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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Covid 19 não acabou e vai continuar por aí...

Pois, eu sei, é uma realidade desagradável para todos nós, e segundo as notícias que li na Euronews de hoje, 26.10.2022, cujo texto partilho em baixo, a pandemia não acabou mesmo! (in pt.euronews.com) 

Lá teremos de continuar a tomar precauções e cuidados redobrados! 

Máscaras e gel desinfetante mantêm IVA de 6% em 2022
imagem obtida em deco.proteste.pt

A Agência Europeia de Medicamentos alerta que a pandemia da Covid-19 ainda não terminou e adverte que a mutação do vírus é mais rápida do que a atualização das vacinas.

O diretor de estratégias para as vacinas da EMA, Marco Cavaleri, afirma que os dados recolhidos pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças indicam que a Europa será atingida, nas próximas semanas, por uma "nova vaga", de casos com as novas sub-variantes da Ómicron.

"Na semana passada, uma destas novas variantes Ómicron, denominada BQ.1, foi identificada em pelo menos cinco países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças a BQ.1 e cada sub-variante, que se chama BQ.1.1, tornar-se-á a linhagem dominante em meados de novembro, até ao início de dezembro", diz Cavaleri.

A Agência Europeia de Medicamentos recorda que no outono e no inverno o SARS-CoV-2 e o vírus da gripe circulam em simultâneo, recomendando aos cidadãos que sejam inoculados com as duas vacinas, especialmente se pertenceram aos grupos de risco.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Europa registou um 1,4 milhões de infeções e 3250 mortes, por covid-19, na última semana, recomendando, por isso, a continuação dos programas de vacinação.

sábado, 27 de novembro de 2021

Medidas de Controlo da Pandemia - já a partir de 1 de dezembro de 2021

imagem in rtp.pt


O Primeiro-Ministro António Costa anunciou, há poucos dias, novas medidas para controlar a pandemia no nosso país.

Aqui estão elas, transcritas diretamente do site do governo:


Medidas de Controlo da Pandemia a partir de 1 de dezembro de 2021

Face à evolução da pandemia em Portugal, o Governo decidiu, após ouvir os especialistas e os partidos, definir um conjunto de medidas preventivas que visam conter o crescimento da pandemia nas próximas semanas.

Não obstante o facto de Portugal ser um dos países com maior taxa de vacinação em todo o mundo e de os números de internamentos e óbitos refletirem precisamente o efeito da vacinação, o País deve preparar-se para uma fase de crescimento da pandemia nas próximas semanas. A chegada do inverno, a vaga que se propaga com intensidade em vários países da Europa e a aproximação de uma época festiva levaram o Governo a atuar para prevenir que o número de infeções por Covid-19, que tem crescido nas últimas semanas, aumente substancialmente.

Assim, a partir do dia 1 de dezembro, será declarado o Estado de Calamidade para todo o território nacional continentale serão adotadas as seguintes medidas:
Recomendações gerais:
Testagem regular;
Teletrabalho, sempre que as funções o permitam.
Uso obrigatório de máscara em todos os espaços fechados e em todos os recintos não excecionados pela DGS;
A apresentação do certificado digital será obrigatória no acesso a:
Restaurantes;
Estabelecimentos turísticos e alojamento local;
Eventos com lugares marcados;
Ginásios.
Exigência de teste negativo obrigatório (mesmo para as pessoas vacinadas) no acesso a:
Visitas a lares;
Visitas a pacientes internados em estabelecimentos de saúde;
Grandes eventos sem lugares marcados (ou em recintos improvisados) e recintos desportivos;
Discotecas e bares.
Nas fronteiras:
Teste negativo obrigatório para todos os voos que cheguem a Portugal;
Sanções fortemente agravadas para as companhias aéreas.
Para a semana de 2 a 9 de janeiro, que será de contenção dos contactos existentes na época festiva, serão adotadas regras específicas:
Teletrabalho obrigatório, sempre que as funções o permitam.
Recomeço das aulas a 10 de janeiro.
Encerramento de discotecas e bares.

in https://covid19estamoson.gov.pt/medidas-de-controlo-da-pandemia-1-de-dezembro-de-2021/

domingo, 3 de outubro de 2021

Algumas notícias sobre o COVID-19 neste mês de outubro

in biologianet.com




É bom que sejamos cautelosos com esta última fase do "desconfinamento". 

É que, segundo alguns dos nossos especialistas,  o vírus vai continuar entre nós, tão cedo não nos vai deixar...

Não é agradável de se ler nestas notícias que se seguem, mas... sempre ouvi dizer que "cautelas e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém"...ou então, "mais vale prevenir que remediar"...! 

É melhor não termos pressa em tirar a máscara e não esquecer de seguir todas as regras da DGS!


O país respira agora algum alívio. A intensidade epidémica em Portugal, onde o início do mês trouxe a última fase do plano de desconfinamento, passou de moderada a reduzida, com tendência decrescente e com "uma reduzida pressão" nos serviços de saúde e no impacto na mortalidade. 

...(...)...

No sábado, foram reportados 690 casos de Covid-19 e sete mortes, num dia em que os recuperados chegaram quase aos mil e em que se constatou, mais uma vez, a tendência de redução do número de internados. Já este domingo, a autoridade de saúde reportou 449 contágios e também sete mortes

...(...)...

Portugal registou, no último dia, 449 infetados com o novo coronavírus e 7 mortes relacionadas com a doença, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico publicado este domingo pela Direção-Geral de Saúde (DGS). O número de internamentos em enfermaria subiu nas últimas 24 horas para um total de 342 internados (mais cinco), havendo também mais quatro doentes em Unidades de Cuidados Intensivos (69 no total).

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Pandemia provocou a morte a 4.793.613 pessoas em todo o mundo. A pandemiaprovocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 já causou, pelo menos, 4.793.613 mortes, desde que a doença foi identificada na China, em dezembro de 2019, segundo um balanço divulgado hoje pela AFP.

...(...)...

O epidemiologista Carmo Gomes disse, em declarações à TVI, que o desconfinamento deverá conduzir a um aumento do número de casos no país, mas sem o mesmo impacto nas hospitalizações. "Receio que venha a haver um aumento do número de casos, mas estou convencido que não haverá um impacto nas hospitalizações semelhante a alguma coisa que tenhamos assistido antes da vacinação", afirmou.

O especialista acrescentou ainda que "não devemos ficar excessivamente preocupados com isso", mas que às autoridades compete fazer uma série de medidas de monitorização, como a efetividade das vacinas e a situação das variantes. Carmo Gomes vincou ainda que "o vírus está a abrandar" e que "estamos a descer, mas a descer mais devagar", estimando que o país poderá atingir em breve aproximadamente 500 casos por dia, "no qual iremos estabilizar durante algum tempo".

"Provavelmente Portugal vai ficar com o vírus endémico nos próximos dias, meses, 2 ou 3 anos", atirou o especialista, lembrando que o "vírus vai continuar entre nós". "Não nos vamos ver livres tão cedo".

in noticiasaominuto.com   03/10/2021

sábado, 2 de outubro de 2021

As Lojas do Cidadão tentam recuperar, mesmo com filas intermináveis

imagem in tsf.pt


As instituições em Portugal estão a reagir e a tentar que os cidadãos retomem a sua vida "normal".

É o caso das LOJAS DO CIDADÃO, que até há pouco tempo, só atendiam com marcação. A partir de hoje funcionam em regime de CASA ABERTA. Claro que o fim da marcação a partir deste mês de outubro vai gerar filas!

Já em agosto se escrevia assim:

Fim de marcação vai gerar filas na Loja do Cidadão. "O Governo leva as pessoas ao engano"

O Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado e a Federação dos Sindicatos da Administração Pública lamentam que o Governo avance para um despacho que repõe os horários de funcionamento integral das Lojas do Cidadão, sem aumento dos recursos humanos, que não deverão fazer face às filas.

Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado afirma que o Governo está a enganar os portugueses, ao expressar a intenção de, a partir de setembro, deixar de ser precisa marcação prévia para se ser atendido nas Lojas do Cidadão.

Esta medida deve entrar em vigor quando 70% dos portugueses tiver a vacinação completa, o que, pelas contas das autoridades de saúde, deverá acontecer já no início de setembro.

Arménio Maximino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado, afirma que o abandono do regime de marcação prévia induz os portugueses em erro, porque "vai haver filas nas Lojas, como há nas conservatórias".

"Infelizmente não vai ser uma boa experiência, já assistimos a esse filme nas conservatórias. Nas Lojas a receita vai repetir-se." A falta de recursos humanos é, na perspetiva de Arménio Maximino, o principal problema a resolver. "É uma pena que o Governo leve uma vez mais os cidadãos ao engano, em vez de assumir que tem falta de recursos humanos, em vez de assumir que efetivamente tão cedo não vai ser possível atender todas as pessoas."

Também José Abraão, da Federação dos Sindicatos da Administração Pública(FESAP), considera que a medida não passa de uma intenção, e que não é solução. Tal como o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado, a FESAP volta a alertar para a falta de pessoal, que diz ser crónica nestes serviços.

O Governo está a preparar o regresso à normalidade, com os horários das Lojas do Cidadão a serem retomados na íntegra, sem pausas para almoço. Nessa altura, as Lojas do Cidadão devem encontrar soluções para uma maior capacidade de resposta, de acordo com o despacho da ministra Alexandra Leitão, que será publicado nesta quarta-feira em Diário da República.

Para José Abraão, este é mais um despacho, e, se não for acompanhado por medidas, não resolve, embora a Agência para a Modernização Administrativaacredite que sim. "É uma previsão de fé. As pessoas não podem deixar de acreditar que as coisas se vão resolver, mas só se resolvem com medidas efetivas, com mais recursos humanos, com mais qualificação, com trabalhadores mais motivados."

"Não é o caso concreto dos trabalhadores da Loja do Cidadão", alerta o responsável sindical, que lamenta a falta de mudanças estruturais, "sob pena de andarmos de despacho em despacho, sem medidas concretas e sem resolver coisa nenhuma".

O líder da FESAP lembra que "é recorrente já e manifesta a falta de pessoal", num setor com cem mil trabalhadores precários.

Termina na quinta-feira o prazo para que os serviços enviem os seus orçamentos para a construção do Orçamento do Estado ao Ministério das Finanças, que vai ser "ainda mais criterioso em relação ao mapa do pessoal e dos próprios serviços". José Abraão aguarda os desenvolvimentos deste caso, esperando que não haja contradições, mas, para já, tem uma convicção: a medida aprovada pelo Governo não passa de mais um despacho, se não for acompanhado de medidas.

in  tsf.pt  Por Cristina Lai Men e Catarina Maldonado Vasconcelos 18 Agosto, 2021 •


E hoje, 2 de outubro, podemos ler:

...(...)...

Maria de Fátima Fonseca, secretaria de Estado da Inovação e Modernização, reconheceu que o fluxo de pessoas que se deslocou aos nove balcões das Lojas de Cidadão, hoje abertos entre as 9h e as 22h, tem sido grande. Por esse motivo, afirmou que é normal que em determinados momentos as senhas de acesso para 'Pedidos' se esgotem. Contudo, garante que a capacidade máximo destes espaços é "para ser rentabilizada até às 22h".

...(...)...

A modalidade Casa Aberta para entrega e renovação do cartão de cidadão e do passaporte arranca hoje em nove Lojas do Cidadão que vão estar abertas com um horário alargado até às 22h00 durante oito sábados. Até dia 20 de novembro, algumas Lojas do Cidadão vão estar abertas durante mais tempo ao sábado para ajudar a recuperar algum do tempo perdido quando as Lojas do Cidadão encerraram devido à pandemia de covid-19.


Portugal entrou, esta sexta-feira, numa nova fase de desconfiamento, a última no que diz respeito ao levantamento de medidas restritivas. O país está agora em fase de alerta, situação que se prolongará até 31 de outubro. Até lá, recorde aqui as regras que estão em vigor.

A máscara, sublinhe-se, deixou de ser de uso obrigatório, embora haja exceções. Assim, o seu uso continua a ser necessário em estabelecimentos e serviços de saúde, espaços comerciais e cabeleireiros ou barbeiros. De modo geral, predomina agora o bom senso de cada um que deve sempre lembrar-se que a Covid-19 ainda não acabou e que é preciso continuar a tomar precauções.

Lá fora, os EUA atingiram esta sexta-feira as 700 mil mortes por Covid sendo, de longe, o país onde a doença foi mais fatal.

Consulte os mapas da evolução da pandemia do novo coronavírus em Portugal e no Mundo.

in noticiasaominuto.com 02/10/2021

sexta-feira, 28 de maio de 2021

O vírus que pôs o mundo de "pernas para o ar"...

Com a devida vénia, tomo a liberdade de transcrever um "ponto de vista" muito interessante sobre este vírus que assolou o mundo...


Qual foi o berço do vírus que mudou o mundo?



A mais conhecida teoria da conspiração sobre a origem do SARS-CoV-2 pode simplesmente não ser apenas uma teoria da conspiração. O presidente americano Joe Biden deu ordens aos serviços secretos para investigar, em 90 dias, a origem do coronavírus que está a deixar o mundo de pernas para o ar. E desde logo se especulou se haverá novas provas que tornem a tese de que o vírus terá tido origem num laboratório em Wuhan parece cada vez mais plausível. Isto depois de o Wall Street Journal ter noticiado que os serviços secretos americanos tinham a informação de que três trabalhadores do Instituto de Virologia de Wuhan tinham adoecido em novembro de 2019 com sintomas semelhantes aos da Covid-19.


Aqui chegados, há muito mais perguntas do que respostas. Teriam os três trabalhadores tido uma gripe mais violenta, uma vez que os sintomas da Covid-19 se confundem? Será que era mesmo Covid-19 e isso mostra simplesmente que o vírus já estava disseminado entre a população de Wuhan em novembro? Ou temos aqui a prova de que o coronavírus “saltou”, de facto, de um frasco de laboratório para o corpo humano?


O facto de ainda não se ter identificado o animal que serviu de intermediário na transmissão do SARS-CoV-2 parece vir dar força à teoria do laboratório, mas a verdade é que a história nos mostra que identificar esse animal não é um processo simples (pelo menos não o foi em outros surtos no passado). E foi com esse objetivo preciso que a Organização Mundial de Saúde esteve recentemente em Wuhan a investigar a origem do coronavírus.


A China, no entanto, não facilitou a vida à OMS, como reconheceu o seu líder, Tedros Adhanum Ghebreyesus. A equipa da OMS não teve acesso a toda a informação que pretendia, tendo sido fortemente controlada pelo governo chinês. A China, aliás, está indignada com as ordens de Biden, que vieram dar gás à teoria do laboratório. Tanto que o Facebook já anunciou que vai levantar as restrições às publicações que apontam a existência de mão humana na origem do SARS-CoV-2.


Seja como for, quais são as consequências de eventualmente vir a provar-se que a tese do laboratório esteja correta? Os acidentes acontecem e o mundo tem de viver com isso. Por outro lado, saber a verdade é essencial para nos prepararmos para futuras epidemias. Que vão acontecer, isso ninguém duvida.

(in Visão do Dia , Ponto de Vista, por Alexandra Correia, Editora
a 28 de maio de 2021)



imagem in visão.sapo.pt


terça-feira, 4 de maio de 2021

COVID-19: vamos atingir imunidade de grupo no verão? Parece que não...

Apesar de a situação ter melhorado um pouco no nosso país e pensando nós que já poderíamos "respirar" um pouco mais, saindo, frequentando certos lugares ou até deslocando-nos, enfim, quase "refazendo" a vida de antigamente, qual não é o nosso espanto, quando surge um artigo como o que transcrevo depois desta minha pequena introdução.

Dá logo vontade de recuar, mas não só: acabamos por nos interrogar: "Mas, afinal, o que é que eu faço?" "Já posso sair à vontade, embora com as devidas precauções?" "Posso ir visitar a minha família?" "Posso viajar dentro do país nas férias?" As interrogações são inúmeras, ficando sem resposta à vista; mas, entretanto, o medo e o receio já voltaram a instalar-se.

Eu sei que a vida continua, mas "dados são dados" e quem os transmite são os técnicos que estudam o assunto, entregando a sua vida à descoberta de soluções para os males que nos assolam. Portanto, há que ouvi-los e confiar neles.

Quando veremos o fim desta situação?


imagem in ionline.sapo.pt
(Helen Johnson)



O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, o organismo de saúde pública da UE, passou a fazer projeções para a evolução da pandemia. Para Portugal, a tendência é de estabilização, mas não se descarta uma nova onda em maio. Helen Johnson, técnica do ECDC e especialista em modelação – no último ano dedicada à covid-19 – diz, em entrevista ao Nascer do SOL, que a sua maior preocupação neste momento não são variantes ou relutância vacinal mas a complacência. ‘Torna-nos extremamente impopulares dizer que ainda não estamos livres’.

O ECDC lançou uma nova plataforma com projeções para a evolução da pandemia. Um ano depois, e nesta altura em que há mais otimismo, ainda são necessárias?

Continuamos sem saber o que vai acontecer. A evolução continua a depender de vários fatores, de como o programa de vacinação se desenrola, o que depende do abastecimento, da toma. Temos de ter em conta as variantes em circulação, que variantes emergem, que variantes substituem outras, se a vacina é adequada para proteger da doença no caso de novas variantes. Depende de medidas não farmacológicas como confinamento ou o uso de máscaras e de como é que as pessoas se comportam quando são vacinadas. Por isso, ainda há muitos fatores a combinar e que afetam o futuro desenvolvimento da doença na Europa. Portanto, diria que estamos longe de chegar ao fim ou de sermos capazes de tirar as mãos do volante e dizer isto vai seguir este curso previsível, seguramente não estamos aí.

Ouvimos por um lado essa incerteza, por outro a afirmação de que vamos chegar à imunidade de grupo no verão quando 70% da população estiver vacinada. Onde é que estamos na maratona da pandemia?

O objetivo primário da vacinação não é obter imunidade de grupo. Os objetivos primários são reduzir a pressão nos hospitais e prevenir casos muito graves que levam à morte. Isto é diferente de a vacinação ter como objetivo primário prevenir a transmissão do vírus. Reduzir a circulação do vírus pode ser desejável, mas na realidade vai ser muito difícil de atingir e se continuarmos a ter novas variantes não vamos querer tirar os olhos da bola.

Há o argumento de que tentar interromper por completo a circulação poderia ser contraproducente, porque assim a população, mais protegida, acaba por ir estando em contacto com novas mutações, como na gripe.

É um tema bastante complexo, o nível de circulação do vírus pode influenciar a emergência de novas variantes. O vírus sofre uma pressão evolutiva: poderá ter mais mutações quando é suprimido porque tem de competir mais. Este tipo de coisas não são algo que consigamos modelar nas projeções. A vantagem deste hub é que de facto existem muitos modelos diferentes, que fazem assunções diferentes. Uns têm em conta as novas variantes, outros vão especificamente olhar para as medidas em vigor nos países em cada momento e outros são apenas estatísticos: ‘esta é a tendência atual e, se se mantiver, a linha continua assim’. Portanto, temos muitos cientistas em vários países a olhar para a questão de várias maneiras e o que fizemos foi não apenas juntar estes modelos todos para que os possamos comparar numa mesma plataforma, mas combiná-los num modelo conjunto, o que permite reduzir a incerteza e conseguirmos previsões mais precisas. Mesmo que estivéssemos no final desta história, e não estamos, é uma plataforma importante, porque há sempre outros vírus e outras ameaças a que temos de estar atentos.

O sarampo por exemplo?

No caso do sarampo seria difícil usar um modelo assim. Há um elemento aleatório. Sabemos que os surtos são mais prováveis quando a taxa de vacinação é baixa mas, como na maioria dos locais estamos muito perto da linha da imunidade de grupo (95% vacinados), depende muito de haver um caso importado e do comportamento das pessoas. Mas, por exemplo, pode ser usado na gripe ou na dengue. Temos colaborado muito com o CDC nos EUA no desenvolvimento destas ferramentas. O CDC faz projeções da gripe há oito ou nove anos e tínhamos falado de termos um hub destes antes da emergência da covid-19. E por isso acreditamos que ter esta comunidade de pessoas que se conhece, que cria hábitos de trabalho, que tem esta plataforma é muito positivo porque significa que estamos prontos. E é uma ferramenta versátil, que pode ser adaptada. Estamos melhor preparados para a próxima vez.

Para já, e voltando um pouco atrás, não acredita que vamos atingir a imunidade de grupo no verão?

Não é o objetivo primário da vacinação. Estamos a tentar impedir mortes e que os hospitais fiquem sobrecarregados. Na realidade nem é claro quantas pessoas têm de ser vacinadas para se atingir a imunidade de grupo nesta doença. Quando as pessoas dão números…

Os 70% de população vacinada...

Quando se diz 70%, está a fazer-se uma assunção importante, que é que as pessoas se misturam de maneira igual. Ou seja, quando sai da porta do seu prédio é tão provável encontrar-se com alguém que é exatamente igual a si ou completamente diferente, que é tão provável encontrar-se com alguém que vive no seu prédio como com alguém que vive no fim da rua. Que hoje vai estar com pessoas diferentes daquelas com quem esteve ontem. É completamente irrealista. As pessoas tendem a interagir por grupos e dentro de grupos com pessoas que são semelhantes entre si, por exemplo idades semelhantes. Portanto a ideia de que todas as pessoas se misturam de forma aleatória tem falhas e, se estamos a dizer que a imunidade está nos 70%, basicamente ficamos abertos a grandes surtos em comunidades onde pode haver várias pessoas em risco.

Tinha de haver maior cobertura vacinal para haver uma barreira mais efetiva na transmissão?

Sim, se quiséssemos reduzir o risco de grandes surtos, e vai haver sempre alguns surtos mesmo no limiar da imunidade de grupo, tínhamos de ir além de 70% em todas as comunidades, em todos os locais, em todos os grupos de pessoas. Não pode haver grupos de pessoas que digam que não querem ter a vacina...

Neste momento não estão ainda a ser vacinadas crianças, o que significa que com 70% dos adultos vacinados teremos 58% da população vacinada.

Sim, o vírus não seria eliminado sem a vacinação de crianças. Portanto, o objetivo não é imunidade de grupo e acho que mesmo que não houvesse estas questões em torno do abastecimento das vacinas não seria atingido. O que é esperado é que o programa de vacinação até ao verão tenha reduzido radicalmente o número de pessoas que estão em risco de morrer ou de ficar severamente doentes.

Pelo efeito da vacinação ou pela sazonalidade? 

Não sabemos muito sobre qual será a sazonalidade deste vírus. Tudo o que vimos até aqui da covid-19 foi influenciado pelas políticas e medidas não farmacológicas que foram implementadas. Basicamente, não temos nenhuma ideia da sazonalidade, porque tivemos enormes alterações de comportamentos que ensombraram as características naturais do vírus. Portanto, para o resto de 2021 o número de casos de covid-19 e o número de mortes vai continuar a resultar de escolhas políticas. O que aconteceu no ano passado foi totalmente moldado pelas decisões de abrir e fechar sociedades, abrir e fechar restaurantes, deixar ou não deixar as pessoas viajar. Este ano também temos as vacinas nesta equação, as escolhas podem ser diferentes e ter diferentes efeitos, mas ainda assim o resultado continuará a ser guiado pelas escolhas que são feitas pelas pessoas, tanto a nível pessoal, como a nível comunitário, como a nível governamental.

Nas projeções que fazem para a Europa e também para Portugal, a epidemia permanece estável nas próximas semanas, mas há um grande intervalo de incerteza em que pode haver um aumento de casos e mortes. Qual é a leitura: não estamos prontos para um verão calmo?

Sim, não estamos prontos para o verão. O que dá para ver no hub é que a faixa de incerteza nas projeções aumenta à medida que nos afastamos no tempo. E isso é fácil de perceber: conseguimos ter mais certezas sobre o que vai acontecer daqui a cinco minutos do que para a próxima semana. Mas o que o modelo tem em conta é que existe incerteza sobre as escolhas que vão ser feitas, em como é que as pessoas vão alterar os seus comportamentos daqui para a frente. Há muitos modeladores que se sentem muito desconfortáveis em fazer projeções a quatro semanas. E, se vamos fazê-lo, é preciso tentar perceber o que significa toda aquela incerteza. Uma coisa interessante deste projeto é que temos reuniões semanais, em que podemos debater ideias e trocar informações.

Têm modeladores portugueses?

Penso que não temos, mas estamos em contacto com pessoas em Portugal e queremos continuar a recrutar modeladores. Até pode ser uma equipa que faça só a modelação de Portugal.

Havendo uma nova onda de infeções, será menor do que as anteriores?

Mais uma vez, depende de muitos fatores. Seguramente há mais pessoas vacinadas e menos pessoas suscetíveis até pela infeção natural, mas se houver uma nova variante que implique que essa imunidade já não funciona tão bem e se reabrirmos tudo não há nenhuma razão para não ser pelo menos tão grande como as vagas anteriores. Acho que temos de manter este sentido de cautela. Lembro-me de ter conversas em maio do ano passado em que se dizia ‘estamos cansados’, ‘não vamos conseguir manter o público a bordo’. Foi há um ano. Torna-nos extremamente impopulares dizermos que ainda não estamos livres (out of the woods) mas há muitas coisas a ter em conta.

Temos visto em Portugal mais infeções diagnosticadas em jovens, o que é menos problemático em termos de doença. A ideia de que os mais vulneráveis estão mais protegidos quando só 40% da população tem algum tipo de proteção pode dar alguma falsa segurança?

O objetivo primário do programa de vacinação é dar proteção a quem está em maior risco. No entanto, se as pessoas relaxarem muito cedo e começarem a misturar-se livremente, o aumento da transmissibilidade do vírus pode ultrapassar os benefícios vistos até aqui.

No final do ano passado, como agora, havia otimismo. Sente desvanecer-se esse sentido de cautela ou percebe que é preciso transmitir esperança?

Precisamos de esperança mas também de manter um entendimento dos diferentes fatores em jogo. Tem sido um grande desafio ao longo dos últimos 16 meses perceber como é que o vírus funciona, como é que as pessoas se comportam numa situação como nunca viveram, como equilibrar os custos de limitar agora a sociedade e os custos que vamos ter, porque há outros custos de saúde, outros custos sociais associados a este fechar da sociedade. Acho que não temos de ser pessimistas, mas temos de continuar a ter uma avaliação firme e racional da situação em que estamos e não nos deixarmos levar pelo grande desejo que todos temos de que tudo isto acabe.

Como já disse, tem havido vários modelos, previsões, que quando não acertam são por vezes postos em causa. Sente que existe uma descredibilização ou da parte dos decisores há interesse nos dados?

Há um frase famosa entre os modeladores, atribuída a George Box, estatístico, que diz ‘todos os modelos estão errados e alguns são úteis’. Os modeladores estão muito conscientes das suas limitações e da incerteza. Um bom modelador é sempre muito zeloso daquilo que o seu modelo consegue dizer, do que não consegue e como é que pode ser ser usado. Falei com muitos decisores, políticos, ao longo dos anos e especialmente no último. Acho que quando se percebe o que este tipo de ferramentas nos pode dar em termos de cenários, a informação é útil. Claro que são conceitos difíceis de interiorizar quando uma pessoa precisa de fazer uma coisa concreta, definir uma medida para a sua população. Mas para pesar decisões, para pensar o que pode ou não acontecer, os modelos matemáticos podem dar-nos das melhores visões. Não é só dizer o que pode ou não acontecer, mas perceber fatores. Se um modelo por exemplo não representar a realidade que vivemos, podemos perguntar: o que será que não tivemos em conta? Não incluímos o uso de máscara? A emergência de uma variante mais transmissível?

O modelo pode dar respostas que não correspondem ao que realmente provocou a situação.

O que fazemos é calibrar o modelo de forma a representar o que aconteceu até ao dia de hoje e, se conseguirmos fazer isso, podemos ter mais confiança nas projeções. Temos de ir monitorizando para perceber até que ponto o modelo continua a representar bem as coisas até ao dia de hoje.

Qual é a sua maior preocupação: são variantes, menor uso de máscaras, relutância vacinal?

A complacência.

Com o vírus.

Sim, mais do que qualquer outro fator.

E como se transmite aos decisores?

Com conversas muito parecidas com esta. Digo ‘não se esqueçam’. Não se esqueçam que 70% não vai dar imunidade de grupo. Não se esqueçam que as variantes vão continuar a emergir. Não se esqueçam que as pessoas vão querer correr lá para fora. Não se esqueçam. Não é agradável. Não é uma mensagem que alguém queira ouvir, mas temos de manter a energia e continuar.

encontrei em:   ionline.sapo.pt por Marta F. Reis  01.05.2021