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sexta-feira, 10 de março de 2023

Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista à RTP e ao Jornal Público (09.03.2023 - 7 anos de Presidência)

Marcelo Rebelo de Sousa dá entrevista na RTP
imagem in atelevisao.com

Abusos na Igreja: Marcelo diz que “é óbvio” que padres suspeitos devem ser  suspensos e que posição dos bispos foi “desilusão” – Observador
imagem obtida in observador.pt

No dia em que completou 7 anos como Presidente da República Português, Marcelo concedeu uma entrevista à RTP e ao Jornal Público, dando voz e analisando os graves problemas que o nosso país atravessa.


FONTE:
in noticiasaominuto.com

"Realista" e "equilibrada". 
Que dizem partidos da entrevista de Marcelo?

O Presidente da República deu uma entrevista à RTP e ao jornal Público. 
Da Esquerda à Direita, as reações não se fizeram esperar.

10.03.2023

Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista à RTP e ao jornal Público, na noite de quinta-feira, no dia em que cumpriu sete anos na Presidência, onde fez críticas ao Governo de António Costa - que considerou tratar-se de "uma maioria requentada e cansada, que ao fim de um ano está esgotada".

Em jeito de análise sobre os primeiros meses de legislatura, o chefe de Estado apontou que, "até setembro, houve realmente um tempo perdido, que, depois, se prolongou com vicissitudes", afirmou Marcelo, lembrando as várias polémicas que afetaram já o atual Executivo.

Quanto ao pacote 'Mais Habitação, apresentado pelo Executivo socialista para fazer face à atual crise no setor, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que "é de louvar, ao fim de sete anos de Governo, ter sido apresentado um pacote desta dimensão, para recuperar os sete anos anteriores". Pouco demorou até que várias figuras da Esquerda à Direita fizessem ouvir as suas reações às palavras do chefe de Estado.

PSD fala numa entrevista "realista"

Um dos primeiros a pronunciar-se sobre as palavras do Presidente da República foi Paulo Rangel, vice-presidente do PSD, que considerou ter sido uma entrevista "muito realista". "Mostrou, como ele disse, que estamos perante uma maioria requentada e cansada, que ao fim de um ano está esgotada", referiu o social-democrata.

Em declarações aos jornalistas, na Madeira, o responsável apontou que esta era uma crítica "fortíssima" ao Governo. "E da qual, naturalmente, o primeiro-ministro tem de tirar consequências", atirou.

Já questionado sobre Marcelo ter dito que não prescindia do "poder de dissolver" a Assembleia da República, Paulo Rangel foi assertivo: "O PSD está sempre preparado, mas não há dúvidas de que, se esse momento chegar, naturalmente, o PSD estará ainda mais preparado do que está hoje".

De lembrar que, na mesma linha, Luís Montenegro, líder do PSD, considerou, esta quinta-feira que o partido "está cada vez mais a posicionar-se como a alternativa de confiança para dar um Governo novo a Portugal". No seguimento do 1.º Encontro Interparlamentar da Madeira que decorreu no Funchal, o social-democrata argumentou que o PSD "demonstrou que, ao contrário do Governo da República, funciona de forma coesa, estruturada e coordenada".

No Encontro Interparlamentar da Madeira, o @ppdpsd demonstrou que, ao contrário do Governo da República, funciona de forma coesa, estruturada e coordenada. Somos o Partido que está cada vez mais a posicionar-se como a alternativa de confiança para dar um Governo novo a Portugal. pic.twitter.com/0PMF06XXco— Luís Montenegro (@LMontenegroPSD) March 9, 2023

PS prefere falar em "exigência" e afasta "crítica"

Pela voz do PS, a reação coube ao dirigente socialista Porfírio Silva. "Estarmos muitos anos no Governo cria novos desafios", referiu, sublinhando que, historicamente, não era uma situação muito "normal".

"Mas isso significa que os portugueses depois de terem tido muitos anos para avaliar em concreto aquilo que o Governo tinha feito, deram a resposta: 'O que queremos é que esta governação continue'", atirou, em declarações aos jornalistas, no Parlamento, em Lisboa, considerando que as palavras de Marcelo dizem mais respeito a uma "exigência" do que a uma "crítica"

Durante a sua intervenção, Porfírio Silva disse ainda que a análise feita por Marcelo foi "equilibrada". "Esperamos que possamos continuar a dar uma resposta a esta avaliação. Vamos continuar a encher o copo, vamos fazer mais para que haja mais água para mais portugueses nestas circunstâncias", vincou.

O socialista fez ainda questão de vincar o contexto atual "desafiante", lembrando a questão da guerra na Ucrânia ou da subida da inflação. "Não é uma situação fácil. Aliás, este Governo nunca teve anos fáceis desde que o primeiro-ministro António Costa entrou em funções", defendeu.

BE acusa decisões por explicar sobre a TAP

Quem também reagiu às palavras do chefe de Estado - especialmente no que toca ao 'dossier' da TAP - foi o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares. O bloquista considerou que "há decisões políticas por explicar também de Fernando Medina" e há "consequências a retirar e uma comissão de inquérito que está a começar agora".

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, Filipe Soares deixou um aviso: "Tentar matar a comissão de inquérito é a tentativa do Governo, que aparenta ter medo dela, esperemos que não seja a posição do Presidente da República também."

PCP. Marcelo teve papel na criação da maioria absoluta

Na intervenção do PCP, proferida pela deputada Alma Rivera, os comunistas subiram o tom das críticas, acusando Marcelo Rebelo de Sousa de ter tido um papel na criação da atual maioria absoluta do PS. 

Para o PCP, o Presidente da República "fala como se não tivesse alinhado com o PS na sua estratégia para obter maioria absoluta".

IL diz que chefe de Estado "põe o Governo a prazo"

Também Rui Rocha se pronunciou, na Assembleia da República, sobre a entrevista ao chefe de Estado e, na sua intervenção, o líder da Iniciativa Liberal considerou que as críticas de Marcelo Rebelo de Sousa "põe o Governo a prazo".

"Aqui, a única divergência é que consideramos que este Governo já não é de todo recuperável", disse o líder liberal, voltando a apostar numa futura moção de censura ao Governo socialista.




Uma "desilusão" chamada Conferência Episcopal Portuguesa

Sobre a crise que se tem feito sentir na Igreja Católica em Portugal, o chefe de Estado quis ressalvar que a Conferência Episcopal Portuguesa "ficou aquém ao não assumir a responsabilidade" pelos milhares de casos de abusos sexuais reportados pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa - e, também, por "não tomar medidas preventivas" neste âmbito. "Foi uma desilusão a sua posição", determinou.

Considerando ser "óbvio" que os padres identificados por esta comissão deviam ser suspensos preventivamente, Marcelo Rebelo de Sousa perguntou "qual é a hesitação" da Conferência Episcopal Portuguesa, acusando-a de ter passado "ao lado" de uma série de "problemas". E acrescentou: "E isso, enquanto Presidente da República, incomoda-me imenso, porque a Igreja é uma instituição fundamental na sociedade portuguesa".

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou ainda que se esta instituição, "de repente, sofre na sua confiabilidade, na sua credibilidade, numa questão tão básica como esta, isso depois repercute-se na vida dos portugueses".

Perante este cenário, o Presidente da República determinou que "quem falou em nome da Conferência Episcopal" falhou, ao não "agir rápido, assumir a responsabilidade, tomar medidas preventivas e aceitar a reparação", no que concerne estes casos de abuso. Aliás, aconteceu "tudo ao contrário", julgou.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu assim que se faça uma "reflexão complementar para reencontrar o caminho que se perdeu nestes 20 dias" - ou seja, desde que a comissão liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht divulgou o seu relatório sobre os casos de abusos perpetrados por membros da Igreja Católica.

Marcelo Rebelo de Sousa concedeu, esta quinta-feira, uma entrevista à RTP e ao jornal Público, no dia em que cumpre sete anos no cargo de Presidente da República, e na qual se propunha a fazer uma análise sobre o atual estado do país.

A visão do chefe de Estado foi partilhada num contexto que continua a ficar marcado pela guerra na Ucrânia, pelas dificuldades impostas pela inflação e, também, por um forte ambiente de contestação social, como é exemplo disso o setor da Educação.

Recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse, para o seu primeiro mandato, a 9 de março de 2016, após ter sido eleito a 24 de janeiro do mesmo ano. Foi depois nomeado, pela nação, para um segundo mandato, numa eleição que decorreu a 24 de janeiro de 2021, segundo pode ler-se no site da Presidência da República.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

COVID-19: Costa e Marcelo foram contrariados por especialistas na tese do aumento de casos da COVID

in expresso.pt

Tanto António Costa como Marcelo Rebelo de Sousa têm deixado claro o seu desagrado perante o comportamento dos mais jovens, apontando-o como uma das justificações para o aumento do número de novos casos de COVID-19, especialmente na região de Lisboa e Vale do Tejo. Também têm sublinhado o papel que a testagem tem nos números totais, já que quanto mais se testar mais casos se irão encontrar.
Porém, os especialistas não partilham da mesma opinião. Segundo adianta o jornal Observador, as teses que o primeiro-ministro e o Presidente da República têm apresentado foram contrariadas na reunião que se realizou esta quarta-feira na sede do Infarmed, em Lisboa. Fontes partidárias ouvidas por esta publicação indicam que tanto Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Pública, como Rita Sá Machado, da Direcção Geral de Saúde (DGS), «desconstruíram o argumento dos testes».
Embora Portugal esteja a testar mais, ocupando o nono lugar do top de testes feitos por milhão de habitantes, esta não será a principal razão para o número crescente de novos casos confirmados de infecção. As mesmas fontes indicam que há outros factores a considerar, nomeadamente «o número de testes positivos por teste realizado». Nesse caso, «a taxa de positivos é muito elevada» e atrás de Portugal ficam apenas a Bulgária e a Suécia.
Quanto aos jovens, os líderes partidários ouvidos pelo Observador indicam que não existem sinais relativamente a um contágio mais elevado junto deste grupo etário. O caso da festa de Lagos, onde a maioria dos infectados é jovem, será a única excepção conhecida – somando já mais de 100 infectados.
No mesmo sentido, as festas e ajuntamentos não parecem ser o principal problema. Segundo os epidemologistas, o primeiro factor de contágio em Lisboa tem sido «a coabitação, em segundo lugar o contexto laboral e só em terceiro lugar o contexto social». Desconstruídos os argumentos, os especialistas alertam para uma possível segunda vaga, que pode ter como ponto de partida Lisboa.
FONTE: in executivedigest.sapo.pt

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A verdadeira história do queijo português "MARINHAS"! Um queijo magro e muito saudável!

Devemos tentar dar o maior crédito aos produtos nacionais. É bom acreditar! Não podemos desconfiar de tudo ou estar sempre a dizer mal! 


Não é o anúncio que diz "O que é nacional é bom"?

Um dos melhores exemplos e que aqui hoje me traz a partilhar um produto do nosso dia-a-dia é o queijo MARINHAS, bem português e, pelos vistos, a manteiga da mesma marca "é a melhor manteiga do mundo".

Vamos então conhecer esta história que acabei de descobrir n'o observador, jornal online 29.12.2019, texto de Maria Martinho e que me deixou muito orgulhosa ao saber que um produto tão indispensável à nossa alimentação é bem português e é fabricado de forma 100% artesanal.


Marinhas. Do queijo recomendado pelos médicos a uma das melhores manteigas do mundo 


Há 65 anos nasceu em Esposende a primeira fábrica de laticínios certificada em Portugal. A Marinhas é uma empresa familiar, onde o queijo e a manteiga são ainda produzidos de forma 100% artesanal.

É na estrada nacional 13, que liga Porto e Valença, que encontramos um edifício de pedra, com um moinho de vento na fachada, rodeado por campo e com vista para o mar. Na Fábrica de Lacticínios Marinhas, localizada na freguesia de Marinhas no concelho de Esposende, produz-se uma das melhores manteigas do mundo, segundo a revista inglesa Wallpaper, e um queijo magro como há poucos no país.

“O nosso queijo continua a ser único porque é magro, não leva corantes, conservantes, anti bolores, anti fúngicos ou revestimento externo. É feito tal e qual como em 1954 e, por isso, tem um prazo de validade muito curto”, explica Berta Castilho, ao leme do negócio de família.

Os lacticínios Marinhas são um dos tesouros da região e se para uns esta é uma marca perfeitamente desconhecida, para outros faz parte de uma memória gastronómica com carimbo nacional. A empresa familiar, que vai na quarta geração, mantém orgulhosamente os métodos de fabrico há 65 anos, é recomendada por médicos e consta que até a mulher de Belmiro de Azevedo é fã dos seus produtos.


Fernanda Vale é a funcionária mais antiga da fábrica das Marinhas,
faz queijo e manteiga há 44 anos 

(Foto: Rui Oliveira/Observador)


O leite, a principal matéria prima, vem da Póvoa de Varzim, mas é de Esposende que saem queijos e manteiga feitos em máquinas antigas pela mão de 24 trabalhadores, a maioria mulheres, residentes naquela zona. Manuel Fernandes é um dos poucos homens que vemos literalmente com as mãos na massa. “Estou aqui há 36 anos, não sei fazer mais nada”, confidencia ao Observador. Com uma bata branca vestida e uma touca na cabeça, recorda que já partiu um pulso e se queimou numa máquina, mas nada que o assuste ou demova na arte de fazer queijo.Uns metros ao seu lado está Fernanda Vale, a funcionaria mais antiga da fábrica, que faz queijo e manteiga há 44 anos. “Já passei por todas as secções, este foi o meu primeiro emprego e hei de morrer aqui”, diz. Sorridente, retira com uma faca os restos de queijo dos tecidos da máquina de prensa e garante que gosta de ensinar quem ali chega pela primeira vez.

A Marinhas sobreviveu à revolução de abril, resistiu a modas e a tendências e manteve-se fiel à sua origem e à sua história. Berta Castilho, a responsável, diz não cair na tentação de a reinventar ou modernizar, afinal, “há memórias que não podem ser atraiçoadas”. A fábrica que dava emprego à região e era o 112 em caso de acidente.

Tudo começou em 1939, quando pequenos fabricantes de manteiga da região se instalaram ali, criando a Lacticínios de Esposende, Lda, com quotas cedidas pela Junta Nacional de Produtos Pecuários. Anos mais tarde, a sociedade acabou por falir tendo sido vendida em hasta pública. Amílcar e Reinaldo Castilho, pai e filho naturais do Porto, compraram-na em 1954, dando-lhe o nome da freguesia. “O meu avô era advogado e só entrou com capital, quem realmente levou a empresa para a frente foi o meu pai, que era engenheiro civil”, conta Berta Castilho em entrevista ao Observador.

Berta é a mais velha de três irmãos e está há 28 anos à frente dos destinos da Marinhas, a primeira fábrica de lacticínios certificada em Portugal. “No início só tínhamos licença para o fabrico de manteiga, mas não era viável, não tinha expressão. Os lacticínios em Portugal estavam ainda no começo, as pessoas comiam margarina em vez de manteiga, usavam óleo em vez de azeite”, recorda. Reinaldo Castilho, o seu pai, viajou pela Europa para ver o que se fazia lá fora e dois anos depois aventurou-se na produção de queijo, apostando num produto diferente.






“Os portugueses têm a tendência a imitar bastante bem o que se faz lá fora, naquela altura toda a gente fabricava o queijo bola vermelho, tipo flamengo, um original holandês. Ora o meu pai resolveu fazer um queijo que não era bola, nem vermelho e ainda por cima era magro. As pessoas estranharam imenso, foi difícil colocá-lo no mercado.”

Valeu a publicidade boca a boca e as indicações médicas, já que os especialistas da época o consideravam um queijo mais saudável e de fácil digestão, fazendo com que o produto se afirmasse assim, principalmente na zona norte. O sucesso obrigou a família Castilho e mudar-se para Esposende, numa década em que a cidade “era a estrada nacional e pouco mais”. A Marinhas era assim o principal emprego para a região, mas também um verdadeiro 112. “O meu pai chegava a emprestar gelo e carros da fábrica para transportar doentes quando havia um acidente”, recorda Berta, que cresceu entre aqueles corredores.

Quando em 1991 passou a tomar conta do negócio, certificou a empresa em segurança alimentar e preparou a gestão futura, mas sem nunca alterar o essencial. “A marca não se pode reinventar, tem que permanecer fiel, caso contrário não se aguenta de pé.Recebemos pessoas de todo o país que vêm buscar o que comiam em casa dos seus avós, essas memórias não podem ser atraiçoadas. O nosso público é fiel, não podemos mudar muito.”



Manuel Fernandes é um dos poucos homens 
a trabalhar na Marinhas, é responsável 
pela transformação do leite 
(Foto: Rui Oliveira/Observador)


O preço a pagar pela qualidade de um produto fabricado artesanalmente e em pequenas quantidades nem sempre é fácil de gerir. “Sentimos diariamente as consequências desta nossa opção. É difícil gerir a procura, há muita pressão para tentar modificar e levar o produto a um nível diferente, mas vamos manter-nos assim, pelo menos enquanto der e se conseguir viver disto”, realça Bárbara Castilho, filha de Berta e responsável pelo departamento de comunicação da marca.

Os produtos Marinhas vendem-se de norte a sul do país, mas dificilmente são enviados além-fronteiras. “Como não levam conservantes e o tempo de viagem dos transportes terrestres é elevado, quando chega ao destino tem metade do tempo útil. Outra das tentações é o vácuo, não o utilizamos porque quando se tira de lá o queijo sabe a plástico.” Quando em 2008 a revista inglesa Wallpaper considerou a manteiga Marinhas como uma das melhores do mundo, o produto esgotou até hoje. “Até aí tínhamos manteiga para dar e vender. Em 1991 existiam dez toneladas de manteiga no frigorífico armazenadas, mas de repente o produto esgotou.”

Embalados à mão, sem corantes nem conservantes


A fábrica recebe diariamente entre 15 a 20 mil litros de leite de vaca, que depois de ser devidamente analisado segue para uma máquina que retira parte da sua gordura. A nata retirada é colocada em bilhas de metal de 50 litros que vão para uma câmara frigorífica durante 16 horas para acidificar. Posteriormente a nata é batida durante duas horas, adiciona-se sal e transforma-se em manteiga, que depois é embalada à mão com papel vegetal.





“Não compramos nata, fazemos a manteiga a partir da nata que retiramos do leite para fazer o queijo magro. Se fizermos mais queijo temos mais manteiga, se fizermos menos queijo temos menos manteiga”, garante Berta Castilho, acrescentando que, apesar de a manteiga ter sido o primeiro produto a ser comercializado pela marca, atualmente é o queijo magro o rei das encomendas.


O leite é pasteurizado a 78 graus, arrefece a 30 para depois ser centrifugado e homogeneizado. Após ser coagulado, são adicionados fermentos, cloreto de cálcio e, por fim, o coalho. O preparado repousa durante 35 minutos até se tornar numa espécie de gel. Esta massa é laminada e escorrida para retirar o soro, que serve depois para alimentar gado, nomeadamente porcos. Quando atinge uma textura mais consistente, o queijo é colocado em formas de plástico de vários tamanhos para ser disposta numa máquina de prensa, entre 18 a 20 horas, e assim retirar o soro que resta. “Utilizamos um tecido em cada forma para depois ser mais fácil retirar o produto”, explica Sílvia Abreu, responsável pela produção.



Sílvia Abreu é responsável pela produção
da fábrica de Esposende 

(Foto: Rui Oliveira/Observador)


Chega a hora de salgar o queijo e, para isso, há que mergulhá-lo numa solução de água fria com sal entre duas a seis horas, dependendo do tipo de queijo que se pretende: bola, barra, magro, gordo ou amanteigado. Quando já tem o sabor salgado que conhecemos, o produto é distribuído em cestos de plástico e colocado numa câmara de cura a 10 graus. O queijo magro permanece ali oito dias, já o gordo fica o dobro. “Cada um deles tem um lote escrito à mão com o dia, o mês e o tempo de cura”, revela Sílvia Abreu.

No caso do queijo sápido, mais salgado, a cura pode durar um mês e o bolor natural é lavado à mão com uma escova própria, já o queijo bola é pintado à mão, depois de seco, com uma esponja embebida em tinta vermelha alimentar. “Começamos a fazer queijo de cabra há um ano, mas ainda temos alguma dificuldade em encontrar leite de cabra nesta região”, justifica a responsável pela produção da fábrica, acrescentando que a novidade é mesmo o queijo cremoso fundido com menos 10% de gordura, cuja embalagem em forma de bisnaga faz lembrar uma pasta para os dentes.






É na zona de embalamento que são retirados os bolores naturais e se coloca o produto num tapete de secagem. Há caixas, rótulos e embalagens para todos os gostos, das mais pequenas que seguem para os restaurantes às maiores em forma de barra. Para fazer um quilo de queijo magro são necessários 13 litros de leite e o prazo de validade pode ir até aos três meses, já a manteiga com sal deve ser consumida em dois meses e a sem sal em apenas um mês.


A publicidade polémica no jornal e a preferência da mulher de Belmiro de Azevedo

O queijo Marinhas era presença assídua nas prateleiras dos hipermercados do grupo Sonae desde o ano em que foi fundado, em 1959. No entanto, o cenário mudou na década 1990. “Fomos chamados para uma reunião em Lisboa em que nos foi dito que o nosso produto era muito caro, não tinha procura e não lhes interessava mais”, recorda Berta Castilho, admitindo que com estas grandes empresas “não há forma de negociar”, pois “as vendas não são efetivamente expressivas, comparativamente à oferta que eles têm”.

Chegada a Esposende, a responsável decidiu comprar uma página de publicidade em dois jornais – “não tínhamos dinheiro para ir à televisão”- informando os clientes que a marca já não estava à venda na Sonae, mas que podiam procurar os seus produtos na morada indicada ou através dos respeitos contactos. “Não tínhamos outra maneira de comunicar com as pessoas, muitas já pensavam que a marca tinha acabado, o que não era de todo verdade.”



Apesar da manteiga ter sido o primeiro produto
a ser comercializado pela marca,
é o queijo magro o rei das vendas e das encomendas
(Foto: Rui Oliveira/Observador)


Quando a publicidade sai, a marca é acusada de enfrentar um grupo gigante, “mas lá diz o ditado: perdidos por cem, perdidos por mil”. Dois meses depois, Berta foi chamada a ir novamente a Lisboa para uma reunião, mas recusou. “Vieram eles à fábrica, inclusive a pessoa que nos tinha dito que o nosso queijo não interessava. Disseram-nos que tinha sido um mal entendido, que realmente havia muita gente a procurar o produto e a perguntar se podíamos voltar a fornecer.” O queijo Marinhas voltou, assim, às prateleiras dos hipermercados da Sonae, onde permanece até hoje.

A família Castilho soube, através de alguém que trabalhava no grupo, que Maria Carvalhais, a mulher de Belmiro de Azevedo, era paciente do médico Fernando Póvoas e que este lhe recomendava consumir o queijo Marinhas. “Contaram-nos que quando ela se apercebeu que o produto já não estava à venda deve ter ido falar com alguém superior. Pelos vistos deu resultado, pois foi tudo no mesmo timing”, revela Bárbara Castilho, responsável pela comunicação da marca.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Hoje, 13 de maio, é Dia de Nossa Senhora de Fátima!

Francisco convidou católicos a invocar «mãe celestial», dois anos após ter precedido à canonização dos santos Francisco e Jacinta Marto
Cidade do Vaticano, 12 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco associou-se hoje, no Vaticano, à celebração do 13 de maio, em Fátima, que recorda a primeira aparição da Virgem Maria na Cova da Iria, em 1917.
“Os nossos pensamentos vão para a nossa mãe celestial, que celebraremos amanhã, 13 de maio, com o nome de Nossa Senhora de Fátima. Confiamo-nos a ela, para continuar a nossa jornada com alegria e generosidade”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração pascal do ‘Regina Coeli’, perante milhares de peregrinos.
O Papa esteve em Fátima nos dias 12 e 13 de maio de 2017, por ocasião do Centenário das Aparições, tendo presidido à canonização dos santos Francisco e Jacinta Marto, dois dos videntes da Cova da Iria.
A peregrinação internacional aniversária de maio é presidida, em 2019, pelo arcebispo de Manila, D. Luís Antonio Tagle, o qual está em Portugal desde quinta-feira, com uma agenda centrada em Fátima e nas questões sociais.
A presença do cardeal filipino, também presidente da confederação internacional da Cáritas, é apresentada pelo Santuário de Fátima como “um sinal de atenção à Ásia, cujo número de peregrinos não para de surpreender”.
A referência do Papa a Fátima surgiu no contexto de uma saudação de Francisco por ocasião do ‘Dia da Mãe’ em vários países, incluindo o Brasil, por exemplo.
“Gostaria de enviar uma calorosa saudação a todas as mães, agradecendo-lhes a sua preciosa ação no crescimento dos filhos e na defesa do valor da família. Recordemos também as mães que olham para nós do céu e continuam a vigiar sobre nós, com a oração”, declarou.
O encontro com os peregrinos aconteceu após a celebração da Missa no chamado Domingo do “Bom Pastor”, Dia Mundial de Oração pelas Vocações na Igreja Católica.
“Em todas as comunidades, rezamos de maneira especial pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada”; sublinhou Francisco.
O Papa falou da “alegria” de ter ordenado 19 novos padres na Basílica de São Pedro, esta manhã.
“Ao saudar afetuosamente esses novos presbíteros, juntamente com os seus familiares e amigos, convido-vos a lembrar quantos o Senhor continua a chamar pelo seu nome, como fez um dia com os apóstolos às margens do lago da Galileia, para que se tornassem pescadores de homens”, referiu.
Dois dos novos sacerdotes acompanharam o Papa, à janela, para abençoar a multidão.
Encontrei em: 
https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-papa-associa-se-a-celebracao-do-13-de-maio-em-fatima

quarta-feira, 9 de março de 2016

Hoje, a grande "estrela" é o Professor Marcelo...

in: observador.pt 
"A tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como 2º Presidente da República é hoje, na Assembleia da República, mas os eventos desdobram-se até sexta-feira, dia 11, entre Lisboa e Porto, cidade onde terminam com uma visita do Presidente ao bairro do Cerco. Nas cerimónias de hoje estão previstos mais de 500 convidados, que incluem várias personalidades nacionais e estrangeiras. 
O rei de Espanha, Felipe VI, é um dos 550 convidados que estão confirmados, tal como o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que já se reuniu ontem à noite com Marcelo de Rebelo de Sousa. O encontro, no Grémio Literário, no Chiado, contou ainda com mais um convidado: Jean Claude Juncker, presidente da Comissão Europa, também se juntou ao novo Chefe de Estado na véspera da tomada de posse.

O Parlamento, que está hoje decorado com 2.000 rosas das cores da bandeira portuguesa – será assim palco do primeiro acto oficial de Marcelo Rebelo de Sousa. As cerimónias – que se alargarão depois ao Mosteiro dos Jerónimos, ao Palácio da Ajuda, à Mesquita de Lisboa e ao próprio Palácio de Belém – irão condicionar várias artérias da capital durante quase todo o dia. A segurança, em especial nessas zonas, também foi reforçada, estando prevista a presença de 500 agentes nas ruas, e ainda alguns elementos da Unidade Especial de Polícia. As equipas de vigilância incluem ainda cães para detecção e inactivação de explosivos.

O primeiro dia termina com uma recepção na Câmara de Lisboa e com um espectáculo nos Paços do Concelho, no qual irão participar vários artistas como Pedro Abrunhosa, José Cid e o angolano Anselmo Ralph. Marcelo desloca-se ao Porto na sexta-feira, dia 11, onde será recebido na câmara da cidade, terá um almoço, fechando o dia com a visita a uma exposição dos residentes do bairro do Cerco." 
in http://economico.sapo.pt/noticias/mais-de-500-convidados-policias-um-rei-e-2000-rosas_244583.html 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A propósito do BANIF


imagem in pt.wikipedia.org


Como solucionar os problemas dos Bancos portugueses? Agora, cada vez que um Banco vai à falência, os contribuintes é que são "chamados à pedra"? É uma grande dúvida que tenho o direito de sentir... Que responsabilidade é que o Zé Povinho tem no assunto? A duvida persiste... Por isso mesmo, resolvi transcrever aqui um artigo de opinião do historiador Rui Ramos, na tentativa de se perceber melhor o que se passa e para que se dissipam algumas dúvidas...

"Banif: o povo tem mesmo o direito de perceber?

Rui Ramos

1/1/2016, 14:35

A propósito da resolução e venda do Banif, aprovadas pela Assembleia da República, a nossa oligarquia política decidiu que o povo tem o direito de “perceber”. Perceber, entre outras coisas, porque é que o governo fez pagar aos contribuintes mais uma falência bancária. Ou, em números, porque é pagámos todos pelo Banif 2.225 milhões de euros (pelo menos), e o Santander só 150 milhões? 

Perceber, aqui, cheira a auto-de-fé: trata-se de arranjar um culpado e queimá-lo, pelo menos simbolicamente. De um lado, dava jeito poder dizer que a culpa foi toda do governo de Passos, que teria adiado e escondido o problema, para chegar às eleições com uma normalidade fingida. Do outro lado, dava jeito dizer que a culpa foi toda do governo de Costa, que teria deixado fugir informação e depois se precipitou, vendendo o Banif ao desbarato e poupando os seus acionistas. O Banif resultou de três anos de manha, ou de três semanas de incompetência? É a esta escolha, determinada pelas simpatias partidárias, que a oligarquia chama “perceber”. 

Mas também se arranjam culpados que deixam toda a gente muito satisfeita. Por exemplo, os banqueiros, que para uns são os únicos responsáveis da crise, e que, para outros, servem pelo menos para adquirir credenciais de justiceiro. Ou, ainda melhor, o governador do Banco de Portugal e a Comissão Europeia. Esta última solução tem esta vantagem: até os banqueiros se juntam ao coro de acusação. 

Este é o caminho pelo qual a nossa oligarquia gostaria de pastorear o entendimento do povo. É um caminho que não leva longe. Porque o ponto de partida do Banif não está no governo de Costa, nem no governo de Passos, nem no governador Carlos Costa, nem na Comissão Europeia, nem no BCE. O ponto de partida está na falência do país, de que a falência da banca é apenas um aspeto (como aqui lembrou José Manuel Fernandes). E o modo como se lidou com os casos bancários deve ser percebido da mesma maneira. 

O caso do Banif justificou duas grandes críticas. A primeira diz respeito à demora em acorrer ao problema. Já ouvimos a mesma coisa nos casos do BPN e do BES. Há que lembrar a situação do país. A partir da década de 1990, o papel da banca foi o de sustentar o consumo e o investimento em Portugal através do endividamento externo. Depois da crise da dívida, continuou a servir para o BCE financiar o Estado indiretamente. Sem os bancos, as ilusões em Portugal ter-se-iam desmoronado, não há quatro, mas há quinze anos. Eis porque todos os governos e todas as autoridades tentaram não ver os problemas e, quando houve que ser finalmente drástico, poupar acionistas e investidores à custa dos contribuintes (menos, até ver, no caso do BES). Ninguém queria assustar o dinheiro internacional de que o Estado e a sociedade viviam desesperadamente. 

O segundo ponto de controvérsia respeita à venda do Banif a um banco espanhol. Mas o processo pelo qual a nossa banca se vai tornar espanhola não começou agora. Começou em 1975, quando o MFA decidiu destruir os grupos financeiros nacionais. Duas décadas depois, outros governos tentaram recompor esses grupos. Acontece que os antigos expropriados já não dispunham de recursos próprios à altura, nem havia um mercado de capitais desenvolvido ou grandes investidores institucionais (até por causa do nosso tipo de Estado social). Os grupos financeiros ressuscitados pela democracia ficaram assim dependentes de dívida e do Estado. As exigências da regulação internacional, depois da crise de 2008, deixaram as suas fragilidades à mostra. A partir daí, era fatal: ou voltavam ao Estado, ou caíam em “mãos estrangeiras”. Mas quem quer perceber isto?"

sábado, 31 de maio de 2014

Três chumbos do Tribunal Constitucional no OE para 2014

 

www.tvi24.iol.pt

"TC chumba cortes salariais na função pública

 Pedro Crisóstemo, Raquel Almeida Correia e Sofia Rodrigues

A única medida que passou no crivo dos juízes do Palácio Ratton, a suspensão dos complementos de reforma, é a que tem menor impacto orçamental.


A declaração de inconstitucionalidade dos cortes nas remunerações dos trabalhadores da função pública só tem efeitos a partir de agora.
No final da leitura do acórdão, Joaquim Sousa Ribeiro, presidente do TC, explicou que os juízes entenderam “restringir temporalmente os efeitos dessa declaração”, confirmando que a decisão de inconstitucionalidade só tem efeito a partir desta sexta-feira. “Na prática, o Estado não fica obrigado a reembolsar os montantes [já retidos]”, afirmou Sousa Ribeiro, justificando a decisão com o “interesse público”. O magistrado assumiu que esta decisão da limitação temporal  está relacionada com o equilíbrio das contas públicas. “A execução orçamental já vai a meio”, afirmou Sousa Ribeiro.
Este ano, em vez de ser aplicado um corte progressivo de 3,5% a 10% sobre os rendimentos acima de 1500 euros brutos mensais – medida que os juízes do Palácio Ratton deixaram passar em 2013 –, estão a ser aplicadas reduções de 2,5% e 12% a partir dos 675 euros brutos mensais.
Sousa Ribeiro referiu que o corte introduzido este ano “agrava estas reduções em dois aspectos”: seja por baixar o limite a partir do qual é aplicado o corte, passando a abranger um escalão “bastante extenso”, seja por alargar os limites das taxas aplicadas. Por essa razão, disse, o TC entendeu que os cortes iam “para além do limite de sacrifícios”.
Como a “execução orçamental vai a meio”, se a medida fosse retroactiva, poderia “prejudicar os objectivos traçados de consolidação orçamental”, justificou ainda Joaquim Sousa Ribeiro.
“O que levou à decisão de conformidade constitucional das reduções das remunerações-base entre 3,5% e 10% foi, além do mais, a circunstância de ficarem isentos os escalões correspondentes às remunerações mais baixas”, justificou Sousa Ribeiro. No ano passado, o TC deixou passar esta redução salarial, mas considerou inconstitucional a suspensão do subsídio de férias pago aos funcionários públicos, porque eram “justamente” abrangidos os rendimentos logo a partir dos 600 euros. Foi o facto de haver um agravamento dos cortes que levou à decisão conhecida nesta sexta-feira, justificou o presidente do TC, dizendo que mantém assim os critérios do acórdão de Abril de 2013.
Relativamente aos cortes nas pensões de sobrevivência, que terão de ser repostos, o presidente do TC justificou o chumbo com a desigualdade de tratamento entre estes pensionistas: “As pessoas que dependem mais da pensão de sobrevivência são mais afectadas”. Na decisão pesou ainda o facto de a medida reduzir as prestações de quem tem “uma outra pensão de aposentação ou reforma, enquanto deixa incólumes outros titulares de pensões de sobrevivência que aufiram a esse título um montante igual ou superior a 2000 euros, independentemente de poderem ainda manter uma actividade profissional remunerada, o que igualmente viola o princípio da igualdade”.
Complementos de reforma, a única medida declarada constitucional
A única medida que o TC não declarou inconstitucional foi a suspensão dos complementos de reforma nas empresas públicas que apresentem prejuízos. As poupanças associadas à eliminação deste benefício, que era pago na Metro de Lisboa e na Carris, estão estimadas em 25 milhões de euros por ano.
A medida foi muito contestada, visto que, para alguns trabalhadores, significa um corte de 60% nos rendimentos. No fundo, estes complementos serviam para cobrir a diferença entre a reforma e o último salário que auferiram quando estavam ao serviço da empresa. Os sindicatos criticavam ainda o facto de estes benefícios terem servido de incentivo à saída de muitos trabalhadores, no âmbito da reestruturação do sector dos transportes.
Depois da contestação em redor da medida, uma proposta dos deputados do PSD e do CDS mitigou ligeiramente os seus impactos, ao fazer com que incidisse apenas sobre os rendimentos superiores a 675 euros. No entanto, são poucos os beneficiários que ficam abaixo deste limiar. Há, neste momento, centenas de reformados a reclamar judicialmente a reposição dos complementos.

Quanto à suspensão  dos pagamentos de complementos de pensões nas empresas do sector empresarial do Estado, Sousa Ribeiro disse que “não se verificava violação do princípio da confiança”, porque estão em causa entidades jurídicas autónomas, a Metro de Lisboa e a Carris. O Presidente do TC revelou que “foi também analisada uma possível violação à contratação colectiva”, mas que “o Tribunal entendeu que não havia violação”. 
in www.público.pt

quarta-feira, 19 de março de 2014

A crise fez aumentar casos de alcoolismo

imagem de:  www.apef.com.pt
 "A crise está a aumentar o número de casos de alcoolismo e a tornar os consumos mais perigosos, sobretudo nas bebidas destiladas e cerveja, alerta o Presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia. 
"A crise pode efetivamente agravar os consumos e levar a consumos mais perigosos", disse Augusto Pinto a propósito do Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos, que hoje se assinala." (Metro,19 março 2014)


"Aquilo que verificámos em estudos e padrões de consumo é que tem havido um aumento progressivo do consumo de bebidas destiladas. Mesmo no caso dos jovens, são as bebidas mais consumidas", explica o médico Augusto Pinto, em declarações à Lusa, na véspera do Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos.
De acordo com o presidente da Sociedade, a crise que se vive atualmente no país "pode efetivamente agravar os consumos" e ao mesmo tempo levar "a consumos mais perigosos", acrescentando que a capacidade de desenvolver doenças "é mais grave nas bebidas destiladas", comparando com a ingestão de vinho.
"Sendo ambas portadoras de álcool, a quantidade é maior nas destiladas, o que faz prever uma redução do tempo necessário para chegar à doença", alerta Augusto Pinto, avançando que são necessários dez anos de consumo "elevado, habitual, regular e excessivo" para chegar à dependência, mas, caso as bebidas destiladas sejam consumidas regularmente, a dependência surge mais cedo.
"Eu diria que a crise pode efetivamente agravar os consumos e pode levar a consumos mais perigosos. As consequências orgânicas e a capacidade de desenvolver doenças é mais grave nas bebidas destiladas do que em alguém que consume vinho ou aguardente. Sendo ambas portadoras de álcool a quantidade é maior nas destiladas", frisa o especialista.
Para o médico, a pessoa, normalmente, não se reconhece como doente pelo facto de "beber algumas vezes de forma excessiva e ficar embriagado", situação que "entra dentro de uma normalidade aceite na sociedade", explica.

De acordo com Augusto Pinto, o facto de alguém beber com regularidade cria uma situação designada no meio médico como tolerância, ou seja, a pessoa vai aguentando-se cada vez mais tempo sem ficar embriagada.
"Fica com a ideia de que aguenta cada vez mais a bebida e que isso é um aspeto positivo e não negativo. Ora quanto maior capacidade de consumo a pessoa tem (...) mais perto está de ser meu cliente, doente", explicou.
Augusto Pinto desmistifica ainda o mito de que os doentes alcoólicos andam sempre embriagados, alertando que é precisamente o contrário, graças à tolerância que ganham através do tempo.
"Quando começam a reduzir essa capacidade [de enorme tolerância] é sempre um mau prognóstico. Significa que em termos cerebrais e hepáticos as coisas estão piores ou agravadas", revela.
De acordo com o especialista, há muito a fazer na área da prevenção e intervenção precoce, embora reconhecendo que a existência de um dia nacional possa chamar a atenção do problema, revela que não tem o mesmo impacto ao nível de doentes com outro tipo de patologias, porque se tratam de doentes com dificuldade em aparecer, na sua maioria anónimos.
"Sempre defendemos a existência, para além dos grupos de alcoólicos anónimos, de grupos de alcoólicos tratados, já que todos são importantes porque são ambos de autoajuda. Em algumas pessoas é importante a relação de anonimato, mas outros encaram a doença como outra qualquer e havia a necessidade de que estes estigmas fossem esbatidos na sociedade e que se respeitasse ainda mais os doentes não tratados", salientou.
Augusto Pinto lembra ainda a acessibilidade ao álcool existente no nosso país, com uma "cultura muito enraizada em relação à substância" o que dificulta o trabalho de prevenção.
"Toda a população considera normal o consumo de bebidas alcoólicas, não perspetivamos nenhuma atividade festiva sem álcool. Em todas as festas há álcool na mesa", lembra.
Para Augusto Pinto, parte da solução do problema passa pela "mudança de consciência" e aceitação do doente tratado na sociedade e o aumento das respostas, nomeadamente na capacidade de intervenção de técnicos e médicos especializados no problema."
(http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3759880&page=-1)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Uma palavra muito ouvida ultimamente: CONSTITUIÇÃO

Noção de Constituição, para vários políticos, não só atuais, como do passado. É interessante ler o que cada um declarou sobre esta palavra tão importante na vida de uma Nação.

Para Pedro Passos Coelho
"Não é preciso rever a Constituição para cumprir o programa de ajustamento e para implementar estas medidas. É preciso bom senso" 
Primeiro-Ministro Português, 1964 - 

Para Abraham Lincoln
"Nada deve interferir com a Constituição, pois é a única salvaguarda das nossas liberdades" 
Presidente dos Estados Unidos, 1809-1865

Para Patrick Henry
"A Constituição não é um instrumento para o governo controlar o povo, mas um instrumento para o povo vigiar o governo"
Advogado norte-americano e defensor da liberdade, 1736-1799

Para Benjamim Franklin
"A Constituição não garante a felicidade, apenas os meios para a alcançar. Cada um tem de se esforçar para a obter"
Escritor e líder da revolução americana, 1706-1790

(segundo leitura da revista SÁBADO, nº 488, de 5 a 11 setembro 2013)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Governo está a tratar os pensionistas de forma "cruel e desumana"...


Antiga líder do PSD acredita que “não pode ser este Governo a aplicar” os cortes nas reformas e acusa Portas de recusar a taxa sobre as pensões mas aceitar um corte retroactivo de 10%.
Manuela Ferreira leite criticou esta noite o Governo de Passos Coelho pela intenção de cortar o valor das pensões, acreditando que as medidas não vão avançar porque isso faria cair o Governo.
No comentário semanal, na TVI24, afirmou que se as medidas que afectam os pensionistas avançarem “cai o Governo de certeza absoluta”, pois o “ministro Paulo Portas não tem outra solução na vida”, disse a antiga ministra das Finanças, acusando o líder do CDS de recusar a taxa sobre as pensões mas não o corte retroactivo nas pensões, que pode em média ascender a 10%.
“Se assim fosse, o ministro Paulo Portas não tem outra noção senão ir embora, há uma crise política e por isso não pode ser este Governo a aplicar esta medida”, acrescentou.
Ferreira Leite mostrou-se ainda “perplexa” pelo facto destas intenções serem divulgadas. “Porque é que é criada esta situação psicológica com os reformados se isto não tem hipótese de ser concretizado”, questionou a ex-líder do PSD, para depois considerar que o Governo está a tentar assustar os reformados.
Há uma quebra de confiança fatal entre os cidadãos e o Governo e há obviamente uma violação de um contrato. É de uma forma cruel que o Governo tem tratado os aposentados e acho que isso é quase desumano”, acrescentou, referindo-se à intenção do Governo em cortar as pensões de forma retroactiva (o sublinhado é meu).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A propósito das Pensões de Reforma...










O PRIMEIRO-MINISTRO E AS PENSÕES DE REFORMA


 
 
Incrivelmente é pouco
por FERNANDA CÂNCIO - Diário de Notícias -

Não há como negar: temos o primeiro-ministro mais aldrabão, incompetente, irresponsável e perigoso de sempre (desde que há eleições livres, bem entendido).
 
Vejamos as suas últimas declarações sobre as pensões: um chorrilho de inexatidões, mentiras e acinte. Diz Passos que a denominada "contribuição especial de solidariedade" (CES) é pedida aos que recebem "pensões muito altas". Exime-se, desde logo, de explicitar que para ele as "pensões muito altas" começam nos 1350 euros - primeira aldrabice. E prossegue: esse "contributo especial" é devido por quem recebe essas pensões "por não ter descontado na proporção", quando "hoje os que estão a fazer os seus descontos terão a sua reforma como se esta fosse capitalizada - tendo em conta todos os descontos". 
 
Refere-se ao facto de as regras de cálculo terem mudado em 2007, com o primeiro Governo Sócrates (e uma lei aprovada apenas com votos do PS), quando antes se referiam aos melhores dez dos últimos 15 anos ou mesmo ao derradeiro ordenado.  
Sucede que, ao contrário do que esta conversa dá a entender, a dita "solidariedade" imposta às pensões a partir de 1350 euros vai direitinha, como aliás esta semana o insuspeito Bagão Félix frisou no Público, para o buraco do défice. Não vai para a Segurança Social e portanto não serve para "ajudar" nas pensões futuras - segunda aldrabice. E se as pensões "mais altas" não foram calculadas com base na totalidade dos descontos, as mais baixas também não - aliás, as pensões ditas "mínimas" referem-se a carreiras contributivas diminutas. Pela ordem de ideias de Passos os seus beneficiários têm o que merecem: pensões baixas por terem descontado pouco. Mas faz questão de repetir que lhas aumentou em 1,1%, dando a entender que a CES serve para tal (terceira aldrabice), enquanto a verdade é que o faz com o corte do Complemento Solidário para Idosos. 
 
Ora se nem todos os que recebem pensões mínimas são pobres, o CSI, fulcral na diminuição da pobreza dos idosos nos últimos anos, foi criado para somar às pensões muito baixas de quem não tem outros meios de subsistência. E é aí que Passos tira, com o desplante de afirmar que é tudo "em nome da justiça social" (esta aldrabice vale por cem). Mas a maior aldrabice, implícita em todo este discurso, é de que a Segurança Social é já deficitária e urgem medidas hoje. 
 
Citando de novo Bagão, "o Regime Previdencial da SS, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário (mais receita da TSU do que as pensões e outras prestações de base contributiva)! E tem sido este regime a esbater o défice do Estado e não o inverso, como, incrivelmente, se tem querido passar para a opinião pública".  
Sim, Bagão está a falar do seu camarada de partido, Mota Soares, e a chamar-lhe mentiroso. Incrivelmente? Não: devíamos estar todos a repetir o mesmo, todos os dias, em todo o lado, até que este pesadelo acabe. E possamos, finalmente, discutir estas coisas tão sérias com seriedade.