminado sem a vacinação de crianças. Portanto, o objetivo não é imunidade de grupo e acho que mesmo que não houvesse estas questões em torno do abastecimento das vacinas não seria atingido. O que é esperado é que o programa de vacinação até ao verão tenha reduzido radicalmente o número de pessoas que estão em risco de morrer ou de ficar severamente doentes.

Pelo efeito da vacinação ou pela sazonalidade? 

Não sabemos muito sobre qual será a sazonalidade deste vírus. Tudo o que vimos até aqui da covid-19 foi influenciado pelas políticas e medidas não farmacológicas que foram implementadas. Basicamente, não temos nenhuma ideia da sazonalidade, porque tivemos enormes alterações de comportamentos que ensombraram as características naturais do vírus. Portanto, para o resto de 2021 o número de casos de covid-19 e o número de mortes vai continuar a resultar de escolhas políticas. O que aconteceu no ano passado foi totalmente moldado pelas decisões de abrir e fechar sociedades, abrir e fechar restaurantes, deixar ou não deixar as pessoas viajar. Este ano também temos as vacinas nesta equação, as escolhas podem ser diferentes e ter diferentes efeitos, mas ainda assim o resultado continuará a ser guiado pelas escolhas que são feitas pelas pessoas, tanto a nível pessoal, como a nível comunitário, como a nível governamental.

Nas projeções que fazem para a Europa e também para Portugal, a epidemia permanece estável nas próximas semanas, mas há um grande intervalo de incerteza em que pode haver um aumento de casos e mortes. Qual é a leitura: não estamos prontos para um verão calmo?

Sim, não estamos prontos para o verão. O que dá para ver no hub é que a faixa de incerteza nas projeções aumenta à medida que nos afastamos no tempo. E isso é fácil de perceber: conseguimos ter mais certezas sobre o que vai acontecer daqui a cinco minutos do que para a próxima semana. Mas o que o modelo tem em conta é que existe incerteza sobre as escolhas que vão ser feitas, em como é que as pessoas vão alterar os seus comportamentos daqui para a frente. Há muitos modeladores que se sentem muito desconfortáveis em fazer projeções a quatro semanas. E, se vamos fazê-lo, é preciso tentar perceber o que significa toda aquela incerteza. Uma coisa interessante deste projeto é que temos reuniões semanais, em que podemos debater ideias e trocar informações.

Têm modeladores portugueses?

Penso que não temos, mas estamos em contacto com pessoas em Portugal e queremos continuar a recrutar modeladores. Até pode ser uma equipa que faça só a modelação de Portugal.

Havendo uma nova onda de infeções, será menor do que as anteriores?

Mais uma vez, depende de muitos fatores. Seguramente há mais pessoas vacinadas e menos pessoas suscetíveis até pela infeção natural, mas se houver uma nova variante que implique que essa imunidade já não funciona tão bem e se reabrirmos tudo não há nenhuma razão para não ser pelo menos tão grande como as vagas anteriores. Acho que temos de manter este sentido de cautela. Lembro-me de ter conversas em maio do ano passado em que se dizia ‘estamos cansados’, ‘não vamos conseguir manter o público a bordo’. Foi há um ano. Torna-nos extremamente impopulares dizermos que ainda não estamos livres (out of the woods) mas há muitas coisas a ter em conta.

Temos visto em Portugal mais infeções diagnosticadas em jovens, o que é menos problemático em termos de doença. A ideia de que os mais vulneráveis estão mais protegidos quando só 40% da população tem algum tipo de proteção pode dar alguma falsa segurança?

O objetivo primário do programa de vacinação é dar proteção a quem está em maior risco. No entanto, se as pessoas relaxarem muito cedo e começarem a misturar-se livremente, o aumento da transmissibilidade do vírus pode ultrapassar os benefícios vistos até aqui.

No final do ano passado, como agora, havia otimismo. Sente desvanecer-se esse sentido de cautela ou percebe que é preciso transmitir esperança?

Precisamos de esperança mas também de manter um entendimento dos diferentes fatores em jogo. Tem sido um grande desafio ao longo dos últimos 16 meses perceber como é que o vírus funciona, como é que as pessoas se comportam numa situação como nunca viveram, como equilibrar os custos de limitar agora a sociedade e os custos que vamos ter, porque há outros custos de saúde, outros custos sociais associados a este fechar da sociedade. Acho que não temos de ser pessimistas, mas temos de continuar a ter uma avaliação firme e racional da situação em que estamos e não nos deixarmos levar pelo grande desejo que todos temos de que tudo isto acabe.

Como já disse, tem havido vários modelos, previsões, que quando não acertam são por vezes postos em causa. Sente que existe uma descredibilização ou da parte dos decisores há interesse nos dados?

Há um frase famosa entre os modeladores, atribuída a George Box, estatístico, que diz ‘todos os modelos estão errados e alguns são úteis’. Os modeladores estão muito conscientes das suas limitações e da incerteza. Um bom modelador é sempre muito zeloso daquilo que o seu modelo consegue dizer, do que não consegue e como é que pode ser ser usado. Falei com muitos decisores, políticos, ao longo dos anos e especialmente no último. Acho que quando se percebe o que este tipo de ferramentas nos pode dar em termos de cenários, a informação é útil. Claro que são conceitos difíceis de interiorizar quando uma pessoa precisa de fazer uma coisa concreta, definir uma medida para a sua população. Mas para pesar decisões, para pensar o que pode ou não acontecer, os modelos matemáticos podem dar-nos das melhores visões. Não é só dizer o que pode ou não acontecer, mas perceber fatores. Se um modelo por exemplo não representar a realidade que vivemos, podemos perguntar: o que será que não tivemos em conta? Não incluímos o uso de máscara? A emergência de uma variante mais transmissível?

O modelo pode dar respostas que não correspondem ao que realmente provocou a situação.

O que fazemos é calibrar o modelo de forma a representar o que aconteceu até ao dia de hoje e, se conseguirmos fazer isso, podemos ter mais confiança nas projeções. Temos de ir monitorizando para perceber até que ponto o modelo continua a representar bem as coisas até ao dia de hoje.

Qual é a sua maior preocupação: são variantes, menor uso de máscaras, relutância vacinal?

A complacência.

Com o vírus.

Sim, mais do que qualquer outro fator.

E como se transmite aos decisores?

Com conversas muito parecidas com esta. Digo ‘não se esqueçam’. Não se esqueçam que 70% não vai dar imunidade de grupo. Não se esqueçam que as variantes vão continuar a emergir. Não se esqueçam que as pessoas vão querer correr lá para fora. Não se esqueçam. Não é agradável. Não é uma mensagem que alguém queira ouvir, mas temos de manter a energia e continuar.

encontrei em:   ionline.sapo.pt por Marta F. Reis  01.05.2021

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A Guerra das Vacinas - A Europa e as Farmacêuticas

in dw.com


Penso que o Governo Português e as autoridades de saúde não prepararam, minimamente, o plano da administração das vacinas à população. 

Basta ver a desorganização total que se tem verificado por todo o país. Quem devia ter prioridade, ainda não está vacinado. Torna-se constrangedor ouvir as notícias em todos os meios de comunicação social e ver as reportagens e os testemunhos sobre tamanha falta de acautelamento em relação à vacinação.

Atrasos na entrega das prometidas vacinas contra a Covid-19 estão a levantar questões sobre os contratos assinados pela Comissão Europeia com várias farmacêuticas. E a verdade é que, a necessidade de inocular as populações europeias, através de uma distribuição igualitária e rápida das vacinas, poderá ter levado a União Europeia a aceitar condições no mínimo controversas. Ainda esta sexta-feira, a AstraZeneca e a Pfizer pareciam correr o risco de enfrentar a ira dos Estados-membros devido aos atrasos no fornecimento das prometidas doses semanais, embora, desde que fornecessem o bolo prometido até finais de março, os seus interesses estivessem acautelados, conforme revelava há dias o jornal italiano La Repubblica.

Depois de muita controvérsia, a Comissão Europeia acabou por publicar o contrato assinado com a AstraZeneca, para justificar a sua posição negocial. Em causa, a justificação dada pela empresa para os atrasos, invocando problemas com a sua produtora, localizada na Bélgica. 

Vários indícios apontavam que a verdadeira causa da falta nas entregas seria o desvio de vacinas, ali fabricadas, para o Reino Unido ou para os Estados Unidos. A Comissão Europeia acusa a farmacêutica de não estar a cumprir a fórmula do melhor esforço razoável (best reasonable effort) a que está obrigada contratualmente.

A farmacêutica anglo-sueca estaria a dar prioridade ao Reino Unido na entrega das vacinas, algo contestado pela Presidente da Comissão Europeia. "O texto é claríssimo", insistia Ursula Von der Leyen.

De alguma forma, um acordo terá sido alcançado. 

Além da Agência Europeia do Medicamento ter dado luz verde à vacina da AstraZeneca, a Comissão Europeia estabeleceu um mecanismo de autorização de exportação de vacinas para a covid-19, quando a Comissão Europeia tinha imposto como condição contratual que todas as vacinas a adquirir fossem produzidas em território europeu (no caso da AstraZeneca e no contrato firmado em 28 de agosto de 2020, ainda o Brexit estava a ser negociado, admitiam-se produtoras em solo britânico) e reservadas aos seus próprios cidadãos.

O comissário europeu para o Comércio, Valdis Dombrovskis, revelou que o mecanismo "abrange as vacinas da Covid-19 adquiridas ao abrigo dos contratos de compra antecipada". 

A razão invocada foi a transparência do processo e as doses suficientes para os cidadãos da União Europeia, que a Comissão Europeia já tinha anteriormente dado como garantidas. Entretanto, as farmacêuticas que queiram exportar, para fora da UE, as suas doses de vacinas da Covid-19, terão de pedir a respetiva autorização, já a partir de sábado.

A Comissão Europeia acredita que fica desta forma acautelada a garantia de que as vacinas produzidas irão beneficiar primeiro os seus cidadãos. Bruxelas afirmou pretender inocular o máximo possível de cidadãos europeus até finais de março e a continuação dos atrasos no fornecimento das vacinas ameaçava estes planos. 

Afinal quanto custa cada vacina... é segredo

Fica por saber se a solução agora encontrada irá servir o futuro. E, apesar da revelação de um segundo contrato [o primeiro publicado foi o firmado com a CureVac], diversas cláusulas e condições continuam na bruma.

Por exemplo, os cidadãos europeus não foram informados do preço real de cada dose da vacina, o qual varia conforme a farmacêutica. A maioria dos Estados-membros decidiu inocular gratuitamente a respetiva população, o que parece engavetar perguntas.

Nos contratos essa informação está oculta. A explicação da Comissão Europeia é simples. “Nesta fase, o preço específico por dose ainda está sujeito a obrigações de confidencialidade” conforme se lê na sua página de P&R sobre as vacinas

Outra possível controvérsia diz respeito a quem assume o pagamento de indemnizações às pessoas afetadas no caso de algo correr mal. 

Em ambos os contratos, com a AstraZeneca e com a CureVac, essa responsabilidade é assumida por cada Estado-membro, conforme se lê, respetivamente, no artigo 14.1 e no artigo 1.23.3., nos quais as farmacêuticas e “todos os seus afiliados” e subcontratados, numa longa lista, deverão ser “considerados isentos” de quaisquer reivindicações, incluindo “morte, lesões físicas, emocionais ou mentais, doença, incapacidade”, perda de bens e rendimentos ou custos legais.

Supõem-se que estas condições se repliquem noutros contratos como, por exemplo, com a Pfizer-Biontech. Só que, ninguém sabe. Poderão ser ainda mais favoráveis às farmacêuticas.

Indemnizações "inaceitáveis" às farmacêuticas

Algo que também se desconhece são as contrapartidas exigidas pelas farmacêuticasem caso de eventuais incumprimentos por parte da Comissão Europeia, de um Estado-membro ou outro Estado qualquer.

Há pelo menos dois casos no mundo que permitem levantar o véu sobre isso, ambos referidos pelo semanário argentino de esquerda, Brecha. 

Na Argentina, refere um artigo do Brecha publicado esta sexta-feira, o contrato com a Pfizer ficou bloqueado devido à questão das indemnizações, que os deputados argentinos queriam imputar à farmacêutica, condição que esta rejeitou.

Entretanto, referem os articulistas, Jorge Rachid, um médico assessor do Governador da província de Buenos Aires revelou a uma rádio que a Pfizer exigia condições "inaceitáveis" de garantias de pagamento, "com bens inatingíveis, incluindo petróleo e glaciares".

No Perú, já depois de ter garantido que qualquer controvérsia seria resolvida por arbitragem internacional, levando o executivo peruano a abdicar da sua imunidade soberana, a empresa norte-americana exigiu que o país, caso perdesse a disputa, a indemnizasse com ativos peruanos no exterior. 

Entre estes, bens móveis do serviço diplomático, aviões militares ou objetos de museu, afirma o Brecha. 

A multiplicação das doses e as seringas especiais

O mesmo artigo analisa em profundidade a relação entre o fornecimento das doses da Pfizer e as seringas usadas para as ministrar.

Nos Estados Unidos descobriu-se que cada frasco de vacina dava não para cinco doses, como inicialmente referido, mas sim, para seis. 

Em resultado, a farmacêutica pôde informar os serviços europeus que, a partir de 18 de janeiro, "cada bandeja enviada passaria a conter 1.170 doses e não as 975, com uma redução em 20 por cento do número de frascos", conforme noticiou o jornal espanhol El Mundo dia 25 de janeiro de 2021.Com essa alteração, a produção bruta da Pfizer prevista para este ano sobe de 1.300 a 2.000 milhões de doses, conforme comunicaram porta-vozes da empresa. Parece magia.

O problema é que a maioria das seringas não consegue extrair as tais seis doses. Apenas as chamadas de "baixo conteúdo morto" o conseguem fazer. 

Para se ter uma ideia, dos mais de 286 milhões de seringas que a empresa Becton Dickinson – o principal produtor de seringas do mundo – prometeu vender ao Governo dos Estados Unidos, somente 40 milhões são daquele tipo. São informações da própria empresa.

"Para a Pfizer, a aprovação por parte da FDA [a agência dos EUA que autoriza a comercialização de medicamentos] da dose extra, significa que pode cumprir o seu contrato e receber dos Estados Unidos o pagamento na totalidade com quase menos sete milhões de frascos", referiu dia 22 de janeiro ao The Washington Post, Sam Buffone, ex-assessor jurídico da divisão de fraudes civis do Departamento de Justiça.

"Contudo, muitas dessas sextas doses poderão acabar desperdiçadas porque os centros de vacinação não têm as ferramentas adequadas" para as extrair, sublinhou.

A sócia alemã da Pfizer, a Biontech, anunciou já este mês a produção e venda de 50 milhões de seringas especiais.

(RTP, Texto de Graça Andrade Ramos, 29.01.2021)

in rtp.pt

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Atenção: este fim de semana há proibição de circulação entre concelhos

Proibição de circulação entre concelhos para todo o país

O novo estado de emergência prevê, no fim de semana, a proibição de circulação entre concelhos em todo o país e o recolher obrigatório para todos os concelhos com nível de risco elevado ou superior

Dos 278 concelhos em Portugal continental só 25 se encontram no nível de risco moderado (o nível mais baixo) e são os únicos em que os habitantes não têm de recolher ao domicílio a partir das 13 horas no fim de semana. Nos restantes concelhos, com níveis de risco elevado, muito elevado ou extremamente elevado, há recolher obrigatório, a partir das 13 horas, nos dias 9 e 10 de janeiro.

O Conselho de Ministros determinou também que, com a renovação do estado de emergência (entre a meia-noite de dia 8 de janeiro de 2021 e as 23h59 do dia 15 de janeiro) — e depois de dois dias com cerca de 10 mil novos casos de infeção —, está proibida a circulação entre todos os concelhos do continente, independentemente do nível de risco, das 23 horas de dia 8 até às 5 horas de dia 11. 

...........(...).......................

Ler mais em: observador.pt 07.01.2021 texto de Vera Novais

Vídeo: Costa anuncia novas restrições e admite medidas mais duras -  Negócios TV - Jornal de Negócios
in jornaldenegocios.pt

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Novas medidas do Governo no sentido de "travar a pandemia"

Passamos hoje de estado de contingência a estado de calamidade. São aplicadas medidas mais restritivas. 


in atlasdasaude.pt


Será que devemos tirar a conclusão de que  tudo isto acontece porque não fomos suficientemente cumpridores?

O jornal on-line observador informa: 

As oito novas grandes medidas do Governo para travar a pandemia

O primeiro-ministro António Costa decidiu ser ele a falar esta quarta-feira no fim do Conselho de Ministros para anunciar a passagem do “estado de contingência” para o “estado de calamidade” em todo país no combate à pandemia de Covid-19. São aplicadas medidas mais restritivas como o limite dos ajuntamentos a 5 pessoas, a limitação de casamentos a 50 pessoas, a proibição de festas académicas ou o início de um processo legislativo para que a máscara passe a ser obrigatória na rua.
Ajuntamentos limitados a 5 pessoas na via pública: significa uma redução para metade, numa medida que entrará em vigor já a partir da meia-noite desta quarta-feira. Até agora, era possível haver ajuntamentos de 10 pessoas.
Casamentos limitados a 50 pessoas: o Governo assume que as celebrações são um problema depois da Direção-Geral de Saúde ter admitido na última semana que 67% das novas infeções resultaram de três bês: Batizados, banquetes e bodas. António Costa que todos os eventos marcados a partir de agora ficam com esta lotação limitada e também com a obrigação de cumprir todas as regras. Isto, claro, sem exageros. “Não vamos proibir que os noivos se beijem”, disse o primeiro-ministro.
Proibição de todos os festejos académicos nas universidades e politécnicos: Medida surge depois de notícias de infeções em festas académicas, numa altura do ano letivo profícua a este tipo de atividades.
Determinar o reforço da fiscalização das forças de segurança e da ASAE. 
Multas de 10 mil euros para estabelecimentos comerciais que desrespeitem as regras.
O Governo recomenda no imediato o uso de máscara na via pública, sempre que não se puder manter o distanciamento físico;
E vai apresentar ainda esta segunda-feira uma proposta de lei no Parlamento para fixar obrigatoriedade de uso de máscara na via pública sempre que se justificar;
Governo vai apresentar proposta de lei no Parlamento para que a app #StayAwayCovid passe a ser obrigatória em contexto escolar, administração pública, laboral, e forças armadas.

(in observador.pt, texto de Rui Pedro Antunes e Rita Dinis)

domingo, 22 de março de 2020

A crise do COVID implica uma reflexão profunda

imagem tirada de https://combatefakenews.lusa.pt/f

A crise que este maldito vírus está a provocar em todo o mundo, é uma crise que põe em risco a saúde, a economia, as empresas, os postos de trabalho, o ensino em todas as escolas e universidades, as férias das famílias, enfim...põe a vida das populações mundiais completamente, "de pernas para o ar".

Ao ler o "Editorial - Do Diretor" da Revista Sábado, de 19 a 25 de março de 2020, na página 8, e escrito por Eduardo Dâmaso, não posso deixar de o partilhar aqui, pela maneira direta e objectiva como nos consegue transmitir exatamente como tudo se passa e o "calvário" por que se está a passar, diariamente.

Com a devida vénia, então aqui vai:

O mundo em quarentena

Estudo apresentado em setembro pela OMS e pelo Banco Mundial é claro: líderes mundiais têm respondido às emergências sanitárias com ciclos de pânico e negligência. Nada mais certo e de prova abundante. 


Como se previa aí estão as consequências de um pequeníssimo vírus e o mundo a entrar de quarentena. Em poucos dias, milhares de mortos e infetados em todo o lado, serviços de saúde em colapso, populações acantonadas na trincheira doméstica, milhares de empresas em Portugal e por essa Europa fora mandam os seus trabalhadores para um desemprego parcial, milhares de pequenas e médias empresas estão na iminência de fechar, orçamentos de publicidade cancelados, turismo parado, milhares de grandes empresas perdem fortunas nas bolsas, milhares de aviões ficam em terra. A vida social e cultural parou em toda a Europa e a economia mundial está no vermelho. A Europa está sequestrada pelo coronavírus e o mundo para lá caminha. E ninguém se pode queixar de não ter sido avisado sobre os riscos de uma grave pandemia.

Em setembro passado a Organização Mundial de Saúde e o Banco Mundial apresentaram um vasto estudo sobre o risco de pandemias de doenças infecciosas muito graves, como o coronavírus. As conclusões eram um alerta esmagador. O estudo, intitulado O Mundo em Risco, apontava as mudanças climáticas, a urbanização desenfreada, a falta de água e de saneamento básico em países com estados muito frágeis, conflitos armados muito prolongados, a rapidíssima circulação de pessoas e bens na nova economia da globalização, as migrações descontroladas e em massa como as principais causas de criação e propagação de estirpes muito violentas. Sobretudo, o estudo dizia muito claramente que ninguém está preparado para enfrentar este desafio e que os líderes mundiais têm respondido às emergências de saúde pública com ciclos de pânico e negligência. Nada mais certo, como agora se prova de forma abundante. Até ao fim de 2019 apenas 59 países tinham um Plano de Ação para a Segurança na Saúde, mas nenhum deles tinha sido expressivamente financiado. Na verdade, nem políticos, nem cidadãos, dedicaram uns minutos a esta realidade, que também já não se pode sequer dizer que seja emergente, tendo em conta as décadas que passaram de várias pandemias muito graves.

Hoje, portanto, é fácil fazer o debate da falta de preparação do Estado para enfrentar o coronavírus. Mas, nesta fase, não devemos ficar por aí. Em Portugal, tivemos logo a trágica metáfora do empresário italiano que veio visitar uma fábrica de Felgueiras e, ao apresentar sintomas gripais, ficou cinco horas fechado numa ambulância à porta da fábrica. Ninguém sabia o que fazer, ninguém tinha o equipamento adequado. Por isso, é sem surpresa que se assiste à falta de equipamentos básicos no serviço nacional de saúde e na protecção civil. Muito menos surpreende a falta de ventiladores, camas nos hospitais, atrasos na linha Saúde 24. 

A política de Saúde dos sucessivos governos tem sido um desastre. Às cativações de verbas dos últimos anos, soma-se o corte draconiano do investimento na Saúde nos anos da troika e a bancarrota de Sócrates. O SNS, que é uma conquista excecional, não pode continuar a ser debatido em termos puramente ideológicos. O PS tem-se armado em guardião do SNS, mas pouco mais tem feito para melhorar a sua administração e prestação de cuidados básicos, do que gerir a crise. 
À sua esquerda, PCP e BE resguardam-se no discurso puramente reivindicativo, como se os recursos fossem infinitos. À direita, o PSD e o CDS têm oscilado entre o nada absoluto e a visão ultraliberal, de favorecimento do setor privado. Enquanto não for procurado um verdadeiro consenso político sobre o SNS, alargado ao maior número possível de partidos e assente num rigoroso diagnóstico do estado dos serviços, que não mude consoante os resultados eleitorais, nunca sairemos da cepa torta. E, aí, a culpa também é nossa, cidadãos, que pela inércia e pela demissão cívica, consentimos aos partidos liberdade total numa matéria em que toda a sociedade deveria estar organizada para se fazer ouvir e pressionar o sentido das decisões, desde logo orçamentais. Como é possível pagar uma crise bancária que gerou perdas multimilionárias, causadas por gestores criminosos, que nunca foram nem serão penalizados, e deixar os profissionais da Saúde, Educação e Segurança entregues a salários miseráveis!? 

Esta crise deveria implicar uma reflexão profunda sobre a relação de nós todos com a política e com a informação rigorosa e objetiva. Não deveríamos olhar para a política com a atual indiferença nem deixar cair as grandes marcas de jornalismo. Uma sociedade bem informada é uma sociedade mais livre e democrática. É necessário refletir sobre os mecanismos de decisão política e sobre o próprio Estado e a sua missão social. É essencial que os partidos percebam que essa exigência não vai parar. Desde logo porque o vírus, como diz a OMS, não será uma exceção no nosso tempo histórico. Se deixarmos, por omissão, ele será o novo normal. Mas essa é uma reflexão a fazer depois de vencermos esta crise. Unidos, atentos e exigentes, venceremos o bicho.