terça-feira, 9 de agosto de 2022
sábado, 6 de agosto de 2022
Homenagem à Professora Ana Luísa Amaral
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| imagem in portaldaliteratura.com |
Ana Luísa Amaral (Lisboa, 5 de abril de 1956 – Porto, 5 de agosto de 2022) foi uma poetisa portuguesa, tradutora e professora de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Biografia
Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa no dia 5 de Abril de 1956 e vivia, desde os nove anos, em Leça da Palmeira. Tinha um doutoramento sobre a poesia de Emily Dickinson e as suas áreas de investigação eram Poéticas Comparadas, Estudos Feministas e Estudos Queer. Era Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde integrava também a direcção do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Tinha publicações académicas várias em Portugal e no estrangeiro.
Foi autora, com Ana Gabriela Macedo, do Dicionário de Crítica Feminista (Porto: Afrontamento, 2005) e preparou a edição anotada de Novas Cartas Portuguesas (1972), de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa (Lisboa: Dom Quixote, 2010).
Organizou, com Marinela Freitas, os livros Novas Cartas Portuguesas 40 Anos Depois (Dom Quixote, 2014) e New Portuguese Letters to the World (Peter Lang, 2015). Coordenou o projecto internacional financiado pela FCT Novas Cartas Portuguesas 40 anos depois, que envolveu 13 equipas internacionais e mais de 15 países.[6]
Em torno dos seus livros de poesia e infantis foram levados à cena espectáculos de teatro e leituras encenadas (como O olhar diagonal das coisas, A história da Aranha Leopoldina, Próspero morreu ou Amor aos Pedaços).
Obteve diversas distinções, como a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Matosinhos e a Medalha de Ouro da Câmara Municipal do Porto, por serviços à Literatura, ou a Medaille de la Ville de Paris, e diversos prémios, entre os quais o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Premio di Poesia Giuseppe Acerbi, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio António Gedeão, o Prémio Internazionale Fondazione Roma, Ritratti di Poesia, o Prémio PEN, de Ficção, o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Críticos Literários, o Prémio Literário Guerra Junqueiro, o Prémio Leteo (Espanha), o Prémio de Melhor Livro do Ano dos Livreiros de Madrid, o Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, ou o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana.
Em 2021, saiu no Reino Unido um livro de ensaios sobre a sua obra, pela Peter Lang Publishing, com o título The Most Perfect Excess: The Works of Ana Luísa Amaral (org. Claire Williams).
Tinha um programa de rádio, com Luís Caetano, na Antena 2, chamado O Som que os Versos Fazem ao Abrir.
Morreu em 5 de agosto de 2022, aos 66 anos.
Obras
Foi autora dos livros:
Livros de poesia
Minha senhora de quê, Fora do Texto, 1990; reed., Quetzal, 1999
Coisas de partir, Fora do Texto, 1993; reed., Gótica, 2001
Epopeias, Fora do Texto, 1994
E muitos os caminhos, Poetas de Letras, 1995
Às vezes o paraíso, Quetzal, 1998; reed. 2000.
Imagens, Campo das Letras, 2000
Imagias, Gótica, 2002
A arte de ser tigre, Gótica, 2003
Poesia Reunida 1990-2005, Quasi, 2005
A génese do amor, Campo das Letras, 2005; 2ª edição, 2006
Entre dois rios e outras noites, Campo das Letras, 2008
Se fosse um intervalo, Dom Quixote, 2009
Inversos, Poesia 1990-2010, Dom Quixote, 2010
Vozes, Dom Quixote, 2011; 2ª edição, 2012; 3ª edição, 2015
Escuro, Assírio & Alvim, 2014
E Todavia, Assírio & Alvim, 2015
What's in a name, Assírio & Alvim, 2017
Ágora, Assírio & Alvim, 2019
Mundo, Assírio & Alvim, 2021 (no prelo)
Ensaio Arder a Palavra e outros incêndios, Relógio D'Água, 2018
Teatro Próspero Morreu (poema em acto), Caminho, 2011
Ficção Ara, Sextante, 2013; 2ª edição, 2014
Literatura Infantil Gaspar, o Dedo Diferente e Outras Histórias, (ilust. Elsa Navarro), Campo das Letras, 1999
A História da Aranha Leopoldina, (ilust. Elsa Navarro), Campo das Letras, 2000
A História da Aranha Leopoldina, (ilust. Raquel Pinheiro), Civilização, Porto, 2010 (ed. revista e aumentada, com CD. Música de Clara Ghimel, arranjos de Nuno Aragão, Cantado por Rosa Quiroga, Nuno Aragão e Sissa Afonso)
Gaspar, o Dedo Diferente, (ilust. Abigail Ascenso), Civilização, 2011 (ed. revista)
A Tempestade, (ilust. Marta Madureira), Quidnovi 2011 - Plano Nacional de Leitura
Como Tu, (ilust. Elsa Navarro), Quidnovi, 2012 (música de António Pinho Vargas, piano por Álvaro Teixeira Lopes, vozes de Pedro Lamares, Rute Pimenta e Ana Luísa Amaral - Plano Nacional de Leitura
Lengalenga de Lena, a Hiena, (ilust. Jaime Ferraz), Zero a Oito, 2019
A História da Aranha Leopoldina, (ilust. Jaime Ferraz), Zero a Oito, 2019
Gaspar, o Dedo Diferente, (ilust. Chico Bolila), Zero a Oito, 2019
Como Tu, (ilust. Alberto Faria), Zero a Oito, 2020
Traduções
Xanana Gusmão, Mar Meu/My Sea of Timor, co-trad. Kristy Sword (Granito, 1998)
Eunice de Souza, Poemas Escolhidos (Cotovia, 2001)
John Updike, Ponto Último e Outros Poemas (Civilização, 2009)
Emily Dickinson, Cem Poemas (Relógio D'Água, 2010)
Emily Dickinson, Duzentos Poemas (Relógio d’Água, 2015)
Patricia Highsmith, Carol (Relógio d'Água, 2015)
William Shakespeare, 31 Sonetos (Relógio d'Água, 2015)
Mário de Sá-Carneiro, Seven Songs of Decline and Other Poems, co-trad. Margaret Jull Costa, ed. Ricardo Vasconcelos (Francis Boutle Publishers, 2020)
Louise Glück, A Íris Selvagem (Relógio d'Água, 2020)
Arnold Wesker, Primavera Selvagem (Edições Humus, 2020)
Louise Glück, Vita Nova (Relógio d'Água, 2021)
Emily Dickinson, Herbarium (Relógio d'Água, no prelo)
Margaret Atwood, Políticas de Poder (Relógio d'Água, no prelo)
Livros de Ana Luísa Amaral traduzidos no estrangeiro
Estados Unidos da AméricaThe Art of Being a Tiger. Selected Poems, trad. Margaret Jull Costa, Tagus Press, 2018
What's in a name?, trad. Margaret Jull Costa, New Directions, 2019
Alemanha Was ist ein Name, trad. Michael Kegler & Piero Salabe, Hanser Verlag, Munchen, 2021
Brasil A gênese do amor, Gryphus, Rio de Janeiro, 2008
Vozes, Iluminuras, São Paulo, 2013
Escuro, Iluminuras, São Paulo, 2015
Ara, Iluminuras, São Paulo, 2016
Luzes, Iluminuras, São Paulo, 2021 (no prelo)
ColômbiaEntre otras noches, Antologia Poética, trad. Lauren Mendinueta, Taller de Edición-Rocca, Bogotá, 2013
Como Tu, trad. Lauren Mendinueta, Taller de Edición-Rocca, Bogotá, 2014
Qué Hay en un Nombre, trad. Pedro Rapoula, Puro Pássaro, Bogotá, 2020
Eslovénia What’s in a Name, trad. Barbara Juršič, Beletrina, Lubiana, 2021 (no prelo).
Espanha Oscuro, trad. Luis Maria Marino, Olifante, Aragon, 2015
What's in a Name, trad. Paula Abramo, Sexto Piso, Madrid, 2020
Mundo, trad. Paula Abramo, Sexto Piso, Madrid, 2021 (no prelo)
França Images, trad. Catherine Dumas, Vallongues Éditions, 2000
Comme Toi, trad. Catherine Dumas, Editions Theatrales, Paris, 2013
L’Art d’être tigre, trad. Catherine Dumas, Phare du Cousseixo, Paris, 2015
HolandaWachten op Odysseus: Gedichten 1990-2011, trad. Arie Pos, uitgeverij IJZER, Utrecht, 2011
ItáliaPoesie, trad. Livia Apa, Poesie, XVª Edizione – Portogallo, Lisbona, Instituto Camões, 2008
La Genesi dell’Amore, trad. Piero Ceccucci, Fiorenza mia…!:, Florença, Firenze University Press, 2009
La Scala di Giacobbe: Poesia di Ana Luísa Amaral, trad. Livia Apa, Manni Editori, Milão, 2010
Voci, trad. Chiara diLucca, Kolibris Edizioni, Ferrara, 2018
What's in a Name e altri versi, trad. Livia Apa, Crocetti Editore, Milano, 2019
México Oscuro, Universidad Autónoma de Nuevo Léon, Monterrey, trad. Blanca Luz Pulido, 2017
Reino UnidoThe Art of Being a Tiger, Oxbow Press, Oxford, trad. Margaret Jull Costa, intr. Paulo de Medeiros, 2016
Suécia Mellan tva floder och andra natter, trad. Ulla Gabrielson, Diadorim, Gotemburgo, 2009
Mitt Klärobskyra, En Antologi Poesi av Ana Luísa Amaral, trad. Ulla Gabrielson, Diadorim, Gotemburgo, 2021 (no prelo)
Venezuela Ana Luisa Amaral, Antología Poética, trad. Nidia Hernandez, Monte Ávila Editores, Caracas, 2012
Hong Kong Nude: a Study in Poignancy, The Chinese University of Hong Kong Press, Hong Kong, 2019
Prémios
Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas, com o livro A génese do amor (2007)
Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi, Mantua, Itália, com o livro A génese do amor (2008)
Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com o livro Entre Dois Rios e Outras Noites (2008)
Prémio Rómulo de Carvalho/António Gedeão, 1ª edição, com o livro Vozes (2012)
Prémio PEN de Narrativa da Associação Portuguesa de Escritores, com o romance Ara (2014)
Medalha de Ouro de Mérito da Câmara Municipal de Matosinhos (2015)
Medalha de Mérito - Grau Ouro da Câmara Municipal do Porto (2016)
Premio Internazionale Fondazione Roma: Ritratti di Poesia (2018)
Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Críticos Literários (2018), com o livro Arder a palavra e outros incêndios (2018)
Prémio Literário Guerra Junqueiro (2020)
Prémio Livro do Ano de Poesia do Grémio de Librerias de Madrid, com o livro What's in a Name (2020)
Prémio Leteo (2020)
Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, com o livro Ágora (2021)
Prémio Virgílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora (2021)
2022: a Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega nomeou Ana Luísa Amaral como Escritora Galega Universal.
NomeaçõesFinalista do Prémio Portugal Telecom, com o livro A génese do amor (2009)
Proposta para o Prémio Reina Sofia (2013)
Finalista do Prémio Portugal Telecom, com o livro Vozes (2014)
Finalista do Prémio Literário Casino da Povoa/Correntes d'Escritas, com o livro Ágora (2021)
Nomeada para o prémio literário em línguas românicas da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (2021)
REFERÊNCIA: in pt.wikipedia.org
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Falecimento e Homenagem
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
sábado, 30 de julho de 2022
Uma espécie de cato: a echinopsis subdenudata dá uma flor linda, mas que só dura 24 horas!
| echinopsis subdenudata |
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| echinopsis subdenudata em flor |
Tenho este cato em minha casa e tem dado flor mais do que uma vez por ano.
Tratando dele todo o ano, aprendi com essa experiência, que é um cato pequeno, que dá uma flor enorme, branca, de uma beleza extraordinária, mas que, infelizmente, "morre" ao fim de 24 horas...
O meu cato hoje voltou a dar flor, mas logo à noite, quando regressar a casa, já sei que a vou encontrar completamente murcha, caída, sem vida...
São as curiosidades da natureza, com quem aprendemos muito.
Pesquisando na Wikipedia, sobre o referido cato, encontrei:
Echinopsis spachiana
Género: Echinopsis
Echinopsis eyriesii
REFERÊNCIA: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
in https://pt.wikipedia.org/wiki/Echinopsis
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quarta-feira, 27 de julho de 2022
A origem do surto de COVID já está determinada
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| in dw.com |
Uma equipa internacional de investigadores determinou que a origem do surto de Covid-19 é o mercado de peixe assim como a vida selvagem de Wuhan, na China. As descobertas, publicadas na revista "SCIENCE", mostram que, em pelo menos dois casos, o vírus foi transmitido de animais para seres humanos presentes no mercado.
Os autores do estudo também explicaram porque é que, das centenas de pessoas hospitalizadas em Wuhan com Covid-19, apenas cerca de 50 tinham uma ligação direta e rastreável ao mercado. Adiantaram que muitas tiveram apenas sintomas ligeiros, continuando a circular livremente em Wuhan espalhando o vírus e que foi dificil interligar os casos mais graves com o mercado.
De acordo com os investigadores, estas descobertas negam a suspeita que o vírus tenha tido origem num laboratório. Os animais portadores do vírus incluem morcegos, raposas e outros mamíferos vivos, vendidos para consumo pela carne ou pelo.
A Organização Mundial da Saúde estima que houve mais de 566 milhões de casos confirmados de COVID em todo o mundo e 6,3 milhões de mortes desde a declaração da pandemia no início de 2020.
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segunda-feira, 25 de julho de 2022
domingo, 24 de julho de 2022
Dia dos avós em 2022: é celebrado no domingo dia 24 de julho
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| in twinkl.pt |
O Dia dos Avós é comemorado anualmente em 26 de julho, Dia de São Joaquim e Santa Ana, os avós de Jesus.
... (...)... Sua origem é portuguesa e tem como objetivo homenagear e agradecer toda a consideração e carinho dos avós com os seus netos.
Em 2021 foi comemorado o 1.º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Essa data foi instituída pelo Papa Francisco e deverá ser comemorada todos os anos próximo do dia 26 de julho. O 2.º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, em 24 de julho de 2022, tem como tema "Dão fruto mesmo na velhice".
Você sabe como surgiu a data para homenagear os avós?
O Dia Mundial dos Avós é celebrado em 26 de julho, porque esse é o Dia de Santa Ana e de São Joaquim.
São Joaquim e Santa Ana eram os pais da Virgem Maria. Portanto, eles eram os avós de Jesus Cristo, que por esse motivo são considerados pela Igreja Católica os padroeiros de todos os avós.
Mas antes da Dona Aninhas, o dia 26 de julho era uma data dedicada apenas aos santos, sem destacar a homenagem aos avós.
Dona Aninhas, cujo nome era Ana Elisa Couto (1926-2007), foi uma senhora portuguesa que tinha 6 netos. Durante quase 20 anos reivindicou a instituição de uma data comemorativa para os avós.
Em Portugal, a data foi instituída pela Assembleia da República em 2003.
...(...)...
REFERÊNCIA: in calendarr.com
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terça-feira, 19 de julho de 2022
Carlos Matos Gomes: "A Ucrânia não é reconstruível"
Com a devida vénia, tomo a liberdade de transcrever neste meu post um artigo que me enviaram ("um artigo partilhado"), sobre um tema tão atual como o é a invasão da Ucrânia pela Rússia.
“A Ucrânia não é reconstruível!” | Carlos Matos Gomes entrevistado por Humberto Costa
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O Coronel Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril e fundador do Movimento dos Capitães, fala do conflito da Ucrânia, de como e de quem o alimenta e porquê, do cenário que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: “Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…”
Este conflito era evitável?
Este conflito apenas não foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e até agora característico de uma guerra convencional, resulta da análise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estratégicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar potências concorrentes, no caso a Rússia e a China.
Porquê a Ucrânia?
A Ucrânia é apenas o palco mais adequado ao conflito que opõe os EUA à Rússia e à China, uma barriga de aluguer. Aliás, o objetivo declarado dos EUA é o enfraquecimento da Rússia e a conclusão da cimeira da NATO de Madrid foi que a China é uma ameaça aos valores do “Ocidente”, aqui representado pela NATO, a aliança militar dos países de capitalismo avançado.
No plano militar qual é o ponto da situação?
No plano militar, depois de uma ação inicial de ameaça direta ao poder ucraniano – aproximação a Kiev – as forças russas alteraram o conceito de manobra e estão a executar um avanço lento e seguro, com táticas tradicionais de grande apoio de artilharia para amolecer defesas, cerco de pontos importantes, corte de vias de comunicação para dificultar o reabastecimento inimigo. As forças ucranianas tinham uma forte organização do terreno no Leste e conseguiram dificultar o avanço russo. Julgo que a Rússia, em termos militares, pretenderá dominar a fronteira Leste (Donbass), os portos do Mar Negro. Julgo que tem agora maiores hipóteses de sucesso, dado o esgotamento da capacidade de mobilização de cidadãos ucranianos, de dificuldades logísticas – reabastecimento de armas e munições – e da ausência de apoio aéreo, que os drones não substituem.
É possível parar o conflito?
Ele parará. Não há guerras eternas. Ele parará quando um dos contendores se der por satisfeito e o outro salvar a face. O custo da guerra para a Rússia é muito elevado em baixas e destruição de material, o que exige ao poder político do Kremlin que apresente uma vitória que justifique o custo. Do lado americano – e os americanos não costumam atender aos interesses dos seus aliados e vassalos, no caso a UE, ou o governo de Zelenski (veja-se o abandono dos aliados afegãos) – a administração Biden está interessada neste confronto em tempo de eleições. Também necessita de um bode expiatório para justificar as quedas das bolsas de valores (Wall Street) e o aumento do custo de vida.
Há uma solução militar?
Não haverá solução para esta guerra, no sentido tradicional, de um acordo de paz e de uma definição de vencedores e vencidos. Esta guerra provocará, já provocou, uma alteração radical no equilíbrio dos poderes mundiais. Esta guerra – tão perto de nós e por isso tão mediatizada – é apenas mais uma guerra no grande confronto planetário que irá marcar este século. Já agora, as sanções económicas e as ações diplomáticas comprovaram mais uma vez que os canhões são a última expressão da vontade do soberano, ou a versão maoista que o poder está na ponta das espingardas. Será o desequilíbrio de forças num determinado momento que irá ditar um fim das ações militares e o início da solução política, que pode ser uma não solução, isto é, um Estado de soberania disputada, ou de um Estado falhado.
O envio de material de guerra do Ocidente não está a adiar uma solução negociada?
O envio de material de guerra do Ocidente é, no fundo, uma operação dos governos ocidentais, dos Estados Unidos e da Inglaterra, em especial, de salvar a face. Depois de terem criado um regime vassalo, de prometerem aos seus homens de mão (Zelenski) a entrada na UE e na NATO, a troco da autorização de estacionamento de bases (uma ação marcada pelos acontecimentos da Praça Maidan e da conspiração da antiga embaixadora dos EUA em Kiev, Vitoria Nuland, atual subsecretária de Estado para os assuntos europeus, e do apoio ao grupo de oligarcas representado por Zelenski) os Estados Unidos e os seus complacentes aliados europeus não podiam fazer menos do que enviar armas para os ucranianos se baterem pela ilusão que lhes foi “vendida” de ingressarem no paraíso da União Europeia. Julgo ainda que as “conferências” internacionais para estudar a reconstrução da Ucrânia, quando não há previsão do fim da guerra, nem o que será a Ucrânia, são um lamentável embuste dos políticos ocidentais ao povo ucraniano, aos que morrem e sofrem. Zelenski presta-se a esse espetáculo de farsa de previsão de obras, pontes, viadutos, caminhos de ferro, hospitais, escolas, e até creches, nesta alínea por conta do governo português! A Ucrânia não é reconstruível!
Quem beneficia com isso?
Neste caso julgo que, no imediato, os beneficiários da guerra serão os acionistas dos complexos militares-industriais, a médio longo prazo, os beneficiados serão os Estados agregados sob a designação genérica de BRICS (Brasil, Rússia, India, China, a que se juntarão a África do Sul, a Argentina, porventura o México) – este grupo poderá criar uma moeda internacional alternativa ao dólar, poderá desenvolver políticas articuladas de comércio de matérias-primas essenciais, petróleo, gás, terras raras, de exploração espacial, de novas redes de comunicação fora do monopólio americano. É perigoso e errado fazer análise considerando o Ocidente o centro do mundo. O Ocidente representa apenas cerca de 15% da população.
António Guterres afirmou que o Mundo enfrenta uma nova Guerra-Fria “com uma tonalidade Nuclear”. Um conflito nuclear é um cenário possível? Alguém o está a evitar?
O nuclear está inventado, existe, está disponível nos arsenais, portanto não pode ser descartada a sua utilização. Julgo, no entanto, que o que está em jogo na Ucrânia, quer para os Estados Unidos: a criação de um estado sentinela junto à fronteira russa (um pouco à semelhança de Israel para o Médio Oriente); quer o que está em jogo para a Rússia: manter um vizinho dentro das suas normas de comportamento e respeito, não justificam a utilização de armas nucleares, de subir a esse patamar. Acredito, contudo, que uma improvável escalada na guerra, com o fornecimento massivo de armas de grande poder de destruição à Ucrânia, ou a criação de uma Força Aérea moderna, apenas nominalmente ucraniana, poderiam ser o detonador de uma guerra nuclear.
No plano económico a estratégica da Nato e da União Europeia parece ter pouco significado na economia russa, o rublo está mais forte. O que isto pode significar para a Europa?
Essa é a grande questão. A Europa viveu desde a II Guerra Mundial de energia barata, vinda de fontes diversificadas. A globalização, com a entrada da China no mercado mundial, exigiu da Europa melhorias de produtividade (robotização) e energia barata (gás russo) para os seus produtos serem competitivos. O fim da energia barata e o fecho de um mercado como o russo, mais o aumento de despesas militares imposto pelos EUA vão “secar” a base de financiamento do Estado-social. O fim deste tipo de Estado assistencial e garante de direitos do trabalho provocará graves alterações de ordem e profundas modificações nos sistemas políticos. No limite, esta guerra por procuração em que a Europa se envolveu poderá destruir o Estado-social e o Estado liberal democrático! O Estado do contrato social defendido por Rosseau, por exemplo.
O PR português, em consonância com Soltenberg e Biden, alertam para as dificuldades sociais que se avizinham; Marcelo disse que o “essencial é a não desmobilização em face dos custos económicos financeiros e sociais”. O que é que esta guerra nos prepara?
Esta guerra prepara-nos um futuro de maior incerteza, logo de maior tensão social e política, prepara a emergência dos populismos e dos correspondentes demagogos. Quer Stoltenberg, quer o seu patrão Biden são populistas e conhecem o cenário em que os cidadãos dos Estados Unidos e da Europa vão viver e utilizaram os mais poderosos e insidiosos instrumentos de manipulação da opinião pública – veja-se o guião de todas as grandes estações de televisão, dos jornais, das redes – para apresentarem o poder russo como responsável do mal que aí vem. A técnica é conhecida e recorrente: Em primeiro lugar dando um rosto ao inimigo, no caso Putin (jamais é referido o governo de Moscovo), em segundo lugar diabolizando o inimigo, depois apoucando-o: está doente, de umas vezes de cancro, de outras de males do foro psiquiátrico. Os dirigentes europeus conhecem o cenário de miséria que esta guerra preparou e estão a sacudir a água do capote. Esta guerra prepara-nos para um grande incêndio e os incendiários estão a atirar as culpas para um inimigo que disputa parte da floresta. Nós, os cidadãos europeus, somos a fauna de coelhos, lebres, ratos, cobras e outros bichos que se vê envolvida pelas chamas.
Inflação, subida da taxa de juros, desemprego e o pedido de Lagarde e Centeno para contenção dos salários. Quer dizer que se aproxima mais uma crise como a de 2008?
Julgo que o pós-guerra da Ucrânia será radicalmente distinto da crise de 2008. A crise de 2008 foi uma crise de um sistema, dentro do sistema e foi resolvida sem alterações do essencial do funcionamento do sistema capitalista, com injeção massiva de dinheiro (virtual), uma manobra que foi justificada pela pandemia. No essencial o comando do sistema manteve-se na Reserva Federal Americana e no poder de emitir dólares e estabelecer taxas de juro. O que estamos a assistir é à criação de um sistema alternativo à dolarização em que vivemos desde o final da II GM. Quer isto dizer que todas as variáveis de análise se alteraram. Haverá uma nova moeda de troca, surgirão novos centros de poder e com eles novos valores, novas formas de vida em sociedade. As novas tecnologias também vão acelerar as mudanças e serão fator de crise, como acontece sempre que se alteram os meios de produção: foi assim com a revolução industrial, por exemplo.
A propósito da entrada da Suécia e da Finlândia na NATO, o que é que que a NATO ofereceu à Turquia? o acordo de extradição assinado entre Suécia, Turquia, Finlândia e Turquia não é entregar Curdos à Turquia, a um governo que tem um historial rico de perseguição aos curdos e violação de direitos humanos?
A entrada da Suécia e da Finlândia na NATO tem, para mim, um significado: Os intervenientes neste negócio são atores para quem a moral, a ética, os ditos valores correspondem aos interesses do momento. Significam que o dito “Ocidente” não tem valores, ou que os seus valores são os de qualquer batoteiro de esquina. Parafraseando Nietzsche em Assim Falava Zaratrustra, os dirigentes da NATO, os da Suécia e da Finlândia são gente a quem não se deve estender a mão, mas as garras. É por isso muito difícil não sentir um amargo na boca a ouvir esses dirigentes falarem de liberdade, de democracia, de justiça. Valores que lhes deviam queimar as bocas. Em termos de aumento de potencial da NATO ou de garantias de segurança nada se altera. Os governos dos dois países apenas fingem que agem o que evita as questões sérias colocadas pelos eleitores. A questão curda é exemplar da ausência de valores de todos estes atores que se autodefinem como padrões de democracia, os curdos são párias, moeda de troca, como o são e foram os afegãos, os vietnamitas, os talibans, como serão os ucranianos e os egípcios da irmandade muçulmana, abandonados quando passaram da condição de aliados à de obstáculos aos acordos entre os EUA e os antigos poderes. A questão curda está inscrita nas grandes traições que geraram obras-primas, como foi o caso do drama Júlio César de Shakespeare. Eles são os traídos, os sacrificados.
E Portugal não está a ser cúmplice?
Portugal é, desde a fundação, um pequeno Estado vassalo. Os vassalos não são cúmplices, prestam vassalagem e seguem os seus senhores. Portugal, o governo português, poderia, isso sim, não ser ridículo. Assumir a sua insignificância e manter-se discreto. Um outro ponto que esta guerra levanta é o desprezo dos governantes de sistemas políticos democráticos pelos seus cidadãos e pelos eleitores. A Europa, União Europeia e Reino Unido, foi envolvida numa guerra sem que os europeus e os britânicos tenham sido ouvidos, como se este envolvimento fosse uma vulgar ação de administração do condomínio europeu. Este desprezo terá uma resposta dos eleitores quando sentirem na pele as consequências de decisões a que são alheios. Os eleitores, e bem, punirão quem lhes causou sofrimento e, por muito que os meios de manipulação se esforcem, os cidadãos e eleitores europeus não irão pedir contas a Putin, mas aos que elegeram e não foram capazes (ou não quiseram) de prevenir uma situação com pesadas consequências, nem sequer os ouviram.
O petróleo mais caro é uma inevitabilidade?
O preço das matérias-primas nada tem a ver com os custos de produção. Tem a ver com especulação. Os tempos de guerra são os tempos dos abutres. Haverá especulação no petróleo, como houve logo na semana a seguir à invasão com produtos hortícolas produzidos em estufas no Algarve ou na zona do Oeste. Estamos à mercê dos especuladores.
A negociação ainda é possível?
Não há guerras eternas. A mais longa que se conhece, a dos romanos contra os persas durou 300 anos e terminou com a derrota dos dois impérios. Haverá com certeza negociações sobre o que quer a administração da Rússia, quer a administração dos Estados Unidos considerem ser uma vitória e apresentá-la como tal aos seus públicos. Um indicador de que as exigências de ambas as partes não são de “tudo ou nada” é a relativa imunidade de que goza administração da Ucrânia em Kiev. O que pode significar que existe um entendimento de a Ucrânia continuar a ser um Estado reconhecido pela Rússia. A partir daí, manda quem pode…
Que mundo se pode prever no pós-guerra?
Em princípio um mundo multipolar. Um mundo com dois ou mais centros de poder, no mínimo um no Atlântico, e outro no Pacífico, talvez um no Índico. Um mundo com várias moedas de troca internacional, um mundo com ainda menos apoio dos Estados aos cidadãos, um mundo de conflitos regionais, um mundo menos preocupado com questões ambientais e com direitos humanos. Uma Europa ainda menos importante e mais dependente de uma única fonte de poder, os Estados Unidos. Um mundo ainda mais desigual, com maior concentração da riqueza. Um mundo sem utopias, nem esperança, por isso mais agressivo e agreste.
Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…
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