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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Uma das missões da escola é "ensinar", "educar" e desenvolver o gosto pelo "saber"

in paivense.pt

Encontrei o tópico referido no título do meu post, quando pesquisava um tema para desenvolver, a partir do livro "Palavras que falam por nós", de Pedro Braga Falcão, Clube do Autor, 2014.

Achei muito interessantes todas as explicações das histórias que as palavras contam e fiquei maravilhada com as referências às suas raízes etimológicas.

E é por tudo isso que aqui vou partilhar este texto maravilhoso de se ler e também de se compreender o poder que as palavras comportam.

"Palavras Educadas 

Uma das principais missões da escola é ensinar, verbo que comporta em si a ideia de um signum, palavra latina que deu sinal; insignare é assim "marcar algo com um determinado sinal" - tornar alguém "assinalável", ilustre, capaz de reconhecer os sinais dados; ensinar, neste sentido, é também fazer conhecer por meio de sinais, por indicações.

Afim a ensinar é educar, tarefa que está reservada não só à escola, mas particularmente aos pais, se atentarmos na sua raiz etimológica: educare, composto a partir de ex- (aqui no sentido de "para fora", mas também comporta o de "de forma completa"), e ducere, verbo muito frequente em latim, que quer dizer "conduzir, guiar". Há aqui uma ideia de guiar a criança desde o início. e de forma completa.

A própria etimologia de aluno vai nesse sentido, uma vez que o seu étimo alumnus conhece a sua raiz no verbo alere, "alimentar", e literalmente queria dizer "aquele que é alimentado", e também "órfão", no sentido em que um órfão é alimentado por alguém que não a mãe. Nesta perspectiva, a escola é responsável por alimentar a "alma" dos seus discípulos, enquanto num orfanato a palavra tem um sentido também literal.

Outro aspecto que deve guiar qualquer instituição de ensino é o gosto pelo saber. Este verbo, tal como "estudo" e "escola", revela mais uma vez o carácter metafórico (ou será realista?) das palavras, uma vez que deriva diretamente do verbo latino sapere, que, tal como em português, tem uma primeira acepção de "saborear, tomar o gosto", como na frase 'esta comida sabe-me bem'."

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Pediatras americanos contra castigos dos pais aos filhos

O tema é delicado e suscita sempre alguma polémica em relação aos métodos a adotar.


"A palmada oportuna" deve ser aplicada nas crianças? Não devemos fazê-lo? E como aguentar as suas birras e atitudes só para levarem a sua vontade avante?


Devemos falar com as crianças e explicar-lhes tudo, mas o pior são aqueles momentos em que elas não nos querem ouvir, perpetuando uma birra por tempo indefinido, até ficarem roxas...


Pois é, nada fácil...!!!! 

Ainda temos muito que aprender...


Nem 'palmadas pedagógicas', nem ameaças. Pediatras contra castigos

Em novas orientações sobre castigos físicos, a Academia Americana de Pediatria defende que os pais nunca devem bater nos seus filhos e nunca devem usar insultos que humilhem ou envergonhem as crianças
Os pediatras americanos querem acabar de vez com a "palmada pedagógica". Não bater, esbofetear, ameaçar, insultar, humilhar ou meter medo, estas são as linhas vermelhas traçadas pela Academia Americana de Pediatria na educação de uma criança. Uma atualização de boas práticas que não era feita há 20 anos e que foi publicada esta segunda-feira na revista especializadaPediatrics, onde os pais são incentivados a impor a disciplina de forma saudável, através do reforço positivo ou da imposição de limites.
Robert Serge, pediatra do Tufts Medical Center de Boston e primeiro autor do estudo 'Disciplina efetiva para criar crianças saudáveis', destaca à CNN os avanços na investigação nos últimos 20 anos que "nos levam a dizer com muito mais convicção que os pais nunca devem bater nos seus filhos e nunca devem usar insultos que humilhem ou envergonhem as crianças". Investigações que mostram uma relação direta entre os castigos físicos e comportamentos violentos nas crianças, assim como diminuição da massa cinzenta nos cérebros infantis e sintomas depressivos mais tarde, na adolescência. E no entendimento dos especialistas americanos, a famosa "palmada pedagógica" - "bater com a mão aberta, sem causar ferimento, com o objetivo de modificar o comportamento da criança" - entra claramente na lista dos castigos corporais.
As novas orientações são bastante mais rígidas do que as publicadas em 1998, quando os pais eram aconselhados a desenvolver métodos alternativos à palmada em resposta a um comportamento indesejado. "Esta nova diretiva encoraja os pediatras a discutir com os pais a informação sobre os diferentes modelos disciplinares, para que eles possam tomar as suas decisões sobre como preferem criar os seus filhos", acrescenta Robert Serge.
Uma ideia reforçada ao DN pela pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. "É infantilizante para os pais dizer-lhes o que não podem fazer sem lhes explicar o que provoca essas reações. Os açoites ou a chantagem não são conscientes, mas impulsos face ao incómodo provocado pelas alterações repentinas de humor das crianças. Temos de ajudar os pais a perceber que podem provocar essa situação com atitudes de intolerância".

Mudar de sítio e fazer a criança pensar

Mas como devem, então, os pais lidar com as fitas dos miúdos sem perder a calma? As respostas variam em função da idade. Se estivermos a falar de um bebé com menos de um ano, o melhor é distraí-lo ou mudá-lo de sítio - ou até de assunto - quando as birras chegam. Isto porque é melhor não esperar que crianças tão pequenas comecem logo a interiorizar muitas regras. Quando são mais velhos ou se estão na pré-adolescência, o melhor mesmo é deixá-los a pensar na vida sozinhos e focar numa receita alternativa: valorizar mais o bom comportamento dos miúdos do que os seus achaques.
O melhor é valorizar mais o bom comportamento dos miúdos do que as suas birras.

"É o empoderamento", traduz Ana Vasconcelos, que aconselha os pais a conhecerem-se melhor a si próprios e às suas reações, sem diabolizar os adultos e percebendo a pressão a que estão sujeitos. "Um pai que começa a gritar com o filho não consegue educar no futuro e vai provocar esse descontrolo também criança; um pai que grita e depois vem a mãe pôr água na fervura também é um mau exemplo, porque um desautoriza o outro".
A pedopsiquiatra adianta que há cada vez mais crianças intolerantes ao incómodo, ou seja, que não toleram um 'não. "E não estamos a falar de birras de meninos mimado", realça Ana Vasconcelos, "está provado que há mesmo alterações neurobiológicas no cérebro destes miúdos", indica a especialista, que destaca uma entrevista publicada há um ano a Marinus van IJzendoorn, onde o professor do Centro de Estudos da Criança e da Família (Holanda) define estas crianças mais difíceis "como orquídeas que precisam de cuidados ideais para florescer, mas que murcharão se o jardineiro for desajeitado".

Castigos físicos são permitidos nos EUA

Nessa entrevista, Marinus van IJzendoorn explicava que se as crianças com a variante curta do gene recetor da serotonina - o neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, o sono, apetite ou o ritmo cardíaco - se encontrarem num mau ambiente, desenvolverão mais rapidamente sinais de depressão e de problemas do desenvolvimento comparativamente com crianças que possuam a variante longa deste gene.
Em Portugal, ao contrário dos Estados Unidos da América, os castigos corporais sobre crianças, mesmo em casa, são ilegais há mais de dez anos. A iniciativa internacional para abolir toda violência física sobre as crianças, um movimento apoiado pela Unicef e Unesco, refere no seu site que não existem recomendações em relação ao nosso país nesta área.
Já nos EUA, a lei permite aos pais infligir castigos físicos sobre os seus filhos em casa. Um estudo de 2004 mostrava que dois terços dos pais americanos usavam algum tipo de violência física sobre os filhos, embora uma outra investigação, de 2013, tenha concluído que o número de pessoas a responder que "uma boa e dura palmada é por vezes necessária para disciplinar uma criança" caiu de 84%, em 1984, para 70% em 2012. 
in DN por Pedro Vilela Marques 05.11.2018

terça-feira, 19 de junho de 2018

As greves dos professores nas escolas portuguesas

Esta luta está a durar há muito tempo, os professores e o Ministério da 

Educação não conseguem entender-se. 
António Costa e Tiago Brandão Rodrigues dizem que "não há dinheiro"!
É melhor revermos a situação:
Porque é que os docentes estão em greve? O que diz o Governo? 
E como é que as paralisações podem vir a afetar os alunos?
Quando começa a greve?
Na semana passada cumpriu-se uma das paralisações, que foi convocada pelo 
recém-formado Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P.). 
Docentes em mais de 100 escolas fizeram greve às reuniões de conselhos de 
turma “apesar do clima de intimidação” dos professores, como denunciou na 
altura André Pestana, o dirigente do S.T.O.P.
A partir da próxima semana, este e os outros sindicatos de professores – 
nomeadamente a Federação Nacional de Professores (FENPROF) e a 
Federação Nacional da Educação (FNE) – avançam com novas greves, 
a primeira delas às avaliações que vão estar a decorrer entre 18 e 29 
de junho, embora sem abarcar os exames nacionais marcados para o 
mesmo período.
Se o Governo não ceder às reivindicações, os professores sindicalizados 
prometem avançar com um novo protesto grevista no início do próximo 
ano letivo, depois das férias de verão, a 14 de setembro e na primeira 
semana de outubro.

Porque é que os professores estão em greve?
O caderno de reivindicações é encabeçado por uma exigência: que o 
Ministério da Educação reponha os 9 anos, quatro meses e dois dias de 
tempo de serviço das carreiras dos docentes que estão congelados desde 
2005.
Nesse ano, o Governo de José Sócrates decretou a não-contagem do tempo 
de serviço dos professores entre 30 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 
2006. Em dezembro desse ano, o congelamento foi alargado por mais um ano, 
até 31 de dezembro de 2007.
Nos anos civis de 2008, 2009 e 2010, ainda sob o mesmo Executivo socialista, 
o tempo de serviço foi contabilizado de forma normal.
A 1 de janeiro de 2011, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho ditou novo 
congelamento das carreiras dos professores, uma situação que se manteve em 
vigor em 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016 através de sucessivas Leis do 
Orçamento do Estado.
Os professores criticam a situação de injustiça sofrida pela sua classe face a outras 
cuja progressão nas carreiras tinha sido congelada por causa da crise económica e 
financeira mas que entretanto foi reposta.
Quem aderiu às paralisações?
A greve da semana passada, convocada para o período entre 4 e 15 de junho, foi 
convocada apenas pelo S.T.O.P. Já as paralisações do final deste mês e as que estão 
convocadas para o início do próximo ano letivo envolvem as três estruturas sindicais 
que representam a classe de professores.
Esta semana, e após consultas entre os seus membros, o Sindicato Democrático dos 
Professores da Madeira (SPDM) e o Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) 
decidiram levantar a greve às avaliações dos alunos.
O que diz o Ministério da Educação?
O ministro Tiago Brandão Rodrigues e o primeiro-ministro, António Costa, dizem que 
“não há dinheiro” para repor todos os anos de serviço que os docentes viram 
congelados.
Os sindicatos argumentam que os Ministérios da Educação e das Finanças se tinham 
comprometido com essa reposição total numa declaração de compromisso assinada 
em novembro e acusam o Governo de voltar atrás com a sua palavra. 
Nas últimas reuniões entre Brandão Rodrigues e os sindicatos, o ministro informou 
que só consegue contabilizar uma parte do tempo de serviço congelado para efeitos
de progressão na carreira, num total de dois anos, nove meses e 18 dias de serviço 
congelado.
Face à rejeição dessa proposta, o Ministério retirou-a das negociações. 
Sem ela, disse o ministro no início de junho, “fica tudo como estava”. 
Ou seja: até ver, os professores não irão beneficiar de qualquer reposicionamento 
nas carreiras motivado por esse tempo.
“A partir do momento em que as organizações sindicais não avançaram e não deram 
nenhum passo depois de o Governo ter dado um passo, não existem condições neste 
momento para se proceder a um acordo e irmos para a negociação formal”, sublinhou 
Brandão Rodrigues.
Por causa do braço-de-ferro, o Bloco de Esquerda pediu e o Parlamento aprovou na 
semana passada uma audiência urgente ao ministro da Educação, que ainda está por 
agendar.
O que dizem os pais?
Face à greve às reuniões de avaliações que começaram há uma semana e que abrangem 
os alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos, a Confederação Nacional de Associações de Pais 
junho para acautelar a situação dos alunos que têm exames nacionais. No fundo, exigem 
uma mudança na lei para que esta e futuras greves dos professores não afetem os alunos.
A atual legislação define que basta faltar um professor para impedir a realização dos 
conselhos de turma, o que acaba por adiar as avaliações dos alunos e atrasar todo o 
processo. A Confap diz que entende que as greves às avaliações são “legítimas e 
permitidas” mas teme pelos efeitos das paralisações no percurso educativo dos estudantes, 
sobretudo aqueles que vão a exames nacionais em breve.
“Os pais compreendem a luta dos professores, mas não podem compreender esta forma de 
luta, que prejudica aqueles que trabalham” e que, sublinha o dirigente da Confap, Jorge 
Ascensão, não passam de uma “instrumentalização da educação” pelos sindicatos.
Neste contexto, os pais querem que o Ministério da Educação “emita um despacho 
normativo para garantir as necessárias condições ao cumprimento do calendário escolar”.
(in: rr.sapo.pt 14 junho 2018)



Pedro Sousa Tavares é o autor do seguinte artigo no dn.pt que escolhi
para ajudar a compreender melhor esta situação
"Pedido de serviços mínimos na greve às avaliações"
Governo tenta implementar a medida na segunda fase da greve às reuniões de 
conselho de turma, a partir de 2 de julho. Sindicatos descartam hipótese de se 
chegar a um acordo
O Governo convocou os sindicatos da educação para uma reunião, nesta terça-feira,
para tentar "chegar a acordo" sobre serviços mínimos a aplicar no segundo período
da greve às avaliações, que começa em 2 de julho, anunciaram as organizações 
sindicais em conferência de imprensa. Uma hipótese que estas recusam.
"Quero ser claro. Não há acordo nenhum", avisou o secretário-geral da Federação
Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, em conferência de imprensa, 
em Lisboa, onde foi feito o balanço mais atualizado do primeiro dia de greve às 
avaliações, que segundo os sindicatos terá impedido a realização de mais de 90% 
dos conselhos de turma que estavam agendados.
O DN contactou o governo, que respondeu em comunicado. 
"O Ministério da Educação decidiu solicitar serviços mínimos atendendo a que o 
alargamento dos períodos de greve ao mês de julho põe em causa necessidades 
sociais impreteríveis, como sejam a conclusão do processo de exames e o 
consequente acesso ao ensino superior por parte dos alunos", lê-se no texto.
De acordo com a lei, quando não há acordo entre as partes relativamente à 
fixação de serviços mínimos, a decisão final cabe a um colégio arbitral. 
A lei da greve foalterada pelo anterior governo, na sequência de uma greve aos 
exames nacionais, passando a integrar na lista de "necessidades sociais 
impreteríveis" - passíveis da fixação de serviços mínimos - provas e exames 
nacionais cuja realização tivesse lugar na mesma data a nível nacional.
Não é líquido que as reuniões de avaliação, que podem ser reagendadas e em que 
basta a ausência de um docente para que as notas dos alunos não possam ser 
homologadas, possam ser enquadradas nessa lei.
Notícia atualizada às 20:30 com comunicado do governo"
(in: dn.pt 18 junho 2018)

terça-feira, 6 de junho de 2017

A Relação Professor-Aluno

in http://www.illum.com.mt/
  • Neste post de hoje, vou debruçar-me sobre um tema que me é muito querido: o da educação! Ele arrasta consigo a escola, os professores, os alunos, as famílias e as relações entre uns e outros...
  • Depois de ler este artigo, concordo com o seu autor:
  1. quando afirma que ..."no sistema de ensino, são os professores quem tem maior impacto no desempenho escolar dos alunos." 
  2. quando reconhece que "Hoje os professores estão desmotivados..."
  3. que "Os alunos quando levados a refletir reconhecem a importância dos professores na sua vida"
  4. quando refere que "É com o que aprendem na escola e com os professores que vão poder realizar os seus sonhos..."
  5. que "Hoje ser professor tem um âmbito mais alargado, dado as famílias terem menos tempo para os filhos." 
  6. que "Uma aluna lembrava que uma professora não ensina apenas uma, mas várias gerações." 
  7. e finalmente cito: "Os professores têm um grande impacto nos alunos pelo que ensinam, os valores que transmitem e pela relação que criam. O fomentar desta relação é tão importante quanto uma oportunidade para os alunos desenvolverem empatia e autonomia, que potencia a sua aprendizagem agora e o seu desenvolvimento futuro."

Vou ficar por aqui, porque afinal, reconheço que concordo em absoluto com tudo o que o autor deste texto escreveu. Quero dizer que sinto que ele escreveu tudo o que era preciso sobre professores e alunos. Ao rever-me como professora que fui durante mais de 30 anos, reconheço que o autor disse tudo o que era de mais importante na relação professor-aluno, não precisa de dizer mais nada, por agora, pelo menos, para mim! 

Vamos motivar todos os Professores para que exerçam a sua nobre missão e 

não se deixem esmorecer!

  • Afonso Mendonça Reis in observador.pt a 06.06.2017 escreveu o seguinte texto, e que com a devida autorização (espero bem) me permito transcrever:

"A relação professor-aluno é uma escola para a vida

A campanha ‘Inspira o teu Professor’ existe para reforçar a missão social dos professores. Hoje, quatro meses passados a trabalhar nas escolas, o que aprendemos?
A educação é uma prioridade para os Global Shapers Lisbon Hub. E, no sistema de ensino, são os professores quem tem maior impacto no desempenho escolar dos alunos. Hoje os professores estão desmotivados e os Global Shapers associaram-se ao Inspira o teu Professor por uma educação que promova todo o potencial dos jovens e de Portugal.
A campanha ‘Inspira o teu Professor’ desafia os alunos a pensar no impacto que os professores têm na sua vida e a produzir conteúdos como vídeos, cartazes e cartas para os inspirarem. Estes conteúdos permitem reconhecer não só a missão social dos professores, mas as características que os alunos valorizam nos professores e no ensino. A reflexão que se segue resulta da minha análise dos conteúdos produzidos durante a 2ª edição do ‘Inspira o teu Professor’ e do nosso trabalho nas escolas.
Os alunos, quando levados a reflectir, reconhecem a importância dos professores na sua vida. É com o que aprendem na escola e com os professores que vão poder realizar os seus sonhos: “ser professor é ser condutor de almas e de sonhos”; “levar para o resto da vida o que os professores nos ensinaram”. Hoje ser professor tem um âmbito mais alargado, dado as famílias terem menos tempo para os filhos. Vários alunos contam com os seus professores para superar as suas dificuldades, “iremos lembrar as caras dos nossos professores para o resto das nossas vidas, pois foram eles quem mais nos ajudaram quando mais precisámos”. Uma aluna lembrava que uma professora não ensina apenas uma, mas várias gerações.
Professores têm um papel muito importante na transmissão de valores. Apesar de incutir valores ser um papel do foro da família, os alunos reconhecem nos professores uma fonte de inspiração e alguém que lhes incute valores. Os professores são inspiradores, porque me ensinaram “a fazer o que é correcto, perante uma situação difícil seja ela qual for”. Os professores são a “esperança num mundo livre de ignorância e cheio de valores”. Esta questão é tão mais relevante quanto mais tempo passamos em ambientes sem moderação, como a internet. Os jovens podem falar com qualquer pessoa sem que a sua família se aperceba ou os “acompanhe”. Conhecemos o caso do jogo da Baleia Azul, que tanto nos chocou. São valores sólidos que os ajudam a proteger-se.
A relação professor-aluno precisa de mais empatia. Os alunos contam-nos que é fácil culpar os professores “por tudo” e que se esquecem que os professores “também são pessoas”. Eles próprios, os alunos, dizem que são por vezes “chatos, casmurros, mal-educados, etc.”, mas que, “no fundo, são boas pessoas”. Os mesmos alunos gostariam que os professores os conhecessem melhor, que soubessem quem são e o que os torna únicos. Alguns professores destacam que a carga lectiva e burocrática limita o tempo para poder investir mais na relação com os alunos.
Os alunos são muito claros, valorizam o professor interessado nos seus alunos, que não desiste deles e que goste de ensinar. Num tom mais provocador, mas não menos curioso, um grupo de alunos definiu a escola e a sua experiência no sistema de ensino, como uma prisão. Mas é esta boa relação com os seus professores que lhes permite transcender a prisão.
Desenvolver autonomia é uma grande oportunidade para fomentar uma relação frutífera entre alunos e professores. O facto dos alunos se desresponsabilizarem culpando os professores, é uma oportunidade. Esta atitude passiva pode advir de os alunos sentirem que não têm influência sobre a sua escola. Muitos professores mostraram interesse em ouvir a opinião dos alunos através dos conteúdos. Envolver os alunos no funcionamento da escola, permitiria desenvolver autonomia e valorizar o esforço colectivo, e investimento da sociedade, para que a escola funcione. Existem exemplos de escolas no Japão onde os alunos limpam a escola. Os alunos fazem-no com normalidade porque terão de fazê-lo como adultos. Dar espaço aos alunos para preparar e dar aulas é uma óptima forma de ver que abordagens pedagógicas eles privilegiam, fazê-los estudar mais e partilhar a responsabilidade. Assim os alunos não seriam “vítimas da prisão”, mas trabalhariam em equipa com os professores para tornar a sua própria aprendizagem mais dinâmica e estimulante.
As boas relações têm um grande impacto na nossa educação, aprendizagem e felicidade. Um artigo do New York Times cita um estudo feito pela Microsoft no Canadá que mostra que hoje a nossa concentração média é de oito segundos, abaixo dos 12 segundos de um peixe. A tecnologia expandiu o acesso a serviços e conhecimento, mas deve ser utilizada com equilíbrio. A hiper-conectividade e os smartphones estão a privar-nos da nossa atenção e concentração. Sem elas, vamos ter mais dificuldade em aprender, discernir sobre o mundo e criar relações, no nosso caso, entre professores e alunos. Mas as relações não são só importantes na educação. Um estudo longitudinal desenvolvido ao longo de 75 anos em Harvard mostra que relações de qualidade são a base de uma vida feliz. Os professores têm um grande impacto nos alunos pelo que ensinam, os valores que transmitem e pela relação que criam. O fomentar desta relação é tão importante quanto uma oportunidade para os alunos desenvolverem empatia e autonomia, que potencia a sua aprendizagem agora e o seu desenvolvimento futuro.
Afonso Mendonça Reis é fundador das Mentes Empreendedoras, Inspira o teu Professor e Professor Universitário na Nova SBE, foi nomeado um Global Shaper em 2012 pelo Fórum Económico Mundial.
O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre a inovação social. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor e não vincula os Global Shapers de Lisboa."

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A propósito da disciplina de Religião e Moral nas escolas


assistente-tecnico.blogspot.com
Fui professora de línguas do segundo e terceiro ciclos durante muitos anos e aposentei-me em 2009. Sempre me lembro (à exceção dos dois ou três últimos anos antes disso) de, no ato da matrícula, os encarregados de educação assentirem ou fazerem questão de pôr a "cruzinha" no quadrado do impresso para concretizarem a inscrição do seu educando na disciplina de Religião e Moral (EMRC - Educação Moral e Religiosa Católica). Talvez fossem outros tempos!

Quando algum menino ou menina "torcia o nariz" perante o pai ou a mãe, reclamando que não queria frequentar a referida disciplina, logo os diretores de turma e professores que se encontravam a rececionar as famílias durante as matrículas, as alertavam para o facto de, nessa hora em que a disciplina semanal seria lecionada, o seu educando ou educanda  iria estar "um pouco à solta" pelos recreios da escola, uma vez que, não ficando inscrito, nem tiraria partido da disciplina, que até contemplava conteúdos interessantes,  nem estaria com a professora e os colegas dentro da sala de aula... E os pais, sensíveis a esses "contras" não hesitavam em preferir que os filhos estivessem integrados no grupo. 

Será que compensa frequentar a escola e ter os chamados "furos"? Será que uma hora semanal da referida disciplina ocupada a mostrar a realidade com que os jovens se deparam hoje em dia, ajudando-os a "crescer" e a defenderem-se de situações "menos boas", com a ajuda de debates abertos e apresentação de filmes temáticos, pode ser considerada matéria que não interessa? 

Pessoalmente, sempre pensei que mal não lhes deve fazer... Mas é só uma opinião, claro... Concordo que teremos sempre de respeitar o direito à escolha da religião; e a opção de frequentar EMRC também pertence a cada um; como as aulas contemplam a formação geral e moral do indivíduo, o seu comportamento em sociedade, a paz, a alegria, o amor e a amizade, o respeito e a solidaridade pelo outro, acho que não faz mal a ninguém ouvir isto...

Com o passar destes últimos anos, infelizmente, temos constatado que muitos jovens não se querem inscrever a EMRC, conseguindo, muitas vezes, convencer os pais da sua decisão... E será que já têm maturidade para decidir sozinhos?Antes de decidirem, por que não informarem-se primeiro sobre os conteúdos programáticos?

Esta disciplina curricular está presente do 1º ao 12º ano e é de muito interesse na formação moral dos alunos, ajudando-os a descobrir e a refletir sobre os valores e o sentido da vida.  A sua educação fica mais completa com a frequência destas matérias. Eles saberão assimilar tudo o que lhes transmitirem na sala de aula - assim eles  estejam atentos e recetivos! Esses jovens irão, decerto, povoar uma sociedade que se quer o mais fraterna possível...

Para já, vamos assistindo ao drama de muitos professores que lecionavam esta disciplina tão importante e que por falta de inscrição de alunos (e também da progressiva baixa da natalidade, sim, é uma realidade!), se encontram no desemprego há já vários anos, sem qualquer hipótese de voltarem a fazer aquilo de que mais gostavam - ser professores de Religião e Moral...!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os Professores, de Valter Hugo Mãe


                     

Tendo recebido de uma colega minha este artigo por e-mail, resolvi partilhar a sua leitura com todos os interessados:

"Este artigo de opinião de um Professor é do mais autêntico e espantoso em relação à profissão de Professor e à importância da Escola.

Foi-me enviado por uma Professora, amiga e companheira de longos anos neste percurso de elevarmos o papel da Escola na sociedade e de procurarmos abrir aos nossos alunos caminhos mais luminosos e tornar-mo-nos todos mais sábios.

É simplesmente belo e, por isso, recomendo a sua leitura."

Vamos, então, à transcrição do artigo de opinião "Os Professores, de Valter Hugo Mãe"

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mais um Professor vítima de violência numa escola portuguesa

Foi muito noticiada a agressão de que foi vítima um Professor de Matemática, de 63 anos de idade, e que leciona numa Escola em Vila Nova de Gaia.

Terá sido esmurrado e pontapeado em frente ao seu local de trabalho, por familiares de uma aluna que fora expulsa da sala de aula.

Tem vindo a ser cada vez mais notório o número de casos de violência nas escolas, bem como a indisciplina no decorrer das aulas.

É preciso tomar medidas, impor regras!

Onde vai parar a escola portuguesa?

                   

sábado, 19 de novembro de 2011

O Plano Nacional de Leitura

O slogan "Ler mais, ler melhor" do PNL, na tentativa de alcançar o objetivo de tornar maior o interesse pela leitura por parte do público mais jovem, em cinco anos de atividade conseguiu que este se apercebesse dessa  importância.

O PNL foi criado em 2006 com o objectivo de promover hábitos de leitura e o gosto por ela, principalmente no meio escolar.

Tanto professores como alunos do ensino básico e secundário reconhecem que o PNL trouxe um leque maior de possibilidades de atividades na sala de aula e mais afluência às bibliotecas nas escolas.

O professor universitário Fernando Pinto do Amaral é, neste momento, o Comissário do PNL.

Recentemente, teve lugar a Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura, onde se apresentaram conclusões de um estudo que aponta para resultados muito positivos neste domínio - uma maior consciencialização da importância da leitura, apontando para um aumento de 20% dos leitores  interrogados, entre os 15 e 24 anos de idade, de 2007 a 2011.

Parabéns ao Plano Nacional de Leitura e que continue a dar frutos, como até aqui!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

"A Grande Evasão" (de Professores) - um artigo importante de Manuel António Pina

Para que a sociedade reflicta...


"A Grande Evasão

Por outras Palavras - Manuel António Pina 

'Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.

'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.

Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?' "
                              Manuel António Pina

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Os Professores...

Por: João Ruivo



"Ser professor

Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e do saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de

desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoira e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incomensurável. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos, para que possam ultrapassar com sucesso este injusto desafio a que, ultimamente, têm vindo a ser sujeitos.

João Ruivo

"SITUAÇÃO ACTUAL


Professor Coordenador na Escola Superior de Educação do Instituto Piaget (Campus Universitário de Almada - Lisboa - Portugal).

Membro do Conselho Científico do Centro de Investigação em Políticas e Sistemas Educativos (CIPSE) do Instituto Politécnico de Leiria - Portugal.

Director Fundador do jornal “Ensino Magazine”.

Empresário (EDUTOPIA, Consultores & Serviços, Lda.).

FORMAÇÃO ACADÉMICA
Doutor em Teoria e História da Educação (Faculdade de Educação da Universidade de Salamanca).

Mestre em Análise e Organização do Ensino (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa).


Licenciado em Ciências Antropológicas e Etnológicas (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa).


Diplomado em Administração (Universidade Técnica de Lisboa).

Diplomado em Direcção Estratégica de Universidades (Universidade Politécnica da Catalunha - Barcelona)."