terça-feira, 5 de abril de 2022
Bucha e Mariupol (Ucrânia) - as notícias são chocantes!
Massacre de Bucha é "apenas a ponta do iceberg"
A comunidade internacional está chocada com as imagens de Bucha, na Ucrânia. Ruas cheias de cadáveres de civis, alegadamente assassinados pelos soldados russos durante a invasão...São centenas...
Os apelos para a adoção de sanções mais duras contra a Rússia são cada vez mais audíveis. A Comissão Europeiaanunciou a abertura de uma investigação e o presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ser julgado por crimes de guerra.
O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, afirma que o massacre de Bucha é apenas a ponta do iceberg.
"Os horrores que vimos em Bucha são apenas a ponta do iceberg de todos os crimes que foram cometidos pelo exército russo no território da Ucrânia, até agora. Posso dizer-vos, sem exagero, mas com grande tristeza: a situação em Mariupol é muito pior", afiança.
O Kremlin mantém a mesma posição, continuando a negar quaisquer responsabilidades. Nas Nações Unidas, o embaixador russo afirmou que esta é mais uma campanha para desacreditar a Rússia e apontou o dedo às autoridades de Kiev e ao Ocidente.
"Desde o início, ficou claro que isto não tem sido senão mais uma provocação encenada com o objetivo de desacreditar e desumanizar os militares russos e nivelar a pressão política sobre a Rússia. Temos evidências factuais que provam este ponto. Tencionamos apresentá-las no Conselho de Segurança, o mais rapidamente possível, para que a comunidade internacional não seja enganada pela falsa narrativa promovida por Kiev e pelos seus patrocinadores ocidentais", assegura Vassily Nebenzia.
O exército russo tem recuado, nos últimos dias de várias áreas da Ucrânia, estando a concentrar esforços na região oriental do Donbass.
O Kremlin fez um ultimato às forças ucranianas para que saiam de imediato da cidade portuária de Mariupol.
Encontrei esta notícia
in https://pt.euronews.com
/2022/04/05
Etiquetas:
Guerra na Ucrânia,
Mundo,
Notícias da guerra na Europa,
Notícias do Mundo
sábado, 2 de abril de 2022
Um olhar sobre o "estaladão" que Chris Rock recebeu de Will Smith na noite dos Óscares!
| imagem in mago.sapo.pt |
Partilho neste meu post uma crónica que li em magg.sapo.pt de 28.mar.2022 e da autoria de Ricardo Martins Pereira, Publisher.
Este aborda o tema em questão não só de uma forma séria, mas tal qual a sentiríamos se também tivesse acontecido connosco.
Por isso, a nossa reflexão também devera ser séria, apesar de se tratar de um tema que se relaciona com "piadas". Muito simplesmente porque certas "piadas" nem sempre nos deixam indiferentes, principalmente quando incidem sobre a nossa vida privada, tornando-a pública. Os danos podem ser graves e permanentes.
Então, aqui fica o que o cronista escreveu (com a devida vénia):
Não foi o Chris Rock que levou um estaladão, foram todos os humoristas que acham que no humor vale tudo. Não vale
Há uns meses, convivi com uma mulher destruída por causa de uma suposta piada. A vida dela mudou depois disso. Vale mais uma gargalhada ou a saúde mental de alguém?
Há uns meses, penso que num sábado de manhã, estava tranquilamente a tomar o pequeno-almoço com a minha família quando recebo uma notificação no telemóvel. Olhei, e era um amigo a enviar-me uma notícia que tinha acabado de sair numa revista lida por milhões de pessoas onde era contada uma mentira grosseira sobre mim e sobre a minha namorada, mas supostamente dita em forma de "piada".
A coisa era ainda mais grave, porque a frase tinha sido dita num palco perante uma plateia de mais de cinco mil pessoas e era agora exposta na internet, através de um vídeo, perante milhões de outras pessoas. Muitos outros ingredientes agravaram tudo isto: a suposta história metia ao barulho o nome de um dos meus filhos, tinha contornos eróticos de gosto muito duvidoso e era absolutamente humilhante para a minha namorada.
Pior ainda: o que era ali dito, por uma pessoa altamente poderosa e influente na sociedade portuguesa, tinha tudo para criar gravíssimos problemas não só emocionais como profissionais e sociais à minha namorada, já que aquela "notícia" iria seguramente espalhar-se na internet e ser lida (das mais variadas formas, com as mais variadas interpretações) por centenas de milhares de pessoas.
Assim que vi aquilo, abri o Google e fiz uma pesquisa para perceber se a notícia era um exclusivo daquela publicação ou se já estaria noutras. Claro que estava. Era trend no Twitter e já havia sido replicada em diversos outros órgãos de comunicação social. Chegou, inclusive, às páginas (em papel) do "Correio da Manhã".
Na base desta história, ou suposta "piada", repito, estava uma mentira. Perante a indignação, o desespero, a vergonha que imediatamente invadiu a minha namorada, não podia fazer outra coisa que enviar uma mensagem à autora da suposta "piada" e pedir-lhe para, no imediato, desmentir o que havia dito, porque a história, tal como ela a contou, e tal como se podia ouvir no vídeo, era falsa e estava a causar danos gravíssimos na vítima dessa tal "piada". Foi o que fiz. Imediatamente, enviei-lhe uma mensagem que dizia algo como: "Peço-te, por favor, para desmentires a história que está a circular, que já está em várias notícias de revistas, e que está a causar danos muito sérios na minha namorada".
Qualquer pessoa de bem, que não fosse mal intencionada, e que tivesse tido como único intuito fazer uma piada inocente, perante aquela mensagem, teria tido um laivo de consciência e entendido que estava a prejudicar seriamente a imagem e a saúde mental de outra pessoa. E, assim, teria tido a humildade e a humanidade de reconhecer o erro e tentar, de alguma forma, minimizar o impacto que a sua ação estava a ter na vida de outra pessoa. Foi honestamente o que achei que iria acontecer. Estava enganado.
A resposta que obtive do outro lado foi algo como: "Oi? Desmentir a história? Aquilo era uma piada. Desde quando é que os humoristas agora desmentem piadas? E desde quando é que os humoristas fazem humor com histórias que são sempre verdade. Seria ridículo desmentir isso".
Insisti, de variadíssimas formas. Tentei a abordagem didática, explicando que a esmagadora maioria das pessoas não iria ler mais do que um título, e esse título era mentiroso e devastador para a minha imagem e sobretudo para a imagem da minha namorada. Não resultou. Tentei a abordagem humilde, de pedir, por favor, para pelo menos esclarecer a comunidade dela sobre o teor daquela história, que já estava em quase todas as revistas e jornais deste país, e a vitalizar nas redes sociais. Só pedi um story a dizer: "Aquilo era uma piada. O que eu disse não é verdade". Uma vez mais, a resposta foi uma recusa, sempre com o mesmo tipo de argumento, de que os humoristas não têm de se justificar, nem pedir desculpas, porque só fazem piadas.
Foram seguramente horas de trocas de mensagens numa tentativa de convencer aquela pessoa a perder cinco segundos do seu tempo para tentar corrigir uma situação por ela causada e que estava a destruir por completo outra pessoa. Não tive sucesso. Até hoje, e mesmo consciente do fortíssimo impacto negativo que aquela história teve na carreira, na vida social e sobretudo na saúde mental de outra pessoa, ela foi incapaz de se pronunciar sobre o tema.
Eu percebo bem a sensação de revolta que nasceu dentro do peito do Will Smith no momento em que percebeu (demorou uns segundos) o alcance da piada do Chris Rock. Acredito que o que o fez saltar da cadeira e subir ao palco para dar um tabefe no humorista foi a expressão da sua mulher, visivelmente incomodada e agastada com a piada (que naturalmente eu não sinto como sendo assim tão grave, mas também não me era dirigida, por isso não posso nem quero julgar aquilo que os outros sentem).
Não sou por natureza violento, nunca resolvi nada na vida com estalos, e na verdade o alvo direto daquela história nem sequer era eu (embora fosse um alvo indireto). Restou-me aquilo que podia fazer na altura: apoiar a vítima, tranquilizá-la, isolá-la da toxicidade das redes sociais nos dias seguintes, aconselhá-la a reforçar a terapia, procurar mais ajuda e pontos de equilíbrio para superar a situação.
Esta situação foi só a gota de água num processo continuado de uma agressão psicológica continuada que se havia iniciado meses antes. Sempre em formato de historietas, revelações, piadas, brincadeiras, que foram causando enorme dano emocional, psicológico e muitas vezes profissional. À conta destas "piadas", uma pessoa teve de meter baixa prolongada, mudar de departamento na empresa para tentar minimizar a vergonha social, reforçar as consultas de apoio à saúde mental, passou por períodos muito próximos de uma depressão, e vi-a em estados emocionais muito débeis, frágeis, que me obrigaram a um apoio continuado. Do outro lado, do lado de quem fez "apenas" piadas, tudo na maior, glória, espetáculo, fama, aplauso social.
Um estalo à Will Smith não iria resolver nada, como no caso dele não resolveu. A única forma de não deixar uma situação destas impune é seguir a via que resta, a correta, aquela a que um cidadão comum, anónimo, que não tem o poder das estrelas do humor, pode recorrer: os tribunais. Será a Justiça a decidir se uma hipotética gargalhada de cinco segundos de três ou quatro mil pessoas é mais importante do que a saúde mental, o trabalho e a vida de outra pessoa. Será a Justiça a decidir se a liberdade de expressão é válida em qualquer circunstância, mesmo quando a usamos para humilhar, ofender, prejudicar e magoar outra pessoa de forma deliberada e com consequência óbvias e diretas no estado emocional e psicológico de uma pessoa inocente, que não concordou em participar daquela história. Será a Justiça a decidir se o humor é uma entidade que vive à parte da sociedade e sobre a qual não incidem as leis que regem todas as outras áreas de uma sociedade que vive num Estado de Direito.
Do caso Will Smith versus Chris Rock resta uma última discussão: a da legitimidade da violência. “Ah, o Will Smith até podia ter razão, mas não podia ter feito aquilo. A violência não é admissível”. É mais ou menos este o tom de grande parte das pessoas. Certo. A violência não é admissível. Nenhuma das violências, nem a física, nem a emocional/psicológica. Porque é que continuamos a achar que uma é muito mais grave do que a outra? Pela mesma razão que achamos que comer um cão é uma coisa inaceitável e comer um porco é a coisa mais normal do mundo: o poder do costume social.
Aprendemos, socialmente, que bater é errado, e não conseguimos desbloquear o cérebro e sair dessa maneira de ver o mundo. Bater é tão errado como agredir emocionalmente. Até porque a agressão verbal, psicológica, pode doer muito mais do que a agressão física. A humilhação que resulta de uma agressão emocional pode ter traumas muito mais sérios do que a humilhação que resulta de uma agressão física. Por isso, é importante que se tentem erguer aqui barreiras de decência ou patamares diferentes para a agressão: agredir é um crime, seja com palavras ou com a mão. E o valor é o mesmo.
Este é um tema que se sente que, aos poucos, começa a incomodar verdadeiramente a comunidade dos humoristas, que durante anos se sentiram no tal mundo com uma lei muito própria que lhes permite tudo. Os roasts, um formato em que as pessoas se insultam e humilham umas às outras, em palco, cara a cara, é um exemplo disso. O roast quer mostrar que não há mal nenhum em brincar com qualquer assunto e que temos é de ter capacidade de nos rirmos de nós mesmos. Certíssimo. Mas quem participa num roast fá-lo voluntariamente e já sabe ao que vai: está ali para gozar e ser gozado. As regras estão definidas à partida e são aceites por todos. Quer dizer, mais ou menos. Já estive nos bastidores de alguns roasts e sei que não é exatamente assim como se quer vender a coisa. Os próprios intervenientes dos roasts fazem uma pequenina lista negra de tópicos sobre os quais preferiam que não se fizessem piadas. Ou seja, aquela coisa de que vale tudo, nem sequer isso é inteiramente verdade ou como querem fazer passar.
Recentemente, Bruno Nogueira lançou o programa "Tabu", na SIC, uma vez mais para tentar provar que se pode fazer humor com tudo, sem que as pessoas se ofendam. É a mesma lógica do roast: não há nenhum problema em fazer uma piada com o Fernando Manuel que tem cancro, se o Fernando Manuel souber que vão fazer essa piada, aceitar que a vão fazer e aceitar fazer parte de um espetáculo em que vão gozar com ele e com a doença dele. Isso é liberdade individual. Agora se o Fernando Manuel estiver tranquilamente sentado no sofá de casa e de repente vir que estão milhares de pessoas a gozar com ele por ele ter cancro e ele não sabia que isso ia acontecer, então, não, não é aceitável,tolerável nem passível de ser normalizado e aceite como "liberdade de expressão". É só bullying, humilhação.
Estamos num momento é que é fundamental que se reflita muito a sério sobre a forma como temos de adaptar os nossos comportamentos numa sociedade plural onde todos temos o direito de sermos o que quisermos ser sem medo de sermos humilhados, alvos de chacota social, seja por usarmos o cabelo verde, pesarmos 220 quilos, sermos bissexuais, não-binários ou gostarmos de ouvir Tony Carreira. A aceitação não nos deve servir só quando nos queremos promover e criar uma imagem de que somos guias de moral e bons costumes. Aceitar pode custar, certo, mas dói menos. Não é?
Etiquetas:
Crónica,
Entretenimento,
Humor,
Óscares
terça-feira, 29 de março de 2022
Miguel Ângelo: "O pecado de Adão e Eva" e "Expulsão de Adão e Eva do Eden"
![]() |
| in wikiart.org |
(Adão e Eva - 1512 - Michelangelo)
![]() |
| in tendimag.com (Michelangelo. Expulsão de Adão e Eva do Eden. 1537-1541) |
O teto da Capela Sistina é constituído por um extenso afresco, concebido por Michelangelo entre 1508 e 1512. O trabalho, feito a pedido do papa Júlio II, é considerado não só um marco da pintura da Alta Renascença, mas também uma das mais famosas obras da história da arte e um dos maiores tesouros da Santa Sé. A Capela Sistina, localizada no Vaticano, foi construída entre 1477 e 1480, a mando do papa Sisto IV, em homenagem ao qual foi nomeada. No local, acontecem o conclave e outros importantes eventos da Igreja Católica.
Os vários elementos pintados no teto da capela são parte de um plano maior de decoração, o qual inclui outro grande afresco, o Juízo Final, na parede do altar do santuário, também obra de Michelangelo, além de outras pinturas de parede feitas por vários importantes artistas do final do século XV, como Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio e Pietro Perugino, e tapeçarias de Rafael. O conjunto ilustra diversas passagens da Bíblia e da doutrina católica.
Centrais no teto, estão nove cenas do Gênesis, dentre as quais A Criação de Adão é a mais famosa, tendo uma representatividade icônica igualada somente pela Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Um símbolo da influência desse painel do afresco é o detalhe do encontro das mãos de Deus e Adão, reproduzido incontáveis vezes na arte e na cultura popular. O complexo grupo de desenhos inclui vários conjuntos de figura humana, tanto vestida quanto desnuda, que permitiram a Michelangelo demonstrar plenamente sua habilidade de criação em grande variedade de composições, além de terem inspirado gerações de artistas desde então.
(in pt.wikipedia.org)
| in pt.wikipedia.org |
Etiquetas:
Artes,
Frescos Célebres
domingo, 27 de março de 2022
sexta-feira, 25 de março de 2022
quarta-feira, 23 de março de 2022
Já estamos na Quaresma! É tempo de preparação...é tempo de reflexão...é tempo de renovação!
A Quaresma já teve início no dia 2 de março de 2022, dia a seguir ao Carnaval, precisamente na Quarta-feira de Cinzas.
Terminará a 14 de abril, na Quinta-feira da Semana Santa.
Este é um período de reflexão para os Crentes e exige deles uma certa preparação para a grande Festa da Páscoa, que é a celebração da Ressurreição de Cristo.
Cristo passou 40 dias em jejum no deserto e experimentou muitos sofrimentos. Há cristãos que fazem alguma penitência, em honra e memória de Cristo, como por exemplo, orando mais, praticando a caridade e não comendo carne.
Quando vamos à Missa ao domingo, nesta altura é natural vermos as imagens dos santos nas Igrejas cobertas com tecidos roxos, porque do que tenho lido, é uma tradição que se vem observando desde o século IV.
Quaresma é originária do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia).
O Ciclo Pascal engloba três tempos: o da preparação, o da celebração e o tempo do prolongamento. Por isso escolhi como "extensão" do título do meu post, a expressão "tempo de preparação", porque a Quaresma insere-se nesse período.
Boa Quaresma! Boas reflexões! Bons atos de fraternidade!
![]() |
| imagem in agencia.ecclesia.pt |
Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2022
Fev 24, 2022 - 11:00
«Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).
Queridos irmãos e irmãs!
A Quaresma é um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Aproveitemos o caminho quaresmal de 2022 para refletir sobre a exortação de São Paulo aos Gálatas: «Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo (kairós), pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).
1. Sementeira e colheita
Neste trecho, o Apóstolo evoca a sementeira e a colheita, uma imagem que Jesus muito prezava (cf. Mt 13). São Paulo fala-nos dum kairós: um tempo propício para semear o bem tendo em vista uma colheita. Qual poderá ser para nós este tempo favorável? Certamente é a Quaresma, mas é-o também toda a nossa existência terrena, de que a Quaresma constitui de certa forma uma imagem.[1] Muitas vezes, na nossa vida, prevalecem a ganância e a soberba, o anseio de possuir, acumular e consumir, como se vê no homem insensato da parábola evangélica, que considerava assegurada e feliz a sua vida pela grande colheita acumulada nos seus celeiros (cf. Lc 12, 16-21). A Quaresma convida-nos à conversão, a mudar mentalidade, de tal modo que a vida encontre a sua verdade e beleza menos no possuir do que no doar, menos no acumular do que no semear o bem e partilhá-lo.
O primeiro agricultor é o próprio Deus, que generosamente «continua a espalhar sementes de bem na humanidade» (Encíclica Fratelli tutti, 54). Durante a Quaresma, somos chamados a responder ao dom de Deus, acolhendo a sua Palavra «viva e eficaz» (Heb 4, 12). A escuta assídua da Palavra de Deus faz amadurecer uma pronta docilidade à sua ação (cf. Tg 1, 19.21), que torna fecunda a nossa vida. E se isto já é motivo para nos alegrarmos, maior motivo ainda nos vem do chamamento para sermos «cooperadores de Deus» (1 Cor 3, 9), aproveitando o tempo presente (cf. Ef 5, 16) para semearmos, também nós, praticando o bem. Este chamamento para semear o bem deve ser visto, não como um peso, mas como uma graça pela qual o Criador nos quer ativamente unidos à sua fecunda magnanimidade.
E a colheita? Porventura não se faz toda a sementeira a pensar na colheita? Certamente; o laço estreito entre a sementeira e a colheita é reafirmado pelo próprio São Paulo, quando escreve: «Quem pouco semeia, também pouco há de colher; mas quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá» (2 Cor 9, 6). Mas de que colheita se trata? Um primeiro fruto do bem semeado, temo-lo em nós mesmos e nas nossas relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes de bondade. Em Deus, nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma das nossas «generosas fadigas» se perde (cf. Exortação Evangelii gaudium, 279). Tal como a árvore se reconhece pelos frutos (cf. Mt7, 16.20), assim também a vida repleta de obras boas é luminosa (cf. Mt 5, 14-16) e difunde pelo mundo o perfume de Cristo (cf. 2 Cor 2, 15). Servir a Deus, livres do pecado, faz amadurecer frutos de santificação para a salvação de todos (cf. Rm 6, 22).
Na realidade, só nos é concedido ver uma pequena parte do fruto daquilo que semeamos, pois, segundo o dito evangélico, «um é o que semeia e outro o que ceifa» (Jo 4, 37). É precisamente semeando para o bem do próximo que participamos na magnanimidade de Deus: constitui «grande nobreza ser capaz de desencadear processos cujos frutos serão colhidos por outros, com a esperança colocada na força secreta do bem que se semeia» (Encíclica Fratelli tutti, 196). Semear o bem para os outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso dos desígnios benfazejos de Deus.
A Palavra de Deus alarga e eleva ainda mais a nossa perspetiva, anunciando-nos que a colheita mais autêntica é a escatológica, a do último dia, do dia sem ocaso. O fruto perfeito da nossa vida e das nossas ações é o «fruto em ordem à vida eterna» (Jo 4, 36), que será o nosso «tesouro no céu» (Lc 18, 22; cf. 12, 33). O próprio Jesus, para exprimir o mistério da sua morte e ressurreição, usa a imagem da semente que morre na terra e frutifica (cf. Jo12, 24); e São Paulo retoma-a para falar da ressurreição do nosso corpo: «semeado corrutível, o corpo é ressuscitado incorrutível; semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual» (1 Cor 15, 42-44). Esta esperança é a grande luz que Cristo ressuscitado traz ao mundo: «Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 19-20), para que quantos estiverem intimamente unidos a Ele no amor, «por uma morte idêntica à sua» (Rm 6, 5), também estejam unidos à sua ressurreição para a vida eterna (cf. Jo 5, 29): «então os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai» (Mt 13, 43).
2. «Não nos cansemos de fazer o bem»
A ressurreição de Cristo anima as esperanças terrenas com a «grande esperança» da vida eterna e introduz, já no tempo presente, o germe da salvação (cf. BENTO XVI, Spe salvi, 3; 7). Perante a amarga desilusão por tantos sonhos desfeitos, a inquietação com os desafios a enfrentar, o desconsolo pela pobreza de meios à disposição, a tentação é fechar-se num egoísmo individualista e, à vista dos sofrimentos alheios, refugiar-se na indiferença. Com efeito, mesmo os melhores recursos conhecem limitações: «Até os adolescentes se cansam, se afadigam, e os jovens tropeçam e vacilam» (Is 40, 30). Deus, porém, «dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. (…) Aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer» (Is 40, 29.31). A Quaresma chama-nos a repor a nossa fé e esperança no Senhor (cf. 1 Ped 1, 21), pois só com o olhar fixo em Jesus Cristo ressuscitado (cf. Heb 12, 2) é que podemos acolher a exortação do Apóstolo: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9).
Não nos cansemos de rezar. Jesus ensinou que é necessário «orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18, 1). Precisamos de rezar, porque necessitamos de Deus. A ilusão de nos bastar a nós mesmos é perigosa. Se a pandemia nos fez sentir de perto a nossa fragilidade pessoal e social, permita-nos esta Quaresma experimentar o conforto da fé em Deus, sem a qual não poderemos subsistir (cf. Is 7, 9). No meio das tempestades da história, encontramo-nos todos no mesmo barco, pelo que ninguém se salva sozinho;[2] mas sobretudo ninguém se salva sem Deus, porque só o mistério pascal de Jesus Cristo nos dá a vitória sobre as vagas tenebrosas da morte. A fé não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude e cujo penhor é o amor que Deus derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 1-5).
Não nos cansemos de extirpar o mal da nossa vida. Possa o jejum corporal, a que nos chama a Quaresma, fortalecer o nosso espírito para o combate contra o pecado. Não nos cansemos de pedir perdão no sacramento da Penitência e Reconciliação, sabendo que Deus nunca Se cansa de perdoar.[3] Não nos cansemos de combater a concupiscência, fragilidade esta que inclina para o egoísmo e todo o mal, encontrando no decurso dos séculos vias diferentes para fazer precipitar o homem no pecado (cf. Encíclica Fratelli tutti, 166). Uma destas vias é a dependência dos meios de comunicação digitais, que empobrece as relações humanas. A Quaresma é tempo propício para contrastar estas ciladas, cultivando ao contrário uma comunicação humana mais integral (cf. ibid., 43), feita de «encontros reais» (ibid., 50), face a face.
Não nos cansemos de fazer o bem, através duma operosa caridade para com o próximo. Durante esta Quaresma, exercitemo-nos na prática da esmola, dando com alegria (cf. 2 Cor9, 7). Deus, «que dá a semente ao semeador e o pão em alimento» (2 Cor 9, 10), provê a cada um de nós os recursos necessários para nos nutrirmos e ainda para sermos generosos na prática do bem para com os outros. Se é verdade que toda a nossa vida é tempo para semear o bem, aproveitemos de modo particular esta Quaresma para cuidar de quem está próximo de nós, para nos aproximarmos dos irmãos e irmãs que se encontram feridos na margem da estrada da vida (cf. Lc 10, 2537). A Quaresma é tempo propício para procurar, e não evitar, quem passa necessidade; para chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa palavra; para visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão. Acolhamos o apelo a praticar o bem para com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados (cf. Encíclica Fratelli tutti, 193).
3. «A seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido»
Cada ano, a Quaresma vem recordar-nos que «o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam duma vez para sempre; hão de ser conquistados cada dia» (ibid., 11). Por conseguinte, peçamos a Deus a constância paciente do agricultor (cf. Tg 5, 7), para não desistir na prática do bem, um passo de cada vez. Quem cai, estenda a mão ao Pai que nos levanta sempre. Quem se extraviou, enganado pelas seduções do maligno, não demore a voltar para Deus, que «é generoso em perdoar» (Is 55, 7). Neste tempo de conversão, buscando apoio na graça divina e na comunhão da Igreja, não nos cansemos de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que «a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido», e obteremos, com o dom da perseverança, os bens prometidos (cf. Heb 10, 36) para salvação nossa e do próximo (cf. 1 Tm 4, 16). Praticando o amor fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por nós (cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus, quando Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).
A Virgem Maria, em cujo ventre germinou o Salvador e que guardava todas as coisas «ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19), obtenha-nos o dom da paciência e acompanhe-nos com a sua presença materna, para que este tempo de conversão dê frutos de salvação eterna.
Roma, em São João de Latrão, na Memória litúrgica do bispo São Martinho,
11 de novembro de 2021.
Papa Francisco
______
[1] Cf. SANTO AGOSTINHO, Sermones 243, 9,8; 270, 3; Enarratio in Psalmis 110, 1.
[2] Cf. FRANCISCO, Momento extraordinário de oração em tempo de pandemia (27 de março de 2020).
[3] Cf. IDEM, Angelus de 17 de março de 2013.
in agencia.ecclesia.pt
Etiquetas:
Festividade Pascal,
Festividade Religiosa,
Quaresma
terça-feira, 22 de março de 2022
domingo, 20 de março de 2022
Homenagem à Língua Francesa - "La fête de la Francophonie" (20 mars)!
La fête de la francophonie est toujours un événement important partout au mois de mars, surtout dans les pays francophones !
C'est la principale raison pour laquelle aujourd'hui, dans mon post, je rends mon hommage le plus sincère à une langue que j'aime beaucoup: la langue française!
La Francophonie en chiffres:
321 Millions de francophones dans le monde
88 États et gouvernements composent l’OIF
88 États et gouvernements composent l’OIF
(OIF: organisation Internationale de la Francophonie)
5e Langue mondiale
144 Millions d'apprenants du et en français
4e Langue sur Internet
5e Langue mondiale
144 Millions d'apprenants du et en français
4e Langue sur Internet
(in francophonie.org)
La Fête de la Francophonie
La date du 20 mars a été reconnue par OIF comme étant la Journée Internationale de la Francophonie en 1988 et pour cette raison on en fête toutes les années.
C’est la fête de la communauté des pays francophones.
Le lien commun qui a lié les 70 états et gouvernements de l’OIF a été LA LANGUE FRANÇAISE et c’est celle-ci qui est fêtée.
En effet, plus de 136 millions de personnes dans 41 pays parlent français dans le monde et sont 500 millions si l’on considère tous ceux qui parlent la langue comme deuxième langue ou comme langue étrangère.
Je me sens très orgueilleuse d’avoir appris cette langue à partir de mes 10 ans et de n’avoir jamais désisté, une fois qu’elle a exercé toujours sur moi une grande fascination. C’est mon père qui me l’a enseignée, il m’exigeait chaque jour un entraînement de la lecture du manuel scolaire…
J'ai beaucoup réfléchi à ce fait et à la façon dont il parvient à me faire sentir que c'est presque comme une "seconde" langue maternelle pour moi...
C’est une langue romane qui appartient à la famille de l’Indo-Européenne, et qui est originaire de l’évolution du latin vulgaire. Elle totalise 280-300 millions de parlants, y compris comme deuxième langue (2018). C’est la langue officielle de 29 pays (réglée par Académie Française).
Comme conclusion, je dirai que j’aimerai toujours cette langue pour toute ma vie, je ne saurais jamais vivre sans elle!
(texte écrit par une élève de l'Alliance Française de Porto, Cours de Conversation)
Etiquetas:
La fête de la Francophonie
Subscrever:
Mensagens (Atom)







