domingo, 7 de março de 2010

"Deitar Pérolas a Porcos"

Por que razão ouvimos dizer com alguma frequência, em conversas do nosso quotidiano, expressões como: "...isso é o mesmo que DEITAR PÉROLAS A PORCOS"? 

Ora, esta expressão, segundo uma pesquisa que fiz, tendo como base a obra "Uma mão cheia de curiosidades", de Nunes dos Santos, tem várias explicações: quando oferecemos algo delicado a alguém que é rude ou não sabe apreciar, por ser ignorante, ou ainda por não saber agradecer; e também quando dirigimos palavras amáveis a pessoas que as não entendem, por serem insensíveis, por isso se diz que tudo isto é o mesmo que "deitar pérolas a porcos".

Há, no entanto, uma outra explicação que o referido autor apresenta: esta expressão é de origem bíblica. No Evangelho, segundo São Mateus, cap.7, no sermão da Montanha, Jesus disse: "Não deis as coisas santas aos cães nem lanceis as vossas pérolas aos porcos, para não acontecer que as pisem com os pés e, acometendo-vos, vos despedacem".

Provavelmente, esta sentença significa que é desperdício anunciar o Reino aos que não estão preocupados com ele; poderia significar que é inútil e até perigoso anunciar os princípios evangélicos àqueles cujo deus são as riquezas.

Não tenho dúvidas que a nossa língua merece que continuemos a conhecê-la cada vez melhor.

Para isso, devemos estar atentos a todas as expressões que ouvimos e utilizamos, tentando descobrir a sua origem.

Já Fernando Pessoa dizia:"A minha Pátria é a Língua Portuguesa".

Boas Pesquisas!

sábado, 6 de março de 2010

Português correcto

Vamos estudar um pouco de Português?

Com o objectivo de enriquecermos os nossos conhecimentos sobre Língua Portuguesa, proponho que, de vez em quando, nos debrucemos sobre algumas questões que, muitas vezes nos confundem e nos deixam inseguros na resposta que devemos dar. A nossa língua materna é difícil, mas se tentarmos perceber o modo como ela funciona, talvez se torne mais fácil...

Apresento aqui algumas das referidas questões com as respostas correctas e suas explicações:

Qual a forma correcta?

1 -  "impor limites ou impôr limites"?
A forma correcta é impor uma vez que esta palavra é um composto do verbo pôr. Este verbo tem acento circunflexo para se distinguir da preposição por. Os derivados do verbo pôr não apresentam acento circunflexo na última sílaba, pois, nesse caso, já não há necessidade dessa distinção.

2 - "inclusive ou inclusivé"?
O que está correcto é dizer-se inclusive, embora normalmente se pronuncie com o e final aberto; a palavra é grave, com acento tónico na penúltima sílaba (- si -); em geral, as palavras graves não levam acento gráfico.

3 - "Santo António é o padroeiro de Lisboa ou Santo António é o patrono de Lisboa?
As duas formas estão correctas, porque padroeiro e patrono significam protector.

4 - Qual é o plural de pão-de-ló? pães-de-ló? pão-de-lós? ou pães-de-lós?
A resposta correcta é pães-de-ló. E isto, porque, segundo as regras das palavras compostas, quando estas são constituídas por nome+preposição+nome, só o 1º elemento é que toma a forma do plural.

Até à próxima!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ser MULHER e MÃE!


in: biblideols.wordpress.com

Comprei há dias uma revista francesa, a "Femme Actuelle"  e nela encontrei uma entrevista muito interessante, focando um tema sempre actual, que gostaria de partilhar com os leitores.

Elisabeth Badinter é uma escritora e filósofa francesa. A "Femme Actuelle" entrevistou-a a propósito do que se passa com a MULHER nos nossos dias...; é uma feminista convicta e denuncia, num livro seu, aquilo que ela considera como uma regressão para o estatuto das mulheres: "Trabalho, filhos... a pressão sobre as mulheres é demasiado forte".

Alerta para o problema com um novo ensaio "O conflito, a mulher e a mãe" depois de, há 30 anos, ter escrito "L'amour en plus, histoire de l'amour maternel". Hoje, para ela, é urgente parar de glorificar a mãe perfeita!

Esta intelectual denuncia o regresso da maternidade, em grande, ao seio da identidade francesa. Explica que houve várias correntes de pensamento vindas dos EUA que "reinstauraram" a imagem da mulher como mãe, acima de tudo. O que não se pode esquecer é que, simultaneamente, as obrigações maternais tomaram uma enorme dimensão, com um peso tremendo!

Hoje, a MÃE é responsável por  tudo o que diz respeito aos seus filhos, pois tem de olhar pelo seu bem-estar físico e psíquico, dar-lhes educação, acompanhá-los nos estudos,  levá-los às variadíssimas actividades... Se nos conformarmos com essas regras "impostas", então uma "boa mãe" terá que ser uma mãe a tempo inteiro!

Quando a entrevistadora lhe perguntou se não era o que já se passara anteriormente, Elisabeth Badinter referiu que, antes dos anos 80, a maternidade na mulher dos países industrializados, era um factor essencial nas suas vidas mas, de modo algum, o único; essas mulheres trabalhavam mas desejavam também o seu próprio bem-estar físico e intelectual, ocupando-se ainda dos filhos.

Segundo a entrevistada,  elas conseguiam conciliar tudo;  achavam normal "dar o biberão" aos filhos ou entregá-los a uma ama; o "biberão" era o símbolo de uma certa liberdade; o pai tinha a possibilidade de partilhar desses momentos, chegando, mesmo, a substituir a mãe.

A dada altura, a entrevistadora questiona-a sobre a crítica de o  biberão marcar o regresso da maternidade a tempo inteiro. Elisabeth Badinter, argumenta que, por exemplo, em Espanha, em Itália, na Áustria ou até na Alemanha, "o biberão é sinónimo de egoísmo maternal"; tudo isto faz com que muitas mulheres não tenham outra opção, senão a de amamentar por um período de seis meses, chegando ao ponto de ficarem  em casa durante dois anos.

Acrescenta que se passa o mesmo nos países escandinavos, em que é apresentada "...uma taxa de amamentação de 70%, sob uma pressão "écolo-morale". Para aquelas que recusam, é o julgamento e a culpabilização assegurados! A França, graças a Deus fica como a má aluna (taxa de aleitamento inferior a 20% depois dos três meses). Mas por quanto tempo?"

Esta filósofa refere que há correntes de pensamento que aos poucos conseguiram impor a ideia de que era preciso voltar às normas da natureza, com uma desconfiança pelo não-natural...

Em relação à amamentação, defende que as mulheres devem ser livres na escolha da alimentação que facultam aos filhos,  "sem pressão culpabilizante".

A propósito do preço alto que a mulher tem de pagar por ter de conjugar  marido, filhos, trabalho, esgotando-se completamente, Elisabeth Badinter confessa que ficou "assombrada", quando ao trabalhar no seu ensaio, constatou que nos desembaraçámos de uma grilheta - a do patriarcado milenar - para a partir dele receber uma nova, que é a sobrecarga de deveres que a mulher tem de assumir em relação aos filhos.

É, sem dúvida, uma pressão muito forte e  a mulher sente-a em casa e no trabalho. Leva a vida num corropio e ainda tem de pensar em tudo o que tem de fazer antes de regressar a casa; são as novas regras da sociedade, exigindo que a mulher faça de tudo para que seja a mãe perfeita...de filhos perfeitos...

Ela explica que pode parecer que era o caso das nossas mães e avós, mas não o é: não se pode comparar a pressão de agora com a de outrora. Basta referir que uma socióloga americana, Michele Stan Worth, em meados dos anos 80, calculou que para educar duas crianças, era preciso tempo e energia como se se educassem seis, nos anos 50; claro que 20 anos mais tarde, é bem pior!

No final da entrevista, muito oportunamente Elisabeth Badinter refere que os seres humanos têm limitações;  a sobrecarga  sobre os ombros da mulher traz como consequência que esta não possa investir tanto no trabalho como o homem...a menos que as mulheres resistam à grande pressão da pretensão da "mãe perfeita"... Se assim for,  decerto que a vida do casal  correrá melhor.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nomeações para os Óscares

Em tempo de atribuição de nomeações para os Óscares no cinema, é curioso conhecer a verdadeira origem do nome ÓSCAR, esse prémio tão apetecido, concedido anualmente pela Academia de Artes e Ciências de Cinema de Hollywood, para premiar os actores, os realizadores, os filmes...

Porquê Óscar? Por que razão uma pequena estatueta de metal dourado, com 34 cm de altura, tem este nome?

Começo por lhes contar (e muitos já o saberão, pois tem sido sobejamente divulgado durante o tempo publicitário que antecipa a visualização dos filmes nos cinemas) que foi desenhada por Cedric Gibbons e executada por George Stanley (escultor), em 1929, data em que os Óscares foram atribuídos pela 1ª vez.

A verdade é que nessa altura a estatueta ainda não tinha nome. Mas, por mero acaso,  passou a tê-lo, quando a Bibliotecária da Academia, Margaret Herrick a viu e comentou: "Parece mesmo o meu tio Óscar".

Pronto, a partir daí, o destino dos Óscares ficou traçado...; são famosos a tal ponto que, todos os anos, por esta altura,  depois de assistirmos na televisão à Cerimónia das Nomeações, corremos para as salas de cinema para ver os filmes, aguardando, ansiosos pela decisão final da Academia, ficando a conhecer os nomes dos vencedores.

Se quiser consultar as Nomeações para os Óscares de Cinema do ano de 2010,  clique aqui.

Bons filmes!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Homenagem a Rosa Lobato de Faria (1930-2010)

"Rosinha" foi uma grande escritora, poetisa e compositora. Era uma mulher muito apaixonada pela vida e com um grande sentido de humor.
Reconhecida pelos amigos como sendo de uma enorme transparência, possuía uma rebeldia e independência que fizeram dela uma mulher irreverente, tornando-se ousada ao ponto de fazer um pouco de tudo: além de ter sido actriz na televisão e no cinema, escreveu para teatro, contos infantis, novelas, cantigas, poemas e romances, argumentos para televisão e ainda letras para canções de vários Festivais RTP da Canção... 
Para ela, o mais importante na vida era a família, apesar da grande paixão que tinha pela escrita.
Não posso deixar de citar algumas das suas obras:
Contos infantis: As Quatro Portas do  Céu; A Erva Milagrosa...
Teatro: A Severa; A Hora do Gato...
Poesia: Poemas Escolhidos e Dispersos; A Gaveta de Baixo...
Romances: Os Pássaros de Seda; Romance de Cordélia... 
Argumentos na Televisão: Humor de Perdição; Nem o Pai Morre nem a Gente Almoça...
Letras: Amor de Água Fresca; Chamar a Música...

Bem-haja, Rosinha!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Algumas curiosidades sobre a vida dos Franceses ...

in pt.wikipedia.org



A Educação:
Os alunos franceses vão à escola 175 dias por ano; têm, em média, 6 horas e meia de aulas por dia, não frequentando a escola às quartas-feiras de tarde; no entanto têm aulas aos sábados de manhã, e gozam 190 dias de  férias, por ano.

O Lazer:
A França é o país da Europa que conta com o maior número de centros de férias: 35 000.
É durante o mês de Julho que se conta com o maior número de partidas para as colónias de férias; em 1995 partiram mais de 1 650 000 crianças;  15 anos mais tarde, ou seja, em 2010, conta-se que irão apenas       1 375 000; para uma estadia de uma semana, são precisos entre 400 a 500 euros.
O jogo mais vendido no mundo é o Monopólio (MONOPOLE): 200 milhões de caixas vendidas em 80 países e traduzidos em 26 línguas.
5 milhões de franceses partem todos os anos para os desportos de inverno, nos Alpes, nos Pirinéus, no Maciço Central e no Jura.
O Roland-Garros é um dos 4 torneios mais importantes e que acolhe campeões do mundo inteiro; realiza-se de 23 de Maio a 5 de Junho. Existe o estádio parisiense de ténis, ao sul do bosque de Bolonha, onde se desenrolam todos os anos os Internacionais de França (campeonatos sobre terra batida).

A Moda:
A palavra "customiser" é a adaptação francesa de "to customise", do inglês, que significa "fabricar por encomenda".Em França, houve uma evolução do sentido dessa palavra para "personalizar". Portanto, "customiser" significa criar o seu próprio estilo.
O "jean" aparece entre 1860 e 1865, pela mão de Levi Strauss que decide produzir calças de trabalho em "denim", um tecido vindo de França (de Nîmes ... denim) e tingido com anil indigo (o anil é um composto existente em certas plantas, cristalino, azul, utilizado como corante e o indigo é uma substância de origem vegetal, também usada como corante).

Vida Familiar:
Em média, um francês consome 150 litros de água por dia para se lavar, para cozinhar, para lavar a loiça ...
52% das famílias francesas têm um animal doméstico.

Alimentação:
A França produz entre 350 a 400 variedades de queijo, o que significa que os franceses têm oportunidade de saborear, pelo menos, uma variedade por dia...

Saúde:
As crianças passam em média, 2h e 11 minutos por dia, diante da televisão. Durante este tempo elas não têm qualquer actividade física; logo, os problemas de obesidade aumentam. Há 300 milhões de obesos no mundo, dos quais 4 milhões são franceses. 57% das crianças "grignotent"; 16% das crianças são demasiado gordas, das quais 4% são obesas. A obesidade toca sobretudo as raparigas : 4,4% contra 3,3% de rapazes.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

À descoberta da França...

Vamos conhecer a França?
É uma civilização fascinante com particularidades muito interessantes.
É um estado da Europa ocidental e devido à forma que tem, os franceses chamam-lhe "o hexágono" ... Com 61 milhões de habitantes é 6 vezes maior do que Portugal.
A nível mundial, o primeiro destino turístico é a França. Este nome vem dos Francos, povo que chegou à Gália nos anos 430. O galo francês é o emblema da França e representa o orgulho gaulês. Os romanos deram aos celtas o nome de gauleses - talvez isso se deva ao facto de os celtas criarem galos e galinhas. Galicismos são palavras ou expressões de língua francesa, adoptadas noutra língua.
Marianne é o nome dado à República Francesa e às suas representações simbólicas, desde 1887, especialmente bustos de mulher jovem (é curioso saber que algumas artistas como Brigitte Bardot, Catherine Deneuve ou Laetitia Casta já serviram de modelo).
O azul, o branco e o vermelho da bandeira têm um significado importante para os franceses: simbolizam a revolução francesa de 1789, cuja divisa é "Liberdade, Igualdade e Fraternidade"; o azul e o vermelho representam ainda as cores da cidade de Paris, enquanto a cor branca simboliza a cor dos reis; a Marselhesa, hino nacional de França desde 1795, é a canção que representa a dedicação ao país.
Uma das línguas oficiais da ONU, da OCDE ou da UNESCO é o francês; é uma língua falada em todos os continentes; é a 6ª língua mais falada no mundo.
Paris, conhecida como a cidade luz, é a capital da França, que comemora o seu Dia Nacional a 14 de Julho. Tem monumentos sumptuosos, que, a seu tempo, serão dados a conhecer.
Como é óbvio não se esgota aqui, de modo algum, o conhecimento sobre particularidades de França. Numa próxima oportunidade, continuaremos a desbravar este país.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

É importante ler os grandes autores portugueses!

Recebi há umas semanas atrás o número 36 da revista "Palavras" da Associação de Professores de Português, na qual me encontro inscrita como sócia.

Todo o seu conteúdo é importante para um professor de Português. Vou, por agora, cingir-me a uma entrevista de João Pedro Aido à professora universitária Maria Helena da Rocha Pereira, pela pertinência das várias questões nela abordadas.

A Professora Maria Helena da Rocha Pereira nasceu no Porto, estudou no liceu Carolina Michaelis, onde terminou o ensino secundário, tendo-se licenciado em Coimbra, no ano de 1947, em Filologia Clássica. É  investigadora no campo da cultura e literatura portuguesas, sendo um grande vulto da nossa universidade.

Quando foi abordada pelo entrevistador a propósito de os professores se queixarem de que os seus alunos não sabem escrever (e parece ser uma constatação geral daqueles), Maria Helena da Rocha Pereira responde, falando da importância de se ler os grandes clássicos portugueses; acrescenta que sempre aconselhou os alunos a lerem os grandes autores portugueses, para aprenderem a escrever. Considera que os programas actuais do ensino básico e secundário deviam incluir "os clássicos de várias épocas, sem excluir os contemporâneos".

João Pedro Aido refere outra queixa generalizada por  parte dos professores: a de os alunos não mostrarem interesse em criar hábitos de leitura, questionando a Professora sobre a razão de tal facto.  Maria Helena da Rocha Pereira comenta o assunto, atribuindo alguma responsabilidade ao "reinado da televisão que, só ocasionalmente, tem bons programas" e ao "imperialismo dos computadores"; e acrescenta: "Não me parece que nada disso seja útil para o ensino".

Concordo plenamente com a opinião da entrevistada em relação aos problemas que o ensino atravessa. É ajustada e oportuna.