domingo, 19 de fevereiro de 2023

"Adesão" ou "Aderência"? Porque confundimos os dois termos?

É comum sentirmos algumas vezes por parte das pessoas uma certa confusão no uso de uma palavra ou doutra. 

Quem é que não hesita perante tanta palavra que nos oferece dúvidas? Talvez só os especialistas do estudo da Língua! E é com eles que temos de aprender.

Como gosto muito de pesquisar sobre os "enigmas" que cada língua oferece, desta vez resolvi debruçar-me sobre a diferença entre adesão e aderência.

Para isso, consultei a obra de Marco Neves e Sam The Kid (Samuel Mira), Assim ou Assado da Oficina do Livro (100 perguntas sobre a língua portuguesa, Baseado no podcast com o mesmo nome).

Assim ou Assado de Marco Neves e Sam The Kid - Livro - WOOK
imagem in hook.pt

Qual é a diferença entre "adesão" e "aderência"?

Esta é a forma como a maior parte das vezes se explica a diferença entre as duas palavras:"aderência" é para materiais e "adesão" para pessoas.

Se formos pesquisar o uso das palavras ao longo do tempo no português escrito, percebemos que há uma tendência para que as pessoas que escrevem usem a palavra desta forma - mas esta tendência não é assim tão antiga. As palavras já vinham misturadas do latim, com origens muito próximas,, e continuaram ligadas pela história da língua fora. No entanto, ao longo dos séculos, criou-se este hábito de usar "adesão" quando estamos a falar de pessoas e "aderência" quando estamos a falar de coisas.

Agora, claro, o significado destas palavras é próximo e a distinção, embora seja feita muitas vezes, não é absoluta. Não é uma distinção fundamental, muitas línguas próximas não a têm e nós próprios só a fazemos há relativamente pouco tempo. As distinções são criadas pelos próprios falantes. Se os falantes sentem necessidade dessas distinções, elas criam-se. Se não sentem, elas desaparecem e podemos usar outras palavras para fazer a distinção quando ela é necessária.

Qual é a origem de "aderência" e de "adesão"? 

As duas palavras vêm do verbo latino adhaesio, que já significava colar na origem. Quando passou para o português, os falantes deram uma volta às palavras muito própria. Durante muito tempo, "aderência" significava "favor, favorecimento, valimento, proteção"..."Aderência" acabou por voltar a ter um significado mais parecido com o original, talvez por influência das outras línguas europeias. 

O uso dests palavras acabou por se distinguir com o tempo, tendencialmente, tal como vimos acima. No entanto, nunca se desligaram completamente. Nunca perderam a aderência...

O que dizem os dicionários sobre "adesão" e "aderência"?

Se formos olhar para os dicionários, vemos que as duas palavras têm sentidos muito parecidos. Se um marciano aterrasse e consultasse dicionários de português, não encontraria grandes diferenças entre as palavras. A tal regra é, na verdade, uma tendência do uso. É uma regra de etiqueta da língua.

Tendências

A palavra "tendência" é importante nestas questões da língua. Há uma tendência para usar "aderência" em determinados contextos e "adesão" noutros.

...(...)...Não devemos tentar impor uma lógica de fora, que é uma lógica que acaba por prender a língua. Temos de ter algum respeito pelos falantes e pela comunidade de falantes ao longo dos anos. Os falantes tendem a separar "adesão" e "aderência" - mas é apenas isso: uma tendência. Nunca criaram uma regra absoluta. 

SAMUEL 

Uma outra questão... Se, quando pensam em "aderência", pensam em cola, porque é que não aceitam "aderência" com o sentido figurativo da palavra? Ou seja, se eu disser "Estou mesmo colado a esta série de televisão", ninguém questiona. Não, porque é um sentido figurativo. Porque é que as pessoas se pensam que "aderência" é cola, não questionam quando estou "colado" a uma série?

MARCO 

Tens razão. Para ser sincero, o que acontece aqui é que se criam certas ideias que depois ganham a sua força e, de repente, precisamente porque as pessoas têm medo que se lhes diga que estão a usar a palavra de forma errada, o medo é tanto que nem sequer se atrevem a usar a palavra de forma metafórica.

SAMUEL

Exatamente, é o que acontece aqui. Por isso insisto: não se esqueçam que esta palavra tem um sentido metafórico como "apoio"; apego a uma ideia ou líder".

...(...)...

Uma distinção confortável 

A distinção é confortável: "Olha, temos de usar assim e assim é que é correto porque acho que é mais fácil de entender a língua assim. Esquece lá o assado. Mas, quando olhamos para a realidade da língua, não é bem assim. Aliás, "aderência" supostamente é para coisas e não para pessoas, mas os físicos, quando falam da junção de átomos, usam a palavra "adesão". Essa é a palavra correta para aquele contexto. Não estamos aqui perante duas palavras que sejam absolutamente distintas. Depende do uso e das tendências desse uso e do contexto em que estamos.

Como saber a melhor aderência da fita adesiva - APLASTEC
aderência - imagem obtida em aplastec.com.br

Plano PME – Qualicorp
(adesão)
imagem obtida em https://qualicorpcorretor.com.br

sábado, 18 de fevereiro de 2023

João Salgueiro: Portugal "perdeu" ontem um dos economistas mais dedicados à causa pública

Morreu o antigo ministro das Finanças João Salgueiro
imagem obtida in dn.pt


"Desapareceu" ontem um dos economistas mais brilhantes de Portugal.

O Economista João Salgueiro era um democrata e um humanista, procurando que Portugal fosse um país mais justo.


Morreu o antigo ministro João Salgueiro

O economista foi deputado eleito pelo PSD e tutelou o Ministério das Finanças e do Plano, entre 1981 e 1983. 
Foi presidente da Associação Portuguesa de Bancos

O economista e ex-ministro das Finanças João Salgueiro, que morreu na sexta-feira aos 88 anos, iniciou a sua vida profissional no Banco de Fomento Nacional e manteve sempre um percurso ligado à banca.

João Maurício Fernandes Salgueiro nasceu em Braga a 4 de setembro de 1934 e licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa.


Presidiu à Juventude Católica Portuguesa e participou na fundação da Sedes em 1970, tendo sido presidente da Assembleia Geral desta associação cívica.

Em 1969 foi nomeado subsecretário de Estado do Planeamento no Governo liderado por Marcello Caetano e ocupou o cargo até 1971.

Após a revolução do 25 de Abril aderiu ao PSD e entre agosto de 1974 e março de 1975 foi vice-governador do Banco de Portugal.

Após a revolução do 25 de Abril aderiu ao PSD e entre agosto de 1974 e março de 1975 foi vice-governador do Banco de Portugal.

No VIII Governo Constitucional (1981-1983), uma coligação que englobava o PSD, o CDS e o PPM, liderada por Pinto Balsemão, João Salgueiro ocupou o cargo de ministro de Estado e das Finanças. Depois exerceu ainda funções de deputado e foi presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República.No XII congresso do PSD, realizado em maio de 1985 na Figueira da Foz, foi candidato à liderança do partido, mas viria a surgir um outro candidato que saiu vencedor, Aníbal Cavaco Silva.

João Salgueiro exerceu funções docentes ligadas à economia e à gestão bancária e ocupou diversos cargos na banca, tendo sido Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e da Caixa Geral de Depósitos, de onde saiu em 2000, justificando que não estavam asseguradas "as orientações estratégicas" que o tinham levado a aceitar o cargo quatro anos antes.Nesse ano, assumiu a presidência da Associação Portuguesa de Bancos, após alterações aos estatutos que permitiram que o líder não fosse um banqueiro, e foi ainda vice-presidente do Conselho Económico e Social.

Em 2021, foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Reações
"Portugal perdeu hoje um dos seus mais brilhantes economistas da segunda metade do século XX", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, em comunicado.

O economista foi fundador e mais tarde presidente da Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, constituída em 1970, para a qual Marcelo Rebelo de Sousa entrou pouco depois.

O presidente do PSD, Luís Montenegro, lamentou a morte do antigo ministro João Salgueiro, lembrando um homem "com invulgar inteligência" e "dedicação à causa pública".

"Homem culto, inteligente e patriota. De espírito livre e independente, preocupado com o seu país e as suas gentes. Com os olhos e o coração nos mais vulneráveis. Um social-democrata de gema, moderado e realista", disse sobre João Salgueiro o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, esta noite, no Twitter.

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, recordou João Salgueiro como "um economista e político que marcou a vida pública portuguesa do seu tempo".

A Sedes, Associação para o Desenvolvimento Económico e Social afirmou que foi com "profundo pesar e consternação" que recebeu a notícia do falecimento de João Salgueiro, um dos fundadores da associação.

in dinheirovivo.pt  -  18.02.2023

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Conferência de Segurança de Munique

Zelensky tells EU lawmakers that Europe is Ukraine's 'home,' in emotional  address | CNN
imagem in edition.cnn.com


Zelenskyy: "Não há alternativa à Ucrânia na UE e na NATO"

Hoje é dia 17.02.2023, e Ricardo Figueira na pt.euronews.com escreveu assim:

Mais apoio à Ucrânia e aceleração no envio de armas: 
Um sentimento de urgência paira sobre a Conferência de Segurança de Munique, que abriu esta sexta-feira, nas vésperas do primeiro aniversário da invasão russa, com um discurso do Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.

"Precisamos de velocidade. Velocidade nos acordos, velocidade na entrega e nas decisões para limitar o potencial russo. Não há alternativa à velocidade, porque é da velocidade que a vida depende", disse Zelenskyy na abertura da conferência. 

O presidente ucraniano acrescentou: "Não há alternativa à vitória ucraniana. Não há alternativa à Ucrânia na União Europeia e não há alternativa à Ucrânia na NATO". Volodymyr Zelenskyy  Presidente da Ucrânia

O Chanceler alemão Olaf Scholz, por seu lado, apelou aos aliados para agirem com cautela em relação à Rússia, uma potência nuclear, e para se coordenarem, porque esta guerra, nas suas próprias palavras, é "perigosa", Instou os países com tanques Leopard 2 a enviá-los para a Ucrânia o mais rapidamente possível.

A China é o outro grande foco de atenção nesta conferência de Munique, que reuniu líderes mundiais de todo o mundo. Entre eles, os principais líderes europeus, bem como a vice-presidente norte-americana Kamala Harris e o Secretário-Geral da NATO Jens Stoltenberg.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Dia Mundial da Rádio - 13 de fevereiro


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Rádio | Rádio Voz da Planície - 104.5FM -  Beja
imagem in vozdaplanicie.pt


O Dia Mundial da Rádio celebra-se, anualmente, a 13 de fevereiro. Foi proclamado na 36.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 2011. A Resolução 67/124 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 18 de dezembro de 2012, apoia e reforça a celebração desta data.

O seu objetivo é demonstrar a importância da rádio enquanto meio de divulgação de informação a baixo custo. É, também, um meio de comunicação que consegue alcançar populações mais remotas e marginalizadas, garantindo o acesso à informação e ao ensino.

Apesar da desigualdade existente em termos de desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, no acesso a novas tecnologias, a rádio continua a ser uma forma de acesso à informação acessível e alcançável, mesmo sem a existência de eletricidade. Assim, a rádio consegue assegurar direitos como a liberdade de expressão e de pensamento, promovendo a diversidade e suprimindo o fosso entre tecnologias tradicionais e avançadas.

No atual contexto mundial, o apoio à liberdade de imprensa e às estações de rádio livres e independentes é uma necessidade absoluta.

O tema escolhido para celebrar a 12ª edição do Dia Mundial do Rádio é «Rádio e Paz». 

Ao relatar e informar o público em geral, as estações de rádio moldam a opinião pública e traçam uma história que pode influenciar situações nacionais e internacionais e processos de tomada de decisão.

A rádio pode de facto alimentar conflitos mas, na realidade, a rádio profissional modera conflitos e/ou tensões, impedindo a sua escalada ou trazendo consigo conversações de reconciliação e reconstrução. A rádio profissional independente fortalece a democracia e fornece a base para uma paz sustentável.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Jorge Gabriel - 30 anos de carreira!

Jorge Gabriel – Wikipédia, a enciclopédia livre
imagem in pt.wikipedia.org


PARABÉNS, Jorge Gabriel! 

E que nos continue a aparecer sempre na PRAÇA DA ALEGRIA!

Um programa português para portugueses! 

Nunca nos falte, por favor!

Partilho neste post o POSTAL DO DIA de Luís Osório in tsf.pt de 14.12.2022


As razões para que Jorge Gabriel continue vivo

Quando comecei a trabalhar como jornalista, o chefe de redação pediu-me para participar numa task-force coordenada pelo grande Fernando Assis Pacheco. A ideia passava por antecipar o que seria o mundo 50 anos depois.

Foi um outro tempo.

Hoje não conseguimos sequer antecipar o que acontecerá daqui a um mês.

Quase tudo se tornou volátil.

A superfície ganhou à profundidade.
O ruído ganhou ao silêncio.
A rapidez ganhou à lentidão.

E os protagonistas passaram a ter uma duração muito mais limitada - na política, na televisão, nas empresas ou nas redações, o tempo do protagonismo diminuiu na maior parte dos casos.

O trabalho deixou de ser para a vida.
E a voragem de novidade passou a limitar a permanência das pessoas nos mesmos lugares - ficamos mais depressa cansados, dependemos de novidades todos os dias.

Quero falar de um homem que nunca foi relevado como mereceria.

Jorge Gabriel prepara-se para comemorar 30 anos de carreira.

Começou por ser jornalista no célebre e polémico "Donos da Bola".

E tornou-se um dos mais fiáveis apresentadores de entretenimento.

Fez as vezes de João Baião no Big Show Sic.

E depois fez o seu caminho em programas com horários e públicos diversos.

Na RTP substituiu Manuel Luís Goucha no Praça da Alegria, já lá vai muito tempo.

O Jorge Gabriel aparece-nos em casa há trinta anos, não são trinta dias.

Conseguiu resistir ao tempo, ao sacrifício do que não é novidade, à queda de todos os que não trabalham para ser mediáticos, à queda dos que permanentemente desejam estar sempre à tona, sempre a piscarem o olho à audiência, sempre a dar entrevistas e a oferecer provas de vida.

O Jorge não é assim.

Aparece todas as manhãs como se fosse da nossa casa.

Tem o talento da invisibilidade visível; ele está, mas não se impõe, respeita-nos no nosso espaço, o seu tom de voz é o certo, não fala baixo e raramente fala alto.

Sorri mesmo quando se ri.

É inteligente no modo como pergunta. Tem uma curiosidade desprendida, não é excessivamente simpático sem nunca ser altivo, distante ou arrogante.

O Jorge Gabriel é um pouco da família.

Um tio que nos visita todos os dias e que quase parece não nos fazer falta até que nos falta. E quando acontece sentimos o vazio.

São estas as razões para que continue vivo quando tantos e tantas morrem mediaticamente.

Celebro hoje esta presença.

De um homem inteligente e culto que soube adaptar as suas ambições àquilo que o tempo pedia - talvez na sua cabeça tenha ficado aquém do que desejava ou do que o seu talento pedia, mas as coisas são o que são e Jorge Gabriel pragmaticamente decidiu fazer o melhor possível de acordo com aquilo que as circunstâncias lhe impunham.

E ao contrário de muitos que ficaram pelo caminho, ele continua.

Tranquilo, profissional, um porto de abrigo.

Parabéns, Jorge.

A Praça da Alegria é a nossa casa.

Mesmo quando não te visitamos durante algum tempo sabemos que estás lá e que nos abrirás a porta como antes.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Balão-espião da China sobrevoando os céus dos E.U.A.

Análise: o que faz um suposto balão espião da China nos Estados Unidos
imagem obtida em cnnbrasil.com.br


Vá-se lá agora descobrir quem é que tem razão, após leitura das notícias. 

As acusações são mútuas: A China diz que "...(...)... o aparelho era "um dispositivo civil usado para fins meteorológicos", que acabou por sobrevoar o território norte-americano "por causas de força maior", de forma "completamente acidental."; e os E.U.A. replicam dizendo que houve  "violação inaceitável da soberania americana", achando que a China tentava espiar lugares estratégicos.

A verdade é que o balão foi visto por todos nós pela televisão e sobrevoava os céus americanos sem autorização; portanto, os E.U.A. não hesitaram em abatê-lo.

Um texto de Pedro Sacadura na pt.euronews.com refere a notícia a 05.02.2023 do seguinte modo:

A China acusou os EUA de "violar as práticas internacionais" e de reagir de forma "exagerada" ao abater o alegado balão-espião que sobrevoava o território norte-americano desde terça-feira.

"A China expressa forte insatisfação e protesta contra o uso da força por parte dos EUA", sublinhou, em comunicado, o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que "se reserva o direito" de retaliar.

O Pentágono (Departamento de Defesa norte-americano) insiste que se tratava de um balão usado para espionagem.

O secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, sublinhou que o aparelho foi usado "pela República Popular da China para tentar espiar lugares estratégicos" nos EUA e falou numa "violação inaceitável" da "soberania" americana.

Pequim, por outro lado, reforçou a narrativa de que o aparelho era "um dispositivo civil usado para fins meteorológicos", que acabou por sobrevoar o território norte-americano "por causas de força maior", de forma "completamente acidental."

O balão foi abatido este sábado por um míssil lançado de um caça F-22 da Força Aérea dos EUA ao largo da costa da Carolina do Sul, no espaço aéreo americano.

Encontrava-se a cerca de 18 quilómetros de altitude e a uma distância de 11 quilómetros da costa, de acordo com responsáveis do Pentágono.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

COLÓQUIO e SOLILÓQUIO - origem e significado destas palavras

Conceito de Colóquio «Definição e o que é»
(Colóquio)
imagem in conceitos.com

COLÓQUIO é uma palavra que vem do latim colloquĭum, de collŏqui (conversar, conferenciar).

colóquio
co·ló·qui·o

sm

1 Conversação ou palestra entre duas ou mais pessoas.
2 Troca de confidências, conversa particular entre duas pessoas.
3 ECLES Diálogo ou debate entre duas ou mais pessoas sobre algum ponto de doutrina religiosa, de modo a buscar conciliação entre opiniões divergentes ou mesmo esclarecer alguma questão controversa.
4 Encontro de especialistas de determinado assunto com o objetivo de debater ideias ou discutir pontos de vista sobre um determinado tema.

ETIMOLOGIA lat colloquĭum (in https://michaelis.uol.com.br)


Então, e a palavra SOLILÓQUIO? Solilóquio vem/tem origem: 
Do latim soliloquĭum, um solilóquio é uma reflexão que se realiza em voz alta e, regra geral, de forma solitária. 

O conceito está associado ao monólogo e ao discurso deste tipo que realiza uma personagem de uma obra dramática. (in conceito.de)

SOLILÓQUIO? pesquisa in infoescola.com

O solilóquio é uma técnica frequentemente usada nos palcos teatrais ou nos romances. Termo de procedência latina, ele tem o sentido de ‘falar sozinho’. Enquanto no monólogo o personagem se dirige ao espectador ou ao leitor, nesta arte o enunciador dialoga consigo mesmo ou com sua alma, com a diferença de que não resume seus pensamentos ao plano de sua consciência, como no monólogo interior, mas os enuncia em voz alta diante de outrem, embora ignore sua presença.

No monólogo interior as expressões orais estão restritas ao nível subconsciente, portanto elas são emitidas irracionalmente, sem lógica alguma; os sentimentos jorram desprovidos de qualquer coerência. Contrário a este recurso, o solilóquio é organizado segundo padrões lógicos e com nexos racionais, mesmo que os pensamentos procedam de uma fonte psíquica e não do plano da razão.

Monólogos e solilóquios têm em comum o fato dos pensamentos e emoções partirem de um único ser, ou seja, a fala se resume somente a ele, portanto não há interlocutores que dialogam, mas sim uma criatura que derrama no palco ou nas páginas de um romance suas ideias e sentimentos.

Não há mediações entre o escritor/ intérprete e o leitor/ público. Há uma interação direta entre eles, quando a consciência de um se abre diante do outro, permitindo que os ouvintes ou leitores tenham acesso completo ao que lhe passa na alma. O narrador, sempre na primeira pessoa, direciona seu discurso ao outro como se estivesse conversando com alguém que o tempo todo permanecesse em silêncio, embora nesta técnica seja permitido transmitir tudo que a mente elabora.

Neste recurso dramático e literário o personagem verbaliza, portanto, na primeira pessoa, o fluxo que emana de sua consciência. Literariamente este termo foi consagrado por Santo Agostinho na sua obra ‘Líber Soliloquium’, na qual o filósofo procura insistentemente por um meio de comprovar a existência do Criador, através de ideias e raciocínios de alta erudição.

Esta técnica é muito utilizada no teatro, em animações, filmes, na poesia, na ficção, e em óperas, sempre que uma ária desempenha o mesmo papel que um monólogo ou um solilóquio nos palcos. No século XX estes recursos tornam-se frequentes nas obras literárias.

O solilóquio também era comum nos séculos XVI e XVII, especialmente nas produções de Shakespeare, como no famoso trecho de Hamlet – “To be or not to be” -, e de Gil Vicente, particularmente em sua Farsa de Inês Pereira, que justamente inicia com o uso deste recurso pela protagonista.

Na literatura atual, pode-se citar o clássico exemplo da autora Clarice Lispector, em seu livro O Coração Selvagem. Em seu solilóquio observam-se a clareza, a lógica, o nexo entre as partes e até mesmo a possibilidade de traduzir a descrição de uma paisagem.

solilóquio | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa
imagem in infopedia
 

Fontes:
https://web.archive.org/web/20101104055652/http://recantodasletras.uol.com.br:80/teorialiteraria/398133
http://pt.wikipedia.org/wiki/Solilóquio

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Festa de Nossa Senhora das Candeias festejada anualmente a 2 de fevereiro

Apresentação do Senhor
Vitral na Igreja de São Nicolau em Örebro, na Suécia.
Apresentação de Jesus no Templo
imagem in pt.wikipedia.org

Festa de Nossa Senhora das Candeias, a Candelária, festa das velas ou, em francês, LA CHANDELEUR, significam o mesmo. É a festa da Apresentação de Jesus no Templo, em Jerusalém.

A sua tradição é aqui contada:

Qual é a tradição de LA CHANDELEUR ou festa das candeias? ​

Cada feriado tem sua própria tradição culinária: o tronco de Natal (La bûche de Noël)  em 25 de dezembro para o Natal, a galette des rois em 6 de janeiro por ocasião da epifania, chocolates em abril para a Páscoa... e crêpes em 2 de fevereiro para a Festa de Nª Sª das Candeias. Mas por que, exatamente, salteamos crêpes na Chandeleur? E qual é a origem desta festa? 

Quando é comemorada a Chandeleur ou festa de Nª Sª das Candeias?

Como o Natal, a Epifania ou a Assunção, as Candeias é comemorada na mesma data todos os anos. A saber: 2 de fevereiro. Uma data que não é escolhida ao acaso, pois corresponde a um acontecimento muito particular da história. É um feriado cristão ou pagão? Celebrada no dia 2 de fevereiro, a Candelária comemora a Apresentação de Jesus no Templo, em Jerusalém. Maria e José, ao realizarem este gesto 40 dias após o nascimento de seu primogénito, perpetuam assim um costume hebreu. No passado, também celebrávamos a Purificação da Virgem Maria, após o parto.

Ao chegarem ao Templo, Maria e José encontram um velho chamado Simeão. Lucas, no seu Evangelho (2, 22-40), narra assim a cena: "Simeão tomou o menino nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, ó Mestre, podes deixar ir para a paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações pagãs, e glória para o teu povo de Israel. A Festa da Candelária está, portanto, associada à luz, leva o nome das velas carregadas pelos fiéis durante as procissões que aconteciam em Roma. Foi o Papa Gelásio I quem decidiu instituí-la para lutar contra o paganismo. A primeira ocorreu em 472. 

Apresentação de Jesus no templo
Apresentação de Jesus no Templo, imagem em https://www.rccbrasil.org.br

Festa litúrgica de Nossa Senhora das Candeias - Vatican News
Nª Sª das Candeias
imagem in vaticannews.va

La Chandeleur (A Candelária) ou a festa à luz de velas.

Nossa Senhora das Candeias: por que acender velas na janela?
imagem em dol.com.br

Na época da propagação do cristianismo no Império Romano, as festas pagãs ainda são muito populares. Elas devem ser levadas em consideração pela Igreja. A Candelária substitui assim as Lupercalia, festas em honra de Lupercus, deus da fertilidade, que aconteceu por volta de 15 de fevereiro. 

Por que comemos crêpes na festa da Senhora das Candeias?

Crepes com doce de morango | Receitas | Pingo Doce
imagem de pingodoce.pt


Pâte à crêpe - Cookidoo® – a plataforma oficial de receitas Bimby®
imagem in cookidoo.pt

Desde a Lupercália, para celebrar o fim do ano, acendiam-se velas à meia-noite e comiam-se crêpes de cereais para invocar o regresso do Sol. Redondos e amarelos, os crepes e mais crêpes lembram o disco solar. 

Quando instituiu a Candelária, o Papa Gelásio I mandou distribuir bolos - fáceis de fazer - aos muitos peregrinos que chegavam a Roma. Além disso, como o crêpe é feito com sobras de farinha da safra do ano anterior, ela é um símbolo de prosperidade. ​ 

Várias tradições estão associadas a ela, como a de explodir o primeira crêpe com a mão direita enquanto se segura um luís de ouro (ou uma moeda) na mão esquerda. Alguns, especialmente no sudoeste, até colocam o primeiro crêpe no topo de um armário para garantir felicidade e prosperidade em casa durante todo o ano. 

Se inicialmente eram feitos de uma mistura de farinha e água, os crêpes hoje têm muitos sabores. A oportunidade para as grandes marcas venderem açúcar, cremes para barrar, compotas... o suficiente para fazer nutricionistas e dentistas trabalharem! 

FONTE: in geo.fr 
(com a tradução e a adaptação possível; o que está sublinhado ou "a negrito" é meu)