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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Santana Lopes, o Presidente do novo partido "ALIANÇA"

in: sabado.pt

Santana Lopes assumiu no domingo o seu discurso como se fosse uma conversa de amigos e o que se passou mostra um político indignado com o estado em que o nosso país se encontra.

Aqui vai a transcrição da notícia escolhida por mim:

RUI PEDRO ANTUNES E JOSÉ PEDRO MOZOS in OBSERVADOR.PT  09.02.2019

Santana fez do discurso uma conversa indignada entre amigos:
"Que país é este?

Em jeito de "conversa", Santana Lopes indignou-se com o estado do país, falou de "vergonha" no Parlamento, voltou a queixar-se de Sampaio e criticou Marcelo.

Na estreia perante os militantes do seu novo partido, Santana Lopes disse logo ao que ia: preferia fazer uma “conversa” em vez de um “discurso”. E assim fez, como se estivesse à mesa do jantar com a família ou num café com amigos, com um tom de indignação: “Que país é este?“, perguntou várias vezes. 

O presidente do Aliança, que falava na Arena de Évora, elegeu um inimigo preferencial: a “frente de esquerda” e o governo de António Costa. Santana Lopes acusou o ministro das Finanças Mário Centeno de cometer um “crime de lesa-pátria” ao ter um défice de 0,6% do PIB, mas permitir a “degradação do Serviço Nacional de Saúde”. Sempre em jeito de “conversa” lamentou, mais uma vez, o que Sampaio lhe fez em 2004, disse que as presenças-fantasma no Parlamento eram “uma vergonha” e acusou o Governo de ir ao beija-mão aos poderosos de Bruxelas. 

Ao todo, a “conversa” durou cerca de uma hora. Mesmo dizendo que o Aliança não se construiu “contra ninguém”, o principal inimigo desta vez foi a “geringonça”, a que Santana prefere chamar “frente de esquerda”. O presidente do Aliança lembrou que o “Governo de Passos Coelho transferiu mais dinheiro para o SNS do que atual” e acusou a “frente de esquerda” de andar a “sorver e a beijar a mão dos senhores todos poderosos de Bruxelas”. Santana admitiu que os problemas já existiam antes de António Costa, mas questionou também em jeito de indignação: “Mas a frente de esquerda formou-se para quê?” Santana Lopes expôs depois vários problemas concretos: “É normal esperar 1599 dias por consulta de urologia, como acontece em Vila Real? Em Chaves esperar dois anos e meio pelo otorrino? No Hospital de S. João esperar dois anos por uma consulta de combate à obesidade? Que SNS é este? Se me pedissem para inventar uma história impossível, eu contava que uma consulta de cardiologia pode demorar um ano e meio. Isto é o socialismo? Isto é ser de esquerda?”

O líder do Aliança denunciou a diferença no acesso à saúde de quem tem mais e menos posses: “Quem vai ao hospital público e tem posses vê que demora um ano e apanha um uber para um hospital privado para fazer a consulta. Mas quem não tem posses? Espera um ano?“. E terminou mais uma vez a questionar: “Que país é este?” Santana Lopes criticou depois o facto de um agente da PSP “que ganha menos de mil euros” ter de esperar 15 anos “para progredir a agente principal” e ganhar mais. E voltou a questionar: “A frente de esquerda melhorou o quê? O Serviço Nacional de Saúde? A Segurança Social? A Proteção Civil? Que país é este?” Para o líder do Aliança, o problema é que “o dia a dia passa” e as pessoas “vão considerando tudo normal”.
Seguindo no mesmo tom de conversa popular, Santana Lopes criticou ainda as presenças-fantasma no Parlamento: “Não se pode andar a trocar cartões para inventar que se está presente. Isto é uma vergonha.”

Pedro Santana Lopes chegou ao congresso do seu novo partido e a reação foi a habitual nestas paragens: silêncio total para ouvir. Começou com uma mensagem de motivação e orgulho pelo caminho percorrido até este primeiro congresso: “Cada vez mais me convenço de que esta foi a opção certa”. Não a mencionou, mas todos sabiam que se referia à rutura do PSD e à consequente fundação do Aliança. “Posso compreender quem dizia que isto seria um partido de uma pessoa só, mas o dia de hoje provou que assim não é: bastava esta presença impressionante para provar a  dimensão verdadeiramente nacional do Aliança”, afirmou satisfeito. “Quem gosta de ver a política pelo lado bonito, como modo de intervenção cívica, em que a principal causa é o serviço da comunidade e em que fazemos obra – física e espiritual – tem de ficar esmagado, orgulhoso, satisfeito e feliz por ver que, apesar de a política ter situações pouco bonitas, há tanta gente disposta a acreditar que a política ainda vale a pena”. E resumiu: “Esta é a política que vale a pena, com “pê” grande”. Sampaio, as presenças-fantasma e o “salto” do Presidente 
Apesar do novo partido, há coisas que nunca mudam. Santana voltou a lamentar o facto de Jorge Sampaio ter dissolvido a Assembleia da República e ter provocado a queda do seu governo-relâmpago: “Se o presidente da República não tivesse feito o que fez em 2004, o país hoje estaria hoje muito diferente, de certeza absoluta.”

Também houve lugar às inevitáveis referências, mesmo que o PSD para Santana seja passado. O líder do Aliança revelou que soube recentemente que Francisco Sá Carneiro fez o último discurso num comício em Évora e disse ter ficado surpreendido com a coincidência.

Num longo discurso, Santana Lopes destacou ainda que o “Aliança não é oposição do Presidente da República”, dizendo que Marcelo é um “homem sério, uma pessoa íntegra, um homem competente”. Não diz se o apoia neste Congresso porque “o próprio ainda não decidiu se se candidata”. Apesar disso, deixou críticas a Marcelo Rebelo de Sousa: “O Presidente deve ajudar o Governo, mas também não é preciso exagerar“. E admitiu que não gostou de “o ver saltar como saltou na greve dos enfermeiros”. Santana Lopes atravessou-se ainda pela bastonária, Ana Rita Cavaco, dizendo que está a ser atacada por “não ser da cor política deles [partidos que apoiam o Governo]”. Coisa diferente, denuncia Santana, fazem com “o senhor da FENPROF”, havendo “dois pesos e duas medidas, como em quase tudo no que respeita à frente de esquerda”.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Rui Rio venceu o "impeachment" após uma noite bem longa...

Rui Rio – Wikipédia, a enciclopédia livre
in pt.wikipedia.org



Vamos ver como tudo se passou na íntegra. Nada como apresentar de uma "fonte digna" o resumo dos acontecimentos:

Rio “duro” com Montenegro pede “maturidade e responsabilidade” ao Conselho Nacional 

Rui Rio falou hoje ao Conselho Nacional, começando por fazer uma saudação especial a Mota Amaral e a Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional. Foi num contexto de encontro em que será votada a moção de confiança depois do desafio de Montenegro à liderança. O líder “bateu forte” em Montenegro e pediu responsabilidade maturidade ao orgão que vai decidir o futuro do partido. 
Rio classifica de hipocrisia a atitude de Montenegro e falou no convite que o candidato lhe fez para “desertar”. Lembrou que se fosse para falar das sondagens – sabemos como são feitas, ao gosto do freguês – o PSD de Passos Coelho teria tido uma derrota estrondosa em 2015, aconteceu o contrário. Em 1991, quando o PSD teve uma grande maioria, com Cavaco, o Expresso noticiava que o PS de Jorge Sampaio ia ganhar as eleições. Em 1986, quando Mário Soares foi eleito Presidente da República, as sondagens davam-lhe uns módicos 8%, o que à luz do que estamos a debater arrumaria com qualquer argumentação para qualquer candidatura. Eu próprio, se fosse para me guiar pelas sondagens, só teria ganho umas eleições, nem nas última diretas. 
É neste contexto que o líder do PSD diz que há gente no PSD que é muito melhor em sondagens do que em eleições, criticando fortemente quem, há um ano, “não teve a coragem, na altura própria, não teve o arrojo de se assumir, poupando ao PSD este espetáculo pouco dignificante que estamos a dar ao País”. 
Rio explica as razões pelas quais recusa novas eleições, sublinhando a disponibilidade de servir o partido. “Nunca coube qualquer ambição pessoal ou vaidade. Sabem bem os que me conhecem. O mais cómodo seria sair, mas tal atitude revelaria uma irresponsabilidade. Tomar a decisão de enredar o partido numa longa campanha interna, seria colaborar numa irresponsabilidades com consequências imprevisíveis”. 
O líder social democrata manteve uma tónica dura para com Luís Montenegro, sem nunca falar no nome do homem que o desafiou na liderança, defendendo que “o partido precisa de mais maturidade e coerência nas críticas. A proposta que nos é feita é para fazer um frete ao Partido Socialista, abrindo-lhe as portas a uma vitória eleitoral fácil. E um aliciante convite ao nosso eleitorado para se encaminhar para a abstenção. Esta sessão do Conselho Nacional é, ela própria, o espetáculo de prime time para António Costa, que se António Costa for educado, terá de agradecer a alguns companheiros nossos o serviço de excelência que lhe estão a prestar”. 
Rio lembra que o clima de guerrilha interna começou mesmo um dia antes da Comissão Política do PSD entrar em funções. “A permanente guerrilha é o expoente máximo do desrespeito pelos militantes do partido e mesmo pelos portugueses”. E pretende olhar para o futuro para tentar ganhar “aquilo que está ao nosso alcance”, a vitória sobre o Partido Socialista. 
(in: funchalnoticias.net) 
E ainda... 
... Rui Rio conseguiu fazer aprovar a moção de confiança à sua direcção política no PSD com 25 votos de vantagem e relegitimou a liderança no partido. 
Com habilidade política, e em maratona, venceu os críticos e capitalizou apoios para o ano eleitoral. 
A longa noite que se prolongou por 11 horas de reunião pareceu um Congresso à antiga. Terminou com a batalha jurídica que culminou no voto secreto que deu o triunfo a Rio. O Pedro Benevides, a Rita Dinis e o Rui Pedro Antunes (com fotos do João Porfírio) fizeram a leitura (rápida) do que se passou. 
Quanto aos vencedores e aos vencidos do “impeachment” (falhado), Rio ganhou com margem suficiente para calar os críticos e Salvador Malheiro venceu o trono de novo homem do aparelho. Já Montenegro ficou a mais de 500 metros da liderança e Hugo Soares também perdeu, nas contas do Rui Pedro Antunes e da Rita Dinis. 
Um dos primeiros grandes momentos da noite foi o apoio inesperado que Rio recebeu do arqui-inimigo Luís Filipe Menezes. Menezes apareceu, falou e abraçou o velho adversário, selando guerras antigas. 
No discurso inicial, Rio entrou ao ataque. Lembrou o passado de derrotas de Montenegro e acusou-o de falta de coragem. No fim pediu "alguma paz" e que o "ruído acabe" no partido". Montenegro só reage hoje às 12h00, em Gaia. 

Encontrei em: newsletters@observador.pt