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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Instalou-se uma "barulheira infernal" no nosso país...




(Mª de Fátima Bonifácio)
imagem in: www.publico.pt
Gosto muito de ler os artigos de opinião escritos por Maria de Fátima Bonifácio, do jornal OBSERVADOR, por achar que apresenta os seus textos com muita simplicidade, clareza e objetividade, indo direta ao tema!

No meio desta "embrulhada política" que se gerou no nosso país, às vezes são tantas as opiniões que se ouvem na rua e ainda as dos meios de comunicação social (principalmente as dos comentadores televisivos), que, a páginas tantas,  um pessoa perde-se completamente, por achar que quase todas são válidas...

"Qual das interpretações será a mais verdadeira"? "O que originou realmente tudo isto?" ou: "Qual é a verdadeira intenção do partido X, Y ou Z?" são as nossas interrogações no meio do "caos" que se instalou politicamente em Portugal... Vamos procurando ajuda lendo o que os jornalistas escrevem, e talvez  possamos compreender melhor o que se passa à nossa volta.

Escolhi hoje o artigo "Tanta hipocrisia" da Maria de Fátima Bonifácio, extraído do jornal OBSERVADOR e com a data de 31.10.2015. Entendi por bem partilhá-lo neste espaço e espero que nos esclareça um pouco mais em relação a todo este "imbróglio".

"O famoso “acordo” ainda está em laboratório. Quanto mais o tempo passa, mais Costa é obrigado a ceder. O PCP há-de espremê-lo até à última das concessões. Tremendismo?! A ver vamos. 

Confesso que deixei de acompanhar com pormenor o sórdido enredo da política nacional, criado por António Costa com o único e exclusivo propósito de chegar a primeiro-ministro e, deste modo, salvar a pele e manter-se à frente do PS. Uma vez desencadeado, Bloco e PC são os Judas em cujas mãos depositou o futuro próprio, e, o que lhe importa muito menos, o do partido. Costa odeia o Bloco, o Bloco odeia o PC, e o PC odeia e despreza ambos. O Bloco espera “pasokisar” o PS, o PCP espera destruí-lo. Mas lá vai Costa, cantando e rindo. 


No meio da barulheira infernal que se instalou, a que me tenho poupado o mais possível, chegou-me todavia o coro de lamentações e indignações levantado contra o discurso do Presidente da República de 22 de Outubro. Discurso alegadamente vingativo e “divisionista” (um termo caro ao PC), um discurso que perpetrara a suprema heresia de excluir do sistema político a sua componente comunista e bloquista. Sobre esta falácia, Francisco Assis já disse tudo no seu artigo de há dias, no «Público»; e na imprensa, houve jornalistas profissionais que explicaram, pacientemente, a Constituição: esta prevê dois momentos em que o PR detém poderes discricionários: a dissolução do Parlamento, a indigitação do primeiro-ministro. 


Mas há muito mais que justifica plenamente as palavras firmes e claras de Cavaco Silva, aliás hoje reiteradas na cerimónia da posse do segundo governo de Passos Coelho. Palavras claras, um género caído em desuso num país político que adoptou o eufemismo como língua franca de todas as facções, de que a verdade e a sinceridade foram banidas para dar lugar à ambiguidade como norma e como método: a cada momento, ela permite reinterpretar o que chegou a ser dito, mas já não interessa que continue a ser dito. Ou seja, a ambiguidade, a expressão equívoca, são os instrumentos privilegiados de uma política radicalmente oportunista, que só aos poucos, e mesmo assim ainda ambiguamente, confessa os seus fins. O Partido Socialista, enquanto grande partido democrático e definidor da fronteira da liberdade, está podre, enfermo de doença grave e com toda a probabilidade letal. É uma questão de tempo. A menos que arrepie caminho – se for a tempo. 


Cavaco Silva, em 22 de Outubro como ainda hoje, falou claro e disse o suficiente. Os visados, ou, num plebeísmo, os que enfiaram a carapuça, com excepção de verdadeiros ingénuos, que os há, fingiram-se ofendidos, indignados, aviltados e sei lá que mais – tanta hipocrisia ! 


O Presidente limitou-se a tirar as consequências de uma lição que todos aprendemos na instrução primária: é impossível somar pêras com laranjas e tangerinas. Pêras, laranjas e tangerinas são entidades heterogéneas, irredutivelmente distintas entre si. As pêras são o PS, as laranjas são o PC, e as tangerinas são o Bloco, umas tangerinas que brotaram de um originário tronco comum – o marxismo-leninismo – mas que continham, e contêm, um aditivo trotskista que as diferencia do vetusto tronco incontaminado da ortodoxia. Estaline liquidou o trotskismo: o próprio Trotski, já refugiado no México, foi aqui mandado assassinar por Estaline a golpes de picareta na cabeça. Depois desta “guerra civil”, na realidade e em essência mais propriamente um conflito de natureza específica que atravessa e dilacera uma família e respectiva parentela, apartando-a em grupos irremissivelmente inimigos e antagónicos, ninguém se reconcilia. Daqui nasce o ódio entre o PC e o Bloco, que têm velhíssimas contas a ajustar e cuja competição não tardará a derrubar Costa, se este vier a ser empossado primeiro-ministro. (Santana Lopes, no CM de hoje, deixa uma dúvida a pairar.) 


O PS – as pêras – não abdicou expressamente, até ao momento em que escrevo, da sua natureza democrática, atlantista e europeísta, nem proclamou que rejeitava as obrigações decorrentes da nossa pertença à Europa e ao Euro, vertidas em vários documentos com diversos estatutos jurídicos, mas todos eles solenes e vinculativos. Todos eles têm a assinatura do Partido Socialista Português e comprometem, obrigam Portugal. 


O Bloco defende a preparação do exit português do euro, possivelmente da Europa, mas, de momento, coloca essas insuperáveis divergências entre parêntesis e fecha-os olhos como se não existissem e fosse possível abstrair delas. Porém, Jerónimo de Sousa, ontem à noite na SIC foi taxativo: essas “diferenças” existem e não desaparecem só porque fingimos que não vemos e não ouvimos – “estão lá”. O PS finge; o Bloco finge; mas o PC não finge e pelo contrário recorda-as e sublinha-as. As pêras, as laranjas e as tangerinas não se podem somar. Ou seja, os deputados podem-se somar – mas aquilo que representam não pode. Logo e por consequência, a soma aritmética de deputados não corresponde a nenhuma maioria política com um mínimo – um mínimo – de homogeneidade. Os deputados continuarão ser os deputados do PC, os deputados do Bloco, os deputados do PS, três partidos incompatíveis e que “não se somam”. Não há volta a dar-lhe. 


Esta semana Jerónimo repetiu pela enésima vez o programa verdadeiro do PCP, para além das exigências imediatas e pontuais de aumento dos salários, reposição das pensões, revisão das leis laborais, reforço da Intersindical e da contratação colectiva. Nos dois últimos casos não chamou as coisas pelos nomes e nem era preciso: toda a gente sabe ao que se referia. 


Mas, como relembrou Jerónimo, o programa do PC transcende imensamente estas reivindicações de conjuntura. Resume-se em três palavras: autarquia (auto-suficiência) para Portugal; até mesmo numa: isolacionisnmo. Salazar diria: “orgulhosamente sós”. O PC diz: sós, orgulhosos e pobres, soberanos ! Como ? Saindo da Europa e do Euro, voltando ao escudo, nacionalizando, quer dizer, expropriando os bancos, os seguros, as empresas ditas estratégicas e as telecomunicações. Depois de tudo descapitalizado e de bancarrota ou inflacção venezuelana – soberanos, o escudo pode ser desvalorizado à vontade – Portugal recairia na ancestral miséria, igual ou maior ainda, de que já começara a erguer-se nos últimos anos do salazarismo e no marcelismo. 


As telecomunicações, claro: um programa destes exige censura, a liquidação da imprensa e das televisões privadas e livres, e uma polícia política. Nunca em lado nenhum o “socialismo real” (e não há outro) dispensou estes instrumentos.  


O Presidente da República sabe isto e muito mais. Sabe o que qualquer português letrado e maior de idade sabe ou deveria saber. Infelizmente, a clamorosa ignorância histórica e política de alguns dos nossos mais jovens opinadores, mesmo de colunistas estupendos, leva-os a pensar que a história do Mundo começou depois da queda do muro de Berlim, e que a história de Portugal começou depois do fim do PREC, lá para finais dos anos setenta do século XX. Acontece que, do ponto de vista que agora nos interessa, a história começou, para Portugal e para o Mundo, em 1917, ano da revolução bolchevique na Rússia. 


O famoso “acordo” ainda está em laboratório. Quanto mais o tempo passa, mais Costa é obrigado a ceder. O PCP há-de espremê-lo até à última das concessões, para que o desesperado aspirante a primeiro-ministro mais rapidamente dê cabo de Portugal. 


Tremendismo?! A ver vamos."


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Frases aqui e ali que nos esclarecem sobre o estado do nosso país...

www.tvi24.iol.pt
Maria Luís Albuquerque:..."que quem antes [o PS] não pensou nos números, deixou as pessoas a sofrer as consequências."..."Ainda não se disse o suficiente das consequências da situação que levou à aplicação das medidas de austeridade." (no distrito do Porto, V Jornadas do PSD para o Crescimento, Consolidação e Coesão) Sábado, nº 562


2.bp.blogspot.com
António Barreto: "Gostaria de ver algumas pessoas presas. Alguns banqueiros, empresários, administradores de empresas, ex-ministros, ex-secretários de Estado, ex-directores-gerais. Toda essa tropa fandanga..." Sociólogo, i


sicnotícias.sapo.pt

Luís Marques Guedes: "A diferença entre a Grécia e Portugal lembra a história da cigarra e da formiga". (em Aveiro) Sábado, nº 562


1.bp.blogspoit.com
Ana Gomes: "Há elementos [no processo dos submarinos] que justificam uma investigação ao património de Paulo Portas" Observador
caras.sapo.pt
Paulo Portas: "A Doutora Ana Gomes voltou às suas obsessões com as quais eu não tenho nada a ver (...). Essa senhora é compulsivamente mentirosa" Paulo Portas TVI24


www.sulinformacao.pt
Paulo Macedo: "Em 2011, o Serviço Nacional de Saúde estava em risco de falência." (em Castelo Branco), Sábado nº 562

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A "confiança" entre Pequim e Lisboa...


António Pires de Lima, Ministro da Economia português, fazendo parte da comitiva que acompanha o nosso Presidente da República, Professor Cavaco Silva, na visita oficial à China, proferiu as seguintes palavras: 

visao.sapo.pt
"Há quatro anos a nossa relação comercial com a China era muito   incipiente.    Hoje, a China é o nosso 10º maior cliente."

Salientou ainda que "a confiança" entre Pequim e Lisboa "é uma base determinante para se poder concretizar negócios numa perspetiva de médio e longo prazo." in jornal METRO, 14 maio 2014

Espero que a confiança mútua entre os dois países seja mesmo uma realidade! Haja fé e esperança...



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Revelação de Manuela Ferreira Leite na TV



imagem obtida em:  www.dn.pt 
"Denúncia, o silêncio e a infâmia
A revelação de Manuela Ferreira Leite, em programa televisivo na 5ª feira à noite, foi seguida por um silêncio quase sepulcral. Nenhum dos jornais que se auto-proclamam como "referência" mencionou o assunto. A excepção honrosa foi o jornal i .

Pela boca da ex-ministra das Finanças e antiga dirigente do PSD ficou-se a saber que: 
1) o governo P.Coelho-P.Portas fez uma reserva oculta de 533 milhões no Orçamento de Estado de 2014; 
2) que tal reserva daria para cobrir folgadamente as consequências do chumbo no Tribunal Constitucional – "ainda sobrariam 200 milhões", disse ela; 
3) que portanto a sanha persecutória do governo contra os reformados, com cortes drásticos nas pensões, não tem qualquer razão de ser; 
4) que desconhece a que se destina o enorme "fundo de maneio" de

533 milhões à disposição da actual ministra das Finanças – "no meu tempo este fundo era apenas de 150 milhões", disse Ferreira Leite.
Verifica-se assim que a infâmia do governo Coelho-Portas é ainda maior do que se pensava.
Há recursos orçamentais vultosos que são sonegados, reservados a finalidades desconhecidas do público. E, apesar disso, o governo pratica uma nova e brutal punição sobre os magros rendimentos dos pensionistas.



BLOGUE DE ANTÓNIO ABREU - PONTOS DE VISTA DE ESQUERDA,COM A PREOCUPAÇÃO DE TORNAR MELHOR A VIDA DO SER HUMANO E DE CONTRIBUIR PARA ESSE COMBATE, ABERTOS ÀS OPINIÕES DE QUEM NOS QUEIRA VISITAR
SEGUNDA-FEIRA, 20 DE JANEIRO DE 2014"

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cortes retroativos nas pensões proibidos na Alemanha

Alemanha. Cortes retroactivos nas pensões proibidos

Por Margarida Bon de Sousa - 

publicado em 17 Dez 2013


Tribunal constitucional alemão considera que as reformas são um direito dos trabalhadores idêntico à detenção de uma propriedade privada, cujo valor não pode ser alterado
Tribunal Europeu dos Direitos do Homem segue a mesma linha.
O Tribunal Constitucional alemão equiparou as pensões à propriedade, pelos que os governos não podem alterá-las retroactivamente. 
A Constituição alemã, aprovada em 1949, não tem qualquer referência aos direitos sociais, pelo que os juízes acabaram por integrá-los na figura jurídica do direito à propriedade. 
A tese alemã considera que o direito à pensão e ao seu montante são idênticos a uma propriedade privada que foi construída ao longo dos anos pela entrega ao Estado de valores que depois têm direito a receber quando se reformam.
Como tal, não se trata de um subsídio nem de uma benesse, e se o Estado quiser reduzir ou eliminar este direito está a restringir o direito à propriedade. Este entendimento acabou por ser acolhido pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Referência: 




Jornal i 9 de janeiro de 2014

domingo, 24 de novembro de 2013

Finalmente...uma decisão do Presidente Cavaco Silva que agrada aos partidos de esquerda e sindicatos...!!!

23 Novembro 2013, 16:15 por Jornal de Negócios com Lusa
PS, PCP, BE, CGTP e UGT convictos que a convergência de pensões é inconstitucional e que por isso o Presidente da República não tinha outra opção.
O líder parlamentar socialista defendeu hoje que Cavaco Silva cumpriu com o seu "dever institucional" ao enviar a convergência de pensões para o Tribunal Constitucional, sublinhando que os socialistas já tinham assumido que enviariam para fiscalização sucessiva.

"Esta lei de corte retroativo nas pensões estava condenada a ser enviada para o Tribunal Constitucional", afirmou à Lusa o presidente da bancada parlamentar do PS, Alberto Martins.

O líder parlamentar socialista sublinhou que "o secretário-geral do Partido Socialista tinha assumido" que enviaria o diploma para o Tribunal Constitucional através do mecanismo de fiscalização sucessiva.

"Para além da inconstitucionalidade, esta lei é injusta e imoral, ao retirar aos pensionistas uma parte do seu rendimento. O Presidente da República cumpriu com o seu dever institucional", declarou.

PCP: PR cumpriu “pela metade”

O PCP defendeu hoje que o Presidente cumpriu "pela metade" o envio da convergência das pensões para o Tribunal Constitucional, argumentando que há outras normas que suscitam dúvidas constitucionais que os comunistas não descartam submeter a fiscalização sucessiva.

"Consideramos que era incompreensível e inaceitável que o Presidente da República não fizesse o pedido de fiscalização. O Presidente da República faz esse pedido de forma limitada, não considerando todas as questões que suscitam dúvidas de constitucionalidade, e dando cobertura à política do Governo de penalização dos reformados", afirmou à Lusa o líder parlamentar comunista.

BE: Cavaco fez "o que devia ter sido feito"

O BE defendeu hoje que o Presidente da República fez "o que devia ter sido feito" ao enviar a convergência de pensões para o Tribunal Constitucional, considerando que as "questões essenciais" de constitucionalidade estão contempladas.

"O Bloco acha que o Presidente da República fez o que devia ter sido feito, como é óbvio. O seu pedido baseia-se na leitura que o Bloco de Esquerda fazia", afirmou à Lusa a deputada bloquista Mariana Aiveca.

Mariana Aiveca reconheceu que um pedido de fiscalização sucessiva feito pelo BE "contemplaria muitas outras alíneas, como a da negociação coletiva e do respeito pela negociação suplementar", mas considerou que as "questões essenciais" foram contempladas.

"As principais dúvidas são relativas ao princípio da confiança, ao rompimento de um contrato que é realizado e à matéria da retroatividade", disse.

UGT recebe decisão com “grande satisfação”

O líder da UGT registou com "agrado" o pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade do regime de convergência de pensões entre o setor público e privado solicitado hoje pelo Presidente da República.

"É grande a satisfação e grande expectativa, porque vem ao encontro das preocupações e na defesa dos legítimos interesses e direitos de centenas de milhares de homens e mulheres deste país que seriam violentados, penalizadíssimos nos seus rendimentos ao fim do mês caso este diploma não fosse fiscalizado preventivamente ou não tivesse o crivo do Tribunal Constitucional", disse Carlos Silva, em Coimbra.

"Quero dizer que, em nome da UGT, registamos com satisfação que a competência do Presidente da República foi hoje a favor dos portugueses e dos trabalhadores, mas de uma forma particular dos pensionistas, sobretudo os da Caixa Geral de Aposentações", sublinhou Carlos Silva.

CGTP: PR teve a atitude "adequada"

O secretário-geral da CGTP disse hoje que o pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade do regime de convergência de pensões entre o setor público e privado solicitado pelo Presidente da República é a atitude "adequada".

Segundo Arménio Carlos, que falava aos jornalistas à margem do oitavo congresso da Federação Nacional de Médicos, que decorre hoje e domingo em Coimbra, a decisão de Cavaco Silva é uma "atitude aceitável, adequada à realidade e tomada no tempo oportuno".

"Pensamos mesmo que é um sinal que deve ser seguido no que respeita ao Orçamento de Estado, pois não podemos repetir as situações que se verificaram nos últimos dois anos e o senhor Presidente da República é a única instituição que pode recorrer à fiscalização preventiva do Orçamento", frisou o líder sindical.

O Presidente da República requereu hoje a fiscalização preventiva da constitucionalidade do regime de convergência de pensões entre o setor público e privado, que reduz cerca de 10% pensões superiores a 600 euros, anunciou a Presidência.

Cavaco Silva pediu ao Tribunal Constitucional que se pronuncie sobre a constitucionalidade das normas que determinam a redução em 10% de pensões em pagamento e das normas que determinam o recálculo do montante de pensões em pagamento, divulgou o Palácio de Belém na sua página na internet.

"O Presidente da República solicitou ao Tribunal Constitucional que verificasse a conformidade destas normas com a Lei Fundamental, designadamente com os princípios da unidade do imposto sobre o rendimento, da capacidade contributiva, da progressividade e da universalidade, e com o princípio de proteção da confiança, quando conjugado com o princípio da proporcionalidade", informa a Presidência.

O diploma do Governo que o Presidente da República enviou agora para o Tribunal Constitucional, e que foi aprovado apenas com os votos da maioria PSD/CDS-PP, define o regime de convergência de pensões entre o setor público e o setor privado e reduz em perto de 10% as pensões de valor superior a 600 euros.

Os cortes nas pensões do Estado, no âmbito da convergência dos regimes da Segurança social e da Caixa Geral de Aposentações, vão variar progressivamente entre os 9,87%, para as pensões obtidas antes de dezembro de 2005, e os 7,87%, para as pensões obtidas este ano.
foto extraída do Jornal de Negócios Online 23 novembro 2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Apelo a que os três partidos se entendam...

  
Entendam-se”, apelam empresários portugueses aos partidos
 
17 Julho 2013, 18:02 por Jornal de Negócios | jng@negocios.pt
 
Alexandre Relvas, Daniel Bessa, Francisco van Zeller e João Talone são alguns dos empresários portugueses que, esta quarta-feira, lançaram um apelo aos partidos do arco da governação. A ausência de um acordo entre PSD, PS e CDS representa um risco “para todos nós”.

Uma semana após Cavaco Silva ter pedido aos três partidos um “compromisso de salvação nacional” – e quatro dias após o início das negociações – 20 empresários portugueses escreveram uma carta dirigida ao PSD, CDS-PP e PS, onde apelam a um entendimento entre as três partes.

“Entendam-se, nos termos que só os próprios determinarão, condicionados, para que o exercício cumpra os objectivos pretendidos, ao acordo das entidades que hoje nos financiam, enquanto não conseguirmos dispor da autonomia que só poderá ser assegurada por um regresso pleno aos mercados financeiros”, pode ler-se no documento assinado por Rui Vilar, Alexandre Relvas, Daniel Bessa, João Talone, Francisco van Zeller, entre outros.

Os 20 empresários recordam que “decorridos mais de dois anos sobre a assinatura do primeiro ‘memorando’, foram conseguidos alguns resultados positivos – nas contas externas -, há objectivos que não foram cumpridos – em matéria de finanças públicas e reformas estruturais” mas as “medidas adoptadas provocaram, como não poderiam deixar de provocar, um rasto de sofrimento, de que o desemprego constitui o exemplo maior”.

Os empresários defendem que não é tempo de “recuar mas de avançar, de forma concertada, cumprindo a nossa parte, enquanto a União Europeia não cumpre, também ela, a sua própria parte no processo de refundação da área do Euro”.

Para os 20 gestores signatários deste apelo, o Presidente da República “colocou-se em linha com os anseios mais profundos manifestados pela população portuguesa” ao apelar a um “compromisso de salvação nacional”. “Sabemos o risco que corre: o de que CDS, PS e PSD não cheguem a acordo, em prejuízo de todos nós. Por isso, só por isso, nos permitimos este apelo: entendam-se”, pedem os empresários.
 
Empresários signatários do apelo aos partidos políticos
Daniel Bessa, Francisco van Zeller, João Bento, João Talone, José Manuel Morais Cabral, Rui Horta e Costa, Alexandre Relvas, António Palha, António Ramalho, Duarte Calheiros, Frederico Lima Mayer, João Melo Franco, João Soares da Silva, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Galvão Teles, Paulo Azevedo P. Silva, Paulo Sande, Rui Vilar, Salvador de Mello e Vasco de Mello. 
(Notícia actualizada às 18h35)
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

António Costa "brilhou" na Quadratura do Círculo (SIC)...

Comentário realista de António Costa num dos programas da Quadratura do Círculo, na SIC, e que passo a transcrever:

 (...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se.

A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. 

E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."



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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Quousque Tandem Abutere Patientia Nostra? Para refletir...

Transcrição de um texto de Rita Veloso no www.queselixeatroika.net

Quousque Tandem Abutere Patientia Nostra?

Quando eu era criança, o meu pai vivia num forte que parecia um castelo.
E isso era normal — normal, quer dizer, era extraordinário! Mais ninguém tinha o pai a viver num castelo, rodeado de mar!
Era normal apanhar o comboio ou a camionete, de madrugada, aos fins de semana, para ir ao castelo visitar o meu pai. Ele enchia-me de prendas (que afinal era a minha mãe que levava), fazia-me desenhos, emoldurava os que eu fazia para ele e eu gostava. Era normal falar com ele através de um vidro com uma rede de metal e só raramente conquistar um colo, amansando com os meus lindos olhos de azul inocente o agente que vigiava a entrada do parlatório.
O meu pai era um preso político, o que queria dizer que não tinha sido preso por roubar bancos ou carros. Quando mais tarde prenderam um primo meu não percebi o alvoroço familiar: estar preso era normal.

Um dia houve uma revolução e eu percebi que afinal normal era as pessoas não estarem presas e os colos serem um direito.
A liberdade tornou-se normal e isso queria dizer que já podia cantar em todo o lado aquilo que dantes só podia cantar em surdina ou em casa. Já não era preciso baixar a voz quando chegava à parte do «ou vai-te embora, pulga fascista».
Nessa altura, toda a gente saía à rua para participar na liberdade; reuniam, planeavam, decidiam, envolvendo-se naquilo que dantes era normal ser decidido por outros.
Passou a ser normal a política ser feita por todos, que todos tivessem os mesmos direitos e que a riqueza de um país fosse usufruída em igualdade; bastava ser-se humano, já não era preciso pertencer a elites. Fez-se uma constituição para garantir que seria assim.
Para nós, crianças, isso significava que o mundo deixaria de ter dois lados, um com «prédios bem altos e mais jardins floridos muita luz e muitas cores», outro com «barracas escuras feitas nem sabe de quê e miúdos a chorar e onde os brinquedos são pedras e a lama são os jardins», como o Zé Pimpão mostrou à Maria-dos-olhos-grandes. Só podia ser normal querer que houvesse apenas um lado do mundo, «com todos do mesmo lado», e que, se não houvesse jardins para todos, se dividissem os canteiros e, se os canteiros não chegassem, uma flor para cada um e, se as flores fossem poucas, haveria pétalas, enfim, cheiro, mas todos teriam igual. Fomos pelo sonho e o mundo tornou-se a nossa casa.

Depois vieram as eleições e afinal não era normal que todos quisessem partilhar as flores ou as enxadas. Não fazia mal, mais tarde ou mais cedo haveriam de perceber que a Maria-dos-olhos-grandes tinha razão.
Mas não. Pouco a pouco, começaram a convencer-nos de que a política se fazia apenas por quem percebia do assunto e o assunto era muito complicado. E as pessoas confiaram. Confiaram que podiam viver as suas vidas e que os partidos em que votavam se encarregavam da política. Para muitos, a política tornou-se uma chatice. A esquerda voltou a ser o bicho papão, que só queria virar o país do avesso, com essas ideias radicais de dividir jardins, canteiros, flores, pétalas, enfim, cheiros, por todos os seres humanos. E o PS e o PSD, com ou sem CDS, passaram a revezar-se no trono, como os únicos partidos que garantiam que o país não se virava do avesso e que quem tinha jardins os podia guardar só para si. E muitos deixaram de votar. Para quê, se já se sabe que eles só se interessam em ajudar os amiguinhos? Para quê, se nada muda?

Mas aos poucos muito ia mudando. De revisão constitucional em revisão constitucional, de lei em lei, de governo em governo, fomos perdendo direitos e ganhando obrigações, fomos passando de senhores a vassalos. As contribuições que fazíamos para garantir que todos vivêssemos com qualidade, em igualdade de direitos, foram-se transformado em rendas a pagar pelo privilégio de existir e viver neste país.
Aos poucos, o Estado tinha sido privatizado e as eleições serviam apenas para definir os accionistas-governo que iriam assegurar a gestão nos quatro anos seguintes. E os accionistas começaram a especular na bolsa com a riqueza que devia ser nossa — que é nossa! E sentiram-se impunes. Aliaram-se aos comparsas internacionais mais poderosos e, avidamente, decidiram estrangular a galinha dos ovos de ouro. Sofregamente, quiseram transformar os vassalos em servos. Em pouco mais de um ano empobreceram milhares para aumentar as fortunas de dezenas, transformaram direitos em favores, a serem usados com parcimónia. Começaram a vender bens públicos aos amigos para pagar as dívidas que contraíam ao jogo nos mercados. Como garantia, os amigos exigiam que nos reduzissem ainda mais os direitos, que tivéssemos de pagar os favores — o favor de estudarmos, de termos assistência na saúde, o favor de existimos. Em coro, asseguram-nos que é tudo normal e que os protestos são coisa de arruaceiros.

A mudança foi tão brutal que um dia olhámos em volta e não reconhecemos o país. O normal tornara-se absurdo. E o absurdo entra-nos em casa diariamente. Há nababos com riquezas pessoais de milhares de milhões de euros enquanto famílias são desalojadas, crianças passam fome, milhares de jovens são obrigados a emigrar e muitos, novos e velhos, ficam sem assistência médica. Perdoam-se distracções na declaração ao fisco de milhões de euros em rendimentos e perseguem-se aqueles que não têm dinheiro para pagar descontos obrigatórios mas injustos, já que não têm vínculos laborais nem rendimentos estáveis para assegurar a própria sobrevivência. Condena-se quem rouba duas latas de comida para animais e enaltece-se quem enriquece, de forma corrupta, à conta do estado.
Nada do que vemos é normal, mas até quando iremos esperar passivamente que tudo se resolva? Quando iremos perceber que temos de resistir e combater o absurdo, saindo à rua e defendendo os nossos direitos?
O que leva um povo massacrado a dizer «basta!»?
Quanto mais tempo passar, mais dolorosa será a nossa luta: a mesa do comércio, ainda posta e já gasta, poderá acabar como jangada para evacuar fugitivos da fogueira incendiada pelos outrora cativos.

Queremos fazer a luta com cravos, mas não deixaremos de a fazer se os cravos não forem eficazes. Os nossos pais não tiveram medo e mostraram-nos que vale a pena.

No dia 2 de Março sairemos à rua gritando «basta!» e exigiremos que nos devolvam o nosso país. Nesse dia, levaremos cravos.


www.queselixeatroika.net
#queselixeatroika #qslt2013

"Quando eu era criança, o meu pai vivia num forte que parecia um castelo.
E isso era normal — normal, quer dizer, era ...extraordinário! Mais ninguém tinha o pai a viver num castelo, rodeado de mar!
Era normal apanhar o comboio ou a camionete, de madrugada, aos fins de semana, para ir ao castelo visitar o meu pai. Ele enchia-me de prendas (que afinal era a minha mãe que levava), fazia-me desenhos, emoldurava os que eu fazia para ele e eu gostava. Era normal falar com ele através de um vidro com uma rede de metal e só raramente conquistar um colo, amansando com os meus lindos olhos de azul inocente o agente que vigiava a entrada do parlatório.
O meu pai era um preso político, o que queria dizer que não tinha sido preso por roubar bancos ou carros. Quando mais tarde prenderam um primo meu não percebi o alvoroço familiar: estar preso era normal.

Um dia houve uma revolução e eu percebi que afinal normal era as pessoas não estarem presas e os colos serem um direito.
A liberdade tornou-se normal e isso queria dizer que já podia cantar em todo o lado aquilo que dantes só podia cantar em surdina ou em casa. Já não era preciso baixar a voz quando chegava à parte do «ou vai-te embora, pulga fascista».
Nessa altura, toda a gente saía à rua para participar na liberdade; reuniam, planeavam, decidiam, envolvendo-se naquilo que dantes era normal ser decidido por outros.
Passou a ser normal a política ser feita por todos, que todos tivessem os mesmos direitos e que a riqueza de um país fosse usufruída em igualdade; bastava ser-se humano, já não era preciso pertencer a elites. Fez-se uma constituição para garantir que seria assim.
Para nós, crianças, isso significava que o mundo deixaria de ter dois lados, um com «prédios bem altos e mais jardins floridos muita luz e muitas cores», outro com «barracas escuras feitas nem sabe de quê e miúdos a chorar e onde os brinquedos são pedras e a lama são os jardins», como o Zé Pimpão mostrou à Maria-dos-olhos-grandes. Só podia ser normal querer que houvesse apenas um lado do mundo, «com todos do mesmo lado», e que, se não houvesse jardins para todos, se dividissem os canteiros e, se os canteiros não chegassem, uma flor para cada um e, se as flores fossem poucas, haveria pétalas, enfim, cheiro, mas todos teriam igual. Fomos pelo sonho e o mundo tornou-se a nossa casa.

Depois vieram as eleições e afinal não era normal que todos quisessem partilhar as flores ou as enxadas. Não fazia mal, mais tarde ou mais cedo haveriam de perceber que a Maria-dos-olhos-grandes tinha razão.
Mas não. Pouco a pouco, começaram a convencer-nos de que a política se fazia apenas por quem percebia do assunto e o assunto era muito complicado. E as pessoas confiaram. Confiaram que podiam viver as suas vidas e que os partidos em que votavam se encarregavam da política. Para muitos, a política tornou-se uma chatice. A esquerda voltou a ser o bicho papão, que só queria virar o país do avesso, com essas ideias radicais de dividir jardins, canteiros, flores, pétalas, enfim, cheiros, por todos os seres humanos. E o PS e o PSD, com ou sem CDS, passaram a revezar-se no trono, como os únicos partidos que garantiam que o país não se virava do avesso e que quem tinha jardins os podia guardar só para si. E muitos deixaram de votar. Para quê, se já se sabe que eles só se interessam em ajudar os amiguinhos? Para quê, se nada muda?

Mas aos poucos muito ia mudando. De revisão constitucional em revisão constitucional, de lei em lei, de governo em governo, fomos perdendo direitos e ganhando obrigações, fomos passando de senhores a vassalos. As contribuições que fazíamos para garantir que todos vivêssemos com qualidade, em igualdade de direitos, foram-se transformado em rendas a pagar pelo privilégio de existir e viver neste país.
Aos poucos, o Estado tinha sido privatizado e as eleições serviam apenas para definir os accionistas-governo que iriam assegurar a gestão nos quatro anos seguintes. E os accionistas começaram a especular na bolsa com a riqueza que devia ser nossa — que é nossa! E sentiram-se impunes. Aliaram-se aos comparsas internacionais mais poderosos e, avidamente, decidiram estrangular a galinha dos ovos de ouro. Sofregamente, quiseram transformar os vassalos em servos. Em pouco mais de um ano empobreceram milhares para aumentar as fortunas de dezenas, transformaram direitos em favores, a serem usados com parcimónia. Começaram a vender bens públicos aos amigos para pagar as dívidas que contraíam ao jogo nos mercados. Como garantia, os amigos exigiam que nos reduzissem ainda mais os direitos, que tivéssemos de pagar os favores — o favor de estudarmos, de termos assistência na saúde, o favor de existimos. Em coro, asseguram-nos que é tudo normal e que os protestos são coisa de arruaceiros.

A mudança foi tão brutal que um dia olhámos em volta e não reconhecemos o país. O normal tornara-se absurdo. E o absurdo entra-nos em casa diariamente. Há nababos com riquezas pessoais de milhares de milhões de euros enquanto famílias são desalojadas, crianças passam fome, milhares de jovens são obrigados a emigrar e muitos, novos e velhos, ficam sem assistência médica. Perdoam-se distracções na declaração ao fisco de milhões de euros em rendimentos e perseguem-se aqueles que não têm dinheiro para pagar descontos obrigatórios mas injustos, já que não têm vínculos laborais nem rendimentos estáveis para assegurar a própria sobrevivência. Condena-se quem rouba duas latas de comida para animais e enaltece-se quem enriquece, de forma corrupta, à conta do estado.
Nada do que vemos é normal, mas até quando iremos esperar passivamente que tudo se resolva? Quando iremos perceber que temos de resistir e combater o absurdo, saindo à rua e defendendo os nossos direitos?
O que leva um povo massacrado a dizer «basta!»?
Quanto mais tempo passar, mais dolorosa será a nossa luta: a mesa do comércio, ainda posta e já gasta, poderá acabar como jangada para evacuar fugitivos da fogueira incendiada pelos outrora cativos.

Queremos fazer a luta com cravos, mas não deixaremos de a fazer se os cravos não forem eficazes. Os nossos pais não tiveram medo e mostraram-nos que vale a pena.

No dia 2 de Março sairemos à rua gritando «basta!» e exigiremos que nos devolvam o nosso país. Nesse dia, levaremos cravos."

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mensagem sobre assunto "Muito Sério E Grave..."

http://sphotos-c.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/534746_3508087640457_1909189457_n.jpg 

Sábado, 5 de Janeiro de 2013

MUITO SÉRIO E GRAVE.

É preciso que a mensagem passe, contra os privilégios absurdos de alguns, que se estão nas tintas para a Crise (dos outros)... 

António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados: 
Austeridade e privilégios, no Jornal de Notícias. Excertos:

«[...] O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e — pasme-se — no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar-se nem fazer a sua higiene pessoal.

O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respetivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho. 

Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais.» "A vida corre atrás de nós para nos roubar aquilo que em cada dia temos menos.” 
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

"Matem os Reformados", por Bagão Félix

Aprovado o OE 2013, Portugal arrisca-se a entrar no "Guinness Fiscal"
por força de um muito provavelmente caso único no planeta: a partir de
um certo valor (1350 euros mensais), os pensionistas vão passar a
pagar mais impostos do que outro qualquer tipo de rendimento,
incluindo o de um salário de igual montante! Um atropelo fiscal
inconstitucional, pois que o imposto pessoal é progressivo em função
dos rendimentos do agregado familiar [art.º 104.º da CRP], mas não em
função da situação activa ou inactiva do sujeito passivo e uma
grosseira violação do princípio da igualdade [art.º 13.º da CRP].



Por exemplo, um reformado com uma pensão mensal de 2200 euros pagará
mais 1045 ? de impostos do que se estivesse a trabalhar com igual
salário (já agora, em termos comparativos com 2009, este pensionista
viu aumentado em 90% o montante dos seus impostos e taxas!).
Tudo isto por causa de uma falaciosamente denominada "contribuição
extraordinária de solidariedade" (CES), que começa em 3,5% e pode
chegar aos 50%. Um tributo que incidirá exclusivamente sobre as
pensões. Da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações.
Públicas e privadas. Obrigatórias ou resultantes de poupanças
voluntárias. De base contributiva ou não, tratando-se por igual as que
resultam de muitos e longos descontos e as que, sem esse esforço
contributivo, advêm de bónus ou remunerações indirectas e diferidas.
Nas pensões, o Governo resolveu que tudo o que mexe leva!
Indiscriminadamente. Mesmo - como é o caso - que não esteja previsto
no memorando da troika.



Esta obsessão pelos reformados assume, nalguns casos, situações
grotescas, para não lhes chamar outra coisa. Por exemplo, há poucos
anos, a Segurança Social disponibilizou a oferta dos chamados
"certificados de reforma" que dão origem a pensões complementares
públicas para quem livremente tenha optado por descontar mais 2% ou 4%
do seu salário. Com a CES, o Governo decide fazer incidir mais
impostos sobre esta poupança do que sobre outra qualquer opção de
aforro que as pessoas pudessem fazer com o mesmo valor... Ou seja, o
Estado incentiva a procura de um regime público de capitalização
(sublinho, público) e logo a seguir dá-lhe o golpe mortal. Noutros
casos, trata-se - não há outra maneira de o dizer - de um desvio de
fundos através de uma lei: refiro-me às prestações que resultam de
planos de pensões contributivos em que já estão actuarialmente
assegurados os activos que caucionam as responsabilidades com os
beneficiários. Neste caso, o que se está a tributar é um valor que já
pertence ao beneficiário, embora este o esteja a receber diferidamente
ao longo da sua vida restante. Ora, o que vai acontecer é o desplante
legal de parte desses valores serem transferidos (desviados), através
da dita CES, para a Caixa Geral de Aposentações ou para o Instituto de
Gestão Financeira da S. Social! O curioso é que, nos planos de pensões
com a opção pelo pagamento da totalidade do montante capitalizado em
vez de uma renda ou pensão ao longo do tempo, quem resolveu confiar
recebendo prudente e mensalmente o valor a que tem direito verá a sua
escolha ser penalizada. Um castigo acrescido para quem poupa.
Haverá casos em que a soma de todos os tributos numa cascata sem
decoro (IRS com novos escalões, sobretaxa de 3,5%, taxa adicional de
solidariedade de 2,5% em IRS, contribuição extraordinária de
solidariedade (CES), suspensão de 9/10 de um dos subsídios que começa
gradualmente por ser aplicado a partir de 600 euros de pensão mensal!)
poderá representar uma taxa marginal de impostos de cerca de 80%! Um
cataclismo tributário que só atinge reformados e não rendimentos de
trabalho, de capital ou de outra qualquer natureza! Sendo
confiscatório, é também claramente inconstitucional. Aliás, a própria
CES não é uma contribuição. É pura e simplesmente um imposto.
Chamar-lhe contribuição é um ardil mentiroso. Uma contribuição ou taxa
pressupõe uma contrapartida, tem uma natureza sinalagmática ou
comutativa. Por isso, está ferida de uma outra inconstitucionalidade.
É que o já citado art.º 104.º da CRP diz que o imposto sobre o
rendimento pessoal é único.



Estranhamente, os partidos e as forças sindicais secundarizaram ou
omitiram esta situação de flagrante iniquidade. Por um lado, porque
acham que lhes fica mal defender reformados ou pensionistas desde que
as suas pensões (ainda que contributivas) ultrapassem o limiar da
pobreza. Por outro, porque tem a ver com pessoas que já não fazem
greves, não agitam os media, não têm lobbies organizados.


Pela mesma lógica, quando se fala em redução da despesa pública há uma
concentração da discussão sempre em torno da sustentabilidade do
Estado social (como se tudo o resto fosse auto-sustentável...).
Porque, afinal, os seus beneficiários são os velhos, os desempregados,
os doentes, os pobres, os inválidos, os deficientes... os que não têm
voz nem fazem grandiosas manifestações. E porque aqui não há embaraços
ou condicionantes como há com parcerias público-privadas, escritórios
de advogados, banqueiros, grupos de pressão, estivadores. É fácil ser
corajoso com quem não se pode defender.

Foi lamentável que os deputados da maioria (na qual votei) tenham
deixado passar normas fiscais deste jaez mais próprias de um
socialismo fiscal absoluto e produto de obsessão fundamentalista,
insensibilidade, descontextualização social e estrita visão de curto
prazo do ministro das Finanças. E pena é que também o ministro da
Segurança Social não tenha dito uma palavra sobre tudo isto,
permitindo a consagração de uma medida que prejudica seriamente uma
visão estratégica para o futuro da Segurança Social. Quem vai a partir
de agora acreditar na bondade de regimes complementares ou da
introdução do "plafonamento", depois de ter sido ferida de morte a
confiança como sua base indissociável? Confiança que agora é violada
grosseiramente por ditames fiscais aos ziguezagues sem consistência,
alterando pelo abuso do poder as regras de jogo e defraudando
irreversivelmente expectativas legitimamente construídas com esforço e
renúncia ao consumo.



Depois da abortada tentativa de destruir o contributivismo com o
aumento da TSU em 7%, eis nova tentativa de o fazer por via desta nova
avalanche fiscal. E logo agora, num tempo em que o Governo diz querer
"refundar" o Estado Social, certamente pensando (?) numa cultura
previdencial de partilha de riscos que complemente a protecção
pública. Não há rumo, tudo é medido pela única bitola de mais e mais
impostos de um Estado insaciável.
Há ainda outro efeito colateral que não pode ser ignorado, antes deve
ser prevenido: é que foram oferecidos poderosos argumentos para
"legitimar" a evasão contributiva no financiamento das pensões.
"Afinal, contribuir para quê?", dirão os mais afoitos e atentos.
Este é mais um resultado de uma política de receitas "custe o que
custar" e não de uma política fiscal com pés e cabeça. Um abuso de
poder sobre pessoas quase tratadas como párias e que, na sua larga
maioria, já não têm qualquer possibilidade de reverter a situação. Uma
vergonha imprópria de um Estado de Direito. Um grosseiro conjunto de
inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal
Constitucional.




PS1: Com a antecipação em "cima da hora" da passagem da idade de
aposentação dos 64 para os 65 anos na função pública já em 2013 (até
agora prevista para 2014), o Governo evidencia uma enorme falta de
respeito pela vida das pessoas. Basta imaginar alguém que completa 64
anos em Janeiro do próximo ano e que preparou a sua vida pessoal e
familiar para se aposentar nessa altura. No dia 31 de Dezembro, o
Estado, através do OE, vai dizer-lhe que, afinal, não pode
aposentar-se. Ou melhor, em alguns casos até poderá fazê-lo, só que
com penalização, que é, de facto, o que cinicamente se pretende com a
alteração da lei. Uma esperteza que fica mal a um Governo que se quer
dar ao respeito.



PS2: Noutro ponto, não posso deixar de relevar uma anedota fiscal para
2013: uma larga maioria das famílias da classe média tornadas
fiscalmente ricas pelos novos escalões do IRSnão poderá deduzir um
cêntimo que seja de despesas com saúde (que não escolhem,
evidentemente). Mas, por estimada consideração fiscal, poderão deduzir
uns míseros euros pelo IVA relativo à saúde... dos seus automóveis
pago às oficinas e à saúde... capilar nos cabeleireiros. É
comovente...


In: "PÚBLICO" (28 NOVEMBRO 2012)