quarta-feira, 24 de março de 2010

O caso do Professor que preferiu morrer a ser vítima de bullying




Luís tinha 51 anos e era professor de Música na Escola EB 2/3 de Fitares (Rio de Mouro, Sintra). No dia 09 de Fevereiro último, pegou no seu carro, guiou até à ponte 25 de Abril e dali se atirou ao rio, pondo assim termo à vida.

Este professor era licenciado em Música e em Sociologia. Também foi jornalista, durante algum tempo. Era cronista no Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde chegou a referir os problemas das escolas: "O clima de indisciplina nas escolas está a tornar-se insustentável. E ainda há quem culpe os professores por falta de autoridade. Essas pessoas não fazem a mínima ideia do ambiente que se vive na escola. Aconselho-os a verem o filme A Turma".
 A família e alguns funcionários da escola terão afirmado que Luís era alvo de bullying. Segundo informações veiculadas na comunicação social, o Luís sentia-se muito deprimido, devido à indisciplina por parte de alguns alunos e que tinha de enfrentar no seu dia-a-dia de professor. Sentia-se desesperado e já apelara à Direcção da Escola para que tentasse tomar medidas em relação ao problema.

Uma irmã de Luís terá declarado que o professor "era uma pessoa complicada, frágil e reservada", embora "um professor competente". Nos últimos meses, viu o irmão desesperado, vivendo numa tristeza profunda.

Após a sua morte, foram encontrados indícios de que Luís premeditara a sua morte: "Se o meu destino é sofrer dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim - e não tendo eu outra fonte de rendimento -, a única solução apaziguadora será o suicídio". Sobre isto, não restam dúvidas.

Alguns alunos declararam que se portam mal em todas as aulas, outros lembram com alguma saudade as aulas do professor e também os há que achavam que ele "era estranho". Há o caso de uma aluna que tentava ficar a conversar um pouco com o professor, no fim das aulas. Hoje, sente-se arrependida de não lhe ter prestado mais atenção, pois receava os comentários dos outros.

Palavras para quê? E que  comentários tecer?

Mais um caso lamentável que gerou a perda de mais uma vida humana e que todos choramos. Até que ponto faz sentido alguém querer morrer por causa da violência que os outros exercem sobre si? Vamos permitir que ganhe o mal? Vamos deixar que o problema se agigante?

A sociedade tem de reflectir em todos estes aspectos. Não tenho dúvidas que uma boa  educação de base e uma boa formação moral ajudam em muito... os princípios e os valores têm de estar sempre presentes na educação dos mais jovens... cabe aos pais e às famílias ter esse pensamento sempre presente!

A verdade é que, num curto espaço de tempo, morrem um aluno e um professor, tendo ambos "algo" em comum - o bullying.


(links):
http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/professor-vitima-de-bullying-preferiu-morrer-a-voltar-ao-9%C2%BA-b_1426720

Professores também são vítimas de bullying:
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=1098960834374978645&postID=5206772941130056632



terça-feira, 23 de março de 2010

Patinho Feio...

 






"Patinho Feio " é uma expressão que se utiliza para indicar pessoas que, sendo mal julgadas de início, acabam por mais tarde, se revelar superiores àquelas que pareciam ser-lhes, física ou intelectualmente.

Esta expressão tem origem no conto infantil "O Patinho Feio", de Hans Christian Andersen, romancista e poeta dinamarquês (1805-1875), autor de contos encantadores, cheios de imaginação: era uma vez... uma pata que chocou um ovo de cisne no meio dos da sua ninhada, estranhando o facto de uma das crias nascer diferente das outras.


Os irmãos rejeitavam o "patinho", achavam-no feio, cinzento, desengonçado...



Cansado, fugiu do ninho. Conheceu vários lugares, mas foi sempre mal recebido...




Aguentou o frio do Inverno. Quando chegou a estação da Primavera, o "patinho"  foi reunir-se a um majestoso bando de cisnes.



A verdade é que, ao crescer,  tornou-se o mais belo de todos: era, nem mais nem menos, do que um lindo cisne, muito sereno, a deslizar no lago...



As pessoas que nascem com grande aptidão, virtude ou talento, por muito pouco compreendidas ou maltratadas que sejam, vêm a sair vencedoras de todos os contratempos por que passam.








segunda-feira, 22 de março de 2010

Dizeres...

É interessante conhecer a origem de algumas das expressões mais usadas pelos portugueses nos dias que correm.

Ora então leia, por favor:

Lágrimas de crocodilo: significa "um choro fingido", "falsa tristeza". A expressão tem origem no facto de o crocodilo, ao ingerir um alimento, ter de exercer uma forte pressão contra o céu da boca, contraindo as suas glândulas lacrimais. Isto origina que o crocodilo "chore", enquanto come as suas "vítimas"...

Apetece dizer: "chora" de satisfação, ao saciar-se...o grande fingido...!



"Ir para o maneta": significa "estragar-se", "morrer", "desaparecer". Atribui-se-lhe a  origem aos tempos da invasão francesa a Portugal, existindo um general francês, Loison, que por sinal não tinha um braço, tendo-o perdido numa batalha anterior. Tinha fama de ser um homem terrível no modo como exigia que se torturassem as vítimas, causando também muitas mortes. O povo tratava-o por "o maneta". Quando sentiam que o perigo "estava à espreita" as pessoas alertavam: "Tem cuidado, que ainda vais para o maneta".

Parece que 200 anos depois desta expressão ter "pegado", o malvado Loison "continua bem vivo" na boca dos portugueses...!


   
                                                     



"Resvés Campo de Ourique": significa "à justa", "por um triz". Tem origem no grande terramoto ocorrido em Portugal, a 1 de Novembro de 1755, Dia de Todos os Santos. Esta tragédia  foi seguida de um tsunami brutal, em Lisboa, onde morreram milhares de pessoas. As águas entraram "por Lisboa adentro", chegando muito perto do Campo de Ourique. "Foi resvés".

Daí, usarmos ainda hoje esta expressão...

        
                                      
                                         
                   



domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial Da Poesia

                              Morre lentamente quem não viaja











"Morre lentamente quem não viaja,


Quem não lê,


Quem não ouve música,


Quem destrói o seu amor-próprio,


Quem não se deixa ajudar.



Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,


Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,


Quem não muda as marcas no supermercado,


não arrisca vestir uma cor nova,


não conversa com quem não conhece.

 

Morre lentamente quem evita uma paixão,


Quem prefere o "preto no branco"


E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,


Justamente as que resgatam brilho nos olhos,


Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.




Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,


Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,


Quem não se permite,


Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.




Morre lentamente quem passa os dias queixando-se

da má sorte ou da chuva incessante,


Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,


não perguntando sobre um assunto que desconhece


E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.



Evitemos a morte em doses suaves,

Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior

do que o simples acto de respirar.


Estejamos vivos, então!»

                                    Pablo Neruda





Gustave Flaubert

Gustave Flaubert foi um escritor francês, nascido em França a 12 de Dezembro de 1821, em Rouen, tendo morrido a 8 de Maio de 1880, em Croisset (perto de Rouen).

Oscilando incessantemente entre o romantismo e o realismo, atraído contínuamente por uma imensa necessidade de lirismo e pelo desejo de restituir "quase materialmente" aquilo que vê, Flaubert encontra na busca da perfeição formal do estilo (no trabalho de escrita como dizem os críticos modernos) a sua unidade de artista fascinado pelo verdadeiro e o belo.

Romances: Madame Bovary (1857), Salammbô (1862), L'Éducation sentimentale (1869), Bouvard et Pécuchet (inachevé, 1881).
Dicionário: Dictionnaire des idées reçues (posth.,1911).
Drama, tragédia: Drame Philosophique: La Tentation de Saint-Antoine (trois versions; dernière version, 1874).
Narrativas:  Trois Contes (1877)

Em "Madame Bovary" (foi a sua estreia após ter trabalhado nesta obra cinco anos) adopta uma forte atitude depreciativa sobre os valores burgueses. Emma Bovary trai o seu marido para tentar fugir à vida medíocre que leva.

Este romance é "um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas"; alguns críticos conservadores referiram que Flaubert "ridicularizou a sua própria condição social", pois era filho de um médico rico da província e em adulto viveu de rendas na propriedade rural do pai.

Flaubert intitulava-se de estudioso da estupidez humana; publicava em livros e jornais episódios de burrice, achando que eram mais frequentes na província. Por exemplo, na obra "La Tentation de Saint-Antoine (1874) o tema é a falta de inteligência.

Ainda em relação a "Madame Bovary", Flaubert foi acusado pelo governo francês de ter escrito "uma obra execrável sob o ponto de vista moral". Em 1856, Gustave Flaubert disse: "Madame Bovary sou eu",  durante o julgamento a que teve de se sujeitar e quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem. No entanto, foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris (Fevereiro de 1857).

Quanto à sua obra "L'Éducation  sentimentale" (1869) foi inspirada no namoro que em 1840, em Marselha, viveu com Eulália Foucauld de Langlade. Entre 1849 e 1851, o autor viajou para África; aqui, recolheu, informações para "Salammbô" (1862), sobre a queda de Cartago.

Flaubert era muito exigente em tudo o que dizia respeito à Literatura; conta-se que, certo dia, recebeu um pequeno volume de poesias da parte de um poeta novato, pois este estava interessado na sua opinião; depois de as ler, o escritor criticou-as duramente. O jovem ficou muito ofendido e desafiou Flaubert. Este respondeu-lhe: "Cavalheiro: aceito o desafio, mas como sou eu quem há-de escolher as armas do duelo, comunico-lhe que escolha a gramática francesa. Considere-se morto".

 
Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reacção ao Romantismo europeu no século XIX, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução Industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo).

Em toda a sua obra, Flaubert zelava pelo cuidado na sintaxe, pela escolha do vocabulário e estrutura do enredo.

Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. 

Antes de morrer,  vivia de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine.

Pesquisas efectuadas em:










sábado, 20 de março de 2010

Ao meu querido Pai

Aproveito este espaço para prestar uma homenagem ao meu pai, dedicando-lhe alguns poemas!

  Bucólica

 A vida é feita de nadas:
de grandes serras paradas
à espera de movimento;

                                                                                            
De searas onduladas
pelo vento;







De casas de moradia:
Caídas e com sinais;                                                                         
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

 
De poeira:
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira                      
Como uma mãe que faz a trança à filha.

 in Diário I, de Miguel Torga (1941)

                      



             

                            A Tua mão de Pai

 
A Tua mão de Pai tão poderosa,
A Tua mão de Pai tão masculina,
É mão que com amor tudo domina,
É mão que nos corrige, vigorosa.

A Tua mão de Pai terna e bondosa,
A Tua mão de Pai tão feminina,
É mão que nos ampara, carinhosa,
É a mais branda mão que nos anima.

Quando vem envolver-me a noite escura,
Em Tuas mãos de Pai me refugio
E em total abandono em Ti confio.

Em Tuas mãos de Pai tenho a ventura
De descobrir a Fonte que inebria,
O Amor imensurável que sacia.

                                 
                        Em Ti me abandono


Em Tuas mãos de Pai
me abandono sem temor.
Se cuidas das aves do céu
e dos lírios do campo,
não cuidarás de mim
com mais amor?    
                                               
                                            Poemas

(link) http://carmelofaro.carmelitas.pt/poemas.htm




Recortes de jornais e revistas

A rainha Isabel II de Inglaterra tem na sua posse um álbum com recortes de nótícias saídas em jornais e revistas, com comentários referentes não só à sua pessoa, como também ao resto da família.

A inscrição gravada na capa desse álbum diz assim:

    "Palavras que nunca dissemos. Coisas que nunca fizemos".

    



terça-feira, 16 de março de 2010

Sugestões de Eventos anunciados na zona do Porto



Terça, 16 de Março, às 21h30, pode ver no Cineteatro Constantino Nery, em Matosinhos, Amor Solúvel. O texto foi escrito por Carlos Tê. Trata de paixões analisadas no divã. Encenação de Luísa Pinto e direcção musical de Hélder Silva, dos Clã.

 
 Quarta, 17 de Março, às 21h40, vá ao cinema, no Arrábida Shopping, para os lados de Gaia, e veja o filme O Livro de Eli, de Allen e Albert Hughes, cuja estreia teve lugar quinta-feira da semana passada. O papel de Eli é desempenhado pelo conhecido actor Denzel Washington, que, num mundo destruído, traz a esperança de um futuro melhor. Outros nomes: Gary Oldman e Jennifer Beals.